domingo, 7 de julho de 2013

Oração: a força vital do reavivamento


 

Comentário da Lição da Escola Sabatina de 6 a 13 de julho de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, Ex-diretor do Jornal Esperança d autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano.  O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            O autor da lição nos mostra as duas bases do reavivamento: A oração e o estudo da Palavra de Deus. O primeiro, estudaremos nesta semana e o segundo na próxima. Sem essas duas bases não há como o reavivamento florescer em nossa vida.

            Os apóstolos estavam diante de uma situação desafiadora. Jesus não estava mais entre eles e em seus ouvidos soavam as Suas últimas palavras. Primeiro a promessa de Jesus: “É Me dado todo o poder no Céu e na Terra” (Mateus 28:18-20). Jesus já havia Se apresentado no Céu. O Seu sacrifício foi aceito. Vamos lembrar que Jesus faz parte da Trindade e sempre teve todo o poder. Ou seja: poder criador conforme afirma João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1:1-3).

 Ele é dotado também do poder mantenedor. Jó foi interrogado a respeito: “Tens tu notícia do equilíbrio das grossas nuvens e das maravilhas Daquele que é perfeito nos conhecimentos?” (Jó 37:16).

E, felizmente Jesus é dotado do poder salvador. Diz a Bíblia: “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 07h25min).

Depois de Sua apresentação ao Pai Ele foi revestido com a glória que Ele tinha desde a fundação do mundo. Diz o texto bíblico: “Pai, aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que Me deste; porque Tu Me amaste antes da fundação do mundo” (Ver meditação Reavivar a Esperança, páginas 324 e 325).   Durante a Sua encarnação o Seu poder foi velado e as manifestações de poder que O acompanhavam provinham do Pai como acontece com qualquer ser humano.

Com essa certeza em mente vem o grande desafio: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mateus 28:18-20). Esse é o desafio repetido por Cristo no Apocalipse: E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo” (Apocalipse 14:6).  

Depois dessa ordem, que aos olhos humanos era impossível de ser executada veio a grande certeza: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:20). E Lucas reafirma as palavras de Cristo: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lucas 24:49)

O desafio foi alcançado. “Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé”  (Romanos 1:8). Mas nada disso seria possível se a ordem de Jesus fosse desprezada: “Ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lucas 24:49).

            O mesmo desafio é proposto para nós hoje. Por forças humanas é impossível ser executado. Mas com unidade, humildade e oração receberemos poder para fazê-lo. E, então, “a terra foi (será) iluminada com a Sua glória” (Apocalipse 18:1).

 

Domingo

            Na primeira nota da parte de domingo o autor apresenta o resultado do trabalho dos apóstolos no primeiro século com um milhão de conversos no mundo. Eles não dispunham de eletricidade, aparelhagem sofisticada, telefone, transporte rápido, rádio, televisão, internet, projetores de vídeos, o uso de som e outras parafernálias que temos hoje.

            Na nota da pergunta um temos o desabafo do pastor R.A. Torrey feito lá pelos anos de 1903 a 1907. Dizia ele: “Estamos ocupados demais para orar. Por isso, estamos muito ocupados para ter poder. Temos grande quantidade de atividades, mas realizamos pouco; muitos serviços, mas poucas conversões, muitos equipamentos, mas poucos resultados.”

            Esse desabafo do pastor Torrey mexeu com a minha infância. Cinquenta anos depois de proferidas essas palavras eu ilustrava os meus sermões com um projetor que passava um island de cada vez. Era o saudoso “leco leco”, como o apelidávamos. Isso quando a energia da cidade permitia. Às vezes eu usava uma “moderna eletrola” da qual os velhos bolachões dos Kings Heralds enchia a igreja com a atmosfera do Céu.

            Estávamos sempre presentes na igreja indo a pé ou, tempos depois, usando uma charrete. Lembro-me do primeiro congresso de jovens que participei isso em Canápolis. Com minha família fomos os únicos congressistas a chegar lá de táxi, um fordinho 29. E me vem à mente, a minha primeira viagem ao Riachão! Dois dias na carroceria de uma caminhonete comendo poeira de Monte Alegre até lá. Naquela época, 200 congressistas era gente para perder de vista. Participei do nosso acampamento em Brasília quando não existia um tijolo sequer na área, era uma viagem de mais de quinhentos quilômetros. 

            E o melhor de tudo. Tínhamos tempo para estudar com calma as lições da Escola Sabatina, fazer visitas missionárias, dar estudos bíblicos e realizar programações em outras igrejas. O por de Sol na sexta feira se realizava na hora certa e sem pressa. Não havia o roncar de motores e o surrupiar de pneus que hoje nos ensurdece. Sem televisão, internet, celular e tanta tecnologia que hoje nos escraviza a uma vida de desenfreada correria para substituir hoje o que compramos ontem.

            Caso o pastor Torrey ressuscitasse hoje provavelmente teria um colapso cardíaco e morreria de imediato. Costumo dizer que necessitamos tirar tempo não só para orar, mas para viver a plenitude da vida cristã. Sem que isso aconteça estaremos longe de experimentarmos as maravilhas do Pentecostes em nossas vidas.

