Comentário da Lição
da Escola Sabatina de quatorze a vinte e um de junho de dois mil e quatorze,
preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de
Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro
da Igreja Adventista do Sétimo Dia - Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Desde a entrada do pecado no Éden Deus sempre teve na Terra algum
representante que mostrasse ao mundo o plano da redenção. Em algum momento
alguns desses representantes, por convencimento ou relaxo não responderam bem à
convocação para a qual foram escolhidos. Mesmo, em alguns momentos,
transformando pedras em mensageiros, a mensagem ao longo dos milênios percorreu
o mundo anunciando o amor que redime e salva. Felizmente ela nos alcançou.
A tônica da pregação desses
representantes sempre foi de que a lei de Deus é tão eterna quanto o é o Seu
autor e que, para o transgressor dessa lei uma vez arrependido, os céus providenciou
o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Essa salvação oferecida de graça
muitas vezes é confundida com o extermínio da validade da lei de Deus. Mas é a
limitação do homem para atender a todos os reclamos da lei que o leva a
recorrer a esse dom gratuito de Deus, a salvação em Cristo Jesus. Desde Adão
até os nossos dias o estandarte da verdade tem passado de mão em mão anunciando
ao mundo que Deus tem normas inabaláveis que orientam o nosso relacionamento
com Ele e com os homens. “Deste
um estandarte aos que te temem, para o arvorarem no alto, por causa da verdade”
(Selá)” (Salmos
60:4).
Um ponto
interessante é que independente de épocas, séculos, gerações e circunstancias a
mensagem é a mesma: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e
guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem” (Eclesiastes
12:13). Para muitos essa mensagem era pertinente apenas para
aqueles que viveram antes da cruz. Porém, a Bíblia afirma com segurança:
“Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois
consumidos” (Malaquias 3:6). É a
perpetuidade do caráter de Deus que nos garante vida e salvação. Imagine se
Deus fosse como nós que muda de humor de acordo com a variação do vento! Com
certeza não mais existiríamos.
Para a
nossa segurança Deus tem padrões rígidos e inabaláveis que não só norteiam a nossa
conduta como estabelece também um plano de salvação para todo aquele que
infringindo esses padrões se volta arrependido e confiante na graça de Cristo.
No
estudo dessa semana veremos como essas mensagens foram proclamadas ao longo dos
milênios iniciando com Adão, Noé, Abraão e Moisés chegando até Jesus e também a
todos nós depois da cruz. Em todas as eras as verdades de salvação sempre foram
as mesmas que norteiam a Igreja nesses últimos dias. “As verdades do evangelho
não são desconexas; unindo-se, elas formam uma fieira de joias celestiais, como
na obra pessoal de Cristo, e, como fios de ouro, elas atravessam toda a obra e experiência cristã” (Mensagens
Escolhidas, vol. 3, pág. 198).
Domingo
O
livre arbítrio é uma condição “Sine qua non” estendida a todas as criaturas
racionais criadas por Deus. Os anjos tiveram a liberdade de escolha assim como
Adão e Eva e toda a raça humana. Adão e Eva foram criados perfeitos e
tiveram a liberdade de escolher servir a Deus ou não. Conhecemos na carne os
resultados de sua escolha.
Parece que a tendência do homem é escolher
mal. Temos o caso de Caim, Ló e os antediluvianos, pessoas que, ao dar ouvidos
à voz de Satanás, usaram mal o livre arbítrio. Jacó, mesmo escolhendo mal, foi
salvo da destruição única e exclusivamente pela misericórdia divina.
Adão foi criado livre e por
insinuação de Satanás chegou a imaginar que Deus estava exigindo muito ao lhe
apresentar o teste de Sua lei. Resolveu transgredi-la e surgiu o pecado. De
Adão até Noé o homem foi acentuando mais e mais o seu afastamento de Deus até
que não teve mais remédio.
