Comentário
da Lição da Escola Sabatina de quatro a onze de maio de 2013. Preparado por
Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação
para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia
– Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Jonas
é um dos três profetas de Israel. Foi comissionado pelo Deus de Israel para ir a Nínive, capital da Assíria e pregar uma mensagem de arrependimento. A sua
missão era admoestar os assírios que devido a sua crueldade e muito
derramamento de sangue, iriam sofrer a ira divina caso não se arrependessem dentro de quarenta
dias.
Os assírios eram famosos, por decapitar os povos vencidos. Eles faziam
pirâmides com seus crânios. Crucificavam ou “empalavam” (ver significado em
qualquer dicionário) os prisioneiros; arrancavam seus olhos (Rei Ezequias) e os
“esfolavam” vivos (Retirar toda a pele do prisioneiro).
Provavelmente Jonas tinha lá as suas
razões para recusar essa missão. Entre elas de que os ninivitas eram tão ímpios
que não merecessem a graça de Deus. E outro motivo que talvez o tenha levado a
desistir de pregar para esse povo era o medo de ser turturado e morto. Com
certeza era mais fácil e mais cômodo ser profeta em Israel do que aventurar-se
em Nínive.
Jonas é o profeta bíblico mais malhado em nossos dias. As crianças ouvem a
sua história onde ele é apresentado como covarde, desobediente e egoista. Mas
será que se estivessemos em seu lugar não faríamos semelhante a ele ou pior? Ou,
quem sabe, já não procedemos assim em algum momento de nossa vida!?
Como
subsídio a esse comentário sugerimos que leia as páginas 30, 31 e 32 de nossa
meditação Reavivar a Esperança.
O ministério profético de Jonas não se deteve apenas a sua mensagem a
Ninive. Ele profetizou também a respeito de Israel. “Também este restituiu os
termos de Israel, desde a entrada de Hamate, até ao mar da planície; conforme a
palavra do Senhor Deus de Israel, a qual falara pelo ministério de seu servo
Jonas, filho do profeta Amitai, o qual era de Gate-Hefer” (2 Reis 14:25).
Ninive ouviu a mensagem de um único profeta. Diferente de Israel que
regeitou todas as advertencias recebidas. O povo de Deus deveria ter em Ninive
o mais comovente sermão de reavivamento, mas de nada adiantou.
Domingo
Tudo indica que Jonas
estava em Jerusalém quando recebeu a ordem divina para dar a mensagem a Ninive.
Jope ficava perto da capital de Judá. Jonas
obedeceu à ordem divina de viajar. Viajou mas, a propósito, tomou a direção
contrária a que Deus havia solicitado.
O que levou Jonas a decidir fugir para Tarsis e não para outra cidade? A palavra Társis
em fenício significava “a refinaria” e
provavelmente tinha este nome porque representava o centro metalúrgico fenício, que
estava situado no Tartesso, ao sul da Espanha, perto de Gibraltar.
Tarsis era uma cidade
estritamente industrial. A cidade de Tiro se enriqueceu através do
comércio marítimo que provinha de Társis, na base de troca. Era uma cidade
idólatra onde Deus não era conhecido. Para o povo de Israel, Társis significava
“o fim do mundo”. Para Jonas seria um
ótimo lugar para se esconder de Deus.
Tudo indica que Jonas embarcou em um navio
cargueiro. A viagem de ida e volta de Jope para Tarsis durava em média um ano.
Não sabemos até onde Jonas foi e nem em que praia ele foi deixado pelo peixe.
Mas podemos ter uma ideia de que a sua fuga tenha durado vários dias ou meses.
Davi passou por uma
experiênia difícil. Ele cometeu adultério e assassinato e imaginava que tudo
estivesse oculto diante dos homens e do Onipotente. Ele se esqueceu de que em
cima nos Céus tem um Deus que tudo vê.
