Comentário da Lição da Escola Sabatina
de 2 a 9 de novembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor
do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação para
qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo
Dia-Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Não confundir expiação com o dia da expiação. Tudo no santuário tinha
como objetivo expiar a culpa do transgressor fosse ele povo ou sacerdote. A
expiação diária tinha a ver com as pessoas e o dia da expiação tinha a ver com
o santuário.
Todo
ser humano tinha o seu ou os seus dias de expiação. Cada pecado cometido tinha
de ser confessado sobre a cabeça de um animal inocente e este era degolado. O
sacerdote levava o sangue para dentro do santuário e o colocava nas pontas do
altar do incenso.
A expiação era o ato
de passar os pecados do transgressor para o santuário e o dia da expiação era o
dia especial do ano no qual era oferecido um bode para purificação do santuário
e outro, o emissário, que era conduzido vivo ao deserto. Ele representava
Satanás. É ele que levou as pessoas a pecarem e, depois de perdoadas, os seus
pecados foram transferidos para o santuário. Ele é o responsável pelos pecados
daqueles que foram justificados e cujos pecados contaminaram o santuário.
Os pecados acumulados no santuário durante o
ano eram eliminados no dia da expiação. Este assunto estudará na próxima lição.
No resumo da lição
temos os sete passos que identificam a expiação da culpa. Relembrando: 1 – O
pecador arrependido leva ao santuário a sua oferta pelo pecado;
2 – Ele impõe as mãos sobre o animal
inocente; 3 – O animal é sacrificado; 4 - A carne do animal era comida pelo
sacerdote; 5 – O sangue do animal sacrificado no altar do holocausto que ficava
no pátio era transportado pelo sacerdote para dentro do santuário e aspergido
nas pontas do altar do incenso; 6 - O pecador era purificado; 7 – Ao receber o
sangue do sacrifício o santuário ficava contaminado. Estes sete pontos foram
estudados na lição anterior.
Esse
procedimento diário de repasse dos pecados para o santuário exigia um dia no ano
para a sua purificação. Esse era o dia da expiação.
Domingo
Quatro
coisas curiosas aconteciam no dia da expiação. Primeiro, nesse dia não cessava
o sacrifício continuo. O sacrifício continuo e o ritual da expiação aconteciam
simultaneamente. Mesmo no dia da expiação o povo carecia da intercessão
sacerdotal. Em Números 29:11 afirma que o holocausto era “contínuo”.
Segundo, nesse dia
dois animais eram oferecidos e tinham destinação distinta. O sumo sacerdote
oferecia um novilho pelos seus pecados e um bode, no qual não haveria imposição
de mãos, era sacrificado para limpeza do santuário, pois durante todo o ano os
pecados de todo o Israel foram acumulados ali.
Terceiro,
Depois de todo o ritual de sacrifício do bode pelo Senhor era trazido o bode
emissário. A imposição de mãos sobre ele significava que ele estava assumindo
os pecados de Israel não como redentor, mas sim como o causador. O bode emissário
não tem nada a ver com remissão. Ele não é sacrificado e sabemos que sem sangue
não há remissão de pecados. Ele é encaminhado ao deserto numa clara alusão a
Satanás responsável pelo pecado no mundo.
Quarto,
Deus deixou bem claro que o bode emissário levava os pecados do santuário para
bem longe dali. Dessa forma o santuário era considerado novinho em folha e
seria como se nunca pecado algum tivesse sido transferido para ele. Satanás, o
causador do pecado, responderá pelos pecados dos justos, não como salvador e
sim, como causador.
Um
dia Deus eliminará os ramos do pecado (os pecadores) e a raiz do pecado (Satanás).
“Porque eis
que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que
cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará,
diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo” (Malaquias 4:1).
Segunda
No dia da expiação o sumo sacerdote oferecerá um novilho em seu favor e
a favor de sua família. O dia da expiação era repleto de atividades para o sumo
sacerdote. Ele oficiava em favor dos sacerdotes, de si próprio e a favor do
santuário. Toda a atenção de Israel estava voltada para ele naquele dia. Caso
algum pecado não foi confessado ou alguma falha no ritual foi cometida ao longo
do ano Deus Se manifestaria como um fogo consumidor e o sumo sacerdote seria
eliminado. A sua responsabilidade era imensa.
Naquele
dia o sumo sacerdote deveria purificar todo o santuário. Embora os pecados tenham
sido perdoados ao longo do ano eles permaneciam acumulados no santuário. A
purificação do santuário não envolvia perdão. Era exclusivamente uma ação, como
a própria palavra esclarece, de purificação. O bode (para o Senhor) que era
sacrificado no dia da expiação não recebia a imposição das mãos. Os pecados já
haviam sido perdoados e transferidos para o santuário. A sua morte não era em
benefício das pessoas, mas apenas do santuário.
