sábado, 7 de junho de 2014

Os apóstolos e a lei

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de sete a quatorze de junho de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Os discípulos estão vivendo um momento significativo para o futuro do mundo. Jesus havia morrido, a graça estava disponível para todos os habitantes do planeta, inclusive os gentios. A promessa feita lá no Éden da vinda do Cordeiro de Deus para tirar o pecado do mundo se tornou realidade.

            Quando João, o precursor do Messias, viu Jesus pela primeira vez ele foi enfático ao dizer: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29). João não disse que a função de Jesus na Cruz seria anular a lei de Deus e sim tirar o pecado das pessoas que a transgredisse. Caso Jesus tivesse anulado a lei não haveria necessidade de tirar pecados de ninguém, pois sem a lei não existiria pecado.

            Satanás é muito astuto. Quando Deus disse a Adão: “se comeres do fruto certamente morrerás” o inimigo não destruiu o texto, apenas acrescentou um “não”. Enquanto Moisés recebia a lei no Sinai e essa ditava os princípios de como o homem deveria honrar a Deus os israelitas construíram um bezerro de ouro e a algazarra irrompeu no arraial a tal ponto de Moisés perder a paciência e quebrar as tábuas da lei. Parece que ele queria dizer que para viver adornado um ídolo a presença da lei não teria significado.

            Deus escolheu a nação de Israel para testemunhar para o mundo a vigência de Seus princípios. Eles deveriam ser o modelo a ser seguido por todos os habitantes da Terra. Satanás se adiantou e ao invés deles enaltecer a lei de Deus diante do mundo passaram a adotar o comportamento das nações ao seu redor.

            Deus fez de tudo. Enviou a fome nada resolveu; permitiu que eles fossem dominados pelas mesmas nações a quem eles deveriam testemunhar da vontade de Deus, porém sem melhores resultados.

Não contente só com isso o inimigo usou um pequeno grupo de pessoas em Israel, os fariseus que modificaram a lei de Deus. Os quatro primeiros mandamentos receberam tantas inserções que os tornaram uma carga pesada demais para serem observados. Enquanto isso os outros seis foram minimizados ao ponto de se tornarem quase inúteis.  Jesus Se empenhou ao máximo para corrigir essas distorções. Isaías previu que esse zelo de Jesus pela lei O fez glorioso. “O Senhor se agradava dele por amor da sua justiça; engrandeceu-o pela lei, e o fez glorioso” (Isaías 42:21).

Não contente com tudo que fizera contra a lei de Deus ao longo dos séculos Satanás disseminou entre os homens que a lei foi pregada na cruz e que a sua observância era obsoleta. Mas as suas ações nefastas não ficaram por ai. Ao longo dos séculos a lei passou a ser objeto de caprichos de algumas lideranças religiosas que alteram todo o seu conteúdo. Seria como dizer: A lei ainda é válida desde que a adequamos ao nosso modo.

No estudo dessa semana vamos ver como os apóstolos se comportaram diante da lei. Será que foi como se ela tivesse sido anulada? Será que eles saíram por ai adulterando, roubando, assassinado e transgredindo o sábado como se a lei não mais existisse? Veremos!

 

Domingo

            Paulo é claro: a lei não pode salvar conforme lemos em Romanos 3:28: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.” Ele deixa claro que a lei não salva e, sim nos mostra a necessidade de um Salvador. “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gálatas 3:24). O homem ao defrontar com a lei de Deus se acha totalmente perdido. Pois à luz da lei não há salvação para nenhum ser humano. Sabemos que Jesus assumiu a culpa do pecado e, nós que estávamos condenados pela lei, recebemos o perdão e consequentemente a garantia de vida eterna.

            Paulo deixa claro que a graça não anula a lei como muitos imaginam e ensinam. Ele defende a perpetuidade da lei. “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei” (Romanos 3:31). Caso a lei tivesse sido anulada haveria a necessidade de graça, evangelho, igrejas, salvação? Não haveria pecado e nem consequências do pecado. Não haveria também a necessidade de um dia de juízo para os que nasceram depois da cruz. Antes da cruz todos estão condenados e depois da cruz todos estão salvos. Caso fosse assim “Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gênesis 18:25). Deus seria parcial e injusto.

Uns vão ao extremo. Ao invés do evangelho mudar o seu estilo de vida se tornam ainda mais libertinos afirmando que Jesus já pagou tudo na cruz. Ai Paulo faz uma pergunta desconcertante para os que assim pensam e agem: “Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum” (Romanos 6:15). Então ele conclui: “E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Romanos 7:12).

Essa declaração paulina está firmada em dois princípios: A lei nos poupa de muitas decepções. Imagina se todo o mundo a observasse que diferença não veria em nosso planeta. O segundo princípio é que a lei nos direciona para uma vida casta e caso venhamos a transgredi-la João afirma: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1). 

 

Segunda

O único mandamento mencionado claramente por Pedro é o adultério. Assim disse ele: “Tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecado, engodando almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos malditos” (2 Pedro 2:14). No verso dois do capítulo três de sua segunda epístola ele faz menção das “palavras que anteriormente foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor, ensinado pelos vossos apóstolos.”

No Pentecostes Pedro fez um veemente sermão. Os seus ouvintes sentiram que eram pecadores e perguntaram confusos: “Que faremos, homens irmãos?” O apostolo mostrou que eles estavam em conflito com os mandamentos de Deus e a mensagem foi claramente entendida. Diz o texto: “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos? A mensagem foi clara: “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:37-38). Todos deveriam se arrepender de seus pecados. E se pecado é a transgressão da lei os seus ouvintes estavam transgredindo a lei de Deus.

