sábado, 9 de março de 2013

Sábado: feito para o homem



Comentário da Lição da Escola Sabatina de 9 a 16 de março de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Neste trimestre já estudamos o sábado em lições anteriores em momentos isolados dentro do estudo semanal. Durante essa semana estudaremos exclusivamente sobre o sábado.
            Quando foi digitar o título do estudo desta semana cometi um equívoco e escrevi: Sábado: feito pelo homem. Seria tudo verdade caso eu estivesse me referindo ao domingo. O sábado tem as digitais do nosso Criador.
Certa vez, um senhor procurou o meu pai e fez um pedido. Disse ele: “A minha casa é pequena e o meu filho que vai nascer necessita de um quarto. O senhor pode construir um quarto em minha casa para ele?”
            O quarto foi construído para atender uma necessidade vital daquela criança. Ela não veio ao mundo por causa do quarto. Mas o quarto foi construído para atender a necessidade daquele garotinho. Com o sábado aconteceu o mesmo. Física e espiritualmente o homem necessita do sábado. E como Deus nos ama Ele criou esse dia especial para nós. Mas para que a sua observância seja completamente revitalizante ele deve ser observado da maneira como Deus nos orienta em Sua Palavra. 
            Jacques Monod, prêmio Nobel, escreveu: “O homem finalmente sabe que ele está sozinho na infinita imensidão do universo.” Mas a Bíblia afirma que não estamos sozinhos. Temos um Criador que nos ama e que interage conosco. E para incrementar esse relacionamento Ele criou um dia especial, dedicado exclusivamente para estarmos com Ele. O sábado é uma declaração de Deus de que não estamos sozinhos.
            Alguém escreveu: “Faça as contas, parar um dia na semana significa parar quatro dias no mês, parar quatro dias no mês, significa parar aproximadamente quarenta e oito dias no ano, parando quarenta e oito dias no ano, significa parar quatrocentos e oitenta dias em uma década. O que significa um ano e quatro meses parado? Raciocine comigo; você já pensou como seria o nosso mundo se a cada dez anos ele repousasse um ano e quatro meses sem receber nem um tipo de poluição? Faça suas contas, quantas toneladas de lixo o nosso planeta não teria produzido nos últimos 100 anos. Pois é exatamente isso um dos benefícios de se guardar o Sábado.”

Domingo
            O sábado é o último ato criativo de Deus. O Senhor decidiu concluir a criação com chave de ouro e, criou esse dia especial. É curioso que no primeiro sábado da criação Deus já deu um exemplo de como deve ser observado esse dia. Imaginemos Deus passeando pelo jardim ao lado do homem conversando amenidades e admirando cada obra da criação. Essa é a maneira que Deus espera que observemos o Seu dia.
            O sábado representa tranquilidade, sossego, paz confiança e muito mais. Ele é a certeza de que temos um Deus criador que Se importa conosco. Ao lado de um Deus assim temos segurança de que estaremos bem guardados.
            A Bíblia nos mostra como o sábado foi criado, qual o proposito de Deus ao fazê-lo. É ela que nos ensina como observá-lo. Com tanta clareza bíblica não dá para entender como a maioria ignora esse dia e observa outro que não tem nenhuma referencia bíblica. É realmente a obra de um grande engano.

Segunda
            Deus mostra na Bíblia que a observância do sábado é um sinal de libertação do cativeiro do pecado. Israel, enquanto viveu no Egito, foi escravo. Não tinha liberdade de adorar o Deus criador e os israelitas chegaram ao ponto de adorar outros deuses.
            Ao serem libertos do cativeiro, foi-lhes outorgada liberdade de adorar ao Deus verdadeiro. O descanso no sábado seria um momento de refletir sobre essa liberdade. Uma liberdade que proporcionava também o privilégio de descansar um dia na semana, coisa impossível no Egito.
            Um dia, pelo sangue de Cristo estaremos para sempre livres da escravidão do pecado. Quando isso acontecer, entraremos no repouso que Deus está preparando para os Seus filhos errantes. “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus” (Hebreus 4:9). E Isaias completa: “E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor” (Isaías 66:23).    
            Uma vez que o homem aceita o sacrifício de Cristo e se propõe a servi-Lo o Senhor o livra da escravidão do pecado. Não somos mais servos de Satanás. Temos a liberdade de servir ao Senhor criador do céu e da terra.
            O sábado acontece a cada seis dias. Mesmo assim Deus pede para não nos esquecermos desse dia especial. Ao lembrarmo-nos de santificar o sábado, jamais esqueceremos que fomos criados e redimidos por Cristo. Mesmo com todas essas conotações Deus viu que Satanás se empenharia ao máximo para apagar esse dia da mente dos filhos de Deus.
Ao conseguir esse intento Satanás não só desviou a mente do homem de o Deus criador, mas apagou de sua mente a lembrança do sacrifício de Cristo na cruz. Prevendo que isso aconteceria o Senhor antecipou ao mandamento do sábado a palavra “lembra-te”. Mesmo assim, apenas uma minoria atenta para o memorial da criação e da redenção.

