sábado, 18 de maio de 2013

Confiando na bondade de Deus (Habacuque)


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 18 a 25 de maio de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central Taguatinga. DF.

 
Introdução

            O livro de Habacuque é composto por cinco profecias sobre a Caldéia e uma canção de louvor a Deus. O seu cântico foi oficializado no templo de Salomão. Supõe-se que ele fosse um contemporâneo de Jeremias e Sofonias. O seu nome significa “abraçado por Deus”. O capítulo 1 não é uma palavra dirigida ao povo, mas uma resposta às suas próprias dúvidas e angústias.

            Três dias antes de eu escrever esse comentário os meios de comunicação noticiavam o caso de uma dentista em São Paulo que foi queimada viva porque os bandidos se certificaram de que ela tinha apenas trinta reais em sua conta bancária. Eu fazia as mesmas conjecturas de Habacuque quando me deparei com o seu lamento: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e não salvarás? Por que razão me mostras a iniquidade, e me fazes ver a opressão? Pois que a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litígio. Por esta causa a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida” (Habacuque 1:2-4).

            Habacuque estava cansado de ver a injustiça se propagar. A violência imperava e o povo estava inclinado apenas para o mal.

            Deus não ficou em silêncio diante da angustia do profeta. A Sua palavra o confortou e o fez recobrar o ânimo. A mensagem de esperança apresentada a Habacuque é também direcionada a nós que vivemos neste mundo violento e insano. Diz o texto bíblico: “O Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo. Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se tardar espera-o, porque, certamente, virá, não tardará. Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé” (Habacuque 2:2-4). Que confortadora orientação: “se tardar, espera-O”. Sim, em breve Jesus retornará para por fim a todo o sofrimento que nos atormenta.

Mesmo com essa resposta divina Habacuque continuou com muitas dúvidas. Como é que o Deus justo usaria um povo ímpio (Babilônia) para castigar um povo relativamente mais justo (Judá)? E angustiado continua: "Por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele? Como é que o Deus piedoso permitiria que o inimigo cruel alimentasse seu desejo de matar? “A todos levanta o inimigo como o anzol, pesca-os de arrastão e os ajunta na sua rede varredoura; por isso, ele se alegra e se regozija... Acaso, continuará, por isso, esvaziando a sua rede e matando sem piedade os povos?"

 Por ser descendente de Abraão, por terem as promessas, as escrituras, etc., o profeta Habacuque considerava que a nação de Israel era mais justa que as nações em redor (Salmo 53:3). Ser um adventista não nos dá crédito nenhum diante de Deus. Apenas aumenta a nossa responsabilidade.  

Habacuque começou o livro tentando entender o que Deus faz, e o terminou sem compreender, totalmente, a justiça e a sabedoria de Deus. Mas, ele aprendeu o mais importante, a mensagem que nos sustenta no meio de angústias: “mas o justo pela sua fé viverá” (Habacuque 2:4).  Não precisamos compreender tudo que Deus faz, mas precisamos saber que é Deus que faz!

 
Domingo

            O livro de Habacuque relata um desabafo do profeta diante de Deus. Habacuque pergunta e Deus responde. Mas a resposta de Deus aos seus questionamentos lhe trouxe mais dúvidas e levantou outras discuções. Sem entender Habacuque faz uma segunda pergunta. Deus responde de novo, e mesmo não entendendo de novo Habacuque aceita, humildemente, a réplica do Senhor. Habacuque faz a pergunta que nós gostaríamos de fazer, e recebe a resposta com a atitude que devemos mostrar.

            Habacuque compreendeu que mesmo sendo difícil entender a atitude divina de permitir a violência dos fortes contra os mais fracos e depois, numa segunda instancia, permitir que povos pagãos fossem usados para punir Israel, mesmo assim seria melhor aceitar que esse Deus incompreendido por ele estava no comando de todas as coisas.

            Habacuque fugiu do comportamento normal de um profeta. Ao enfrentar dúvidas ele argumentou com Deus em busca de resposta para as suas inquietações. Ele tinha um relacionamento aberto com Deus e lhe expos todas as suas dúvidas.  Ele não entendeu todas as explicações de Deus, mas foi humilde o suficiente para aceita-las.

            Um fato interessante é que ao Habacuque apresentar a sua grande dúvida de como o povo de Judá não era punido pelas atrocidades entre eles próprios, lhe era difícil aceitar que uma nação ímpia como Babilônia fosse usada para punir o povo de Deus. Na sua compreensão Judá deveria ser punido diretamente por Deus e não por um povo mais pecador do que eles.

