Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 19 a 26 de outubro de 2013, preparado por Carmo
Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a
Esperança, uma meditação para qualquer ano. O autor é membro da Igreja Adventista
do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.
Introdução
O
santuário era dividido em três
partes: pátio ou átrio; o lugar santo e o lugar santíssimo, embora muitos
comentaristas considerem o lugar santo e o lugar santíssimo como uma só parte.
Existe uma ideia de que os três
compartimentos do santuário resumem o convite da salvação e a essência do
evangelho. Ou seja: O átrio é o “vinde a Mim” e representa Cristo como o único
caminho.
O lugar santo é um convite para seguirmos a
Cristo. É o “vinde após Mim”. E o santíssimo é “permanecei em Mim”. Ele
representa a vida, porque é no santíssimo que a nossa vida é garantida.
Resumindo o santuário, semelhante a Cristo é o caminho, a verdade e a vida.
As taboas de acácia do santuário são consideradas
por alguns comentaristas como Cristo revestido da humanidade. A madeira de
acácia é pesada e dura, quase indestrutível pelo tempo ou pelos insetos. Por
isso ela foi excelente para o uso do tabernáculo. A indestrutibilidade dessa
madeira representa também que a humanidade de Cristo era incorruptível, nem o
pecado e nem Satanás puderam atingi-Lo.
Outros
considerem as tábuas os seres humanos pecadores e a prata que os revestia, a
graça de Cristo que nos envolve. Assim quando alguém olha para nós não vê um
ser envolto em pecados, mas sim, a santidade de Cristo a nos envolver.
Todos os móveis do pátio eram de bronze
ou cobre. O bronze e o cobre representam uma vida de sofrimento e pecado. Mas
quando entramos no lugar santo nos deparamos com um altar revestido de ouro. É
ali que Jesus transforma esse homem de cobre ou bronze fosco pelo pecado em
ouro precioso de Ofir.
O ouro representa a glória de Cristo e a Sua justiça como
aquela vista sobre o propiciatório. Se o ouro significa a divindade e a madeira
de acácia representa a humanidade, temos uma figura perfeita de um Cristo
glorioso e justo, revestido da humanidade, pois Cristo é “Deus conosco” (Mateus
1:23).
A cor dos ornamentos do santuário tem
muito a ver com a divindade de Cristo. O azul representa a natureza celestial
de Cristo. Purpura tem a ver com a Sua realeza e soberania.
O carmesim fala do Seu sacrifício,
enquanto a cor branca de linho tem a ver com a perfeição e aos que são lavados
no sangue de Cristo. O Linho Fino representa a justiça de
Cristo e a daqueles que o aceitaram. (II Coríntios 5:21; Apocalipse 19:8; I
Coríntios 1:30). Enquanto as peles de carneiro tingidas de vermelho era o
emblema da Expiação de Cristo, ou a devoção do Sacerdote no seu oficio. Pele de
texugos era sem revelo, manifestando o fato que o homem natural não vê em
Cristo nenhuma formosura (Isaías 53:2).
O azeite fala do Espírito Santo, ou Sua unção,
I João 2:27. O Espírito Santo foi dado a Cristo sem medida, João 3:34. Cristo
fez as Suas obras pela virtude do Espírito Santo, Hebreus 9:14; Sal 45:7;
Isaías 11:2-4; Efésios 1:19. Cristo a Luz do mundo, João 8:12; a Sua sabedoria
divina, I Cor 1:30 e as pedras de ônix e as pedras de engaste representam a
união dos Cristãos a Deus por Cristo.
Domingo
Já mencionamos em lição anterior que
Deus não necessita de um lugar específico para a Sua habitação. Ele é
onipresente e está em todo o lugar ao mesmo tempo.
A ordem para fazer um santuário
deixa bem claro o propósito divino: “para que Eu possa habitar no meio deles”.
Já comentamos também que o propósito divino para a construção do santuário
‘terrestre não é porque Deus necessite de um lugar para morar, mas seria para
que nós tivéssemos uma referencia de onde encontrá-Lo.
Tanto o santuário celestial como o
santuário terrestre é a referencia de onde encontrarmos Deus na Terra como no
Céu. O santuário terrestre supriu a ausência do jardim do Éden onde Deus Se
encontrava diariamente com Adão e Eva. Com a entrada do pecado Adão e Eva
tiveram que deixar o Éden. A ordem para construção do Santuário era como se
Deus estivesse dizendo: “Eu sio do Jardim junto com vocês, mas continuarei no
meio de vocês em meio a poeira e o calor do deserto”.
