domingo, 3 de novembro de 2013

O dia da expiação

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 2 a 9 de novembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia-Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Não confundir expiação com o dia da expiação. Tudo no santuário tinha como objetivo expiar a culpa do transgressor fosse ele povo ou sacerdote. A expiação diária tinha a ver com as pessoas e o dia da expiação tinha a ver com o santuário.
            Todo ser humano tinha o seu ou os seus dias de expiação. Cada pecado cometido tinha de ser confessado sobre a cabeça de um animal inocente e este era degolado. O sacerdote levava o sangue para dentro do santuário e o colocava nas pontas do altar do incenso.
A expiação era o ato de passar os pecados do transgressor para o santuário e o dia da expiação era o dia especial do ano no qual era oferecido um bode para purificação do santuário e outro, o emissário, que era conduzido vivo ao deserto. Ele representava Satanás. É ele que levou as pessoas a pecarem e, depois de perdoadas, os seus pecados foram transferidos para o santuário. Ele é o responsável pelos pecados daqueles que foram justificados e cujos pecados contaminaram o santuário.
 Os pecados acumulados no santuário durante o ano eram eliminados no dia da expiação. Este assunto estudará na próxima lição.
No resumo da lição temos os sete passos que identificam a expiação da culpa. Relembrando: 1 – O pecador arrependido leva ao santuário a sua oferta pelo pecado;
2 – Ele impõe as mãos sobre o animal inocente; 3 – O animal é sacrificado; 4 - A carne do animal era comida pelo sacerdote; 5 – O sangue do animal sacrificado no altar do holocausto que ficava no pátio era transportado pelo sacerdote para dentro do santuário e aspergido nas pontas do altar do incenso; 6 - O pecador era purificado; 7 – Ao receber o sangue do sacrifício o santuário ficava contaminado. Estes sete pontos foram estudados na lição anterior.
            Esse procedimento diário de repasse dos pecados para o santuário exigia um dia no ano para a sua purificação. Esse era o dia da expiação.

Domingo
            Quatro coisas curiosas aconteciam no dia da expiação. Primeiro, nesse dia não cessava o sacrifício continuo. O sacrifício continuo e o ritual da expiação aconteciam simultaneamente. Mesmo no dia da expiação o povo carecia da intercessão sacerdotal. Em Números 29:11 afirma que o holocausto era “contínuo”.
Segundo, nesse dia dois animais eram oferecidos e tinham destinação distinta. O sumo sacerdote oferecia um novilho pelos seus pecados e um bode, no qual não haveria imposição de mãos, era sacrificado para limpeza do santuário, pois durante todo o ano os pecados de todo o Israel foram acumulados ali.
            Terceiro, Depois de todo o ritual de sacrifício do bode pelo Senhor era trazido o bode emissário. A imposição de mãos sobre ele significava que ele estava assumindo os pecados de Israel não como redentor, mas sim como o causador. O bode emissário não tem nada a ver com remissão. Ele não é sacrificado e sabemos que sem sangue não há remissão de pecados. Ele é encaminhado ao deserto numa clara alusão a Satanás responsável pelo pecado no mundo.
            Quarto, Deus deixou bem claro que o bode emissário levava os pecados do santuário para bem longe dali. Dessa forma o santuário era considerado novinho em folha e seria como se nunca pecado algum tivesse sido transferido para ele. Satanás, o causador do pecado, responderá pelos pecados dos justos, não como salvador e sim, como causador.
            Um dia Deus eliminará os ramos do pecado (os pecadores) e a raiz do pecado (Satanás). Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo” (Malaquias 4:1).

Segunda
            No dia da expiação o sumo sacerdote oferecerá um novilho em seu favor e a favor de sua família. O dia da expiação era repleto de atividades para o sumo sacerdote. Ele oficiava em favor dos sacerdotes, de si próprio e a favor do santuário. Toda a atenção de Israel estava voltada para ele naquele dia. Caso algum pecado não foi confessado ou alguma falha no ritual foi cometida ao longo do ano Deus Se manifestaria como um fogo consumidor e o sumo sacerdote seria eliminado. A sua responsabilidade era imensa.
            Naquele dia o sumo sacerdote deveria purificar todo o santuário. Embora os pecados tenham sido perdoados ao longo do ano eles permaneciam acumulados no santuário. A purificação do santuário não envolvia perdão. Era exclusivamente uma ação, como a própria palavra esclarece, de purificação. O bode (para o Senhor) que era sacrificado no dia da expiação não recebia a imposição das mãos. Os pecados já haviam sido perdoados e transferidos para o santuário. A sua morte não era em benefício das pessoas, mas apenas do santuário.

