Comentário
da Lição da Escola Sabatina de dezenove a vinte e seis de julho de dois mil e
quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança
e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista
é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Talvez, a aula de hoje seja a mais
importante que Jesus desejou transmitir aos Seus filhos. Uma vez caído em
pecado todos os filhos de Adão estão condenados à morte eterna. Essa é uma dura
realidade que encontramos na Bíblia de capa a capa.
Jesus ensinou que a morte do pecador
não está nos planos de Deus, a não ser que o pecador rejeite a solução
oferecida. No Céu não haverá ninguém mais importante que o outro. Todos foram
condenados à morte e foram redimidos da mesma maneira: o sangue de Cristo. Ele
mostrou que a salvação é uma iniciativa de Deus e o Seu sonho é que ninguém se
perca. “O Senhor não retarda a
sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco,
não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9).
Não tem como compreender o preço de nossa
salvação a não ser que passemos pelo Calvário e nos demoremos diante da cruz
retratando na mente tudo o que aconteceu ali. A nossa salvação não é uma coisa
que acontece por passe de mágica. Para que ela se efetivasse foi necessário o
empenho da Trindade.
O que Jesus fez deixou claro para o Universo
que o amor é à base do trono divino. Satanás por certo não imaginava que o amor
de Deus pudesse ir tão longe ao ponto de nos salvar. A salvação dos pecadores acontece
“porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido” (Mateus 18:11).
Observação:
Depois de escrever essa introdução foi ler a parte destinada ao professor que
se encontra no Ciclo do aprendizado. Achei curioso que o meu pensamento se
encaixou perfeitamente com o do autor da Lição. Veja a primeira frase que
escrevi e compare dom o autor. Ele se expressou assim: “Se bem que todas as
lições do trimestre sejam importantes, talvez as lições mais importantes sejam
a desta semana e da próxima.”
Domingo
Parece que João ficou sem palavras
para descrever o amor de Deus pela humanidade perdida. A expressão “de tal
maneira” da à ideia de algo indescritível, incompreensível e realmente o é. E o
mais importante desse amor é que Deus ama a todos de igual maneira.
Na adoração do fariseu e do
publicano Jesus viu um descompasso incompatível com o Seu grande amor. O
fariseu se achava justo diante de Deus e pior menosprezava os gentios.
Lembrando que para eles os não judeus estavam destituídos da graça salvadora. A
oração do fariseu despertou repúdio diante do trono da graça. “Na
parábola do fariseu e do publicano, a presunçosa oração: "Ó Deus, graças
Te dou, porque eu não sou como os demais homens", ficou em frisante
contraste com a contrita súplica: "Tem misericórdia de mim, pecador." Luc. 18:11 e
13. Assim repreendia Cristo a
hipocrisia dos judeus. E sob a figura da figueira estéril e da grande ceia,
predisse a condenação prestes a cair sobre o impenitente povo” (O Desejado de
Todas as Nações, p. 495).
A
Bíblia exalta a humildade. Foi vestido na roupagem da humildade que Jesus veio
a esse mundo salvar os pecadores. Salomão escreveu: “O coração do homem se exalta antes de ser abatido e diante
da honra vai à humildade” (Provérbios 18:12).
E Davi
completou: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração
quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Salmos 51:17).
Foi
pela sua postura de humilde penitente que o publicano saiu do templo
justificado. As nossas “boas obras” não acrescenta nada à nossa salvação. Ela
dom gratuito de Deus. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito
de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 6:23).
Segunda
O
capítulo quinze de Lucas é conhecido por relatar três parábolas relacionadas a
objetos e pessoas perdidas. Primeiro Jesus conta a história de uma ovelha que
se desviou do rebanho e o pastor ao sair à sua procura arriscou a própria vida
para trazê-la de volta. “E achando-a, a põe sobre os seus ombros, jubiloso; E,
chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos
comigo, porque já achei a minha ovelha perdida” (Lucas 15:5-6). A ovelha estava acompanhando o pastor a caminho do
redil, mas desviou o olhar do pastor e se perdeu.
A
segunda parábola fala da mulher que tinha dez dracmas e perdeu uma dentro de
casa. Ela varre cuidadosamente a casa; vasculha cada canto e ao encontrar a dracma
perdida promove uma festa com as vizinhas. A dracma representava o povo judeu
que estava perdido dentro da igreja e não sabia que estava perdido.
Por
último temos a parábola do filho pródigo. Ele exige a sua herança antecipada.
Abandona a casa do pai e vai para uma terra distante. Depois de perder todo o
seu dinheiro ele resolve retornar para casa. Por todo o tempo em que esteve
longe o pai aguardava ansioso por sua volta.
O pródigo tinha consciência dos seus atos. O pai não saiu à sua procura,
mas ao ele se aproximar de sua casa o “avistou de longe e correu ao seu
encontro.
O
fim das três parábolas se resume em uma grande festa representando a alegria
que toma conta do Céu por um pecador que se arrepende. “Assim vos digo que há
alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lucas 15:10).
