Comentário
da Lição da Escola Sabatina de trinta de novembro a sete de dezembro de 2013,
preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de
Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro
da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Na
lição de número seis estudamos o dia da expiação no santuário terrestre. Já
nesta semana estudaremos o Dia da Expiação escatológico, ou seja, veremos o Dia
da Expiação apresentado no cumprimento das profecias de Daniel e sua relação
com a restauração do santuário celestial. Essa restauração nada tem a ver com a
integridade do santuário no Céu e nem com a rotina desenvolvida ali pelo Grande
Sumo Sacerdote, mas sim, com o tratamento dado, aqui na Terra, pela ponta
pequena de Daniel 8:9 ao santuário celestial e a rotina de trabalho que o Grande
Sumo Sacerdote desenvolve ali.
A ponta pequena cometeu uma dupla
usurpação da autoridade divina. Primeiro usurpou a autoridade do Grande Sumo
Sacerdote para perdoar pecados e mediar entre Deus e o homem de tal modo que a
salvação do ser humano não passa por Cristo no santuário celestial, mas por
vigários dentro de confessionários pulverizados pela superfície da Terra. Não
contente só com isso ela alterou a Lei de Deus numa tentativa de macular o
caráter divino.
O
dia escatológico da Expiação é o período de tempo que se estende de 22 de
outubro de 1844 até a volta de Jesus. Nesse período três coisas acontecem.
Primeiro temos o julgamento pré-advento. Nesse período tudo o que está anotado
no Céu concernente aos filhos de Deus está sendo analisado por Aquele que não
erra.
Simultaneamente
a essa atividade, surgem as três mensagens angélicas de Apocalipse 14 restaurando
as verdades bíblicas adulteradas pelo poder da ponta pequena enquanto faz o
último apelo para que os pecadores saiam de Babilônia e aceitem a mediação de
Cristo no santuário celestial.
Com todos os esclarecimentos feitos
a Daniel pelo anjo do Senhor ele ainda teve dificuldade para entender a visão. “E eu,
Daniel, enfraqueci, e estive enfermo alguns dias; então levantei-me e tratei do
negócio do rei. E espantei-me acerca da visão, e não havia quem a entendesse”
(Daniel
8:27). Provavelmente a sua maior preocupação era
saber dos pormenores relacionados aos acontecimentos dos “dias muito distantes” (Daniel 8:26) que, naturalmente, são os nossos dias.
A
Bíblia não relata que Daniel tenha se angustiado e chorado ao saber que seria
jogado na cova dos leões. Mas diversas vezes ele experimentou angustia, chorou
e jejuou ao ver um resumo do que aconteceria nos “dias muito distantes” ou
“tempo do fim” que são os nossos dias.
Ele se angustiou, chorou, orou e jejuou preocupado comigo e com você.
Estamos demonstrando a mesma preocupação em compreender as suas profecias ou
nos portamos de maneira indiferente e descuidada?
Não
nos esqueçamos de que estamos vivendo os dias mais solenes da história da
humanidade. Vivermos de maneira leviana e irresponsável nesses dias é
precipitarmos de ponta cabeça na perdição.
Domingo
A
ponta pequena desfere vários atentados contra Deus. O principal é anular o
ministério sacerdotal de Cristo introduzindo uma suposta autoridade da Igreja
Católica de perdoar pecados e mediar entre Deus e os homens.
No bojo de seus ataques está a adulteração da
lei de Deus substituindo o sábado pelo domingo, a adoração de imagens e até a
compra da salvação via indulgencias. A irmã Ellen G. White afirma ser por causa
dessas tradições criadas pela igreja Católica que levou igreja verdadeira a se
apartar de Roma. Diz o texto: “Entre as principais causas que levaram a igreja
verdadeira a separar-se da de Roma, estava o ódio desta
ao sábado bíblico. Conforme fora predito pela profecia, o poder papal lançou a verdade por terra. A lei de Deus foi
lançada ao pó, enquanto se exaltavam as tradições e costumes dos homens. As
igrejas que estavam sob o governo do papado, foram logo compelidas a honrar o
domingo como dia santo” (O Grande Conflito, p. 65).
Aos poucos a ponta pequena que surgiu
representando Roma Pagã foi se robustecendo ganhou força e prestígio e faz da
igreja o primeiro poder. Reis e governantes passaram a lhe prestar obediência.
