domingo, 15 de junho de 2014

A igreja de Cristo e a lei

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de quatorze a vinte e um de junho de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia - Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

              Desde a entrada do pecado no Éden Deus sempre teve na Terra algum representante que mostrasse ao mundo o plano da redenção. Em algum momento alguns desses representantes, por convencimento ou relaxo não responderam bem à convocação para a qual foram escolhidos. Mesmo, em alguns momentos, transformando pedras em mensageiros, a mensagem ao longo dos milênios percorreu o mundo anunciando o amor que redime e salva. Felizmente ela nos alcançou.

            A tônica da pregação desses representantes sempre foi de que a lei de Deus é tão eterna quanto o é o Seu autor e que, para o transgressor dessa lei uma vez arrependido, os céus providenciou o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

            Essa salvação oferecida de graça muitas vezes é confundida com o extermínio da validade da lei de Deus. Mas é a limitação do homem para atender a todos os reclamos da lei que o leva a recorrer a esse dom gratuito de Deus, a salvação em Cristo Jesus. Desde Adão até os nossos dias o estandarte da verdade tem passado de mão em mão anunciando ao mundo que Deus tem normas inabaláveis que orientam o nosso relacionamento com Ele e com os homens. “Deste um estandarte aos que te temem, para o arvorarem no alto, por causa da verdade” (Selá)” (Salmos 60:4).

            Um ponto interessante é que independente de épocas, séculos, gerações e circunstancias a mensagem é a mesma: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem” (Eclesiastes 12:13). Para muitos essa mensagem era pertinente apenas para aqueles que viveram antes da cruz. Porém, a Bíblia afirma com segurança: “Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” (Malaquias 3:6). É a perpetuidade do caráter de Deus que nos garante vida e salvação. Imagine se Deus fosse como nós que muda de humor de acordo com a variação do vento! Com certeza não mais existiríamos.

            Para a nossa segurança Deus tem padrões rígidos e inabaláveis que não só norteiam a nossa conduta como estabelece também um plano de salvação para todo aquele que infringindo esses padrões se volta arrependido e confiante na graça de Cristo.

            No estudo dessa semana veremos como essas mensagens foram proclamadas ao longo dos milênios iniciando com Adão, Noé, Abraão e Moisés chegando até Jesus e também a todos nós depois da cruz. Em todas as eras as verdades de salvação sempre foram as mesmas que norteiam a Igreja nesses últimos dias. “As verdades do evangelho não são desconexas; unindo-se, elas formam uma fieira de joias celestiais, como na obra pessoal de Cristo, e, como fios de ouro, elas atravessam toda a obra e experiência cristã” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, pág. 198). 

 

Domingo 

            O livre arbítrio é uma condição “Sine qua non estendida a todas as criaturas racionais criadas por Deus. Os anjos tiveram a liberdade de escolha assim como Adão e Eva e toda a raça humana.  Adão e Eva foram criados perfeitos e tiveram a liberdade de escolher servir a Deus ou não. Conhecemos na carne os resultados de sua escolha.

Parece que a tendência do homem é escolher mal. Temos o caso de Caim, Ló e os antediluvianos, pessoas que, ao dar ouvidos à voz de Satanás, usaram mal o livre arbítrio. Jacó, mesmo escolhendo mal, foi salvo da destruição única e exclusivamente pela misericórdia divina. 

Adão foi criado livre e por insinuação de Satanás chegou a imaginar que Deus estava exigindo muito ao lhe apresentar o teste de Sua lei. Resolveu transgredi-la e surgiu o pecado. De Adão até Noé o homem foi acentuando mais e mais o seu afastamento de Deus até que não teve mais remédio.

            É impressionante como Satanás conseguiu introduzir a dúvida quando a perfeição da lei de Deus. Satanás conseguiu fraudar a verdade e apresentar ao mundo que assim como Deus era imperfeito a Sua lei, que é uma réplica do Seu caráter, também o era. Como pecado é a transgressão da lei, o pecado surgiu no mundo. Desde então a degradação foi se acentuando mais e mais.

 As escolhas erradas se estenderam por toda a humanidade nos dias de Noé. “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gênesis 6:5). Podemos imaginar como foi difícil para Deus ver criaturas humanas, criadas a Sua imagem e semelhança, tão deterioradas e tão distantes dos padrões de santidade experimentados no Éden!

A lei de Deus foi aviltada e os homens se entregaram a uma banalidade tal que o melhor ato de misericórdia seria a sua destruição, caso um arrependimento profundo não mudasse a sua direção. Foi então que Deus chamou dentre eles o que melhor existia para anunciar ao mundo de então o preço da transgressão da lei de Deus. Um desafio foi proposto: refugiarem na arca de salvação ou se submergir nas águas do dilúvio. E mais uma vez o homem escolheu mal “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gênesis 12:1).

