Durante alguns anos da minha adolescência, trabalhei limpando quintais em minha cidade. O serviço era combinado por empreitada e geralmente saía-me muito bem e nunca ficava sem dinheiro.
Certa vez, um vizinho me procurou. Ele queria que eu arrancasse uma moita de bambu em seu quintal. Fui até lá e fiz o orçamento. A meu ver, um dia de serviço seria suficiente para fazer o trabalho. Negócio fechado, peguei as ferramentas que julguei necessárias, enxada e enxadão e comecei animado, certo de que em poucas horas de trabalho tudo estaria terminado.
Logo que iniciei, percebi que eram indispensáveis outras ferramentas como machado, picareta e alavanca. Após várias horas de trabalho exaustivo, o suor borbulhava, os braços já se recusavam a atender às ordens para manusear o machado e, olhando ao redor, uma constatação: quase nada fora feito. Convidei um de meus irmãos para me ajudar. Depois de cinco dias trabalhando arduamente, foi possível concluirmos a tarefa. O prejuízo foi enorme, mas não superou a nossa alegria de conseguir a proeza. As raízes, além de profundas, entrelaçam-se entre si, formando um só bloco rígido e maciço.
Depois de muitos anos, tomei conhecimento que a semente desse arbusto, uma vez no chão, permanece cinco anos crescendo para baixo e para os lados. Depois de demorado desenvolvimento subterrâneo é que aparecem as primeiras folhas. Formada a base sólida, o bambu cresce até alcançar vinte e cinco metros de altura. Mas isso não é tudo sobre esta exuberante planta. O bambueiro cresce unido entre si, formam touceiras e julgam sem importância se a chuva cai, ou se o Sol se espraia forte, pois estão sempre verdes, exibindo vitalidade e beleza. Quando açoitados pela tempestade, se inclinam e emitem um som maravilhoso. Eles se adaptam a qualquer tipo de terreno, seja um chapadão inóspito, ou às margens de um lago de águas cristalinas.
Paulo mostra os segredos de uma vida cristã vitoriosa: “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina” (Ef 2:20), e depois ele completa: “E, assim habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor.” A definição para arraigado é estar preso a raízes profundas. O amor é o amálgama que nos une a estas raízes sólidas e resistentes
Firmados em Cristo, a Rocha, e entrelaçados no amor de uns com os outros, teremos uma vida exuberante e seremos como um jardim regado. Vamos nos ajoelhar quando a tempestade surgir e transformaremos os vendavais em suaves canções. Se porventura Satanás tentar nos arrancar da Rocha, terá uma enorme decepção. Que Deus nos proporcione esta feliz experiência!
Meditação Reavivar a Esperança, p 302.
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