quinta-feira, 25 de abril de 2013

Senhor das nações (Amós e Obadias)

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 20 a 27 de abril de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

Amós exalta a justiça de Deus. O seu livro trata de pelo menos três assuntos. Primeiro ele descreve os juízos de Deus sobre as nações que humilharam ou que contribuíram para a humilhação do povo de Deus. A mensagem foi direcionada para essas nações e para o próprio povo de Israel.

Em segundo lugar, embora Israel fosse o povo escolhido de Deus, ele não foi poupado de Seus juízos. Assim como a graça de Deus é para todos, a Sua justiça também o é. Essa postura divina se prende ao fato de que Israel não tratava a todos de igual modo. Ao falar da atitude de Israel com os menos favorecidos Amós escreve: “...Quando passará a lua nova, para vendermos o grão, e o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o efa, e aumentando o siclo, e procedendo dolosamente com balanças enganosas, para comprarmos os pobres por dinheiro, e os necessitados por um par de sapatos, e para vendermos o refugo do trigo” (Amós 8:5-6). Os seus irmãos mais humildes eram subjugados pelos mais fortes. E Pior, para eles o a observância do sábado era um embaraço para a sua ganancia. Os seus irmãos mais humildes eram subjugados pelos mais fortes. Diz o texto sagrado: “Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Israel, e por quatro, não retirarei o castigo, porque vendem o justo por dinheiro, e o necessitado por um par de sapatos” (Amós 2:6). Deus lhes mostrou de maneira clara que Ele não faz acepção de pessoas e condena essa prática entre o Seu povo.

E em terceiro lugar Deus fala de um futuro promissor para o Seu povo, desde que eles O busquem com humildade de coração. “Naquele dia tornarei a levantar o tabernáculo caído de Davi, e repararei as suas brechas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e o edificarei como nos dias da antiguidade” (Amós 9:11). “E trarei do cativeiro meu povo Israel, e eles reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão, e plantarão vinhas, e beberão o seu vinho, e farão pomares, e lhes comerão o fruto. E plantá-los-ei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o Senhor teu Deus” (Amós 9:14-15).

Enquanto Amós apresenta um leque de sete nações que oprimiram o povo de Deus, Obadias se prende a apenas uma, Edom. É bom lembrar que os juízos apresentados por Obadias foram mencionados também por Amós. “Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Edom, e por quatro, não retirarei o castigo, porque perseguiu a seu irmão à espada, e aniquilou as suas misericórdias; e a sua ira despedaçou eternamente, e conservou a sua indignação para sempre” (Amós 1:11).

Assim como no passado o Senhor rugiu como leão para condenar as injustiças sociais Ele esta atento hoje. Ageu fala com firmeza: “Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos exércitos” (Tiago 5:4).

 

 

Domingo

            Na época do rei Salomão Israel mantinha estreitas relações com o rei de Tiro. Toda a madeira usada na construção do templo e na construção da casa de Salomão veio de Tiro. Mas anos depois, esse povo usou de atitudes mesquinhas para com Israel.

            Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Tiro, e por quatro, não retirarei o castigo, porque entregaram todos os cativos a Edom, e não se lembraram da aliança dos irmãos” (Amós 1:9). Os homens de Tiro se negaram a socorrer a Israel quando atacado por Edom, antes facilitaram a captura do povo de Deus entregando-os aos seus inimigos. Essa quebra de aliança por parte do povo de Tiro não agradou a Aquele que comanda as nações. E veio o veredito divino: “Assim diz o Senhor Deus: eu estou contra ti, ó Tiro, e farei subir contra ti muitas nações, como se o mar fizesse subir as suas ondas. Elas destruirão os seus muros, derrubarão as suas torres; eu varrerei o seu pó, e dela farei uma penha descalvada. No meio do mar virá a ser um enxugadouro de redes” (Ezequiel 26:3-5).

Perceba que a profecia diz que subiriam muitas nações contra a cidade de Tiro. E a primeira nação a subir foi a Assíria, que ficava ao norte e tinha a sua capital em Nínive. Por dois séculos os assírios subjugaram a Tiro. Também foi atacada pelos babilônicos que destruíram muitas cidades que estavam na costa do mar. Aos poucos, Tiro começou a enfraquecer. Nabucodonosor esteve envolvido em ataques contra o rei de Tiro durante 13 anos. Mas em 332 AC que Alexandre e seu exército vitorioso a conquistou definitivamente.