Terça
            Já mencionei em outros comentários que certa vez, numa manhã de sábado peguei o metrô em Brasília para visitar determinada igreja. Ao entrar me deparei com um senhor vestido com terno e com uma Bíblia na mão.
            Perguntei se ele era um adventista. Respondeu que era de determinada igreja evangélica e que iria participar de um encontro especial. E sem pausar já foi dizendo: “O senhor está transgredindo o sábado porque esta se deslocando a uma distância não permitida para o dia de sábado.” E acrescentou: “Esta escrito lá e você deve saber.”
Procurei saber a que sábado ele se referia. O sábado criado pelos judeus ou o sábado criado por Jesus? E acrescentei: “Nos observamos o sábado e seguimos as orientações de Quem criou o sábado.” Depois de um silêncio de alguns segundos ele me perguntou: “Qual é a próxima estação?”
            Os evangélicos de modo geral insistem que o sábado foi anulado ou pregado na cruz. Os católicos, por sua vez, aceitam que o sábado é o quarto mandamento da lei de Deus, mas afirma que a Igreja Católica, usando de sua autoridade, mudou o sábado para o domingo em comemoração a ressurreição de Cristo. É impressionante como Satanás consegue implantar dúvidas e promover confusão!
            Em nenhuma das manifestações de Jesus a respeito do sábado Ele jamais, pelo menos, insinuou que o quarto mandamento tenha sido abolido. Pelo contrário, o Mestre sempre exaltou a observância desse dia especial. Veja alguns exemplos: “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos” (Tiago 2:10); “E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Marcos 2:27); “E desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e os ensinava nos sábados” (Lucas 4:31).
            Jesus tinha por costume fazer duas coisas no sábado, ir à sinagoga e fazer o bem. Imaginemos como Jesus anularia um único mandamento da Lei de Deus e não toda a Lei?

Quarta
            Na nota da página 137, no último parágrafo lemos: “...Em nenhum lugar da Bíblia encontramos algo como o sábado, que aponte tão plenamente para Ele como criador.”
            O sábado é o único mandamento que fala de Deus como o nosso Criador. O quarto mandamento da Lei de Deus é o único que propõe a unir a família, amigos, empregados, patrões e até desconhecidos que estejam entre nós. Considero o sábado um mandamento polivalente.
            A mensagem de Apocalipse 14:6 e 7 é um convite universal para adorar o criador do Céu e da Terra. Não há como adorar esse Deus criador e ignorar o dia que Ele criou e imprimiu as Suas próprias características.
            O sábado não só é um convite para adorarmos o Criador do Universo e do próprio sábado, mas enfatiza também, que o mundo foi criado em seis dias.
            Sabemos que existe um poder que alterou o mandamento do sábado e está convidando a humanidade para dar ao domingo as mesmas características que Deus imprimiu no sábado.
             Em sua carta apostólica “Dies Domini” página 12, o papa João Paulo II afirmou: “É necessário, portanto, reler a grande página da criação e aprofundar a teologia do “sábado”, para chegar à plena compreensão do domingo.”
            Satanás conseguiu um relativo êxito em sua luta para ofuscar Deus da mente dos homens e uma de suas ações foi levar a humanidade a se esquecer do sábado. Não é por mero acaso que o mandamento começa com um sonoro “lembra-te”.
            Pedro fala de um tempo em que os fiéis observadores do sábado e que aguardam a volta de Jesus seriam ironizados. Diz o texto: “Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências,
e dizendo: Onde está a promessa da Sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação”  (2 Pedro 3:3-4).
            Parecem que estão a dizer: “Mudamos o sábado para o domingo e nada de especial nos aconteceu.” E quanto a vota de Jesus perguntam com escarnio: Onde está a promessa da sua vinda?
            Quando eu era criança era comum entre os colegas dizer: “Deixa estar o jacaré que a lagoa há de secar.” Sim um dia essa lagoa de engano vai secar, quando a Lei de Deus for escrita no Céu o pavor tomará conta de todos os escarnecedores. E “onde está a promessa de Sua vinda?” Espero que ela esteja bem arraigada no fundo de nosso coração.

Quinta
Quando estudava no antigo CAB lá pelos idos de 1965 ouvi um sermão proferido pelo pastor Flávio Araújo Garcia, naquela época, regente do coral Carlos Gomes.  A sua mensagem foi centrada no verso três do salmo oito. Diz o texto: “Sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o saltério; sobre a harpa com som solene.” 
Lembro que ele fez uma analogia do instrumento de dez cordas com a Lei dos Dez Mandamentos. Ele mostrou que toda a beleza do salmo oito deveria ser cantada ao som desse instrumento de dez cordas. Ou melhor, a Lei de Deus. É ela que dá som e harmonia no universo. Sem ela o mundo seria um caos.
Para aquele pastor toda a grandeza de Deus, todo o Seu poder, toda a Sua bondade, toda a Sua orientação sobre justiça e todo o Seu cuidado por nós está centrado na Lei dos Dez Mandamentos. Ele finalizou o sermão dizendo: “Se a tua lei não fora toda a minha recreação, há muito que pereceria na minha aflição” (Salmos 119:92).
Quanta lição encerra o salmo oito! É realmente um salmo propicio para a nossa meditação no santo sábado. É o único dia da semana que tem um salmo especialmente dedicado a ele. Não existe nenhum texto similar na Bíblia que venha focar e dar um caráter especial a outro dia da semana.