O
pai do pródigo não saiu à sua procura, mas quando o filho retornou ele saiu
correndo ao seu encontro e tudo estava preparado para a grande festa.
Terça
Ao criar o homem advertência divina foi: “E ordenou o Senhor Deus ao
homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do
conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela
comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:16-17).
Essa é a razão para a Bíblia afirmar que “...o
salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por
Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 6:23). Apenas um ser
não criado e sem pecado poderia substituir o homem pecador. A nossa salvação
embora seja de graça ela custou muito para os céus. Jesus assumiu a morte que
nos cabia.
Antes
do Calvário os israelitas tinham uma noção bem clara do significado da morte de
Cristo. Os altares construídos pelos patriarcas, a rotina no santuário e depois,
no templo, era uma das maneiras de Deus deixar bem claro de quão terrível é o
pecado. Tudo na vida de um israelita estava ligado ao santuário. A própria
tenda onde cada um morava estava localizada de maneira organizada ao redor do
santuário. De longe os israelitas podiam ver a fumaça dos sacrifícios
oferecidos a cada manhã e a cada tarde.
Costumo
dizer que no Antigo Testamento não era fácil ser salvo. Além do tempo exigido para adoração ao redor
do altar existia, a meu ver, o maior complicador. Era que ao transgredir a Lei
de Deus você deveria por as mãos na cabeça de um cordeiro e presenciar o
derramamento do seu sangue. Isso era feito todas as vezes que se cometia um
pecado.
Com
a morte do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo está descartado para
sempre a morte de animais. Mas o que vemos hoje? Uma banalização desse
sacrifício. Vamos à igreja. Mas parece que fica longe o pensamento de que ali
estamos diante de Alguém que deu a Sua vida em nosso lugar. Procure meditar nas
duas perguntas encontradas no rodapé da página destinada ao estudo de terça -
feira.
Quarta
Os
judeus no tempo de Cristo se vangloriavam ao dizer que eram filhos de Abraão.
Para muitos deles essa premissa já lhes garantia a salvação, assim como os
samaritanos tinham por pai Jacó. Lembra que a samaritana foi buscar água no
poço cavado pelo “nosso pai Jacó”. Quem somos na Igreja jamais vai interferir
na nossa salvação. O que nos garante a salvação é o reconhecimento de que somos
pecadores e o nos entregarmos por completo ao nosso Salvador.
Hoje
se fala muito em liberdade. Só que a liberdade defendida hoje é aquela que
permite a pessoa fazer “tudo o que vem na teia”. Ai vem a escravidão dos
vícios, a escravidão das enfermidades e a escravidão nas garras de Satanás.
Viver sem limites é a pregação que se ouve hoje e esse viver sem limites que
nos algemam e nos prende em grilhões. A liberdade que o mundo oferece termina
em morte enquanto que a liberdade oferecida por Cristo nos garante vida com
abundância.
Jesus
nos oferece o privilégio de viver livre das garras do pecado. Foi para que isso
acontecesse na sua e na minha vida que Ele Se despiu de Sua glória e veio a
este mundo morrer em nosso lugar. Jesus é o único que nos fornece a receita
para vivermos livres de pecado.
Quinta
Quando
Jesus Se identificou como o Pão que desceu do Céu os judeus não entenderam o
que Ele estava dizendo e perguntavam entre si: “Murmuravam, pois, dele os
judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. E diziam: Não é este
Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele:
Desci do céu?” (João 6:41-42)
A Bíblia deixa claro que a experiência da salvação
oferecida por Cristo é algo para desfrutarmos já nesse mundo. A Sua promessa é:
“Quem crê no Filho tem a vida eterna” (João 5:24). Essa promessa de vida
eterna, afirma o autor da Lição “não é apenas uma existência imortal, mas,
acima de tudo, uma vida abençoada, satisfatória e feliz, em amorosa comunhão
com Deus na Nova Terra” (Página 47).
Não
existe vida eterna longe de Cristo. “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a
ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). A vida de quem aceita a Jesus como o seu Salvador se
resume em um crescimento diário.
Milhares
de pessoas têm encontrado em Cristo o Pão de que tanto procuram. Ele é o único
que pode saciar a nossa fome de Deus. Os judeus recusaram se alimentar do Pão
vivo que desceu do Céu. Aliás, quando Jesus Se identificava como a Água da Vida
ou o Pão Vivo que desceu do Céu era considerado como blasfemo pelos Seus
compatriotas. Ele é o Único que nos oferece vida eterna de graça.
Conclusão
A
salvação é oferecida de graça a todo o pecador. O maior problema é o homem
reconhecer que é pecador e que necessita de auxílio. Necessitamos de uma
compreensão mais profunda de quão maligno é o pecado e o custo real para salvar
qualquer um de nós. Tendo esse conhecimento brotará dos nossos lábios a grande
interrogação:
como não ama-Lo?
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