domingo, 12 de maio de 2013

O povo especial de Deus (Miqueias)

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de onze a dezoito de maio de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 
Introdução

O nome Miquéias vem, provavelmente, de uma palavra que tem o significado de: “Quem é semelhante a Jeová?” (parecido com Miguel, que quer dizer “Quem é semelhante a Deus?”). Miquéias viveu na cidade de Moreset-Gat, localizada a 32 km de Jerusalém. Semelhante a Amós ele era natural do campo.

 Miqueias exerceu sua atividade entre os reinados de Jotão, Acaz, Ezequias e Manassés, de 750 e 680 AC. Ele viveu antes e depois da tomada de Samaria pelos assírios em 721 AC., tendo sido contemporâneo de Oséias e de Isaías. Entre as suas profecias se destaca o anúncio do surgimento do Messias na pequena cidade de Belém (Miqueias 5:1-3), a mesma profecia de Isaias 2:1-4. No Novo Testamento é mensionada em Mateus 2:6.

Miquéias viveu em tempos difíceis e significativos. Deus o suscitou para avisar Seu povo sobre o que estava para trazer sobre eles. Eventos em rápida sucessão prenunciavam a ruína dos reinos de Israel e de Judá. A corrupção moral e a idolatria se haviam arraigado em Israel, e isso levou à destruição da nação pela Assíria. Judá oscilava entre fazer o que é correto durante o reinado de Jotão e copiar a iniquidade de Israel durante o reinado rebelde de Acaz e experimentou uma tentativa de recuperação no reinado de Ezequias.

Havia um enorme contraste, tanto em Israel quanto em Judá, entre os excessivamente ricos e os pobres oprimidos (Miqueias2:1-5). Os ricos opressores eram apoiados por líderes corruptos políticos e religiosos de Israel. Em razão dessa má liderança, toda a nação tornou-se corrupta e digna de julgamento.

Havia muitos profetas corruptos que profetizavam em conformidade com o dinheiro que recebiam. “Se houver alguém que, andando com espírito de falsidade, mentir, dizendo: Eu te profetizarei sobre o vinho e a bebida forte; será esse tal o profeta deste povo” (Miquéias 2:11). Os sacerdotes também pregavam por dinheiro. Caso recebesse um bom dinheiro a mensagem era de paz. 

Na profecia de Miquéias, é evidente que o povo ainda sofreria um castigo pesado, mas que Deus mostraria a justiça e a misericórdia para como Judá. Depois de avisar e prometer castigo, Deus muda de assunto e insere palavras de consolo e esperança (Miqueias 2:11-12). O castigo não seria total nem final. Algumas pessoas sobreviveriam e seriam protegidas e abençoadas por Deus.

No fim, Judá seria vindicado o os inimigos que duvidaram do poder e da justiça do Senhor seriam humilhados (Miqueias 2:10-11). O povo de Deus, espalhado pelo cativeiro, voltaria para a sua própria terra (Miqueias 2:12).

Deus lança os pecados nas profundezas do mar (Miqueias 7:19). A ideia de perdão é difícil para o homem compreender. Deus totalmente afasta os pecados do pecador e nunca mais Se lembra dos pecados perdoados. Ele os esmaga e os lança no fundo do mar!

No fim, Judá seria vindicado o os inimigos que duvidaram do poder e da justiça do Senhor seriam humilhados (10-11). O povo de Deus, espalhado pelo cativeiro, voltaria para a sua própria terra (Miqueias 7:12).

 
Domingo

            Durante a distribuição dos DVDs me deparei com um senhor que recusou veementemente receber o DVD. Tal atitude me levou a imaginar quão importante seria  para ele conhecer a mensagem que estávamos oferecendo. Tais atitudes, geralmente nos causam desanimo e sofrimento. Mas jamais poderão assemelhar aos dramas vividos pelos mensageiros de Deus que no passado expuseram a própria vida para advertir os seus irmãos e, muitas vezes sem sucesso.

            Podemos imaginar a angustia experimentada por Miqueias diante da indiferença de Judá ao ver os juízos de Deus caindo sobre Israel que, em seus dias, passa a ser dominado pela Assíria.