Conclusão
            A mente de nossas crianças está dia a dia sendo bombardeada por ideias evolucionistas. Nas escolas, nos meios de comunicação a evolução é enfatizada como se fosse verdade.  O Deus criador, provedor, mantenedor e redentor está cada vez mais distante do pensamento humano. 
O salmo oito deve ser a nossa arma secreta para ser usada a todo o momento, principalmente nas horas sagradas do sábado. Ele nos aproxima de Deus e firma o nosso pensamento de que existe um Criador que nos ama. O sábado é o “dia do Senhor” porque foi criado por Ele. 

domingo, 3 de março de 2013

Mordomia cristã e meio ambiente


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 2 a 9 de março de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Sempre que estudo o tema da lição de hoje me vem à mente a dupla função outorgada por Deus ao homem depois da criação. Diz a Bíblia: “E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar” (Gênesis 2:15).
Para mim esse texto retrata toda a mensagem de mordomia e meio ambiente apresentada na Bíblia.
            Há poucos dias visitei um agricultor adventista. Ele demonstrava chateado com as exigências governamentais sobre meio ambiente e ecologia. Segundo ele, com as limitações impostas para preservação do meio ambiente, em breve o mundo não conseguirá produzir alimentos para sustentar sete bilhões de pessoas.
            Até certo ponto esse irmão tem lá as suas razões. Porém, mais interessado que o governo sobre a ecologia deveria estar nós, adventistas do Sétimo Dia e conhecedores da orientação divina dada ao homem nos primórdios de nosso mundo.
            Caso o homem praticasse essa orientação divina o nosso planeta seria quase um Éden e não haveria escassez de alimentos, teríamos melhor qualidade de vida e consequentemente uma longevidade acentuada e saudável.
            Porém, o homem com o seu egoísmo desenfreado e a sua ganancia por dinheiro tem provocado o desequilíbrio na natureza e está arrebentando com o seu próprio corpo.
Doenças, pestes nos animais, catástrofes e um ambiente sofrível tem sido o nosso quinhão.
            A Igreja Adventista do Sétimo Dia insiste em apresentar uma maneira saudável de viver e, nesse contexto, a preservação do meio ambiente faz parte de nossas preocupações.
            Já ouvi algumas pessoas dizer que a nossa preocupação e cuidado com o meio ambiente pouca ou nenhuma diferença faz no planeta, ao vermos como se comporta a humanidade como um todo. Do meu ponto de vista não interessa se a nossa postura está sendo notada ou não. O que realmente me interessa saber é se como mordomos de Deus estamos cumprindo o nosso papel.

Domingo
            Gênesis 2:15 tem uma amplitude que poucos detectam. Essa orientação divina foi dada antes do pecado. Podemos imaginar como era o nosso planeta e, em especial o jardim do Éden. Guardar o jardim do Éden era preservar a própria existência. Infelizmente o homem falhou e a sua primeira desventura foi poluir o jardim do Éden com o pecado. Os nossos pais baixaram a guarda e a terra passou a produzir espinhos e cardos.
            Hoje existe uma preocupação para preservar os animais em extinção. Aos poucos eles vão desaparecendo da face da terra e sua falta já provoca distúrbios em nosso eco sistema. Como mordomos de Deus, estamos falhando redondamente.
            Na criação Adão foi incumbido de dar nomes aos animais. Podemos imaginar como era a fauna naquela época. Adão deu nome a todos eles, mas nós não estamos dando condições para que eles vivam e cumpram o seu papel ecológico sobre a terra. Continuando assim, em breve eles só existirão em fotos e vídeos.
            Criado à imagem e semelhança de Deus, ao homem foi outorgado a glória do raciocínio e do livre arbítrio. Além de um corpo escultural de formas invejáveis ele foi honrado em ter domínio sobre todos os animais. Davi ficou impressionado com os atributos a nós oferecidos. Como somos racionais, ou pelo menos deveríamos ser, temos a responsabilidade de cuidar e responder pelos irracionais.

Segunda
            O tema de hoje aborda Deus como o proprietário de todos os animais. Ele os criou e todos pertencem a Ele.
             O primeiro telefone que vi em minha vida foi na casa de um fazendeiro que morava em minha cidade natal. Ele era criador de gado e o telefone ligava a sua casa com a fazenda. Diariamente ele falava com o seu vaqueiro e passava orientações de como o gado deveria ser cuidado. O vaqueiro, por sua vez, amava o que fazia e mantinha os animais bem tratados, escovados e medicados. Quando algum comprador visitava a fazenda ficava encantado com a qualidade e beleza dos animais. Certa vez, aquela fazenda produziu uma vaca Zebu que, ao ser vendida, alcançou o maior valor visto na região.
            Deus é o fazendeiro, dono de tudo o que está ao nosso redor. Ele passou e continua passando orientações de como devemos cuidar do Seu patrimônio. O exemplo daquele vaqueiro é um desafio para nós hoje.
            O pastor Josué de Castro, falando de Deus, apresenta três motivos para sermos fieis mordomos. 1° - Deus tem a Soberania – “Eu Sou o Senhor e não há outro, além de Mim não há Deus”. Isaias 45:5 (Sal.24:1 e 2; Salmo 50:10-12; Ageu 2:8).
2° - Deus Tem a Supremacia – “Eu Sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra as imagens de escultura”. Isa. 42:8 ( Dan. 2:20-22). 3º - Deus Tem a Primazia – “Eu Sou o primeiro e Eu sou o último; além de Mim não há Deus”. Isaias 44:6 (Êxodo 20:3; Colossenses 1:18).
Em se tratando de cuidado Deus espera que ampliemos o nosso leque. Como tudo que temos e somos veio Dele, a nossa responsabilidade abrange o cuidado com o nosso corpo, com os nossos talentos, com as nossas posses e a nossa inteligência.
Deus é digno de receber honra e glória porque tudo que há no Universo veio Dele. E a melhor maneira de honra-Lo e glorifica-Lo, é cuidar do Seu patrimônio que inclui tudo que somos e tudo que está ao nosso redor quer perto quer longe.