 
Segunda

            Pelos questionamentos de Habacuque podemos entender que ele tinha um pouco do pensamento dos fariseus do tempo de Jesus. Para ele, por mais pecador que Judá fosse ainda era melhor que os babilônicos e não merecia e nem deveria ser punido por este povo completamente avesso aos reclamos do Senhor.

            O autor da lição faz um paralelo das condições do mundo nos dias de Habacuque e as condições vividas por nós hoje. Ele acentua que as mesmas dúvidas apresentadas por Habacuque são as nossas hoje.

            Do nosso ponto de vista, Deus tinha dois propósitos em usar nações pagãs para atacar o Seu povo. Primeiro, era uma manifestação clara que para Ele todos são pecadores e dependentes da orientação divina. Segundo, a correção com humilhação vinda de nações vizinhas provocaria uma reação mais impactante sobre o povo de Deus. Habacuque foi orientado de que em um segundo momento as nações usadas para justiçar Judá seriam punidas.

            Conheci dois apresentadores de rádio que diziam no ar: “Não somos melhores nem piores que ninguém, nós somos apenas diferentes.” Como adventistas não somos melhores nem piores que ninguém temos por obrigação sermos diferentes. Essa diferença deve abranger todo relativo ao nosso ser, mas ela deve ser notada de maneira objetiva em nosso viver fundamentado na fé uma vez dada aos santos.

           
Terça

Habacuque pede a Deus que implemente (aviva) a sua obra. A obra maravilhosa e admirável é o suscitar dentre as nações os caldeus, e que, ao longo dos anos os homens haveriam de conhecê-la. Embora fosse anunciado pelos profetas que Deus haveria de levantar os caldeus para castigar, quando os profetas falavam da maravilhosa obra, o povo de Israel não cria. Eles não se arrependeram e veio o cativeiro conforme a visão dos profetas  "...vós não crereis, quando vos for contada" (Habacuque 1:5). Assim a oração de Habacuque  “aviva a tua obra no meio dos anos” não se referia a um reavivamento espiritual do povo. Mas sim a obra de justiça de Deus seria avivada, vista e sentida pelo povo que sempre duvidou da mensagem profética.

Os ais mencionados por Habacuque fazem parte desse avivar.

1 - Ai daquele que acumula o que não é seu.

2 - Ai daquele que ajunta em sua casa bens mal adquiridos. Hb.2:9/Jr 17;11.
3 - Ai daquele que edifica a cidade com sangue e a fundamenta com iniquidade Hebreus 2:12
4 - Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro

5 - Ai daquele que diz a madeira; acorda! E a pedra muda;

desperta! Pode o ídolo ensinar? Hebreus 2:9.

“Porque a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Habacuque 2:14). Esses “ais” seriam realidade tanto para os pagãos como para os filhos de Deus.

            Habacuque vê que, um dia todos os povos compreenderiam que Deus é justo. A glória de Deus é a Sua justiça. “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura” (Isaías 42:8).

            Essa mesma promessa se estende a nós que vivemos nos últimos dias. Em breve compreenderemos melhor os dezignos de Deus.

 
Quarta

            Alguns comentaristas afirmam que Habacuque foi um grande poeta e músico em Judá. Prova é que o seu cântico exarado no capitulo três do seu livro se tornou uma das principais músicas cantada na liturgia do templo de Salomão.

            O capítulo 3 de Habacuque é uma oração cantada. É expressa em endechas ou cânticos de pesar ou de lamentação muito usado pelos poetas entre eles Luiz de Camões que chorou o amor impossível com uma escrava por nome Bárbara.

 A oração do profeta é feita como se fosse a favor dele mesmo. Na realidade, porém, Habacuque está falando a favor da nação escolhida de Deus. Quando lemos o capítulo 3 de Habacuque com isso em mente, suas palavras nos deixam apreensivos, mas ao mesmo tempo alegres. O cântico de Habacuque nos dá fortes motivos para nos alegrar com o Deus de nossa salvação.

Habacuque afirma que o nosso Deus é poderoso e domina sobre as nações e Ele está atento a tudo o que acontece sobre a terra. Afirma que se a miséria se instala, por mais que a fome martirize e por mais que adversidades nos assalte temos um Deus no comando.

Habacuque fala de um Deus que Se manifestou durante a jornada dos filhos de Israel do Egito e que um dia faria justiça contra os opressores dos mais fracos. Ele faz uma alusão ao sacrifício de Cristo afirmando que os sinais dos cravos em Suas mãos era a prova do Seu poder salvífico.  “O seu resplendor é como a luz, raios brilham da sua mão; e ali está velado o seu poder” (Habacuque 3:4). Esse poder pode libertar a todos quantos desejarem se livrar da escravidão do maligno.