Segunda

            “Quando oramos, falamos com Deus. Quando abrimos a Bíblia, Deus fala a nós.”

            Certa vez o meu pai vinha de bicicleta para casa quando sofreu uma queda de graves consequências. Com várias fraturas no crânio não tínhamos nenhuma esperança de sua recuperação

            Ele era muito querido em nossa pequena cidade. O pastor de uma igreja da Assembleia de Deus me falou que a sua igreja fez uma noite de vigília em seu favor. Um líder espirita disse haver realizado uma sessão pelo seu restabelecimento. E um médico ateu com os olhos lacrimejando sussurrou baixinho em meus ouvidos: “estou pedindo ao Deus em quem o seu pai acredita e confia que o ajude nesse momento tão difícil”. Não sei qual ou quais das orações foram ouvidas, o resultado é que, depois do acidente, papai ainda viveu trinta e quatro anos.

            Em 1965 colportei em Brasília. Certa vez, ao erguer a cabeça após a oração junto à mesa, uma senhora que me servia perguntou: “como você ora?” Essa pergunta até hoje me incomoda. As orações daqueles irmãos pelo meu pai foram muito além de uma simples rotina de pedir e agradecer. Do profundo de sua alma eles clamaram a Deus.

            Fico imaginado como sentia Jesus ao ver o destino meu e o de milhões de pessoas que um dia habitaria no mundo a periclitar em Suas mãos nas Suas madrugadas de oração e, principalmente, na noite que antecedeu o Calvário. Hoje, se faço parte do povo de Deus é porque no passado o Deus vindo do Céu clamou por mim em Suas madrugadas de oração. “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim” (João 17:20). Diz Ellen G. White: O tremendo momento chegara - aquele momento que decidiria o destino do mundo. Na balança oscilava a sorte da humanidade. Cristo ainda podia, mesmo então, recusar beber o cálice reservado ao homem culpado. Ainda não era demasiado tarde. Poderia enxugar da fronte o suor de sangue, e deixar perecer o homem em sua iniquidade” (O Desejado de Todas as Nações, p 690).

            Ao ver a proximidade do fim e que o grande Dia se apressa em chegar, ao ver milhões sem esperança ao seu redor, ao ver a apatia que envolve cada um de nós vem a pergunta daquela garçonete, não em forma de cochichos, mas em altos brados: “Como você ora?”

 

Terça

            O estudo de terça feira nos mostra algumas lições. A primeira é que a oração em grupo evidencia que existe paz e união entre as pessoas reunidas. A oração solitária tem o seu lugar e o seu poder, mas não transmite essa certeza. E sabemos que sem unidade o Espírito não virá. 

Um segundo aspecto é que a igreja vivia um momento tenso e difícil. A prisão de Pedro nas condições em que aconteceu era um caso sem solução a olhos humanos. Mas foi ciente dessa impossibilidade humana que a igreja se refugiou em Deus. “Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus” (Atos 12:5).

O terceiro aspecto é a postura de Pedro. Tiago acabara de ser decapitado por Herodes e ele, Pedro, tinha certeza de ser o próximo da fila. Confinado em uma prisão de segurança máxima ele passava as vinte e quatro horas do dia algemado a dois soldados. A única solução era aguardar o momento fatídico. Mesmo vendo o manto da morte a envolvê-lo, Pedro dormia tranquilamente. A comunhão com Deus transmite-nos calma e paz mesmo em meio a angústia.

Herodes estava ansioso que o dia amanhecesse. Seria o momento de ele apresentar o seu grande troféu para os executores. Mas em meio à noite escura, e a tranquilidade que envolvia o seu palácio, a prisão de Pedro era inundada por uma luz insuportável a olhos humanos e tudo estremeceu enquanto as grades e algemas se despedaçavam.

“E quando Herodes estava para fazê-lo comparecer”, um anjo apanha Pedro e o conduz para fora com segurança. No momento ele não acreditava no que estava acontecendo. Imaginava que fosse um sonho ou uma visão. “E, saindo, o seguia. E não sabia que era real o que estava sendo feito pelo anjo, mas cuidava que via alguma visão” (Atos 12:9).

A bênção foi tão grande e inesperada que nem Pedro e nem a igreja foram capazes de acreditar no que estava acontecendo. Diz o texto: “E, conhecendo a voz de Pedro, de gozo não abriu a porta, mas, correndo para dentro, anunciou que Pedro estava à porta. E disseram-lhe: Estás fora de ti. Mas ela afirmava que assim era. E diziam: É o seu anjo. Mas Pedro perseverava em bater e, quando abriram, viram-no, e se espantaram” (Atos 12:14-16).

