Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 1º a 8 de
dezembro de 2012. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal
Esperança e autor de Reavivar a
Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da
Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Paulo afirma: “Porque não me envergonho do evangelho de
Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro
do judeu, e também do grego” (Romanos 1:16).
O evangelho é o poder de Deus para
salvação de todo aquele que crê. Mas salvação de que? Salvação do pecado. O
evangelho existe porque existe uma lei que exige a morte do seu transgressor. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom
gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 6:2). Caso não existisse a lei não
existiria o pecado e não haveria necessidade de um Salvador.
O evangelho foi a solução de Deus
para o pecado. O evangelho não anula a lei, mas é capaz de anular ou tornar sem
efeito as transgressões da lei, caso o pecador aceite ser perdoado.
A lei eterna de Deus mostra o nosso
pecado e nos encaminha para Cristo a única solução. “Verdadeiramente Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas
dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e
oprimido” (Isaías 53:4).
Não dá para entender como pessoas
que advogam a nulidade da lei se filiam a uma igreja. Se a lei foi anulada não
existe transgressores e se não existe transgressores não existe pecadores e se
não existe pecadores é desnecessário a existência de um plano de salvação e
muito menos de igrejas.
A lei de Deus é eterna como eterno é
o Seu Autor. Caso fosse possível anular a lei não haveria necessidade da morte
de Jesus. O salmista Davi afirma: “A lei do Senhor
é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria
aos símplices” (Salmos 19:7). E Paulo completa: “E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e
bom” (Romanos 7:12).
Domingo
O verso 152 do Salmo 119 é bem claro
quanto à eternidade da lei de Deus: “Acerca dos
teus testemunhos soube, desde a antiguidade, que tu os fundaste para sempre” (Salmos
119:152). Quando a Bíblia usa a expressão “desde a antiguidade” geralmente está
se referindo aos tempos antes da criação do homem. A Bíblia sempre associa a
eternidade de Deus com a eternidade de Sua lei
A Bíblia
afirma: “A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor
é fiel, e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do Senhor
são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e ilumina os
olhos” (Salmos 19:7-8). Não tem como uma lei perfeita, que refrigera a alma do
ser humano e transmite sabedoria até para os mais simples e acima de tudo é uma
lei fiel seja anulada ou extinta.
A lei
cerimonial, ou melhor dizendo: Todas as ordenanças que apontavam para o
sacrifício de Jesus e o e os resultados deste, realmente foram anuladas com a
morte de Jesus. Mas a lei moral de Deus é eterna. Qualquer ser humano
independente de raça ou cor e que viveu antes e depois da morte de Jesus tem
uma noção de que matar, roubar, fazer imagem de escultura, cobiçar, respeitar pai
e mãe são mandamentos que nunca perderam a sua vigência.
Outro
detalhe interessante é que algumas leis civis dadas ao povo de Israel tem a sua
aplicabilidade até hoje até mesmo por nações não cristãs. Exemplo: “Diante das
cãs te levantarás, e honrarás a face do ancião; e temerás o teu Deus. Eu sou o
Senhor” (Levítico 19:32). O respeito
para com os mais velhos é praticado no mundo inteiro.
Se
princípios bíblicos como esse permanecem imutáveis até os dias de hoje, o que
dizer da Lei dos Dez Mandamentos, que foi escrita pelo próprio dedo de Deus?
Segunda
Até Moisés a
Lei dos dez Mandamentos era transmitida oralmente de pai para filho e os
mandamentos eram conhecidos e sua transgressão passiveis de punição. Quando
Cain matou Abel o seu ato foi reprovado por Deus. Vemos também que a adoração
de imagens e de outros deuses eram transgressões que não passavam despercebidas.
José foi firme ao recusar a oferta da mulher de Potifar. Disse Ele: “como pois
faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?” (Gênesis 39:9). E não podemos esquecer
do sábado que foi instituído desde a criação.
Porém, como
a humanidade cresceu e se multiplicou houve a necessidade de um referencial
escrito, e Deus o fez usando tabuas de pedra.
Hoje temos
dois estremos: Existem aqueles que acham que os mandamentos de Deus são
marionetes e fazem deles o que bem entendem. Modificam, substituem ou subtraem
ao seu bel prazer. Quem é o ser humano mortal para se atrever a alterar algo
eterno e instituído pelo próprio Deus?
Existe outro
grupo que afirma que a Lei dos dez mandamentos foi pregada na cruz. Mas não sei
porquê tais pessoas advogam o domingo como dia de guarda. Estão dando alguma
satisfação a Roma? Por que?
Satanás sabe
que desviando a atenção dos homens da Lei de Deus ou levando-os a manuseá-la a
seu bel prazer ele desqualifica a Deus e interfere de maneira brutal no plano
redentivo.
Terça
A Bíblia é
muito clara quanto a função da lei. Ela não salva, ela nos mostra o pecado e os
seus resultados. Quem salva é Jesus. Mas eu não sentiria necessidade de Jesus
se a lei não me mostrasse o que é pecado.
Não existe
um ser humano sequer que não tenha cometido pecado. A Bíblia afirma: “Porque
todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Romanos 3:23. Jé em seu tempo o rei Salomão
afirmou: “Quando
pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares contra
eles, e os entregares às mãos do inimigo, de modo que os levem em cativeiro
para a terra inimiga, quer longe ou perto esteja” (1
Reis 8:4).