Com quatro rios serpenteando as suas
terras o jardim do Éden era muito bem regado. Com certeza era o lugar mais
aprazível da Terra. O homem não aprendeu a lição e, por causa de suas
transgreções, ele é expulso de sua terra e desce para ser escravo no Egito. Em
Sua misericórdia Deus o tirou de lá. Ao atravessar o deserto rumo à terra que
mana leite e mel o homem mais uma vez exteriorizou a sua natureza carnal e, em
consequência, permaneceu por quarenta anos vagueando pelo deserto. Mesmo assim
Deus não o abandonou e pediu para que Moisés fizesse o santuário para que Ele
pudesse morar entre eles.
Que mudança drástica, deixar um
jardim para morar em um deserto árido e inóspito onde as tempestades de areia
faziam parte do dia a dia e onde o calor do dia era substituído pelo frio
congelante da noite. Tudo isso para morar entre os Seus filhos que, embora
rebeldes, continuava sendo os Seus filhos.
Segunda
Levíticos 19:2 tem sido um
permanente desafio para os filhos de Deus e é um texto que muitas pessoas têm
dificuldade em compreender. Como ser santo como Deus é santo? Mas como Deus nos
impõe uma meta impossível de ser atingida? Temos dois pensamentos a respeito.
Primeiro a ordem divina constitui um alvo a ser alcançado e, em segundo lugar,
seremos santos na esfera humana como Deus é santo na esfera divina.
A busca por essa santidade termina
com a nossa morte. Esse processo é conhecido por santificação e, falando de
Santificação, a irmã Ellen G. White esclarece: “A santificação não é obra de um
momento, de uma hora, de um dia, mas dá vida toda. Não se alcança com um feliz
voo dos sentimentos, mas é o resultado de morrer constantemente para o pecado,
e viver constantemente para Cristo” (Atos dos Apóstolos, p. 560).
A santificação exige atenção diária.
A rotina do santuário exigia cuidados específicos que não poderiam ser
esquecidos. No processo de santificação acontece o mesmo.
Terça
É
fascinante o estudo do santuário. Na introdução descrevi alguns materiais
usados na sua construção e alguns mobiliários. Todos tem um significado e uma razão de ser dessa
maneira. Na construção do templo a madeira foi importada do Líbano. Mas na
construção do santuário todo o material foi proveniente das doações dos
israelitas e a madeira de Acácia, usada não veio do Líbano, era própria do
deserto. Como pode uma estrutura tão bem elaborada ser construída em uma região
tão inóspita como o deserto!? Os construtores não puderam contar com material
importado e nem com o auxílio de profissionais e ferramentas vindos de fora.
Tudo foi resolvido entre eles.
Deus
ofereceu a chave para resolver o problema. “Eis que eu tenho chamado por nome a
Bezaleel, filho de Iri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do espírito
de Deus, no tocante à sabedoria, ao entendimento, à ciência e a todo ofício,
para inventar obras artísticas, e trabalhar em ouro, em prata e em bronze, e em
lavramento de pedras para engastar, e em entalhadura de madeira, enfim para
trabalhar em todo ofício. E eis que eu tenho designado com ele a Aoliabe, filho
de Aisamaque, da tribo de Dã, e tenho dado sabedoria ao coração de todos os
homens hábeis, para fazerem tudo o que te hei ordenado” (Êxodo31:2-6). E completa: “Estes encheu de sabedoria do
coração para exercerem todo ofício, seja de gravador, de desenhista, de
bordador em azul, púrpura, carmesim e linho fino, de tecelão, enfim, dos que
exercem qualquer ofício e dos que inventam obras artísticas” (Êxodo 35:35).
Esse “inventar obras artísticas” não quer dizer que Bezaleel e Aoliabe
inventaram as coisas como bem lhes vieram na cabeça. Deus lhes deu o dom de
inventar como fazer as coisas.
É
curioso observar que Barzilai e Aoliabe não receberam uma ordem de Deus. Eles receberam
um convite. Eles não eram profissionais em todas as áreas, mas Deus os
capacitou. Imagino que o Santuário não fazia parte das sete maravilhas do mundo
daquela época. Ele era a maravilha das maravilhas do mundo.
Nos
capitólios 37 e 38 temos o relato da ordem seguida na edificação do santuário. A
construção foi realizada de dentro para fora iniciando pelos móveis do lugar
santíssimo. Esse detalhe nos leva a duas considerações. Primeira, é que ao
começar com a construção da arca com o seu conteúdo, do propiciatório e dos
querubins, depois de pronto, não haveria necessidade dos construtores entrarem
no Santíssimo onde só o Sumo Sacerdote poderia entrar. A segunda consideração é
que somos o santuário de Deus e que a construção do nosso caráter também deve
ser de dentro para fora.
