Comentário da Lição da Escola Sabatina de 23 a 30 de novembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
A Bíblia declara que Jesus ficou 18 séculos (do ano 31 até 22/10/1844) intercedendo em nosso favor no Lugar Santo. Após este período Ele está no lugar Santíssimo realizando o juízo pré-advento. Apenas um detalhe: após 1844 Cristo não faz apenas o trabalho de advogado, mas também o de Juiz! Nesse julgamento celeste somente passa pelas mãos de Cristo o caso dos filhos de Deus. Começa desde Adão e Eva ate chegar à época presente, dos santos vivos. Por exemplo: o caso de Abel é examinado, mas o de Caim não, já que negou Deus abertamente. Seguindo 4000 mil anos no futuro, o caso de Pedro é examinado, mas o de Pilatos, Judas ou Herodes não passa pelas mãos de Cristo, pois eles morreram sem advogado e, portanto, estão literalmente condenados.
No santuário terrestre o sacrifício contínuo que era oferecido diariamente no pátio e no lugar santo era realizado também no dia da expiação. No santuário celestial acontece o mesmo. Desde 22 de outubro de 1844 vivemos o dia da expiação. Nesse grande dia, enquanto Jesus realiza o juízo dos que O aceitaram Ele continua no ofício de intercessor dos ímpios que aceitarem o último apelo do Céu.
O tempo é solene não só para os santos vivos que estão sendo julgados, mas também para os ímpios que estão recebendo o último chamado. Dessa forma, quando terminar o juízo dos santos vivos, Cristo retornará para dar a cada um segundo as suas obras.
Em Apocalipse 14:6 a 10 João enfatiza a urgência da mensagem que deve ser dada ao mundo. Perceba que o anjo voa. Isso é urgente. Voar significa rapidez. Não há mais tempo a perder. A mensagem é dada em alta voz. Isso não pode ser ignorado por mais tempo. Precisa ser proclamado em toda a Terra e para todos os seres humanos. E, finalmente, veja que este evangelho é eterno. Não é nada novo; algo que foi inventado por alguém. Trata-se da história do maravilhoso amor de Deus pelos seres humanos.”
Faz bem recordar o relato que a irmã Ellen G. White faz da visita que fez no santuário celestial. “Vi um anjo voando rapidamente em direção a mim. Em pouquíssimo tempo, me levou da Terra à santa cidade. Ali vi um templo, em que entrei. Passei por uma porta antes de chegar ao primeiro véu. Levantou-se esse e passei para o lugar santo. Ali vi o altar de incenso, o castiçal com sete lâmpadas, a mesa sobre que estavam os pães da proposição. Depois de ver a glória do lugar santo, Jesus levantou o segundo véu, e passei para o santo dos santos.
No lugar santíssimo vi uma arca, cujo cimo e lados eram de ouro puríssimo. Em cada uma de suas extremidades estava um lindo querubim, com as asas estendidas sobre ela. Tinham o rosto voltado um para o outro, e olhavam para baixo. Entre os anjos havia um incensário de ouro. Por cima da arca, onde os anjos estavam, havia uma glória extraordinariamente fulgurante, com a aparência de um trono em que Deus habitava. Jesus ficou ao lado da arca e, ao ascenderem para Ele as orações dos santos, o incenso ardia e, com o incenso, Ele oferecia as orações a Seu Pai” (Vida e Ensinos, p. 91).
Domingo
Daniel descreve a sucessão dos reinos de maneira clara. Três capítulos especificamente falam do surgimento e queda das nações. Enquanto a ponta pequena cresce e comete atrocidades contra Deus e o Seu povo, o Senhor está no Céu procedendo ao julgamento final e preparando a recompensa dos fieis.
Quando Jesus Se despir das vestes sacerdotais e Se vestir das vestes de Juiz terá terminado todo o julgamento. Isso ocorrerá no fechamento da porta da graça. O Deus que por tantos milênios ofereceu perdão a todos os pecadores agora Se prepara para aplicar a Sua justiça. A ação do juízo parece incompatível com o caráter de um Deus que é amor. Isaias fala dessa situação como o “estranho ato de Deus” (Isaias 28:21).
O julgamento está na sua faze final. Quando Jesus voltar, a situação de cada pessoa que pisou esse planeta já foi resolvida nas cortes celestiais. Agora está sendo definido quem morará no santo monte de Deus. Ele virá e “dará a cada um segundo as suas obras”. Lembrando que as obras que serão levadas em conta são as obras de aceitação do sacrifício de Cristo seguidas de arrependimento.
Nesse momento em que a justiça humana é falha e a verdade tropeça pelas ruas como afirma Isaías “Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a equidade não pode entrar” (Isaías 59:14), o Senhor Deus está procedendo ao juízo isento de qualquer dolo. “... porque vem a julgar a terra; com justiça julgará o mundo, e o povo com equidade” (Salmos 98:9).
Segunda
Ao comerem do fruto proibido, o casal edênico se conscientizou de que haviam assinado a sua pena de morte e rapidamente procuraram se esconder. O resultado seria a morte imediata dos transgressores.
Mas Deus, que antes de ser justo é amoroso e longânime, procurou o casal para uma conversa. A morte fulminante aconteceu naquele momento, mas não foi o casal que morreu. No momento crucial um cordeiro foi morto no lugar deles.
No monte Moriá um cordeiro salvou a vida de Isaque. E no Egito os cordeiros salvaram a vida dos primogênitos.
É curioso que Deus não age de maneira unilateral. No julgamento ele ouve os acusados não para Se inteirar do que aconteceu porque Ele é onisciente. O diálogo visa mostrar o Seu amor e propor um meio de escape.
