Comentário da Lição da Escola Sabatina de 20 a 27 de abril de
2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e
autor de Reavivar a Esperança (Uma
meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do
Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Amós exalta a justiça de Deus. O seu
livro trata de pelo menos três assuntos. Primeiro ele descreve os juízos de
Deus sobre as nações que humilharam ou que contribuíram para a humilhação do
povo de Deus. A mensagem foi direcionada para essas nações e para o próprio povo
de Israel.
Em segundo lugar, embora Israel fosse o
povo escolhido de Deus, ele não foi poupado de Seus juízos. Assim como a graça
de Deus é para todos, a Sua justiça também o é. Essa postura divina se prende
ao fato de que Israel não tratava a todos de igual modo. Ao falar da atitude de
Israel com os menos favorecidos Amós escreve: “...Quando passará a lua nova,
para vendermos o grão, e o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo,
diminuindo o efa, e aumentando o siclo, e procedendo dolosamente com balanças
enganosas, para comprarmos os pobres por dinheiro, e os necessitados por um par
de sapatos, e para vendermos o refugo do trigo” (Amós 8:5-6). Os seus irmãos
mais humildes eram subjugados pelos mais fortes. E Pior, para eles o a observância
do sábado era um embaraço para a sua ganancia. Os seus irmãos mais humildes
eram subjugados pelos mais fortes. Diz o texto sagrado: “Assim diz o Senhor:
Por três transgressões de Israel, e por quatro, não retirarei o castigo, porque
vendem o justo por dinheiro, e o necessitado por um par de sapatos” (Amós 2:6).
Deus lhes mostrou de maneira clara que Ele não faz acepção de pessoas e condena
essa prática entre o Seu povo.
E em terceiro lugar Deus fala de um
futuro promissor para o Seu povo, desde que eles O busquem com humildade de
coração. “Naquele dia tornarei a levantar o tabernáculo caído de Davi, e
repararei as suas brechas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e o edificarei
como nos dias da antiguidade” (Amós 9:11). “E trarei do cativeiro meu povo
Israel, e eles reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão, e
plantarão vinhas, e beberão o seu vinho, e farão pomares, e lhes comerão o
fruto. E plantá-los-ei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra
que lhes dei, diz o Senhor teu Deus” (Amós 9:14-15).
Enquanto Amós apresenta um leque de sete
nações que oprimiram o povo de Deus, Obadias se prende a apenas uma, Edom. É
bom lembrar que os juízos apresentados por Obadias foram mencionados também por
Amós. “Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Edom, e por quatro, não
retirarei o castigo, porque perseguiu a seu irmão à espada, e aniquilou as suas
misericórdias; e a sua ira despedaçou eternamente, e conservou a sua indignação
para sempre” (Amós 1:11).
Assim como no passado o Senhor rugiu como
leão para condenar as injustiças sociais Ele esta atento hoje. Ageu fala com
firmeza: “Eis que o jornal dos
trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído,
clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos
exércitos” (Tiago 5:4).
Domingo
Na
época do rei Salomão Israel mantinha estreitas relações com o rei de Tiro. Toda
a madeira usada na construção do templo e na construção da casa de Salomão veio
de Tiro. Mas anos depois, esse povo usou de atitudes mesquinhas para com
Israel.
“Assim
diz o Senhor: Por três transgressões de Tiro, e por quatro, não retirarei o
castigo, porque entregaram todos os cativos a Edom, e não se lembraram da
aliança dos irmãos” (Amós 1:9). Os homens de Tiro se negaram a socorrer
a Israel quando atacado por Edom, antes facilitaram a captura do povo de Deus
entregando-os aos seus inimigos. Essa quebra de aliança por parte do povo de
Tiro não agradou a Aquele que comanda as nações. E veio o veredito divino:
“Assim diz o Senhor Deus: eu estou contra ti, ó Tiro, e farei subir contra ti
muitas nações, como se o mar fizesse subir as suas ondas. Elas destruirão os
seus muros, derrubarão as suas torres; eu varrerei o seu pó, e dela farei uma
penha descalvada. No meio do mar virá a ser um enxugadouro de redes” (Ezequiel
26:3-5).
Perceba que a profecia diz que subiriam
muitas nações contra a cidade de Tiro. E a primeira nação a subir foi a Assíria,
que ficava ao norte e tinha a sua capital em Nínive. Por dois séculos os
assírios subjugaram a Tiro. Também foi atacada pelos babilônicos que destruíram
muitas cidades que estavam na costa do mar. Aos poucos, Tiro começou a
enfraquecer. Nabucodonosor esteve envolvido em ataques contra o rei de Tiro
durante 13 anos. Mas em 332 AC que Alexandre e seu exército vitorioso a
conquistou definitivamente.
