domingo, 5 de maio de 2013

Ansioso para perdoar (Jonas)

Gostou deste artigo? Então clique no botão ao lado para curti-lo! Aproveite para nos adicionar no Facebook e assinar nosso Feed.

Comentário da Lição da Escola Sabatina de quatro a onze de maio de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

Jonas é um dos três profetas de Israel. Foi comissionado pelo Deus de Israel para ir a Nínive, capital da Assíria e pregar uma mensagem de arrependimento. A sua missão era admoestar os assírios que devido a sua crueldade e muito derramamento de sangue, iriam sofrer a ira divina caso não se arrependessem dentro de quarenta dias.

Os assírios eram famosos, por decapitar os povos vencidos. Eles faziam pirâmides com seus crânios. Crucificavam ou “empalavam” (ver significado em qualquer dicionário) os prisioneiros; arrancavam seus olhos (Rei Ezequias) e os “esfolavam” vivos (Retirar toda a pele do prisioneiro).

 Provavelmente Jonas tinha lá as suas razões para recusar essa missão. Entre elas de que os ninivitas eram tão ímpios que não merecessem a graça de Deus. E outro motivo que talvez o tenha levado a desistir de pregar para esse povo era o medo de ser turturado e morto. Com certeza era mais fácil e mais cômodo ser profeta em Israel do que aventurar-se em Nínive.

Jonas é o profeta bíblico mais malhado em nossos dias. As crianças ouvem a sua história onde ele é apresentado como covarde, desobediente e egoista. Mas será que se estivessemos em seu lugar não faríamos semelhante a ele ou pior? Ou, quem sabe, já não procedemos assim em algum momento de nossa vida!?

Como subsídio a esse comentário sugerimos que leia as páginas 30, 31 e 32 de nossa meditação Reavivar a Esperança.

O ministério profético de Jonas não se deteve apenas a sua mensagem a Ninive. Ele profetizou também a respeito de Israel. “Também este restituiu os termos de Israel, desde a entrada de Hamate, até ao mar da planície; conforme a palavra do Senhor Deus de Israel, a qual falara pelo ministério de seu servo Jonas, filho do profeta Amitai, o qual era de Gate-Hefer” (2 Reis 14:25).

Ninive ouviu a mensagem de um único profeta. Diferente de Israel que regeitou todas as advertencias recebidas. O povo de Deus deveria ter em Ninive o mais comovente sermão de reavivamento, mas de nada adiantou.

 

Domingo

            Tudo indica que Jonas estava em Jerusalém quando recebeu a ordem divina para dar a mensagem a Ninive. Jope ficava perto da capital de Judá. Jonas obedeceu à ordem divina de viajar. Viajou mas, a propósito, tomou a direção contrária a que Deus havia solicitado. 

O que levou Jonas a decidir fugir para Tarsis e não para outra cidade?  A palavra Társis em fenício significava “a refinaria” e provavelmente tinha este nome porque representava o centro metalúrgico fenício, que estava situado no Tartesso, ao sul da Espanha, perto de Gibraltar.

Tarsis era uma cidade estritamente industrial. A cidade de Tiro se enriqueceu através do comércio marítimo que provinha de Társis, na base de troca. Era uma cidade idólatra onde Deus não era conhecido. Para o povo de Israel, Társis significava “o fim do mundo”.  Para Jonas seria um ótimo lugar para se esconder de Deus.

Tudo indica que Jonas embarcou em um navio cargueiro. A viagem de ida e volta de Jope para Tarsis durava em média um ano. Não sabemos até onde Jonas foi e nem em que praia ele foi deixado pelo peixe. Mas podemos ter uma ideia de que a sua fuga tenha durado vários dias ou meses.

 Davi passou por uma experiênia difícil. Ele cometeu adultério e assassinato e imaginava que tudo estivesse oculto diante dos homens e do Onipotente. Ele se esqueceu de que em cima nos Céus tem um Deus que tudo vê.

