Comentário
da Lição da Escola Sabatina de dezoito a vinte e cinco de outubro de dois mil e
quatorze. Elaborado por Carmo P. Pinto, membro da IASD – Central de Taguatinga
e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano.
Introdução
No estudo desta
semana Tiago mais uma vez nos adverte da necessidade da prática do evangelho em
nossa vida. No verso introdutório do nosso estudo ele afirma que uma vida
cristã não embasada na prática do conhecimento é um engodo que envolve a nós
mesmos.
Os salvos pela graça não devem ser
pessoas estáticas. Uma vez convertidos a nossa vida deve ser uma demonstração
diária da mensagem que mudou a nossa vida. Experimentamos lutas, provações e
momentos de angustia e desânimo. A vida cristã não é um mar de rosas e, são
nesses momentos difíceis que nós apresentamos ao mundo o que realmente somos.
A
prática daquilo que cremos deve ser o maior testemunho que apresentamos ao
mundo. Imagino como os primeiros cristãos encararam a epistola de Tiago. Em Seu
ministério Jesus adiantou que aqueles que se identificam como Seus amigos devem
fazer o que Ele ordena. Disse o Mestre: “Vocês serão meus amigos, se fizerem o que eu ordeno” (João 15:14). Os
fariseus foram acusados por Jesus de não praticar o que conheciam e muito menos
o que ensinavam. “Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de
Moisés. Obedeçam-lhes e faça tudo o que eles dizem a vocês. Mas não façam o que
eles fazem, pois não praticam o que pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam
sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um
só dedo para movê-los” (Mateus 23:2-4).
O ser de verdade já
leva a pessoa a fazer. Um adventista convertido não se contentará em permanecer
no silêncio. Ele vai fazer alguma coisa em prol dos seus amigos, conhecidos e
desconhecidos. Aquele que se denomina filho de Deus e nada faz para testemunhar
de Cristo está enganando e sendo enganado.
Domingo
Tiago deixa claro que eu
sou o meu maior inimigo. Esse inimigo está sempre forçando a situação para que
eu seja um adventista de fachada. Tiago não quer dizer que não necessitamos
olhar para nós mesmos. Claro que sim! Apenas um detalhe: primeiro temos de
olhar para Cristo e, depois olhar para nós mesmos e ver o que necessita ser mudado.
Caso não tenhamos Jesus como o nosso modelo, o olhar no espelho vai apenas
alimentar o eu. Sairemos diante dele sem que nenhuma mudança aconteça em nossas
vidas.
Parece que o jovem rico
se aproximou de Jesus com o intuito não de aprender de Jesus, mas de mostrar
que santos como ele existissem poucos na face da Terra. Ele era um exímio
observador da lei e, provavelmente, desejasse ensinar para Cristo algumas
coisinhas como, por exemplo: a correta maneira de guardar o sábado. Veja que logo ele entrou em contradição. Ao
mesmo tempo em que afirmava obedecer toda a lei demonstrou que tinha o deus
dinheiro acima do Deus criador e que o seu amor ao próximo passava longe de
abrir mão de tudo o que possuía em prol deles.
Pedro tinha uma absoluta certeza de
que jamais negaria a Cristo. Ele não conhecia a si próprio e não demorou muito
para que o eu o traísse. Nós não somos sobrenaturais e nem pessoas superiores. Pedro Bandeira desabafou:
“Porque eu não sou o que visto.
Eu sou do jeito que estou!
Não sou também o que eu tenho.
Eu sou mesmo quem eu sou!”
Eu sou do jeito que estou!
Não sou também o que eu tenho.
Eu sou mesmo quem eu sou!”
E Pedro Henrique Luthold fala do juízo equivocado
que fazemos de nós mesmos: “Acontece que muitos de nós não fazemos a menor ideia de
quem realmente somos, pois
acabamos perdendo a nossa identidade para o padrão que o mundo nos impõe. Dessa
forma, a originalidade de Deus em nós vai saindo e dando lugar a um pequeno
monstrinho que - pasmem, não é o diabo -, mas o “EU MESMO”.
Segunda
Mais
uma vez Tiago nos mostra a necessidade de sermos praticante da Palavra e não
meros papa sermões. Tiago afirma que o homem que não associa o conhecimento com
a prática vê a sua imagem deturpada no espelho. Ele imagina que vai tudo bem
com ele próprio quando, na verdade, vai tudo mal.
Jesus
associou a prática do evangelho ao amor ao próximo. Mas o curioso é que esse
próximo mencionado por Cristo está longe de ser apenas aquele próximo com quem
eu me relaciono bem. Aliás, o Céu não vê mérito nenhum em eu amar aqueles com
quem eu me relaciono bem. Disse Jesus: "Que mérito vocês terão se amarem
aos que os amam? Até os pecadores amam aos que os amam” (Lucas 6:32).
