Comentário da Lição da Escola Sabatina de 11 a 18 de fevereiro de 2012 preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de Reavivar a Esperança (uma meditação matinal para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Central de Taguatinga – DF.
Introdução
É impressionante como uma verdade tão clara como a encontrada em Marcos 2:28 é ignorada ou mesmo contestada por milhões de leitores da Bíblia. Aqui está bem claro o porque da existência do sábado. Ele foi criado para atender algumas necessidades prementes do ser humano. Talvez imaginemos que a primeira delas é o descanso. Até certo ponto sim. Mas o descanso propriamente dito tem outro enfoque no mandamento do sábado. Como meditar, estudar e aprender mais sobre o Criador, se no sábado estivermos voltados para os afazeres normais da semana? Portanto o descanso sabatico tem algo mais profundo que o próprio descanso em si.
O sábado foi separado por Deus para, a cada seis dias, termos um período 24 horas para estreitar o nosso relacionamento com o Criador. A observância do sábado firma as nossas bases na existência de Deus e no criacionismo. É um momento para refletirmos sobre o Seu amor demonstrado na criação e na redenção. Diz Ellen G. White: “Quando foram postos os fundamentos da Terra, também foi posto o fundamento do sábado. Foi-me mostrado que se o verdadeiro sábado houvesse sido guardado, jamais teria havido um incrédulo nem ateu. A observância do sábado teria preservado da idolatria o mundo” (Vida e Ensinos, p 56).
Domingo
Faz bem lembrar a história que narra a discussão entre duas pessoas sobre o sábado. Uma afirmava que todos os dias são iguais e, para exemplificar pegou sete limões e, depois de misturá-los disse para a outra: Mostre agora qual deles é o sábado. A pessoa acuada pegou os mesmos limões e repetiu o meso ritual; identificou cada um com um dia da semana, mas ao chegar no sábado deu três beliscões no limão enquanto dizia: O Senhor descansou, o Senhor abençoou e o Senhor santificou e finalizou: Agora fica fácil identificar o limão que corresponde ao sábado.
Não consegui descobrir a quarta ação divina na criação do sábado conforme solicita a autora da lição. Caso você tem uma resposta ficarei grato se me der um retorno.
A criação do sábado é fruto da inteligência divina. Assim como na viração do dia Deus visitava Adão e Eva diariamente, agora Ele o faz a cada semana no Seu santo Dia. No sábado vejo Deus sentado na sala de estar aguardando a nossa presença. Este é o dia destinado por Ele para um bate papo descontraído comigo e com você.
Deus identificou o sábado com três características especiais e, na sua instituição, por três vezes Ele usa a expressão “sétimo dia”. O fato de Ele repetir várias vezes a expressão “sétimo dia” dá a entender o Seu empenho para que esse dia não fosse esquecido. O mandamento do sábado é o único que inicia com um sonoro “LEMBRA-TE.” É estranho que com todos esses cuidados esse mandamento se tornou o mais esquecido.
Segunda
O mandamento do sábado é tão importante que podemos considerá-lo um mandamento duplo. Ao mesmo tempo em que exige o nosso descanso, é claro em determinar que devemos trabalhar os seis dias da semana.
“A guarda do sábado é um sinal de lealdade para com o verdadeiro Deus, "Aquele que fez o céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas". Segue-se que a mensagem que ordena aos homens adorar a Deus e guardar Seus mandamentos, apelará especialmente para que observemos o quarto mandamento” (O Grande Conflito, p. 438).
O sábado da criação é o mesmo de Êxodo, de Deuteronômio e de toda a Bíblia. A lei de Deus é perfeita, como perfeito é o Seu autor. Aquele que ousa defender outro dia de repouso está declarando ser Deus incompetente e demonstra um desejo explicito de usurpar o lugar de Deus.
Os mesmos que arvoram a abolição da lei, defendem a observância dos nove mandamentos. Apenas o sábado é descartado e até mesmo combatido. “O quarto mandamento é o único de todos os dez em que se encontra tanto o nome como o título do Legislador. É o único que mostra pela autoridade de quem é dada a lei. Assim contém o selo de Deus, afixado à Sua lei, como prova da autenticidade e vigência da mesma.” (Patriarcas e Profetas, p. 307). Questionar a perpetuidade e universalidade da observância do sábado é questionar o próprio Deus.
Terça
O nome Deuteronomio é de origem grega e quer dizer segunda lei ou repetição da lei. É interessante que em Deuteronomio Moisés enfatiza a obediência por amor. Assim ele escreveu: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” (Deuteronômio 6:5).
Sou adventista do sétimo dia há sessenta e cinco anos e nunca atentei para o real significado da expressão: “Para que a tua serva e o teu servo descansem como tu.” Por algumas dezenas de anos o meu pai cultivou abacaxi no Triangulo Mineiro. Ele tinha por costume pagar os peões às quatro horas da tarde de toda sexta feira. E ao fazê-lo acrescentava: “Vamos todos embora agora e, caso queiram ir à igreja amanhã tenham tempo de se arrumarem.” O texto de Deuteronômio estabelece uma igualdade entre empregado e patrão.
A maneira como a lei foi entregue no Sinai deixou em Moisés uma profunda impressão de sua santidade e de sua real importância para os seres humanos. E Moisés dá ênfase a esses predicados repetindo-a em Deuteronômio.
