domingo, 20 de outubro de 2013

Lições do santuário

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 19 a 26 de outubro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O autor é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.

Introdução
O santuário era dividido em três partes: pátio ou átrio; o lugar santo e o lugar santíssimo, embora muitos comentaristas considerem o lugar santo e o lugar santíssimo como uma só parte.
Existe uma ideia de que os três compartimentos do santuário resumem o convite da salvação e a essência do evangelho. Ou seja: O átrio é o “vinde a Mim” e representa Cristo como o único caminho.
O lugar santo é um convite para seguirmos a Cristo. É o “vinde após Mim”. E o santíssimo é “permanecei em Mim”. Ele representa a vida, porque é no santíssimo que a nossa vida é garantida. Resumindo o santuário, semelhante a Cristo é o caminho, a verdade e a vida.
As taboas de acácia do santuário são consideradas por alguns comentaristas como Cristo revestido da humanidade. A madeira de acácia é pesada e dura, quase indestrutível pelo tempo ou pelos insetos. Por isso ela foi excelente para o uso do tabernáculo. A indestrutibilidade dessa madeira representa também que a humanidade de Cristo era incorruptível, nem o pecado e nem Satanás puderam atingi-Lo.
 Outros considerem as tábuas os seres humanos pecadores e a prata que os revestia, a graça de Cristo que nos envolve. Assim quando alguém olha para nós não vê um ser envolto em pecados, mas sim, a santidade de Cristo a nos envolver.
Todos os móveis do pátio eram de bronze ou cobre. O bronze e o cobre representam uma vida de sofrimento e pecado. Mas quando entramos no lugar santo nos deparamos com um altar revestido de ouro. É ali que Jesus transforma esse homem de cobre ou bronze fosco pelo pecado em ouro precioso de Ofir. 
O ouro representa a glória de Cristo e a Sua justiça como aquela vista sobre o propiciatório. Se o ouro significa a divindade e a madeira de acácia representa a humanidade, temos uma figura perfeita de um Cristo glorioso e justo, revestido da humanidade, pois Cristo é “Deus conosco” (Mateus 1:23).
A cor dos ornamentos do santuário tem muito a ver com a divindade de Cristo. O azul representa a natureza celestial de Cristo. Purpura tem a ver com a Sua realeza e soberania.
O carmesim fala do Seu sacrifício, enquanto a cor branca de linho tem a ver com a perfeição e aos que são lavados no sangue de Cristo.  O Linho Fino representa a justiça de Cristo e a daqueles que o aceitaram. (II Coríntios 5:21; Apocalipse 19:8; I Coríntios 1:30). Enquanto as peles de carneiro tingidas de vermelho era o emblema da Expiação de Cristo, ou a devoção do Sacerdote no seu oficio. Pele de texugos era sem revelo, manifestando o fato que o homem natural não vê em Cristo nenhuma formosura (Isaías 53:2).
 O azeite fala do Espírito Santo, ou Sua unção, I João 2:27. O Espírito Santo foi dado a Cristo sem medida, João 3:34. Cristo fez as Suas obras pela virtude do Espírito Santo, Hebreus 9:14; Sal 45:7; Isaías 11:2-4; Efésios 1:19. Cristo a Luz do mundo, João 8:12; a Sua sabedoria divina, I Cor 1:30 e as pedras de ônix e as pedras de engaste representam a união dos Cristãos a Deus por Cristo.

Domingo
            Já mencionamos em lição anterior que Deus não necessita de um lugar específico para a Sua habitação. Ele é onipresente e está em todo o lugar ao mesmo tempo.
            A ordem para fazer um santuário deixa bem claro o propósito divino: “para que Eu possa habitar no meio deles”. Já comentamos também que o propósito divino para a construção do santuário ‘terrestre não é porque Deus necessite de um lugar para morar, mas seria para que nós tivéssemos uma referencia de onde encontrá-Lo.
            Tanto o santuário celestial como o santuário terrestre é a referencia de onde encontrarmos Deus na Terra como no Céu. O santuário terrestre supriu a ausência do jardim do Éden onde Deus Se encontrava diariamente com Adão e Eva. Com a entrada do pecado Adão e Eva tiveram que deixar o Éden. A ordem para construção do Santuário era como se Deus estivesse dizendo: “Eu sio do Jardim junto com vocês, mas continuarei no meio de vocês em meio a poeira e o calor do deserto”.
            Com quatro rios serpenteando as suas terras o jardim do Éden era muito bem regado. Com certeza era o lugar mais aprazível da Terra. O homem não aprendeu a lição e, por causa de suas transgreções, ele é expulso de sua terra e desce para ser escravo no Egito. Em Sua misericórdia Deus o tirou de lá. Ao atravessar o deserto rumo à terra que mana leite e mel o homem mais uma vez exteriorizou a sua natureza carnal e, em consequência, permaneceu por quarenta anos vagueando pelo deserto. Mesmo assim Deus não o abandonou e pediu para que Moisés fizesse o santuário para que Ele pudesse morar entre eles.
            Que mudança drástica, deixar um jardim para morar em um deserto árido e inóspito onde as tempestades de areia faziam parte do dia a dia e onde o calor do dia era substituído pelo frio congelante da noite. Tudo isso para morar entre os Seus filhos que, embora rebeldes, continuava sendo os Seus filhos.