Terça
            O mandamento do sábado nos ensina três coisas. 1º - Deus é o criador de todas as coisas inclusive do sábado. 2º - O sábado não é nosso, é Dele. 3º - Aos olhos do homem esse descanso nem sempre é necessário, pois ele pode até se esquecer dele. Mas para Deus que nos criou e conhece as nossas limitações físicas o descanso semanal é necessário.
            Ao observarmos o sábado estamos testemunhando para o mundo que Deus é o criador de todas as coisas.
            O descanso semanal como orienta a Bíblia inclui o físico e o mental e quando praticado ele renova a nossa experiência cristã. O sábado é um período de 24 horas em que fechamos as cortinas para o interesse próprio e financeiro e abrimos as janelas da alma para receber as bênçãos que o Criador deseja nos proporcionar.
            Costumo dizer que, caso não existissem o mandamento do sábado e nenhuma outra referencia a este dia em toda a Bíblia, o que temos em Isaias 58:13-14 seria suficiente para observamos o Sábado sem apresentar qualquer questionamento. Diz o texto: “Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse.”
            Podemos imaginar como seria o mundo se toda a humanidade observasse o sábado. A própria terra seria revigorada nesse dia e Deus seria exaltado por todo o planeta. Diz Ellen G. White: “Tivesse sido o sábado sempre guardado, os pensamentos e afeições dos homens teriam sido dirigidos para o seu Criador como objeto de reverência e culto, e jamais teria existido um idólatra, um ateu ou um infiel” (História da Redenção, p. 382-383). 

Quarta
            O nosso estado físico tem tudo a ver com a nossa mente. Caso o nosso corpo seja maltratado a nossa mente será atingida.  Com o nosso cérebro danificado a nossa relação com o Criador será comprometida.
            Caso eu abarrote o estômago o sangue que deveria irrigar o cérebro estará sendo usado para digerir o alimento ingerido e a mente não terá a fluidez que permita o Espírito Santo atuar.
            Deus criou essa máquina humana e ao fazê-lo Ele providenciou um manual de instruções para a sua manutenção. Quando o homem ignora esse manual o corpo e a mente pagam as consequências.
            É curioso que o mesmo mandamento que nos orienta a descansar no sábado é o mesmo que adverte trabalhar os seis dias da semana. Isso mostra o quanto o trabalho é salutar para o corpo humano. Deus sabe que necessitamos exercitar os seis dias da semana. Ele nos deixou os limites para o trabalho e para o descanso.
            Quando o centurião procurou Jesus para que Ele curasse o seu servo, a resposta de Jesus foi: “Eu irei, e lhe darei saúde” (Mateus 8:7). Jesus quer visitar a nossa casa para nos dar saúde.
            Hoje a gulodice, a embriaguez , o trabalho excessivo, a competitividade e a agitação da vida moderna, tem levado milhares prematuramente para a sepultura.  E pior: deixam para trás uma quantidade de lixo que seria bem menor caso tivessem vivido dentro dos padrões deixados por Deus. São pessoas que desprezam a advertência divina: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1 Coríntios 6:19-20).

Quinta
A mordomia cristã está calcada em alguns princípios que fazem a identificam como uma criação divina. Deus ao criar todas as coisas disse que tudo era “muito bom”, E nós os seus mordomos, da maneira como tratamos o planeta parece que estamos a dizer: Tudo é muito ruím.
            Vejamos alguns princípios da mordomia:
- Deus é o proprietário de tudo. E falando do ser humano Ele é o nosso proprietário duas vezes. Pela criação e pela redenção ou recriação.
- Somos devedores. Davi preocupado com essa situação Davi exclamou: “Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?” (Salmos 116:12). Ele mesmo responde: “Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do Senhor. Pagarei os meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo o seu povo” (Salmos 116:13-14).
- Antídoto contra o pecado. Pecados como a glutonaria, embriaguez, Avareza, etc.
- Entrega total. O fiel mordomo entrega tudo a Deus porque Ele é o proprietário de tudo
- Dar com gratidão e com alegria - Mordomia tem mais a ver com a atitude do que com as ações e, começa com gratidão, não com ofertas. Os macedônicos deram com alegria. (II Coríntios 8:2- 4).
- Parceria com Deus – Ser mordomo é viver e trabalhar em parceria com Deus. E que parceiro! Cristo não nos pede para trabalhar para Ele, mas com Ele.
- Canal das bênçãos de Deus. “E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos” (Malaquias 3:12).
A promessa de Deus para os Seus mordomos é: “Disse-lhe o seu Senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25:23).

