Comentário da Lição da Escola Sabatina de 21 a 28 de janeiro de 2012 preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de Reavivar a Esperança (meditação). É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
O salmista nos assegura que "a terra está cheia da bondade do Senhor" (Salmo 33:5). Como associar essa afirmação com as palavras de Sofonias 1:14 a 16: “O grande dia do Senhor está perto, está perto, e se apressa muito a voz do dia do Senhor: amargamente clamará ali o homem poderoso. Aquele dia é um dia de indignação, dia de angústia e de ânsia, dia de alvoroço e de desolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas. Dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortes e contra as torres altas?” A Bíblia menciona o grande dia do Senhor como o dia de juízo sobre um povo ou o dia do juízo final quando “Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom seja mau” (Eclesiastes 12:14).
O juízo sempre vem associado com punição ou recompensa. E se não fosse assim não haveria sentido o porquê do juízo.
Uma pessoa, nação ou povo que tenha sido atingido pelo juízo de Deus no passado como os antediluvianos, os sodomitas, e os jericodianos se defrontarão com Deus mais uma vez no grande dia do juízo final. “Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos” (Mateus 25:31 e 32).
Uma coisa é clara: Deus não aplica nenhuma punição sem que a pessoa seja primeiro advertida e tenha um determinado tempo de graça para se arrepender. Embora o salário do pecado seja a morte a Bíblia afirma que o Senhor “não aflige nem entristece de bom grado os filhos dos homens” (Lamentações 3:33). “Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens” (Tito 2:11).
Tenhamos em mente que o Deus da graça e do juízo é também, o Deus da justiça.
Domingo
No Velho Testamento temos o relato da queda do império babilônico. Faz mais de 2500 anos, Belsazar, rei de Babilônia, com mil de seus nobres, banqueteavam-se num luxuoso salão de festas. Divertiam-se tranqüilos, julgando inexpugnável a cidade de Babilônia. Para mostrar seu desafio às divindades de outras nacões, e demonstrar sua força, ordenaram que fosse servido vinho nos vasos de ouro que haviam sido tomados do templo de Jerusalém. Deus observou esse desafio da parte de Belsazar e escreveu uma mensagem na parede estucada desse salão de festas. Mesmo em meio a sua libertina embriaguez esses nobres ficaram atônitos ante a mão que surgia das trevas e escrevia sua sentença de morte. O dia do Juízo de Belsazar chegou. Naquela noite a inexpugnável Babilônia foi invadida e o rei foi assassinado.
No Novo Testamento temos a história de Ananias e Safira. Por causa da mentira este casal foi eliminado da face da Terra. Deus não entristece de bom grado os filhos dos homens. Mas a eliminação do pecador não arrependido será um ato de misericórdia para o ímpio e para os servos tementes a Deus. O dia do juízo será o fim do pecado e de suas consequências como a dor, o luto e a tristeza. Afirma o Livro Sagrado: “Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo. Uma vez eliminado o pecado e seu causador viveremos para sempre desfrutando das maravilhas preparadas para cada um de nós. E Deus promete: “não se levantará por duas vezes a angústia” (Naum 1:9). “Porque ainda um pouquinho de tempo, E o que há de vir virá, e não tardará” (Hebreus 10:37).
O julgamento divino não é algo abstrato e distante. O Senhor nos acompanha passo a passo e a Bíblia afirma que há um memorial escrito diante dEle e nada passa despercebido ao Seu olhar. Como Deus julgará as pessoas eu não sei. Mas Ele é Deus. Um dia nos céus teremos uma pálida idéia de como é o julgamento divino.
Segunda
A autora da lição procura exercitar o nosso raciocínio para compreendermos melhor como era o Éden antes do pecado, quando não havia necessidade da graça e nem do juízo. Mas vamos um pouquinho mais além. Imaginemos a nossa vida sem o peso do pecado. Que leveza! Que ambiente sacrossanto! Ali realmente a nossa paz seria como um rio. Mas um dia presenciaremos o fim do pecado e no novo Éden desfrutaremos de perfeita paz.
Em Gênesis dois temos a linda história da criação do jardim do Éden e da mulher. Deus fez a mulher tão delicada que antes criá-la preparou um jardim para recebê-la. O que tem de bonito no capitulo dois tem de triste no capitulo três. Ali temos a história da queda. Ali temos o relato da morte do primeiro cordeiro. Encontramos ali a primeira promessa de salvação da Bíblia. Ao serem vestidos por Deus com a pele do cordeiro morto, o homem e a mulher começaram a entender o que é a graça de Deus.