No momento em que os filhos de Deus são escarnecidos o Ancião de Dias Se levanta para fazer justiça. Daniel afirma que embora a justiça pareça estar longe, chegará o “tempo em que os santos possuirão o reino”.
Caso não houvesse o juízo, toda a nossa vida cristã teria sido em vão, o mal se sobreporia ao bem e uma grande dúvida mancharia o caráter de Deus.
Terça
Deus não é precipitado para justiçar o pecador. Assaf imaginou que a justiça nunca alcançaria os ímpios. Para ele as coisas estavam demorando demais e a aparência era de que a justiça nunca seria feita. Ao conhecer melhor o santuário ele entendeu que a aparente demora de Deus nada mais é do que oportunidades oferecidas para que o “ímpio deixe o seu caminho”.
Enquanto o “o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro” devora e faz “em pedaços, e pisa aos pés o que sobeja” (Daniel 7:7), Deus está conduzindo o julgamento. Quando Jesus voltar os reinos deste mundo deixará de existir e Ele estabelecerá o Seu domínio universal. Por mais opulento e arrogante que for qualquer poder político, religioso ou econômico, todos se humilharão diante do Senhor de toda a terra.
No calendário divino está marcado um dia específico para o acerto de contas. Quando isso acontecer todos os mundos criados concluirá que “verdadeiros e justos são os Teus juízos” (Apocalipse 16:7).
Para os cansados e perseguidos chegará, ou chegou o tempo do Senhor fazer justiça. Assaf queria a atuação imediata de Deus contra os inimigos do bem. Mas ele entendeu que Deus não estava inoperante e que em breve chegaria a hora de cada um responder pelos seus atos.
O povo de Deus não será esquecido pelo Altíssimo. “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a Ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?”
(Lucas 18:7).
(Lucas 18:7).
Quarta
Deus sabe quem Lhe é fiel e quem é rebelde ao Seu querer independente dos registros no Céu. Aparentemente não há razão para um julgamento que se arrasta por milênios. O Seu interesse em registrar o proceder dos homens e realizar o juízo conforme o que foi encontrado a respeito de cada um é para que o Universo veja que houve justiça.
No final do juízo quando os santos forem coroados e os ímpios receberem a sua recompensa não ficará nenhuma duvida nos mundos não caídos sobre a justiça e o caráter de Deus.
Fico imaginando o momento em que Jesus retirar as vestes sacerdotais. O julgamento chegou ao final. A terra está em convulsão e multidões se dão conta de que foram enganadas por falsos mestres e falsos cristos. O desespero é generalizado. Não há mais o que fazer.
Diz a irmã Ellen G. White: “Todos se unem em acumular suas mais amargas condenações contra os ministros. Pastores infiéis profetizaram coisas agradáveis, levaram os ouvintes a anular a lei de Deus e a perseguir os que a queriam santificar. Agora, em seu desespero, esses ensinadores confessam perante o mundo sua obra de engano. As multidões estão cheias de furor. "Estamos perdidos!” exclamam; "e vós sois a causa de nossa ruína"; e voltam-se contra os falsos pastores. Aqueles mesmos que mais os admiravam, pronunciarão as mais terríveis maldições sobre eles. As mesmas mãos que os coroavam de lauréis, levantar-se-ão para destruí-los” (O Grande Conflito, páginas 655 e 656).
Um pequeno grupo está feliz. Aceitou o sacrifício de Cristo e ao ver o Rei em glória e majestade clama jubiloso: “Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e Ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na Sua salvação gozaremos e nos alegraremos” (Isaías 25:9). Nesse momento Jesus vê que o Seu sacrifício não foi em vão. “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito” (Isaías 53:11).
Quinta
Algumas pessoas demonstram medo quando o assunto é juízo, fim do mundo ou acerto final. Esse é um quadro real na vida dos ímpios. Diz o texto bíblico: “Mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários” (Hebreus 10:27).
Para os que aceitam o sacrifício de Jesus não há o que temer, pelo contrário, temos a certeza de um mundo melhor. “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” (2 Pedro 3:13).
Esse é o quadro que está sendo pintado no santuário celestial. Cabe a cada um de nós escolhermos hoje em grupo estaremos quando as trombetas soarem.
Os que aceitam o sacrifício de Jesus devem estar dispostos a abrir mão das coisas mundanas e a manter um relacionamento diário com Cristo. Eles passam por provações e perseguições, mas Paulo afirma que eles buscam uma pátria que está além do rio. “Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria” (Hebreus 11:14).
Conclusão
Atentemos para alguns aspectos do juízo. Todas as pessoas serão julgadas. Paulo afirma: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (2 Coríntios 5:10).
Esse “todos” incluem realmente todas as pessoas independente de cultura, cor e classe social.
Outro aspecto do juízo é que ele é presidido por Alguém que não erra. “Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne, nem digas diante do anjo que foi erro; por que razão se iraria Deus contra a tua voz, e destruiria a obra das tuas mãos?”(Eclesiastes 5:6). E mais: “Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gênesis 18:25).
Às vezes vem o pensamento de que só o caminho para o Céu passa pelo santuário. Não esqueçamos de que o caminho para o inferno também passa por ele.
Meditação
“Poderá o pecador resistir a esse amor; poderá recusar-se a ser atraído para Cristo. Se, porém, não se opuser, será levado para Ele. O conhecimento do plano da salvação levá-lo-á ao pé da cruz, arrependido de seus pecados, que causaram os sofrimentos do amado Filho de Deus” (Caminho a Cristo, p. 27).
Nenhum comentário:
Postar um comentário