Ser
um praticante da palavra envolve um completo desprendimento de nossa parte a
tal ponto de voltarmos com atos de amor para com aqueles que nos detestam e nos
perseguem. Esse, provavelmente seja um dos comportamentos mais complicados para
nós que temos um pouco de eu fruindo nas veias.
Jesus
vai mais longe e nos adverte: “Sede misericordiosos como também é misericordioso
vosso Pai” (Lucas 6:36). O amor de Deus é incomparável. Ele excede a nossa
imaginação tanto em qualidade como em abrangência. Paulo afirma: “O amor
é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha” (1
Coríntios 13:4). É esse tipo de amor que o Céu espera ver naqueles que sonham
um dia morar lá.
Terça
Muitos consideram
a lei de Deus como objeto de escravidão. Não pode isso, não pode aquilo. Para
estes o homem é cerceado de sua liberdade de ação. A lei de Deus é fundamentada
no caráter de Deus e sabemos que Deus é amor. Porque Ele nos ama Ele preparou
uma lei que nos oferece segurança. Por detrás de cada não da lei de Deus temos
um escudo que nos protege e resguarda a nossa vida.
Aquele que observa a lei de Deus está livre de vícios que
minam a saúde e antecipam a morte. Por mais de cinquenta anos tenho ajudado
pessoas a vencer o vicio do cigarro. Quão frenética é a luta dessas pessoas
para se libertarem do vício. Tenho um tio que por duas dezenas de anos foi um
escravo do álcool. A sua família padecia com abandono, desrespeito e privações.
Caso essas pessoas aceitassem a lei da liberdade inserida nas Escrituras a vida
de cada uma delas seria bem diferente.
A lei não salva ninguém, mas ela mostra onde estamos
falhando e em que necessitamos melhorar. A lei nos livra da prisão física e
espiritual. Davi afirma que a observância da lei revigora a alma (Salmo19:7).
Essa liberdade que desfrutamos, esse vigor que possuímos se resume em um ponto
que muitos não se dão conta: “A lei é perfeita.”
Quarta
Nesse mundo de
correria onde a competitividade dita as normas e controla o nosso tempo, parece
impossível sobrar tempo para ser útil a terceiros. Hoje milhões estão correndo
atrás de seus interesses pessoais e não sobra tempo nem mesmo para uma rápida
olhada ao nosso redor.
Partindo do princípio que é o nosso interesse por algo
que faz surgir o tempo, existe aí um grande impasse que só poderá ser resolvido
mediante duas atitudes. Orar para que Deus desperte em nós um profundo amor
pelo próximo. E, em segundo lugar exercitar esse amor, mesmo que de inicio seja
a contra gosto.
Para Tiago a pessoa que não dispõe de tempo para socorrer
o próximo, visitar as viúvas, cuidar dos órfãos e se condoer com o sofrimento
alheio é alguém inútil. Seria com aquela árvore frondosa que ao ser visitada
por Jesus não possuía frutos para Lhe oferecer. Um cristão que não exercita o
seu amor pelos necessitados está ocupando inutilmente um lugar na igreja.
No rodapé da página do estudo de hoje tem uma pergunta
que faríamos bem pensar na sua resposta: Quanto tempo e energia eu gasto
ajudando os necessitados?
Quinta
Para conseguirmos
a meta proposta por Tiago no que tange a pratica da vida cristã é necessário
algo que não está em nós. É necessário que a natureza divina seja implantada em
nós. Isso envolve entrega e relacionamento diário com Deus. Apenas Ele pode
moldar o nosso coração tão tendencioso para um cristianismo de aparências.
Certa vez ouvi meu pai pregar sobre Tiago 1:27. Ele dizia
que cuidar das viúvas não era tão difícil, pois, afirmou ele: tem viúvas novas
e bonitas. Quando ele começou a falar da segunda parte do versículo o assunto
ficou sério. Diz o texto: “...e apartar-se da corrupção do mundo”. De nada
valerá cuidar dos órfãos e das viúvas se o nosso coração bate em compasso com o
mundo.
Não amar o mundo é viver distante da cobiça, esvaziar-se
do eu e ter as coisas deste mundo como supérfluas e desprezíveis. Isso é viver
de maneira diferente do que o mundo nos ensina e a sociedade nos cobra.
Conclusão
Fazer o que a lei
nos ordena pode parecer pesado, difícil e às vezes quase impossível. O ser e
fazer significam dizer que somos crentes e, mais do que isso, fazemos o que se
espera que façamos. Uma roupagem cristã não salva ninguém. É necessário que
essa roupa seja ocupada por Cristo em nós.
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