 

Quarta

A liberdade de orar é umas das poucas que ninguém consegue tirar de nós. Foi Deus que a impingiu em nosso ser. Antes de tudo, Deus ordena que o crente ore. O mandamento para orarmos vem através dos escritores bíblicos (1Corintios 16.11; Salmos 105.4), dos profetas (Isaias 55.6; Amos 5.4,6), dos apóstolos (Efésios 6.17,18; Colossenses 4.2; 1Tessalonicenses 5.17) e do próprio Senhor Jesus nos exorta a orar sem cessar (Mateus 26.41; Lucas 18.1 e João 16.24). Tenho algumas conclusões a respeito.

- Primeiro, esse relacionamento interessa a Deus.

- Segundo, quando recusamos exercitar essa liberdade Deus Se incomoda.

- Terceiro, fomos criados para nos relacionarmos mutuamente com o Criador.

- Essa é uma liberdade universal e estendida a todos os filhos de Adão independente de status, cor e raça.

- Saber usa-la deve ser a nossa preocupação.

- Devemos orar pelo simples privilégio de, embora pecadores e falhos, estarmos na sala de audiência do Altíssimo.

- Aqueles que se usufruem da liberdade de orar podem até serem os mais provados, mas usufruem de uma paz que nenhum outro consegue experimentar.

  - Paulo afirma que a oração é a arma poderosa à nossa disposição para destruir as fortalezas do mal. “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas” (2 Coríntios 10:4).

Milhões no mundo ainda são escravos de vícios porque não aprenderam a usar a sua liberdade de oração, E Ellen G. White afirma que os membros da igreja correm o serio perigo de abrir mão da oração e do estudo da Palavra de Deus. Ao falar das astucias de Satanás ela afirma: “Ele criará inúmeros afazeres e preocupações, de nodo que não tenhamos tempo para ler a Bíblia e orar” (Signs of the Times, 5 de março de 1885). Isso ela escreveu há quase 100 anos quando a vida era realmente tranquila. O que diria ela hoje?

 

Quinta

Essa lição nos oferece uma verdadeira aula sobre a oração. Aqueles que em humildade de coração propuserem estuda-la com carinho com certeza colherão muitos frutos que farão a diferença em sua caminhada rumo ao Céu. Diz Ellen G. White: “As petições que ascendem de corações sinceros e humildes seguramente O alcançarão. Ele pode discernir a sinceridade de Seus filhos adotados” (Sings of the Times, 13 de novembro de 1903). 

Um fato curioso na Bíblia é que quando um servo de Deus se colocava de joelhos em súplica ao Deus do Céu, em favor do povo ou de alguma pessoa eles assumiam as culpas dessas pessoas mesmo que não houvesse cometido nenhuma delas. Vemos ai o caso de Moisés e Daniel. Eles se fizeram culpados diante de Deus em favor do povo. Esse é um aspecto interessante da oração intercessória que não deve passar despercebido.

Paulo enfatiza a necessidade de moldurarmos a nossa oração em uma aurela de     gratidão. “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças” (Filipenses 4:6).

Outro aspecto importante é mantermos em atitude de vigilância. A mensagem bíblica parece dizer que após a oração os nossos pensamentos devem estar voltados para o centro de nossas petições. Esse comportamento seria o “vigiar com toda a perseverança e súplica.” Diz o texto bíblico: “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos” (Efésios 6:18).

O segredo para a verdadeira paz que excede todo o entendimento é estarmos sempre em oração suplicante e com o coração agradecido: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças” (Filipenses 4:6).

As bênçãos de Deus aguardam apenas o roçar de nossos lábios para que caiam em abundancia sobre nós. Ellen G. White afirma: “Nuvens de graça pairam sobre nós, prontas para ser derramadas em nossa vida” (The Youth’s Instructor, 5 de janeiro de 1887).

Ellen G. White faz uma advertência para nós. Vejamos: “É porque oramos tão pouco que nossas orações não são mais urgentes nem inteligentes” (Signs of the Times, 5 de março de 1885). E o autor da lição faz uma sugestão em forma de pergunta que se encontra no rodapé da página 21: “Porque não faz um esforço mais concentrado para dedicar mais tempo à oração”?

 “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças” (Filipenses 4:6).

 

Conclusão

A primeira pergunta para reflexão na parte de sexta feira faz parte das cogitações de muitos irmãos sinceros. “Por que precisamos orar se Deus conhece tudo?” E autor responde: “É porque a Bíblia nos diz que devemos orar.” Indo um pouco mais além dessa resposta tenho observado na Bíblia que Deus deseja manter-Se em permanente relacionamento conosco. E talvez esse seja mais um dos motivos porque Ele idealizou a oração. Sugestão: faça uma leitura meditativa das palavras de Ellen G. White extraídas do livro Caminho a Cristo, p 100 e que se encontra na parte de sexta feira.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Reavivamento: nossa grande necessidade


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 29 de junho a 6 de julho de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Neste trimestre vamos aprender que reforma é uma das consequências do reavivamento. O autor da Lição separou as oito primeiras lições do trimestre para que tenhamos uma visão bem ampla da nossa necessidade de reavivamento e de como consegui-lo.