É
impressionante como Satanás conseguiu introduzir a dúvida quando a perfeição da
lei de Deus. Satanás conseguiu fraudar a verdade e apresentar ao mundo que
assim como Deus era imperfeito a Sua lei, que é uma réplica do Seu caráter,
também o era. Como pecado é a transgressão da lei, o pecado surgiu no mundo.
Desde então a degradação foi se acentuando mais e mais.
As
escolhas erradas se estenderam por toda a humanidade nos dias de Noé. “E viu o
Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a
imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gênesis 6:5).
Podemos imaginar como foi difícil para Deus ver criaturas humanas, criadas a
Sua imagem e semelhança, tão deterioradas e tão distantes dos padrões de
santidade experimentados no Éden!
A lei de Deus foi aviltada e os homens se
entregaram a uma banalidade tal que o melhor ato de misericórdia seria a sua
destruição, caso um arrependimento profundo não mudasse a sua direção. Foi
então que Deus chamou dentre eles o que melhor existia para anunciar ao mundo
de então o preço da transgressão da lei de Deus. Um desafio foi proposto:
refugiarem na arca de salvação ou se submergir nas águas do dilúvio. E mais uma
vez o homem escolheu mal “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da
tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gênesis 12:1).
Sobre esse período de tempo diz Ellen G
White: “As
vantagens dos homens daquela época [antes do dilúvio] para adquirirem conhecimento
de Deus mediante Suas obras, nunca foram desde então igualadas. E, assim, longe
de ser uma era de trevas religiosas, foi ela de grande luz. Todo o mundo teve
oportunidade de receber instrução de Adão, e os que temiam ao Senhor tinham
também a Cristo e os anjos como seus instrutores” (Patriarcas e Profetas, pág.
83). Porém pouca influência exerceu nos descendentes de Caim.
Segunda
Ao ver a violência, a sensualidade e o egoísmo
reinante no mundo hoje chego a imaginar que estamos vivendo o pior momento da
humanidade. Porém, à luz de Genesis seis, compreendemos que os tempos nos dias
de Noé se destacam como o pior período vivido pela raça humana. Parece difícil
acreditar, mas é a Bíblia que está dizendo. Com tudo de mal que existe hoje,
Deus ainda está se segurando para fazer justiça.
Nos dias de Noé a iniquidade
humana chegou a tal ponto que o retorno aos princípios divinos se tornou
impossível. O relato bíblico descreve a que ponto de degradação chegou a raça
humana: “E viu o Senhor que a maldade do homem se
multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu
coração era só má continuamente” (Gênesis 6:5).
Posso imaginar como foi difícil para Noé viver
rodeado de tanta alienação da lei de Deus e com tanta promiscuidade ao seu
redor. A Bíblia afirma que “Noé era homem justo e perfeito em suas gerações;
Noé andava com Deus” (Gênesis 6:9).
Em meio a uma humanidade corrupta, Deus não Se esqueceu do Seu servo fiel. Do
Céu o Senhor estava acompanhando os passos desse homem e achou por bem não só
salvá-lo como convidá-lo para uma grande empreitada. O Senhor, como sempre faz,
decidiu não destruir o homem sem lhe oferecer uma oportunidade de escape. Noé
recebeu duas incumbências; ele deveria não só advertir o mundo mostrando o
aviltamento da lei de Deus, mas ao mesmo tempo, construir uma arca para que
todos que se arrependessem pudessem se abrigar quando a tempestade irrompesse.
Por meio desse homem de Deus a mensagem de salvação começou a percorrer o mundo
habitado daquela época: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância,
anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (Atos
17:30).
Sabemos o resultado. Noé foi o evangelista de
pior desempenho que pisou a face da Terra. Após cento e vinte anos de pregação
apenas a sua família ouviu o apelo de misericórdia.
Nos dias de Abraão o repúdio a lei de Deus
chegou a tal ponto que, para preservar a vida desse patriarca, Deus pediu que
ele deixasse a sua terra natal e partisse para uma região distante. Era um
desafio e tanto. Diz a Bíblia: “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo
para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia”
(Hebreus
11:8).
