Comentário da Lição da Escola Sabatina de sete a quatorze
de junho de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto
ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação
para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia –
Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Os
discípulos estão vivendo um momento significativo para o futuro do mundo. Jesus
havia morrido, a graça estava disponível para todos os habitantes do planeta,
inclusive os gentios. A promessa feita lá no Éden da vinda do Cordeiro de Deus
para tirar o pecado do mundo se tornou realidade.
Quando
João, o precursor do Messias, viu Jesus pela primeira vez ele foi enfático ao
dizer: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29).
João não disse que a função de Jesus na Cruz seria anular a lei de Deus e sim
tirar o pecado das pessoas que a transgredisse. Caso Jesus tivesse anulado a
lei não haveria necessidade de tirar pecados de ninguém, pois sem a lei não
existiria pecado.
Satanás
é muito astuto. Quando Deus disse a Adão: “se comeres do fruto certamente
morrerás” o inimigo não destruiu o texto, apenas acrescentou um “não”. Enquanto
Moisés recebia a lei no Sinai e essa ditava os princípios de como o homem
deveria honrar a Deus os israelitas construíram um bezerro de ouro e a
algazarra irrompeu no arraial a tal ponto de Moisés perder a paciência e
quebrar as tábuas da lei. Parece que ele queria dizer que para viver adornado
um ídolo a presença da lei não teria significado.
Deus
escolheu a nação de Israel para testemunhar para o mundo a vigência de Seus
princípios. Eles deveriam ser o modelo a ser seguido por todos os habitantes da
Terra. Satanás se adiantou e ao invés deles enaltecer a lei de Deus diante do
mundo passaram a adotar o comportamento das nações ao seu redor.
Deus fez
de tudo. Enviou a fome nada resolveu; permitiu que eles fossem dominados pelas
mesmas nações a quem eles deveriam testemunhar da vontade de Deus, porém sem
melhores resultados.
Não contente só com isso o inimigo usou um
pequeno grupo de pessoas em Israel, os fariseus que modificaram a lei de Deus.
Os quatro primeiros mandamentos receberam tantas inserções que os tornaram uma
carga pesada demais para serem observados. Enquanto isso os outros seis foram
minimizados ao ponto de se tornarem quase inúteis. Jesus Se empenhou ao máximo para corrigir
essas distorções. Isaías previu que esse zelo de Jesus pela lei O fez glorioso.
“O Senhor se agradava dele por amor da sua justiça; engrandeceu-o pela lei, e o
fez glorioso” (Isaías
42:21).
Não contente com tudo que fizera contra a lei
de Deus ao longo dos séculos Satanás disseminou entre os homens que a lei foi
pregada na cruz e que a sua observância era obsoleta. Mas as suas ações
nefastas não ficaram por ai. Ao longo dos séculos a lei passou a ser objeto de
caprichos de algumas lideranças religiosas que alteram todo o seu conteúdo.
Seria como dizer: A lei ainda é válida desde que a adequamos ao nosso modo.
No estudo dessa semana vamos ver como os
apóstolos se comportaram diante da lei. Será que foi como se ela tivesse sido
anulada? Será que eles saíram por ai adulterando, roubando, assassinado e
transgredindo o sábado como se a lei não mais existisse? Veremos!
Domingo
Paulo
é claro: a lei não pode salvar
conforme lemos em Romanos 3:28: “Concluímos, pois, que o homem é justificado
pela fé sem as obras da lei.” Ele deixa claro que a lei não salva e, sim nos
mostra a necessidade de um Salvador. “De maneira que a lei nos serviu de aio,
para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gálatas 3:24).
O homem ao defrontar com a lei de Deus se acha totalmente perdido. Pois à luz
da lei não há salvação para nenhum ser humano. Sabemos que Jesus assumiu a
culpa do pecado e, nós que estávamos condenados pela lei, recebemos o perdão e
consequentemente a garantia de vida eterna.
