Comentário
da Lição da Escola Sabatina de cinco a doze de julho de dois mil e quatorze, preparado
por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar
a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Caso saiamos por aí perguntando o
que as pessoas acham ser Jesus vamos ouvir respostas diferentes que vão de Sua
inexistência até ser Ele uma das pessoas do Deus trino.
Ao
escrever o comentário da Lição anterior eu mencionei o caso de uma médica que
dizia acreditar que Jesus nasceu, viveu e morreu martirizado; mas daí, afirmava
ela, “dizer que Ele morreu para salvar a humanidade é história da carochinha”.
O meu avô, que era um assíduo leitor da Bíblia, afirmava que Jesus é apenas um ser
que já se encontra e um plano elevado da existência e que Ele é apenas um exemplo
de vida para nós e não o nosso Salvador.
No caso do meu avô o problema dele
não foi falta de ler a Bíblia, mas sim, de aceitá-la e entendê-la. Mas como ele
poderia entender a Bíblia se o seu costume era lê-la com um lápis de cor na mão
e, ao contrário de nós que marcamos as passagens mais interessantes, ele
sublinhava o que achava não ser verdade. No seu entendimento, hoje existe
espíritos muito mais evoluídos do que aqueles que escreveram a Bíblia.
C.S. Lewis, intelectual, teólogo e romancista escocês, escreveu em
seu livro, Mero Cristianismo: “Tento
aqui impedir que alguém diga a grande tolice que sempre dizem sobre Ele [Jesus
Cristo]: Estou pronto a aceitar Jesus como um grande mestre em moral, mas não
aceito sua afirmação em ser Deus.” Que pena, estudar tanto teologia para se
chegar a uma conclusão tão absurda!
Sempre
que damos um estudo bíblico temos por costume iniciar mostrando o que é a
Bíblia. Entendemos que se uma pessoa não é atraída para a veracidade da Bíblia
não tem como tal estudante aceitar as verdades nela contidas. E uma dessas verdades é o que ela fala da
pessoa de Jesus Cristo.
No
estudo dessa semana vamos ver como a Bíblia define Jesus. E melhor, vamos ver
como Jesus Se auto definiu.
Domingo
A expressão “Filho do Homem” é usada
com frequência no Velho Testamento e sempre que é mencionada se refere a um
profeta ou a um líder de Deus. Parece que ela é encontrada mais vezes no livro
de Ezequiel onde Deus chamou o profeta de "filho do homem" 93 vezes. Deus estava simplesmente chamando Ezequiel de um ser
humano. A expressão “filho do
homem traduz a idéia de alguém que se submete à vontade de Deus como um filho
ao seu pai. O Novo Testamento se refere a Jesus como o “Filho do Homem” 88
vezes, e na maioria das vezes é o próprio Jesus ao Se referir a Si mesmo.
O termo "Filho do Homem" era um título Messiânico. Jesus é o
único a quem foi dado domínio, glória e o reino. Quando Jesus usou esse termo apresentado
por Daniel Ele o fez como uma referencia a Si mesmo. Ele estava atribuindo a
profecia do “Filho do Homem” mencionado em Daniel. Os judeus daquela época com
certeza estavam bem familiarizados com o termo e sabiam a
quem Se referia. Ele estava proclamando ser o Messias.
Um
filho do homem é um homem. Jesus era 100% Deus (João 1:1), mas Ele também era
um ser humano (João 1:14). Esse Jesus que um dia Se tornou Filho do Homem,
humano como qualquer um de nós e que foi humilhado, rejeitado e morto numa cruz
sim, Ele mesmo exercerá o domínio de todas as nações.
Mas, afinal,
Jesus Se identifica como Filho do Homem para chamar a nossa atenção para a Sua
humanidade ou para confirmar a Sua divindade como filho de Deus? Para complicar
um pouquinho mais vemos o próprio Jesus usar a expressão “Filho do homem escrito
com iniciais minúsculas e, em outros casos com iniciais maiúsculas, embora a
maioria das vezes ele use a expressão com letras maiúsculas. O consenso sugere que ao utilizar-se das
duas grafias Ele estava de maneira pedagógica conduzindo seus discípulos a
entenderem quem Ele realmente era: Homem e Deus.
Segunda
Certa vez Jesus estava na igreja rodeado
de um grupo de líderes judeus. Entre os questionamentos em pauta estava a
grande dúvida sobre a Sua divindade. Quando Ele afirmou que já existia antes de
Abraão o tempo fechou de vez. A blasfêmia era punida com apedrejamento e, para
os expectantes, chegou à hora de agirem.
Os judeus já
estavam cansados de ouvir tantas “blasfêmias” como as apresentadas dos textos indicados
na lição. Para eles as coisas estavam extrapolando os limites da paciência.
João, no verso cinquenta e nove do capítulo oito, afirma que,
mesmo dentro da Igreja, eles pegaram em pedras para O matarem, mas Ele
conseguiu sair do meio deles. Parece que os fariseus, já cansados de vê-Lo blasfemar
foram para a igreja munidos de pedras, dispostos a aplicar a pena capital. De
uma maneira disfarçada Jesus mostrou que realmente era divino ao passar
ocultamente por entre eles. (Ver Meditação Reavivar a Esperança, p. 41).