Terça
Gênesis doze apresenta um texto, que aparentemente, mostra um ponto obscuro à
nossa compreensão. Por causa da fome Abraão desceu ao Egito. Temendo por sua
vida o patriarca havia combinado com a esposa que, no Egito, eles se
identificariam como irmãos. Sabemos que eram meio irmãos, mas eram marido e
mulher. Antes de recolher Sara ao palácio, Faraó procurou saber se ela era ou
não esposa de Abraão. Sabendo que era a sua irmã Sara foi conduzida ao palácio.
Por esse
ato, Faraó que usou de sinceridade, foi atingido por terríveis pragas e Abraão
que usou de falsidade foi inocentado. Por outro lado, parece que Abraão não
amava Sara conforme a orientação divina e agiu de maneira mentirosa e covarde.
Deixando
de lado as nossas conjecturas e, permitindo que Deus julgue o que para nós é
difícil de entender, notamos nesse episódio que Faraó tinha plena compreensão
da lei de Deus sabendo o que era certo e o que era errado e agiu conforme esse
conhecimento.
Logo
depois Deus promete um filho ao casal sendo Sara estéril e Abraão ter idade avançada.
Além de ter um filho a promessa incluía a garantia de que dele procederia uma
grande nação. Pelas condições do casal não tinha como crer nessa promessa
divina. E esse ato de fé por parte de Abrão foi-lhe imputado como justiça. “E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por
justiça” (Gênesis
15:6).
“Tal
pai tal filho” diz o adágio popular. Izaque também usou da mesma mentira de
Abraão e pelo mesmo motivo. “E perguntando-lhe os homens daquele lugar acerca
de sua mulher, disse: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para
que porventura (dizia ele) não me matem os homens daquele lugar por amor de
Rebeca; porque era formosa à vista” (Gênesis 26:7).
Uma das grandes virtudes de Deus é que Ele está sempre disposto a perdoar e
esquecer. “...porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei
dos seus pecados” (Jeremias
31:34).
Jamais Deus deixou de abençoá-lo. Em meio à
perseguição promovida pelos homens de Abimeleque, Isaque prosperava a olhos
vistos. Os servos de Abimeleque
reconheceram que Deus o abençoava e decidiram selar a paz entre eles. Diz o
texto:
“E eles disseram: Havemos visto, na verdade, que o Senhor
é contigo, por isso dissemos: Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e
façamos aliança contigo” (Gênesis 26:28).
Provavelmente, por influencia de Izaque, muitos filisteus tiveram conhecimento
da lei de Deus.
Conforme a promessa divina os descendentes de
Abraão se tornaram em um grande povo e posteriormente em uma grande nação. Eles
deveriam mostrar para o mundo as maravilhas da lei de Deus. Os setenta
descendentes de Abraão desceram ao Egito e lá permaneceram por quatrocentos
anos. Durante esse período duas coisas aconteceram. Mesmo sob dura escravidão
povo cresceu e se tornou numeroso “Mas quanto mais os afligiam, tanto mais se
multiplicavam, e tanto mais cresciam; de maneira que se enfadavam por causa dos
filhos de Israel” (Êxodo
1:12). Um grande problema surgiu. A convivência com os
egípcios fez com que os israelitas se esquecessem da lei de Deus. Com tal
situação foi necessário que Deus fizesse claro os Seus mandamentos e Ele o fez
de maneira gloriosa e depois de escrevê-los em tábuas de pedra os entregou a
Moisés para que o povo os fizesse conhecidos no mundo.
Quarta
Moisés
recebeu as tábuas dos dez mandamentos. A lei que até então era conhecida mais
pelo convívio domestico nas orientações verbais que os pais passavam aos filhos
tinha agora um referencial escrito, claro e inconfundível. O propósito de Deus
era que Israel tornasse a Sua lei conhecida no mundo e que, ao conhecê-la, cada
pessoa fosse direcionada para o plano de salvação elaborado desde a fundação do
mundo.
