domingo, 27 de julho de 2014

Como ser salvo

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e seis de julho a dois de agosto de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Central de Taguatinga.

 

Introdução

            Estudamos na Lição anterior que a salvação do pecador é uma iniciativa de Deus oriunda do Seu grande amor para conosco. No estudo desta semana veremos como Deus concretizou o Seu sonho de salva a todos nós.

            O verso áureo mostra um quadro exótico. A  mesma serpente que mata e fere sendo objeto de salvação. Sempre temos na serpente uma representação de Satanás. Foi usando uma serpente que ele adentrou o Éden e introduziu a rebeldia no coração do homem. As serpentes nos causam repulsa e repúdio. Durante o tempo em que trabalhei na agricultura por várias vezes me assustei ao me encontrar inesperadamente com uma delas. 

            Por lógica, a serpente representa Satanás. Mas aparentemente, no deserto, Deus usou a serpente de metal não como causadora de morte, mas de salvação justamente para quem foi picado por uma serpente real. Não parece contraditório? O próprio Jesus explica esse aparente contraste. A serpente de metal nada tinha a ver com a salvação de quem era picado por uma serpente de verdade. E mais: dela não emanava nenhuma medicação que pudesse aliviar o sofrimento ou salvar o paciente da morte. A serpente de metal foi um recado para o próprio Satanás de que a ferida que ele nos causa é curada pela fé em Cristo.

            Assim como Satanás se levantou contra o ser humano Jesus seria levantado para salvar. Assim como foi real a cura de cada israelita que olhou para a serpente, qualquer pecador que olhar para Cristo crucificado será salvo.

            Jesus quis mostrar que, se depender de Satanás todo o ser humano morre, mas o propósito de Deus é “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João 3:36). A salvação é o resultado de nossa fé no sacrifício de Jesus. Apenas Ele pode salvar. “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25).

 

Domingo

            Os judeus consideravam os publicanos como traidores da pátria. Os impostos eram cobrados de maneira abusiva e toda a população estava à mercê destes cobradores de impostos. Quando vemos o interesse de Jesus pelos publicanos representados por Levi e Zaqueu parece, à primeira vista, que Jesus participava de suas ações. Essa atitude de Jesus causou repulsa entre os fariseus por dois motivos. Primeiro, os publicanos eram pecadores excluídos do templo, da comunidade e da possibilidade de salvação. Em segundo lugar deixava transparecer que Jesus era contra os judeus e a favor dos dominadores romanos. O que os judeus não se tocavam era que cada publicano convertido seria um explorador do povo a menos na sociedade.

            Um detalhe não pode ser olvidado. Os publicanos sentiram a necessidade de salvação. Reconhecer essa necessidade é o primeiro passo para que o pecador se torne um participante da natureza divina. “Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” (2 Pedro 1:4).

 Jesus Se sentou como hóspede honrado à mesa dos publicanos, mostrando, por Sua simpatia e amabilidade social, reconhecer a dignidade humana; e os homens anelavam tornarem-se dignos de Sua confiança. As palavras de Seus lábios caíam no sedento coração deles com um bendito e vivificante poder. Despertavam-se novos impulsos, e a esses párias da sociedade abriu-se a possibilidade de uma nova vida” (O Desejado de Tocas as Nações, p. 274). 

 

Segunda

            Um escritor depois de explicar o que é arrependimento e mostrar a diferença que existe entre arrependimento e remorso ele resume em poucas palavras o que é arrependimento. Diz ele: “Pode ser considerado como a dor sentida por causa da dor causada.”

            Quem se arrepende de alguma coisa causou dor e sofrimento a Deus ou a algum ser humano ou a si próprio. O reparo dessa dor causada a outrem redunda no sofrimento que se equipara ao sofrimento causado a Deus ou ao nosso semelhante.

            Diante disso temos três situações. Conscientes da falta cometida e sentido a dor que causou em alguém o Espírito Santo desenvolve em nosso ser três desejos. Primeiro desejamos  que a pessoa atingida exerça para conosco algo difícil de ser praticado por nós mortais: perdão. Vencida essa etapa vem o desejo de não mais praticar a ofensa e em terceiro lugar vem o desejo sincero de mudar de vida.

            Sem o reconhecimento do pecado e consequente arrependimento não existe salvação. Esse foi o tema pregado por João no deserto, enfatizado por Jesus e repetido pelos apóstolos. Veja: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3:8) pregava João. Depois veio Jesus insistindo: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus 4:17). A mesma advertência é repetida pelos apóstolos no Pentecostes : “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19).