Roma Pagã passou a ser Roma papal. Diz Ellen G. White: “No século VI tornou-se o
papado firmemente estabelecido. Fixou-se a sede de seu poderio na cidade
imperial e declarou-se ser o bispo de Roma a cabeça de toda a igreja. O paganismo cedera
lugar ao papado. O dragão dera à besta "o seu poder, e o seu trono, e
grande poderio". Apocalipse 13:2. E começaram então os 1.260 anos da
opressão papal preditos nas profecias de Daniel e Apocalipse (Daniel 7:25; Apocalipse
13:5-7)” (O Grande Conflito, p. 54).
Segunda
Para os personagens que contemplavam o progresso
espantoso da ponta pequena tudo parecia incompreensível. Os outros impérios que
sucederam a ponta pequena, principalmente o persa e o grego, não foram tão
blasfemos como no caso da ponta pequena e todos eles amargaram um fim. E como
pode esse poder afrontar o Deus vivo, e, ao invés de ser punido só prosperar?
Dois pensamentos veem à tona. Primeiro, parece
que os personagens preocupados com os desmandos da ponta pequena eram seres
celestiais. Isso deixa claro que seres celestiais estavam preocupados com a
situação e não podiam entender como um poder tão arrogante e blasfemo que atinge
o trono do Altíssimo pudesse perdurar impune. Segundo, como pode um poder que
atinge a autoridade do Altíssimo, não receber nenhuma punição e ainda continuar
crescendo?
Em meio a tanta
dúvida no Céu e na cabeça do profeta surge a pergunta: “Até quando durará a visão relativamente ao holocausto
contínuo e à transgressão assoladora, e à entrega do santuário e do exército,
para serem pisados?” (Daniel 8:13). A resposta veio de imediato: “Ele me
respondeu: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; então o santuário será
purificado” (Daniel 8:14).
Terça
É
curioso observar que as respostas às dúvidas de Daniel e das pessoas envolvidas
com ele acontecem de maneira muito rápida no transcorrer do seu livro. Vejamos
alguns exemplos:
No
capítulo um temos Aspenaz, chefe dos eunucos do rei Nabucodonosor, temendo atender
ao pedido de Daniel para trocar a sua dieta especial por legumes e água. No fim
de três anos Daniel e os de mais cativos escolhidos pelo rei seriam submetidos
a um rigoroso exame e caso o rendimento de Daniel e seus companheiros fosse
abaixo dos demais o chefe dos eunucos fatalmente seria executado por haver
contrariado uma ordem real. Daniel se adiantou: “não é necessário esperar três
anos, experimente por dez dias”. Sabemos que os resultados foram suficientes
para aplacar os temores de Aspenaz. (Daniel 1:5 e 18 a 20).
No
capitulo cinco o rei Belsazar, filho de Nabucodonosor, organizou um grande
banquete usando os vasos sagrados retirados do templo do Senhor. Uma escrita, a
qual nenhum dos sábios de Babilônia soube interpretar, apareceu na parede.
Daniel foi chamado. A interpretação foi dada na hora. Babilônia foi invadida naquela
mesma noite, Belsazar foi executado e o reino caiu nas mãos de Dario da Pércia.
No
capitulo oito temos dois episódios. Quando um ser celestial perguntou ao outro
até quando a ponta pequena iria afrontar o Deus vivo a resposta veio
imediatamente. (Daniel 8: 13 e 14). No segundo episódio Daniel está angustiado
para entender o significado da visão e imediatamente Gabriel recebeu a ordem
para ajuda-lo a entender. (Daniel 8: 15 a 27).
No capitulo nove Daniel viu que o fim do
cativeiro do seu povo em Babilônia seria o marco inicial dos dois mil e
trezentos dias. Ele analisa e confessa os pecados do seu povo, causa do
cativeiro. Ele quer saber como o cativeiro terminara e como terá inicio os dois
mil e trezentos dias. Quando ele iniciava a sua oração o homem Gabriel veio
voando “rapidamente” para fazer-lhe entender a visão. (Daniel 9:21-27).
Mais
uma vez Daniel está confuso ao ter uma visão sobre a sucessão dos reinos do
mundo. No momento de angustia surge o homem vestido de linho e fala com ele: “Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o
primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te
perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas
palavras” (Daniel 10:12). Veja que as respostas de Deus sempre aconteciam de
maneira rápida e precisa.