Conclusão
            O mundo em que vivemos é um presente de amor do Deus Criador.  Aquele
que fez o céu, a Terra, o mar e as fontes das águas" (Apocalipse 14: 7). Dentro dessa criação Ele colocou os seres humanos, ligados intencionalmente em relacionamento com Ele, com outras pessoas e com o mundo ao redor. Portanto, como adventistas do sétimo dia, consideramos que a preservação e cuidado do meio ambiente estão intimamente relacionados com nosso serviço para Ele.
"Visto que a pobreza humana e a degradação ambiental estão inter-relacionadas,
comprometemo-nos a melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas. Nosso
objetivo é o desenvolvimento sustentável dos recursos, enquanto atendemos às
necessidades humanas. [...]
"Nesse compromisso, confirmam nossa condição de mordomos da criação
de Deus e cremos que a total restauração será alcançada somente quando Deus
fizer novas todas as coisas" (Extraído de "Cuidando da Criação, uma Declaração
da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia sobre o Meio Ambiente", votada
em 12 de outubro de 1992).

             
              

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Casamento: um presente dado no Éden


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 23 de fevereiro a 2 de março de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
Há poucos dias uma mulher famosa foi surpreendida beijando certa mulher que tinha compromissos de relacionamento com outra mulher. Lembrando que a primeira foi casada e é mãe de três filhos. Histórias assim mostram a que ponto chegou a humanidade na distorção da grande bênção do casamento agraciada por Deus ao homem no Éden.
O casamento é algo tão profundo que foge à nossa compreensão. Dentro do planejamento divino ele foge das leis da física e da matemática. Como pode dois se tornar em um e ao mesmo tempo ocupar espaço de dois?  Apenas Deus é capaz de criar algo assim.
Deus criou a mulher para ser igual com o homem em autoridade e respeito. Mas o pecado criou barreiras. Dizem que um dos três orgulhos do judeu é ter nascido homem.
No casamento nenhum dos cônjuges deve exercer poder autoritário sobre o outro. O plano divino é que haja em cada um o mesmo sentimento de Jesus. Ou seja: amor incondicional e a disposição de um dar a vida pelo outro caso necessário.
Todo casal que pauta a sua vida conjugal dentro dos princípios estabelecidos pelo céu desfruta de uma felicidade que dificilmente se vê nos dias de hoje. 
  Deus sabe o quanto a solidão é prejudicial ao ser humano. Isso no campo social, sentimental e espiritual. O homem é um ser social. Em todos os sentidos da vida não é bom que o homem ou a mulher estejam sós.

Domingo
Adão ao ser criado viu que todos os animais tinham a sua companheira. Parece que Deus deu um tempo para criar Eva para que Adão sentisse a falta e a necessidade de alguém que lhe fizesse companhia. Assim a chegada de Eva seria valorizada pelo homem que até então estava só.
Ao criar uma companhia idônea para Adão, Deus prodigalizou para o homem alguém do mesmo nível. Deus tomou todas as providencias para criar um casal onde a igualdade promovesse a união.
Para criar a mulher Deus aplicou uma anestesia geral em Adão. Ao acordar, ele se deparou com uma mulher de estrema beleza. Ao criar a mulher de uma das costelas de Adão o Senhor intentou mostrar que ambos eram uma só carne e tinham o mesmo sangue pulsando nas artérias.
O jardim do Éden era o lugar mais lindo que existia na face da Terra. Podemos imaginar como essa beleza foi completada com a presença da mulher. Agora Adão passeava com Eva pelo jardim como a dizer para os animais: “Agora eu também tenho companheira.”
O autor da lição afirma que ao ser criado à imagem e semelhança de Deus, enquanto estava só, Adão encontrou dificuldades para refletir plenamente essa imagem.

Segunda
            Deus poderia, num passe de mágica, criar uma companheira para Adão, mas Ele preferiu não agir assim. Para a criação de Eva Deus não usou o barro, mas o resultado do barro, Adão. Deus desejava formar um casal com bastante similaridade entre si, e o próprio Adão reconheceu isso ao dizer: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne” (Gênesis 2:23).
            O mundo seria bastante diferente caso cada homem tivesse esse mesmo pensamento: “A mulher é carne de minha carne e ossos dos meus ossos.” Homens que vivem segundo o mundo afirmam que essa é a causa de algumas mulheres serem um osso duro de roer.
            Como a Trindade é formada de três pessoas e o homem fora criado à imagem e semelhança da Trindade, essa imagem só seria bem entendida por Adão quando ele tivesse uma companhia com quem pudesse interagir de igual para igual. A chegada dos filhos completou a sua compreensão de sua similaridade com o Criador.

Terça
            Todo jovem sonha com um casamento ideal. Mas poucos conseguem realizar esse sonho. As estatísticas revelam que o número de casamentos aumentou 4,5%. Mas os brasileiros nunca se divorciaram tanto como ultimamente. Em 2010, foram registrados 243.224 divórcios ou 36,8% a mais do que em 2009. Outro dado interessante é que aumentou o índice de divorcio entre casais sem filhos. O que mais assusta é o índice vertiginoso de pessoas que se recasam até cinco vezes.  Troca-se de mulher ou marido como se troca de camisa.
            Vemos claramente se cumprindo as palavras bíblicas referentes ao tempo do fim. Disse Jesus: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem” (Mateus 24:37-39)
            Uma estatística afirma que numa escala de 1 a 10 para as causas de separação, a traição está em primeiro lugar e a interferência dos sogros ficou em quinto. É bom lembrar que antes de a traição ser consumada alguma ou algumas coisas erradas, provavelmente, já vinham interferindo na vida do casal.
            Diz Ellen G. White: “O casamento é alguma coisa que influenciará e afetará vossa vida tanto neste mundo como no por vir” (O Lar Adventista, p. 43). O mundo seria bem diferente caso a humanidade levasse a sério as palavras Daquele que instituiu o casamento: “E serão os dois uma só carne” (Marcos 10:8).  A Bíblia enfatiza a necessidade de equilíbrio entre o casal. O homem deve estar disposto a dar a sua vida , se necessário for, em prol da esposa. A esposa por outro lado deve ser submissa ao marido “no Senhor”. Diz Ellen G. White: “Quando os maridos exigem completa sujeição de suas esposas, declarando que a mulher não tem voz ativa ou vontade na família, mas deve mostrar inteira submissão, estão colocando suas esposas numa posição contrária à Escritura” (O Lar Adventista, p.116). 

