Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 18 a 25 de maio de 2013. Preparado por Carmo
Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a
Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central Taguatinga. DF.
O livro de Habacuque é
composto por cinco profecias sobre a Caldéia e uma canção de louvor
a Deus. O seu cântico foi
oficializado no templo de Salomão. Supõe-se que ele fosse um contemporâneo de Jeremias e Sofonias. O seu nome significa “abraçado por Deus”. O capítulo 1 não é uma palavra dirigida ao povo, mas uma
resposta às suas próprias dúvidas e angústias.
Três
dias antes de eu escrever esse comentário os meios de comunicação noticiavam o
caso de uma dentista em São Paulo que foi queimada viva porque os bandidos se
certificaram de que ela tinha apenas trinta reais em sua conta bancária. Eu
fazia as mesmas conjecturas de Habacuque quando me deparei com o seu lamento: “Até
quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e
não salvarás? Por que razão me mostras a iniquidade, e me fazes ver a opressão?
Pois que a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem
suscite a contenda e o litígio. Por esta causa a lei se afrouxa, e a justiça
nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta
distorcida” (Habacuque 1:2-4).
Habacuque
estava cansado de ver a injustiça se propagar. A violência imperava e o povo
estava inclinado apenas para o mal.
Deus
não ficou em silêncio diante da angustia do profeta. A Sua palavra o confortou
e o fez recobrar o ânimo. A mensagem de esperança apresentada a Habacuque é também
direcionada a nós que vivemos neste mundo violento e insano. Diz o texto
bíblico: “O Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a sobre tábuas,
para que a possa ler até quem passa correndo. Porque a visão ainda está para
cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se
tardar espera-o, porque, certamente, virá, não tardará. Eis o soberbo! Sua alma
não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé” (Habacuque 2:2-4). Que
confortadora orientação: “se tardar, espera-O”. Sim, em breve Jesus retornará
para por fim a todo o sofrimento que nos atormenta.
Mesmo com essa resposta divina Habacuque
continuou com muitas dúvidas. Como é que o Deus justo usaria um povo ímpio
(Babilônia) para castigar um povo relativamente mais justo (Judá)? E angustiado
continua: "Por
que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso
devora aquele que é mais justo do que ele? Como é que o Deus piedoso
permitiria que o inimigo cruel alimentasse seu desejo de matar? “A todos levanta o
inimigo como o anzol, pesca-os de arrastão e os ajunta na sua rede varredoura;
por isso, ele se alegra e se regozija... Acaso, continuará, por isso,
esvaziando a sua rede e matando sem piedade os povos?"
Por ser descendente de Abraão, por terem as
promessas, as escrituras, etc., o profeta Habacuque considerava que a
nação de Israel era mais justa que as nações em redor (Salmo 53:3). Ser um
adventista não nos dá crédito nenhum diante de Deus. Apenas aumenta a nossa
responsabilidade.
Habacuque começou o livro tentando entender o
que Deus faz, e o terminou sem compreender, totalmente, a justiça e a sabedoria
de Deus. Mas, ele aprendeu o mais importante, a mensagem que nos sustenta no
meio de angústias: “mas o justo pela sua fé viverá” (Habacuque 2:4). Não precisamos compreender tudo
que Deus faz, mas precisamos saber que é Deus que faz!
O livro de Habacuque relata um desabafo do profeta diante
de Deus. Habacuque pergunta e Deus responde. Mas a resposta de Deus aos seus
questionamentos lhe trouxe mais dúvidas e levantou outras discuções. Sem
entender Habacuque faz uma segunda pergunta. Deus responde de novo, e mesmo não
entendendo de novo Habacuque aceita, humildemente, a réplica do Senhor.
Habacuque faz a pergunta que nós gostaríamos de fazer, e recebe a resposta com
a atitude que devemos mostrar.
Habacuque
compreendeu que mesmo sendo difícil entender a atitude divina de permitir a
violência dos fortes contra os mais fracos e depois, numa segunda instancia,
permitir que povos pagãos fossem usados para punir Israel, mesmo assim seria
melhor aceitar que esse Deus incompreendido por ele estava no comando de todas
as coisas.
Habacuque
fugiu do comportamento normal de um profeta. Ao enfrentar dúvidas ele
argumentou com Deus em busca de resposta para as suas inquietações. Ele tinha
um relacionamento aberto com Deus e lhe expos todas as suas dúvidas. Ele não entendeu todas as explicações de
Deus, mas foi humilde o suficiente para aceita-las.
Um
fato interessante é que ao Habacuque apresentar a sua grande dúvida de como o
povo de Judá não era punido pelas atrocidades entre eles próprios, lhe era
difícil aceitar que uma nação ímpia como Babilônia fosse usada para punir o
povo de Deus. Na sua compreensão Judá deveria ser punido diretamente por Deus e
não por um povo mais pecador do que eles.
Pelos
questionamentos de Habacuque podemos entender que ele tinha um pouco do
pensamento dos fariseus do tempo de Jesus. Para ele, por mais pecador que Judá
fosse ainda era melhor que os babilônicos e não merecia e nem deveria ser
punido por este povo completamente avesso aos reclamos do Senhor.
O
autor da lição faz um paralelo das condições do mundo nos dias de Habacuque e
as condições vividas por nós hoje. Ele acentua que as mesmas dúvidas
apresentadas por Habacuque são as nossas hoje.
Do
nosso ponto de vista, Deus tinha dois propósitos em usar nações pagãs para
atacar o Seu povo. Primeiro, era uma manifestação clara que para Ele todos são
pecadores e dependentes da orientação divina. Segundo, a correção com
humilhação vinda de nações vizinhas provocaria uma reação mais impactante sobre
o povo de Deus. Habacuque foi orientado de que em um segundo momento as nações
usadas para justiçar Judá seriam punidas.
Conheci
dois apresentadores de rádio que diziam no ar: “Não somos melhores nem piores
que ninguém, nós somos apenas diferentes.” Como adventistas não somos melhores
nem piores que ninguém temos por obrigação sermos diferentes. Essa diferença
deve abranger todo relativo ao nosso ser, mas ela deve ser notada de maneira
objetiva em nosso viver fundamentado na fé uma vez dada aos santos.
Habacuque pede a Deus que implemente (aviva)
a sua obra. A obra maravilhosa e admirável é o suscitar dentre as nações os
caldeus, e que, ao longo dos anos os homens haveriam de conhecê-la. Embora
fosse anunciado pelos profetas que Deus haveria de levantar os caldeus para
castigar, quando os profetas falavam da maravilhosa obra, o povo de Israel não
cria. Eles não se arrependeram e veio o cativeiro conforme a visão dos profetas
"...vós não crereis, quando vos for
contada" (Habacuque 1:5). Assim a oração de Habacuque “aviva a tua obra no meio dos anos” não se
referia a um reavivamento espiritual do povo. Mas sim a obra de justiça de Deus
seria avivada, vista e sentida pelo povo que sempre duvidou da mensagem
profética.
Os ais mencionados por Habacuque fazem parte
desse avivar.
1 - Ai daquele que acumula o que não é seu.
2 - Ai daquele que ajunta em sua casa bens
mal adquiridos. Hb.2:9/Jr 17;11.
3 - Ai daquele que edifica a cidade com sangue e a fundamenta com iniquidade Hebreus 2:12
4 - Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro
3 - Ai daquele que edifica a cidade com sangue e a fundamenta com iniquidade Hebreus 2:12
4 - Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro
5 - Ai daquele que diz a madeira; acorda! E a
pedra muda;
desperta! Pode o ídolo ensinar? Hebreus 2:9.
“Porque a terra se encherá do conhecimento da
glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Habacuque 2:14). Esses “ais”
seriam realidade tanto para os pagãos como para os filhos de Deus.
Habacuque
vê que, um dia todos os povos compreenderiam que Deus é justo. A glória de Deus
é a Sua justiça. “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não
darei, nem o meu louvor às imagens de escultura” (Isaías 42:8).
Essa mesma promessa se estende a nós que vivemos nos
últimos dias. Em breve compreenderemos melhor os dezignos de Deus.
Alguns
comentaristas afirmam que Habacuque foi um grande poeta e músico em Judá. Prova
é que o seu cântico exarado no capitulo três do seu livro se tornou uma das
principais músicas cantada na liturgia do templo de Salomão.
O capítulo 3 de Habacuque é uma oração cantada. É
expressa em endechas ou cânticos de pesar ou de lamentação muito usado pelos
poetas entre eles Luiz de Camões que chorou o amor impossível com uma escrava
por nome Bárbara.
A oração do profeta é feita como se fosse a
favor dele mesmo. Na realidade, porém, Habacuque está falando a favor da nação
escolhida de Deus. Quando lemos o capítulo 3 de Habacuque com isso em mente,
suas palavras nos deixam apreensivos, mas ao mesmo tempo alegres. O cântico de
Habacuque nos dá fortes motivos para nos alegrar com o Deus de nossa salvação.
Habacuque afirma que o nosso
Deus é poderoso e domina sobre as nações e Ele está atento a tudo o que
acontece sobre a terra. Afirma que se a miséria se instala, por mais que a fome
martirize e por mais que adversidades nos assalte temos um Deus no comando.
Habacuque fala de um Deus
que Se manifestou durante a jornada dos filhos de Israel do Egito e que um dia
faria justiça contra os opressores dos mais fracos. Ele faz uma alusão ao
sacrifício de Cristo afirmando que os sinais dos cravos em Suas mãos era a prova
do Seu poder salvífico. “O seu resplendor é como a luz,
raios brilham da sua mão; e ali está velado o seu poder” (Habacuque 3:4). Esse poder pode libertar a
todos quantos desejarem se livrar da escravidão do maligno.
Afirma ele: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto
na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as
ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu
me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação.” (Habacuque 3: 17 e 18).
Qualquer
um de nós tem motivos para confiar no poder mantenedor de Deus. Em algum ou em
vários momentos de nossa vida Ele Se manifestou poderoso no Seu cuidar e no Seu
preservar. Não há motivos para acalentar
dúvidas.
Quinta
O autor da lição lembra-nos que no final do seu
livro Habacuque ao lançar um olhar sobre os atos salvadores de Deus encontrou
forças para aguardar o ataque do inimigo certo de que Deus estava no comando.
Afirma o autor que “com base em suas experiências
passadas, Habacuque conhecia a fidelidade absoluta de Deus.” (Página 99 da
lição).
Diz Ellen G. White: “Nosso Pai nos manda recordar os dias
passados, após os quais travamos um grande combate de aflições, ao sermos
iluminados. Tenho recebido as mais preciosas confirmações de que nossas
primeiras experiências provieram de Deus. Desejo que cada pessoa do nosso povo saiba como eu sei da maneira segura e
certa em que o Senhor nos guiou nos tempos passados. ...” (Medicina e Salvação,
p 103).
O profeta finaliza afirmando que “Independente de como a
vida pudesse se tornar difícil, seria possível encontrar alegria e força em
Deus.” (Página 99 da lição). Vivemos em um mundo em convulsão e a impressão que
se tem é a de que Deus nos deixou a mercê da violência e dos desatinos humanos.
Habacuque pede para termos calma pois, no momento certo o Senhor Se manifestará
a favor de Seus filhos. Esse é também o conselho de Daniel: “E naquele tempo se
levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu
povo...” (Daniel 12:1).
Durante os momentos
escuros da vida do profeta Habacuque e, mesmo não compreendendo os designíos de
Deus, ele se propôs a estar em íntima comunhão com o Altíssimo e a escrever de
maneira bem legível tudo o que lhe era apresentado. “Sobre a minha guarda estarei, e sobre a fortaleza
me apresentarei e vigiarei, para ver o que falará a mim, e o que eu responderei
quando eu for arguido. Então o Senhor me respondeu, e disse: Escreve a visão e
torna bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo” (Habacuque 2:1e 2).
“A fé que fortaleceu Habacuque e
todos os santos e justos naqueles dias de grande provação, é a mesma que sustém
o povo de Deus hoje. Nas horas mais escuras, sob as mais proibitivas
circunstâncias, o crente cristão pode suster sua alma sobre a fonte de toda luz e poder.
Dia a dia, pela fé em Deus, sua esperança e ânimo podem ser renovados, "o
justo pela sua fé viverá”” (Profetas e
Reis, páginas 386 e 387).
Habacuque não entendia a maneira de Deus agir. Mas
essa dúvida não arrefeceu o seu entusiasmo em apresentar ao povo a mensagem do
Senhor. O seu último conselho foi: “Porque ainda que a figueira não floresça,
nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos
não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e
nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus
da minha salvação” (Habacuque 3:17-18).
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