 

Terça

            Para que o arrependimento cause o resultado pretendido que é a paz de espírito é necessário o exercício da fé em Jesus. Paulo afirma que sem fé é impossível agradar a Deus e podemos acrescentar que sem fé é impossível agradar a nos mesmos. “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6). Como eu vou ter paz se não tenho fé que Jesus perdoou os meus pecados?

            Sempre que Jesus efetuava uma cura Ele associava a fé que a pessoa exercia para ser curada com a fé que deveria ser exercitada de que Ele perdoa os nossos pecados. Sem a paz de espírito que a fé em Cristo nos proporciona pouco ou nada vale a restauração física.

            O autor da lição esclarece que “o poder da fé não vem da pessoa que crê, mas do Deus em quem a pessoa crê. Deus é a fonte da fé. Quanto mais nos relacionamos com Ele mais crescemos em fé. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17). Os judeus não conheceram e nem reconheceram Jesus como o Salvador. Sem esse conhecimento não tiveram como exercitar fé no perdão Por Ele oferecido: “E os que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados?” (Lucas 7:49).

            Não é porque Jesus morreu por toda a humanidade que automaticamente todos os seres humanos serão salvos. A salvação é restrita apena a aqueles que exercitaram fé no sacrifício oferecido no Calvário.

 

Quarta

            Na parábola da grande festa o Senhor da festa é Deus. Por intermédio dos profetas Ele convidou o povo judeu para a vida eterna, a grande festa. Eles recusaram o convite e, indo mais longe, maltrataram os mensageiros.  Em um segundo momento ele convida a escória da sociedade, os gentios. Aos mais miseráveis é oferecida a oportunidade de participar de uma festa de alto nível.

A entrada para o banquete é de graça, mas há uma exigência da parte do Senhor da festa. Cada convidado deve aceitar a vestimenta oferecida por Ele. E, pelo que parece, ela é igual para todos. Durante a festa ninguém se apresentará em um nível mais elevado que o outro. Todos são iguais.

O local da grande festa é o Céu.  E ali, o impuro não entrará. Os convidados terão de usar as vestes de justiça oferecidas por Cristo. Aceitar essas vestes é se despir de toda a justiça própria. A nossa justiça é sujeira e sujeira não entra no Céu “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia” (Isaias 64:6). Na grande festa não há lugar para pessoas que recusam as vestes de justiça oferecidas por Deus. São vestes que custaram muito para o Céu.

            No caso dos convidados eles vieram para a festa do jeito em que estavam. Sujos, suados, maltrapilhos e imundos. Provavelmente os participantes foram lavados, purificados e penteados. Feito isso, o participante da festa usa as vestes de uma brancura que força humana não é possível produzir. “E as suas vestes tornaram- se resplandecentes, extremamente brancas como a neve, tais como nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia branquear” (Marcos 9:3).

 

Quinta

Seguir a Jesus é bem diferente de aceitá-Lo. Seguir a Jesus é estar disposto a tomar cada dia a sua cruz e segui-Lo. “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lucas 9:23).  Esse “cada dia” pode ser lido como cada ano, cada mês, cada semana e cada minuto. Seguir a Jesus é renunciar a cada dia o mundo e seus encantos. É viver como Ele viveu.

Bartimeu ao ser curado ouviu de Jesus: “Vai”, mas ele havia experimentado o que é estar junto com Cristo e “seguiu a Jesus pelo caminho”. “E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho” (Marcos 10:52).

João apresenta o desafio: “Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1 João 2:6), mas antes João apresenta como conseguir isso: “Estar Nele.” Apenas são considerados discípulos aqueles que dia a dia andam como Ele andou. “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos” (João 8:31).

“Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo” (Mateus 24:13). “Perseverar até o fim” é segui-Lo até o fim. Esse é o desafio de Jesus para cada um de nós. Ele espera que a nossa atitude em relação a Ele seja a mesma Dele em relação a nós. “Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13:1).

 

Conclusão

            A Lição nos ensinou que a salvação é o propósito de Deus para todo o ser humano. Ela é oferecida de graça para todo o pecador. Uma vez salvo cabe a cada um de nós “andar como Ele andou”, ou melhor: cabe a cada um de nós permanecer salvo.

 

Meditação

“Coisa alguma é aparentemente mais desamparada, e na realidade mais invencível, do que a alma que sente o seu nada, e confia inteiramente nos méritos do Salvador. Pela oração, pelo estudo de Sua Palavra, pela fé em Sua constante presença, a mais fraca das criaturas humanas pode viver em contato com o Cristo vivo, e Ele a segurará com mão que nunca a soltará” (A Ciência do Bom Viver, p. 182).

 

O estudo da Lição da Escola Sabatina passa por aqui

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