domingo, 15 de setembro de 2013

Reforma: quebrando relacionamentos quebrados

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de14 a 21 de setembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Está diante de nós o segundo tema mais complicado do trimestre. O primeiro foi a lição “Unidade: o vínculo do reavivamento.” Mais uma vez um tema fácil de ser compreendido e difícil de ser praticado.
            Os que leram o meu comentário sobre aquela lição vão se lembrar do que escrevi na introdução, onde adaptei um céu coerente com as indiferenças e porfias existentes entre nós.
            O autor da lição deixa claro que mesmo depois do Pentecostes surgiram divergências entre os apóstolos. E em nossos dias dificilmente vamos encontrar um irmão que não esteja descontente com alguém na Igreja. Isso nos mostra o quanto Satanás trabalhou e continua trabalhando para emperrar a proclamação da mensagem.
            Pela graça divina as divergências nos dias dos apóstolos foram superadas. E temos consciência de que se não permitirmos que essa mesma graça atue poderosamente entre nós, com certeza, haverá muita mansão vazia na Nova Terra.
            Problemas de relacionamento sempre existiram entre o povo de Deus. A irmã Ellen G. White fala do cuidado que se exigiu de cada pioneiro para que a unidade doutrinária da Igreja não fosse afetada. Diz ela: “Procurávamos fazer com que as nossas divergências de opiniões fossem tão pequenas quanto possível, não insistindo nós sobe pontos que eram de menos importância, a respeito dos quais havia opiniões divergentes. A preocupação de toda alma, porém, era promover entre os irmãos uma condição que correspondesse à oração de Cristo para que Seus discípulos pudessem ser um, assim como o são Ele e o Pai” (A Igreja Remanescente, p. 21).

Domingo
            A Bíblia apresenta pelo menos três episódios de divergências que aconteceram na Igreja primitiva. O primeiro, de cunho social, foi o tratamento exclusivista dado às viúvas e que levou a instituição do diaconato na Igreja.
            O segundo foi o desentendimento entre Paulo e Timóteo por causa de João Marcos. Temendo perseguições, João Marcos se afastou de Paulo em um momento em que o apostolo contava com o seu apoio e companhia. Mas em dado momento Timóteo desejou convidar João Marcos para reintegrar a equipe o que foi veementemente contestado por Paulo, levando a separação dos dois. Não sabemos como, mas o Espirito Santo trabalhou com os três e logo depois voltaram a trabalhar juntos.
            O terceiro episódio de divergências foi no âmbito doutrinário. Era necessária uma linha única de orientação para os conversos gentios e os apóstolos divergiam a respeito. Um concílio realizado em Jerusalém e presidido por Tiago resolveu o impasse.
            Não foi por um simples passo de mágica que esses conflitos foram resolvidos. De ambas as parte houve muita luta pessoal e renuncia. Para o bem da Igreja prevaleceu o bom censo. Podemos imaginar como isso foi difícil para cada um dos apóstolos. Em dado momento, falando de Pedro, Paulo foi categórico: “eu o resisti na cara”.

Segunda
         A carta de Paulo endereçada à Filemom constitui no mais fidedigno resumo do plano da redenção. Filemom era um crente abastado, tinha um escravo chamado Onésimo, que o furtou algo, provavelmente dinheiro, e fugiu para Roma. Em Roma encontrou-se com Paulo e converteu-se.
         Sabedor do seu passado, Paulo viu a necessidade de promover a reconciliação entre os dois. Tratava-se de uma tarefa difícil.  Os dois pertenciam a classes sociais distintas. Filemom era um próspero empresário e Onésimo um simples escravo que havia cometido uma falta grave contra o seu senhor e fugiu para não ser justiçado.
         O apelo de Paulo não fica só por ai. Ele pede para que Filemom receba Onésimo não como escravo, mas como filho. Isso significava que Onesimo dali para frente faria parte de sua família. Não só moraria dentro de sua casa e comeria em sua mesa, mas seria também herdeiro de todo o seu patrimônio como os demais filhos.
Para evitar que Onésimo sofresse algum tipo de punição Paulo assumiu toda a sua dívida para com Filemom. Ou seja, fez o mesmo que Jesus fez por nós. Ellen G. White escreve: “Paulo se propôs voluntariamente assumir o débito de Onésimo para que ao criminoso fosse poupada a agrura da punição, e pudesse ele de novo se regozijar nos privilégios que tinha rejeitado. “Se me tens por companheiro”, escreveu a Filemom, “recebe-o como a mim mesmo”. E, se te fez algum dano, ou deve alguma coisa, põe isso à minha conta. Eu, Paulo, de minha própria mão o escrevi” (Atos dos Apóstolos, p. 458).

Terça
Satanás conseguiu semear o espírito de competição entre os crentes de Corinto. Os que conheceram a mensagem por intermédio de Paulo se julgavam ser mais importantes do que os demais que ouviram a mensagem por intermédio de Apolo ou de outra pessoa. Paulo deixou claro que todos são iguais diante de Deus.
Outro problema que surgiu foi referente aos dons. Uns julgavam esse ou aquele dom mais importante que os demais. Paulo afirmou que para o perfeito relacionamento de um corpo, todos os seus membros são necessário e importante.
O pé não é mais importante do que o nariz e nem o dedo mindinho menos desprezível que os olhos. Assim todos os membros da Igreja trabalham dentro de suas habilidades e dons para o crescimento da Igreja.
            Um terceiro problema que surgiu ente eles foi o espirito de vanglória. Facilmente se ufanavam daquilo que realizavam na Igreja. Talvez esse fosse o pior problema que surgiu entre eles, pois foi o pecado que afastou Lúcifer do Céu.
            Conheci um padre que se tornou alcoólatra. Ele era um acurado conhecedor da língua portuguesa e tinha muita facilidade para falar em público. Com frequência era convidado para casamentos, aniversários e outros eventos. Passou a se achar importante e a beber com frequência. Certa vez engasgado ele me confessou: “O meu fracasso foi eu ter me vangloriado de muitas glórias.” A sua vida terminou na sarjeta e morreu precocemente. (Ver meditação Reavivar a Esperança, p.174).
 É necessário estarmos vigilantes para que esses pecados ou outros não se manifestem entre nós e caso já existam que sejam extirpados pelo poder do Espírito.

Quarta
            A Bíblia apresenta lições máximas de pessoas que responderam a provocações com o perdão. O exemplo máximo foi Jesus que mesmo na cruz orou pelo perdão dos seus agressores.
         Enquanto o Mestre, maltrapilho e ferido, caminhava rumo ao Calvário ele alertou as pessoas que choravam ao Seu redor dizendo que elas deveriam estar preparadas para os momentos de provas e aflições. Indo mais longe em sua observação disse: “Porque, se isto se faz no lenho verde, que se fará no seco?” (Lucas 23:31).
         Paulo concita os corintianos a se reconciliarem com Deus. A reconciliação com Deus deve ser precedida da reconciliação entre irmãos. E o apostolo faz uma seria advertência: “Irai-vos, e não pequeis.” Ele completa: “Não deis lugar ao diabo.”
         No exercício de perdoar o próximo é necessário não perdermos de vista o exemplo de Cristo que nos amou e nos ama ao ponto de morrer pelos nossos pecados.

Quinta
         Na minha juventude me enamorei de uma garota nissei. Na sua família o namoro só poderia acontecer caso eu fosse nissei oriundo de Okinawa, uma das ilhas japonesas.
         Certa vez, caminhávamos pela rua Direita em São Paulo quando ela me falou: “aquele jovem vestido com roupa assim e assim que vem ao nosso encontro é o meu irmão mais velho.” No momento eu perguntei para ela: e o que ele vai dizer agora? “Nada” respondeu ela, e acrescentou: “Ele vai apenas me cumprimentar para que eu tenha certeza de que ele me viu com você.” Então ponderei: Agora toda a sua família vai saber do nosso namoro e, ela mais uma vez se adiantou afirmando: “Primeiro ele vai falar comigo e se eu persistir no namoro ele vai convidar o meu irmão abaixo dele para juntos falarem comigo.” Caso eu ainda persista ele convidará mais um membro da família para juntos falarem comigo. Isso acontecerá até que toda a família seja envolvida.
         Depois de tudo isso virá meu pai e minha mãe e caso eu não os ouça será reunido todos os familiares e eu serei excluída do círculo familiar. Depois que nos distanciamos daquele jovem o namoro terminou. Apenas aquele rapaz ficou sabendo do nosso meteórico relacionamento.
         Aquela família não era cristã, porém, aplicava o princípio bíblico como poucos entre nós o fazem.
         A orientação bíblica é de que os conflitos sejam resolvidos envolvendo o mínimo de pessoas possível. Isso porque, quanto mais pessoas se envolverem mais ele se alastra e mais danos causam à igreja.

Conclusão
         Caso não estejamos dispostos que o Espírito Santo restaure algum relacionamento quebrado é porque o nosso relacionamento com Ele já está afetado.
        


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