segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Expiação: oferta da purificação

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Comentário da Lição  da Escola Sabatina de 26 de outubro a 2 de novembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia - Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            A oferta de purificação era também chamada de oferta pelo pecado. A oferta de purificação envolvia mais os casos de contaminação por um morto, doenças como a lepra ou uma mulher que desse a luz uma criança. Já a oferta pelo pecado era aquela que envolvia falhas de comportamento para com Deus ou para com os homens.
            Ao cometer um pecado a pessoa se declarava em conflito com Deus e esse conflito causava a separação entre criatura e Criador. Em tal situação o homem estava condenado à morte. Pois a Bíblia afirma: “Porque o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). A promessa feita no Éden era que a reconciliação só seria possível mediante o sacrifício de Cristo. Mas até que Ele viesse morrer pelo pecador foi instituído o sacrifício de animais. Os animais oferecidos eram sem defeito, pois apontavam para Jesus.
            Os pecados, uma vez confessados e feito o sacrifício adequado a cada um permaneciam, por assim dizer, estocados no santuário até o dia da Expiação que prefigurava o dia do juízo.
            Caso hoje fosse necessário sacrificar um cordeiro para remissão de um pecado, provavelmente não existiriam cordeiros suficientes para o sacrifício. Vivemos em um mundo corrompido onde os que mais falam do evangelho são os que mais pecam.

Domingo
            O pecado de rebelião é o mais grave apresentado na Bíblia. É aquele pecado que a pessoa, em sã consciência comete deliberadamente e repetidas vezes. Para esse tipo de pecado não havia perdão, salvo em casos raros. O rei Acaz foi um exemplo de alguém que cometeu esse tipo de pecado e Deus o eliminou. O mesmo aconteceu com o rei Manasses que em sã consciência afrontou a Deus, mas no final de sua vida, implorou perdão e foi atendido.
            No caso da mulher de Tecoa Joabe a usou para criar um precedente jurídico. O “seu filho” cometeu um crime proposital e grave, pelas leis vigentes na época teria de ser executado. Diante de Davi ela pede para perdoá-lo. Era uma situação complicada para o rei, pois se ele o perdoasse o rei assumiria o crime do rapaz. Numa tentativa de favorecer as coisas para o rei a suposta mãe se propôs a assumir as consequências da culpa.
            A estória relatada ao rei pela mulher tecoita tinha como objetivo sensibilizar Davi para que perdoasse a Absalão seu filho. Fazia três anos que Absalão, depois de assassinar Amnom, havia fugido para Jesur. Absalão o matou porque ele forçou Tamar, que era irmã dos dois. A vida de Absalão estava nas mãos do seu pai, e pelas leis vigentes ele deveria ser morto.
            Absalão foi perdoado pelo rei e, logo que retornou, se revoltou contra o rei no intuito de assumir o trono. No campo de batalha os seus cabelos enrolaram em um galho de árvore e, suspenso no ar, foi assassinado pelo exército de Davi, embora ele tivesse dado ordem para poupá-lo. Parece que Deus tomou providencias para que Absalão não ficasse impune.

Segunda
            Para os israelitas o ato de impor às mãos sobre a cabeça do animal a ser sacrificado era a parte mais solene do sacrifício. Esse doloroso procedimento era praticado com frequência.
            O pecador tinha plena consciência de que era merecedor da morte e que, ao impor as mãos sobre a cabeça do cordeiro, ele estava transmitindo a sua pena de morte para o animal.
            O doloroso ritual diário de sacrifícios dava aos israelitas uma noção bem clara de quão terrível é o pecado. Embora saibamos do que significou a morte de Jesus esse é um quadro que nem sempre está tão real em nossa mente o que nos leva a pecar sem uma nítida clareza de quão terrível é.
            Diz Ellen G. White: “Far-nos-ia bem passar diariamente  uma hora a refletir sobre a vida de Jesus. Deveremos tomá-la ponto por ponto, e deixar que a imaginação se apodere de cada cena, especialmente as finais” (O Desejado de Todas as Nações, pág. 83). 
A nota do rodapé da página 57 (Lição do professor) é uma solene advertência para nós. Diz o texto: “Da próxima vez que você for tentado a pecar, imagine Jesus morrendo na cruz e veja você mesmo colocando as mãos sobre Sua cabeça e confessando seus pecados sobre Ele. Pensar nisso ajuda a entender o preço do perdão? Como essa ideia pode ajudá-lo a não cair em tentação?”