Afirma ele: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação.” (Habacuque 3: 17 e 18).

Qualquer um de nós tem motivos para confiar no poder mantenedor de Deus. Em algum ou em vários momentos de nossa vida Ele Se manifestou poderoso no Seu cuidar e no Seu preservar.  Não há motivos para acalentar dúvidas.

Quinta

O autor da lição lembra-nos que no final do seu livro Habacuque ao lançar um olhar sobre os atos salvadores de Deus encontrou forças para aguardar o ataque do inimigo certo de que Deus estava no comando.

Afirma o autor que “com base em suas experiências passadas, Habacuque conhecia a fidelidade absoluta de Deus.” (Página 99 da lição).

Diz Ellen G. White: “Nosso Pai nos manda recordar os dias passados, após os quais travamos um grande combate de aflições, ao sermos iluminados. Tenho recebido as mais preciosas confirmações de que nossas primeiras experiências provieram de Deus. Desejo que cada pessoa do nosso povo saiba como eu sei da maneira segura e certa em que o Senhor nos guiou nos tempos passados. ...” (Medicina e Salvação, p 103).

O profeta finaliza afirmando que “Independente de como a vida pudesse se tornar difícil, seria possível encontrar alegria e força em Deus.” (Página 99 da lição). Vivemos em um mundo em convulsão e a impressão que se tem é a de que Deus nos deixou a mercê da violência e dos desatinos humanos. Habacuque pede para termos calma pois, no momento certo o Senhor Se manifestará a favor de Seus filhos. Esse é também o conselho de Daniel: “E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo...” (Daniel 12:1).

 
Conclusão

Durante os momentos escuros da vida do profeta Habacuque e, mesmo não compreendendo os designíos de Deus, ele se propôs a estar em íntima comunhão com o Altíssimo e a escrever de maneira bem legível tudo o que lhe era apresentado. “Sobre a minha guarda estarei, e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que falará a mim, e o que eu responderei quando eu for arguido. Então o Senhor me respondeu, e disse: Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo” (Habacuque 2:1e 2).

“A fé que fortaleceu Habacuque e todos os santos e justos naqueles dias de grande provação, é a mesma que sustém o povo de Deus hoje. Nas horas mais escuras, sob as mais proibitivas circunstâncias, o crente cristão pode suster sua alma sobre a fonte de toda luz e poder. Dia a dia, pela fé em Deus, sua esperança e ânimo podem ser renovados, "o justo pela sua fé viverá”” (Profetas e Reis, páginas 386 e 387).

Habacuque não entendia a maneira de Deus agir. Mas essa dúvida não arrefeceu o seu entusiasmo em apresentar ao povo a mensagem do Senhor. O seu último conselho foi: “Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17-18).  

 
Durante dois anos o nosso blog permanece à disposição dos estudantes da Lição da Escola Sabatina como mais uma opção de comentário.

domingo, 12 de maio de 2013

O povo especial de Deus (Miqueias)


 

 

Comentário da Lição da Escola Sabatina de onze a dezoito de maio de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 
Introdução

O nome Miquéias vem, provavelmente, de uma palavra que tem o significado de: “Quem é semelhante a Jeová?” (parecido com Miguel, que quer dizer “Quem é semelhante a Deus?”). Miquéias viveu na cidade de Moreset-Gat, localizada a 32 km de Jerusalém. Semelhante a Amós ele era natural do campo.

 Miqueias exerceu sua atividade entre os reinados de Jotão, Acaz, Ezequias e Manassés, de 750 e 680 AC. Ele viveu antes e depois da tomada de Samaria pelos assírios em 721 AC., tendo sido contemporâneo de Oséias e de Isaías. Entre as suas profecias se destaca o anúncio do surgimento do Messias na pequena cidade de Belém (Miqueias 5:1-3), a mesma profecia de Isaias 2:1-4. No Novo Testamento é mensionada em Mateus 2:6.

Miquéias viveu em tempos difíceis e significativos. Deus o suscitou para avisar Seu povo sobre o que estava para trazer sobre eles. Eventos em rápida sucessão prenunciavam a ruína dos reinos de Israel e de Judá. A corrupção moral e a idolatria se haviam arraigado em Israel, e isso levou à destruição da nação pela Assíria. Judá oscilava entre fazer o que é correto durante o reinado de Jotão e copiar a iniquidade de Israel durante o reinado rebelde de Acaz e experimentou uma tentativa de recuperação no reinado de Ezequias.

