sábado, 19 de julho de 2014

Salvação

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de dezenove a vinte e seis de julho de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Talvez, a aula de hoje seja a mais importante que Jesus desejou transmitir aos Seus filhos. Uma vez caído em pecado todos os filhos de Adão estão condenados à morte eterna. Essa é uma dura realidade que encontramos na Bíblia de capa a capa.

            Jesus ensinou que a morte do pecador não está nos planos de Deus, a não ser que o pecador rejeite a solução oferecida. No Céu não haverá ninguém mais importante que o outro. Todos foram condenados à morte e foram redimidos da mesma maneira: o sangue de Cristo. Ele mostrou que a salvação é uma iniciativa de Deus e o Seu sonho é que ninguém se perca. “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9).

Não tem como compreender o preço de nossa salvação a não ser que passemos pelo Calvário e nos demoremos diante da cruz retratando na mente tudo o que aconteceu ali. A nossa salvação não é uma coisa que acontece por passe de mágica. Para que ela se efetivasse foi necessário o empenho da Trindade.

O que Jesus fez deixou claro para o Universo que o amor é à base do trono divino. Satanás por certo não imaginava que o amor de Deus pudesse ir tão longe ao ponto de nos salvar. A salvação dos pecadores acontece “porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido” (Mateus 18:11).

Observação: Depois de escrever essa introdução foi ler a parte destinada ao professor que se encontra no Ciclo do aprendizado. Achei curioso que o meu pensamento se encaixou perfeitamente com o do autor da Lição. Veja a primeira frase que escrevi e compare dom o autor. Ele se expressou assim: “Se bem que todas as lições do trimestre sejam importantes, talvez as lições mais importantes sejam a desta semana e da próxima.”

 

Domingo

            Parece que João ficou sem palavras para descrever o amor de Deus pela humanidade perdida. A expressão “de tal maneira” da à ideia de algo indescritível, incompreensível e realmente o é. E o mais importante desse amor é que Deus ama a todos de igual maneira.

            Na adoração do fariseu e do publicano Jesus viu um descompasso incompatível com o Seu grande amor. O fariseu se achava justo diante de Deus e pior menosprezava os gentios. Lembrando que para eles os não judeus estavam destituídos da graça salvadora. A oração do fariseu despertou repúdio diante do trono da graça.   Na parábola do fariseu e do publicano, a presunçosa oração: "Ó Deus, graças Te dou, porque eu não sou como os demais homens", ficou em frisante contraste com a contrita súplica: "Tem misericórdia de mim, pecador." Luc. 18:11 e 13. Assim repreendia Cristo a hipocrisia dos judeus. E sob a figura da figueira estéril e da grande ceia, predisse a condenação prestes a cair sobre o impenitente povo” (O Desejado de Todas as Nações, p. 495).

            A Bíblia exalta a humildade. Foi vestido na roupagem da humildade que Jesus veio a esse mundo salvar os pecadores. Salomão escreveu: “O coração do homem se exalta antes de ser abatido e diante da honra vai à humildade” (Provérbios 18:12).  E Davi completou: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Salmos 51:17).

            Foi pela sua postura de humilde penitente que o publicano saiu do templo justificado. As nossas “boas obras” não acrescenta nada à nossa salvação. Ela dom gratuito de Deus. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 6:23).

 

Segunda

            O capítulo quinze de Lucas é conhecido por relatar três parábolas relacionadas a objetos e pessoas perdidas. Primeiro Jesus conta a história de uma ovelha que se desviou do rebanho e o pastor ao sair à sua procura arriscou a própria vida para trazê-la de volta. “E achando-a, a põe sobre os seus ombros, jubiloso; E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida” (Lucas 15:5-6). A ovelha estava acompanhando o pastor a caminho do redil, mas desviou o olhar do pastor e se perdeu.

            A segunda parábola fala da mulher que tinha dez dracmas e perdeu uma dentro de casa. Ela varre cuidadosamente a casa; vasculha cada canto e ao encontrar a dracma perdida promove uma festa com as vizinhas. A dracma representava o povo judeu que estava perdido dentro da igreja e não sabia que estava perdido.

            Por último temos a parábola do filho pródigo. Ele exige a sua herança antecipada. Abandona a casa do pai e vai para uma terra distante. Depois de perder todo o seu dinheiro ele resolve retornar para casa. Por todo o tempo em que esteve longe o pai aguardava ansioso por sua volta.  O pródigo tinha consciência dos seus atos. O pai não saiu à sua procura, mas ao ele se aproximar de sua casa o “avistou de longe e correu ao seu encontro.

            O fim das três parábolas se resume em uma grande festa representando a alegria que toma conta do Céu por um pecador que se arrepende. “Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lucas 15:10).

