Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 8 a 15 de dezembro de 2012, preparado por Carmo
Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação
para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia
– Central de Taguatinga, DF.
Introdução
A
lição desta semana chama a nossa atenção para dois pontos especiais. Primeiro,
a vida cristã deve ser vivida e não apenas professada e em segundo lugar temos
que testemunhar para que o mundo conheça o caminho da salvação.
Uma vida cristã de mentirinha apenas
nos condena diante de Deus. Vida cristã deve ser um estilo de vida e é isso que
o Senhor espera de cada um de nós.
Não adianta frequentar a igreja por
causa das amizades que temos lá e nem porque a nossa igreja oferece um ambiente
confortável. Vida cristã é muito mais do que isso. A nossa presença na igreja deve ser motivada
pelo desejo de estarmos com Cristo em Sua casa.
A pior tragédia de alguém é se portar como um
sepulcro caiado. “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento.” A nossa vida
espiritual deve ser norteada por uma constante em casa, no trabalho e na
igreja.
Nessa semana vamos relembrar algumas
doutrinas bíblicas, muitas vezes negligenciadas por nós adventista do sétimo
dia. Como vai a nossa mordomia? E como está a devolução de nossos dízimos. E o
nosso relacionamento conjugal tem seguido o paradigma mostrado na Bíblia? Tudo
isso se espera de uma vida cristã exemplar.
Domingo
O dicionário Informal
define Mordomia cristã como sendo o manejo responsável dos recursos do Reino de
Deus que foram confiados a uma pessoa ou grupo. Embora a definição dê também um
sentido coletivo ao termo a definição adventista é mais abrangente e
individualiza mais o termo.
As duas definições se referem apenas a uma pessoa ou a um
grupo de pessoas, mas podemos interpretá-la como uma responsabilidade de todo o
ser humano quer seja cristão ou não. Deus considera todos os homens como Seus
mordomos. Afinal, todos os habitantes da terra são agraciados com ar, chuva e
Sol e tem uma responsabilidade na preservação do nosso planeta.
A mordomia nos ensina pelo menos três coisas: Em primeiro
lugar nos faz reconhecer que somos dependentes de Deus. Tudo que somos e tudo
que temos vêm do Senhor. Em segundo lugar, a humildade deve caracterizar a vida
do mordomo fiel. E em terceiro, O propósito de Deus em nos oferecer todas as
coisas é que sejamos úteis à Sua causa e ao próximo.
Um perigo ronda os filhos de Deus. É ter um profundo
conhecimento do que seja mordomia, mas permitir que a competitividade e o
consumismo exacerbado dos nossos dias nos distanciem mais e mais do real
propósito de Deus para conosco.
Segunda
O dizimo é uma doutrina
pregada por quase todas as religiões embora com objetivos diferentes. Para
muitos o dizimar é uma barganha que se faz com Deus. Eu devolvo o dizimo então
estou pronto para exigir as bênçãos de Deus principalmente na área financeira.
O verdadeiro espirito do dizimo é diferente. Eu devolvo
não para receber mas porque já recebi. A devolução do dízimo não deve ser
motivada por expectativas de alcançar este ou aquele favor. Ela é simplesmente
o resultado de nossa gratidão a Deus por tudo o que Ele nos proporciona.
Devemos devolver o dízimo pelo prazer de devolver e
deixar as consequências com Deus. Claro que Ele vai cumprir a Sua promessa e
abrir as janelas do Céu.
Tenho sido dizimista e pactuante e nunca recebi tantas
bênçãos como agora. Para quem não é vai um conselho: Experimente, e você
sentira a atmosfera do Céu lhe envolver.
Já vi fieis dizimistas passar por situações financeiras
difíceis e não dizimistas prosperarem mesmo como membros da igreja. Mas o
segundo grupo não desfruta de verdadeira paz e felicidade. Sejamos fieis ao
Senhor sem discutir ou cobrar resultados. Ele sabe o que é melhor para cada um
de nós.
Disse o salmista Davi: “Em paz também me deitarei
e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança” (Salmos 4:8). Existe maior retribuição para um
dizimista do que essa paz que só Deus pode dar?
Terça
Sempre que leio Mateus 22:39
me lembro do meu pai. Ele vivia esse versículo às avessas. Ele amava mais o próximo
do que a si mesmo. Acho prudente que você leia a página 265 da meditação
Reavivar a Esperança de minha autoria. Ali eu falo algumas coisas deste homem
que viveu toda a sua vida em função de terceiros.