            Quantas mensagens de arrependimento foram apresentadas e tudo em vão. Ali está um povo que começa a experimentar o amargo cálice da escravidão. Ao seu lado está Judá, cometendo os mesmos pecados e recebendo as mesmas advertências, mas indiferente a tudo ao seu redor.

            Mesmo diante das advertências dos juízos iminentes de Deus, Judá persistiu em seu caminho de rebeldia. Quanta dor, quanto sofrimento, quando vexame poderia ter sido poupado se eles tivessem ouvido pelo menos a palavra de um dos profetas. Mas todo o trabalho deles pareceu em vão.

            Quantos profetas que se sacrificaram a uma vida de restrições e sofreram ameaças e prisões sem perceber qualquer resultado positivo. Mas imagino que para Miquéias o golpe foi mais forte porque ele presenciou o povo de Israel sendo coagido a arrumar as suas trouxas de roupas e, cabisbaixos, marcharem diante de seus inimigos para o exílio.

            Se a rejeição à mensagem de arrependimento causou tanta dor nos mensageiros, podemos imaginar como ficou o coração de Deus. Com certeza a dor é muito maior quando é o seu povo que recusa a mensagem de advertência.  Diz Ellen G. White: “O mundo tem rejeitado a Cristo na pessoa de Seus santos, tem desprezado as mensagens ao recusar receber as mensagens dos profetas, apóstolos e mensageiros. Tem rejeitado aos que são colaboradores de Cristo, e disso terá de dar contas” (A Igreja Remanescente, p 36). 

 
Segunda

            Acaz recebeu um grande legado. O rei Uzias tinha promovido uma reforma espiritual em Judá. E Jotão seu filho legou a Acaz um reino com relativo progresso financeiro e um povo voltado para Deus.

            Assim que o rei Acaz assumiu o trono depois da morte de Jotão, os habitantes de Judá não tinham a menor ideia do que aconteceria. Sob o reinado de Acaz, Judá caiu em tamanha apostasia que os sacrifícios do templo cessaram e sob cada árvore frondosa foram erigidos santuários a deuses estrangeiros. O povo foi encorajado pelo rei a adorar quem bem entendesse, no dia que achasse melhor. No Vale de Hinom, Acaz sacrificou até mesmo seu próprio filho em adoração a Moloque.

            Os lideres se aproveitavam dos mais fracos e a corrupção se generalizou.

            Acaz cometeu três erros graves. Primeiro, se afastou de Deus. Depois ao ser ameaçado pela Síria e pelo seu irmão Israel, solicitou a ajuda da Assíria. Em troca ele tomou os bens preciosos da Casa de Deus, e da casa do rei e os enviou ao rei assírio. E por último imaginava que em qualquer circunstância Deus não permitiria que o seu povo fosse atingido, pois era o povo especial de Deus. Profetas como Isaías o advertiu para que se não abandonasse a Deus não haveria motivos para temer enquanto o Senhor estivesse com ele, mas Acaz não lhe deu ouvidos.

            Os assírios não se contentaram com as riquezas do Templo que Acaz lhes deu e agora desejavam obter o reino inteiro de Judá. Além disso, Acaz cria que os deuses dos assírios havia protegido Judá e assim promulgou uma lei para que aqueles deuses fossem adorados em todo o reino. Ao agir assim, apressou o julgamento de Deus.

            Foi nesse senário conturbado que surge Miqueias que além de apontar os erros do povo de Judá afirmava que eles se vangloriavam de ser o “povo do Senhor”. Por influencia de seus lideres o povo praticava horrores.

Miqueias foi claro: “Portanto, por causa de vós, Sião será lavrada como um campo e Jerusalém se tornará em montões de pedras, e o monte desta casa como os altos de um bosque” (Miquéias 3:12).

 
Terça

            Em meio ao caos a que se abateu sobre o povo de Deus, o profeta Miqueias vê um futuro promissor. Ele prevê o nascimento de Jesus que aconteceria setecentos anos depois. “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5:2).

Miqueias viu em visão que, com o advento do Messias e com a Sua rejeição pelo povo Judeu, Israel deixaria de ser o povo especial de Deus, todos poderiam ser salvos mas como indivíduos e não mais como nação. Dai para frente todos os gentios fariam parte do Israel espiritual. “E o restante de Jacó estará entre os gentios, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais do bosque, como um leãozinho entre os rebanhos de ovelhas, o qual, quando passar, pisará e despedaçará, sem que haja quem as livre” (Miquéias 5:8).

Paulo, que foi pregador por excelência dos gentios escreveu: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).

Quando estivermos no Céu Miqueias vai entender melhor a dimensão de sua profecia. Além da grande multidão de salvos ao seu redor, ele saberá o quanto a sua profecia troxe alento aos magos do oriente. E mais, ele entenderá que estes magos foram os primeiros gentios a fazer parte do novo Israel de Deus.

 
Quarta

Certa vez conversando com um evangélico de outra denominação ele falou, em tom de brincadeira, que alguns adventistas desejam ter uma vara comprida com um gancho na ponta para, nas tardes de sábado, puxar o Sol para que ele se ponha mais cedo. E completou: “Principalmente os espertalhões em negócios.”

Essa colocação aparentemente absurda tinha a sua razão de existir nos dias de Miqueias. Disse o profeta:Seria eu limpo com balanças falsas, e com uma bolsa de pesos enganosos? Porque os seus ricos estão cheios de violência, e os seus habitantes falam mentiras e a sua língua é enganosa na sua boca” (Miquéias 6:11-12) e Amós completa: “Quando passará a lua nova, para vendermos o grão, e o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o êfa, e aumentando o ciclo, e procedendo dolosamente com balanças enganosas (Amós 8:5).

Miqueias dá a entender que, os judeus se sentiam bem ao fazerem os seus sacrifícios, muitas vezes valiosos. Eles conheciam como ninguém a rotina ao redor do altar. Muitas das ofertas e sacrifícios caros eram frutos do que eles haviam surrupiado dos mais fracos. A mensagem foi dura: “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” (Oséias 6:6).

Deus estava enfadado de uma adoração farizaica. O povo de Deus naquela época sabia de cor e salteado a rotina ao redor do altar, mas Deus esperava que eles se dispusessem a ser o cordeiro sobre o altar.

Pode ser que alguns de nós sejamos fieis dizimistas e exímeos guardadores do sábado. Pode ser que façamos comoventes sermões e que levemos alguém às lágrimas com os nossos cânticos; mas diante de Deus façamos parte do grupo reprovado por Cristo: “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mateus 15:8).

Entendamos o recado de Deus para nós hoje: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8).

 
Quinta

            Na época de Miqueias o povo de Deus estava podre em pé. Tudo de pior era praticado entre eles, principalmente a falta de amor para com os mais fracos. Mesmo mergulhados numa situação tão deplorável a mensagem de Deus é de esperança.

O Senhor prometeu que se houvesse arrependimento genuíno da parte de seu povo Ele estava disposto a sepultar os seus pecados nas profundezas do mar e esquecer-Se por completo deles. “Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa a iniquidade, e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar” (Miquéias 7:18-19). (Uma observação: Lembre que “passar por cima da rebelião” não é ignorá-la e nem deixa-la impune. Significa perdão divino).

 Desde que o pecado surgiu no Éden essa é a mensagem de Deus para todos os filhos de Adão. Deus quer perdoar e esquecer. Ele nada poderá fazer por uma alma que não reconhece as suas faltas e que se recusa voltar para Ele em busca de perdão.

 
Conclusão

            Miqueias conclui o seu livro com uma dupla promessa. Caso o povo voltasse a ser fiel e praticasse o amor para com Deus e para com o próximo o Senhor os consideraria fieis e os trataria com amor e benignidade. “Darás a Jacó a fidelidade, e a Abraão a benignidade, que juraste a nossos pais desde os dias antigos” (Miquéias 7:20).

O conselho divino, enquanto a porta da graça esta aberta sempre foi: “Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor que se compadecerá Dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar” (Isaías 55:7).

 
“A Escola Sabatina deve ser um dos maiores instrumentos, e o mais eficaz, em levar almas a Cristo” (Testimonies on Sabbath School Work, pág. 20). 

“O Senhor quer na Escola Sabatina professores que trabalhem de todo o coração, que pelo exercício aumentem seus talentos e progridam naquilo que já conseguiram” (Conselhos Sobre a Escola Sabatina, págs. 13 e 122). 

 
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E mail: carmopatrociniopinto@yahoo.com.br

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