Tiro foi construída numa pequena ilha próximo
da praia. Hoje o lugar é usado por pescadores para lavarem as redes como fala a
profecia. Outra Tiro foi construída em terra firme.
Tiro e as demais nações mencionadas por Amós
foram rigorosamente justiçadas por Deus. Diz a Bíblia: “O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem
por inocente; o Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as
nuvens são o pó dos seus pés” (Naum 1:3).
Segunda
Durante a história da
humanidade repetidas vezes Deus Se manifestou com indignação para com os povos
que não praticavam justiça social. Foi assim com os egípcios, com Babilônia e
com o próprio Israel.
“Porventura não é este o jejum que escolhi que soltes
as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres
os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura
não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres
abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?” (Isaías
58:6-7).
No
tempo de Isaias o povo adorava a Deus com orações e jejuns, mas se esqueceu do
principal: o cuidado com os menos favorecidos.
Amós
afirma que a “prosperidade econômica de Israel e a estabilidade política o
levaram à decadência espiritual que se manifestou em injustiça social” (Página
44 da Lição da Escola Sabatina).
A
exploração do fraco pelo mais forte sempre aconteceu no mundo. Essa é uma
atitude que sempre foi condenada por Deus. Em seu recado para João Batista,
Jesus apresentou como uma de Suas características Se preocupar com a salvação
dos pobres. Disse Ele: “Os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são
limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado
o evangelho” (Mateus
11:5).
Tiago deixa claro que Deus
está atento e ouve o clamor dos trabalhadores que são injustiçados. “Eis que o
jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi
diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor
dos exércitos” (Tiago
5:4).
Ao descrever a Sua missão, Jesus foi claro: "O
Espírito do Senhor é sobre Mim, pois que Me ungiu para evangelizar os pobres,
enviou-Me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos,
e dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos" (Luc. 4:18 e 19).
Terça
O desejo do Altíssimo é resgatar todos os filhos de Adão
independente de onde tenham nascido. Para alcançar esse propósito Ele separou
uma nação e a propiciou de condições especiais a fim de que ela pudesse
participar do Seu projeto.
A nação escolhida foi
Israel e a Bíblia mostra o que Deus fez para capacitar esse povo para que
cumprissem o Seu propósito. Primeiro Deus deu a este povo uma experiência
singular. O resgate do Egito e os milagres que aconteceram no deserto tinham
dois objetivos especiais. Primeiro, infundir em Israel a certeza de que Deus os
dirigia de maneira especial e de que nada era impossível para o Altíssimo.
Em segundo lugar Deus esperava que o mundo ao
ver as ações divinas para com esse povo acreditasse na Sua mensagem de salvação
por ele apresentada.
Para isso era necessário algumas coisas.
Primeiro que Israel fosse colocado numa região geográfica estratégica. E Deus
os instalou numa região cruzada por os habitantes do mundo inteiro. Nesse
planejamento as tribos de Naftali e de Zebulon foram instaladas junto do mar ao
lado de um porto de grande movimentação. A sua região era tão estratégica que
foi denominada de o “Caminho do mar.”
Em segundo lugar, durante a caminhada pelo
deserto Deus outorgou a Israel a Sua Carta Magna que deveria servir de diretriz
para Israel e esse deveria torna-la conhecida no mundo.
Em terceiro lugar, Israel foi dotado de uma
prosperidade econômica que o tornou notável no mundo. Assim, eles tinham tudo
para cumprir o propósito divino: “e tu serás uma
bênção” (Gênesis 12:2).
Israel realmente estava
preparado para desempenhar com brilhantismo a sua missão. “Mas vós sois a
geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que
anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa
luz” (1
Pedro 2:9).
Israel ao entrar em contato com esses povos
se deixou ser influenciado por eles. Ao invés de chamar o mundo ao
arrependimento, passou a adorar os seus deuses. Zebulon e Naftali foram os
primeiros a enveredar pelo caminho da apostasia e foram os primeiros a
receberem os juízos de Deus. Misturou-se tanto com os mundanos que as suas
terras passaram a ser chamadas de a “Galileia dos gentios” e onde deveria
existir vida em abundância passou a ser “região
da sombra da morte” (Isaias 9:2).
Não pertencemos ao povo de Deus por acaso.
Esse é um privilégio que envolve uma grande responsabilidade. E lembre: “...tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão
escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1 Coríntios 10:11).