Sobre esse período de tempo diz Ellen G White: “As vantagens dos homens daquela época [antes do dilúvio] para adquirirem conhecimento de Deus mediante Suas obras, nunca foram desde então igualadas. E, assim, longe de ser uma era de trevas religiosas, foi ela de grande luz. Todo o mundo teve oportunidade de receber instrução de Adão, e os que temiam ao Senhor tinham também a Cristo e os anjos como seus instrutores” (Patriarcas e Profetas, pág. 83). Porém pouca influência exerceu nos descendentes de Caim.

 

Segunda

            Ao ver a violência, a sensualidade e o egoísmo reinante no mundo hoje chego a imaginar que estamos vivendo o pior momento da humanidade. Porém, à luz de Genesis seis, compreendemos que os tempos nos dias de Noé se destacam como o pior período vivido pela raça humana. Parece difícil acreditar, mas é a Bíblia que está dizendo. Com tudo de mal que existe hoje, Deus ainda está se segurando para fazer justiça.

Nos dias de Noé a iniquidade humana chegou a tal ponto que o retorno aos princípios divinos se tornou impossível. O relato bíblico descreve a que ponto de degradação chegou a raça humana: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gênesis 6:5).

Posso imaginar como foi difícil para Noé viver rodeado de tanta alienação da lei de Deus e com tanta promiscuidade ao seu redor. A Bíblia afirma que “Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus” (Gênesis 6:9). Em meio a uma humanidade corrupta, Deus não Se esqueceu do Seu servo fiel. Do Céu o Senhor estava acompanhando os passos desse homem e achou por bem não só salvá-lo como convidá-lo para uma grande empreitada. O Senhor, como sempre faz, decidiu não destruir o homem sem lhe oferecer uma oportunidade de escape. Noé recebeu duas incumbências; ele deveria não só advertir o mundo mostrando o aviltamento da lei de Deus, mas ao mesmo tempo, construir uma arca para que todos que se arrependessem pudessem se abrigar quando a tempestade irrompesse. Por meio desse homem de Deus a mensagem de salvação começou a percorrer o mundo habitado daquela época: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (Atos 17:30).

Sabemos o resultado. Noé foi o evangelista de pior desempenho que pisou a face da Terra. Após cento e vinte anos de pregação apenas a sua família ouviu o apelo de misericórdia.

Nos dias de Abraão o repúdio a lei de Deus chegou a tal ponto que, para preservar a vida desse patriarca, Deus pediu que ele deixasse a sua terra natal e partisse para uma região distante. Era um desafio e tanto. Diz a Bíblia: “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” (Hebreus 11:8).

 

Terça

            Gênesis doze apresenta um texto, que aparentemente, mostra um ponto obscuro à nossa compreensão. Por causa da fome Abraão desceu ao Egito. Temendo por sua vida o patriarca havia combinado com a esposa que, no Egito, eles se identificariam como irmãos. Sabemos que eram meio irmãos, mas eram marido e mulher. Antes de recolher Sara ao palácio, Faraó procurou saber se ela era ou não esposa de Abraão. Sabendo que era a sua irmã Sara foi conduzida ao palácio.  

            Por esse ato, Faraó que usou de sinceridade, foi atingido por terríveis pragas e Abraão que usou de falsidade foi inocentado. Por outro lado, parece que Abraão não amava Sara conforme a orientação divina e agiu de maneira mentirosa e covarde.

            Deixando de lado as nossas conjecturas e, permitindo que Deus julgue o que para nós é difícil de entender, notamos nesse episódio que Faraó tinha plena compreensão da lei de Deus sabendo o que era certo e o que era errado e agiu conforme esse conhecimento.

            Logo depois Deus promete um filho ao casal sendo Sara estéril e Abraão ter idade avançada. Além de ter um filho a promessa incluía a garantia de que dele procederia uma grande nação. Pelas condições do casal não tinha como crer nessa promessa divina. E esse ato de fé por parte de Abrão foi-lhe imputado como justiça.  “E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça” (Gênesis 15:6).

            “Tal pai tal filho” diz o adágio popular. Izaque também usou da mesma mentira de Abraão e pelo mesmo motivo. “E perguntando-lhe os homens daquele lugar acerca de sua mulher, disse: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para que porventura (dizia ele) não me matem os homens daquele lugar por amor de Rebeca; porque era formosa à vista” (Gênesis 26:7). Uma das grandes virtudes de Deus é que Ele está sempre disposto a perdoar e esquecer. “...porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jeremias 31:34).

Jamais Deus deixou de abençoá-lo. Em meio à perseguição promovida pelos homens de Abimeleque, Isaque prosperava a olhos vistos.  Os servos de Abimeleque reconheceram que Deus o abençoava e decidiram selar a paz entre eles. Diz o texto: “E eles disseram: Havemos visto, na verdade, que o Senhor é contigo, por isso dissemos: Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos aliança contigo” (Gênesis 26:28). Provavelmente, por influencia de Izaque, muitos filisteus tiveram conhecimento da lei de Deus.