Depois que o profeta Natã se apresentou a ele declarando o seu pecado e mostrando que Deus sabia de tudo, ele compos o salmo 139 e o ofereceu ao maestro do coral de Israel. Provavelmente a sua intensão era que toda a igreja soubesse e cantasse essa grande verdade. Pelo que parece Jonas desconhecia esse hino e, diante da ordem divina, resolveu tomar uma direção contrária.

 

Segunda

            Uma vez dentro do navio, Jonas procurou se esconder ainda mais descendo para o porão. Parece que a sua consciencia não o acusava; a Bíblia diz que no momento da tempestade ele estava “agarrado no sono” (Jonas 1:6).

            Em meio a trovões, vatania e relampagos e o navio se quebrando, Jonas dormia profundamente. Já que uma tempestade não foi suficiente, Deus usou o mestre do navio para acordá-lo e, pelo que parece, teve bastante trabalho.

            Em meio a uma fulminante tempestade, enquanto os marimheiros abriam mão do que mais precioso existia dentro do navio e recorriam cada um ao seu deus; o mensageiro do Deus criador dormia profundamente.

            A ordem foi incisiva: “invoca o teu Deus”. Como cada um ali tinha o seu deus os marinheiros imaginavam que Jonas também tivesse o seu. Mas como invocar a Deus se estava fugindo Dele? Imagino que essa ordem soou como uma pancada e, Jonas ficou atordoado.

             A esperança dos marinheiros era de que o Deus de Jonas se lembrasse deles (Jonas 1:6). Deus não havia Se esquecido deles, mas ali estava alguém que havia se esquecido de Deus.

            Ao ler o capítulo 1 podemos ter uma ideia do quanto Àqueles homens pagãos lutaram para poupar a vida de deste único homem, Jonas. E, por ironia do destino, era o mesmo homem que recusou a dar a mensagem de salvação para 120 mil pessoas.

            Jonas começou a entender que se ele recusou a dar a mensagem de salvação para uma grande cidade agora era sua responsabilidade fazer alguma coisa para salvar aquela meia duzia de marinheiros desesperados. A sua resposta foi: “Me joguem no mar.”

 
Terça

            O capítulo 2 de Jonas é considerado o salmo de Jonas e é semelhante ao salmo cinquenta e um de Davi. Os dois estavam vivendo o mais profundo arrependimento e experimentavam um momento de aflição sem precedentes.

            Enquanto Jonas sentia que “todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado por cima de mim” (Jonas 2:3), por outro lado ele sentiu com maior intensidade ainda, as vagas da misericórdia de Deus a envolver a sua alma.

Ele afirma “as algas se enrolaram na minha cabeça” (Jonas 2:5). Antes de ser engolido pelo peixe Jonas permitiu que as algas do egoísmo e da desobediência envolvessem a sua cabeça. Os seus pensamentos eram de revolta e de juízo para uma Nínive tão pecadora. Aquela prova serviu para desanuviar os seus pensamentos.

É curioso observar que a graça Se manifesta salvadora no livro de Jonas. Deus salvou a tripulação do navio. Deus salvou Jonas e Deus salvou Nínive. E não ficou só com estes; quantos, ao longo dos milênios, tem mudado os seus caminhos com a história de Jonas.

No momento máximo de sua aflição; quando as suas forças se estinguiram. Quando o tênue fio de esperança estava prestes a romper, Jonas ora lá do profundo do abismo. A sua oração rompeu as entranhas do peixe, venceu a imensidão das águas e entrou na sala de audiência do Infinito. E ali, ela encontrou guarida e Deus respondeu de imediato. “Quando desfalecia em mim a minha alma, lembrei-me do Senhor; e entrou a ti a minha oração, no teu santo templo” (Jonas 2:7).

Foi muito bom Jonas ter voltado para Deus. Mas melhor do que isso seria se ele nunca tivesse se afastado Dele. Agora, imagine se o peixe fosse desobediente à ordem de Deus como Jonas o foi.