            Nas últimas cinco lições vamos estudar o maior dos resultados do reavivamento: a reforma.  Fico imaginando o que será de nós se, no final deste trimestre continuarmos na mesmice que nos tem caracterizado. Estejamos atentos: Satanás vai fazer de tudo para que isso aconteça.

            Vamos aprender que o estímulo para o reavivamento, como aconteceu em toda a história do povo de Deus, vem do Senhor que nos criou. Ele sabe que se não passarmos por uma transformação não seremos capacitados para concluir a obra.

            Na primeira Lição do trimestre vamos entender que reavivamento é a nossa maior necessidade. Diz Ellen G. White: Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades” (Eventos Finais, p. 189).

            O convite, em forma de desafio, feito a igreja de Laudiceia é dirigido especificamente a nós. Ao ser apresentado um sermão na igreja é comum ouvirmos comentários de que o sermão foi direto para o irmão A ou B. Quando, quem sabe, a mensagem tenha sido destinada diretamente a nós. Ao estudarmos essas lições é necessário que nos coloquemos no foco de Deus. É o Seu propósito atingir diretamente o meu coração.

            Temos que sair da mornidão que anestesia a igreja. Peçamos ao Senhor que nos ajude a mudar essa realidade. Que pela graça de Deus sejamos um laudiceano humilde e carente da graça de Cristo (Sugestão: Leia página 318 de Reavivar a Esperança).

            Fiquei impressionado com as palavras do autor da Lição ao se referir a Laudiceia. Disse ele: “Uma igreja que perdeu a sua paixão e que precisa de um reaviva mento espiritual” (Lição pagina 3). Não esperemos até o final de o trimestre reaver a nossa paixão de viver e testemunhar a verdade.

 

Domingo

            Sabemos que as sete igrejas apresentadas por João no Apocalipse são períodos de tempo em que esta dividida a história do povo de Deus da igreja primitiva até os nossos dias.

            Sabemos também que as características de cada cidade apresentada têm a ver com os traços que identificam o povo de Deus em cada espaço de tempo representado.

            Cada uma das sete igrejas recebe uma mensagem específica para o seu tempo. Para todas elas é o próprio Cristo que Se apresenta. É interessante que ao Se apresentar a cada uma delas Jesus mostra algumas de Suas características que vai formando um somatório de qualidades específicas do Deus Criador.

Ao Se dirigir a Laudiceia Ele Se identifica com três características que completam e apresentam a identidade de quem realmente Ele é.   “O Amém” é uma palavra conhecida no mundo religioso como “Assim seja.” Mas o seu dignificado no Hebraico vai mais além. Ela é composta de três letras em hebraico אָמֵן.  Esta sigla sintetiza a frase "Deus, Rei, Fiel."  É traduzida também por sólido, durável, certo.  O Amém exprime também fé, certeza, entusiasmo.

Jesus Se identifica para Laudiceia com duas outras características que são: “a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Apocalipse 3:14). É curioso que o significado do Amém dá sentido as duas outras características apresentadas a Laudiceia. Deus é o Amém ou Aquele que completa tudo. Ao mesmo tempo Ele é Rei e é Fiel, ou seja, deve reinar em nosso coração e merece toda a nossa confiança. É esse Deus que mostra os males de Laudicéia e ao mesmo tempo oferece o remédio.

Ao lermos as repreensões apresentadas a Laudicéia vemos que ela está envolvida com o mesmo problema que afastou Satanás do Céu: O egocentrismo, Um mal de difícil cura. Mas para Laudiceia é apresentada uma mensagem de esperança.

 

Segunda

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca” (Apocalipse 3:15-16).

Deus Se apresenta como um profundo conhecedor de nossa letargia espiritual e é categórico em afirmar que a nossa situação o incomoda ao ponto de Lhe causar náuseas. A cidade de Laudiceia se caracterizava como a cidade das águas mornas. Essa é a principal característica da igreja de nossos dias. Mornidão e indiferença que se misturam com uma auto suficiência recriminada por Deus.

            Trabalhei muitos anos em pronto socorro. Quantas vezes tive que provocar vômitos em um paciente que havia ingerido algo danoso a sua saúde. Nesses casos o melhor vomitório é oferecer água morna para o paciente. Não é fácil de beber, mas resolve.

            Por outro lado, um ambiente morno é propicio para a proliferação de bactérias prejudiciais à saúde. Da mornidão espiritual surgem as bactérias que degeneram a vida espiritual acarretando incapacitação para viver a vida cristã em sua plenitude ou mesmo causando a morte eterna. Sugerimos ler com atenção a nota da pergunta onde a irmã Ellen G. White esclarece melhor o assunto.

             Nem sempre é fácil aceitar uma repreensão. Ainda mais no caso de Laudiceia que está empanturrada do Eu que a impregna de um convencimento desmedido.   Deus, em Sua pesada repreensão à Laudicéia, objetiva nos levar a uma profunda reflexão. O Seu intento é nos salvar.

 

Terça

            Como igreja temos o pensamento de temos a verdade completa. Ter essa certeza é ótimo. Mas quantas vezes minimizamos o cristianismo de outras pessoas e nos colocamos no pedestal da vanglória.

