domingo, 22 de junho de 2014

O reino de Cristo e a lei

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e um a vinte e oito de junho de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Rapidamente chegamos ao final do segundo trimestre de 2014. Creio que todo o membro da igreja que levou a sério o estudo sobre Cristo e Sua lei teve o privilégio de aprender um pouco mais durante esse trimestre. 

            Nessa última Lição veremos que o reino de Cristo tem uma constituição que representa o caráter amorável de Deus. Ela protege o homem e ao mesmo tempo estabelece os parâmetros para uma vida em harmonia com a eternidade. O reino de Cristo constitui o sonho de todo aquele que O aceitou como Salvador nessa vida.

            O nosso viver aqui na Terra é marcado pelo conflito entre o bem e o mal. Sabemos o que é correto, mas é difícil satisfazer a vontade de Deus em detrimento dos desejos da carne. Porém, quando, pela graça, experimentarmos a realidade de um novo céu e de uma nova terra; após a transformação de que fala Paulo 1 Coríntios 15:52 (Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados) então a nossa vida será um eterno tributo de glória a Aquele que nos salvou. Os desejos da carne não terão mais lugar em nossa vida e fazer a vontade de Deus fará parte da essência de nosso ser. Aí, então, experimentaremos em toda a sua plenitude a experiência de Davi: “Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração” (Salmos 40:8).

            Imagino quando Paulo estiver no lar eterno e não experimentar mais as agruras da luta que ele vivenciou quando em desespero desabafou: “Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:23-24). Esse será o melhor resultado da transformação prometida a cada um de nós.

            Posso imaginar como será ser protagonista do fim do conflito cósmico e presenciar o final da luta entre o mal e o bem! Será um momento ímpar “Quando eu chegar ao lar de glória quanta emoção e prazer sentirei” lá vou ouvir Jesus dizer que “o mal já passou e salvo estou”.  

 

Domingo

            O sonho de Deus ao criar o homem era que ele exercesse o domínio sobre o planeta Terra. Diz o texto bíblico: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra” (Gênesis 1:26).

Ao ser vencido por Satanás o homem, como qualquer perdedor, cedeu esse domínio a Satanás. Mas o sonho de Deus não acabou. Faz parte do plano da redenção restaurar ao homem o primeiro domínio. “O Filho de Deus redimiu a falta e a queda do homem; e agora, pela obra da expiação, Adão é reintegrado em seu primeiro domínio”... “Tudo que foi perdido pelo primeiro Adão será restaurado pelo segundo. Diz o profeta: “A ti, ó Torre do rebanho, monte da filha de Sião, a ti virá; sim, a ti virá o primeiro domínio” Miquéias 4:8 – (O Lar Adventista, p. 540).

No monte da Tentação Satanás provocou um dos maiores insultos a Jesus. Disse o inimigo: “E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu” (Lucas 4:5-7).

Creio que essas palavras de Satanás reforçaram a decisão de Cristo de morrer pelo pecador e restaurar o domínio perdido em resultado do confronto com a lei divina. Satanás tem um duplo domínio. Ele é o deus desse século e também e também o deus desse mundo. Um dia a sua autoridade será extinta e Deus resgatará para nós o primeiro domínio.

Todo poder humano é transitório como transitório é o poder de Satanás. Se for transitório um dia será extinto. “Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem” (João 19:11). Deus é a fonte do poder que perdura. Tudo o que não está firmado Nele é transitório.

 

Segunda

            Estamos vivendo o frenesi da copa do mundo de futebol. O curioso desse momento é que tem alguns jogadores que embora tenham nascido no Brasil se naturalizaram como filhos de outro país. Eles deixam de lado o amor a sua pátria de origem e passam a lutar freneticamente em favor de outro país. É estranho ver alguém que nasceu em nosso país chutando contra o nosso patrimônio. O interessante disso é que alguns dos familiares desses jogadores foram entrevistados e ao serem interrogados por qual país torceriam se manifestaram indecisos.

            Os cidadãos do reino de Deus têm que ter cidadania exclusiva. Não dá para amar a um e odiar o outro. Disse Jesus: “Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Lucas 16:13).

            Todos os seres humanos nascem como cidadãos desse mundo e escravos de Satanás. Jesus garantiu na cruz a possibilidade de recusarmos essa cidadania e de nos tornarem cidadãos do reino eterno. Essa é realmente uma troca de cidadania que compensa. Cabe a cada um de nós escolhermos. Ficar em cima do muro é permanecer como cidadãos desse mundo tenebroso condenado à destruição. Cuidado o muro, ele pertence ao inimigo. “Não podeis servir a Deus e a Mamom.”

