quinta-feira, 10 de julho de 2014

O Filho

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de cinco a doze de julho de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Caso saiamos por aí perguntando o que as pessoas acham ser Jesus vamos ouvir respostas diferentes que vão de Sua inexistência até ser Ele uma das pessoas do Deus trino.

Ao escrever o comentário da Lição anterior eu mencionei o caso de uma médica que dizia acreditar que Jesus nasceu, viveu e morreu martirizado; mas daí, afirmava ela, “dizer que Ele morreu para salvar a humanidade é história da carochinha”. O meu avô, que era um assíduo leitor da Bíblia, afirmava que Jesus é apenas um ser que já se encontra e um plano elevado da existência e que Ele é apenas um exemplo de vida para nós e não o nosso Salvador.

            No caso do meu avô o problema dele não foi falta de ler a Bíblia, mas sim, de aceitá-la e entendê-la. Mas como ele poderia entender a Bíblia se o seu costume era lê-la com um lápis de cor na mão e, ao contrário de nós que marcamos as passagens mais interessantes, ele sublinhava o que achava não ser verdade. No seu entendimento, hoje existe espíritos muito mais evoluídos do que aqueles que escreveram a Bíblia.

C.S. Lewis, intelectual, teólogo e romancista escocês, escreveu em seu livro, Mero Cristianismo: “Tento aqui impedir que alguém diga a grande tolice que sempre dizem sobre Ele [Jesus Cristo]: Estou pronto a aceitar Jesus como um grande mestre em moral, mas não aceito sua afirmação em ser Deus.” Que pena, estudar tanto teologia para se chegar a uma conclusão tão absurda!

Sempre que damos um estudo bíblico temos por costume iniciar mostrando o que é a Bíblia. Entendemos que se uma pessoa não é atraída para a veracidade da Bíblia não tem como tal estudante aceitar as verdades nela contidas.  E uma dessas verdades é o que ela fala da pessoa de Jesus Cristo.

No estudo dessa semana vamos ver como a Bíblia define Jesus. E melhor, vamos ver como Jesus Se auto definiu.

 

Domingo

            A expressão “Filho do Homem” é usada com frequência no Velho Testamento e sempre que é mencionada se refere a um profeta ou a um líder de Deus. Parece que ela é encontrada mais vezes no livro de Ezequiel onde Deus chamou o profeta de "filho do homem" 93 vezes. Deus estava simplesmente chamando Ezequiel de um ser humano.  A expressão “filho do homem traduz a idéia de alguém que se submete à vontade de Deus como um filho ao seu pai. O Novo Testamento se refere a Jesus como o “Filho do Homem” 88 vezes, e na maioria das vezes é o próprio Jesus ao Se referir a Si mesmo.

            O termo "Filho do Homem" era um título Messiânico. Jesus é o único a quem foi dado domínio, glória e o reino. Quando Jesus usou esse termo apresentado por Daniel Ele o fez como uma referencia a Si mesmo. Ele estava atribuindo a profecia do “Filho do Homem” mencionado em Daniel. Os judeus daquela época com certeza estavam bem familiarizados com o termo e sabiam a quem Se referia. Ele estava proclamando ser o Messias.

            Um filho do homem é um homem. Jesus era 100% Deus (João 1:1), mas Ele também era um ser humano (João 1:14). Esse Jesus que um dia Se tornou Filho do Homem, humano como qualquer um de nós e que foi humilhado, rejeitado e morto numa cruz sim, Ele mesmo exercerá o domínio de todas as nações.

            Mas, afinal, Jesus Se identifica como Filho do Homem para chamar a nossa atenção para a Sua humanidade ou para confirmar a Sua divindade como filho de Deus? Para complicar um pouquinho mais vemos o próprio Jesus usar a expressão “Filho do homem escrito com iniciais minúsculas e, em outros casos com iniciais maiúsculas, embora a maioria das vezes ele use a expressão com letras maiúsculas. O consenso sugere que ao utilizar-se das duas grafias Ele estava de maneira pedagógica conduzindo seus discípulos a entenderem quem Ele realmente era: Homem e Deus.

 

Segunda

            Certa vez Jesus estava na igreja rodeado de um grupo de líderes judeus. Entre os questionamentos em pauta estava a grande dúvida sobre a Sua divindade. Quando Ele afirmou que já existia antes de Abraão o tempo fechou de vez. A blasfêmia era punida com apedrejamento e, para os expectantes, chegou à hora de agirem.

            Os judeus já estavam cansados de ouvir tantas “blasfêmias” como as apresentadas dos textos indicados na lição. Para eles as coisas estavam extrapolando os limites da paciência.