Conforme a promessa divina os descendentes de Abraão se tornaram em um grande povo e posteriormente em uma grande nação. Eles deveriam mostrar para o mundo as maravilhas da lei de Deus. Os setenta descendentes de Abraão desceram ao Egito e lá permaneceram por quatrocentos anos. Durante esse período duas coisas aconteceram. Mesmo sob dura escravidão povo cresceu e se tornou numeroso “Mas quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam, e tanto mais cresciam; de maneira que se enfadavam por causa dos filhos de Israel” (Êxodo 1:12). Um grande problema surgiu. A convivência com os egípcios fez com que os israelitas se esquecessem da lei de Deus. Com tal situação foi necessário que Deus fizesse claro os Seus mandamentos e Ele o fez de maneira gloriosa e depois de escrevê-los em tábuas de pedra os entregou a Moisés para que o povo os fizesse conhecidos no mundo.

 

Quarta

            Moisés recebeu as tábuas dos dez mandamentos. A lei que até então era conhecida mais pelo convívio domestico nas orientações verbais que os pais passavam aos filhos tinha agora um referencial escrito, claro e inconfundível. O propósito de Deus era que Israel tornasse a Sua lei conhecida no mundo e que, ao conhecê-la, cada pessoa fosse direcionada para o plano de salvação elaborado desde a fundação do mundo.

            Sabemos os resultados. Israel se afastou de Deus e seguiu os caminhos das nações ao seu redor. Como resultado houve divisões; surgiu o reino do Sul e o reino do Norte, esse último foi logo dominado pela Assíria, enquanto o reino de Judá permaneceu mesmo enfrentando dificuldades como exílio e perseguições. Essa foi a estratégia de Deus para trazê-los de volta aos Seus caminhos.

            A trancos e barrancos o reino de Judá permaneceu até que, de suas entranhas, surgisse o Salvador do mundo, cumprindo assim a promessa de Deus a Abraão. “Saberás, pois, que o Senhor teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos” (Deuteronômio 7:9). Israel e o povo de Judá falharam na incumbência de ser uma testemunha viva ao mundo de seu tempo. A corrupção tomou um volume tal que Jesus, ao nascer, não foi conhecido e nem aceito pelo Seu povo. Diz a Bíblia: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (João 1:11).

            A promessa divina foi cumprida. “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” (Gálatas 3:8).  

            Jesus foi um fiel cumpridor da lei. Por Ele curar nos sábados os judeus imaginava que Ele fosse contrário a lei chegando mesmo a imaginar que, com a Sua morte, a lei tenha sido anulada. Para prevenir essas distorções Jesus foi enfático: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir” (Mateus 5:17) e “E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei” (Lucas 16:17).

 

Quinta

            A vitória de Jesus sobre o pecado desmascarou Satanás. O Salvador provou que a observância da lei não era uma injunção absurda, muito pelo contrário, seria uma bênção para a humanidade.

            Não foi fácil para os apóstolos manter a chama da verdade tremulando. Vendavais de perseguição irromperam contra a igreja e os filhos de Deus foram perseguidos, açoitados, presos e martirizados. João previu um tempo difícil para aqueles que decidissem observar os mandamentos de Deus. “E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17).

            A promessa de Deus era, e é, de que teríamos tribulações. Mas a promessa divina é que a Igreja sobreviverá até que seja recebida em glória nos céus. “Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:22).

            Deus tem um povo que, semelhante a um anjo voando pelo meio do Céu, esta proclamando a vinda do juízo. O juízo vindouro terá por parâmetro a lei de Deus. Temer a Deus é exaltar a Sua lei e proclamar o plano da redenção é a nossa missão.

 

Conclusão

Desde que o pecado entrou no mundo, Deus tem filhos especiais que exaltam a lei de Deus diante de um mundo dominado por Satanás. Pela graça de Deus fazemos parte desse exército que anuncia o evangelho eterno ao mundo.

Caso sejamos acossados pelo desânimo lembremo-nos da mensagem do Senhor: “Testifico aos meus irmãos e irmãs que a Igreja de Cristo, por débil e defeituosa que seja, é o único objeto sobre a Terra a que Ele confere Sua suprema atenção. Enquanto a todos dirige o convite para irem a Ele e serem salvos, comissiona Seus anjos, para prestar divino auxílio a toda alma que a Ele se achega com arrependimento e contrição; e, pessoalmente, por meio de Seu Espírito Santo, está no meio de Sua Igreja.” (A Igreja Remanescente, p. 11).

“Deus está conduzindo um povo e preparando-o para a trasladação. Estamos nós, que desempenhamos uma parte nesta obra, portando-nos como sentinelas de Deus? Estamos tentando atuar unidos? Estamos dispostos a tornar-nos servos de todos? Estamos seguindo nosso grande Exemplo?”  (Conselhos Professores, Pais e Estudantes, p. 92).

 

Meditação

“O que ensina a Palavra precisa, ele próprio, viver em consciente e contínua comunhão com Deus pela oração e estudo de Sua Palavra; pois nela está a fonte da fortaleza” (Atos dos Apóstolos p. 362.

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