Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 27 de abril a 4 de maio de 2013. Preparado por
Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a
Esperança, (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Praticar
justiça social e buscar o Senhor é o foco da mensagem de Amós. Mas como Israel rejeitou este convite os
juízos de Deus caíram sobre o povo rebelde. É interessante que por duas vezes
Deus propôs a destruição, mas por intervenção do profeta Amós o mal foi
postergado. (Ver Amós 7: 1–6). Porém,
chegou um momento que não teve mais jeito.
A apostasia chegou a tal ponto que o próprio sacerdote
advertiu o rei Jeroboão que Amós era um conspirador e que as suas profecias não
se cumpririam. Aos olhos do sacerdote Amasias Deus não destruiria o Seu povo e
o rei jamais morreria à espada.
“Então Amazias, o sacerdote de Betel, mandou
dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa
de Israel; a terra não poderá sofrer todas as suas palavras. Porque assim diz
Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente será levado para fora da
sua terra em cativeiro” (Amós 7:10 e 11).
A rejeição a mensagem de Amós foi tamanha que
ele foi advertido para não profetizar mais sobre o reino de Israel e que saísse
de seus termos. “Depois Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, e foge para a
terra de Judá, e ali come o pão, e ali profetiza; Mas em Betel daqui por diante
não profetizes mais, porque é o santuário do rei e casa real” (Amós 7:12-13).
Betel Foi um dos lugares onde permaneceu a Arca da Aliança, símbolo da presença do Deus de Israel. Davi e Samuel
fizeram dela a sede do tribunal para julgar o povo. (I Samuel 7:16). Foi
neste local que Abraão armou a sua tenda e edificou o seu primeiro altar
(Génesis 12:8; 13:3). Em Betel Jacó teve a visão de uma escada que atingia o
céu. Ali Débora foi sepultada. (Génesis 35:8). Após a Divisão do Reino de
Israel, Jeroboão I, Rei de Israel mandou erguer um Bezerro de Ouro em Betel
(I Reis 21:29) para que o povo não fosse a Jerusalém para adorar.
Um povo com um histórico tão lindo expulsou de seus termos o profeta que
trazia a última mensagem de advertencia.
Mesmo com essas ameaças Amós continuou
advertindo aquele povo e foi claro: Um dia eles teriam fome de ouvir a Palavra
de Deus e iriam de um mar a outro mar procurando alguém que a mostrasse e não
encontrariam. Em algumas versões bíblicas a palavra “errantes” é traduzida por
“vagabundos”. Que triste situação chegaria alguém que, antes, tinha toda a
Palavra de Deus disponível!
“Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus,
em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de
ouvir as palavras do Senhor. E irão errantes de um mar até outro mar, e do
norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do Senhor,
mas não a acharão” (Amós 8:11-12).
Mesmo
com todos os pecados de Israel a ira divina caiu sobre eles com uma dose de
graça e Israel não seria destruído por completo. Disse o Senhor: “Eis que os
olhos do Senhor Deus estão contra este reino pecador, e eu o destruirei de
sobre a face da terra; mas não destruirei de todo a casa de Jacó, diz o Senhor”
(Amós 9:8)
Amós
conclui o seu livro com uma mensagem de esperança: “E trarei do cativeiro meu
povo Israel, e eles reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão, e
plantarão vinhas, e beberão o seu vinho, e farão pomares, e lhes comerão o
fruto” (Amós 9:14).
É
impressionante o amor de Deus. Caso Israel tivesse dado ouvidos ao primeiro
profeta e não haveria necessidade tantos outros. E mais do que isso, quanto
sofrimento teria sido poupado! “Porém tu, Senhor, és um
Deus cheio de compaixão, e piedoso, sofredor, e grande em benignidade e em
verdade” (Salmos 86:15).
A apostasia e a injustiça social eram praticadas sem nenhuma restrição em Israel. A mensagem de Amós é contundente e impossível de ser colocada em prática sem a ajuda divina.
