segunda-feira, 1 de julho de 2013

Para que não nos esqueçamos (Malaquias)

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 22 a 29 de junho de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF. .

 

Introdução

Malaquias encerra o ciclo profético do velho testamento. A preocupação do profeta era preparar o povo para a vinda do Messias. Após quatrocentos anos de silêncio aparece João Batista transmitindo uma mensagem semelhante à de Malaquias. Dizia "Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mateus 3:2).

Fazendo um paralelo vemos que os mesmos pecados condenados por Malaquias

estavam presentes nos dias de João Batista.  Malaquias 1:6 mostra os sacerdotes como

culpados pela indiferença do povo para com Deus.  Diz o texto: "O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo? Diz o Senhor dos Exércitos a vós outros, ó sacerdotes que desprezais o meu nome. Vós dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome?"

            O povo, voltado para os seus próprios interesses havia abandonado a pratica de dizimar. Essa atitude se refletiu na postura dos sacerdotes que se tornaram indiferentes e inescrupulosos.

            Malaquias faz um chamamento para a santidade do matrimônio. A infidelidade matrimonial de seus dias se refletia no relacionamento da igreja (esposa) para com Deus.

            Malaquias mostrou que Deus tem reservado em Sua agenda um dia no qual Ele destruirá os ramos e a raiz do pecado. “Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo” (Malaquias 4:1). Conheci um colportor que, em meio à agitação de uma cidade grande com imensos arranha-céus e o surrupiar intermitente de pneus pelas ruas, dizia: “Tudo está preparado para o fogo do Malaquias.”

            Parece que a teimosia é algo inerente ao homem. Durante milênios Deus tem chamado o ser humano para um relacionamento pessoal e perene com Ele mas o homem teimoso continua em sua prática de afastamentos intermitentes deste Deus que sempre o amou.  Não fosse a misericórdia divina e tudo estaria perdido. Diz Malaquias 3:6-7: "Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?"

Vemos um contraste gritante entre a postura de Deus e a do homem. O Senhor Deus não muda. Ele sempre é amor. Isaias afirma que os Os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar, e as suas águas lançam de si lama e lodo” (Isaías 57:20).  

“Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos.” (1 Coríntios 10:11).

 

Domingo

O sacerdócio nos dias de Malaquias estava corrompido. Eles continuavam com as práticas sacrificais no templo, mas com a visão obscurecida de seu real significado. A maneira como faziam os sacrifícios estava longe do ideal orientado por Deus.

Os animais oferecidos no altar deveriam ser perfeitos como perfeita é a vida de Jesus.  Ao oferecerem sacrifícios defeituosos os sacerdotes estavam afirmando que Jesus teria defeito e assim o Seu sacrifício seria inútil, pois só um Ser sem pecado poderia resgatar o homem.

Os sacrifícios apontavam para o Cordeiro de Deus, sem pecado, que em breve desceria do Céu e daria a Sua vida pelo pecador.  Malaquias estava preparando o povo de Israel para esse grande acontecimento. As palavras de Malaquias foram inúteis. As coisas desandaram tanto que os sacerdotes comercializavam os animais dentro do templo. E se alguém trazia um animal perfeito o sacerdote o vendia e em seu lugar oferecia um defeituoso mais barato. Diante dessa prática Jesus não deixou por menos e agiu com firmeza expulsando do templo os sacerdotes comerciantes.

Pelo que lemos no penúltimo versículo do capitulo um a rotina do Santuário se tornou enfadonha e cansativa. Diz o texto: “E dizeis ainda: Eis aqui, que canseira! E o lançastes ao desprezo, diz o Senhor dos Exércitos; vós ofereceis o que foi roubado, e o coxo e o enfermo; assim trazeis a oferta. Aceitaria eu isso de vossa mão? diz o Senhor” (Malaquias 1:13).

Essa “canseira” mencionada pelo profeta parece ter dois motivos. Primeiro, é difícil para qualquer pessoa executar algum trabalho se o seu coração não estiver naquilo que faz. Para que haja perfeição as coisas devem ser feitas mais com o coração do que com as mãos.

Em segundo lugar, provavelmente, Ageu e os demais profetas martelavam dia e noite na mesma tecla: “É necessário que os animais sacrificados sejam perfeitos.” Eles estavam cansados de ouvir tais advertências.

Duas lições para nós. Primeira, estamos oferecendo a Deus o melhor que possuímos? E a segunda, a nossa vida espiritual é alegre e descontraída ou tornou-se cansativa e enfadonha? O nosso Deus é grande. Criou-nos e nos redimiu. Ele merece o nosso melhor.