Por mais desesperador que seja a situação de alguém, por
mais pecados que essa pessoa tenha cometido há esperança. Mesmo depois de
aceitarmos Jesus como o nosso Salvador perece que os desejos da carne insistem
em nos dominar. Graças a Deus existe solução. João afirma: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não
pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o
justo” (1 João 2:1).
O convite de Deu é: “Deixe
o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao
Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em
perdoar” (Isaías 55: 7) “Veio,
porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou,
superabundou a graça” (Romanos 5:2). Jeremias nos lembra: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos
consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade”
(Lamentações 3:22-23). Em Cristo temos a salvação pelo Seu sangue: “Em quem temos a
redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados” Colossenses 1:14).
Quarta
Os fariseus mantinham permanente
vigília sobre Jesus. Em determinado momento Jesus os encurralou ao afirmar: “Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são
preceitos dos homens” (Mateus 15:9).
Naquele tempo os preceitos de homens
eram normas que segundo os sacerdotes regulamentavam a lei de Deus,
principalmente quanto à observância do sábado. Caso cuspissem na grama no dia de
sábado estariam regando a grama e era pecado. Ostentar uma medalha no pescoço
no dia de sábado era transgredir esse dia. Não seria pecado se a medalha
estivesse presa à roupa.
O pior é que essas tradições eram
impunes aos sacerdotes. O que levou Jesus a afirmar de maneira clara e quase
agressiva: “Pois atam fardos pesados e difíceis
de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo
querem movê-los” (Mateus 23:4).
Jesus era um exemplar observador do
sábado. E como restaurador de veredas Ele foi enfático sobre a maneira correta
de observar o dia do Senhor.
Certa vez, num sábado de manhã, eu
ia para a igreja e no Metrô me deparei com um Senhor bem vestido portando uma
Bíblia. Perguntei se ela era adventista. Ele me respondeu com rosto fechado:
“Não sou adventista e pelo que vejo você está transgredindo o sábado, pois como
bom adventista não deveria andar mais de um quilômetro neste dia!” E enfatizou:
“Tá escrito lá.” Respondi que eu observava o sábado de Jesus e não o dos
fariseus. E acrescentei: Acho curioso ver o apoio que a maioria dos evangélicos dão a Igreja Católica observando um dia
instituído por essa igreja. Aquele amigo fez apenas mais uma pergunta: “Qual é
a próxima estação?”
É algo realmente intrigante ver como
as pessoas tentam desvencilhar o sábado da Santa lei de Deus. Só é possível
entender quando estudamos as profecias bíblicas.
Creio que independente de ser
mandamento, só as promessa feitas Isaías aos observadores do sábado seriam
suficientes para observá-lo sem questionamentos. Diz o profeta: “Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua
vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do Senhor,
digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo
fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar
sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó;
porque a boca do Senhor o disse” (Isaías 58:13-14).
Quinta
Gostei da observação que se encontra
no rodapé da lição de quinta-feira. Diz: “Uma coisa é dizer que você é
guardador do sábado, e até mesmo descansar no sábado. Os escribas e fariseus
faziam isso. Mas outra coisa é experimentar a plenitude e riqueza do sábado.”
A observância do sábado entre os
israelitas, além de ser um mandamento de Deus para a humanidade, era também uma
maneira deles lembrarem que um dia foram escravos no Egito de onde Deus os
libertou com grande poder.
A Bíblia sempre usa o Egito para simbolizar o
mundo que escraviza e oprime. Jesus tomou a forma humana, morreu em nosso lugar
para nos propiciar a verdadeira liberdade. E o sábado é o dia especial para
comemorarmos essa liberdade alcançada. Enquanto meditamos no que Jesus fez por
nós na cruz Ele nos santifica “Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente
guardareis meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas
gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica” (Êxodo 31:1).
Como
filhos de Deus temos que estar bem alicerçados em Sua Palavra. Sabemos que
estão diante de nós tempos difíceis quando a nossa observância desse dia será
fortemente provada.
Conclusão
A lei dos dez mandamentos é eterna
como eterno é o Seu autor. Ela não foi e nunca será abolida. Ela não nos salva
mas nos mostra o caminho para a salvação. Peitar toda a lei é uma tarefa
impossível para Satanás. No fim dos tempos Satanás empreenderá todos os
esforços para apagar a Lei de Deus.
Mas ele
sabe que minando a observância do sábado entre os homens alcançara os seus
objetivos. No fim dos tempos Ele empreenderá todos os esforços para apagar o
sábado da Lei de Deus.
O seu
ódio não é pelo sábado em si, mas é porque esse dia fala do Criador do
Universo. Caso consiga apagar o sábado da mente das pessoas ele desviará a
atenção da criatura de Seu criador.
Em meio a rebeldia de
nossos dias, quando a crença em Deus como Criador fraqueja entre os povos,
quando as ideias evolucionistas tenta minar o poder criador do Rei do Universo,
terá um pequeno grupo que alegre se levanta para proclamar os caminhos do
Senhor. “Por isso amo os teus mandamentos mais do que o ouro, e ainda mais do
que o ouro fino” (Salmos 119:127). Que essa seja a nossa conduta de vida neste mundo
onde a descrença em Deus como Criador invadiu as escolas e passeia tranquila
pelos púlpitos de algumas igrejas.
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