No
último capitulo do seu livro Daniel relata a sua última visão. A volta de
Jesus, a ressurreição dos justos e o juízo final. Daniel quis saber como seria
os últimos dias. Mas o Senhor transferiu esse privilégio para nós que vivemos
no tempo do fim. “E ele disse: Vai, Daniel,
porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim” (Daniel 12:9).
Estamos estudando as profecias de Daniel
com o mesmo empenho para entendê-las assim como Daniel se comportou ao
recebê-las? Se o fizermos com oração e jejum o Senhor terá pressa em nos
atender.
Fora do estudo de hoje apenas uma
observação me vem à mente: É interessante que nos seis primeiros capítulos do
livro de Daniel ele está empenhado em interpretar e realizar os sonhos do rei.
Mas na última metade do seu livro o Rei do Universo lhe dá o privilégio de ele
realizar os seus próprios sonhos. E que sonhos! Esse é o resultado de
colocarmos os sonhos do rei em primeiro lugar.
Quarta
O
chifre pequeno desafia a Deus, o
santuário e o povo de Deus. Para
executar os seus intentos ele conta com o apoio do Dragão. A sua estratégia é
desviar a atenção da humanidade do ritual desenvolvido no santuário celestial.
Essa estratégia implica em manter aqui na Terra uma imitação do que é realizado
no Céu em favor do homem.
A ponta pequena estabelece um meio de salvação próprio
instituindo sacerdotes com a autonomia para “perdoar pecados” ou determinar
penitencias para que o perdão se concretize. Institui a adoração a “santos”
falecidos, que segundo o dogma da ponta pequena estão vivos no Céu e intercedem
pelos pecadores.
Roma pagã passa a ser Roma papal com a autoridade de interferir
diretamente no estado. A perseguição aos
que refutam os seus dogmas é instituída e milhões são martirizados. Os próprios
seres celestiais estão estarrecidos com as atrocidades que se cometem na Terra.
E fazem a solene pergunta: “Até quando?”
A resposta veio de imediato: “Ele me respondeu: Até duas mil e
trezentas tardes e manhãs; então o santuário será purificado” (Daniel 8:14).
Quinta
A chave
para descobrirmos o inicio dos dois mil e trezentos dias está em Daniel 9:25:
“Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar
Jerusalém até o ungido, o príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas
semanas; com praças e tranqueiras se reedificará, mas em tempos angustiosos.”
Esse período teve o seu início com a ordem para reconstruir Jerusalém.
Foram expedidos três decretos relativos à reconstrução de Jerusalém. Em
sequencia temos Ciro, Dario e Artaxerxes. O do rei Artaxerxes de 457 A.C. que dava
autonomia jurídica a Jerusalém é considerado como o marco para o inicio das
setenta semanas que faz parte do primeiro período
dos dois mil e trezentos dias anos. As setenta semanas terminaram com o
apedrejamento de Estevão no ano 34 d.C. Para 2300 anos faltam 1810 anos e
alcançam 1844 como fim da apostasia e desmandos da ponta pequena.
Verdades
como a observância do sábado, o ministério de Cristo no santuário celestial e a
mortalidade da alma foram restauradas. Em 1844 Jesus passou do santo para o
santíssimo onde Ele realiza o juízo investigativo e continua o Seu trabalho de
intercessão pelos pecadores. Os três anjos de Apocalipse 14 fazem o último
apelo aos pecadores. Proclamam a autoridade divina, convidam às nações para
adorar a Deus, conclamam o mundo para sair de Babilônia e anuncia que é chegado
o juízo de Deus.
Conclusão
A
resposta do ser celestial à pergunta
“até quando?” encontradas em Daniel 8:13 e 14 mais do que identificar o Dia da
expiação escatológico se tornou em uma das doutrinas identificatória da Igreja
Adventista do Sétimo Dia.
O
apedrejamento de Estevão no ano 34 dC. selou a rejeição de Cristo pelo povo
judeu e, desde então, eles deixaram de ser o povo especial de Deus. A salvação
passou a ser oferecida a todos os povos e chegou até nós. “Mas agora em Cristo Jesus,
vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto” (Efésios 2:13).
Não esqueçamos de que somos os três anjos de
Apocalipse 14 e esse será o estudo da próxima semana. É nossa responsabilidade
anunciar essas verdades de maneira rápida e em bom som.
Acompanhe o comentário da Lição da Escola
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