            O leque de verdades defendidas pela Igreja Adventista do Sétimo Dia é realmente uma riqueza sem igual e, quantas vezes estribados nessa premissa nos colocamos acima daqueles que professam outras crenças. No nosso íntimo fazemos a oração do fariseu: “Não sou como os demais.”

            Temos a riqueza das verdades que professamos, porém nos falta a humildade de convivermos com ela. Conhecer as verdades que temos não nos faz melhores do que aqueles que estão ao nosso redor se a humildade não for a tônica de nossa vida. Rico em doutrinas? Ótimo! Mas ser pobre em simplicidade e simpatia, que desastre!

            As cinco palavras recriminatórias de Jesus “desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Apocalipse 3:17) nos dá um xeque-mate. Uma pessoa com as características apontadas por Cristo parece ser um caso sem solução.

Sempre corro de madrugada, das cinco às seis e meia da manhã. Em meu trajeto passo por pessoas que fisicamente se enquadram perfeitamente nas palavras de Cristo. São pessoas miseráveis, desgraçadas, paupérrimas e andam seminuas nas noites frias de inverno.  De vez em quando converso com algumas delas e ouço histórias de arrepiar os cabelos. Elas vivem jogadas nas sarjetas da vida. Para Jesus estamos em situação pior do que essas pessoas, pois pior do que ser desgraçado, miserável, pobre e nu é ser cego a tal ponto de não nos enxergarmos assim no espelho. Essas pessoas veem e reconhecem a sua miserabilidade.

Somos ricos em doutrinas, mas paupérrimos demais para comprar o colírio oferecido por Cristo. Caso não usemos o colírio apresentado pelo grande médico somos irremediavelmente um caso perdido.

 

Quarta

            As características de Laudiceia apresentadas por Cristo nos mostra um sombrio prognóstico fechado. Mas Ele oferece uma solução. Prova é que procura a Sua igreja para uma conversa clara e sem máscaras.

            A solução que Jesus oferece tem um preço. Ele é enfático: “Aconselho-te que de mim compres” (Apocalipse 3:18). Parece que Ele esta dizendo: “Se você se julga rico tem condições de comprar.”

            Nas passagens bíblicas apresentadas na pergunta sete da Lição a Bíblia deixa claro que por mais ricos que sejamos não temos o suficiente para comprarmos o colírio, as vestes brancas e muito menos o ouro provado no fogo.

            O preço é a nossa humilde aceitação. Essa aceitação se traduz em reconhecermos que somos desgraçado, miserável, pobre e nu. Esse reconhecimento só acontece mediante o colírio apresentado por Cristo. Ele vai clarear a nossa visão espiritual e nos mostrar a nossa verdadeira condição.

            Quando eu era criança conheci um personagem que hoje não se vê. Era o “mascate.” Carregando uma pesada mala ele ia batendo de porta em porta oferecendo as suas mercadorias que eram preciosidades vindas de São Paulo.

            Por milênios Jesus tem Se portado como um mascate. Ele vai de porta em porta oferecendo as suas preciosidades não vindas de São Paulo e sim, do Céu. Ele conhece as nossas necessidades e nos oferece justamente aquilo que mais necessitamos.

            Ele nos oferece a oportunidade de ter um caráter refinado, apoiado em verdades sólidas. Ao aceitarmos essas verdades Ele nos cobre com as Suas vestiduras brancas de justiça. O colírio nos proporciona a equidade visual necessária para distinguirmos o certo do errado e de como nos aproximarmos do modelo divino. É esse colírio que nos oferece também, uma visão de nossa responsabilidade em comunicar essas verdades para o mundo.

 

Quinta

            Salomão mostra o grande amor da Sulamita batendo na porta. Indecisa ela demorou um pouquinho para abrir. Quando o fez o seu grande amor já tinha ido embora. Diz o texto: “Eu dormia, mas o meu coração velava; e eis a voz do meu amado que está batendo: abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite. Já despi a minha roupa; como as tornarei a vestir? Já lavei os meus pés; como os tornarei a sujar? O meu amado pôs a sua mão pela fresta da porta, e as minhas entranhas estremeceram por amor dele. Eu me levantei para abrir ao meu amado, e as minhas mãos gotejavam mirra, e os meus dedos mirra com doce aroma, sobre as aldravas da fechadura. Eu abri ao meu amado, mas já o meu amado tinha se retirado, e tinha ido; a minha alma desfaleceu quando ele falou; busquei-o e não o achei, chamei-o e não me respondeu” (Cânticos 5:2-6).

            Um ponto curioso nessa historia é que ela sabia perfeitamente quem estava na porta de sua casa. Essa é uma ilustração muito solene. Veja: Ela amava o seu noivo. Embora dormindo, ela anelava por Sua vinda. Ele. Foi tomada de grande emoção no momento de Sua chegada. Uma pequena demora em abrir a porta foi o suficiente para perder todas as bênçãos.

            Com certeza ela tinha lá as suas razões para essa pequena demora. Quem sabe foi arrumar o cabelo e colocar o melhor vestido. O convite de Jesus não permite demora em atendê-lo: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Apocalipse 3:20).

 Abramos a porta do nosso coração como estamos e as mudanças serão efetuadas quando ele estiver à nossa mesa.

Alguém poderá perguntar: “Ela se arrependeu e saiu logo à Sua procura, por que não mais O encontrou?” Sabemos que breve se fechará a porta da graça. Quando isso acontecer, afirma Amós: “E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do Senhor, mas não a acharão” (Amós 8:12).

Hoje Jesus oferece salvação para todo mundo, principalmente para Laudiceia. A Sua mensagem é: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações” “Hebreus 4:7).  

 

 

Conclusão

            É conhecida a história do sapo que foi colocado em uma vasilha com água morna e aos poucos foi se acrescentado água quente. Em determinado momento ele sentiu que poderia morrer cozido. Tentou escapar, porém, não tinha mais forças e não conseguiu.

            A monirdão nos envolve em um estado de torpor e insensibilidade. É difícil conscientizarmos de nossa real condição. Na realidade não sabemos do perigo que nos envolve. O importante é abrirmos a porta de nosso coração hoje, agora. Essa é a primeira condição para que ocorra um reavivamento da primeira piedade em nossa vida.

Para que não nos esqueçamos (Malaquias)


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 22 a 29 de junho de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF. .

 

Introdução

Malaquias encerra o ciclo profético do velho testamento. A preocupação do profeta era preparar o povo para a vinda do Messias. Após quatrocentos anos de silêncio aparece João Batista transmitindo uma mensagem semelhante à de Malaquias. Dizia "Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mateus 3:2).

Fazendo um paralelo vemos que os mesmos pecados condenados por Malaquias

estavam presentes nos dias de João Batista.  Malaquias 1:6 mostra os sacerdotes como

culpados pela indiferença do povo para com Deus.  Diz o texto: "O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo? Diz o Senhor dos Exércitos a vós outros, ó sacerdotes que desprezais o meu nome. Vós dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome?"

            O povo, voltado para os seus próprios interesses havia abandonado a pratica de dizimar. Essa atitude se refletiu na postura dos sacerdotes que se tornaram indiferentes e inescrupulosos.

            Malaquias faz um chamamento para a santidade do matrimônio. A infidelidade matrimonial de seus dias se refletia no relacionamento da igreja (esposa) para com Deus.

            Malaquias mostrou que Deus tem reservado em Sua agenda um dia no qual Ele destruirá os ramos e a raiz do pecado. “Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo” (Malaquias 4:1). Conheci um colportor que, em meio à agitação de uma cidade grande com imensos arranha-céus e o surrupiar intermitente de pneus pelas ruas, dizia: “Tudo está preparado para o fogo do Malaquias.”

            Parece que a teimosia é algo inerente ao homem. Durante milênios Deus tem chamado o ser humano para um relacionamento pessoal e perene com Ele mas o homem teimoso continua em sua prática de afastamentos intermitentes deste Deus que sempre o amou.  Não fosse a misericórdia divina e tudo estaria perdido. Diz Malaquias 3:6-7: "Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?"

Vemos um contraste gritante entre a postura de Deus e a do homem. O Senhor Deus não muda. Ele sempre é amor. Isaias afirma que os Os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar, e as suas águas lançam de si lama e lodo” (Isaías 57:20).  

“Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos.” (1 Coríntios 10:11).

 

Domingo

O sacerdócio nos dias de Malaquias estava corrompido. Eles continuavam com as práticas sacrificais no templo, mas com a visão obscurecida de seu real significado. A maneira como faziam os sacrifícios estava longe do ideal orientado por Deus.

Os animais oferecidos no altar deveriam ser perfeitos como perfeita é a vida de Jesus.  Ao oferecerem sacrifícios defeituosos os sacerdotes estavam afirmando que Jesus teria defeito e assim o Seu sacrifício seria inútil, pois só um Ser sem pecado poderia resgatar o homem.

Os sacrifícios apontavam para o Cordeiro de Deus, sem pecado, que em breve desceria do Céu e daria a Sua vida pelo pecador.  Malaquias estava preparando o povo de Israel para esse grande acontecimento. As palavras de Malaquias foram inúteis. As coisas desandaram tanto que os sacerdotes comercializavam os animais dentro do templo. E se alguém trazia um animal perfeito o sacerdote o vendia e em seu lugar oferecia um defeituoso mais barato. Diante dessa prática Jesus não deixou por menos e agiu com firmeza expulsando do templo os sacerdotes comerciantes.

Pelo que lemos no penúltimo versículo do capitulo um a rotina do Santuário se tornou enfadonha e cansativa. Diz o texto: “E dizeis ainda: Eis aqui, que canseira! E o lançastes ao desprezo, diz o Senhor dos Exércitos; vós ofereceis o que foi roubado, e o coxo e o enfermo; assim trazeis a oferta. Aceitaria eu isso de vossa mão? diz o Senhor” (Malaquias 1:13).

Essa “canseira” mencionada pelo profeta parece ter dois motivos. Primeiro, é difícil para qualquer pessoa executar algum trabalho se o seu coração não estiver naquilo que faz. Para que haja perfeição as coisas devem ser feitas mais com o coração do que com as mãos.

Em segundo lugar, provavelmente, Ageu e os demais profetas martelavam dia e noite na mesma tecla: “É necessário que os animais sacrificados sejam perfeitos.” Eles estavam cansados de ouvir tais advertências.

Duas lições para nós. Primeira, estamos oferecendo a Deus o melhor que possuímos? E a segunda, a nossa vida espiritual é alegre e descontraída ou tornou-se cansativa e enfadonha? O nosso Deus é grande. Criou-nos e nos redimiu. Ele merece o nosso melhor.

 

Segunda

            O casamento estava banalizado entre o povo de Deus. Por motivos fúteis um homem abandonava a esposa ou passava a conviver com mais de uma mulher. Não é atoa que mais uma vez Deus usa o casamento de um homem e de uma mulher para exemplificar o Seu relacionamento com o Seu povo.

            O povo estava trocando o Deus verdadeiro por falsos deuses. E pior, estas práticas passaram a ser consideradas normais. Deus traz a lembrança um tempo em que eles eram fieis. Diz o texto: “A lei da verdade esteve na sua boca, e a iniquidade não se achou nos seus lábios; andou comigo em paz e em retidão, e da iniquidade converteu a muitos” (Malaquias 2:6).

            Que tempos bons foram aqueles! Diz o texto que eles amavam a verdade, se apartavam da iniquidade e caminhavam com o Senhor em paz e em retidão.  Que tempos memoráveis! Mas pela história do povo de Deus que durou pouco tempo.

            O comportamento matrimonial deles identificava duas coisas. Primeiro era um claro exemplo de apostasia e em segundo lugar era o retrato do um relacionamento superficial com Deus.

            Durante o tempo em que o povo caminhava intimamente com Deus, a sua influencia levou muitas pessoas à conversão. Essa é à força do exemplo. No momento em eles se afastaram de Deus não tiveram mais força moral para testemunhar e o sentido da missão foi seriamente prejudicado.

            Esse é um mal que nos ameaça. O afastamento de Deus prejudica a missão por dois motivos. Primeiro o mundo não vê em nós as evidencias do que pregamos. E em segundo lugar não pregamos mais com aquela autoridade que só uma vida consagrada pode oferecer.

 

 
Terça

            O povo já estava tão acostumado com uma vida cristã fictícia que isso passou a ser normal para eles. O pecado sega. Certa vez ouvi que o maestro de um coral mantinha um relacionamento amoroso com a pianista e discutiu muito com a comissão da igreja tentando convencê-la de que no seu caso aquele era um procedimento normal.

            Quando Deus convidou o povo para que tornasse para os Seus braços de amor o questionamento foi: “Em que havemos de tornar.” Do mesmo modo quando foram advertidos de que estavam roubando a Deus eles foram enfáticos: “Em que Te roubamos?”

            Provavelmente você já teve a triste experiência de falar com um irmão com a mente cauterizada pela prática de algum pecado específico. Geralmente o diálogo se torna difícil e às vezes impossível.

            A retenção dos dízimos e das ofertas é uma porta aberta para um afastamento gradual de Deus e a sua devolução tem tudo a ver com a finalização da obra de Deus na terra. Um dilúvio de luz está irradiando da Palavra de Deus, e é preciso que haja um despertamento para oportunidades negligenciadas. Quando todos forem fiéis em devolver a Deus o que a Ele pertence em dízimos e ofertas, abrir-se-á o caminho para que o mundo ouça a mensagem para este tempo. Se o coração do povo de Deus se enchesse do amor de Cristo; se cada membro de igreja fosse inteiramente imbuído do espírito de sacrifício; se todos manifestassem completo fervor, não haveria falta de fundos para as missões nacionais ou estrangeiras” (Conselhos Sobre a Escola Sabatina, p. 137).

            Conheci um membro da igreja que além de ser fiel nos dízimos e nas ofertas era pródigo em ajudar pessoas necessitadas. Aquele irmão era agricultor e a cada ano as suas lavouras mais do que o esperado. Em uma linguagem quase prosaica ele dizia que Deus o bajulava além da medida.

             Aqueles que abastecem a casa do tesouro são abençoados sem medida. Talvez a maior das bênçãos seja a paz de espirito e a consequente felicidade que ela gera.

 

Quarta

Malaquias fala de dois grupos de pessoas que faziam parte da igreja de seu tempo. O grupo dos reclamões que não sentia a presença de Deus em sua vida. Esses se julgavam esquecidos de Deus e entregues a sua própria sorte. “...Inútil é servir a Deus; que nos aproveita termos cuidado em guardar os seus preceitos, e em andar de luto diante do Senhor dos Exércitos?” (Malaquias 3:14).  Para esse grupo servir a Deus é uma perda de tempo. É canseira! Eles tinham o mesmo pensamento do salmista quando se assustou diante da prosperidade dos ímpios. Mas no caso do salmista a dúvida desapareceu depois que ele teve uma visão do Santuário. Nos memoriais do Santuário havia um negro relato de cada um dos reclamões. E mais do que relatos estava escrito também como seria o fim de cada um deles.