E mais
um adendo: a construção do santuário só foi possível porque os construtores se
deixaram ser usados pelo Espírito Santo. O mesmo acontece conosco. Sem a
direção do Espírito Santo nada será possível.
Bezaleel e Aoliabe fundaram a primeira escola
de Belas Artes do mundo. E que bela arte eles fizeram! “Também lhe
dispôs o coração para ensinar a outros; a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque,
da tribo de Dã” (Êxodo 35:34).
Quarta
Todas
as atividades espirituais, sociais, jurídicas e também o proceder das pessoas
tinham a ver com o santuário. Esse é um lembrete especial para todos nós. Toda
a nossa vida deve estar voltada para o que acontece no santuário.
Em
qualquer situação em que encontrassem os israelitas deveriam ter a sua atenção
e visão voltadas para o santuário ou o templo. Seria como se fosse um casamento
dos israelitas com o templo. Tanto na prosperidade como na adversidade esse
vínculo nunca deveria ser quebrado.
Quando
a colheita era farta eles se dirigiam ao santuário para agradecer a Deus. Ao
caírem em pecado ou se sofriam a repreensão do Senhor a sua atenção deveria
estar sempre voltada para o santuário.
Mesmo
exilados ou cativos em terras distantes eles deveriam volver o seu olhar na
direção do santuário. Foi essa a postura de Daniel quando esteve exilado nas
cortes de Babilônia. Três vezes ao dia ele abria a janela do palácio que dava
para a direção do templo em Jerusalém e orava ao seu Deus. É interessante que
Deus ouvia a oração de Seus filhos errantes em resposta à oração de Salomão.
Todas
as falhas que os israelitas cometiam contra Deus e contra o próximo tinha o seu
desfecho no santuário. Aconselhamentos ou repreensões provinham do templo.
Quinta
A
depender da falha cometida o pecador deveria oferecer determinado tipo de
sacrifício. Esse sacrifício apontava para Jesus que um dia daria a Sua vida em
favor dos transgressores.
Caso o sacrifício fosse diferente do
preestabelecido por Deus o pecador era punido. Oferecer o sacrifício específico
era uma prova de aceitação da misericórdia divina. A depender do sacrifício
oferecido o pecador seria perdoado ou justiçado. Deus é amor, mas a justiça é à
base do Seu trono.
Davi se preocupou com o progresso do ímpio
quando pessoas fiéis padeciam necessidades e enfrentavam provações. As suas
dúvidas persistiram até que ele entrou no santuário e viu o fim dos perversos.
Semelhantes a Davi, muitas de nossas dúvidas
serão dirimidas depois que conhecemos mais e melhor o santuário.
Em certo momento de sua vida Davi foi
surpreendido por Saul que o ameaçava de morte. Ele conseguiu escapar, mas não
foi possível levar coisas essenciais para a sua sobrevivência como alimentos e
a sua espada. Em sua fuga ele se dirigiu ao santuário e procurou o sacerdote.
Ele
estava desarmado e faminto. O sacerdote lhe ofereceu pão santo que a pessoa em
pecado não poderia comer. E Davi teve uma surpresa especial. A espada de Golias
que lhe foi tão útil um dia estava ali esquecida no santuário. “E disse Davi a
Amoleque: Não tens aqui à mão uma lança ou uma espada? porque eu não trouxe
comigo nem a minha espada nem as minhas armas, pois o negócio do rei era
urgente.
Respondeu o sacerdote: A espada de
Golias, o filisteu, a quem tu feriste no vale de Elá, está aqui envolta num
pano, detrás do éfode; se a queres tomar, toma-a, porque não há outra aqui
senão ela. E disse Davi: Não há outra igual a essa; dá-me” (1 Samuel 21:9). Foi
no santuário que Davi encontrou solução para os seus problemas.
Davi ao vencer Golias achou que jamais
iria necessitar daquela espada e a desprezou esquecendo-a no santuário. Muitos
usam a Bíblia, a Espada do Espirito para vencer os Golias da vida. Mas às vezes
a autoconfiança os leva a deixá-la na igreja embrulhada na poeira do esquecimento.
É ela que nos ajuda a vencer o Golias e os demais inimigos que procuram nos
destruir. Temos que ir ao santuário não para obtê-la, mas com ela nas mãos.
(Sugestão de leitura: página 289 da Meditação Reavivar a Esperança).
Conclusão
“Nenhuma linguagem pode descrever
a glória do cenário apresentado dentro do santuário [...] tudo não era senão um
pálido reflexo dos esplendores do templo de Deus no Céu” (Patriarcas e
Profetas, p. 347).
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