Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 6 a 13 de julho de 2013. Preparado por Carmo
Patrocínio Pinto, Ex-diretor do Jornal Esperança d autor de Reavivar a
Esperança, uma meditação para qualquer ano.
O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de
Taguatinga, DF.
Introdução
O
autor da lição nos mostra as duas bases do reavivamento: A oração e o estudo da
Palavra de Deus. O primeiro, estudaremos nesta semana e o segundo na próxima.
Sem essas duas bases não há como o reavivamento florescer em nossa vida.
Os apóstolos estavam diante de uma
situação desafiadora. Jesus não estava mais entre eles e em seus ouvidos soavam
as Suas últimas palavras. Primeiro a promessa de Jesus: “É Me dado todo o poder
no Céu e na Terra” (Mateus 28:18-20). Jesus já havia Se apresentado no Céu. O
Seu sacrifício foi aceito. Vamos lembrar que Jesus faz parte da Trindade e
sempre teve todo o poder. Ou seja: poder criador conforme afirma João: “No
princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele
estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele
nada do que foi feito se fez” (João 1:1-3).
Ele é dotado também do poder mantenedor. Jó
foi interrogado a respeito: “Tens tu notícia do equilíbrio das grossas nuvens e
das maravilhas Daquele que é perfeito nos conhecimentos?” (Jó 37:16).
E, felizmente Jesus é dotado do poder salvador.
Diz a Bíblia: “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele
se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 07h25min).
Depois de Sua apresentação ao Pai Ele foi revestido com a glória que Ele
tinha desde a fundação do mundo. Diz o texto bíblico: “Pai, aqueles que Me
deste quero que, onde Eu estiver também eles estejam comigo, para que vejam a
minha glória que Me deste; porque Tu Me amaste antes da fundação do mundo” (Ver meditação Reavivar a Esperança, páginas 324 e 325). Durante
a Sua encarnação o Seu poder foi velado e as manifestações de poder que O
acompanhavam provinham do Pai como acontece com qualquer ser humano.
Com
essa certeza em mente vem o grande desafio: “Portanto ide, fazei discípulos de
todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os
a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mateus 28:18-20). Esse é o
desafio repetido por Cristo no Apocalipse: “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o
evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a
nação, e tribo, e língua, e povo” (Apocalipse 14:6).
Depois dessa ordem, que aos olhos humanos era
impossível de ser executada veio a grande certeza: “e eis que eu estou convosco
todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:20). E Lucas
reafirma as palavras de Cristo: “E eis que sobre vós
envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do
alto sejais revestidos de poder” (Lucas 24:49)
O
desafio foi alcançado. “Primeiramente dou graças
ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é
anunciada a vossa fé” (Romanos 1:8).
Mas nada disso seria possível se a ordem de Jesus fosse desprezada: “Ficai,
porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lucas
24:49).
O mesmo desafio é proposto para nós hoje. Por forças humanas é
impossível ser executado. Mas com unidade, humildade e oração receberemos poder
para fazê-lo. E, então, “a terra foi (será) iluminada com a Sua glória” (Apocalipse 18:1).
Domingo
Na
primeira nota da parte de domingo o autor apresenta o resultado do trabalho dos
apóstolos no primeiro século com um milhão de conversos no mundo. Eles não
dispunham de eletricidade, aparelhagem sofisticada, telefone, transporte
rápido, rádio, televisão, internet, projetores de vídeos, o uso de som e outras
parafernálias que temos hoje.
Na
nota da pergunta um temos o desabafo do pastor R.A. Torrey feito lá pelos anos
de 1903 a 1907. Dizia ele: “Estamos ocupados demais para orar. Por isso,
estamos muito ocupados para ter poder. Temos grande quantidade de atividades,
mas realizamos pouco; muitos serviços, mas poucas conversões, muitos
equipamentos, mas poucos resultados.”
Esse
desabafo do pastor Torrey mexeu com a minha infância. Cinquenta anos depois de
proferidas essas palavras eu ilustrava os meus sermões com um projetor que
passava um island de cada vez. Era o saudoso “leco leco”, como o apelidávamos.
Isso quando a energia da cidade permitia. Às vezes eu usava uma “moderna
eletrola” da qual os velhos bolachões dos Kings Heralds enchia a igreja com a atmosfera do Céu.