Além
de buscar o bem o Senhor orienta que devemos odiar o mal. Diz o texto: Buscai o
bem, e não o mal, para que vivais; e assim o Senhor, o Deus dos Exércitos,
estará convosco, como dizeis. Odiai o mal, e amai o bem, e estabelecei na porta
o juízo. Talvez o Senhor Deus dos Exércitos tenha piedade do remanescente de
José” (Amós 5:14-15).
No
exercício constante de sua autossuficiência e distanciando mais e mais de Deus,
a Fonte de força, seria impossível Israel aprender a odiar o mal. Esse é um
desafio para todo aquele que professa servir ao Senhor. Esse “aprender” indica
que não é um fato momentâneo. Envolve submissão, tempo e paciência.
O
profeta Isaías conviveu com esse período sombrio da vida de Israel e a mensagem
que ele recebeu do Senhor foi: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que
fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce
amargo!” (Isaías 5:20). O profeta dá a entender que o povo não fazia mais
diferença entre o bem e o mal. Para eles tudo era a mesma coisa.
Nos
dias de Ezequiel era dever dos sacerdotes orientar o povo e mostrar-lhes a
linha divisória entre o santo e o profano. Diz Ellen G. White: "foram dadas aos sacerdotes essas instruções: "E a Meu povo
ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o
impuro e o puro”” (Testemunhos Seletos – Volume 1, p 325). Creio que se houve
um tempo em que essa mensagem foi oportuna, esse tempo é hoje.
As suas atuações eram
tão discretas que nem nós da família sabíamos de metade do que ele fazia. (Ver
Reavivar Esperança, p. 265).
Desprezar e mesmo explorar os menos favorecidos era uma
prática normal entre o Israel daquele tempo. A religião praticada com minúncias
em seus rituais de adoração não vinha à tona da igreja para fora. Esse
comportamento sempre foi visto por Deus como algo deplorável. “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o
conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” (Oséias 6:6). O conhecimento
de Deus implica em saber e viver de tal modo que o mundo veja em nós que Ele é
amor.
Jesus ao se deparar
com a religião praticada pelos religiosos de Seu tempo os comparou a sepulcros
caiados por fora. Vem à lembrança o velho rifão: “Por fora bela viola, por
dentro pão bolorento.”
O cristianismo
prático tem duas dimensões que, para o verdadeiro crente, se fundem em apenas
uma. A que praticamos para com os irmãos dentro da igreja e a que vivemos em
nosso dia a dia longe dos altares.
“Afasta
de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas
violas” (Amós 5:23). Ao ler esse verso me vem à mente algo de minha infância.
Naquela época quando uma pessoa não era dada ao trabalho e vivia mais de festa
em festa era considerada suspeita e diziam a respeito dela: “vive de tocar
viola”.
Deus espera que não sejamos meros tocadores de viola na
igreja mas que a nossa vida seja uma viola afinada e que produza uma melodia
que venha a amenizar o sofrimento daqueles que estão ao nosso redor.
- Oséias - 14 capítulos - 752 e 735
a.C. (Israel).
- Joel -
3 capítulos - 840-810 a.C. (Judá).
- Amós - 9 capítulos - 750 a.C. (Israel).
- Obadias - 1 capítulo – 586 a.C. (Judá).
- Jonas - 4 capítulos - 793 a 753 a.C. (Israel).
- Miquéias - 7 capítulos - 735 e 700 a.C. (Judá).
- Naum - 3 capítulos – 630 a.C. (Judá).
- Habacuque - 3 capítulos – 606 a.C. (Judá).
- Sofonias - 3 capítulos - 735 e 725 a.C. (Judá).
- Ageu - 2 capítulos - 520 a.C. (Babilônia)
- Zacarias - 14 capítulos - 520 a.C. (Judá).
- Malaquias - 4 capítulos 440 e 400 a.C. – (Judá).
- Amós - 9 capítulos - 750 a.C. (Israel).