Terça
            É curioso ver que o altar do pátio era construído com madeira de Acácia e revestido de bronze. Já mencionamos que o bronze está ligado a sofrimento, punição, sacrifício, justiça e juízo.
Após o animal ser degolado no pátio o sacerdote molhava o dedo no sangue e o colocava nas pontas do altar no lugar santo.  Isso indicava que os pecados do penitente estavam sendo transferidos para o santuário e que Deus os havia assumido. Razão da existência do dia da expiação para a purificação do santuário que acontecia uma vez no ano.
 Quando Adonias viu que fracassou na sua tentativa de usurpar o trono de Davi que, por direito estava reservado para Salomão, temeu por sua vida e foi se refugiar no santuário. Ali, em angustia, ele se agarrou nas pontas do altar. Esse ato era um reconhecimento de seu pecado e ao mesmo tempo era um pedido mudo de clemência. O ouro indicava perdão, pureza e santificação. Morte era o que Adonias merecia. Mas as pontas voltadas para o Céu indicavam que a salvação provinha apenas de Deus. O seu ato o livrou da morte.
E foi dito a Salomão: Eis que Adonias teme ao rei Salomão; pois que se apegou às pontas do altar, dizendo: Jure-me hoje o rei Salomão que não matará o seu servo à espada. Ao que disse Salomão: Se ele se houver como homem de bem, nem um só de seus cabelos cairá em terra; se, porém, se houver dolosamente, morrerá. Então o rei Salomão deu ordem, e tiraram Adonias do altar. E vindo ele, inclinou-se perante o rei Salomão, o qual lhe disse: Vai para tua casa” (1 Reis 1:50-53).
Todos nós somos condenados à morte. Cristo nos oferece a salvação pelo seu sangue vertido no Gólgota (altar). Segurar nas pontas do altar é o nosso clamor de perdão.

Quarta
            A santa ceia lembra-nos o sacrifício no santuário. Usamos o suco de uva representando o sangue de Cristo e comemos o pão. Ele declarou: “Eu sou o pão da vida” (João 6:35).
            Sabemos que no ritual do santuário todos os sacrifícios tinham a ver com Cristo e tudo deveria acontecer conforme o que foi mostrado a Moisés e, quando isso fugia da rotina era um risco de morte iminente.
            Assim como o pecador tinha de estar consciente no seu ato de apresentar o sacrifício, o sacerdote também tinha o dever de seguir o ritual pré-estabelecido para o sacrifício.
            O ato de o sacerdote levar o sangue do sacrifício para dentro do santuário representa Jesus levando os nossos pecados para dentro do santuário. “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido” (Isaías 53:4).
            Temos o relato triste dos filhos de Eli que, ao agirem de maneira desrespeitosa para com o sacrifício foram eliminados pelos filisteus. (Ler 1 Samuel 2:12-17 e 1 Samuel 4:11. Eles cometeram vários desatinos. Comiam a carne do sacrifício crua e com gula; eles comiam a gordura dos animais o que não era permitido. Eli foi reprovado por Deus ao agir de maneira complacente com os seus filhos. O fato de Eli ser obeso (1 Samuel 4:18) dá a entender que ele não tinha hábitos saudáveis de alimentação e, talvez, seja uma das causas da gula de seus filhos.

Quinta
            Todos os rituais do santuário tinha um só objetivo: perdoar o pecador. Vale a pena acompanhar o pecador em seu processo de expiação. Primeiro ele reconhece ser culpado. Arrependido, ele escolhe o melhor animal do seu rebanho e se dirige ao santuário. Ao chegar lá o cordeiro é colocado sobre o altar.
            Vem então o momento mais solene: o pecador coloca as suas mãos sobre a cabeça da vitima e o animal é sacrificado. A gordura do animal é queimada, a carne é assada e ingerida pelo pecador e pelo sacerdote.   Parte do sangue é transportado para dentro do santuário pelo sacerdote e colocado nas pontas do altar. Com esse ato o pecado do transgressor é levado para dentro do santuário.
            Um fato curioso é que a disposição dos móveis dentro do santuário segue o formato de uma cruz. No pé da cruz está o altar do holocausto localizado no pátio do santuário. Ele simboliza de maneira direta o Calvário. Depois do altar do holocausto está a pia. No lugar santo temos os braços da cruz tendo de um lado a mesa e do outro o candelabro. Logo depois temos o altar do incenso. No topo da cruz está o santíssimo com a arca da aliança, o propiciatório e os querubins.
            Tudo isso foi planejado por Deus com o propósito de nos salvar. Para erradicar o pecado foi necessário um engenhoso projeto recheado de minúcias e detalhes. E o mais importante: muito e muito amor de Deus por você e por mim.

Conclusão

            Realmente não foi mediante coisas corruptíveis que fomos resgatados. A nossa salvação custou à vida do filho de Deus. A morte de Cristo propiciou a nós, trapos de imundícia, uma transformação a tal ponto de fazer de nós homens mais preciosos que o ouro de Ofir.

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