 

Segunda

            O casamento estava banalizado entre o povo de Deus. Por motivos fúteis um homem abandonava a esposa ou passava a conviver com mais de uma mulher. Não é atoa que mais uma vez Deus usa o casamento de um homem e de uma mulher para exemplificar o Seu relacionamento com o Seu povo.

            O povo estava trocando o Deus verdadeiro por falsos deuses. E pior, estas práticas passaram a ser consideradas normais. Deus traz a lembrança um tempo em que eles eram fieis. Diz o texto: “A lei da verdade esteve na sua boca, e a iniquidade não se achou nos seus lábios; andou comigo em paz e em retidão, e da iniquidade converteu a muitos” (Malaquias 2:6).

            Que tempos bons foram aqueles! Diz o texto que eles amavam a verdade, se apartavam da iniquidade e caminhavam com o Senhor em paz e em retidão.  Que tempos memoráveis! Mas pela história do povo de Deus que durou pouco tempo.

            O comportamento matrimonial deles identificava duas coisas. Primeiro era um claro exemplo de apostasia e em segundo lugar era o retrato do um relacionamento superficial com Deus.

            Durante o tempo em que o povo caminhava intimamente com Deus, a sua influencia levou muitas pessoas à conversão. Essa é à força do exemplo. No momento em eles se afastaram de Deus não tiveram mais força moral para testemunhar e o sentido da missão foi seriamente prejudicado.

            Esse é um mal que nos ameaça. O afastamento de Deus prejudica a missão por dois motivos. Primeiro o mundo não vê em nós as evidencias do que pregamos. E em segundo lugar não pregamos mais com aquela autoridade que só uma vida consagrada pode oferecer.

 

 
Terça

            O povo já estava tão acostumado com uma vida cristã fictícia que isso passou a ser normal para eles. O pecado sega. Certa vez ouvi que o maestro de um coral mantinha um relacionamento amoroso com a pianista e discutiu muito com a comissão da igreja tentando convencê-la de que no seu caso aquele era um procedimento normal.

            Quando Deus convidou o povo para que tornasse para os Seus braços de amor o questionamento foi: “Em que havemos de tornar.” Do mesmo modo quando foram advertidos de que estavam roubando a Deus eles foram enfáticos: “Em que Te roubamos?”

            Provavelmente você já teve a triste experiência de falar com um irmão com a mente cauterizada pela prática de algum pecado específico. Geralmente o diálogo se torna difícil e às vezes impossível.

            A retenção dos dízimos e das ofertas é uma porta aberta para um afastamento gradual de Deus e a sua devolução tem tudo a ver com a finalização da obra de Deus na terra. Um dilúvio de luz está irradiando da Palavra de Deus, e é preciso que haja um despertamento para oportunidades negligenciadas. Quando todos forem fiéis em devolver a Deus o que a Ele pertence em dízimos e ofertas, abrir-se-á o caminho para que o mundo ouça a mensagem para este tempo. Se o coração do povo de Deus se enchesse do amor de Cristo; se cada membro de igreja fosse inteiramente imbuído do espírito de sacrifício; se todos manifestassem completo fervor, não haveria falta de fundos para as missões nacionais ou estrangeiras” (Conselhos Sobre a Escola Sabatina, p. 137).

            Conheci um membro da igreja que além de ser fiel nos dízimos e nas ofertas era pródigo em ajudar pessoas necessitadas. Aquele irmão era agricultor e a cada ano as suas lavouras mais do que o esperado. Em uma linguagem quase prosaica ele dizia que Deus o bajulava além da medida.

             Aqueles que abastecem a casa do tesouro são abençoados sem medida. Talvez a maior das bênçãos seja a paz de espirito e a consequente felicidade que ela gera.

 

Quarta

Malaquias fala de dois grupos de pessoas que faziam parte da igreja de seu tempo. O grupo dos reclamões que não sentia a presença de Deus em sua vida. Esses se julgavam esquecidos de Deus e entregues a sua própria sorte. “...Inútil é servir a Deus; que nos aproveita termos cuidado em guardar os seus preceitos, e em andar de luto diante do Senhor dos Exércitos?” (Malaquias 3:14).  Para esse grupo servir a Deus é uma perda de tempo. É canseira! Eles tinham o mesmo pensamento do salmista quando se assustou diante da prosperidade dos ímpios. Mas no caso do salmista a dúvida desapareceu depois que ele teve uma visão do Santuário. Nos memoriais do Santuário havia um negro relato de cada um dos reclamões. E mais do que relatos estava escrito também como seria o fim de cada um deles.