Havia um enorme contraste, tanto em Israel quanto em Judá, entre os excessivamente ricos e os pobres oprimidos (Miqueias2:1-5). Os ricos opressores eram apoiados por líderes corruptos políticos e religiosos de Israel. Em razão dessa má liderança, toda a nação tornou-se corrupta e digna de julgamento.

Havia muitos profetas corruptos que profetizavam em conformidade com o dinheiro que recebiam. “Se houver alguém que, andando com espírito de falsidade, mentir, dizendo: Eu te profetizarei sobre o vinho e a bebida forte; será esse tal o profeta deste povo” (Miquéias 2:11). Os sacerdotes também pregavam por dinheiro. Caso recebesse um bom dinheiro a mensagem era de paz. 

Na profecia de Miquéias, é evidente que o povo ainda sofreria um castigo pesado, mas que Deus mostraria a justiça e a misericórdia para como Judá. Depois de avisar e prometer castigo, Deus muda de assunto e insere palavras de consolo e esperança (Miqueias 2:11-12). O castigo não seria total nem final. Algumas pessoas sobreviveriam e seriam protegidas e abençoadas por Deus.

No fim, Judá seria vindicado o os inimigos que duvidaram do poder e da justiça do Senhor seriam humilhados (Miqueias 2:10-11). O povo de Deus, espalhado pelo cativeiro, voltaria para a sua própria terra (Miqueias 2:12).

Deus lança os pecados nas profundezas do mar (Miqueias 7:19). A ideia de perdão é difícil para o homem compreender. Deus totalmente afasta os pecados do pecador e nunca mais Se lembra dos pecados perdoados. Ele os esmaga e os lança no fundo do mar!

No fim, Judá seria vindicado o os inimigos que duvidaram do poder e da justiça do Senhor seriam humilhados (10-11). O povo de Deus, espalhado pelo cativeiro, voltaria para a sua própria terra (Miqueias 7:12).

 
Domingo

            Durante a distribuição dos DVDs me deparei com um senhor que recusou veementemente receber o DVD. Tal atitude me levou a imaginar quão importante seria  para ele conhecer a mensagem que estávamos oferecendo. Tais atitudes, geralmente nos causam desanimo e sofrimento. Mas jamais poderão assemelhar aos dramas vividos pelos mensageiros de Deus que no passado expuseram a própria vida para advertir os seus irmãos e, muitas vezes sem sucesso.

            Podemos imaginar a angustia experimentada por Miqueias diante da indiferença de Judá ao ver os juízos de Deus caindo sobre Israel que, em seus dias, passa a ser dominado pela Assíria.

            Quantas mensagens de arrependimento foram apresentadas e tudo em vão. Ali está um povo que começa a experimentar o amargo cálice da escravidão. Ao seu lado está Judá, cometendo os mesmos pecados e recebendo as mesmas advertências, mas indiferente a tudo ao seu redor.

            Mesmo diante das advertências dos juízos iminentes de Deus, Judá persistiu em seu caminho de rebeldia. Quanta dor, quanto sofrimento, quando vexame poderia ter sido poupado se eles tivessem ouvido pelo menos a palavra de um dos profetas. Mas todo o trabalho deles pareceu em vão.

            Quantos profetas que se sacrificaram a uma vida de restrições e sofreram ameaças e prisões sem perceber qualquer resultado positivo. Mas imagino que para Miquéias o golpe foi mais forte porque ele presenciou o povo de Israel sendo coagido a arrumar as suas trouxas de roupas e, cabisbaixos, marcharem diante de seus inimigos para o exílio.

            Se a rejeição à mensagem de arrependimento causou tanta dor nos mensageiros, podemos imaginar como ficou o coração de Deus. Com certeza a dor é muito maior quando é o seu povo que recusa a mensagem de advertência.  Diz Ellen G. White: “O mundo tem rejeitado a Cristo na pessoa de Seus santos, tem desprezado as mensagens ao recusar receber as mensagens dos profetas, apóstolos e mensageiros. Tem rejeitado aos que são colaboradores de Cristo, e disso terá de dar contas” (A Igreja Remanescente, p 36). 

 
Segunda

            Acaz recebeu um grande legado. O rei Uzias tinha promovido uma reforma espiritual em Judá. E Jotão seu filho legou a Acaz um reino com relativo progresso financeiro e um povo voltado para Deus.

