Comentário
da Lição da Escola Sabatina de vinte e seis de julho a dois de agosto de dois
mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal
Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O
comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Central de
Taguatinga.
Introdução
Estudamos na Lição anterior que a
salvação do pecador é uma iniciativa de Deus oriunda do Seu grande amor para
conosco. No estudo desta semana veremos como Deus concretizou o Seu sonho de
salva a todos nós.
O verso áureo mostra um quadro
exótico. A mesma serpente que mata e
fere sendo objeto de salvação. Sempre temos na serpente uma representação de
Satanás. Foi usando uma serpente que ele adentrou o Éden e introduziu a
rebeldia no coração do homem. As serpentes nos causam repulsa e repúdio.
Durante o tempo em que trabalhei na agricultura por várias vezes me assustei ao
me encontrar inesperadamente com uma delas.
Por lógica, a serpente representa
Satanás. Mas aparentemente, no deserto, Deus usou a serpente de metal não como
causadora de morte, mas de salvação justamente para quem foi picado por uma
serpente real. Não parece contraditório? O próprio Jesus explica esse aparente
contraste. A serpente de metal nada tinha a ver com a salvação de quem era
picado por uma serpente de verdade. E mais: dela não emanava nenhuma medicação
que pudesse aliviar o sofrimento ou salvar o paciente da morte. A serpente de
metal foi um recado para o próprio Satanás de que a ferida que ele nos causa é
curada pela fé em Cristo.
Assim como Satanás se levantou
contra o ser humano Jesus seria levantado para salvar. Assim como foi real a
cura de cada israelita que olhou para a serpente, qualquer pecador que olhar
para Cristo crucificado será salvo.
Jesus quis mostrar que, se depender
de Satanás todo o ser humano morre, mas o propósito de Deus é “Aquele que crê no Filho tem a vida
eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus
sobre ele permanece” (João
3:36). A salvação é o resultado de nossa fé no
sacrifício de Jesus. Apenas Ele pode salvar. “Portanto, pode também salvar
perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder
por eles” (Hebreus 7:25).
Domingo
Os
judeus consideravam os publicanos como traidores da pátria. Os impostos eram
cobrados de maneira abusiva e toda a população estava à mercê destes cobradores
de impostos. Quando vemos o interesse de Jesus pelos publicanos representados
por Levi e Zaqueu parece, à primeira vista, que Jesus participava de suas
ações. Essa atitude de Jesus causou repulsa entre os fariseus por dois motivos.
Primeiro, os publicanos eram pecadores excluídos do templo, da comunidade e da
possibilidade de salvação. Em segundo lugar deixava transparecer que Jesus era
contra os judeus e a favor dos dominadores romanos. O que os judeus não se
tocavam era que cada publicano convertido seria um explorador do povo a menos
na sociedade.
Um
detalhe não pode ser olvidado. Os publicanos sentiram a necessidade de salvação.
Reconhecer essa necessidade é o primeiro passo para que o pecador se torne um
participante da natureza divina. “Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e
preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza
divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” (2
Pedro 1:4).
“Jesus Se sentou como
hóspede honrado à mesa dos publicanos, mostrando, por Sua simpatia e
amabilidade social, reconhecer a dignidade humana; e os homens anelavam tornarem-se
dignos de Sua confiança. As palavras de Seus lábios caíam no sedento coração
deles com um bendito e vivificante poder. Despertavam-se novos impulsos, e a
esses párias da sociedade abriu-se a possibilidade de uma nova vida” (O
Desejado de Tocas as Nações, p. 274).
Segunda
Um escritor depois de explicar o que é
arrependimento e mostrar a diferença que existe entre arrependimento e remorso
ele resume em poucas palavras o que é arrependimento. Diz ele: “Pode ser considerado como a dor
sentida por causa da dor causada.”
Quem se arrepende de alguma coisa causou dor e sofrimento
a Deus ou a algum ser humano ou a si próprio. O reparo dessa dor causada a
outrem redunda no sofrimento que se equipara ao sofrimento causado a Deus ou ao
nosso semelhante.
Diante disso temos três situações. Conscientes da falta
cometida e sentido a dor que causou em alguém o Espírito Santo desenvolve em
nosso ser três desejos. Primeiro desejamos
que a pessoa atingida exerça para conosco algo difícil de ser praticado
por nós mortais: perdão. Vencida essa etapa vem o desejo de não mais praticar a
ofensa e em terceiro lugar vem o desejo sincero de mudar de vida.
Sem o reconhecimento do pecado e consequente
arrependimento não existe salvação. Esse foi o tema pregado por João no
deserto, enfatizado por Jesus e repetido pelos apóstolos. Veja: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mateus
3:8) pregava João. Depois veio Jesus insistindo:
“Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus
4:17). A mesma advertência é repetida pelos
apóstolos no Pentecostes : “Arrependei-vos,
pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham
assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19).