Tiro foi construída numa pequena ilha próximo da praia. Hoje o lugar é usado por pescadores para lavarem as redes como fala a profecia. Outra Tiro foi construída em terra firme.

Tiro e as demais nações mencionadas por Amós foram rigorosamente justiçadas por Deus. Diz a Bíblia: “O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente; o Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés” (Naum 1:3).

 

Segunda

            Durante a história da humanidade repetidas vezes Deus Se manifestou com indignação para com os povos que não praticavam justiça social. Foi assim com os egípcios, com Babilônia e com o próprio Israel.

            Porventura não é este o jejum que escolhi que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?” (Isaías 58:6-7).

            No tempo de Isaias o povo adorava a Deus com orações e jejuns, mas se esqueceu do principal: o cuidado com os menos favorecidos.

            Amós afirma que a “prosperidade econômica de Israel e a estabilidade política o levaram à decadência espiritual que se manifestou em injustiça social” (Página 44 da Lição da Escola Sabatina).

            A exploração do fraco pelo mais forte sempre aconteceu no mundo. Essa é uma atitude que sempre foi condenada por Deus. Em seu recado para João Batista, Jesus apresentou como uma de Suas características Se preocupar com a salvação dos pobres. Disse Ele: “Os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mateus 11:5).

Tiago deixa claro que Deus está atento e ouve o clamor dos trabalhadores que são injustiçados. “Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos exércitos” (Tiago 5:4).

Ao descrever a Sua missão, Jesus foi claro: "O Espírito do Senhor é sobre Mim, pois que Me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-Me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, e dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos" (Luc. 4:18 e 19).

 

Terça

            O desejo do Altíssimo é resgatar todos os filhos de Adão independente de onde tenham nascido. Para alcançar esse propósito Ele separou uma nação e a propiciou de condições especiais a fim de que ela pudesse participar do Seu projeto.

            A nação escolhida foi Israel e a Bíblia mostra o que Deus fez para capacitar esse povo para que cumprissem o Seu propósito. Primeiro Deus deu a este povo uma experiência singular. O resgate do Egito e os milagres que aconteceram no deserto tinham dois objetivos especiais. Primeiro, infundir em Israel a certeza de que Deus os dirigia de maneira especial e de que nada era impossível para o Altíssimo.

Em segundo lugar Deus esperava que o mundo ao ver as ações divinas para com esse povo acreditasse na Sua mensagem de salvação por ele apresentada.

Para isso era necessário algumas coisas. Primeiro que Israel fosse colocado numa região geográfica estratégica. E Deus os instalou numa região cruzada por os habitantes do mundo inteiro. Nesse planejamento as tribos de Naftali e de Zebulon foram instaladas junto do mar ao lado de um porto de grande movimentação. A sua região era tão estratégica que foi denominada de o “Caminho do mar.”

Em segundo lugar, durante a caminhada pelo deserto Deus outorgou a Israel a Sua Carta Magna que deveria servir de diretriz para Israel e esse deveria torna-la conhecida no mundo.

Em terceiro lugar, Israel foi dotado de uma prosperidade econômica que o tornou notável no mundo. Assim, eles tinham tudo para cumprir o propósito divino: “e tu serás uma bênção” (Gênesis 12:2).

Israel realmente estava preparado para desempenhar com brilhantismo a sua missão. “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9).

Israel ao entrar em contato com esses povos se deixou ser influenciado por eles. Ao invés de chamar o mundo ao arrependimento, passou a adorar os seus deuses. Zebulon e Naftali foram os primeiros a enveredar pelo caminho da apostasia e foram os primeiros a receberem os juízos de Deus. Misturou-se tanto com os mundanos que as suas terras passaram a ser chamadas de a “Galileia dos gentios” e onde deveria existir vida em abundância passou a ser “região da sombra da morte” (Isaias 9:2).

Não pertencemos ao povo de Deus por acaso. Esse é um privilégio que envolve uma grande responsabilidade. E lembre: “...tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1 Coríntios 10:11).