Achei o máximo o comentário da atora da lição no segundo e terceiro parágrafo da nota da pergunta quatro. Com a estrada do pecado Deus achou por bem reforçar a importância da guarda do sábado e ligou o sábado ao plano da redenção.
Quarta e quinta
Quando Jesus viveu entre nós o maior problema quanto ao dia de descanso não era qual dia guardar e nem se deveria guardar ou não. O sábado era o único dia de repouso conhecido nas regiões onde Jesus pregava. O maior problema era a maneira de como observá-lo.
Durante os quatrocentos anos que antecederam o nascimento de Jesus os sacerdotes e lideres religiosos criaram centenas de regras de como se deveria guardar o sábado que não tinha nada a ver com a pureza do mandamento. Eles transformaram o sábado em um fardo. Determinaram a distancia máxima que alguém poderia caminhar para chegar em alguma sinagoga no dia de sábado. Por isso é que surgiu a expressão “jornada de um sábado” (Atos 1:12). Não era permitido cuspir na relva nesse dia, pois estariam irrigando a grama.
Jesus “segundo o Seu costume” (Lucas 4:16) estava todos os sábados na igreja. Os judeus jamais O criticaram por estar na igreja no sábado porque o lugar de todo judeu no sábado era na igreja. A grande discussão não era se Jesus observava ou não o sábado, mas sim, a maneira como Ele o observava.
Ao mesmo tempo em que em que Jesus dizia ser “lícito fazer o bem no sábado” (Mateus 12:12), Ele enfatizava: “O sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado” (Marcus 2:27). Mais do que um mandamento a observância do sábado como a Bíblia ensina é a única maneira de atender algumas necessidades fisiológicas do homem.
Certa vez os judeus criticaram Jesus por curar um paralitico no sábado e repreenderam o paralitico por estar carregando a sua cama no sábado ( João 5:11). Para os sacerdotes da época, o peso da cama do paralitico extrapolava o permitido para uma pessoa carregar no dia de sábado.
Quando questionado quanto a fazer milagres no sábado Jesus sempre afirmava: “É licito fazer o bem no sábado.” Observe que Ele não dizia que era permitido fazer qualquer coisa. Imagine se o poder mantenedor de Deus cessasse no sábado. A vida já teria sido extinta. Mas como Ele nos ama e espera ter um encontro conosco neste dia, esse poder está ativo diuturnamente.
Quando Jesus afirmou “Eu sou o Senhor do Sábado” ou quando dizia: “aqui está quem é maior do que o sábado”, o Seu propósito não era fazer do sábado um dia comum mas sim, enfatizar a Sua natureza divina. Ali estava o criador do sábado e ninguém melhor do que Ele sabia como observá-lo.
Jesus veio para apregoar liberdade aos cativos do pecado e oferecer liberdade aos presos em transgreções e delitos e, essas ações estão em perfeita harmonia com a singularidade do dia de sábado. Diz Ellen G. White: “Devem-se atender às necessidades da vida, cuidar dos doentes, suprir as faltas dos necessitados. Não será tido por inocente o que negligenciar aliviar o sofrimento no sábado. O Santo dia de repouso de Deus foi feito para o homem, e os atos de misericórdia se acham em perfeita harmonia com seu desígnio. Deus não deseja que Suas criaturas sofram uma hora de dor que possa ser aliviada no sábado, ou noutro dia qualquer” (O Desejado de Todas as Nações, pág. 207).
Conclusão
Os adventistas do sétimo dia se sentem felizes em observar o sábado instituído por Deus no final da criação e apresentado a Adão e Eva em seu primeiro dia de vida. Observamos um dia criado por Deus, observado por Cristo e pelos apóstolos. O dia que será observado quando chegarmos ao Céu (Isaias 63:23). Felizmente não observamos um dia imposto pelo homem.
O sábado é tão combatido como se observá-lo fosse pecado. É impressionante ver os desatinos de que nos acusam quanto a maneira criteriosa da observância do sábado mostrada na Bíblia e pregada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia. Mas a Igreja Católica Apostólica Romana esta preocupada com a maneira descompromissada de seus fieis observarem o domingo e em sua carta apostólica Dias Domini, o papa João Paulo II lamenta: “Infelizmente, quando o domingo perde o significado original e se reduz a puro fim de semana, pode acontecer que o homem permaneça fechado num horizonte tão restrito, que não mais lhe permite ver o céu” ( pág. 07). E prossegue o papa enfatizando que o domingo seja observado como se observa o sábado: “...É necessário, portanto, reler a página da criação e aprofundar a teologia do ‘sábado’, para chegar à plena compreensão do domingo” (pág. 12). O papa insiste: “sacerdotes, ministros e fiéis preparam a liturgia dominical durante a semana refletindo antes sobre a Palavra de Deus que será proclamada” (pág. 46). E mais: “o cumprimento do preceito (domingo) começa já na tarde de sábado” (pág. 56). O papa conclui recomendando que as missas sejam atraentes; que sejam realizadas na língua do povo, que se evitem sacrifícios no dia de domingo como rezar ajoelhados e que no domingo os mercados e os estádios permaneçam fechados. O “lembra-te” está sendo lembrado em referencia ao dia errado.
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