Comentário da lição da Escola Sabatina de 28 de janeiro a 4 de fevereiro de 2012. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de Reavivar a Esperança (meditação).
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia - Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Ao pensarmos na santidade de Deus lembramos de Adão e Eva tentando se esconder de Sua presença após o pecado; de Moisés ocultando o rosto para não contemplá-Lo face a face. O que dizer de Isaías que ao contemplar os lampejos da santidade divina exclamou: “Ai de mim que vou perecendo” “Isaías 6:5).
No Novo testamento temos um Saulo corajoso e arrogante cair por terra cego ao contemplar a santidade de Deus e, lá na ilha de Pátmos, vemos João caindo como morto ao vislumbrar a santidade que envolve o Altíssimo.
Diante da santidade divina nos sentimos frágeis e falíveis. Mas é justamente a nós, pecadores, imperfeitos e reticentes que vem o desafio: “Sede santos como Eu sou santo”(1 Pedro 1:16).
Diz Ellen G. White: “Com nossas faculdades limitadas, devemos ser tão santos em nossa esfera, como Deus é santo na Sua” (E Recebereis Poder - Meditação Matinal p 66). E completa: “A santidade, ou seja, a semelhança com Deus é o alvo a ser atingido” (Conselhos Professores, Pais e Estudantes, p 24).
Discutir a santidade de Deus é algo que foge à nossa compreensão, pois Ele é Deus, único Criador, Mantenedor e Redentor. Diz a Bíblia: “Não há santo como o Senhor; porque não há outro fora de ti; e rocha nenhuma há como o nosso Deus” (1 Samuel 2:2).
Vivemos em uma época em que o poder criador de Deus é ignorado nas grandes universidades do mundo. Se o Seu poder é ignorado, a Sua santidade o é mais ainda.
Domingo
Os patriarcas e profetas mantinham um respeito todo especial para com a Palavra de Deus. “O senhor falou” era a palavra final. Em toda a Bíblia encontramos Deus Se dirigindo ao homem de uma maneira clara e audível. Toda a Bíblia é “um assim diz o Senhor”.
Em momentos de dúvidas, quando o inimigo nos assedia, o “assim diz o senhor” deve ser o nosso norte. Foi fundamentado na palavra de Deus que Jesus venceu Satanás. Apego a Palavra de Deus deve ser a diretriz de todo o servo de Deus. É interessante como os escritores do Novo Testamento focam o “assim diz o Senhor” do Velho Testamento. Não existe discrepância no “assim diz o Senhor” do Gênesis com o “assim diz o Senhor” do Apocalipse.
Um ponto crucial hoje, no meio evangélico, é aceitar o “assim diz o Senhor” do Velho Testamento como o mesmo “assim diz o Senhor” do Novo Testamento. Não existe dois “assim diz o Senhor”. A sua palavra é única e fiel. Por em dúvida a Palavra do Senhor é o grande esforço de Satanás. Deus é o único que pode dizer e ficar dito.
Segunda
Em Gênesis 2:3 vemos um Deus santo santificando um dia especial. Esse dia foi separado para o repouso do homem. Esse é um dia criado não só para atender as necessidades biológicas do ser humano mas, também para estreitar o relacionamento da criatura com o Seu criador. Ou seja: atender também as nossas necessidades espirituais. “Há os que professam possuir santidade, que se declaram santos do Senhor, que reclamam como um direito a promessa de Deus, ao mesmo tempo que recusam obediência aos mandamentos de Deus” (Atos dos Apóstolos, p 572).
Apenas um Ser santo pode santificar alguma coisa ou pessoa. Deus santificou o sábado, os levitas, o santuário, o dízimo e é o que Ele espera de cada um de nós, que nos tornemos santos. “Como também nos elegeu nEle antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dEle em amor” (Efésios 1:4).
O grande sonho de Deus é que um dia possamos nos relacionar com Ele face a face. Para que isso aconteça Ele nos adverte: “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1:1).
Em toda a Bíblia o nome de Deus é exaltado como o único Senhor inigualável em santidade e poder e a compreensão dessa verdade nos deve fazer mais submissos e respeitosos para com Aquele que nos criou. Somos especiais para Deus e deveríamos avaliar melhor o que significa viver diante deste Deus Santo e Onipotente.
“Quando o Senhor vier, os que são santos serão santos ainda. Os que houverem conservado o corpo e o espírito em santidade, em santificação e honra, receberão então o toque final da imortalidade” (Conselhos Sobre Saúde, p 44).
Terça
Jó, sempre foi um dedicado servo de Deus. O seu relacionamento com o Criador era admirado não só pelos céus, mas também por Satanás. Jó confessa que antes de se tornar marionete nas mãos do inimigo, tinha uma visão muito limitada da santidade e do poder de Deus. Só depois da grande prova que experimentou e de ver como Deus Se apresentou a Ele, pode então, compreender melhor a magnitude do Altíssimo. Em prantos ele reconhece a sua grande falha. Há o perigo de passarmos a vida toda frequentando a igreja ouvindo de Deus e de Sua santidade sem termos uma clara visão do que Ele realmente é.