- Obadias - 1 capítulo – 586 a.C. (Judá).
- Jonas - 4 capítulos - 793 a 753 a.C. (Israel).
- Miquéias - 7 capítulos - 735 e 700 a.C. (Judá).
- Naum - 3 capítulos – 630 a.C. (Judá).
- Habacuque - 3 capítulos – 606 a.C. (Judá).
- Sofonias - 3 capítulos - 735 e 725 a.C. (Judá).
- Ageu - 2 capítulos - 520 a.C. (Babilônia)
- Zacarias - 14 capítulos - 520 a.C. (Judá).
- Malaquias - 4 capítulos 440 e 400 a.C. – (Judá).
Um profeta do norte poderia ser
orientado a dar uma mensagem para o reino do sul ou vice versa. Ele poderia até
profetizar para os dois reinos ao mesmo tempo. Amós pertencia ao reino de Judá e
recebeu a orientação divina para advertir o povo de Israel.
A mensagem de Amós era pesada e contundente. Entre outras
desditas ela previa que o rei Jeroboão seria assassinado. Essa, em especial,
revoltou o rei e seus assessores e eles exigiram que o profeta abandonasse o
seu território. Talvez, a origem humilde de Amós sem pedigree de profeta tenha
contribuído para a rejeição de suas advertências.
Amós desabafa: “E respondeu Amós, dizendo a
Amazias: Eu não sou profeta, nem filho de profeta, mas boiadeiro, e cultivador
de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de seguir o rebanho, e o Senhor me disse:
Vai, e profetiza ao meu povo Israel” (Amós 7:14-15).
O sícômoro (Uma
espécie de figo pouco apreciado) era cultivado em regiões alagadas ou
encharcadas e, quem os cultivava estava sempre sujo e mal apresentado. Amós, esse agricultor que também era peão de
boiadeiro, não tinha nenhuma ligação com a elite de profetas de seu tempo. Mas
ao receber o chamado de Deus não foi desobediente “à visão celestial”.
Vivemos em uma época de
fartura espiritual. A Bíblia está sendo aberta e examinada por milhares.
Contamos com eficientes pregadores, dispomos de farta literatura, Mas com tudo
isso há o perigo de sermos destruídos por falta de conhecimento, ou melhor, por
falta da pratica do pouco conhecimento que temos.
“Um reavivamento da
verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas
necessidades. Buscá-lo, deve ser nossa primeira ocupação” (Mensagens Escolhidas
– Volume 1, p 121).
“E trarei do cativeiro meu povo Israel, e eles reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão, e plantarão vinhas, e beberão o seu vinho, e farão pomares, e lhes comerão o fruto. E plantá-los-ei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o Senhor teu Deus” (Amós 9:14-15).
Essa
promessa de Deus é a confirmação ou ratificação da promessa de que Israel não
seria totalmente destruído. “Eis que os olhos do Senhor Deus estão contra este
reino pecador, e eu o destruirei de sobre a face da terra; mas não destruirei de todo a casa de Jacó, diz o Senhor” (Amós 9:8)
Isaias afirma: “Dias virão em que Jacó lançará
raízes, e florescerá e brotará Israel, e encherão de fruto a face do mundo” (Isaías 27:6). “A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus” (Salmos 85:11).
As promessas de restauração feitas a Israel como nação terão o seu
cumprimento no Israel espiritual. Com a rejeição a Cristo Deus formou o Israel
espiritual com pessoas de todas as raças. “Porque a promessa vos diz respeito a
vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso
Senhor chamar” (Atos 2:39).
Fazemos parte do Israel espiritual. Deus tem um proposito para conosco. Esse propósito é o mesmo confiado ao Israel literal. Ou seja: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (Atos 2:39). Caso negligenciemos essa responsabilidade o Senhor nos substituirá por pessoas mais dignas do que nós e que hoje caminham longe Dele.
Esse comentário é cortesia da Escola Sabatina e do
comentarista. Valorize o que é nosso.
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