Terça
            O autor da lição enfatiza o que a Bíblia deixa claro: “O ritual com o bode vivo não era uma oferta.” Ele só entrava em sena depois de concluído todo o cerimonial do dia da expiação.
            O bode para o Senhor não recebia a imposição das mãos. Ele participava da cerimonia de purificação do santuário e não era uma oferta pelo pecado de alguém. Já o bode emissário recebia a imposição das mãos não como oferta, mas como o responsável pelo cometimento de todos os pecados depositados no santuário. Ele tipifica Satanás, o causador de todos os pecados.
            Em todo o cerimonial da expiação é nítido o antagonismo existente nos seres que os dois bodes representam. Jesus Se sacrificou por nós enquanto Satanás é o originador do Seu sacrifício. No deserto o bode emissário morria de fome e sede carregando os pecados de todos os israelitas. Ele não morria pelos pecados, mas com todos os pecados.

Quarta
            O dia da expiação sofreu algumas alterações dentro da cultura judaica no decorrer do tempo. A ordem divina passou por “uma espécie de regulamentação”. Diz um comentário atual: “É o dia do perdão - quando Deus perdoa a todo Israel. Durante esse dia, nada pode ser comido ou bebido, inclusive água. Não é permitido lavar a boca, escovar os dentes ou banhar o corpo. Somente o rosto e as mãos podem ser lavados pela manhã, antes das orações. Não se pode carregar nada, acender fogo, fumar, nem usar eletricidade. O jejum não é permitido para crianças menores de nove anos, pessoas gravemente enfermas, mulheres grávidas e aquelas que deram a luz há menos de trinta dias. As relações conjugais são proibidas, bem como o uso de perfumes e unguentos, exceto para fins médicos. Além disso, sapatos e outras peças da indumentária feitas de couro não podem ser usados no Yom Kippur, pois não se pode usar nenhum material para o qual seja necessário matar um animal.”
            Vamos ver alguns pontos. Sabemos que no dia da expiação todos os pecados de Israel cometidos durante o ano foram perdoados um a um no altar do holocausto e passados para o santuário ao ser o sangue do sacrifício colocado nas pontas do altar do incenso no lugar santo. O fato de afligir as almas era o angustiar-se pela aceitação ou não de Deus ao ato de purificação do santuário. Caso Deus não aceitasse a purificação, o santuário não teria condições de receber o pecado de mais ninguém. Isso seria o fim do plano da redenção. Realmente esse suspense gerava angustia. Na Bíblia não há especificações de quem deveria ou não jejuar. Não temos também nenhum esclarecimento bíblico quanto o não uso de artefatos de couro. Quanto à abstenção de relações sexuais e o uso de perfumes é condizente com a seriedade que envolve esse dia.
            Cada israelita tinha o seu ou os seus Yom Kippur. Cada pecado cometido envolvia arrependimento, contrição e sacrifício. Depois que o pecado era passado para o santuário ficava a expectativa se o santuário seria purificado ou não. Essa é uma expressão que se adequa bem a expiação do pecador, mas não do santuário em si. 
           
Quinta
            Um exemplo claro de alguém que teve o seu "Yom Kippur" é o de Isaías quando teve a visão do trono de Deus. Ele imaginou que seria fulminado, mas o fogo que, a seu ver, o consumiria o purificou fazendo dele um homem mais precioso que o ouro de Ofir. Veja que a iniquidade dele foi perdoada. O santuário não necessitava de perdão e sim de purificação.
No caso do pecador esse é o verdadeiro Yom Kippur. Ele envolve perdão.
É interessante a colocação do autor da lição. Referindo a Isaías ele diz: A divina obra de purificação nos leva do “ai de mim!” para o “eis-me aqui envia-me a mim.” Cada pecador tinha o seu ou os seus Yom Kippur. Esse era o momento em que o pecador reconhecia ser culpado.
O nosso ou os nossos Yom kippur é um brilhante momento no qual vemos a graça revelada. O autor da lição afirma: “gratidão motiva a missão. Pecadores absolvidos são os melhores embaixadores de Deus” (Lição Professor, p 73). Sugerimos a leitura da página 212 de nossa meditação Reavivar a Esperança.

Conclusão

            “O dia da expiação antitípico abrange o período culminante da história da salvação (o tempo do fim). Durante esse período, Cristo, o Sumo Sacerdote do Universo, vai para o lugar mais sagrado do Universo O lugar santíssimo do santuário celestial), para realizar a mais sagrada obra de todos os tempos (a obra final de expiação)” (Lição do professor, p.76).

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