As manifestações da glória de Deus a seres humanos no passado, mudou a visão e a maneira de cada um compreender como realmente é Deus. Quando estavam juntos do Sinai os israelitas não suportaram a glória de Deus e rogaram que apenas Moisés se apresentasse diante do Onipotente. Jacó junto do Jaboque não só viu, mas lutou com Deus e a sua visão a respeito dEle o mudou por completo. Não podemos esquecer as experiências de Isaías, Ezequiel e Daniel. Os discípulos que acompanharam Jesus no monte da transfiguração ficaram maravilhados. Provavelmente o centurião que esteve junto da cruz no Calvário, ouviu falar muito de Jesus, mas só naquele momento crucial ele teve uma visão real de quem era Aquele que estava pendurado na cruz. Ainda temos Paulo, João e tantos outros que antes, apenas se limitavam em ouvir a respeito de Deus; mas, depois que estiveram diante dEle face a face mudaram por completo os seus conceitos de Deus, de Seu amor e de Sua santidade e, desde então, nunca mais foram os mesmos.
Embora pareça absurda a oração de Moisés “Rogo-te que me mostres a Tua glória” (Êxodo 33:18), talvez essa seja uma de nossas mais urgentes necessidades. De nada valerá um conhecimento superficial de Deus. “Não nos devemos satisfazer com um conhecimento superficial, antes devemos procurar aprender o verdadeiro significado das palavras de verdade, beber com interesse do espírito dos profetas” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, pág. 139).
Quarta
Na nota da pergunta de número sete Ellen G. White descreve o encontro de Pedro com Jesus: “A presença da divindade revelou-lhe a própria ausência de santidade. Amor por seu Mestre, vergonha de sua incredulidade, gratidão pela complacência de Cristo e, sobretudo, o sentimento de sua impureza em presença da pureza infinita, tudo o subjugou. Enquanto os companheiros punham em segurança o conteúdo da rede, Pedro caiu aos pés do Salvador, exclamando: ‘Senhor, ausenta-Te de mim, que sou um homem pecador.’ Luc. 5:8.” (O Desejado de Todas as Nações, p 246). É algo mais ou menos assim: sem humildade eu não consigo reconhecer a Divindade mas sem a Divindade eu não consigo desenvolver a humildade.
Felizmente Jesus não atendeu a oração de Pedro. Ele sabe que quando o homem reconhece ser um pecador é este o momento exato em que ele necessita de um salvador. Por Sua misericórdia “perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito” (Salmo 34:18).
É essa visão da santidade do Altíssimo em contraste com a pequenez humana que faz de cada “publicano” um filho de Deus. É quando o homem se sente pequeno que Deus o faz grande para a Sua glória. Mais uma vez diz Ellen G. White: “Uma concepção clara do que Deus é e do que Ele requer que sejamos conduzirá à verdadeira humildade” (Conselhos Professores, Pais e Estudantes, p 53).
Quinta
A história do endemoninhado apresentada por Lucas no capítulo quatro se contrasta com a visão de João em Apocalipse também no capítulo quatro. Lucas apresenta uma sequencia de fatos que culminam com a expulsão de um demônio.
Jesus está iniciando o Seu ministério. Há pouco Ele havia enfrentado Satanás no monte da tentação. O verso treze afirma que, derrotado “o Diabo O deixou por algum tempo”. Logo depois Jesus foi à igreja e leu uma das profecias de Isaías que fala de Seu ministério e da confirmação do mesmo pelo Espírito Santo (versos 18 e 19). O povo O aplaudia. Foi nesse momento que Satanás aparece de novo. Agora, não com a altivez com que se apresentou no monte da tentação, mas como um derrotado implorando clemência. “Ah! que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste a destruir-nos? Bem sei quem és: O Santo de Deus” (Lucas 4:34). Tiago afirma que os demônios crêem em Deus e estremecem. Lógico que é de medo e pavor.
No Céu em um trono circundado de glória está Deus. Diante de Si um coral canta dia e noite:“Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir.” As hostes celestiais também tremem mas não de medo e, sim de respeito para com Aquele que existe para todo o sempre.
Os dois textos bíblicos apresentam dois quadros que identificam bem a humanidade desde que surgiu o pecado. Um grupo que desafia o Deus eterno e o outro que Lhe tributa glória, poder e honra.
Conclusão
A grandeza e santidade do nosso Deus é incompreensível, portanto inexplicável.
O mais emocionante de tudo é que esse Deus santo e inatingível tomou a forma humana e veio morar entre nós para nos salvar. E isso é ainda mais incompreensível e inexplicável. Tudo porque Ele é amor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário