Comentário
da Lição da Escola Sabatina de onze a dezoito de maio de 2013. Preparado por
Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação
para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia
– Central de Taguatinga, DF.
O nome Miquéias vem, provavelmente, de uma
palavra que tem o significado de: “Quem é semelhante a Jeová?” (parecido com
Miguel, que quer dizer “Quem é semelhante a Deus?”). Miquéias viveu na cidade de Moreset-Gat, localizada a 32 km de Jerusalém. Semelhante a Amós ele era natural do campo.
Miqueias exerceu sua
atividade entre os reinados de Jotão, Acaz, Ezequias e Manassés, de 750 e 680 AC. Ele viveu antes e
depois da tomada de Samaria pelos assírios em 721 AC., tendo
sido contemporâneo de Oséias e de Isaías. Entre as suas profecias se destaca o anúncio do
surgimento do Messias na pequena cidade de Belém (Miqueias 5:1-3), a mesma
profecia de Isaias 2:1-4. No Novo Testamento é mensionada em Mateus 2:6.
Miquéias
viveu em tempos difíceis e significativos. Deus o suscitou para avisar Seu povo
sobre o que estava para trazer sobre eles. Eventos em rápida sucessão
prenunciavam a ruína dos reinos de Israel e de Judá. A corrupção moral e a
idolatria se haviam arraigado em Israel, e isso levou à destruição da nação
pela Assíria. Judá oscilava entre fazer o que é correto durante o reinado de Jotão
e copiar a iniquidade de Israel durante o reinado rebelde de Acaz e
experimentou uma tentativa de recuperação no reinado de Ezequias.
Havia um enorme contraste, tanto em Israel quanto em Judá, entre os
excessivamente ricos e os pobres oprimidos (Miqueias2:1-5). Os ricos opressores
eram apoiados por líderes corruptos políticos e religiosos de Israel. Em razão
dessa má liderança, toda a nação tornou-se corrupta e digna de julgamento.
Havia muitos profetas corruptos que profetizavam em
conformidade com o dinheiro que recebiam. “Se houver alguém que, andando com espírito de falsidade, mentir,
dizendo: Eu te profetizarei sobre o vinho e a bebida forte; será esse tal o
profeta deste povo” (Miquéias 2:11). Os sacerdotes também pregavam por
dinheiro. Caso recebesse um bom dinheiro a mensagem era de paz.
Na profecia de Miquéias, é evidente
que o povo ainda sofreria um castigo pesado, mas que Deus mostraria a justiça e
a misericórdia para como Judá. Depois de avisar e prometer castigo, Deus muda
de assunto e insere palavras de consolo e esperança (Miqueias 2:11-12). O
castigo não seria total nem final. Algumas pessoas sobreviveriam e seriam
protegidas e abençoadas por Deus.
No fim, Judá seria vindicado o os
inimigos que duvidaram do poder e da justiça do Senhor seriam humilhados (Miqueias
2:10-11). O povo de Deus, espalhado pelo cativeiro, voltaria para a sua própria
terra (Miqueias 2:12).
Deus lança os pecados nas profundezas
do mar (Miqueias 7:19). A ideia de perdão é difícil para o homem compreender. Deus
totalmente afasta os pecados do pecador e nunca mais Se lembra dos pecados
perdoados. Ele os esmaga e os lança no fundo do mar!
No fim, Judá seria vindicado o os
inimigos que duvidaram do poder e da justiça do Senhor seriam humilhados
(10-11). O povo de Deus, espalhado pelo cativeiro, voltaria para a sua própria
terra (Miqueias 7:12).
Durante
a distribuição dos DVDs me deparei com um senhor que recusou veementemente
receber o DVD. Tal atitude me levou a imaginar quão importante seria para ele conhecer a mensagem que estávamos
oferecendo. Tais atitudes, geralmente nos causam desanimo e sofrimento. Mas
jamais poderão assemelhar aos dramas vividos pelos mensageiros de Deus que no
passado expuseram a própria vida para advertir os seus irmãos e, muitas vezes
sem sucesso.
Podemos imaginar a angustia
experimentada por Miqueias diante da indiferença de Judá ao ver os juízos de
Deus caindo sobre Israel que, em seus dias, passa a ser dominado pela Assíria.
Quantas
mensagens de arrependimento foram apresentadas e tudo em vão. Ali está um povo
que começa a experimentar o amargo cálice da escravidão. Ao seu lado está Judá,
cometendo os mesmos pecados e recebendo as mesmas advertências, mas indiferente
a tudo ao seu redor.
Mesmo
diante das advertências dos juízos iminentes de Deus, Judá persistiu em seu
caminho de rebeldia. Quanta dor, quanto sofrimento, quando vexame poderia ter
sido poupado se eles tivessem ouvido pelo menos a palavra de um dos profetas.
Mas todo o trabalho deles pareceu em vão.
Quantos
profetas que se sacrificaram a uma vida de restrições e sofreram ameaças e
prisões sem perceber qualquer resultado positivo. Mas imagino que para Miquéias
o golpe foi mais forte porque ele presenciou o povo de Israel sendo coagido a
arrumar as suas trouxas de roupas e, cabisbaixos, marcharem diante de seus
inimigos para o exílio.
Se a
rejeição à mensagem de arrependimento causou tanta dor nos mensageiros, podemos
imaginar como ficou o coração de Deus. Com certeza a dor é muito maior quando é
o seu povo que recusa a mensagem de advertência. Diz Ellen G. White: “O mundo tem rejeitado a Cristo na pessoa de Seus santos,
tem desprezado as mensagens ao recusar receber as mensagens dos profetas,
apóstolos e mensageiros. Tem rejeitado aos que são colaboradores de Cristo, e
disso terá de dar contas” (A Igreja Remanescente, p 36).
Acaz
recebeu um grande legado. O rei Uzias tinha promovido uma reforma espiritual em
Judá. E Jotão seu filho legou a Acaz um reino com relativo progresso financeiro
e um povo voltado para Deus.
Assim que o rei
Acaz assumiu o trono depois da morte de Jotão, os habitantes de Judá não tinham
a menor ideia do que aconteceria. Sob o reinado de Acaz, Judá caiu em tamanha
apostasia que os sacrifícios do templo cessaram e sob cada árvore frondosa
foram erigidos santuários a deuses estrangeiros. O povo foi encorajado pelo rei
a adorar quem bem entendesse, no dia que achasse melhor. No Vale de Hinom, Acaz
sacrificou até mesmo seu próprio filho em adoração a Moloque.
Os
lideres se aproveitavam dos mais fracos e a corrupção se generalizou.
Acaz
cometeu três erros graves. Primeiro, se afastou de Deus. Depois ao ser ameaçado pela Síria e pelo seu
irmão Israel, solicitou a ajuda da Assíria. Em troca ele tomou os bens preciosos
da Casa de Deus, e da casa do rei e os enviou ao rei assírio. E por último
imaginava que em qualquer circunstância Deus não permitiria que o seu povo
fosse atingido, pois era o povo especial de Deus. Profetas como Isaías o advertiu
para que se não abandonasse a Deus não haveria motivos para temer enquanto o
Senhor estivesse com ele, mas Acaz não lhe deu ouvidos.
Os
assírios não se contentaram com as riquezas do Templo que Acaz lhes deu e agora
desejavam obter o reino inteiro de Judá. Além disso, Acaz cria que os deuses
dos assírios havia protegido Judá e assim promulgou uma lei para que aqueles
deuses fossem adorados em todo o reino. Ao agir assim, apressou o julgamento de
Deus.
Foi
nesse senário conturbado que surge Miqueias que além de apontar os erros do
povo de Judá afirmava que eles se vangloriavam de ser o “povo do Senhor”. Por
influencia de seus lideres o povo praticava horrores.
Miqueias foi
claro: “Portanto, por causa de vós, Sião será lavrada como um campo e Jerusalém
se tornará em montões de pedras, e o monte desta casa como os altos de um
bosque” (Miquéias 3:12).
Em
meio ao caos a que se abateu sobre o povo de Deus, o profeta Miqueias vê um
futuro promissor. Ele prevê o nascimento de Jesus que aconteceria setecentos
anos depois. “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá,
de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos
antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5:2).
Miqueias viu em visão que, com o advento
do Messias e com a Sua rejeição pelo povo Judeu, Israel deixaria de ser o povo
especial de Deus, todos poderiam ser salvos mas como indivíduos e não mais como
nação. Dai para frente todos os gentios fariam parte do Israel espiritual. “E o
restante de Jacó estará entre os gentios, no meio de muitos povos, como um leão
entre os animais do bosque, como um leãozinho entre os rebanhos de ovelhas, o
qual, quando passar, pisará e despedaçará, sem que haja quem as livre” (Miquéias
5:8).
Paulo, que foi pregador por excelência
dos gentios escreveu: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem
livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).
Quando estivermos
no Céu Miqueias vai entender melhor a dimensão de sua profecia. Além da grande
multidão de salvos ao seu redor, ele saberá o quanto a sua profecia troxe
alento aos magos do oriente. E mais, ele entenderá que estes magos foram os
primeiros gentios a fazer parte do novo Israel de Deus.
Certa vez conversando com um evangélico de
outra denominação ele falou, em tom de brincadeira, que alguns adventistas
desejam ter uma vara comprida com um gancho na ponta para, nas tardes de sábado,
puxar o Sol para que ele se ponha mais cedo. E completou: “Principalmente os espertalhões
em negócios.”
Essa colocação aparentemente absurda tinha a
sua razão de existir nos dias de Miqueias. Disse o profeta: “Seria eu limpo com balanças falsas, e com uma bolsa de
pesos enganosos? Porque os seus ricos estão cheios de violência, e os seus
habitantes falam mentiras e a sua língua é enganosa na sua boca” (Miquéias
6:11-12) e Amós completa: “Quando passará a lua nova, para vendermos o grão, e o
sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o êfa, e aumentando o
ciclo, e procedendo dolosamente com balanças enganosas (Amós 8:5).
Miqueias dá a entender que, os judeus se
sentiam bem ao fazerem os seus sacrifícios, muitas vezes valiosos. Eles
conheciam como ninguém a rotina ao redor do altar. Muitas das ofertas e
sacrifícios caros eram frutos do que eles haviam surrupiado dos mais fracos. A
mensagem foi dura: “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de
Deus, mais do que os holocaustos” (Oséias 6:6).
Deus estava enfadado de uma adoração farizaica. O povo de Deus naquela
época sabia de cor e salteado a rotina ao redor do altar, mas Deus esperava que
eles se dispusessem a ser o cordeiro sobre o altar.
Pode ser que alguns de nós sejamos fieis dizimistas e exímeos guardadores
do sábado. Pode ser que façamos comoventes sermões e que levemos alguém às
lágrimas com os nossos cânticos; mas diante de Deus façamos parte do grupo
reprovado por Cristo: “Este povo se aproxima
de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está
longe de mim” (Mateus 15:8).
Entendamos o recado de Deus para nós hoje: “Ele te declarou, ó homem, o que
é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames
a e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8).
Na
época de Miqueias o povo de Deus estava podre em pé. Tudo de pior era praticado
entre eles, principalmente a falta de amor para com os mais fracos. Mesmo
mergulhados numa situação tão deplorável a mensagem de Deus é de esperança.
O Senhor prometeu que se houvesse
arrependimento genuíno da parte de seu povo Ele estava disposto a sepultar os
seus pecados nas profundezas do mar e esquecer-Se por completo deles. “Quem é
Deus semelhante a ti, que perdoa a iniquidade, e que passa por cima da rebelião
do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem
prazer na sua benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas
iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar” (Miquéias
7:18-19). (Uma observação: Lembre que “passar por cima da rebelião” não é
ignorá-la e nem deixa-la impune. Significa perdão divino).
Desde
que o pecado surgiu no Éden essa é a mensagem de Deus para todos os filhos de
Adão. Deus quer perdoar e esquecer. Ele nada poderá fazer por uma alma que não
reconhece as suas faltas e que se recusa voltar para Ele em busca de perdão.
Miqueias conclui o seu livro com uma
dupla promessa. Caso o povo voltasse a ser fiel e praticasse o amor para com Deus
e para com o próximo o Senhor os consideraria fieis e os trataria com amor e
benignidade. “Darás a Jacó a fidelidade, e a Abraão a benignidade, que juraste
a nossos pais desde os dias antigos” (Miquéias 7:20).
O conselho divino, enquanto a porta da graça
esta aberta sempre foi: “Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus
pensamentos, e se converta ao Senhor que se compadecerá Dele; torne para o nosso
Deus, porque grandioso é em perdoar” (Isaías 55:7).
“O
Senhor quer na Escola Sabatina professores que trabalhem de todo o coração, que
pelo exercício aumentem seus talentos e progridam naquilo que já conseguiram”
(Conselhos Sobre a Escola Sabatina, págs. 13 e 122).
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