Quantas vezes o vi pegar dinheiro emprestado
para acudir alguma necessidade urgente de alguém. Terminaram os cinco anos de
sua vida em cima de uma cama e se mantendo com um salario mínimo que alguém de
bom coração providenciou para ele. Não é isso que Deus pede nesse versículo.
Se não é isso que Deus pede de nós não vamos
também viver no outro estremo e viver despreocupado com a miséria que assola ao
nosso redor. O amor deve ser vivido e repartido. O amor vivido e não repartido
deixa o proprietário mal servido.
A tendência é que a
correria de nossos dias nos mantenha mais e mais distantes do nosso próximo,
principalmente dos mais carentes.
Se fazemos parte do
corpo de Cristo temos que promover a diferença no meio em que vivemos. Caso
isso não esteja acontecendo é porque existe algo de errado conosco.
Quarta
Satanás tem alcançado relativo sucesso em
macular a instituição edênica do casamento. Vivemos como nos dias
antediluvianos: “casam e dão em casamento” . E a Bíblia completa: “Até que veio
o dilúvio e os levou a todos.” Sabemos que esse é um dos sinais que precede a
volta de Jesus.
Quem leva a sério essa
instituição divina e procura mantê-la dentro dos princípios preconizados pelo
céu são tidos como pessoas antiquadas que não evoluíram no tempo.
Hoje temos filmes,
novelas e mesmo leis que incentivam a homoxessualidade. As passeatas dos
homoxecsuais tem invadido praças e grandes avenidas. Caso o caminho realmente
não seja bastante largo e espaçoso não comporta todos os participantes. Bem
disse Jesus: “Entrai pela porta estreita; porque
larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os
que entram por ela” (Mateus 7:13).
Quando vemos este e
outros desvios de conduta do ser humano entendemos que realmente o mundo esta
sendo atados em molhos para o grande dia do Senhor. A desestruturação do lar
está destruindo o mundo. A violência campeia, o respeito inexiste e as leis são
atropeladas sem reservas.
A cada dia que passa o
casamento se faz mais vulgar. “Se casam e se dão em casamento.” A expressão
bíblica não é contra o casamento em si, mas é contra a banalidade com que ele é
realizado.
A
igreja segue a orientação bíblica de que o casamento é a união de um homem e de
uma mulher e que deve perdurar até que a morte os separe.
Quinta
O autor da lição nos
chama a atenção pra três características que devem ser perseguidas pelos filhos
de Deus.
A primeira fala do
relacionamento patrão e empregado. As responsabilidades do patrão e os direitos
e deveres dos empregados. Hoje se fala muito em direitos e muito pouco em
deveres, e o lamentável é que conheço empresários que se recusam a oferecer
serviço para membros da igreja. Afirmam que muitos se aproveitam de serem da
mesma igreja para procederem de maneira negligente.
Durante o meu tempo de
servidor público convivi com funcionários improdutivos e que dispunham o seu
tempo em reivindicar direitos que nem sempre faziam jus pra recebê-los. Eram
funcionários que achavam fácil recusar a atender um pedido ou ordem. É pena que
às vezes eu via membros da igreja palmilhando na mesma vala.
Como adventistas deveríamos ser os melhores
trabalhadores de uma empresa ou repartição pública. Mas infelizmente notamos
que, em alguns casos as coisas não funcionam assim.
A segunda fala de nossas responsabilidades
para com o governo. Muitos dizem sonegar
impostos por ver frequentes desvios de dinheiro público e atos de corrupção. Os
nossos deveres para com a igreja e o estado independem da honestidade destes em
administrar os meios recebidos. Tanto o governo como os administradores da
Igreja devem ser conscientes de sua responsabilidade e caso haja algum desvio é
problema entre os administradores e Deus.
Deus exige: “Dai
pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Marcos 12:17).
Do meu ponto de vista a
terceira característica que deve ser notada em cada membro de nossa igreja é a
menos vista e praticada entre nós. Deixamos muito a desejar no desempenho de
nossas responsabilidades para com o próximo. Parece que a cada dia que passa o
próximo vai ficando mais distante de nossa esfera de ação.
A igreja como um todo não
tem demostrado ser relevante para a comunidade ao seu redor. A sua existência
as veze é até ignorada na sociedade em que vivemos.
Conclusão
A lição abordou assuntos que mechem com o nosso bolso. Para
alguns são tópicos indigestos. Estes que assim se apresentam deveriam ler com
bastante carinho as palavras de Ellen G White: “Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais
urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo, deve ser a nossa primeira
ocupação” (E recebereis Poder – Meditação Matinal, p 285).
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