            Assim que o rei Acaz assumiu o trono depois da morte de Jotão, os habitantes de Judá não tinham a menor ideia do que aconteceria. Sob o reinado de Acaz, Judá caiu em tamanha apostasia que os sacrifícios do templo cessaram e sob cada árvore frondosa foram erigidos santuários a deuses estrangeiros. O povo foi encorajado pelo rei a adorar quem bem entendesse, no dia que achasse melhor. No Vale de Hinom, Acaz sacrificou até mesmo seu próprio filho em adoração a Moloque.

            Os lideres se aproveitavam dos mais fracos e a corrupção se generalizou.

            Acaz cometeu três erros graves. Primeiro, se afastou de Deus. Depois ao ser ameaçado pela Síria e pelo seu irmão Israel, solicitou a ajuda da Assíria. Em troca ele tomou os bens preciosos da Casa de Deus, e da casa do rei e os enviou ao rei assírio. E por último imaginava que em qualquer circunstância Deus não permitiria que o seu povo fosse atingido, pois era o povo especial de Deus. Profetas como Isaías o advertiu para que se não abandonasse a Deus não haveria motivos para temer enquanto o Senhor estivesse com ele, mas Acaz não lhe deu ouvidos.

            Os assírios não se contentaram com as riquezas do Templo que Acaz lhes deu e agora desejavam obter o reino inteiro de Judá. Além disso, Acaz cria que os deuses dos assírios havia protegido Judá e assim promulgou uma lei para que aqueles deuses fossem adorados em todo o reino. Ao agir assim, apressou o julgamento de Deus.

            Foi nesse senário conturbado que surge Miqueias que além de apontar os erros do povo de Judá afirmava que eles se vangloriavam de ser o “povo do Senhor”. Por influencia de seus lideres o povo praticava horrores.

Miqueias foi claro: “Portanto, por causa de vós, Sião será lavrada como um campo e Jerusalém se tornará em montões de pedras, e o monte desta casa como os altos de um bosque” (Miquéias 3:12).

 
Terça

            Em meio ao caos a que se abateu sobre o povo de Deus, o profeta Miqueias vê um futuro promissor. Ele prevê o nascimento de Jesus que aconteceria setecentos anos depois. “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5:2).

Miqueias viu em visão que, com o advento do Messias e com a Sua rejeição pelo povo Judeu, Israel deixaria de ser o povo especial de Deus, todos poderiam ser salvos mas como indivíduos e não mais como nação. Dai para frente todos os gentios fariam parte do Israel espiritual. “E o restante de Jacó estará entre os gentios, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais do bosque, como um leãozinho entre os rebanhos de ovelhas, o qual, quando passar, pisará e despedaçará, sem que haja quem as livre” (Miquéias 5:8).

Paulo, que foi pregador por excelência dos gentios escreveu: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).

Quando estivermos no Céu Miqueias vai entender melhor a dimensão de sua profecia. Além da grande multidão de salvos ao seu redor, ele saberá o quanto a sua profecia troxe alento aos magos do oriente. E mais, ele entenderá que estes magos foram os primeiros gentios a fazer parte do novo Israel de Deus.

 
Quarta

Certa vez conversando com um evangélico de outra denominação ele falou, em tom de brincadeira, que alguns adventistas desejam ter uma vara comprida com um gancho na ponta para, nas tardes de sábado, puxar o Sol para que ele se ponha mais cedo. E completou: “Principalmente os espertalhões em negócios.”

Essa colocação aparentemente absurda tinha a sua razão de existir nos dias de Miqueias. Disse o profeta: “Seria eu limpo com balanças falsas, e com uma bolsa de pesos enganosos? Porque os seus ricos estão cheios de violência, e os seus habitantes falam mentiras e a sua língua é enganosa na sua boca” (Miquéias 6:11-12) e Amós completa: “Quando passará a lua nova, para vendermos o grão, e o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o êfa, e aumentando o ciclo, e procedendo dolosamente com balanças enganosas (Amós 8:5).

Miqueias dá a entender que, os judeus se sentiam bem ao fazerem os seus sacrifícios, muitas vezes valiosos. Eles conheciam como ninguém a rotina ao redor do altar. Muitas das ofertas e sacrifícios caros eram frutos do que eles haviam surrupiado dos mais fracos. A mensagem foi dura: “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” (Oséias 6:6).

Deus estava enfadado de uma adoração farizaica. O povo de Deus naquela época sabia de cor e salteado a rotina ao redor do altar, mas Deus esperava que eles se dispusessem a ser o cordeiro sobre o altar.

Pode ser que alguns de nós sejamos fieis dizimistas e exímeos guardadores do sábado. Pode ser que façamos comoventes sermões e que levemos alguém às lágrimas com os nossos cânticos; mas diante de Deus façamos parte do grupo reprovado por Cristo: “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mateus 15:8).

Entendamos o recado de Deus para nós hoje: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8).

 
Quinta

            Na época de Miqueias o povo de Deus estava podre em pé. Tudo de pior era praticado entre eles, principalmente a falta de amor para com os mais fracos. Mesmo mergulhados numa situação tão deplorável a mensagem de Deus é de esperança.

O Senhor prometeu que se houvesse arrependimento genuíno da parte de seu povo Ele estava disposto a sepultar os seus pecados nas profundezas do mar e esquecer-Se por completo deles. “Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa a iniquidade, e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar” (Miquéias 7:18-19). (Uma observação: Lembre que “passar por cima da rebelião” não é ignorá-la e nem deixa-la impune. Significa perdão divino).

 Desde que o pecado surgiu no Éden essa é a mensagem de Deus para todos os filhos de Adão. Deus quer perdoar e esquecer. Ele nada poderá fazer por uma alma que não reconhece as suas faltas e que se recusa voltar para Ele em busca de perdão.

 
Conclusão

            Miqueias conclui o seu livro com uma dupla promessa. Caso o povo voltasse a ser fiel e praticasse o amor para com Deus e para com o próximo o Senhor os consideraria fieis e os trataria com amor e benignidade. “Darás a Jacó a fidelidade, e a Abraão a benignidade, que juraste a nossos pais desde os dias antigos” (Miquéias 7:20).

O conselho divino, enquanto a porta da graça esta aberta sempre foi: “Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor que se compadecerá Dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar” (Isaías 55:7).

 
“A Escola Sabatina deve ser um dos maiores instrumentos, e o mais eficaz, em levar almas a Cristo” (Testimonies on Sabbath School Work, pág. 20). 

“O Senhor quer na Escola Sabatina professores que trabalhem de todo o coração, que pelo exercício aumentem seus talentos e progridam naquilo que já conseguiram” (Conselhos Sobre a Escola Sabatina, págs. 13 e 122). 

 
Nosso blog de comentários da Lição da Escola Sabatina:


 
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domingo, 5 de maio de 2013

Ansioso para perdoar (Jonas)


Comentário da Lição da Escola Sabatina de quatro a onze de maio de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

Jonas é um dos três profetas de Israel. Foi comissionado pelo Deus de Israel para ir a Nínive, capital da Assíria e pregar uma mensagem de arrependimento. A sua missão era admoestar os assírios que devido a sua crueldade e muito derramamento de sangue, iriam sofrer a ira divina caso não se arrependessem dentro de quarenta dias.

Os assírios eram famosos, por decapitar os povos vencidos. Eles faziam pirâmides com seus crânios. Crucificavam ou “empalavam” (ver significado em qualquer dicionário) os prisioneiros; arrancavam seus olhos (Rei Ezequias) e os “esfolavam” vivos (Retirar toda a pele do prisioneiro).

 Provavelmente Jonas tinha lá as suas razões para recusar essa missão. Entre elas de que os ninivitas eram tão ímpios que não merecessem a graça de Deus. E outro motivo que talvez o tenha levado a desistir de pregar para esse povo era o medo de ser turturado e morto. Com certeza era mais fácil e mais cômodo ser profeta em Israel do que aventurar-se em Nínive.

Jonas é o profeta bíblico mais malhado em nossos dias. As crianças ouvem a sua história onde ele é apresentado como covarde, desobediente e egoista. Mas será que se estivessemos em seu lugar não faríamos semelhante a ele ou pior? Ou, quem sabe, já não procedemos assim em algum momento de nossa vida!?

Como subsídio a esse comentário sugerimos que leia as páginas 30, 31 e 32 de nossa meditação Reavivar a Esperança.

O ministério profético de Jonas não se deteve apenas a sua mensagem a Ninive. Ele profetizou também a respeito de Israel. “Também este restituiu os termos de Israel, desde a entrada de Hamate, até ao mar da planície; conforme a palavra do Senhor Deus de Israel, a qual falara pelo ministério de seu servo Jonas, filho do profeta Amitai, o qual era de Gate-Hefer” (2 Reis 14:25).

Ninive ouviu a mensagem de um único profeta. Diferente de Israel que regeitou todas as advertencias recebidas. O povo de Deus deveria ter em Ninive o mais comovente sermão de reavivamento, mas de nada adiantou.

 

Domingo

            Tudo indica que Jonas estava em Jerusalém quando recebeu a ordem divina para dar a mensagem a Ninive. Jope ficava perto da capital de Judá. Jonas obedeceu à ordem divina de viajar. Viajou mas, a propósito, tomou a direção contrária a que Deus havia solicitado. 

