Comentário
da Lição da Escola Sabatina de14 a 21 de setembro de 2013, preparado por Carmo
Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a
Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Está
diante de nós o segundo tema mais complicado do trimestre. O primeiro foi a
lição “Unidade: o vínculo do reavivamento.” Mais uma vez um tema fácil de ser
compreendido e difícil de ser praticado.
Os que leram o meu comentário sobre
aquela lição vão se lembrar do que escrevi na introdução, onde adaptei um céu
coerente com as indiferenças e porfias existentes entre nós.
O autor da lição deixa claro que mesmo
depois do Pentecostes surgiram divergências entre os apóstolos. E em nossos
dias dificilmente vamos encontrar um irmão que não esteja descontente com
alguém na Igreja. Isso nos mostra o quanto Satanás trabalhou e continua
trabalhando para emperrar a proclamação da mensagem.
Pela graça divina as divergências
nos dias dos apóstolos foram superadas. E temos consciência de que se não
permitirmos que essa mesma graça atue poderosamente entre nós, com certeza, haverá
muita mansão vazia na Nova Terra.
Problemas de relacionamento sempre
existiram entre o povo de Deus. A irmã Ellen G. White fala do cuidado que se
exigiu de cada pioneiro para que a unidade doutrinária da Igreja não fosse
afetada. Diz ela: “Procurávamos fazer com que as nossas divergências de opiniões
fossem tão pequenas quanto possível, não insistindo nós sobe pontos que eram de
menos importância, a respeito dos quais havia opiniões divergentes. A preocupação
de toda alma, porém, era promover entre os irmãos uma condição que
correspondesse à oração de Cristo para que Seus discípulos pudessem ser um,
assim como o são Ele e o Pai” (A Igreja Remanescente, p. 21).
Domingo
A
Bíblia apresenta pelo menos três episódios de divergências que aconteceram na
Igreja primitiva. O primeiro, de cunho social, foi o tratamento exclusivista
dado às viúvas e que levou a instituição do diaconato na Igreja.
O segundo foi o desentendimento
entre Paulo e Timóteo por causa de João Marcos. Temendo perseguições, João
Marcos se afastou de Paulo em um momento em que o apostolo contava com o seu
apoio e companhia. Mas em dado momento Timóteo desejou convidar João Marcos
para reintegrar a equipe o que foi veementemente contestado por Paulo, levando
a separação dos dois. Não sabemos como, mas o Espirito Santo trabalhou com os
três e logo depois voltaram a trabalhar juntos.
O terceiro episódio de divergências
foi no âmbito doutrinário. Era necessária uma linha única de orientação para os
conversos gentios e os apóstolos divergiam a respeito. Um concílio realizado em
Jerusalém e presidido por Tiago resolveu o impasse.
Não foi por um simples passo de
mágica que esses conflitos foram resolvidos. De ambas as parte houve muita luta
pessoal e renuncia. Para o bem da Igreja prevaleceu o bom censo. Podemos
imaginar como isso foi difícil para cada um dos apóstolos. Em dado momento,
falando de Pedro, Paulo foi categórico: “eu o resisti na cara”.
Segunda
A carta de Paulo endereçada à Filemom
constitui no mais fidedigno resumo do plano da redenção. Filemom era um crente abastado, tinha um escravo chamado Onésimo,
que o furtou algo, provavelmente dinheiro, e fugiu para Roma. Em Roma
encontrou-se com Paulo e converteu-se.
Sabedor do seu passado, Paulo viu a
necessidade de promover a reconciliação entre os dois. Tratava-se de uma tarefa
difícil. Os dois pertenciam a classes
sociais distintas. Filemom era um próspero empresário e Onésimo um simples
escravo que havia cometido uma falta grave contra o seu senhor e fugiu para não
ser justiçado.
O apelo de Paulo não fica só por ai.
Ele pede para que Filemom receba Onésimo não como escravo, mas como filho. Isso
significava que Onesimo dali para frente faria parte de sua família. Não só
moraria dentro de sua casa e comeria em sua mesa, mas seria também herdeiro de
todo o seu patrimônio como os demais filhos.
Para evitar que Onésimo sofresse
algum tipo de punição Paulo assumiu toda a sua dívida para com Filemom. Ou
seja, fez o mesmo que Jesus fez por nós. Ellen G. White escreve: “Paulo se
propôs voluntariamente assumir o débito de Onésimo para que ao criminoso fosse
poupada a agrura da punição, e pudesse ele de novo se regozijar nos privilégios
que tinha rejeitado. “Se me tens por companheiro”, escreveu a Filemom,
“recebe-o como a mim mesmo”. E, se te fez algum dano, ou deve alguma coisa, põe
isso à minha conta. Eu, Paulo, de minha própria mão o escrevi” (Atos dos
Apóstolos, p. 458).
Terça
Satanás conseguiu semear o
espírito de competição entre os crentes de Corinto. Os que conheceram a
mensagem por intermédio de Paulo se julgavam ser mais importantes do que os
demais que ouviram a mensagem por intermédio de Apolo ou de outra pessoa. Paulo
deixou claro que todos são iguais diante de Deus.
Outro problema que surgiu foi
referente aos dons. Uns julgavam esse ou aquele dom mais importante que os
demais. Paulo afirmou que para o perfeito relacionamento de um corpo, todos os
seus membros são necessário e importante.
O
pé não é mais importante do que o nariz e nem o dedo mindinho menos desprezível
que os olhos. Assim todos os membros da Igreja trabalham dentro de suas
habilidades e dons para o crescimento da Igreja.
Um
terceiro problema que surgiu ente eles foi o espirito de vanglória. Facilmente
se ufanavam daquilo que realizavam na Igreja. Talvez esse fosse o pior problema
que surgiu entre eles, pois foi o pecado que afastou Lúcifer do Céu.
Conheci um padre que se tornou
alcoólatra. Ele era um acurado conhecedor da língua portuguesa e tinha muita
facilidade para falar em público. Com frequência era convidado para casamentos,
aniversários e outros eventos. Passou a se achar importante e a beber com
frequência. Certa vez engasgado ele me confessou: “O meu fracasso foi eu ter me
vangloriado de muitas glórias.” A sua vida terminou na sarjeta e morreu
precocemente. (Ver meditação Reavivar a Esperança, p.174).
É
necessário estarmos vigilantes para que esses pecados ou outros não se manifestem
entre nós e caso já existam que sejam extirpados pelo poder do Espírito.
Quarta
A Bíblia apresenta lições máximas de
pessoas que responderam a provocações com o perdão. O exemplo máximo foi Jesus
que mesmo na cruz orou pelo perdão dos seus agressores.
Enquanto o Mestre, maltrapilho e
ferido, caminhava rumo ao Calvário ele alertou as pessoas que choravam ao Seu
redor dizendo que elas deveriam estar preparadas para os momentos de provas e
aflições. Indo mais longe em sua observação disse: “Porque, se isto se faz no
lenho verde, que se fará no seco?” (Lucas 23:31).
Paulo concita os corintianos a se
reconciliarem com Deus. A reconciliação com Deus deve ser precedida da
reconciliação entre irmãos. E o apostolo faz uma seria advertência: “Irai-vos,
e não pequeis.” Ele completa: “Não deis lugar ao diabo.”
No exercício de perdoar o próximo é
necessário não perdermos de vista o exemplo de Cristo que nos amou e nos ama ao
ponto de morrer pelos nossos pecados.
Quinta
Na minha juventude me enamorei de uma garota
nissei. Na sua família o namoro só poderia acontecer caso eu fosse nissei oriundo
de Okinawa, uma das ilhas japonesas.
Certa vez, caminhávamos pela rua Direita
em São Paulo quando ela me falou: “aquele jovem vestido com roupa assim e assim
que vem ao nosso encontro é o meu irmão mais velho.” No momento eu perguntei
para ela: e o que ele vai dizer agora? “Nada” respondeu ela, e acrescentou:
“Ele vai apenas me cumprimentar para que eu tenha certeza de que ele me viu com
você.” Então ponderei: Agora toda a sua família vai saber do nosso namoro e,
ela mais uma vez se adiantou afirmando: “Primeiro ele vai falar comigo e se eu
persistir no namoro ele vai convidar o meu irmão abaixo dele para juntos
falarem comigo.” Caso eu ainda persista ele convidará mais um membro da família
para juntos falarem comigo. Isso acontecerá até que toda a família seja
envolvida.
Depois de tudo isso virá meu pai e
minha mãe e caso eu não os ouça será reunido todos os familiares e eu serei
excluída do círculo familiar. Depois que nos distanciamos daquele jovem o
namoro terminou. Apenas aquele rapaz ficou sabendo do nosso meteórico
relacionamento.
Aquela família não era cristã, porém,
aplicava o princípio bíblico como poucos entre nós o fazem.
A orientação bíblica é de que os
conflitos sejam resolvidos envolvendo o mínimo de pessoas possível. Isso porque,
quanto mais pessoas se envolverem mais ele se alastra e mais danos causam à
igreja.
Conclusão
Caso não estejamos dispostos que o
Espírito Santo restaure algum relacionamento quebrado é porque o nosso
relacionamento com Ele já está afetado.
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