 

Terça

            Tenho um irmão, exadventista, que acredita piamente que cada pessoa promove pessoalmente a sua própria salvação. Segundo ele tudo que acontece em nossa vida foi uma escolha que fizemos ao terminar a nossa existência anterior. Segundo o que ele acredita somos resultado de várias reencarnações. Para ele todo o ser humano ao morrer recebe sugestões de como deve ser a sua nova vida para pagar os pecados acometidos anteriormente. E para se livrar mais rápido dos pecados e experimentar um nível de vida superior, algumas pessoas ao morrerem escolhem pagar uma quantidade grande de pecados e se sobrecarregam a tal ponto que muitos não suportam e cometem suicídio, acrescentando assim mais dívidas para pagar depois.

            Esse é um extremo pregado pelos adeptos do espiritismo. Outro extremo, largamente difundido hoje, é o da graça barata. Somos salvos pela fé independente da lei. Até ai tudo certo, mas o que dizer de uma pessoa salva pela graça e que não apresenta frutos dignos de arrependimento? E o que são esses frutos senão o abandono de práticas incorretas definidas como pecado e, ao mesmo tempo, sabendo que pecado é a transgressão da lei?

            A fé e a lei andam juntas. Certa vez ouvi o comentário do pastor Ranieri Sales que me trouxe muita luz sobre esse assunto. Disse ele: “Existem as obras da carne e as obras da lei.” As obras da carne é tudo o que fazemos pelo esforço próprio para alcançarmos a salvação e obras da fé é tudo o que fazemos depois de sermos salvos por Jesus. Veja o conselho de Paulo aos romanos: “Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento” (Atos 26:20).

 

Quarta

            Gênesis 2:17  traz um alerta a todos os descendentes de Adão. O pecado entrou no mundo porque os nossos primeiros pais acharam que não era necessário levar tão a sério uma ordem divina. O mesmo acontece hoje. Alguns conhecedores da lei de Deus imaginam que a sua observância pode seguir a critérios humanos e não os estabelecidos pelo Criador. Outros chegam até a pregar ser a lei de Deus retrógado chegando mesmo a anunciar a sua extinção com a morte de Jesus na cruz.

O reino eterno de Deus tem uma constituição como qualquer reino terrestre tem a sua. Mas há Três pontos que estabelecem um diferencial que não pode ser esquecido. Primeiro, as constituições dos reinos terrestres são elaboradas por homens pecadores sujeitos a falhas. A constituição do reino celestial foi elaborada por um Deus que não erra. Em segundo lugar, todas as constituições existentes no mundo contém princípios plagiados da constituição universal e, em terceiro lugar, a lei de Deus tem como base o amor de Deus por nós e nem sempre os princípios de conduta elaborados pelos homens seguem esse princípio.

Daniel afirma que em breve todos os reinos do mundo mudarão de liderança. “E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão” (Daniel 7:27).

            Essa mudança de domínio será efetuada por um único motivo. Os santos do Altíssimo será aqueles que mesmo ouvindo chacotas se comprometeram em proclamar a lei de Deus ao mundo através dos milênios. Para esses viverem no Céu não será novidade pois já estão acostumados a observar a lei de Deus.

 

Quinta

            A Bíblia é clara em mostrar que no Céu a morte não mais existirá. Ela não mais existirá porque não haverá mais transgressores da lei de Deus. A morte veio à existência por causa do pecado. Ela será o último inimigo a ser vencido. Apocalipse afirma: “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte” (Apocalipse 20:14).

            Como a lei é eterna como eterno é o próprio Deus, ela continuará a existir por toda a eternidade. Porém, um dado especial será observado: não haverá transgressores. Os que hoje desdenham da lei de Deus e pregam que ela foi cravada na cruz jamais experimentarão as alegrias de morar em Seu reino. Será um privilégio reservado somente para aqueles que puseram os princípios de Deus como prioridade em suas vidas.

 Prevendo esse maravilhoso dia Isaías afirma: “Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9).

 

Conclusão

Durante esse trimestre estudamos que a lei de Deus sempre foi e sempre será à base do reino de Cristo e a verdade que todos nós somos transgressores foi bastante enfatizada. Mas de capa a capa a promessa bíblica é que se aceitarmos o sacrifício de Jesus “...ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1 João 1:9).

 

Lembrete

            No próximo trimestre vamos estudar as principais doutrinas bíblicas que Jesus nos ensinou enquanto esteve entre nós. Será uma oportunidade rara de aprendermos mais sobre alguns assuntos que muitos têm dificuldades para entender e dificuldades ainda maiores para explicar.

            Com oração e coração aberto para entender, pesquisemos cada dia a Palavra de Deus e busquemos fervorosamente que Ele reparta conosco um pouquinho da sabedoria propiciada a Salomão.

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