Mas vieram também a sentença de juízo. Foram expulsos do jardim e, caso não houvesse arrependimento a morte eterna seria coisa certa como o é para todos os pecadores que rejeitam a graça. Um dia o Éden será restaurado e, pela graça de Deus, não haverá mais lembrança do pecado e de suas consequências.
Terça
Desde a criação, dois mil anos se passaram. A história da queda e do amor de Deus ainda estavam bem vivas na memória de cada um. Eles sabiam a história da queda, mas nem por isso preocuparam em se levantarem. Lembra o relato bíblico que “a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gênesis 6:5).
Caso Deus não exterminasse os antediluvianos a raça humana por si só já teria chegado ao fim. “Os homens não podem impunemente rejeitar as advertências que Deus em Sua misericórdia lhes envia. No tempo de Noé, uma mensagem do Céu foi endereçada ao mundo, e a salvação do povo dependia da maneira como a recebesse. Rejeitada a advertência, o Espírito de Deus foi retirado da raça pecadora, e pereceram nas águas do dilúvio” (Cristo em Seu Santuário , p 104).
No Éden o homem foi derrotado por causa do apetite. Os antediluvianos foram destruídos pelo mesmo motivo. Saul perdeu o melhor de sua vida (a primogenitura) por causa do apetite. E na primeira tentação de Jesus, Satanás usou o apetite como arma, até então, letal. No mundo de hoje não é e nem era diferente. “Nossas grandes cidades estão atingindo rapidamente à condição representada pelo estado do mundo antes do dilúvio, quando ‘viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente’” (Evangelismo, p 567).
A mesma graça que esteve presente no Éden manteve a arca flutuando sobre as águas do juízo de Deus, andou pelas ruas de Nínive e continua disponível para nós nos dias de hoje. “Se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, assim como na provocação e como no dia da tentação no deserto” (Salmo 95:7 e 8).
Quarta
Deus proveu um meio de escape para todo o pecador. Não há motivos para sermos excluídos do Céu a não ser que recusemos Jesus como o nosso salvador. Todo o Céu esta empenhado na salvação do homem.
Muitos subestimam a misericórdia divina e chegam a afirmar que um Deus de amor jamais vai destruir as Suas criaturas. Mas a Bíblia é clara neste sentido. Tudo que nela está escrito visa salvar o homem da destruição eterna. “Mas ninguém se iluda com o pensamento de que Deus, em Seu grande amor e misericórdia, salvará ainda mesmo os que Lhe rejeitam a graça. A tremenda malignidade do pecado só pode ser avaliada em face da cruz. Se os homens insistem em que Deus é bom demais para rejeitar o pecador, olhem eles ao Calvário” (Caminho a Cristo, p 31).
São João 3:16 è uma pérola de grande preço da Bíblia. Qualquer criança que frequenta uma escola bíblica sabe de cor. Mas os versos seguintes nos chama a atenção para o perigo de negligenciarmos esse tão grande sacrifício. E Paulo faz uma pergunta para a qual ninguém tem resposta: “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram” (Hebreus 2:3).
Deus ama o pecador e fez tudo para salvar cada ser humano. Mas não é por isso que Ele vai permitir que o homem continue para sempre em seu caminho de transgressão. Diz a Bíblia: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (2 Coríntios 5:10).
Quinta
A autora da lição faz uma pergunta oportuna: “Se Deus fosse apenas justiça? Claro que não mais existiríamos. Mas em seu amor Ele é também graça. Embora “Nuvens e escuridão estejam ao redor dEle e justiça e juízo sejam a base do seu trono a Bíblia afirma que ele é amor.
O evangelho eterno está sendo anunciado a todos os habitantes da terra. O evangelho é eterno porque os Seus efeitos são eternos. Quem o abraça desfrutará de vida eterna. Em Sua misericórdia, Deus aniquilará Satanás e restaurará o Éden perdido. Esse é o Seu compromisso em Gênesis 3:15.
O nosso Deus é um Deus de amor e também do equilíbrio. Ao mesmo tempo em que Ele é justo é também misericordioso. Caso Ele não aplicasse a Sua justiça aos desobedientes não arrependidos estaria mentindo. Ele afirmou: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18:20). Não tem como restaurar a inocência em um mundo contaminado pelo pecado. Isso só será possível depois que for eliminado o pecado e a sua raiz.
Conclusão
Somos pecadores? Sim! Satanás nos acusa de dia e de noite? Sim! Mas graças a Deus há esperança para nós. Paulo nos exorta: “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hebreus 4:16).
Assim como os antediluvianos tiveram o seu tempo de graça nós também temos o nosso. Caso nos portemos com indiferença, Deus aplicará a Sua justiça sem misericórdia.
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