O outro grupo era formado por pessoas agradecidas. Dos seus lábios não saíam reclamações. Pelo contrário, eles contavam um ao outro as maravilhas que Deus diariamente operava em suas vidas. É interessante que Deus gostou tanto desse comportamento especial que resolveu escrever tudo em um livro.  É interessante que um memorial é algo para ficar gravado na memória. No memorial estão registradas coisas que jamais deverão ser esquecidas. “Então aqueles que temeram ao Senhor falaram frequentemente um ao outro; e o Senhor atentou e ouviu; e um memorial foi escrito diante dele, para os que temeram o Senhor, e para os que se lembraram do seu nome” (Malaquias 3:16).

No mundo existem milhares de monumentos. Eles são memoriais que falam de pessoas que fizeram coisas que, para sempre, devem ser lembradas pela humanidade. Em Brasília temos o memorial JK e não há quem se emocione ao entrar ali. Mas o memorial que Deus está fazendo de cada um de nós é muito mais emocionante. Ele será um testemunho para o Universo do Seu amor.

Malaquias chama a atenção de sua igreja para a correta devolução dos dízimos. A conduta dos fraudadores do tesouro de Deus está criteriosamente escrita. Diz Ellen G. White: “Como há diante Dele um memorial escrito daqueles que temem ao Senhor, e que se lembram do Seu nome, assim também é conservado o registro de todos os que se apropriam dos dons que Deus lhes confiou, para usar na salvação de almas. Review and Herald, 16 de maio de 1893” (Conselhos Sobre Mordomia, p. 88).        

 

Quinta

            Na introdução deste estudo eu falei de um colportor que ao ver os grandes edifícios e as ruas apinhadas de carros de nossas metrópoles exclamava: “Está tudo preparado para o fogo do Malaquias.”

            É interessante que Malaquias conclui o seu livro e ao mesmo tempo finaliza o Velho Testamento com algumas mensagens impactantes e sequenciais. Primeiro ele fala do dia do Juízo quando Deus colocará um ponto final na dor destruindo os ramos e a raiz do pecado.

             Em diversas épocas e diversos povos experimentaram o seu dia do Senhor. Foi assim com Adão e Eva no dia em que foram expulsos do Éden, com os antediluvianos, com os sodomitas, com as sete nações que habitavam as terras de Canaã, com os ninivitas que ao se converterem tiveram o seu dia do juízo postergado por quase cem anos, mas finalmente se afastaram de Deus e foram destruídos. E não podemos nos esquecer de Jerusalém, destruída no ano setenta de nossa era.

             Mas em todos os casos Deus não agiu com justiça sem antes enviar mensageiros com advertências e com mensagens de convite ao arrependimento. No caso de Malaquias a conotação do dia do Senhor com a destruição de Jerusalém e com a segunda vinda de Cristo. No primeiro caso veio João pregando com a mesma ousadia de Elias. O seu enfoque era a vinda do Messias como o Salvador da humanidade. Mas como Jerusalém rejeitou a sua mensagem a destruição aconteceu. No segundo caso veio o próprio Jesus anunciando a salvação e mostrando que um dia Ele agirá com justiça e aqueles que O rejeitarem serão destruídos com o fogo mencionado por Malaquias.

            Antes de Deus aplicar os Seus juízos Ele apresenta uma saída. “Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Deuteronômio 30:19). A saída é Jesus: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

            Desde João Batista advertências após advertências têm sido dadas ao mundo. Os que escolheram se abrigarem sob as azas do Sol da Justiça serão poupados no grande dia do Senhor.

 

Conclusão

            Ao estudamos os profetas menores sentimos a angustia experimentada por cada um deles no afã de levar o povo de Deus a estreitar o seu relacionamento com Ele e cumprir a missão que Deus delegara a eles como nação.  Tanta advertência, tanta admoestação e tão pouco resultado!

 Ao fazer a introdução da Lição desta semana, o autor escreve: “Ainda que a idolatria aberta aparentemente houvesse desaparecido o povo não estava vivendo à altura das expectativas da aliança. Embora eles estivessem cumprindo a rotina das cerimônias religiosas, tudo era formalismo destituído de vida e de sincera convicção” (Lição, página 159).

Semelhante ao Israel de outrora temos uma missão de advertência para dar ao mundo. Somos responsáveis pelo ultimo apelo de misericórdia a ser dirigido à humanidade. Estamos vivendo à altura de nosso tempo ou estamos nos comportando a semelhança do Israel do passado?

“Convém-nos considerar o que sobrevirá brevemente à Terra. Não estamos em tempo de frivolidades ou de andar em busca dos próprios interesses” (A Igreja Remanescente, p. 71).