sábado, 25 de outubro de 2014

O amor e a lei

Gostou deste artigo? Então clique no botão ao lado para curti-lo! Aproveite para nos adicionar no Facebook e assinar nosso Feed.

Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e cinco de outubro a primeiro de novembro de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.

 

Introdução

            Imagino que a Epistola de Tiago ocasionou um reboliço entre a membresia da igreja naquela época. Com a morte de Jesus os judeus tradicionais imaginaram estar livres para sempre de serem recriminados por suas atitudes discriminatórias em fazer acepção de pessoas. Cristo chegou a chamá-los de raça de víboras.

            Quando tudo parecia tranquilo aparece Tiago com uma mensagem pesada e direta ao reafirmar que a vida cristã tem mais a ver com a prática do que com a teoria. Ao escrever a sua epistola ele desdobra as ações do amor em um leque que tinha tudo a ver com vida espiritual de seus conterrâneos. Tiago não queria que a igreja que estava nascendo herdasse as mazelas cultivadas há anos pelo povo Judeu.

            O pior da situação era que os judaizantes se esforçavam por manter os princípios de apego à lei sem nenhum comprometimento com a sua verdadeira essência que é a prática do amor aos seus da mesma linhagem e ao próximo em geral. Para os judeus daquele tempo, próximo seriam apenas aqueles ligados por laços familiares e pertencentes à elite da época. Os demais não eram próximos e sim, distantes e quão distantes!  Para os judeus não havia problema em dizer que amavam a Deus, mas demonstrar esse amor ao seu próximo, dependendo de quem fosse ele, seria muito difícil ou, talvez, desnecessário.

            Tiago esclarece que de nada vale se apresentar como um observador da lei se o amor ao próximo é colocado em último plano, ou talvez esteja fora de planos. Uma atitude discriminatória não condiz com o amor, que é a verdadeira essência da lei.

            Quando vemos a nossa Igreja subdividida em pequenos grupos que mais parecem às famosas panelinhas, creio ser sobejamente oportuno o nosso estudo sobre a epístola de Tiago. Com certeza ela tem muito a nos ensinar a praticar o evangelho que pregamos.

 

Domingo

            Dos seis “ais” sobre os fariseus apresentados por Lucas o segundo “ai” tem a ver com a importância que eles reivindicavam para si ao exigirem os melhores lugares em todos os aspectos da vida. Essa postura está aliada à situação apresentada por Tiago. Ele condena qualquer diferenciação de tratamento para com pessoas que tenham qualquer proeminência intelectual, financeira, social ou política.

            Que lição de humildade nos dá o centurião romano. Ele recorreu a Jesus para que a sua filha fosse curada.  Ele era um dos homens mais proeminentes da época, mesmo assim não se achava digno de receber Jesus em sua casa. “Fale apenas uma palavra.” Quanta demonstração de fé e humildade ao mesmo tempo.

            Os judeus chegaram ao máximo de exclusão ao considerarem pecado grave um judeu se misturar com outras etnias. Eles se esqueceram que pecado era justamente o fato de recusarem o contato com tais pessoas. Jesus Se envolvia com as pessoas. Essa era a sua principal arma para atraí-las a Si.

 

Segunda

            O quadro apresentado por Tiago é sombrio. Acepção de pessoas no mundo sempre existiu, mas ver essa pratica dentro da igreja é algo inaceitável. Era o que estava acontecendo nos dias da Igreja primitiva. Parece que o comportamento do mundo judaico naquela época, onde samaritanos e outros tipos de pessoas eram excluídas do convívio da elite religiosa daquele tempo, ainda estava presente entre os judeus convertidos. Os mais pobres eram humilhados ao ponto de ser impedido de prestar qualquer queixa no âmbito jurídico.

            Tiago não podia entender como pessoas que aceitaram a Cristo como o seu Salvador pessoal vivesse tão distante do seu líder que veio para servir e não para ser servido. Não dava para entender como pessoas que defendiam tanto a lei vivessem alienadas de seu princípio máximo: o amor ao próximo.

            O pior de tudo nesse contexto era o exemplo negativo que davam para um mundo que começava a conhecer as maravilhas do evangelho. Dizem por ai que “as palavras convencem, mas os exemplos arrastam”. No caso desses cristãos o exemplo que davam estava em descompasso com aquilo que pregavam. Essa é uma mensagem para nós hoje. Tem um pensamento que diz: “Pregue o evangelho e, se for necessário, fale.”

            Nos dias de hoje temos um problema entre nós no que tange a empregados e empregadores. Já ouvi muitos empresários adventistas afirmarem que os empregados adventistas causam mais problemas à empresa do que os não conversos. Caso o empregado adventista julgue no direito de usar de algumas liberdades pelo fato de seu patrão ser adventista está equivocado. O mesmo cabe ao patrão. O espírito cristão não pode ser perdido de vista.