O termo “Filho de Deus” era comumente usado pelos próprios
ouvintes de Jesus. Aliás, o próprio Satanás O tratou assim quando encontrou com
Ele em Gadara: “E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus,
Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes” (Marcos 5:7).
Terça
Respondendo a pergunta da Lição, creio que o episódio acima
mencionado de Jesus Se tornar invisível ao sair do templo foi uma clara
evidência de que Ele é Divino.
Na cura do paralítico Jesus deixou bem claro duas coisas: Ele é
divino. E por Ele ser divino pode perdoar pecados.
Como aceitar que
um Jesus sem pretensões políticas, que Se recusava a fazer parte do poderio
político de então e que não tinha onde reclinar a cabeça seria o enviado de
Deus entre os homens? “Até quando nos deixará em suspense?” Perguntavam eles.
Inúmeras vezes
Jesus explicou que não era desse mundo, mas como entender se essa não era a
resposta que eles gostariam de ouvir? Para os líderes judeus Jesus era um
impostor que, além de blasfemar dom frequência, chegou ao disparate de afirmar
ter competência para perdoar pecados. Jesus sabia das necessidades daquele
homem. Diz Ellen G. White: “Entre esses estava o
paralítico de Cafarnaum. Como o leproso, esse paralítico perdera toda esperança
de restabelecimento. Sua doença era o resultado de uma vida pecaminosa, e seus
sofrimentos eram amargurados pelo remorso. Em vão apelara para os fariseus e os
doutores em busca de alívio; pronunciaram incurável o seu mal, declararam que
havia de morrer sob a ira de Deus” (Ciência do Bom Viver, p. 73).
Jesus sabia as causas da
paralisia que acometeu aquele homem e sabia também que, caso essa causa não
fosse reparada de nada adiantaria revitalizar os seus músculos já atrofiados.
Quarta
Os judeus tinham um elevado respeito para com Abraão. Aliás, o verdadeiro judeu se gabava de ser filho de Abrão. Jesus esclareceu que a Sua existência remonta antes que Abraão fosse gente. Jesus queria dizer que a Sua existência estava ligada ao próprio Deus, “sem principio e sem fim”. Quanto mais Jesus explicava a Sua divindade mais confusos ficavam os líderes judeus.
Os judeus tinham um elevado respeito para com Abraão. Aliás, o verdadeiro judeu se gabava de ser filho de Abrão. Jesus esclareceu que a Sua existência remonta antes que Abraão fosse gente. Jesus queria dizer que a Sua existência estava ligada ao próprio Deus, “sem principio e sem fim”. Quanto mais Jesus explicava a Sua divindade mais confusos ficavam os líderes judeus.
Uma
das coisas que despertavam mais dúvidas quanto à preexistência de Cristo era a
Sua maneira humilde de auto afirmar essa verdade. Crer em alguém enviado de
Deus e que, ao nascer, Se fez humilde a tal ponto de nascer entre os animais
por falta de abrigo, contrastava muito com a arrogância dos líderes religiosos
daquele tempo. Um fato é verdade. Ainda hoje milhões de pessoas não acreditam
que Jesus é eterno. Nós cremos em um Jesus preexistente porque a Bíblia
confirma a Sua divindade.
Lembra
que ao afirmar a Sua Divindade, os líderes judeus viam motivos de sobra para
apedrejá-Lo por blasfêmia e já abordamos que foi justamente nesse momento que
Ele demonstrou a Sua divindade saindo de entre Eles sem que fosse notado, ver
João 8:59.
Estejamos
entre o grupo de bem-aventurados que creram que Aquele que tem a vida em Si
mesmo, tem poder para deixar a Sua vida é o mesmo que tem poder para tornar a
tomá-la. “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé creste; bem-aventurados
os que não viram e creram” (João 20:29).
Quinta
Até a morte de
Cristo a situação do homem era um caso encerrado. Afastado de Deus e entregue
ao pecado, nada mais lhe restava senão a morte eterna. Mas Deus é amor e Ele
“...prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós
ainda pecadores” (Romanos 5:8).
Antes
da morte de Jesus todo o perdão prometido estava condicionado à morte de Jesus.
Podemos imaginar o caos que envolveria a terra caso Jesus houvesse fracassado
em Sua missão. Mas o Seu sacrifício foi completo e foi aceito pelo Pai. Quando
na cruz, Jesus pronunciou as palavras “Está consumado” Ele não só estava
dizendo que havia consumado o sacrifício salvador, mas ao mesmo tempo dizia que
estava consumado o fim de Satanás.
Com a Sua morte e ressurreição, Jesus dá ao
homem a possibilidade de salvação. A Sua morte foi um testemunho para todo o
Universo de que Deus ama o pecador e que Satanás se tornou em um inimigo
vencido. Estava realmente comprovado que “...O Filho do homem veio buscar e
salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10).
Conclusão
Cabe
a cada um de nós mostrarmos para o mundo que o Filho de Deus Se tornou filho do
homem e, ao viver entre nós, demonstrou por atos e palavras que Deus é amor e
estava fazendo tudo para salvar o pecador. Toda a humanidade deve saber que “o
Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10).
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