 

Quarta

Os pecados de Israel chegaram ao limite da tolerância divina.  Um dia de juízo seria inevitável. As advertências se sucederam sem que produzissem resultados positivos e o encontro com Deus teria consequências desastrosas. O Senhor afirma: "E derribarei a casa de inverno com a casa de verão; e as casas de marfim perecerão, e as grandes casas terão fim, diz o Senhor." Amós 3:15. "Porque o Senhor, o Senhor dos exércitos, é o que toca a Terra, e ela se derrete, e todos os que habitam nela chorarão." Amós 9:5. "Teus filhos e tuas filhas cairão à espada, e a tua terra será repartida a cordel, e tu morrerás na terra imunda, e Israel certamente será levado cativo para fora da sua terra." Amós 7:17.

Israel cumulava pecado após pecado. O comentário da Lição apresenta um triste relatório do povo escolhido por Deus e que tinha a responsabilidade de fazê-Lo conhecido entre os povos. Diz o texto: “A história de Israel é obscura. Nenhum dos vinte reis do reino do norte seguiu a Deus.” Continua o texto “...Apenas conspirações, revoltas, exploração, violência, terror, corrupção, tragédia e desespero prevaleciam."...Sete reis foram assassinados, um cometeu suicídio, e um deles “foi ferido por Deus.”” 

A situação era gritante e Deus faz um último apelo: “E porque isto te farei, prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus." Amós 4:12.

Na igreja de minha adolescência tinha um jovem que pregava com bastante energia. Em um de seus sermões, após a oração inicial ele leu Amós 4:12 e acrescentou: “Estamos despedidos.” Eu não me lembro de nenhum de seus sermões, mas esse não teve como esquecer. Pena que esse jovem deixou a igreja e poucos anos depois morreu vítima da AIDS. (Ver meditação Reavivar a Esperança, p 352).

 

Quinta

Os edomitas são descendentes de Esaú e os israelitas são descendentes de seu irmão gêmeo, Jacó. Esta divisão levou os edomitas a proibir que Israel atravessasse as suas terras durante o êxodo dos israelitas do Egito. Os pecados de orgulho por parte de Edom exigem agora uma forte palavra de julgamento do Senhor.

Um dado curioso: Herodes era edomita. Os antepassados de Herodes são os personagens envolvidos na profecia de Obadias. Jesus comparou Herodes a uma raposa. A raposa é traiçoeira e cheia de malicia. E essas eram as características mais fortes dos edomitas. “E respondeu-lhes (Jesus): Ide, e dizei àquela raposa: Eis que eu expulso demônios, e efetuo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia sou consumado” (Lucas 13:32).  

A mensagem de Obadias é definitiva e certa: o reino de Edom será destruído completamente. Edom tem sido arrogante, alegrando-se pelos infortúnios de Israel e quando os exércitos inimigos atacam Israel e os israelitas pedem por ajuda, os edomitas se recusam e escolhem lutar contra eles, não por eles. Os edomitas proibiram Israel a atravessar as suas terras durante o êxodo do Egito. Os pecados de orgulho por parte de Edom exigiam uma forte palavra de julgamento do Senhor.
            A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra?” (Obadias 1:3).

Vaja algumas das acusações apresentadas por Obadias: “Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a confusão, e serás exterminado para sempre” (1:10).

“Mas tu não devias olhar com prazer para o dia de teu irmão, no dia do seu infortúnio; nem alegrar-te sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem alargar a tua boca, no dia da angústia; nem entrar pela porta do meu povo, no dia da sua calamidade; sim, tu não devias olhar satisfeito o seu mal, no dia da sua calamidade; nem lançar mão dos seus bens, no dia da sua calamidade; nem parar nas encruzilhadas, para exterminares os que escapassem; nem entregar os que lhe restassem, no dia da angústia” (1:12-14).

            Veja essa advertência encontrada na nota dessa pergunta: “Deus responsabiliza os que se aproveitam dos outros em seus momentos de angústia” (página 47). Presunção, arrogância e soberba marcaram a vida de Edom. Diz Obadias: A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra?” (1:3).

 
Conclusão

Reprovação à conduta de menosprezar e tirar proveito dos desfavorecidos foram os principais pecados vistos não só nas nações que circundavam Israel, mas também entre o próprio povo de Deus.

Convivi com uma situação curiosa. Por varias vezes vi o meu pai tomar dinheiro emprestado para socorrer a alguma pessoa. Alguns agiotas sabendo do seu desprendimento em ajudar se aproveitavam do momento para aumentar os juros. Provavelmente são atitudes que estão anotadas nos livros do Céu.


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