Quarta
            Já mencionamos acima que a infidelidade conjugal é o principal fator de separações entre casais. Há poucos dias ouvi de um casal que participava de relações sexuais com outros casais e confessaram: “Nós não nos envolvemos com qualquer casal. Não há ciúmes entre nós e o nosso relacionamento matrimonial se firma cada vez mais.”
            Ao vermos declarações assim chegamos a uma triste conclusão: Como o casamento está banalizado! Satanás tem feito de tudo para atingir as duas instituições criadas por Deus no Éden: O casamento e o sábado.
            “A iniquidade nutrida por jovens e idosos; os namoros e casamentos imprudentes, profanos, não podem deixar de dar em resultado disputas, contendas, desunião, condescendência com irrefreadas paixões, infidelidade de maridos e esposas, na indisposição para refrear os desejos voluntariosos, desordenados, e na indiferença para com as coisas de interesse eterno” (O Lar Adventista, p. 53).  
            A nota da lição apresenta um texto pesado de Ellen G. White: “Se todos quantos professam obedecer à lei de Deus estivessem isentos de iniquidade, minha alma sentir-se-ia aliviada; não o estão, porém. Mesmo alguns que professam guardar todos os mandamentos de Deus são culpados do pecado de adultério. Que posso eu dizer que lhes desperte as adormecidas sensibilidades? Os princípios morais, estritamente observados, tornam-se a única salvaguarda da alma” (Conselhos Sobre Saúde, p. 621,622). 
            Alguém escreveu: “Um casamento bem-sucedido precisa de “devoção exclusiva” por parte dos cônjuges. O que isso significa? Embora seja normal ter amigos de ambos os sexos, seu cônjuge é quem tem prioridade sobre seu tempo, atenção e energia emocional. Qualquer outro relacionamento que recebe o que de direito pertence a seu cônjuge é um tipo de “infidelidade”, mesmo que não envolva atividade sexual.”

Quinta
            Estudando o tópico de quinta-feira descobri algo interessante. Não é a noiva que se atavia para receber o noivo. É o noivo que proporciona todo o necessário para que a Sua noiva se apresente bela e gloriosa. “...pois era perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti” (Ezequiel 16:14).  É Cristo que torna a Sua noiva que sou eu em “gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Efésios 5:27). Jesus faz isso porque primeiro Ele nos amou: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:25). “gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Efésios 5:27).
Quando Cristo voltar a essa Terra, então acontecerão as bodas do Cordeiro. Então Ele nos oferecerá as vestes apropriadas para o grande encontro. Surge o perigo de, como aconteceu com o convidado para a grande ceia, eu recusar as vestes especiais. Para os que se recusarem não haverá casamento. Lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. (Apocalipse 19:7-9). Toda as vestimentas e adornos da noiva foram ofertados pelo noivo, Ezequiel 16:1-14. “...pois era perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti” (Ezequiel 16:14).  
Deus fez tudo isso porque tem um alvo elevado para a Sua igreja. Ele espera receber uma noiva perfeita como um troféu para o Universo. “para apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Efésios 5:27).  Para conseguir esse  propósito  Ele amou essa igreja até o fim (João 13:1).

Conclusão  
            Deus procurou demonstrar o Seu relacionamento com a Sua igreja usando algo que fosse fácil de ser compreendido pelo homem. E a linguagem do matrimônio foi a mais próxima encontrada pelo Criador. O relacionamento entre marido e mulher, com raríssimas exceções é algo comum a todos os seres humanos. Com o detalhe, o amor entre Deus e a Sua igreja supera em muito o amor praticado entre marido e mulher.            

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Jesus, provedor e mantenedor