Terça
Para
que o arrependimento cause o
resultado pretendido que é a paz de espírito é necessário o exercício da fé em
Jesus. Paulo afirma que sem fé é impossível agradar a Deus e podemos
acrescentar que sem fé é impossível agradar a nos mesmos. “Ora, sem fé é
impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus
creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus
11:6). Como eu vou ter paz se não tenho fé que
Jesus perdoou os meus pecados?
Sempre
que Jesus efetuava uma cura Ele associava a fé que a pessoa exercia para ser
curada com a fé que deveria ser exercitada de que Ele perdoa os nossos pecados.
Sem a paz de espírito que a fé em Cristo nos proporciona pouco ou nada vale a
restauração física.
O
autor da lição esclarece que “o poder da fé não vem da pessoa que crê, mas do Deus
em quem a pessoa crê. Deus é a fonte da fé. Quanto mais nos relacionamos com
Ele mais crescemos em fé. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela
palavra de Deus” (Romanos 10:17). Os
judeus não conheceram e nem reconheceram Jesus como o Salvador. Sem esse
conhecimento não tiveram como exercitar fé no perdão Por Ele oferecido: “E os
que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa
pecados?” (Lucas 7:49).
Não
é porque Jesus morreu por toda a humanidade que automaticamente todos os seres
humanos serão salvos. A salvação é restrita apena a aqueles que exercitaram fé
no sacrifício oferecido no Calvário.
Quarta
Na
parábola da grande festa o Senhor da festa é Deus. Por intermédio dos profetas
Ele convidou o povo judeu para a vida eterna, a grande festa. Eles recusaram o
convite e, indo mais longe, maltrataram os mensageiros. Em um segundo momento ele convida a escória
da sociedade, os gentios. Aos mais miseráveis é oferecida a oportunidade de
participar de uma festa de alto nível.
A entrada para o banquete é de graça, mas há
uma exigência da parte do Senhor da festa. Cada convidado deve aceitar a
vestimenta oferecida por Ele. E, pelo que parece, ela é igual para todos.
Durante a festa ninguém se apresentará em um nível mais elevado que o outro.
Todos são iguais.
O local da grande festa é o Céu. E ali, o impuro não entrará. Os convidados
terão de usar as vestes de justiça oferecidas por Cristo. Aceitar essas vestes
é se despir de toda a justiça própria. A nossa justiça é sujeira e sujeira não
entra no Céu “Mas todos nós
somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia”
(Isaias 64:6). Na grande festa não há lugar para pessoas que recusam as vestes
de justiça oferecidas por Deus. São vestes que custaram muito para o Céu.
No
caso dos convidados eles vieram para a festa do jeito em que estavam. Sujos,
suados, maltrapilhos e imundos. Provavelmente os participantes foram lavados,
purificados e penteados. Feito isso, o participante da festa usa as vestes de
uma brancura que força humana não é possível produzir. “E as suas vestes
tornaram- se resplandecentes, extremamente brancas como a neve, tais como
nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia branquear” (Marcos
9:3).
Quinta
Seguir a Jesus é bem diferente de aceitá-Lo.
Seguir a Jesus é estar disposto a tomar cada dia a sua cruz e segui-Lo. “E
dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada
dia a sua cruz, e siga-me” (Lucas
9:23).
Esse “cada dia” pode ser lido como cada ano, cada mês, cada semana e
cada minuto. Seguir a Jesus é renunciar a cada dia o mundo e seus encantos. É
viver como Ele viveu.
Bartimeu ao ser curado ouviu de Jesus: “Vai”,
mas ele havia experimentado o que é estar junto com Cristo e “seguiu a Jesus
pelo caminho”. “E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e
seguiu a Jesus pelo caminho” (Marcos 10:52).
João apresenta o desafio: “Aquele que diz que
está nele, também deve andar como ele andou” (1
João 2:6), mas antes João apresenta como conseguir
isso: “Estar Nele.” Apenas são considerados discípulos aqueles que dia a dia
andam como Ele andou. “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós
permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos” (João
8:31).
“Mas aquele que perseverar até ao fim, esse
será salvo” (Mateus 24:13).
“Perseverar até o fim” é segui-Lo até o fim. Esse é o desafio de Jesus para
cada um de nós. Ele espera que a nossa atitude em relação a Ele seja a mesma
Dele em relação a nós. “Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era
chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus,
que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João
13:1).
Conclusão
A
Lição nos ensinou que a salvação é o propósito de Deus para todo o ser humano.
Ela é oferecida de graça para todo o pecador. Uma vez salvo cabe a cada um de
nós “andar como Ele andou”, ou melhor: cabe a cada um de nós permanecer salvo.
Meditação
“Coisa alguma é aparentemente
mais desamparada, e na realidade mais invencível, do que a alma que sente o seu
nada, e confia inteiramente nos méritos do Salvador. Pela oração, pelo estudo
de Sua Palavra, pela fé em Sua constante presença, a mais fraca das criaturas
humanas pode viver em contato com o Cristo vivo, e Ele a segurará com mão que nunca
a soltará” (A Ciência do Bom Viver, p. 182).
O
estudo da Lição da Escola Sabatina passa por aqui
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