Não teria sentido Pedro pregar a necessidade de arrependimento caso eles não estivessem em conflito com a lei de Deus. Com a mudança de vida eles seriam a geração eleita, o povo santo de Deus, ou seja: alcançaria o propósito de Deus para com o Israel antigo segundo Êxodo 19:6 onde lemos: “Vós Me sereis reino de sacerdotes e nação santa.”

 

Terça

            João, que passou por uma transformação profunda, se tornou no apóstolo do amor e ele associa esse amor à observância de todos os mandamentos. Mais do que ninguém, João vê na lei de Deus uma expressão nítida do Seu amor para com a humanidade.

            Ele associa o conhecer a Deus pela observância dos Seus mandamentos.  Quem conhece a Deus sabe que realmente Ele é amor. Esse amor invade o ser de Seus filhos de tal modo que o prazer de cada um deles está na observância da lei de Deus. João vai mais longe. Ele é categórico em afirmar: quem diz que ama a Deus e não observa os Seus mandamentos é um mentiroso. Que declaração contundente e pesada!

            Milhões que não guardam todos os mandamentos usam as palavras de João 8:32 como propagadores da verdade centrada nas Escrituras. Diz o texto: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” Como ser propagadores da verdade contestando um ou mais de Seus mandamentos? Infelizmente os propagadores que afirmam ter Jesus abolido a lei na cruz estão em permanente conflito com João e com o próprio Deus. Pregam enaltecendo a verdade, mas ao mesmo tempo a contestam. Tal proceder se encaixa numa queixa exteriorizada pelo próprio Jesus: “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.”

            Na parábola da videira Jesus associa a produção de frutos a um íntimo relacionamento com Ele semelhante ao que Ele mantinha com o Seu Pai. E vai mais longe ao afirmar: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor.” Não tem como estar em comunhão com Cristo sem observar a Sua lei.

 

Quarta

            As palavras de Tiago ao afirmar que “a fé sem as obras é morta” não apresentam nenhum conflito com as afirmações de Paulo de que o pecador é salvo exclusivamente pela graça. Pelo contrário Tiago está afirmando que se uma pessoa declara ter aceitado a salvação em Cristo pela fé e não apresentam mudanças em seu comportamento essa fé professada é morta porque não produz frutos.

            Podemos afirmar que enquanto Paulo pregava a salvação pela fé, Tiago defendia o mesmo princípio esclarecendo que essa palavra abstrata tinha de ser concretizadas em obras de fé. A graça quando alcança uma pessoa provoca uma transformação. Tiago está apenas reforçando as palavras de Paulo quando este afirma: “Assim andemos nós em novidade de vida.” O que é essa novidade de vida se não uma mudança nas obras que praticamos? Essa mudança se caracteriza não para sermos salvos, mas sim porque fomos salvos.

 Tiago foi mais fundo. Ele afirma que não havia sentido quando os líderes judeus pregavam o amor ao próximo enquanto faziam acepção de pessoas. Como pregar o amor ao próximo enquanto se julgavam superiores aos samaritanos e a qualquer estrangeiro? Os que assim procediam estavam em conflito com a lei. A exteriorização do amor ao próximo seria a mais contundente prova de que foram transformados pela graça. Os resultados da graça em nossa vida nos leva a produzir frutos (obras) dignos de arrependimento conforme afirmou Jesus em Lucas 3:8.

 

Quinta

            Já mencionei, em comentários anteriores, a história de um senhor que afirmava beber, fumar e se divertir ao máximo porque os seus pecados já foram pregados na cruz. Esse é um exemplo clássico de transformar a graça de Deus em libertinagem.

            Certa vez eu estava ouvindo um pregador de grande influencia no Brasil e no mundo. Uma expectadora perguntou se era pecado comer carne de porco. Ele respondeu: “Jesus nos libertou da lei.” E acrescentou: “caso você tenha ouvido alguém pregar isso tenha certeza de que é doutrina do diabo”.

            Ao defender a perpetuidade da lei Judas menciona o exemplo de Sodoma e Gomorra que foram destruídas por causa da transgressão da lei de Deus (verso sete). Aliás, o juízo vindouro será a única maneira de Deus exterminar com o pecado que, segundo Paulo, é a transgressão da lei. Naquele dia, diz Malaquias que serão destruídos os ramos e a raiz do pecado (Malaquias 4:1).

            O autor da Lição faz uma observação interessante. Diz ele:” A simples menção da graça exige a existência da lei, porque a graça não seria necessária se não houvesse pecado.

            Ao lermos a história de Israel, que foram os detentores da lei de Deus e ao mesmo tempo a transgrediram sem parcimônia temos que assimilar as lições que esse nefasto exemplo deixa para nós. Corremos o sério risco de conhecermos tudo e, por negligência sermos reprovados.

 

Conclusão

            A validade e a importância da lei de Deus fazem parte dos meus temas preferidos. Achei prudente a pergunta que o autor coloca no final da primeira reflexão do estudo dessa semana. Pergunta ele: “Quando as pessoas dizem que a lei foi abolida, do que realmente estão tentando se livrar? A resposta é o que eu tenho insistido em comentários anteriores. Sem lei não há pecado; não havendo pecado não há necessidade de salvação; Não havendo necessidade de salvação por que frequentar uma igreja? Sejamos discípulos conscientes!

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