 
Quarta

            Não há nenhum relato na Bíblia de conversões em massa como no caso de Nínive. Nem no pentecostes se viu algo semelhante. A pregação de Jonas causou um forte impacto na vida dos ninivitas.

            A obra, timidamente, iniciada por Jonas foi completada pelo rei de Nínive. O imponente monarca desceu do seu trono, retirou as suas roupas reais e se curvou ao pó. Proclamou um jejum extensivo até aos animais.

            “E fez uma proclamação que se divulgou em Nínive, pelo decreto do rei e dos seus grandes, dizendo: Nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê alimentos, nem bebam água; Mas os homens e os animais sejam cobertos de sacos, e clamem fortemente a Deus, e convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há em suas mãos” (Jonas 3:7-8).

            Abordamos na introdução que Nínive era uma cidade fortemente armada e violenta. O rei reconheceu esse pecado grave e fez confissão. Diz ele: “convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há em suas mãos”.

            O monarca termina o seu apelo com uma exclamação de súplica: “Quem sabe se se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos?” (Jonas 3:9). Aquele rei violento e implacável estava conhecendo um Rei maior do que ele e que, segundo a Bíblia, “é grandioso é em perdoar”. (Isaías 55:7). Que resultado fantástico! Como diz o subtítulo do estudo de quarta-feira foi realmente uma “missão vitoriosa”.

Pelos resultados alcançados Jonas deveria ser o pregador mais realizado e mais feliz do mundo. Noé pregou 120 anos e só converteu sete pessoas. Jonas pregou apenas um dia e converteram 120 mil criaturas que em termos espirituais não sabiam “discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda” (Jonas 4:11).

 Veremos na parte de quinta feira que a reação de Jonas foi completamente o contrario daquilo que deveria ser.

 
Quinta

Jonas ainda guardava ressentimentos. Parece que ele não acreditava que o arrependimento dos ninivitas fosse sincero e se retirou para um local elevado de onde, poderia ver melhor, no fim dos três dia, a destruição da cidade.

 Enquanto os ninivitas estavam mergulhados em profunda contrição, Jonas remoia em seu ódio contra aquela gente. No fim dos três dias, passada a ira de Deus, podemos imaginar uma Nínive eufórica e feliz. Jubilosos cânticos partindo do palácio e das miseras choupanas se constrastavam com um Jonas magoado, revoltado e descrente com a vida. Em sua profunda depressão ao ver que a cidade não foi destruída insistiu com Deus para que, pelo menos ele, fosse morto.

Quão longe estava Jonas de conhecer a “Profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11:33).

 
Conclusão

 Parece que Jonas era da tribo de Zebulon que se localizava numa região fértil e cobiçada. Jonas é o único profeta de Deus enviado aos gentios. Nínive era o pior exemplo de impiedade.

Zebulon produzia grandes colheitas, mas na época da cega era invadido pelos assírios que, com violência, arrebatavam toda a produção e deixava o povo na miséria.

As tribos de Zebulon e Naftali foram as que mais sofreram nas mãos dos assírios. Para enfraquecer o poder bélico da região os assírios levaram um contingente de pessoas da Assíria para morarem ali. A mistura chegou a tal ponto que a região foi denominada a “Galileia das Nações.” 

Isaias profetizou que Jesus iniciaria o seu ministério naquela região e foi o que realmente aconteceu. “Mas a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida; envileceu nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, na Galiléia das nações” (Isaías 9:1).  “E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali; Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías”, (Mateus 4:15 ). Uma prova de que Jesus veio para salvar judeus e gentios.

Com a salvação de Ninive Deus deu um claro recado ao povo de Israel. Primeiro, que eles não eram os únicos especiais na face da Terra. Segundo, que os nossos maiores inimigos merecem a salvação. Parece que nem Jonas e nem Israel entenderam a mensagem.

 

 
 A Classe dos Professores é uma oportunidade semanal para aqueles que, com humildade, se aproximam da Fonte e desejam conhecer mais do Seu amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário