sábado, 12 de outubro de 2013

Sacrifício

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 12 a 19 de outubro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia-Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Com a entrada do pecado no mundo e como único meio de erradica-lo foi necessário a morte de Jesus como sacrifício expiatório, Deus direcionou a vida do homem a uma oferta de sacrifícios para que em qualquer momento de sua vida ele se lembrasse do sacrifício de Cristo como único meio de salvação.
            Desde o Éden altares têm sido erguidos e sacrifícios têm sido oferecidos a Deus como uma projeção do que Cristo um dia faria por nós. Caso os altares construídos pelos filhos de Deus permanecessem até hoje teríamos o mundo marchetado pela presença deles.
            Do meu ponto de vista servir a Deus no antigo testamento era mais difícil e penoso do que agora. Sacrificar um animal, para pessoas como eu, seria um ato difícil e doloroso demais.
            Podemos imaginar Deus pedindo a Adão e Eva que escolhesse o cordeiro mais lindo que existia no Éden e colocassem as mãos sobre a cabeça dele enquanto o Senhor o degolava. E mais, Deus deixou bem claro que aquele ato seria repetitivo diariamente até que Jesus, o Cordeiro de Deus, fosse sacrificado no Calvário.
            Com a morte de Jesus, hoje não oferecemos sacrifícios de cordeiros. Porém, o homem que até então, sabia de cor e salteado a rotina ao redor do altar, e que por tantas vezes viu o sangue de um cordeirinho correr sobre a pedra maciça, é convidado a participar do que acontecia em cima do altar. Até então ele sacrificou como ofertante, mas agora é desafiado a ser a oferta.
         Veja o recado divino: “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1).
         Esse sacrifício a que somos convocados a oferecer envolve renuncia diária das coisas que alimentam a nossa natureza carnal e, se necessário for, sermos ovelha sobre o altar. Tudo isso para que nunca percamos de vista o que Jesus fez por nós.

Domingo
         Que mudança trágica na vida do casal edênico! Participar da execução do cordeirinho deve ter sido uma experiência marcante na vida deles. E mais, ajudar a retirar a pele do cordeiro e ver o alfaiate do Universo fazer dela túnicas para eles próprios usarem.
         Caso o cordeiro não fosse morto naquele momento eles seriam eliminados imediatamente e a raça humana deixaria de existir. A pele do cordeiro cobriu a nudez mostrada pelo pecado. Aquela túnica, diferente da túnica de folhas de figueira, era a prova da misericórdia divina que os cobria naquele momento. Dali para frente o casal e seus descendentes teriam uma oportunidade de se reconciliarem com Deus.
         Cada vez que os nossos pais olhassem para as suas vestes viam não só o que o pecado causou, mas viam também a misericórdia divina a lhes envolver.
A nota do rodapé da página 30 esclarece um ponto curioso. Antes de Deus delinear para eles as consequências do pecado, o Senhor deu uma mensagem de esperança: a morte do cordeiro.  Naquele momento foi firmado o mais solene compromisso de todos os tempos. Com o pecado nós não teríamos mais condições de permanecer na presença de Deus. Mas o Senhor não queria perder o contato conosco então, Ele se fez humano e viveu entre nós. Que lição de amor!

Segunda
As ofertas ou sacrifícios eram divididos em cinco grupos: Holocausto, Manjares, Pecado, Pacíficas e Oferta pela Culpa.
a) Holocaustos (Levíticos 1) - Tinha o propósito de expiar os pecados em geral. Era sacrificado um bezerro, carneiro ou ave.
b) Oferta de manjares (Levíticos 2) - Demonstrava honra e respeito a Deus em adoração. Eram oferecidos grãos, flor de farinha, incenso e pão sem fermento. Esclarecendo que flor de farinha era a farinha do trigo que depois de pilada no pilão era peneirada. Era como se estivesse oferecendo o melhor do trigo ao Senhor. O propósito da oferta de manjares era um oferecimento de presentes, e fala de uma vida que é dedicada a dar, e à generosidade. 
c) Sacrifício Pacífico (Levíticos 3) - Expressava gratidão a Deus, pela paz e comunhão com Ele. Consistiam no oferecimento de um novilho ou de um carneiro ou de uma cabra.
d) Ofertas Pelo Pecado (Levítico 6-24 a 30) – Expiavam as fraquezas e fracassos não intencionais dos adoradores diante do Senhor.
e) Oferta pela Culpa (Levíticos 6:5-7) - Era parecida com a oferta pelo pecado, mas a diferença principal era que a oferta pela culpa era uma oferta em dinheiro para pecados de ignorância relacionados à fraude. Por exemplo, se alguém enganasse sem querer a outro por dinheiro ou propriedade, o sacrifício dele devia era ser igual à quantia levada, mais um quinto para o sacerdote e para o ofendido. Então ele reembolsou a quantia levada mais 40%.
Em todas as ofertas e sacrifícios era oferecido o melhor para o Senhor.
É importante notar que os israelitas tinham que viver sintonizados no rito sacrifical. Para cada tipo de pecado era uma oferta diferente e Deus não permitia equívocos. Assim como hoje a salvação dependia de uma entrega diária e continua.