Sabemos
os resultados. Israel se afastou de Deus e seguiu os caminhos das nações ao seu
redor. Como resultado houve divisões; surgiu o reino do Sul e o reino do Norte,
esse último foi logo dominado pela Assíria, enquanto o reino de Judá permaneceu
mesmo enfrentando dificuldades como exílio e perseguições. Essa foi a
estratégia de Deus para trazê-los de volta aos Seus caminhos.
A
trancos e barrancos o reino de Judá permaneceu até que, de suas entranhas,
surgisse o Salvador do mundo, cumprindo assim a promessa de Deus a Abraão.
“Saberás, pois, que o Senhor teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a
aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus
mandamentos” (Deuteronômio
7:9). Israel e o povo de Judá falharam na incumbência de ser
uma testemunha viva ao mundo de seu tempo. A corrupção tomou um volume tal que
Jesus, ao nascer, não foi conhecido e nem aceito pelo Seu povo. Diz a Bíblia:
“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (João 1:11).
A
promessa divina foi cumprida. “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia
de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão,
dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” (Gálatas 3:8).
Jesus
foi um fiel cumpridor da lei. Por Ele curar nos sábados os judeus imaginava que
Ele fosse contrário a lei chegando mesmo a imaginar que, com a Sua morte, a lei
tenha sido anulada. Para prevenir essas distorções Jesus foi enfático: “Não
cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir” (Mateus 5:17)
e “E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei” (Lucas
16:17).
Quinta
A
vitória de Jesus sobre o pecado desmascarou Satanás. O Salvador provou que a
observância da lei não era uma injunção absurda, muito pelo contrário, seria
uma bênção para a humanidade.
Não foi
fácil para os apóstolos manter a chama da verdade tremulando. Vendavais de
perseguição irromperam contra a igreja e os filhos de Deus foram perseguidos, açoitados,
presos e martirizados. João previu um tempo difícil para aqueles que decidissem
observar os mandamentos de Deus. “E o dragão irou-se contra a mulher, e foi
fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de
Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17).
A
promessa de Deus era, e é, de que teríamos tribulações. Mas a promessa divina é
que a Igreja sobreviverá até que seja recebida em glória nos céus. “Confirmando
os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas
tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:22).
Deus tem
um povo que, semelhante a um anjo voando pelo meio do Céu, esta proclamando a
vinda do juízo. O juízo vindouro terá por parâmetro a lei de Deus. Temer a Deus
é exaltar a Sua lei e proclamar o plano da redenção é a nossa missão.
Conclusão
Desde que o pecado entrou no mundo, Deus tem filhos especiais que exaltam
a lei de Deus diante de um mundo dominado por Satanás. Pela graça de Deus
fazemos parte desse exército que anuncia o evangelho eterno ao mundo.
Caso sejamos acossados pelo desânimo lembremo-nos da mensagem do Senhor: “Testifico
aos meus irmãos e irmãs que a Igreja de Cristo, por débil e defeituosa que
seja, é o único objeto sobre a Terra a que Ele confere Sua suprema atenção.
Enquanto a todos dirige o convite para irem a Ele e serem salvos, comissiona
Seus anjos, para prestar divino auxílio a toda alma que a Ele se achega com
arrependimento e contrição; e, pessoalmente, por meio de Seu Espírito Santo,
está no meio de Sua Igreja.” (A Igreja Remanescente, p. 11).
“Deus está conduzindo um
povo e preparando-o para a trasladação. Estamos nós, que desempenhamos uma
parte nesta obra, portando-nos como sentinelas de Deus? Estamos tentando atuar
unidos? Estamos dispostos a tornar-nos servos de todos? Estamos seguindo nosso
grande Exemplo?” (Conselhos Professores,
Pais e Estudantes, p. 92).
Meditação
“O que
ensina a Palavra precisa, ele próprio, viver em consciente e contínua comunhão
com Deus pela oração e estudo de Sua Palavra; pois nela está a fonte da
fortaleza” (Atos dos Apóstolos p. 362.
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