Segunda
            Levíticos 19:2 tem sido um permanente desafio para os filhos de Deus e é um texto que muitas pessoas têm dificuldade em compreender. Como ser santo como Deus é santo? Mas como Deus nos impõe uma meta impossível de ser atingida? Temos dois pensamentos a respeito. Primeiro a ordem divina constitui um alvo a ser alcançado e, em segundo lugar, seremos santos na esfera humana como Deus é santo na esfera divina.
            A busca por essa santidade termina com a nossa morte. Esse processo é conhecido por santificação e, falando de Santificação, a irmã Ellen G. White esclarece: “A santificação não é obra de um momento, de uma hora, de um dia, mas dá vida toda. Não se alcança com um feliz voo dos sentimentos, mas é o resultado de morrer constantemente para o pecado, e viver constantemente para Cristo” (Atos dos Apóstolos, p. 560).
            A santificação exige atenção diária. A rotina do santuário exigia cuidados específicos que não poderiam ser esquecidos. No processo de santificação acontece o mesmo.

Terça
            É fascinante o estudo do santuário. Na introdução descrevi alguns materiais usados na sua construção e alguns mobiliários.  Todos tem um significado e uma razão de ser dessa maneira. Na construção do templo a madeira foi importada do Líbano. Mas na construção do santuário todo o material foi proveniente das doações dos israelitas e a madeira de Acácia, usada não veio do Líbano, era própria do deserto. Como pode uma estrutura tão bem elaborada ser construída em uma região tão inóspita como o deserto!? Os construtores não puderam contar com material importado e nem com o auxílio de profissionais e ferramentas vindos de fora. Tudo foi resolvido entre eles.
         Deus ofereceu a chave para resolver o problema. “Eis que eu tenho chamado por nome a Bezaleel, filho de Iri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do espírito de Deus, no tocante à sabedoria, ao entendimento, à ciência e a todo ofício, para inventar obras artísticas, e trabalhar em ouro, em prata e em bronze, e em lavramento de pedras para engastar, e em entalhadura de madeira, enfim para trabalhar em todo ofício. E eis que eu tenho designado com ele a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, e tenho dado sabedoria ao coração de todos os homens hábeis, para fazerem tudo o que te hei ordenado” (Êxodo31:2-6).  E completa: “Estes encheu de sabedoria do coração para exercerem todo ofício, seja de gravador, de desenhista, de bordador em azul, púrpura, carmesim e linho fino, de tecelão, enfim, dos que exercem qualquer ofício e dos que inventam obras artísticas” (Êxodo 35:35). Esse “inventar obras artísticas” não quer dizer que Bezaleel e Aoliabe inventaram as coisas como bem lhes vieram na cabeça. Deus lhes deu o dom de inventar como fazer as coisas.
É curioso observar que Barzilai e Aoliabe não receberam uma ordem de Deus. Eles receberam um convite. Eles não eram profissionais em todas as áreas, mas Deus os capacitou. Imagino que o Santuário não fazia parte das sete maravilhas do mundo daquela época. Ele era a maravilha das maravilhas do mundo.
Nos capitólios 37 e 38 temos o relato da ordem seguida na edificação do santuário. A construção foi realizada de dentro para fora iniciando pelos móveis do lugar santíssimo. Esse detalhe nos leva a duas considerações. Primeira, é que ao começar com a construção da arca com o seu conteúdo, do propiciatório e dos querubins, depois de pronto, não haveria necessidade dos construtores entrarem no Santíssimo onde só o Sumo Sacerdote poderia entrar. A segunda consideração é que somos o santuário de Deus e que a construção do nosso caráter também deve ser de dentro para fora.
E mais um adendo: a construção do santuário só foi possível porque os construtores se deixaram ser usados pelo Espírito Santo. O mesmo acontece conosco. Sem a direção do Espírito Santo nada será possível.
Bezaleel e Aoliabe fundaram a primeira escola de Belas Artes do mundo. E que bela arte eles fizeram! “Também lhe dispôs o coração para ensinar a outros; a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã” (Êxodo 35:34).