O outro grupo era formado por pessoas agradecidas. Dos seus lábios não saíam reclamações. Pelo contrário, eles contavam um ao outro as maravilhas que Deus diariamente operava em suas vidas. É interessante que Deus gostou tanto desse comportamento especial que resolveu escrever tudo em um livro.  É interessante que um memorial é algo para ficar gravado na memória. No memorial estão registradas coisas que jamais deverão ser esquecidas. “Então aqueles que temeram ao Senhor falaram frequentemente um ao outro; e o Senhor atentou e ouviu; e um memorial foi escrito diante dele, para os que temeram o Senhor, e para os que se lembraram do seu nome” (Malaquias 3:16).

No mundo existem milhares de monumentos. Eles são memoriais que falam de pessoas que fizeram coisas que, para sempre, devem ser lembradas pela humanidade. Em Brasília temos o memorial JK e não há quem se emocione ao entrar ali. Mas o memorial que Deus está fazendo de cada um de nós é muito mais emocionante. Ele será um testemunho para o Universo do Seu amor.

Malaquias chama a atenção de sua igreja para a correta devolução dos dízimos. A conduta dos fraudadores do tesouro de Deus está criteriosamente escrita. Diz Ellen G. White: “Como há diante Dele um memorial escrito daqueles que temem ao Senhor, e que se lembram do Seu nome, assim também é conservado o registro de todos os que se apropriam dos dons que Deus lhes confiou, para usar na salvação de almas. Review and Herald, 16 de maio de 1893” (Conselhos Sobre Mordomia, p. 88).        

 

Quinta

            Na introdução deste estudo eu falei de um colportor que ao ver os grandes edifícios e as ruas apinhadas de carros de nossas metrópoles exclamava: “Está tudo preparado para o fogo do Malaquias.”

            É interessante que Malaquias conclui o seu livro e ao mesmo tempo finaliza o Velho Testamento com algumas mensagens impactantes e sequenciais. Primeiro ele fala do dia do Juízo quando Deus colocará um ponto final na dor destruindo os ramos e a raiz do pecado.

             Em diversas épocas e diversos povos experimentaram o seu dia do Senhor. Foi assim com Adão e Eva no dia em que foram expulsos do Éden, com os antediluvianos, com os sodomitas, com as sete nações que habitavam as terras de Canaã, com os ninivitas que ao se converterem tiveram o seu dia do juízo postergado por quase cem anos, mas finalmente se afastaram de Deus e foram destruídos. E não podemos nos esquecer de Jerusalém, destruída no ano setenta de nossa era.

             Mas em todos os casos Deus não agiu com justiça sem antes enviar mensageiros com advertências e com mensagens de convite ao arrependimento. No caso de Malaquias a conotação do dia do Senhor com a destruição de Jerusalém e com a segunda vinda de Cristo. No primeiro caso veio João pregando com a mesma ousadia de Elias. O seu enfoque era a vinda do Messias como o Salvador da humanidade. Mas como Jerusalém rejeitou a sua mensagem a destruição aconteceu. No segundo caso veio o próprio Jesus anunciando a salvação e mostrando que um dia Ele agirá com justiça e aqueles que O rejeitarem serão destruídos com o fogo mencionado por Malaquias.

            Antes de Deus aplicar os Seus juízos Ele apresenta uma saída. “Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Deuteronômio 30:19). A saída é Jesus: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

            Desde João Batista advertências após advertências têm sido dadas ao mundo. Os que escolheram se abrigarem sob as azas do Sol da Justiça serão poupados no grande dia do Senhor.

 

Conclusão

            Ao estudamos os profetas menores sentimos a angustia experimentada por cada um deles no afã de levar o povo de Deus a estreitar o seu relacionamento com Ele e cumprir a missão que Deus delegara a eles como nação.  Tanta advertência, tanta admoestação e tão pouco resultado!

 Ao fazer a introdução da Lição desta semana, o autor escreve: “Ainda que a idolatria aberta aparentemente houvesse desaparecido o povo não estava vivendo à altura das expectativas da aliança. Embora eles estivessem cumprindo a rotina das cerimônias religiosas, tudo era formalismo destituído de vida e de sincera convicção” (Lição, página 159).

Semelhante ao Israel de outrora temos uma missão de advertência para dar ao mundo. Somos responsáveis pelo ultimo apelo de misericórdia a ser dirigido à humanidade. Estamos vivendo à altura de nosso tempo ou estamos nos comportando a semelhança do Israel do passado?

“Convém-nos considerar o que sobrevirá brevemente à Terra. Não estamos em tempo de frivolidades ou de andar em busca dos próprios interesses” (A Igreja Remanescente, p. 71).

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