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 16 a 23 de fevereiro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central da Taguatinga, DF.
 Introdução
Certa vez um ouvinte surpreendeu o pastor com a pergunta: “E se Jesus sair de férias?” É intrigante imaginarmos um Jesus que trabalha diuturnamente, trinta dias por mês e séculos a fio sem interrupções. Felizmente o nosso Deus definitivamente não sai de férias.
Faz alguns anos um jornalista narrando uma apavorante onda de violência em determinada região fez a seguinte observação para o âncora do jornal: “Parece que Deus está cochilando.” Ele não sabia que “...não dormirá Aquele que te guarda” (Salmo 121:3).
  Diariamente todos nós necessitamos de horas de repouso e, geralmente desfrutamos de um mês de férias. Quando alguém é solicitado a fazer algumas horas a mais de trabalho, recebe um salário extra. Mas Jesus não recebe nenhum salário como nosso provedor e mantenedor. Como pode alguém se dispor a um trabalho ininterrupto de graça?
Em se falando da Terra, ao proceder assim, Jesus é motivado por três coisas. Primeiro é o Seu amor pelas Suas criaturas criadas à Sua imagem e Semelhança. E em segundo lugar Ele tem um projeto para cada um de nós e para este mundo. Em terceiro lugar, Ele mostra o Seu amor para o Universo ao cuidar com tanto esmero de um mundo que O levou a morrer numa cruz.
Mas o Seu cuidado não está restrito a nós e ao nosso planeta. Ele mantem todo o Universo em perfeita ordem. Os bilhões de mundos no universo não são estáticos, mas em suas órbitas milenares eles seguem a rota desenhada por Aquele que tem tudo em Suas mãos. Afirma Ellen G. White: “Os animais do campo obedecem à lei de seu Criador no instinto que os governa. Ele fala ao orgulhoso oceano: "Até aqui virás, e não mais adiante" (Jó 38:11); e as águas são prontas para obedecer a Sua palavra. Os planetas estão dispostos em perfeita ordem, obedecendo a leis que Deus estabeleceu. De todas as criaturas que Deus fez sobre a Terra, só o homem é rebelde” (Santificação, p. 76).
Jesus dispõe de quatro poderes especiais. São eles: O poder criador, o poder provedor, o poder mantenedor e o poder salvador. Graças a esse Jesus poderoso nós “...vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração” (Atos 17:28). E o melhor de tudo, temos a garantia de uma vida eterna. 

Domingo
A Bíblia é muito clara ao apresentar Jesus como o Criador e mantenedor do Universo. Hebreus apresenta o Salvador como o criador de todas as coisas. “A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo” (Hebreus 1:2). Na sequencia Hebreus fala de Seu poder mantenedor: “...sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hebreus 1:3). E no mesmo capítulo completa: “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Colossenses 1:17).
Jesus oferece Sol, chuva e ar para todos os seres humanos independente de raça, cor e da postura de cada um a respeito Dele. A Bíblia afirma: “Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mateus 5:45).
A imparcialidade de Deus na manutenção do ser humano é algo intrigante. Como pode Deus prover de graça todas as necessidades vitais para indivíduos que O afrontam e O vituperam? É algo que só o Seu amor incondicional pelo ser humano explica.
Paulo “...Somos também sua geração” (Atos 17:28),Essa afirmação de Paulo nos leva a dois pensamentos. Primeiro, que fomos gerados por Ele e, segundo, fazemos parte de Sua geração ou consistência, pois fomos criados à Sua imagem e semelhança.

Segunda
            Antes de criar o homem Deus Se preocupou com duas coisas. Criar um planeta com condições habitáveis para o homem. Tudo foi rigorosamente planejado. O Sol foi posicionado numa distância específica de tal modo que a temperatura na Terra se mantivesse em condições ideais para a sobrevivência do homem e dos animais.
            A sequência de chuvas e o ar abundante é resultado de um planejamento que o ser humano não é capaz de entender. Em Gênesis 8:22 Deus faz um pacto de manutenção da vida na Terra. Diz o texto: “Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão”.
            A segunda providencia divina foi preparar na Terra um jardim. Ellen G. White afirma: “O jardim do Éden, lar de nossos primeiros pais, era extremamente belo. Graciosos arbustos e flores delicadas deleitavam os olhos a cada passo. Havia ali árvores de toda espécie, muitas delas carregadas de frutos fragrantes e deliciosos. Em seus galhos, trinavam os pássaros seus hinos de louvor. Adão e Eva, em sua pureza imaculada, deleitavam-se no que viam e ouviam no Éden” (Conselhos Sobre Saúde, p. 266).
            Antes da criação do homem Deus proveu tudo para que a humanidade desfrutasse de plenas condições de vida. Como a ordem divina foi “crescei e multiplicai” imagino que era o proposito de Deus, à medida que a população do mundo fosse aumentando sem pecado, ampliar o jardim do Éden até ele envolver toda a Terra. Esse proposito ou sonho de Deus será plenamente realizado quando forem criados novos céus e nova terra, uma vez que o pecado não mais existirá. “Porque, como os novos céus, e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante da minha face, diz o Senhor, assim também há de estar a vossa posteridade e o vosso nome” (Isaias 66:22).
“No mundo do porvir, Cristo conduzirá os remidos ao rio da vida, ensinando-lhes maravilhosas lições de verdade. Abrirá diante deles os mistérios da Natureza. Verão que existe uma poderosa Mão a manter os mundos em seu lugar. Contemplarão as habilidades do Grande Artista em colorir as flores dos campos e compreenderão os propósitos do misericordioso Pai, que dispensa cada raio de luz” (A verdade Sobre os Anjos, p. 286).