Quarta
            Todas as atividades espirituais, sociais, jurídicas e também o proceder das pessoas tinham a ver com o santuário. Esse é um lembrete especial para todos nós. Toda a nossa vida deve estar voltada para o que acontece no santuário.
            Em qualquer situação em que encontrassem os israelitas deveriam ter a sua atenção e visão voltadas para o santuário ou o templo. Seria como se fosse um casamento dos israelitas com o templo. Tanto na prosperidade como na adversidade esse vínculo nunca deveria ser quebrado.
            Quando a colheita era farta eles se dirigiam ao santuário para agradecer a Deus. Ao caírem em pecado ou se sofriam a repreensão do Senhor a sua atenção deveria estar sempre voltada para o santuário.
            Mesmo exilados ou cativos em terras distantes eles deveriam volver o seu olhar na direção do santuário. Foi essa a postura de Daniel quando esteve exilado nas cortes de Babilônia. Três vezes ao dia ele abria a janela do palácio que dava para a direção do templo em Jerusalém e orava ao seu Deus. É interessante que Deus ouvia a oração de Seus filhos errantes em resposta à oração de Salomão.
            Todas as falhas que os israelitas cometiam contra Deus e contra o próximo tinha o seu desfecho no santuário. Aconselhamentos ou repreensões provinham do templo.

Quinta
            A depender da falha cometida o pecador deveria oferecer determinado tipo de sacrifício. Esse sacrifício apontava para Jesus que um dia daria a Sua vida em favor dos transgressores.
Caso o sacrifício fosse diferente do preestabelecido por Deus o pecador era punido. Oferecer o sacrifício específico era uma prova de aceitação da misericórdia divina. A depender do sacrifício oferecido o pecador seria perdoado ou justiçado. Deus é amor, mas a justiça é à base do Seu trono.
Davi se preocupou com o progresso do ímpio quando pessoas fiéis padeciam necessidades e enfrentavam provações. As suas dúvidas persistiram até que ele entrou no santuário e viu o fim dos perversos.
Semelhantes a Davi, muitas de nossas dúvidas serão dirimidas depois que conhecemos mais e melhor o santuário.
Em certo momento de sua vida Davi foi surpreendido por Saul que o ameaçava de morte. Ele conseguiu escapar, mas não foi possível levar coisas essenciais para a sua sobrevivência como alimentos e a sua espada. Em sua fuga ele se dirigiu ao santuário e procurou o sacerdote.
Ele estava desarmado e faminto. O sacerdote lhe ofereceu pão santo que a pessoa em pecado não poderia comer. E Davi teve uma surpresa especial. A espada de Golias que lhe foi tão útil um dia estava ali esquecida no santuário. “E disse Davi a Amoleque: Não tens aqui à mão uma lança ou uma espada? porque eu não trouxe comigo nem a minha espada nem as minhas armas, pois o negócio do rei era urgente.
Respondeu o sacerdote: A espada de Golias, o filisteu, a quem tu feriste no vale de Elá, está aqui envolta num pano, detrás do éfode; se a queres tomar, toma-a, porque não há outra aqui senão ela. E disse Davi: Não há outra igual a essa; dá-me” (1 Samuel 21:9). Foi no santuário que Davi encontrou solução para os seus problemas.
Davi ao vencer Golias achou que jamais iria necessitar daquela espada e a desprezou esquecendo-a no santuário. Muitos usam a Bíblia, a Espada do Espirito para vencer os Golias da vida. Mas às vezes a autoconfiança os leva a deixá-la na igreja embrulhada na poeira do esquecimento. É ela que nos ajuda a vencer o Golias e os demais inimigos que procuram nos destruir. Temos que ir ao santuário não para obtê-la, mas com ela nas mãos. (Sugestão de leitura: página 289 da Meditação Reavivar a Esperança).

Conclusão
            “Nenhuma linguagem pode descrever a glória do cenário apresentado dentro do santuário [...] tudo não era senão um pálido reflexo dos esplendores do templo de Deus no Céu” (Patriarcas e Profetas, p. 347).

           



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