sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O apelo pastoral de Paulo

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Comentário da lição da Escola Sabatina de 19 a 26 de novembro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto autor de o devocional Reavivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia Central de Taguatinga, DF.

Introdução
Paulo foi um fariseu legalista e intransigente. Mas depois do seu encontro com Cristo na estrada de Damasco ele mudou por completo a sua maneira de agir. Agora se portava como um gentio qualquer. Podemos imaginar que numa época em que o sectarismo religioso impunha as suas ordens não foi fácil para Paulo descer do seu pedestal e se igualar à “gentalha” de seu tempo.
Essa mudança tinha duas razões de acontecer. Primeiro, porque ele concluiu que em Cristo todos são iguais e, em segundo lugar a sua atitude seria uma arma poderosa para se relacionar com os gentios e trazê-los para a salvação. Porém, depois de pregar esse evangelho para os gálatas ele vê estes irmãos retrocederem na fé e voltarem aos antigos rudimentos.
Parece que até este momento os gálatas ainda estavam propensos a continuar praticando o “outro evangelho” apregoado pelos falsos irmãos. Paulo vê os seus esforços irem por água abaixo e ele recomeça o seu apelo de uma maneira bem incisiva. Diz ele: “Eu lhes suplico”. O dicionário define súplica com o ato de “pedir humildemente ou com insistência: suplicar uma ajuda. Requerer em juízo. (Sin.: rogar, implorar, pleitear).
Após a sua conversão Paulo se aproximou dos gentios e passou a se relacionar com eles. Talvez, ele imaginasse estar caminhado a segunda milha para alcançá-los para Cristo. Mas agora o momento exigia que ele implorasse humildemente aos gálatas para que eles retornassem ao evangelho. Parece ser a sua última cartada para reverter a situação.
Paulo foi um zeloso praticante do judaísmo que deixou as praticas rígidas que ele tanto prezava para alcançar os gentios, incluindo os gálatas. Podemos imaginar a sua decepção ao ver os seus conversos virando as costas para ele e para tudo o que ele ensinou e voltar às praticas que os distanciavam da cruz. Para ele, o procedimento dos gentios era semelhante ao “cão que voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada que volta ao espojadouro de lama” (2 Pedro 2:22).  
Paulo não vê razões doutrinárias para a atitude dos gálatas e passa a imaginar que os tivesse ofendido de alguma maneira. Era uma situação constrangedora. Paulo era ouvido com desdém e a sua pregação causava comentários maliciosos.  Na minha juventude vivenciei uma situação parecida. Assim que iniciei o meu sermão de domingo na minha igreja natal, percebi que os irmãos começaram a rir descontroladamente. Fiquei preocupado. Falei alguma coisa errada? Por fim, perguntei para a igreja a causa de tanto riso. Alguém sugeriu que eu retornasse a sala pastoral e examinasse as minhas roupas. Foi um grande susto perceber que as calças estavam desabotoadas e que uma das pontas da gravata saía pela barguilha.
Os fortes apelos de Paulo não foram suficientes para eliminar todos os resticios de regeição ao enfoque de suas pregações. E até hoje as suas palavras geram confusão para os menos cuidadosos no exame da Palavra de Deus.
Domingo
A Bíblia não esclarece se o apelo de Paulo causou o efeito desejado por ele. Podemos imaginar que, como ganhador de almas, ele não conseguiu grandes resultados. E é com tristeza que ele vê aqueles que aceitaram a mensagem lhe darem as costas. Ele imaginava que o respeito e consideração demonstrados por eles na época da conversão jamais seria minado. Ledo engano!
Talvez Paulo tenha cometido um pequeno engano.  Ele achava que os gálatas seriam capazes de arrancarem os próprios olhos em seu favor, mas agora, o estavam como que, apunhalando pelas costas. O pregador deve conduzir os seus ouvistes a estarem dispostos a fazerem qualquer coisa por Cristo e não em favor de quem lhes transmitiu a mensagem.
Paulo estava com o coração machucado. Creio que todos nós já experimentamos o dissabor de ver alguém que aceitou o convite da salvação por nosso intermédio se afastar da igreja. Qualquer apostasia nos causa tristeza, mas e situação pesa mais quando as pessoas envolvidas tiveram algum relacionamento mais próximo de nós. Essa era a situação de Paulo.
Segunda
            Em um dos últimos sermões de meu pai ele disse para a igreja que o seu grande sonho era um dia pregar usando as palavras de Paulo encontradas em 1 Coríntios 11:1: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo.” Esse é um desafio que envolve muita responsabilidade e que eu não teria coragem de fazer. Por mais que sejamos exemplos de conduta para alguém, não podemos esquecer de que somos passiveis de falhas. Mas esse foi o desafio proposto por Paulo.
            Creio que o desafio de igualdade que Paulo reclamava fosse mais do ponto de vista doutrinário do que comportamental. O seu desejo era que os gálatas reativassem o mesmo enfoque doutrinário que uma vez os trouxeram aos pés de Cristo. Eles necessitam de, novamente, serem transformados.
            Certo de que “as palavras convencem, mas são os exemplos que arrastam”, Paulo se coloca como espelho para os gálatas e lança o desafio: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo.” Diz Ellen G. White: “A influência espontânea e inconsciente de uma vida santa é o mais convincente sermão que se pode fazer em prol do cristianismo” (Atos dos Apóstolos, p 511).
Terça