O que levou Jonas a decidir fugir para Tarsis e não para outra cidade?  A palavra Társis em fenício significava “a refinaria” e provavelmente tinha este nome porque representava o centro metalúrgico fenício, que estava situado no Tartesso, ao sul da Espanha, perto de Gibraltar.

Tarsis era uma cidade estritamente industrial. A cidade de Tiro se enriqueceu através do comércio marítimo que provinha de Társis, na base de troca. Era uma cidade idólatra onde Deus não era conhecido. Para o povo de Israel, Társis significava “o fim do mundo”.  Para Jonas seria um ótimo lugar para se esconder de Deus.

Tudo indica que Jonas embarcou em um navio cargueiro. A viagem de ida e volta de Jope para Tarsis durava em média um ano. Não sabemos até onde Jonas foi e nem em que praia ele foi deixado pelo peixe. Mas podemos ter uma ideia de que a sua fuga tenha durado vários dias ou meses.

 Davi passou por uma experiênia difícil. Ele cometeu adultério e assassinato e imaginava que tudo estivesse oculto diante dos homens e do Onipotente. Ele se esqueceu de que em cima nos Céus tem um Deus que tudo vê.

Depois que o profeta Natã se apresentou a ele declarando o seu pecado e mostrando que Deus sabia de tudo, ele compos o salmo 139 e o ofereceu ao maestro do coral de Israel. Provavelmente a sua intensão era que toda a igreja soubesse e cantasse essa grande verdade. Pelo que parece Jonas desconhecia esse hino e, diante da ordem divina, resolveu tomar uma direção contrária.

 

Segunda

            Uma vez dentro do navio, Jonas procurou se esconder ainda mais descendo para o porão. Parece que a sua consciencia não o acusava; a Bíblia diz que no momento da tempestade ele estava “agarrado no sono” (Jonas 1:6).

            Em meio a trovões, vatania e relampagos e o navio se quebrando, Jonas dormia profundamente. Já que uma tempestade não foi suficiente, Deus usou o mestre do navio para acordá-lo e, pelo que parece, teve bastante trabalho.

            Em meio a uma fulminante tempestade, enquanto os marimheiros abriam mão do que mais precioso existia dentro do navio e recorriam cada um ao seu deus; o mensageiro do Deus criador dormia profundamente.

            A ordem foi incisiva: “invoca o teu Deus”. Como cada um ali tinha o seu deus os marinheiros imaginavam que Jonas também tivesse o seu. Mas como invocar a Deus se estava fugindo Dele? Imagino que essa ordem soou como uma pancada e, Jonas ficou atordoado.

             A esperança dos marinheiros era de que o Deus de Jonas se lembrasse deles (Jonas 1:6). Deus não havia Se esquecido deles, mas ali estava alguém que havia se esquecido de Deus.

            Ao ler o capítulo 1 podemos ter uma ideia do quanto Àqueles homens pagãos lutaram para poupar a vida de deste único homem, Jonas. E, por ironia do destino, era o mesmo homem que recusou a dar a mensagem de salvação para 120 mil pessoas.

            Jonas começou a entender que se ele recusou a dar a mensagem de salvação para uma grande cidade agora era sua responsabilidade fazer alguma coisa para salvar aquela meia duzia de marinheiros desesperados. A sua resposta foi: “Me joguem no mar.”

 
Terça

            O capítulo 2 de Jonas é considerado o salmo de Jonas e é semelhante ao salmo cinquenta e um de Davi. Os dois estavam vivendo o mais profundo arrependimento e experimentavam um momento de aflição sem precedentes.

            Enquanto Jonas sentia que “todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado por cima de mim” (Jonas 2:3), por outro lado ele sentiu com maior intensidade ainda, as vagas da misericórdia de Deus a envolver a sua alma.

Ele afirma “as algas se enrolaram na minha cabeça” (Jonas 2:5). Antes de ser engolido pelo peixe Jonas permitiu que as algas do egoísmo e da desobediência envolvessem a sua cabeça. Os seus pensamentos eram de revolta e de juízo para uma Nínive tão pecadora. Aquela prova serviu para desanuviar os seus pensamentos.

É curioso observar que a graça Se manifesta salvadora no livro de Jonas. Deus salvou a tripulação do navio. Deus salvou Jonas e Deus salvou Nínive. E não ficou só com estes; quantos, ao longo dos milênios, tem mudado os seus caminhos com a história de Jonas.