Terça
O
autor da lição enfatiza o que a Bíblia deixa claro: “O ritual com o bode vivo
não era uma oferta.” Ele só entrava em sena depois de concluído todo o
cerimonial do dia da expiação.
O
bode para o Senhor não recebia a imposição das mãos. Ele participava da
cerimonia de purificação do santuário e não era uma oferta pelo pecado de
alguém. Já o bode emissário recebia a imposição das mãos não como oferta, mas
como o responsável pelo cometimento de todos os pecados depositados no
santuário. Ele tipifica Satanás, o causador de todos os pecados.
Em
todo o cerimonial da expiação é nítido o antagonismo existente nos seres que os
dois bodes representam. Jesus Se sacrificou por nós enquanto Satanás é o
originador do Seu sacrifício. No deserto o bode emissário morria de fome e sede
carregando os pecados de todos os israelitas. Ele não morria pelos pecados, mas
com todos os pecados.
Quarta
O dia da expiação sofreu algumas
alterações dentro da cultura judaica no decorrer do tempo. A ordem divina
passou por “uma espécie de regulamentação”. Diz um comentário atual: “É o
dia do perdão - quando Deus perdoa a todo Israel. Durante esse dia, nada pode
ser comido ou bebido, inclusive água. Não é permitido lavar a boca, escovar os
dentes ou banhar o corpo. Somente o rosto e as mãos podem ser lavados pela
manhã, antes das orações. Não se pode carregar nada, acender fogo, fumar, nem
usar eletricidade. O jejum não é permitido para crianças menores de nove anos,
pessoas gravemente enfermas, mulheres grávidas e aquelas que deram a luz há
menos de trinta dias. As relações conjugais são proibidas, bem como o uso de
perfumes e unguentos, exceto para fins médicos. Além disso, sapatos e outras
peças da indumentária feitas de couro não podem ser usados no Yom Kippur, pois
não se pode usar nenhum material para o qual seja necessário matar um animal.”
Vamos ver alguns pontos. Sabemos que no dia da expiação
todos os pecados de Israel cometidos durante o ano foram perdoados um a um no
altar do holocausto e passados para o santuário ao ser o sangue do sacrifício
colocado nas pontas do altar do incenso no lugar santo. O fato de afligir as
almas era o angustiar-se pela aceitação ou não de Deus ao ato de purificação do
santuário. Caso Deus não aceitasse a purificação, o santuário não teria condições
de receber o pecado de mais ninguém. Isso seria o fim do plano da redenção. Realmente
esse suspense gerava angustia. Na Bíblia não há especificações de quem deveria
ou não jejuar. Não temos também nenhum esclarecimento bíblico quanto o não uso
de artefatos de couro. Quanto à abstenção de relações sexuais e o uso de
perfumes é condizente com a seriedade que envolve esse dia.
Cada israelita tinha o seu ou os seus Yom Kippur. Cada
pecado cometido envolvia arrependimento, contrição e sacrifício. Depois que o
pecado era passado para o santuário ficava a expectativa se o santuário seria
purificado ou não. Essa é uma expressão que se adequa bem a expiação do
pecador, mas não do santuário em si.
Quinta
Um exemplo claro
de alguém que teve o seu "Yom
Kippur" é o de Isaías quando teve a visão do trono de Deus. Ele imaginou
que seria fulminado, mas o fogo que, a seu ver, o consumiria o purificou
fazendo dele um homem mais precioso que o ouro de Ofir. Veja que a iniquidade
dele foi perdoada. O santuário não necessitava de perdão e sim de purificação.
No caso do
pecador esse é o verdadeiro Yom Kippur. Ele envolve perdão.
É interessante
a colocação do autor da lição. Referindo a Isaías ele diz: A divina obra de
purificação nos leva do “ai de mim!” para o “eis-me aqui envia-me a mim.” Cada
pecador tinha o seu ou os seus Yom Kippur. Esse era o momento em que o pecador
reconhecia ser culpado.
O nosso ou os
nossos Yom kippur é um brilhante momento no qual vemos a graça revelada. O
autor da lição afirma: “gratidão motiva a missão. Pecadores absolvidos são os
melhores embaixadores de Deus” (Lição Professor, p 73). Sugerimos a leitura da
página 212 de nossa meditação Reavivar a Esperança.
Conclusão
“O dia da expiação antitípico
abrange o período culminante da história da salvação (o tempo do fim). Durante
esse período, Cristo, o Sumo Sacerdote do Universo, vai para o lugar mais
sagrado do Universo O lugar santíssimo do santuário celestial), para realizar a
mais sagrada obra de todos os tempos (a obra final de expiação)” (Lição do
professor, p.76).
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