Em seu apelo aos gálatas, Paulo faz uma retrospectiva de tudo o que ele abriu mão para levar o evangelho até eles. Veja alguns pontos:
- Se fez de fraco para ganhar os fracos (1Coríntios 9:22).
- Se fez de servo (1 Coríntios 9:19).
- Se fez sem lei (1 Coríntios 9:21).
- Se indispôs com os demais apóstolos (Gálatas 2:11).
- Se indispôs com os de sua própria nação (Atos 28:19).
Paulo estava praticamente sozinho. Os gálatas, de quem ele esperava uma resposta positiva, lhe deram as costas. Enquanto um Pedro, analfabeto, ganhava em um só dia milhares de pessoas para Cristo, o intelectual Paulo conseguiu em toda a sua vida mais confusões do que resultados positivos de conversões. Lembra que o rei Agripa ficou no “quase” (Atos 26:28). A sua vida, depois da conversão se transformou em um tormento. Tudo isso pela sua paixão de pregar para os gentios. O vaso escolhido por Deus foi provado até as últimas consequências.
Quarta
            Depois de enumerar as coisas de que ele abriu mão para pregar aos gálatas, Paulo relembra o fervor com que eles receberam a mensagem. Não há como precisar qual doença ou deficiência que atingiu o apostolo, mas o certo é que ele estava bastante debilitado quando anunciou o evangelho para os gálatas.
Como os gálatas estavam dispostos a arrancarem os próprios olhos e os doarem para Paulo, imagina-se que seja algum problema na visão. E talvez fosse sequelas do seu encontro com Cristo na estrada de Damasco, momento que o deixou cego por alguns dias.
Na época de sua conversão os gálatas demonstraram um carinho e estima por Paulo que marcou a sua vida. Mas as coisas mudaram muito e para pior. Ele faz um triste paralelo entre aqueles bons tempos e os de agora quando os irmãos o evitavam e se alguma aproximação acontecia ficava restrita a debates e desconfiança. Mas Paulo não se deixou abater. Continuou anunciando a mensagem com todo o fervor. Ele desabafa: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (2 Coríntios 4:8-9).
O que aconteceu com Paulo serve de alerta para nós hoje. Talvez você já tenha amargado a triste experiência de, depois de evangelizar alguém e depois de experimentar a sua estima e carinho ver essa pessoa fugindo de sua presença; recusando atender ao telefone e, com palavras vagas e frias manifestar indiferença e distanciamento. É algo que dói, mas pode acontecer.
Quinta
            Quando estudava no antigo CAB (Colégio Adventista Brasileiro) fiz amizade com um jovem que sempre me dizia do amor que ele tinha para com uma das moças do colégio. Era uma paixão incontrolável. Porém, percebíamos que existia por parte dela uma certa frieza e, do nosso ponto de vista, aquele relacionamento jamais daria certo.
            Certa vez ele me procurou. Queria uma sugestão de como fazê-la gostar dele e serem felizes para sempre. Respondi que, no nosso entendimento, ela não o amava e que seria um grande risco para ele e para ela forçar uma relação. Ele não gostou das minhas palavras e ficou diferente comigo por alguns dias. Algum tempo depois ele casou com outra jovem e são felizes ate hoje.
            Dizer a verdade nem sempre é fácil e ouvi-la é mais difícil ainda. Principalmente quando temos a nossa verdade relativa e queremos que todos a aceitem como se fosse uma verdade absoluta.
A verdade relativa é verdade em uma única vez e em um único lugar. É verdade para algumas pessoas e não para outras. É verdade hoje mas pode não ter sido verdade no passado e pode não ser novamente no futuro, sempre está sujeito a mudança. Também está sujeito à perspectiva das pessoas.
            Já a verdade absoluta é verdade uma vez e em um lugar, é verdade todo o tempo e em todos os lugares. O que é verdade para uma pessoa é verdade para todas as pessoas. É a verdade verdadeira se nós acreditamos nela ou não.
Para o cristão só existe a verdade absoluta exarada na Palavra de Deus. É a verdade que não vai além e nem fica aquem do “assim diz o Senhor”.
Paulo, depois de matutar muito sobre os motivos do comportamento indiferente dos gálatas ele acertou na mosca: “Fiz vosso inimigo dizendo a verdade?” Claro que sim! E Paulo não foi o primeiro e nem será o último a grangear inimigos por falar a verdade. A verdade e o erro é o tema do grande conflito. A medida que caminhamos para o fim mais e mais ele se acentuará.
Vivemos uma crise de autenticidade. Muitos se envolvem na túnica da hipocrisia para apresentar uma verdade nunca vivida e nem experimentada. Via de regra o ser humano jura amor à verdade mas tem filhos com a mentira. Jesus nos adverte:“Não será assim entre vós” (Mateus 20:26).
Conclusão
            No comentario de domingo eu mensionei que a Bíblia não esclarece se o apelo de Paulo causou o efeito desejado por ele. Mas a irmã Ellen G. White não deixa dúvidas. Diz ela: “As fervorosas palavras de súplica do apóstolo não ficaram sem fruto. O Espírito Santo operou com forte poder, e muitos cujos pés se haviam desviado para caminhos estranhos, retornaram a sua primeira fé no evangelho. Daí em diante ficaram firmes na liberdade com que Cristo os havia libertado. Na vida deles foram revelados os frutos do Espírito - "amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio". Gál. 5:22 e 23. O nome de Deus fora glorificado e muitos foram acrescentados ao número dos crentes em toda aquela região” (Atos dos Apóstolos p 388).
            Quando nos posicionamos em favor da verdade a promessa divina é: “Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” (Isaías 55:11). 

            

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