segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O aperfeicoamento da fé

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de quatro a onze de outubro de dois mil e quatorze, reparado por Carmo Patrocínio Pinto membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Tiago chama a nossa atenção para um crescimento constante. A nossa fé necessita ser exercitada. Nunca devemos nos acomodar com as pequenas realizações no âmbito espiritual. Sempre teremos novos horizontes a alcançar.

            Tiago ressalta a importância da sabedoria e a tem como um dom divino que deve ser buscado com empenho. Parece que o seu foco é que peçamos a Deus sabedoria para usar adequadamente o conhecimento adquirido. Pouco ou nada valerá o conhecimento caso não tenhamos o esclarecimento necessário de como usá-lo.

            Quando Tiago fala do aperfeiçoamento da fé ele está se referindo a toda a nossa vida espiritual. Nunca devemos nos contentar com os resultados alcançados, mas sim, tendo a consciência de que conseguimos desvendar apenas a “orla dos Seus caminhos”, temos diante de nós um desafio constante.

            A nossa vida cristã é como andar de bicicleta. Uma parada significa queda. Como promover o aperfeiçoamento da fé? A única maneira é exercitando-a e esse exercício deve ser continuo e ininterrupto. Tiago deixa claro que o nosso alvo deve ser o crescimento contínuo. Até onde vamos chegar apenas Deus sabe.

            Tiago reitera em vários momentos a necessidade de uma vida espiritual experimental e não apenas teórica. Para ele a teoria sem a vivência diária de nada resolve. Um cristianismo de fachada tende a desmoronar quando soprarem os ventos das provações.

 

Domingo

            É interessante que um dos mecanismos para desenvolver a nossa fé são as provações. Temos inúmeros pregadores por ai insistindo na premissa de que com a aceitação de Cristo a vida se transforma em um mar de rosas repleta de realizações materiais. Sabemos que isso não é verdade. Ao aceitarmos a Cristo não estamos isento de provações pois “Sabemos que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Romanos 8:28).

            Não é fácil manter a nossa fé inabalável diante de determinadas provações. Temos a tendência avaliar as provações daqueles que estão ao nosso redor e sempre o nosso juízo é de que elas não são tão severas assim. É bom lembrar que o meu irmão carrega uma cruz cujo tamanho e peso não compete a nenhum de nós avaliarmos senão apenas Aquele que carregou a sua cruz até o Calvário. Não sabemos dos limites de ninguém nem os nossos. Algo de desagradável que aconteceu na vida de alguém pode representar quase nada para mim, enquanto que para a alma atribulada está sendo exigido o seu limite máximo.

            Pedro afirma que as provações não representam nada de novo ou diferente em nossa vida e deve ser encaradas como algo normal na vida cristã de cada crente e mais: as provações devem produzir em nós uma alegria inexplicável para o mundo ao nosso redor, pois é a prova de que somos amados por Deus.

            As provações fortalecem a nossa fé e a fé fortalecida nos prepara para vencermos as provações. Jesus nos adverte: “mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mateus 10:22). 

           

Segunda

            A vida espiritual é uma estrada em ascensão. Como pecadores sempre temos o que melhorar, polir e acertar. O nosso alvo é “até que todo alcance a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (Efésios 4:13). A nossa tendência pecaminosa sempre nos força a tomar a direção contrária a esse objetivo divino.

            A perfeição proposta pelo Céu é um alvo a atingir. Paulo sempre afirmava que, embora não a houvesse alcançado ele continuava avançando diariamente. Temos dois grupos bem diferentes entre si.  Um é aquele que, despreocupado com o seu crescimento espiritual, se acomoda e nada faz nesse sentido enquanto o outro cada dia se esmera em moldar a sua vida com a de Cristo. Pode ser que as pessoas do segundo grupo nunca venham a alcançar o Modelo mas há um renovar diário, um esforço intermitente nesse sentido tais pessoas são consideradas como Davi, “o homem segundo o coração de Deus” (Atos 13:22).

            Paulo nunca se identificou como alguém que tenha alcançado o objetivo máximo. “Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:13-14).

            O crescimento de nossa fé é mesclado com provações. Elas têm como objetivo aprimorar a nossa perseverança e formar em nós um caráter semelhante ao de Cristo. Para que a perseverança seja uma constante em nossa vida e a perfeição um objetivo alcançado é necessário um relacionamento diário com Cristo.

 

Terça

            Tiago faz um paralelo entre a sabedoria e a humildade. No verso treze do capitulo três ele esclarece que sábio é aquele que usa de misericórdia para com o próximo, mas dosada com humildade. Segundo as suas declarações viver assim não é fácil e para conseguir tal façanha temos que orar com fé para que Deus nos dê sabedoria e nos capacite a usá-la com prudência.