 

Terça

            Os judeus tinham grandes dificuldades para amar pessoas estranhas às suas comunidades. Para eles próximo tinha a ver com o grau de parentesco e a proximidade cultural, religiosa e social. Sai aceitar a orientação de Cristo de amar os próprios inimigos significava um abismo praticamente intransponível.

            No sentido de poupar os israelitas de se contaminar com mundanismo ao redor e estimular a união entre eles Deus orientou que o amor fraternal fosse exercido somente entre eles. As nações vizinhas eram inimigas acérrimas do povo de Deus e não se cansavam de buscar a sua destruição e para sobrevivência dos israelitas, Deus não exigiu, naquela época, o amor aos inimigos.

            Jesus orientou o Seu povo a amar os seus inimigos. Essa orientação, para eles quase absurda, tinha como objetivo fazê-los entender o plano da salvação. Jesus deu a vida por todos os seres humanos independente de raça, cor, status e grau de santidade. Todos são convidados a receber a salvação por Ele oferecida. Cabe a cada um de nós participarmos do plano redentivo, apresentando o convite da salvação a todas as pessoas, quer sejam amigas ou inimigas. Disse Jesus: “Eu vos dei o exemplo, para que sigais as minhas pisadas” (João 13:15).

 

Quarta

            Para os judeus era normal observar toda a lei de Deus, inclusive o sábado. Eles se julgavam exímios observadores da lei. Jesus viu que eles falhavam redondamente na principal prática da lei que é o amor ao próximo. Jesus foi claro: “Quem tropeça em um só mandamento é culpado de todos. Eles necessitavam de uma profunda transformação de vida. Seria realmente um “nascer de novo”.

            Ao ser interrogado sobre qual seria o maior mandamento da lei, Jesus colocou todos os mandamento no mesmo nível e sob o guarda chuva do amor a Deus e ao próximo.  Existe graduação de pecados, mas em se tratando dos mandamentos não existe um maior do que o outro. Em nossa avaliação humana levantar falso testemunho seja mais brando do que matar, mas perante Deus a transgressão de um representa a culpabilidade de todos.

            Muitos observadores do domingo afirmam que Jesus mencionou todos os mandamentos menos o sábado. Guardar o sábado fazia parte do viver de cada judeu. Não foi a guarda do sábado a maior falha que Jesus identificou entre eles e sim o amor ao próximo.

            É importante lembrar que observar a lei excluindo Cristo de nossa vida transforma a observância da lei em um peso insuportável.  Quando aceitamos a Cristo como o Senhor de nossa vida tomamos sobre nós o Seu jugo e o nosso jugo se torna suave e leve. Passamos a observar a lei não para sermos salvos e, sim porque fomos salvos.

            As perguntas do rodapé do estudo de quarta-feira nos chamam a atenção para uma obediência calcada no amor e não em mera obrigação.

 

Quinta

            O estudo de hoje causa muita dúvida, principalmente no meio evangélico. Como ser julgados pela lei se, somos salvos pela graça? Quando eu aceito a Jesus como o meu Salvador estou me apoderando de Sua graça e Ele perdoa todos os meus pecados. Nesse caso a lei não me condena porque aceitei que Jesus assumisse o meu lugar de transgressor da lei. Quando eu rejeito o favor imerecido da graça me exponho automaticamente à condenação da lei. Todo o ser humano é julgado pela lei com uma diferença: Quem aceita o sacrifício de Cristo está coberto pela graça. Todos serão julgados pela lei e o que nos livra da condenação que ela nos impõe é o sábio uso que fizermos da graça oferecida por Cristo.

            A nossa obediência não tem mérito nenhum caso não seja motivada pelo amor a Deus. Ele fez por nós o que o Universo jamais imaginou que Ele faria. O Seu amor não tem limites. Diz a Bíblia: “Ele é longânime para conosco não querendo que nenhum se perca” (2 Pedro 3:9).

 

Conclusão

            A lei é o resultado do amor de Deus. Para nos preservar Ele nos deu a Sua lei. Cada não da lei de Deus é uma salvaguarda à nossa vida. As leis dos homens são pautadas pela lei de Deus com uma enorme diferença: a misericórdia não interfere na lei dos homens. Com a lei de Deus isso não acontece. O maior pecador poderá ser salvo da condenação da lei divina. Isso é amor. E a Bíblia afirma: “Ele nos amou primeiro.” Jesus espera que amemos uns aos outros assim como Ele nos amou.

           

Nenhum comentário:

Postar um comentário