            O pai do pródigo não saiu à sua procura, mas quando o filho retornou ele saiu correndo ao seu encontro e tudo estava preparado para a grande festa.

 

Terça

            Ao criar o homem advertência divina foi: “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:16-17).

            Essa é a razão para a Bíblia afirmar que “...o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 6:23).  Apenas um ser não criado e sem pecado poderia substituir o homem pecador. A nossa salvação embora seja de graça ela custou muito para os céus. Jesus assumiu a morte que nos cabia.

            Antes do Calvário os israelitas tinham uma noção bem clara do significado da morte de Cristo. Os altares construídos pelos patriarcas, a rotina no santuário e depois, no templo, era uma das maneiras de Deus deixar bem claro de quão terrível é o pecado. Tudo na vida de um israelita estava ligado ao santuário. A própria tenda onde cada um morava estava localizada de maneira organizada ao redor do santuário. De longe os israelitas podiam ver a fumaça dos sacrifícios oferecidos a cada manhã e a cada tarde.

            Costumo dizer que no Antigo Testamento não era fácil ser salvo.  Além do tempo exigido para adoração ao redor do altar existia, a meu ver, o maior complicador. Era que ao transgredir a Lei de Deus você deveria por as mãos na cabeça de um cordeiro e presenciar o derramamento do seu sangue. Isso era feito todas as vezes que se cometia um pecado.

            Com a morte do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo está descartado para sempre a morte de animais. Mas o que vemos hoje? Uma banalização desse sacrifício. Vamos à igreja. Mas parece que fica longe o pensamento de que ali estamos diante de Alguém que deu a Sua vida em nosso lugar. Procure meditar nas duas perguntas encontradas no rodapé da página destinada ao estudo de terça - feira.

 

Quarta

            Os judeus no tempo de Cristo se vangloriavam ao dizer que eram filhos de Abraão. Para muitos deles essa premissa já lhes garantia a salvação, assim como os samaritanos tinham por pai Jacó. Lembra que a samaritana foi buscar água no poço cavado pelo “nosso pai Jacó”. Quem somos na Igreja jamais vai interferir na nossa salvação. O que nos garante a salvação é o reconhecimento de que somos pecadores e o nos entregarmos por completo ao nosso Salvador.

            Hoje se fala muito em liberdade. Só que a liberdade defendida hoje é aquela que permite a pessoa fazer “tudo o que vem na teia”. Ai vem a escravidão dos vícios, a escravidão das enfermidades e a escravidão nas garras de Satanás. Viver sem limites é a pregação que se ouve hoje e esse viver sem limites que nos algemam e nos prende em grilhões. A liberdade que o mundo oferece termina em morte enquanto que a liberdade oferecida por Cristo nos garante vida com abundância.

            Jesus nos oferece o privilégio de viver livre das garras do pecado. Foi para que isso acontecesse na sua e na minha vida que Ele Se despiu de Sua glória e veio a este mundo morrer em nosso lugar. Jesus é o único que nos fornece a receita para vivermos livres de pecado.

 

Quinta

            Quando Jesus Se identificou como o Pão que desceu do Céu os judeus não entenderam o que Ele estava dizendo e perguntavam entre si: “Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?” (João 6:41-42)

            A Bíblia deixa claro que a experiência da salvação oferecida por Cristo é algo para desfrutarmos já nesse mundo. A Sua promessa é: “Quem crê no Filho tem a vida eterna” (João 5:24). Essa promessa de vida eterna, afirma o autor da Lição “não é apenas uma existência imortal, mas, acima de tudo, uma vida abençoada, satisfatória e feliz, em amorosa comunhão com Deus na Nova Terra” (Página 47).

            Não existe vida eterna longe de Cristo. “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). A vida de quem aceita a Jesus como o seu Salvador se resume em um crescimento diário.

            Milhares de pessoas têm encontrado em Cristo o Pão de que tanto procuram. Ele é o único que pode saciar a nossa fome de Deus. Os judeus recusaram se alimentar do Pão vivo que desceu do Céu. Aliás, quando Jesus Se identificava como a Água da Vida ou o Pão Vivo que desceu do Céu era considerado como blasfemo pelos Seus compatriotas. Ele é o Único que nos oferece vida eterna de graça.

 

Conclusão

            A salvação é oferecida de graça a todo o pecador. O maior problema é o homem reconhecer que é pecador e que necessita de auxílio. Necessitamos de uma compreensão mais profunda de quão maligno é o pecado e o custo real para salvar qualquer um de nós. Tendo esse conhecimento brotará dos nossos lábios a grande interrogação: como não ama-Lo?

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