Paulo
deixa claro que a graça não anula a lei como muitos imaginam e ensinam. Ele
defende a perpetuidade da lei. “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira
nenhuma, antes estabelecemos a lei” (Romanos 3:31).
Caso a lei tivesse sido anulada haveria a necessidade de graça, evangelho,
igrejas, salvação? Não haveria pecado e nem consequências do pecado. Não
haveria também a necessidade de um dia de juízo para os que nasceram depois da
cruz. Antes da cruz todos estão condenados e depois da cruz todos estão salvos.
Caso fosse assim “Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gênesis 18:25).
Deus seria parcial e injusto.
Uns vão ao extremo. Ao invés do evangelho
mudar o seu estilo de vida se tornam ainda mais libertinos afirmando que Jesus
já pagou tudo na cruz. Ai Paulo faz uma pergunta desconcertante para os que
assim pensam e agem: “Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei,
mas debaixo da graça? De modo nenhum” (Romanos 6:15).
Então ele conclui: “E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Romanos 7:12).
Essa declaração paulina está firmada em dois
princípios: A lei nos poupa de muitas decepções. Imagina se todo o mundo a
observasse que diferença não veria em nosso planeta. O segundo princípio é que
a lei nos direciona para uma vida casta e caso venhamos a transgredi-la João
afirma: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se
alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1).
Segunda
O único mandamento mencionado claramente por
Pedro é o adultério. Assim disse ele: “Tendo os olhos cheios de adultério e
insaciáveis no pecado, engodando almas inconstantes, tendo o coração exercitado
na avareza, filhos malditos” (2 Pedro 2:14). No verso dois do capítulo três de
sua segunda epístola ele faz menção das “palavras que anteriormente foram ditas
pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor, ensinado pelos vossos
apóstolos.”
No Pentecostes Pedro fez um veemente sermão.
Os seus ouvintes sentiram que eram pecadores e perguntaram confusos: “Que
faremos, homens irmãos?” O apostolo mostrou que eles estavam em conflito com os
mandamentos de Deus e a mensagem foi claramente entendida. Diz o texto: “E,
ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos
demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos? A mensagem foi clara: “E
disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de
Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:37-38).
Todos deveriam se arrepender de seus pecados. E se pecado é a transgressão da
lei os seus ouvintes estavam transgredindo a lei de Deus.
Não teria sentido Pedro pregar a necessidade
de arrependimento caso eles não estivessem em conflito com a lei de Deus. Com a
mudança de vida eles seriam a geração eleita, o povo santo de Deus, ou seja: alcançaria
o propósito de Deus para com o Israel antigo segundo Êxodo 19:6 onde lemos:
“Vós Me sereis reino de sacerdotes e nação santa.”
Terça
João,
que passou por uma transformação profunda, se tornou no apóstolo do amor e ele
associa esse amor à observância de todos os mandamentos. Mais do que ninguém,
João vê na lei de Deus uma expressão nítida do Seu amor para com a humanidade.
Ele
associa o conhecer a Deus pela observância dos Seus mandamentos. Quem conhece a Deus sabe que realmente Ele é
amor. Esse amor invade o ser de Seus filhos de tal modo que o prazer de cada um
deles está na observância da lei de Deus. João vai mais longe. Ele é categórico
em afirmar: quem diz que ama a Deus e não observa os Seus mandamentos é um
mentiroso. Que declaração contundente e pesada!
Milhões que
não guardam todos os mandamentos usam as palavras de João 8:32 como
propagadores da verdade centrada nas Escrituras. Diz o texto: “Conhecereis a
verdade e a verdade vos libertará.” Como ser propagadores da verdade
contestando um ou mais de Seus mandamentos? Infelizmente os propagadores que
afirmam ter Jesus abolido a lei na cruz estão em permanente conflito com João e
com o próprio Deus. Pregam enaltecendo a verdade, mas ao mesmo tempo a contestam.