No momento máximo de sua aflição; quando as suas forças se estinguiram. Quando o tênue fio de esperança estava prestes a romper, Jonas ora lá do profundo do abismo. A sua oração rompeu as entranhas do peixe, venceu a imensidão das águas e entrou na sala de audiência do Infinito. E ali, ela encontrou guarida e Deus respondeu de imediato. “Quando desfalecia em mim a minha alma, lembrei-me do Senhor; e entrou a ti a minha oração, no teu santo templo” (Jonas 2:7).

Foi muito bom Jonas ter voltado para Deus. Mas melhor do que isso seria se ele nunca tivesse se afastado Dele. Agora, imagine se o peixe fosse desobediente à ordem de Deus como Jonas o foi.

 
Quarta

            Não há nenhum relato na Bíblia de conversões em massa como no caso de Nínive. Nem no pentecostes se viu algo semelhante. A pregação de Jonas causou um forte impacto na vida dos ninivitas.

            A obra, timidamente, iniciada por Jonas foi completada pelo rei de Nínive. O imponente monarca desceu do seu trono, retirou as suas roupas reais e se curvou ao pó. Proclamou um jejum extensivo até aos animais.

            “E fez uma proclamação que se divulgou em Nínive, pelo decreto do rei e dos seus grandes, dizendo: Nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê alimentos, nem bebam água; Mas os homens e os animais sejam cobertos de sacos, e clamem fortemente a Deus, e convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há em suas mãos” (Jonas 3:7-8).

            Abordamos na introdução que Nínive era uma cidade fortemente armada e violenta. O rei reconheceu esse pecado grave e fez confissão. Diz ele: “convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há em suas mãos”.

            O monarca termina o seu apelo com uma exclamação de súplica: “Quem sabe se se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos?” (Jonas 3:9). Aquele rei violento e implacável estava conhecendo um Rei maior do que ele e que, segundo a Bíblia, “é grandioso é em perdoar”. (Isaías 55:7). Que resultado fantástico! Como diz o subtítulo do estudo de quarta-feira foi realmente uma “missão vitoriosa”.

Pelos resultados alcançados Jonas deveria ser o pregador mais realizado e mais feliz do mundo. Noé pregou 120 anos e só converteu sete pessoas. Jonas pregou apenas um dia e converteram 120 mil criaturas que em termos espirituais não sabiam “discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda” (Jonas 4:11).

 Veremos na parte de quinta feira que a reação de Jonas foi completamente o contrario daquilo que deveria ser.

 
Quinta

Jonas ainda guardava ressentimentos. Parece que ele não acreditava que o arrependimento dos ninivitas fosse sincero e se retirou para um local elevado de onde, poderia ver melhor, no fim dos três dia, a destruição da cidade.

 Enquanto os ninivitas estavam mergulhados em profunda contrição, Jonas remoia em seu ódio contra aquela gente. No fim dos três dias, passada a ira de Deus, podemos imaginar uma Nínive eufórica e feliz. Jubilosos cânticos partindo do palácio e das miseras choupanas se constrastavam com um Jonas magoado, revoltado e descrente com a vida. Em sua profunda depressão ao ver que a cidade não foi destruída insistiu com Deus para que, pelo menos ele, fosse morto.

Quão longe estava Jonas de conhecer a “Profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11:33).

 
Conclusão

 Parece que Jonas era da tribo de Zebulon que se localizava numa região fértil e cobiçada. Jonas é o único profeta de Deus enviado aos gentios. Nínive era o pior exemplo de impiedade.

Zebulon produzia grandes colheitas, mas na época da cega era invadido pelos assírios que, com violência, arrebatavam toda a produção e deixava o povo na miséria.

As tribos de Zebulon e Naftali foram as que mais sofreram nas mãos dos assírios. Para enfraquecer o poder bélico da região os assírios levaram um contingente de pessoas da Assíria para morarem ali. A mistura chegou a tal ponto que a região foi denominada a “Galileia das Nações.” 

Isaias profetizou que Jesus iniciaria o seu ministério naquela região e foi o que realmente aconteceu. “Mas a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida; envileceu nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, na Galiléia das nações” (Isaías 9:1).  “E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali; Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías”, (Mateus 4:15 ). Uma prova de que Jesus veio para salvar judeus e gentios.

Com a salvação de Ninive Deus deu um claro recado ao povo de Israel. Primeiro, que eles não eram os únicos especiais na face da Terra. Segundo, que os nossos maiores inimigos merecem a salvação. Parece que nem Jonas e nem Israel entenderam a mensagem.

 

 
 A Classe dos Professores é uma oportunidade semanal para aqueles que, com humildade, se aproximam da Fonte e desejam conhecer mais do Seu amor.