Terça
            Faz alguns anos vi uma imagem na TV que jamais vou me esquecer. Em uma cidade paupérrima no exterior abateu uma forte tempestade. Os casebres e os animais eram levados de roldão pela caudalosa enxurrada. De repente aparece em meio aos escombros uma garotinha de uns dez anos. Em sua luta pela sobrevivência ela conseguiu se segurar em alguma coisa. Mas como volume de água crescia assustadoramente em poucos minutos ela foi completamente coberta.  Nunca vou me esquecer daquele rostinho lindo implorando compaixão.
Como associar o amor e cuidado de Deus com um quadro desses?  Ellen G. White afirma: “Doença, sofrimento e morte são obra de um poder antagônico” (A Ciência do Bom Viver, p. 113). O que me conforta é o pensamento de que eu não tenho explicações para tudo e se as tivesse eu seria Deus.
            O Criador tem permitido que Satanás promovesse dor, sofrimento e angustia para que o Universo conheça melhor quão mau é o seu caráter. Quando as suas atrocidades chegar ao limite estipulado pelo Céu Deus intervira e fará justiça. Então todo o Universo verá que Deus é justo.
            O autor da lição faz a observação de que Deus não respondeu todas as perguntas de Jó mas fê-lo compreender que existiam coisas além do seu conhecimento e que ele precisava confiar em Deus.
            Com o pecado todo ser humano está sujeito a doenças, desastre e catástrofes. Quando o mal for exterminado na volta de Jesus teremos as respostas das dúvidas que hoje nos assaltam.

Quarta
            O cuidado de Deus pelos Seus filhos é algo incompreensível para nós. Sempre que estudo esse assunto me vem à mente a história as Ismael. “E ouviu Deus a voz do menino, e bradou o anjo de Deus a Agar desde os céus, e disse-lhe: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino desde o lugar onde está” (Gênesis 21:17).
            Agar com o seu filho Ismael foram expulsos de casa por Sara, mulher de Abraão. Lá no meio do deserto acabou a água e o pouco alimento que levara. Agar não suportando ver Ismael chorar de fome e sede, e sabendo que o seu fim seria a morte, ela tentou fugir da sena colocando o menino a uma distancia o suficiente para não ouvir o seu último choro.
            Enquanto Ismael chorava lá bem distante, ela chorava aqui. Quando tudo parecia perdido aparece o anjo do Senhor.  O mensageiro celestial sabia muito bem o problema de Agar, mesmo assim perguntou: “O que tens Agar?” Antes de ouvir a sua resposta ele completou: “Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino desde o lugar onde está” (Gênesis 21:17).
            Ao saber que Deus ouviu a voz da criança Agar teve uma noção do grande amor de Deus. O Criador onipotente ouviu não a sua voz, mas a voz de uma criança que já havia sido abandonada pela mãe.  Ela entendeu que Aquele que mantem os mundos estava interessado em manter a vida de uma criança abandonada.
            O homem deteriorou e, a cada dia que passa, está deteriorando mais e mais o nosso mundo. Mesmo assim Deus não nos trata segundo a nossa estultícia.  Ele ainda cuida de nós e do nosso planeta.

Quinta
            No estudo de quinta-feira, o autor da lição procura despertar em nós a confiança nesse Deus que está sempre pronto a prover as nossas necessidades. É complicado quando observamos que a maioria de nós não demonstra muita fé nas promessas de Deus de prover as nossas necessidades. A correria que caracteriza a maioria de nós e o estresse a quem muitos se submetem falam bem alto de nossa pouca confiança em Deus. 
            Necessitamos trabalhar para prover as necessidades de nossa família. Mas dai partir para uma rotina extenuante preocupado em garantir a qualquer preço um futuro seguro é uma obsessão que foge ao plano de Deus.
             Creio que todos nós temos experiências próprias de como Deus resolveu uma situação que para nós, em algum momento, parecia de impossível solução. O meu pai sempre dizia que Deus é Pai e não é padrasto.  Ele nos ama e está preocupado com o nosso bem estar.
            Quando Jesus fala do Seu cuidado com os lírios do campo e para com as pequenas aves Ele está dizendo que a planta não tem nem mesmo raciocínio. E as aves são insignificantes à vista do homem. E Ele espera que tenhamos a mesma calma e despreocupação com a nossa vida.
"E a paz de Deus, domine em vossos corações; e sede agradecidos." Col. 3:15. Esquecendo nossas próprias dificuldades e aflições, louvemos a Deus pela oportunidade de viver para glória de Seu nome. Que as novas bênçãos de cada dia nos despertem no coração louvor por esses testemunhos de Seu amoroso cuidado” (A Ciência do Bom Viver, p. 253).

Conclusão
            Na minha época de estudante no internato conheci um rapaz que tocava órgão. Muitas vezes, a meu ver, ele estava se desviando da música com notas que pareciam nada a ver. Mas de repente ele acionava uma tecla e toda a música ganhava expressão.
            Deus age assim em nossa vida. Há momentos em que tudo parece dar errado mas, a nota final forma um acorde capaz de nos acordar para a realidade de que alguém está no comando.
            Diz Ellen G. White: “O amor do mundo e os cuidados da vida separam a alma de Deus” (Testemunhos Seletos - Volume 1, p. 359). Não necessitamos preocupar com o dia de amanhã. Temos Alguém que Se preocupa por nós. Ainda Ellen G. White: “É verdade que sobrevirão decepções; temos de esperar tribulações; mas cumpre-nos entregar tudo, pequeno ou grande que seja, a Deus. Ele não fica perplexo com a multidão de nossos pesares, nem sobrecarregado pelo peso de nossas preocupações. Seu vigilante cuidado estende-se a cada família, circunda cada pessoa; Ele Se interessa em todos os nossos negócios e dores” (Testemunhos Seletos - Volume 2, p. 359). 
            A mensagem de Deus para nós hoje é: “Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado” (Salmos 37:3).