Depois que o profeta Natã se apresentou a ele declarando o seu pecado e
mostrando que Deus sabia de tudo, ele compos o salmo 139 e o ofereceu ao
maestro do coral de Israel. Provavelmente a sua intensão era que toda a igreja soubesse
e cantasse essa grande verdade. Pelo que parece Jonas desconhecia esse hino e,
diante da ordem divina, resolveu tomar uma direção contrária.
Segunda
Uma vez dentro do navio, Jonas procurou se esconder ainda
mais descendo para o porão. Parece que a sua consciencia não o acusava; a
Bíblia diz que no momento da tempestade ele estava “agarrado no sono” (Jonas
1:6).
Em meio a trovões, vatania e relampagos e o navio se
quebrando, Jonas dormia profundamente. Já que uma tempestade não foi
suficiente, Deus usou o mestre do navio para acordá-lo e, pelo que parece, teve
bastante trabalho.
Em meio a uma fulminante tempestade, enquanto os
marimheiros abriam mão do que mais precioso existia dentro do navio e recorriam
cada um ao seu deus; o mensageiro do Deus criador dormia profundamente.
A ordem foi incisiva: “invoca o teu Deus”. Como cada um
ali tinha o seu deus os marinheiros imaginavam que Jonas também tivesse o seu.
Mas como invocar a Deus se estava fugindo Dele? Imagino que essa ordem soou
como uma pancada e, Jonas ficou atordoado.
A esperança dos
marinheiros era de que o Deus de Jonas se lembrasse deles (Jonas 1:6). Deus não
havia Se esquecido deles, mas ali estava alguém que havia se esquecido de Deus.
Ao ler o capítulo 1 podemos ter uma ideia do quanto Àqueles
homens pagãos lutaram para poupar a vida de deste único homem, Jonas. E, por
ironia do destino, era o mesmo homem que recusou a dar a mensagem de salvação
para 120 mil pessoas.
Jonas começou a entender que se ele recusou a dar a
mensagem de salvação para uma grande cidade agora era sua responsabilidade fazer
alguma coisa para salvar aquela meia duzia de marinheiros desesperados. A sua
resposta foi: “Me joguem no mar.”
O capítulo 2 de Jonas é
considerado o salmo de Jonas e é semelhante ao salmo cinquenta e um de Davi. Os
dois estavam vivendo o mais profundo arrependimento e experimentavam um momento
de aflição sem precedentes.
Enquanto Jonas sentia que “todas as tuas ondas e as tuas
vagas têm passado por cima de mim” (Jonas 2:3), por outro lado ele sentiu com
maior intensidade ainda, as vagas da misericórdia de Deus a envolver a sua
alma.
Ele afirma “as algas se enrolaram na minha cabeça” (Jonas 2:5). Antes de
ser engolido pelo peixe Jonas permitiu que as algas do egoísmo e da
desobediência envolvessem a sua cabeça. Os seus pensamentos eram de revolta e
de juízo para uma Nínive tão pecadora. Aquela prova serviu para desanuviar os
seus pensamentos.
É curioso observar que a graça Se manifesta salvadora no livro de Jonas.
Deus salvou a tripulação do navio. Deus salvou Jonas e Deus salvou Nínive. E
não ficou só com estes; quantos, ao longo dos milênios, tem mudado os seus
caminhos com a história de Jonas.
No momento máximo de sua aflição; quando as suas forças se estinguiram.
Quando o tênue fio de esperança estava prestes a romper, Jonas ora lá do
profundo do abismo. A sua oração rompeu as entranhas do peixe, venceu a
imensidão das águas e entrou na sala de audiência do Infinito. E ali, ela
encontrou guarida e Deus respondeu de imediato. “Quando desfalecia em mim a
minha alma, lembrei-me do Senhor; e entrou a ti a minha oração, no teu santo
templo” (Jonas 2:7).
Foi muito bom Jonas ter voltado para Deus. Mas melhor do que isso seria se
ele nunca tivesse se afastado Dele. Agora, imagine se o peixe fosse
desobediente à ordem de Deus como Jonas o foi.
Não há nenhum relato na
Bíblia de conversões em massa como no caso de Nínive. Nem no pentecostes se viu
algo semelhante. A pregação de Jonas causou um forte impacto na vida dos
ninivitas.