Tal proceder se encaixa numa queixa exteriorizada pelo próprio Jesus: “Em vão
me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.”
Na
parábola da videira Jesus associa a produção de frutos a um íntimo
relacionamento com Ele semelhante ao que Ele mantinha com o Seu Pai. E vai mais
longe ao afirmar: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu
amor.” Não tem como estar em comunhão com Cristo sem observar a Sua lei.
Quarta
As
palavras de Tiago ao afirmar que “a fé sem as obras é morta” não apresentam
nenhum conflito com as afirmações de Paulo de que o pecador é salvo exclusivamente
pela graça. Pelo contrário Tiago está afirmando que se uma pessoa declara ter
aceitado a salvação em Cristo pela fé e não apresentam mudanças em seu
comportamento essa fé professada é morta porque não produz frutos.
Podemos
afirmar que enquanto Paulo pregava a salvação pela fé, Tiago defendia o mesmo
princípio esclarecendo que essa palavra abstrata tinha de ser concretizadas em
obras de fé. A graça quando alcança uma pessoa provoca uma transformação. Tiago
está apenas reforçando as palavras de Paulo quando este afirma: “Assim andemos
nós em novidade de vida.” O que é essa novidade de vida se não uma mudança nas
obras que praticamos? Essa mudança se caracteriza não para sermos salvos, mas
sim porque fomos salvos.
Tiago
foi mais fundo. Ele afirma que não havia sentido quando os líderes judeus
pregavam o amor ao próximo enquanto faziam acepção de pessoas. Como pregar o
amor ao próximo enquanto se julgavam superiores aos samaritanos e a qualquer
estrangeiro? Os que assim procediam estavam em conflito com a lei. A
exteriorização do amor ao próximo seria a mais contundente prova de que foram
transformados pela graça. Os resultados da graça em nossa vida nos leva a
produzir frutos (obras) dignos de arrependimento conforme afirmou Jesus em
Lucas 3:8.
Quinta
Já
mencionei, em comentários anteriores, a história de um senhor que afirmava
beber, fumar e se divertir ao máximo porque os seus pecados já foram pregados
na cruz. Esse é um exemplo clássico de transformar a graça de Deus em
libertinagem.
Certa
vez eu estava ouvindo um pregador de grande influencia no Brasil e no mundo.
Uma expectadora perguntou se era pecado comer carne de porco. Ele respondeu:
“Jesus nos libertou da lei.” E acrescentou: “caso você tenha ouvido alguém pregar
isso tenha certeza de que é doutrina do diabo”.
Ao
defender a perpetuidade da lei Judas menciona o exemplo de Sodoma e Gomorra que
foram destruídas por causa da transgressão da lei de Deus (verso sete). Aliás,
o juízo vindouro será a única maneira de Deus exterminar com o pecado que,
segundo Paulo, é a transgressão da lei. Naquele dia, diz Malaquias que serão
destruídos os ramos e a raiz do pecado (Malaquias 4:1).
O autor
da Lição faz uma observação interessante. Diz ele:” A simples menção da graça exige
a existência da lei, porque a graça não seria necessária se não houvesse
pecado.
Ao
lermos a história de Israel, que foram os detentores da lei de Deus e ao mesmo
tempo a transgrediram sem parcimônia temos que assimilar as lições que esse
nefasto exemplo deixa para nós. Corremos o sério risco de conhecermos tudo e,
por negligência sermos reprovados.
Conclusão
A
validade e a importância da lei de Deus fazem parte dos meus temas preferidos.
Achei prudente a pergunta que o autor coloca no final da primeira reflexão do
estudo dessa semana. Pergunta ele: “Quando as pessoas dizem que a lei foi
abolida, do que realmente estão tentando se livrar? A resposta é o que eu tenho
insistido em comentários anteriores. Sem lei não há pecado; não havendo pecado
não há necessidade de salvação; Não havendo necessidade de salvação por que frequentar
uma igreja? Sejamos discípulos conscientes!
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