            Conheço pessoas dotadas de muito conhecimento, mas que se ufanam diante dos mais próximos como quem estivesse dizendo “eu entendo mais das coisas que nos cercam do que vocês”. Não é fácil ser sábio e humilde ao mesmo tempo. Para isso Tiago nos exorta a buscar a sabedoria que vem do alto. A sabedoria do céu vem embalada na discreta embalagem da humildade. 

            Pessoas movidas pela exaltação própria têm dificuldade para pedir sabedoria. Sabedoria para elas é um produto inerente ao seu próprio ser. Mas essa sabedoria se manifesta na roupagem do orgulho pessoal. Quão diferente é a sabedoria outorgada pelo céu!  “Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera” (Tiago 3:17).

            Para adquirir a sabedoria que vem do alto duas coisas são necessárias. Primeiro é sentir a necessidade da verdadeira sabedoria e, em segundo lugar, pedir a Deus com fé. Esse humilde exercício da fé na busca pela sabedoria que vem do céu credencia o solicitante a recebê-la.

 

Quarta

            Demonstrar fé firme e inabalável não é fácil. Orar com fé significa demonstrar certeza de que Deus nos ouvirá. Essa certeza pode parecer convencimento de que somos os melhores por isso é que Deus nos atende. Deus nos atenderá não porque somos melhores ou piores do que alguém. Deus atenta para a súplica do suplicante e não pelas condições do suplicante. A única coisa que Ele espera é que exercitemos fé de que Ele nos ouvirá. Tiago afirma “...peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida” (Tiago 1:5).

            Jesus enaltece a fé acompanhada da certeza de que Deus nos ouvirá. Isso não é convencimento é humildade prática. Aquele que ora sem fé é semelhante a um homem que ao fazer uma delicada travessia sobre um abismo tinha que se equilibrar com muita dificuldade sobre a estreita ponte disponível. Quando deu os primeiros passos e sentir a estrutura tremer sobre os seus pés começou a dizer a cada passo: “Deus é bom, Deus é bom.” Quando estava pela metade da travessia lhe veio um pensamento: “Estou sempre repetindo que Deus é bom e, se por acaso, o Diabo não gostar e me der um empurrãozinho? Continuando a sua travessia passou a dizer: “Deus é bom, mas o Diabo não é tão ruim como dizem.”

            As ondas do mar são instáveis. Elas avançam ou recuam ao sabor dos ventos. Temos que exercitar uma fé solidificada na confiança de que Deus nos ama e que jamais Ele nos decepcionará.

 

Quinta

            Tiago continua dando ênfase ao cristianismo prático. Para ele a prática do cristianismo consiste em demonstrar o nosso amor pelos necessitados. Nada adianta falar e falar sobre amor ao próximo se a pratica não existe em nosso relacionamento com os mais necessitados. Amar os ricos é fácil e, talvez, conveniente, mas Tiago nos exorta a externar amor para com os necessitados. Trabalhadores, viúvas e órfãos figuram em sua lista. A atenção a esse grupo de pessoas identifica os praticantes da religião verdadeira.

Certa vez meu pai fez um sermão cujo tema era a santificação. Em sua fala ele leu Tiago 1:27. Ao comentar o verso ele disse para a igreja. “Praticar a religião verdadeira é fácil. Para Tiago a sua essência está em visitar as viúvas. Até ai parece que nada de mal”, frisou o meu pai, “pois existem viúvas novas e bonitas”. Mas na segunda parte do verso, frisou papai, “Tiago dá tapa nas segundas intenções ao dizer: e apartar-se da corrupção do mundo”.

As pessoas corruptas menosprezam os pobres. Por algum tempo trabalhei em uma prefeitura cujo secretário de saúde pagava o mínimo para os trabalhadores da saúde e exigia que eles assumissem do próprio bolso as despesas de transporte, alimentação, uniforme de trabalho e outros adendos. Ele era rude no trato e, muitas vezes vi pessoas chorar nas reuniões. Enquanto isso, sem nenhuma cerimônia, ele desviava verdadeiras fortunas para o seu próprio bolso. Ao constatar essa situação, enojado, pedi conta.

Às vezes perguntamos: se Deus ama a todas as pessoas, por que fez o pobre? Bem, do meu ponto de vista o Seu propósito é nos dar uma oportunidade de praticar a verdadeira religião.

 

Conclusão

            O aperfeiçoamento da fé implica em um leque de situações. Manter a esperança quando provados aprimora a nossa fé e deve ser a marca do cristão. Aperfeiçoamento da fé implica em buscar sabedoria de Deus para administrarmos com inteligência as provações. O nosso empenho em favorecer os necessitados mostra para o mundo que se não temos uma fé perfeita, estamos a caminho dela.

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