João, no verso cinquenta e nove do capítulo oito, afirma que, mesmo dentro da Igreja, eles pegaram em pedras para O matarem, mas Ele conseguiu sair do meio deles. Parece que os fariseus, já cansados de vê-Lo blasfemar foram para a igreja munidos de pedras, dispostos a aplicar a pena capital. De uma maneira disfarçada Jesus mostrou que realmente era divino ao passar ocultamente por entre eles. (Ver Meditação Reavivar a Esperança, p. 41).

O termo “Filho de Deus” era comumente usado pelos próprios ouvintes de Jesus. Aliás, o próprio Satanás O tratou assim quando encontrou com Ele em Gadara: “E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes” (Marcos 5:7).

 

Terça

Respondendo a pergunta da Lição, creio que o episódio acima mencionado de Jesus Se tornar invisível ao sair do templo foi uma clara evidência de que Ele é Divino.

Na cura do paralítico Jesus deixou bem claro duas coisas: Ele é divino. E por Ele ser divino pode perdoar pecados.

            Como aceitar que um Jesus sem pretensões políticas, que Se recusava a fazer parte do poderio político de então e que não tinha onde reclinar a cabeça seria o enviado de Deus entre os homens? “Até quando nos deixará em suspense?” Perguntavam eles.

            Inúmeras vezes Jesus explicou que não era desse mundo, mas como entender se essa não era a resposta que eles gostariam de ouvir? Para os líderes judeus Jesus era um impostor que, além de blasfemar dom frequência, chegou ao disparate de afirmar ter competência para perdoar pecados. Jesus sabia das necessidades daquele homem. Diz Ellen G. White: Entre esses estava o paralítico de Cafarnaum. Como o leproso, esse paralítico perdera toda esperança de restabelecimento. Sua doença era o resultado de uma vida pecaminosa, e seus sofrimentos eram amargurados pelo remorso. Em vão apelara para os fariseus e os doutores em busca de alívio; pronunciaram incurável o seu mal, declararam que havia de morrer sob a ira de Deus” (Ciência do Bom Viver, p. 73).

Jesus sabia as causas da paralisia que acometeu aquele homem e sabia também que, caso essa causa não fosse reparada de nada adiantaria revitalizar os seus músculos já atrofiados.

 

Quarta 
            Os judeus tinham um elevado respeito para com Abraão. Aliás, o verdadeiro judeu se gabava de ser filho de Abrão. Jesus esclareceu que a Sua existência remonta  antes que Abraão fosse gente. Jesus queria dizer que a Sua existência estava ligada ao próprio Deus, “sem principio e sem fim”. Quanto mais Jesus explicava a Sua divindade mais confusos ficavam os líderes judeus.

            Uma das coisas que despertavam mais dúvidas quanto à preexistência de Cristo era a Sua maneira humilde de auto afirmar essa verdade. Crer em alguém enviado de Deus e que, ao nascer, Se fez humilde a tal ponto de nascer entre os animais por falta de abrigo, contrastava muito com a arrogância dos líderes religiosos daquele tempo. Um fato é verdade. Ainda hoje milhões de pessoas não acreditam que Jesus é eterno. Nós cremos em um Jesus preexistente porque a Bíblia confirma a Sua divindade.

            Lembra que ao afirmar a Sua Divindade, os líderes judeus viam motivos de sobra para apedrejá-Lo por blasfêmia e já abordamos que foi justamente nesse momento que Ele demonstrou a Sua divindade saindo de entre Eles sem que fosse notado, ver João 8:59.

            Estejamos entre o grupo de bem-aventurados que creram que Aquele que tem a vida em Si mesmo, tem poder para deixar a Sua vida é o mesmo que tem poder para tornar a tomá-la. “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé creste; bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20:29).

 

Quinta

            Até a morte de Cristo a situação do homem era um caso encerrado. Afastado de Deus e entregue ao pecado, nada mais lhe restava senão a morte eterna. Mas Deus é amor e Ele “...prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).

            Antes da morte de Jesus todo o perdão prometido estava condicionado à morte de Jesus. Podemos imaginar o caos que envolveria a terra caso Jesus houvesse fracassado em Sua missão. Mas o Seu sacrifício foi completo e foi aceito pelo Pai. Quando na cruz, Jesus pronunciou as palavras “Está consumado” Ele não só estava dizendo que havia consumado o sacrifício salvador, mas ao mesmo tempo dizia que estava consumado o fim de Satanás.

             Com a Sua morte e ressurreição, Jesus dá ao homem a possibilidade de salvação. A Sua morte foi um testemunho para todo o Universo de que Deus ama o pecador e que Satanás se tornou em um inimigo vencido. Estava realmente comprovado que “...O Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10).

 

Conclusão

            Cabe a cada um de nós mostrarmos para o mundo que o Filho de Deus Se tornou filho do homem e, ao viver entre nós, demonstrou por atos e palavras que Deus é amor e estava fazendo tudo para salvar o pecador. Toda a humanidade deve saber que “o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10).

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