A obra, timidamente, iniciada por Jonas foi completada
pelo rei de Nínive. O imponente monarca desceu do seu trono, retirou as suas
roupas reais e se curvou ao pó. Proclamou um jejum extensivo até aos animais.
“E fez uma proclamação que se divulgou em Nínive, pelo
decreto do rei e dos seus grandes, dizendo: Nem homens, nem animais, nem bois,
nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê alimentos, nem bebam água; Mas
os homens e os animais sejam cobertos de sacos, e clamem fortemente a Deus, e
convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há em suas mãos”
(Jonas 3:7-8).
Abordamos na introdução que Nínive era uma cidade
fortemente armada e violenta. O rei reconheceu esse pecado grave e fez confissão.
Diz ele: “convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há em
suas mãos”.
O
monarca termina o seu apelo com uma exclamação de súplica: “Quem sabe se se
voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que
não pereçamos?” (Jonas 3:9). Aquele rei violento e implacável estava conhecendo
um Rei maior do que ele e que, segundo a Bíblia, “é grandioso é em perdoar”. (Isaías 55:7). Que resultado fantástico! Como diz o subtítulo
do estudo de quarta-feira foi realmente uma “missão vitoriosa”.
Pelos resultados alcançados Jonas deveria ser o pregador mais realizado e
mais feliz do mundo. Noé pregou 120 anos e só converteu sete pessoas. Jonas
pregou apenas um dia e converteram 120 mil criaturas que em termos espirituais
não sabiam “discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda” (Jonas
4:11).
Veremos na parte de quinta feira que
a reação de Jonas foi completamente o contrario daquilo que deveria ser.
Jonas ainda guardava ressentimentos. Parece que ele não acreditava que o
arrependimento dos ninivitas fosse sincero e se retirou para um local elevado
de onde, poderia ver melhor, no fim dos três dia, a destruição da cidade.
Enquanto os ninivitas estavam
mergulhados em profunda contrição, Jonas remoia em seu ódio contra aquela gente.
No fim dos três dias, passada a ira de Deus, podemos imaginar uma Nínive
eufórica e feliz. Jubilosos cânticos partindo do palácio e das miseras
choupanas se constrastavam com um Jonas magoado, revoltado e descrente com a
vida. Em sua profunda depressão ao ver que a cidade não foi destruída insistiu
com Deus para que, pelo menos ele, fosse morto.
Quão longe estava Jonas de conhecer a “Profundidade das riquezas, tanto da
sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão
inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11:33).
Parece que Jonas era da tribo de Zebulon que se localizava numa região
fértil e cobiçada. Jonas é o único profeta de Deus enviado aos gentios. Nínive era o pior exemplo de
impiedade.
Zebulon produzia grandes colheitas, mas na
época da cega era invadido pelos assírios que, com violência, arrebatavam toda
a produção e deixava o povo na miséria.
As tribos de Zebulon e Naftali foram as que
mais sofreram nas mãos dos assírios. Para enfraquecer o poder bélico da região
os assírios levaram um contingente de pessoas da Assíria para morarem ali. A
mistura chegou a tal ponto que a região foi denominada a “Galileia das
Nações.”
Isaias profetizou que Jesus iniciaria o seu
ministério naquela região e foi o que realmente aconteceu. “Mas a terra, que foi
angustiada, não será entenebrecida; envileceu nos primeiros tempos, a terra de
Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos a enobreceu junto ao
caminho do mar, além do Jordão, na Galiléia das nações” (Isaías 9:1). “E, deixando Nazaré, foi habitar
em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali; Para que se
cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías”, (Mateus 4:15 ). Uma prova de que Jesus veio para
salvar judeus e gentios.
Com a salvação de Ninive Deus deu um claro recado ao povo de Israel.
Primeiro, que eles não eram os únicos especiais na face da Terra. Segundo, que
os nossos maiores inimigos merecem a salvação. Parece que nem Jonas e nem
Israel entenderam a mensagem.
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