Terça
Sempre que leio o capitulo vinte e dois de Gênesis me detenho nos versos um, sete e onze.  Os três versos apresentam três momentos distintos na vida de Abraão que o identifica como o pai da fé,
No primeiro verso vemos um Abraão riquíssimo bem acomodado em sua fazenda. Deus o chama e ele responde: “Eis-me aqui.” Nesse momento é fácil dizer “eis-me aqui”. Ele está cercado de riquezas; fazendas a perder de vista e lotadas de rebanhos diversos; dezenas de servos prontos a atender as suas ordens e o melhor de tudo: Isaque, o filho da promessa, a cada dia cresce em estatura diante de Deus e dos homens.
No verso sete o senário da vida muda por completo. Ele está a caminho da terra de Moriá para lá oferecer o seu filho em holocausto conforme a orientação divina. Nesse momento ele ouve uma voz familiar. É Isaque que o chama e mais uma vez Abraão responde: “Eis-me aqui.” “Eis-me aqui meu filho, longe de casa, angustiado, coração partido e sem palavras pera responder às suas dúvidas e indagações. Mas eis-me aqui disposto a atender a ordem do Senhor.”
No verso onze vemos Isaque submisso, amarrado e pronto para o sacrifício. Ele sabia de cor e salteado a rotina ao redor do altar, mas nunca havia experimentado o que é ser o cordeiro sobre o altar. De pé, junto do altar, está Abraão que, por dezenas de vezes, degolou um cordeiro e viu o seu sangue banhar as pedras rústicas dos altares por onde passou. Mas agora o cordeiro é o seu próprio filho.
É nesse momento que a voz do Céu brada fortemente: “Abraão, Abraão” e com voz embargada ele responde mais uma vez: “Eis-me aqui.” “Eis-me aqui Senhor com o cutelo suspenso na mão; eis-me aqui banhado em lágrimas; eis-me aqui pronto a degolar o meu filho da promessa. Enfim, eis-me aqui pronto a fazer o Teu querer.”
Deus interveio no momento crucial. Um cordeiro foi miraculosamente provido e Isaque escapa ileso. Não foi necessário Deus explicar nada. Abraão entendeu tudo. Sugerimos que você leia as páginas 77,78 e 79 de nossa meditação Reavivar a Esperança.

Quarta
            A proibição, feita por Deus, para que os seres humanos não comessem sangue teve como explicação de que a vida está no sangue. Mas essa simples proibição envolve um raciocínio mais acurado.
            O sangue derramado de alguns animais prefigurava o sangue de Cristo que um dia seria vertido no Calvário para nos poupar da morte eterna. Sem o sangue correndo nas veias o corpo não tem vida. Assim, a vida do corpo está no sangue porque sem sangue o corpo não sobrevive.
            Ao orientar que o Seu povo evitasse comer sangue, Deus tinha dois propósitos. O primeiro seria que o sangue vertido de algum animal nos fizesse lembrar do sangue de Cristo vertido para salvação de todo aquele que Nele crê. O segundo seria que o não alimentar de sangue é saudável ao ser humano.
            O nosso sangue contaminado pelo pecado gera a morte eterna. Quando aceitamos o sacrifício de Cristo na cruz o Seu sangue, isento de pecado cobre as nossas transgreções. Assim a Sua vida foi dada pela nossa vida.
            O plano da salvação é resultado do grande amor de Deus por nós. Jesus Se revestiu da humanidade e arriscou a Sua divindade para nos redimir.
            Os judeus fizeram da rotina sagrada do santuário algo comum e profanaram o lugar santo. Jesus reprovou a postura deles esclarecendo: “Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios” (Mateus 9:13).

Quinta
            Hoje não oferecemos mais o sacrifício de um animal porque Jesus veio a esse mundo e cumpriu tudo o que estava escrito a Seu respeito pelos profetas. Ele é o Cordeiro morto desde a fundação do mundo.
         O fato de não oferecermos mais sacrifícios de animais pode arrefecer em nós o preço real de nossa redenção. Para que tal não aconteça o Senhor nos orienta a oferecermos diariamente o nosso corpo em sacrifício não morto, mas vivo. É interessante que em nossa luta para perseguir esse ideal Paulo afirma: “Eu vos declaro, irmãos, pela glória que de vós tenho em Cristo Jesus nosso Senhor, que morro todos os dias” (1 Coríntios 15:31).
         Esse morrer diário para o mundo é o nosso grande desafio. Só o amor a Cristo pode nos proporcionar a força necessária para morrermos diariamente para o mundo. Esse amor ardendo em nosso coração é que mantém a nossa chama acesa sobre o altar.
         O nosso relacionamento diário com Cristo torna o nosso sacrificar diário mais leve. Disse Jesus: “Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve” (Mateus 11:30).

Conclusão

         Jesus nos convida a oferecermos o nosso corpo diariamente em sacrifício não morto, mas vivo. Que a nossa resposta ao Seu convite seja semelhante à de Abraão: “Eis-me aqui” (Gênesis 22:1).

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