domingo, 28 de abril de 2013

Busque o Senhor e Viva

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 27 de abril a 4 de maio de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 
Introdução

            Praticar justiça social e buscar o Senhor é o foco da mensagem de Amós. Mas como Israel rejeitou este convite os juízos de Deus caíram sobre o povo rebelde. É interessante que por duas vezes Deus propôs a destruição, mas por intervenção do profeta Amós o mal foi postergado. (Ver Amós 7: 1–6).  Porém, chegou um momento que não teve mais jeito.

A apostasia chegou a tal ponto que o próprio sacerdote advertiu o rei Jeroboão que Amós era um conspirador e que as suas profecias não se cumpririam. Aos olhos do sacerdote Amasias Deus não destruiria o Seu povo e o rei jamais morreria à espada.

“Então Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não poderá sofrer todas as suas palavras. Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente será levado para fora da sua terra em cativeiro” (Amós 7:10 e 11).

A rejeição a mensagem de Amós foi tamanha que ele foi advertido para não profetizar mais sobre o reino de Israel e que saísse de seus termos. “Depois Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, e foge para a terra de Judá, e ali come o pão, e ali profetiza; Mas em Betel daqui por diante não profetizes mais, porque é o santuário do rei e casa real” (Amós 7:12-13).

Betel Foi um dos lugares onde permaneceu a Arca da Aliança, símbolo da presença do Deus de Israel. Davi e Samuel fizeram dela a sede do tribunal para julgar o povo. (I Samuel 7:16). Foi neste local que Abraão armou a sua tenda e edificou o seu primeiro altar (Génesis 12:8; 13:3). Em Betel Jacó teve a visão de uma escada que atingia o céu. Ali Débora foi sepultada. (Génesis 35:8). Após a Divisão do Reino de Israel, Jeroboão I, Rei de Israel mandou erguer um Bezerro de Ouro em Betel (I Reis 21:29) para que o povo não fosse a Jerusalém para adorar.

Um povo com um histórico tão lindo expulsou de seus termos o profeta que trazia a última mensagem de advertencia.

Mesmo com essas ameaças Amós continuou advertindo aquele povo e foi claro: Um dia eles teriam fome de ouvir a Palavra de Deus e iriam de um mar a outro mar procurando alguém que a mostrasse e não encontrariam. Em algumas versões bíblicas a palavra “errantes” é traduzida por “vagabundos”. Que triste situação chegaria alguém que, antes, tinha toda a Palavra de Deus disponível!

            Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor. E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do Senhor, mas não a acharão” (Amós 8:11-12).

Mesmo com todos os pecados de Israel a ira divina caiu sobre eles com uma dose de graça e Israel não seria destruído por completo. Disse o Senhor: “Eis que os olhos do Senhor Deus estão contra este reino pecador, e eu o destruirei de sobre a face da terra; mas não destruirei de todo a casa de Jacó, diz o Senhor” (Amós 9:8)

Amós conclui o seu livro com uma mensagem de esperança: “E trarei do cativeiro meu povo Israel, e eles reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão, e plantarão vinhas, e beberão o seu vinho, e farão pomares, e lhes comerão o fruto” (Amós 9:14).

É impressionante o amor de Deus. Caso Israel tivesse dado ouvidos ao primeiro profeta e não haveria necessidade tantos outros. E mais do que isso, quanto sofrimento teria sido poupado! “Porém tu, Senhor, és um Deus cheio de compaixão, e piedoso, sofredor, e grande em benignidade e em verdade” (Salmos 86:15).

 
Domingo
A apostasia e a injustiça social eram praticadas sem nenhuma restrição em Israel. A mensagem de Amós é contundente e impossível de ser colocada em prática sem a ajuda divina.

Além de buscar o bem o Senhor orienta que devemos odiar o mal. Diz o texto: Buscai o bem, e não o mal, para que vivais; e assim o Senhor, o Deus dos Exércitos, estará convosco, como dizeis. Odiai o mal, e amai o bem, e estabelecei na porta o juízo. Talvez o Senhor Deus dos Exércitos tenha piedade do remanescente de José” (Amós 5:14-15).

No exercício constante de sua autossuficiência e distanciando mais e mais de Deus, a Fonte de força, seria impossível Israel aprender a odiar o mal. Esse é um desafio para todo aquele que professa servir ao Senhor. Esse “aprender” indica que não é um fato momentâneo. Envolve submissão, tempo e paciência.

O profeta Isaías conviveu com esse período sombrio da vida de Israel e a mensagem que ele recebeu do Senhor foi: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Isaías 5:20). O profeta dá a entender que o povo não fazia mais diferença entre o bem e o mal. Para eles tudo era a mesma coisa.

Nos dias de Ezequiel era dever dos sacerdotes orientar o povo e mostrar-lhes a linha divisória entre o santo e o profano. Diz Ellen G. White: "foram dadas aos sacerdotes essas instruções: "E a Meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o puro”” (Testemunhos Seletos – Volume 1, p 325). Creio que se houve um tempo em que essa mensagem foi oportuna, esse tempo é hoje.

  Segunda
Sempre que leio ou ouço algum comentário sobre religião prática me vem à mente o meu pai. Não que ele fosse exemplo em tudo, mas algumas de suas atitudes merecem ser lembradas. A sua religião ia além dos rituais da igreja. Na minha época de adolescente papai conhecia todos os mendigos da nossa cidade e quando notava a ausência de algum deles saia a sua procura. Ao encontra-lo deitado no chão batido ele comprava cama, chamava o médico e além de providenciar os medicamentos, quantas vezes notei ele se levantando de madrugada e, debaixo de chuva. Saia para fazer uma medicação de horário.  Caso o doente viesse a óbito ele fazia o sepultamento.

As suas atuações eram tão discretas que nem nós da família sabíamos de metade do que ele fazia. (Ver Reavivar Esperança, p. 265).

Desprezar e mesmo explorar os menos favorecidos era uma prática normal entre o Israel daquele tempo. A religião praticada com minúncias em seus rituais de adoração não vinha à tona da igreja para fora. Esse comportamento sempre foi visto por Deus como algo deplorável. “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” (Oséias 6:6). O conhecimento de Deus implica em saber e viver de tal modo que o mundo veja em nós que Ele é amor.

Jesus ao se deparar com a religião praticada pelos religiosos de Seu tempo os comparou a sepulcros caiados por fora. Vem à lembrança o velho rifão: “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento.”

O cristianismo prático tem duas dimensões que, para o verdadeiro crente, se fundem em apenas uma. A que praticamos para com os irmãos dentro da igreja e a que vivemos em nosso dia a dia longe dos altares.

“Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas” (Amós 5:23). Ao ler esse verso me vem à mente algo de minha infância. Naquela época quando uma pessoa não era dada ao trabalho e vivia mais de festa em festa era considerada suspeita e diziam a respeito dela: “vive de tocar viola”.

            Deus espera que não sejamos meros tocadores de viola na igreja mas que a nossa vida seja uma viola afinada e que produza uma melodia que venha a amenizar o sofrimento daqueles que estão ao nosso redor.

 Terça
Dos doze profetas menores oito eram de Judá, três de Israel e um de Babilônia conforme vemos abaixo:

- Oséias - 14 capítulos - 752 e 735 a.C. (Israel).

- Joel - 3 capítulos - 840-810 a.C.  (Judá).
- Amós - 9 capítulos - 750 a.C. (Israel).
- Obadias - 1 capítulo – 586  a.C.  (Judá).
- Jonas - 4 capítulos - 793 a 753 a.C. (Israel).
- Miquéias - 7 capítulos - 735 e 700 a.C. (Judá).
- Naum - 3 capítulos – 630 a.C. (Judá).
- Habacuque - 3 capítulos – 606 a.C. (Judá).
- Sofonias - 3 capítulos - 735 e 725 a.C. (Judá).
- Ageu - 2 capítulos -  520 a.C. (Babilônia)
- Zacarias - 14 capítulos - 520 a.C. (Judá).
- Malaquias - 4 capítulos  440 e 400 a.C. – (Judá).

            Um profeta do norte poderia ser orientado a dar uma mensagem para o reino do sul ou vice versa. Ele poderia até profetizar para os dois reinos ao mesmo tempo. Amós pertencia ao reino de Judá e recebeu a orientação divina para advertir o povo de Israel.

            A mensagem de Amós era pesada e contundente. Entre outras desditas ela previa que o rei Jeroboão seria assassinado. Essa, em especial, revoltou o rei e seus assessores e eles exigiram que o profeta abandonasse o seu território. Talvez, a origem humilde de Amós sem pedigree de profeta tenha contribuído para a rejeição de suas advertências.

 Amós desabafa: “E respondeu Amós, dizendo a Amazias: Eu não sou profeta, nem filho de profeta, mas boiadeiro, e cultivador de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de seguir o rebanho, e o Senhor me disse: Vai, e profetiza ao meu povo Israel” (Amós 7:14-15).

O sícômoro (Uma espécie de figo pouco apreciado) era cultivado em regiões alagadas ou encharcadas e, quem os cultivava estava sempre sujo e mal apresentado.  Amós, esse agricultor que também era peão de boiadeiro, não tinha nenhuma ligação com a elite de profetas de seu tempo. Mas ao receber o chamado de Deus não foi desobediente “à visão celestial”.

 Quarta
A leitura auxiliar do Espírito de Profecia enfatiza o desespero dos ímpios após o fechamento da porta da graça. (Veja páginas 34 e 35 da lição com comentário). Porém sabemos que o maior desespero será para os membros da Igreja de Deus que desprezaram as mensagens de advertência. Sobre estes diz Ellen G. White: “Mas há em nossas igrejas muitos, muitos que pouco sabem da real significação da verdade para este tempo. Apelo para eles a fim de que não passem por alto o cumprimento dos sinais dos tempos, que diz tão claramente estar perto o fim. Oh! quantos que não buscaram a salvação de sua alma farão logo o amargo lamento: “Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos”!” (Jeremias. 8:20). (Testemunhos Seletos - volume 3, p 256). E mais: Naquele dia, multidões desejarão o abrigo da misericórdia de Deus, abrigo que durante tanto tempo desprezaram” (O Grande Conflito, p 629).

Vivemos em uma época de fartura espiritual. A Bíblia está sendo aberta e examinada por milhares. Contamos com eficientes pregadores, dispomos de farta literatura, Mas com tudo isso há o perigo de sermos destruídos por falta de conhecimento, ou melhor, por falta da pratica do pouco conhecimento que temos.

“Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo, deve ser nossa primeira ocupação” (Mensagens Escolhidas – Volume 1, p 121).

 
Quinta
“E trarei do cativeiro meu povo Israel, e eles reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão, e plantarão vinhas, e beberão o seu vinho, e farão pomares, e lhes comerão o fruto. E plantá-los-ei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o Senhor teu Deus” (Amós 9:14-15).

Essa promessa de Deus é a confirmação ou ratificação da promessa de que Israel não seria totalmente destruído. “Eis que os olhos do Senhor Deus estão contra este reino pecador, e eu o destruirei de sobre a face da terra; mas não destruirei de todo a casa de Jacó, diz o Senhor” (Amós 9:8)

Isaias afirma: “Dias virão em que Jacó lançará raízes, e florescerá e brotará Israel, e encherão de fruto a face do mundo” (Isaías 27:6). “A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus” (Salmos 85:11).

As promessas de restauração feitas a Israel como nação terão o seu cumprimento no Israel espiritual. Com a rejeição a Cristo Deus formou o Israel espiritual com pessoas de todas as raças. “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (Atos 2:39).

 
Conclusão
Fazemos parte do Israel espiritual. Deus tem um proposito para conosco. Esse propósito é o mesmo confiado ao Israel literal. Ou seja: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (Atos 2:39).  Caso negligenciemos essa responsabilidade o Senhor nos substituirá por pessoas mais dignas do que nós e que hoje caminham longe Dele.

 

Esse comentário é cortesia da Escola Sabatina e do comentarista. Valorize o que é nosso.

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