Quarta
Os pecados de Israel chegaram ao limite da tolerância
divina. Um dia de juízo seria
inevitável. As advertências se
sucederam sem que produzissem resultados positivos e o encontro com Deus teria
consequências desastrosas. O Senhor afirma: "E derribarei a casa de
inverno com a casa de verão; e as casas de marfim perecerão, e as
grandes casas terão fim, diz o Senhor." Amós 3:15. "Porque o Senhor,
o Senhor dos exércitos, é o que toca a Terra, e ela se derrete, e todos os que
habitam nela chorarão." Amós 9:5. "Teus filhos e tuas filhas cairão à
espada, e a tua terra será repartida a cordel, e tu morrerás na terra imunda, e Israel
certamente será levado cativo para fora da sua terra." Amós
7:17.
Israel cumulava pecado após pecado. O comentário da Lição apresenta um
triste relatório do povo escolhido por Deus e que tinha a responsabilidade de
fazê-Lo conhecido entre os povos. Diz o texto: “A história de Israel é obscura.
Nenhum dos vinte reis do reino do norte seguiu a Deus.” Continua o texto “...Apenas
conspirações, revoltas, exploração, violência, terror, corrupção, tragédia e
desespero prevaleciam."...Sete reis foram assassinados, um cometeu
suicídio, e um deles “foi ferido por Deus.””
A situação era gritante e Deus faz um último apelo: “E porque isto te
farei, prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus."
Amós 4:12.
Na igreja de minha adolescência tinha um jovem que pregava com bastante
energia. Em um de seus sermões, após a oração inicial ele leu Amós 4:12 e
acrescentou: “Estamos despedidos.” Eu não me lembro de nenhum de seus sermões,
mas esse não teve como esquecer. Pena que esse jovem deixou a igreja e poucos
anos depois morreu vítima da AIDS. (Ver meditação Reavivar a Esperança,
p 352).
Quinta
Os
edomitas são descendentes de Esaú e os israelitas são descendentes de seu irmão
gêmeo, Jacó. Esta divisão levou os edomitas a proibir que Israel atravessasse
as suas terras durante o êxodo dos israelitas do Egito. Os pecados de orgulho
por parte de Edom exigem agora uma forte palavra de julgamento do Senhor.
Um
dado curioso: Herodes era edomita. Os antepassados de Herodes são os personagens
envolvidos na profecia de Obadias. Jesus comparou Herodes a uma raposa. A
raposa é traiçoeira e cheia de malicia. E essas eram as características mais
fortes dos edomitas. “E respondeu-lhes (Jesus): Ide, e dizei
àquela raposa: Eis que eu expulso demônios, e efetuo curas, hoje e amanhã, e no
terceiro dia sou consumado” (Lucas 13:32).
A
mensagem de Obadias é definitiva e certa: o reino de Edom será destruído
completamente. Edom tem sido arrogante, alegrando-se pelos infortúnios de
Israel e quando os exércitos inimigos atacam Israel e os israelitas pedem por
ajuda, os edomitas se recusam e escolhem lutar contra eles, não por eles. Os
edomitas proibiram Israel a atravessar as suas terras durante o êxodo do Egito.
Os pecados de orgulho por parte de Edom exigiam uma forte palavra de julgamento
do Senhor.
“A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra?” (Obadias 1:3).
“A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra?” (Obadias 1:3).
Vaja
algumas das acusações apresentadas por Obadias: “Por causa da violência feita a
teu irmão Jacó, cobrir-te-á a confusão, e serás exterminado para sempre”
(1:10).
“Mas tu não devias olhar com
prazer para o dia de teu irmão, no dia do seu infortúnio; nem alegrar-te sobre
os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem alargar a tua boca, no dia da
angústia;
nem entrar pela porta do meu povo, no dia da sua
calamidade; sim, tu não devias olhar satisfeito o seu mal, no dia da sua
calamidade; nem lançar mão dos seus bens, no dia da sua calamidade; nem parar nas encruzilhadas, para exterminares os que
escapassem; nem entregar os que lhe restassem, no dia da angústia” (1:12-14).
Veja essa advertência encontrada na nota dessa pergunta:
“Deus responsabiliza os que se aproveitam dos outros em seus momentos de
angústia” (página 47). Presunção, arrogância e soberba marcaram a vida de Edom.
Diz Obadias: “A soberba do teu coração te
enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz
no seu coração: Quem me derrubará em terra?” (1:3).
Reprovação
à conduta de menosprezar e tirar proveito dos desfavorecidos foram os
principais pecados vistos não só nas nações que circundavam Israel, mas também
entre o próprio povo de Deus.
Convivi
com uma situação curiosa. Por varias vezes vi o meu pai tomar dinheiro
emprestado para socorrer a alguma pessoa. Alguns agiotas sabendo do seu
desprendimento em ajudar se aproveitavam do momento para aumentar os juros.
Provavelmente são atitudes que estão anotadas nos livros do Céu.
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