Estávamos
sempre presentes na igreja indo a pé ou, tempos depois, usando uma charrete. Lembro-me
do primeiro congresso de jovens que participei isso em Canápolis. Com minha família
fomos os únicos congressistas a chegar lá de táxi, um fordinho 29. E me vem à
mente, a minha primeira viagem ao Riachão! Dois dias na carroceria de uma
caminhonete comendo poeira de Monte Alegre até lá. Naquela época, 200
congressistas era gente para perder de vista. Participei do nosso acampamento
em Brasília quando não existia um tijolo sequer na área, era uma viagem de mais
de quinhentos quilômetros.
E
o melhor de tudo. Tínhamos tempo para estudar com calma as lições da Escola
Sabatina, fazer visitas missionárias, dar estudos bíblicos e realizar
programações em outras igrejas. O por de Sol na sexta feira se realizava na hora
certa e sem pressa. Não havia o roncar de motores e o surrupiar de pneus que
hoje nos ensurdece. Sem televisão, internet, celular e tanta tecnologia que
hoje nos escraviza a uma vida de desenfreada correria para substituir hoje o
que compramos ontem.
Caso
o pastor Torrey ressuscitasse hoje provavelmente teria um colapso cardíaco e
morreria de imediato. Costumo dizer que necessitamos tirar tempo não só para
orar, mas para viver a plenitude da vida cristã. Sem que isso aconteça
estaremos longe de experimentarmos as maravilhas do Pentecostes em nossas
vidas.
Segunda
“Quando
oramos, falamos com Deus. Quando abrimos a Bíblia, Deus fala a nós.”
Certa
vez o meu pai vinha de bicicleta para casa quando sofreu uma queda de graves
consequências. Com várias fraturas no crânio não tínhamos nenhuma esperança de
sua recuperação
Ele
era muito querido em nossa pequena cidade. O pastor de uma igreja da Assembleia
de Deus me falou que a sua igreja fez uma noite de vigília em seu favor. Um
líder espirita disse haver realizado uma sessão pelo seu restabelecimento. E um
médico ateu com os olhos lacrimejando sussurrou baixinho em meus ouvidos:
“estou pedindo ao Deus em quem o seu pai acredita e confia que o ajude nesse
momento tão difícil”. Não sei qual ou quais das orações foram ouvidas, o
resultado é que, depois do acidente, papai ainda viveu trinta e quatro anos.
Em
1965 colportei em Brasília. Certa vez, ao erguer a cabeça após a oração junto à
mesa, uma senhora que me servia perguntou: “como você ora?” Essa pergunta até
hoje me incomoda. As orações daqueles irmãos pelo meu pai foram muito além de
uma simples rotina de pedir e agradecer. Do profundo de sua alma eles clamaram
a Deus.
Fico
imaginado como sentia Jesus ao ver o destino meu e o de milhões de pessoas que
um dia habitaria no mundo a periclitar em Suas mãos nas Suas madrugadas de
oração e, principalmente, na noite que antecedeu o Calvário. Hoje, se faço
parte do povo de Deus é porque no passado o Deus vindo do Céu clamou por mim em
Suas madrugadas de oração. “E não rogo somente por estes, mas também por
aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim” (João 17:20). Diz Ellen G.
White: “O tremendo momento
chegara - aquele momento que decidiria o destino do mundo. Na balança oscilava
a sorte da humanidade. Cristo ainda podia, mesmo então, recusar beber o cálice
reservado ao homem culpado. Ainda não era demasiado tarde. Poderia enxugar da
fronte o suor de sangue, e deixar perecer o homem em sua iniquidade” (O
Desejado de Todas as Nações, p 690).
Ao ver a proximidade do fim e que o
grande Dia se apressa em chegar, ao ver milhões sem esperança ao seu redor, ao
ver a apatia que envolve cada um de nós vem a pergunta daquela garçonete, não
em forma de cochichos, mas em altos brados: “Como você ora?”
Terça
O estudo de terça feira nos mostra
algumas lições. A primeira é que a oração em grupo evidencia que existe paz e
união entre as pessoas reunidas. A oração solitária tem o seu lugar e o seu
poder, mas não transmite essa certeza. E sabemos que sem unidade o Espírito não
virá.
Um segundo aspecto é que a igreja vivia um momento tenso
e difícil. A prisão de Pedro nas condições em que aconteceu era um caso sem
solução a olhos humanos. Mas foi ciente dessa impossibilidade humana que a
igreja se refugiou em Deus. “Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja
fazia contínua oração por ele a Deus” (Atos 12:5).
O terceiro aspecto é a postura de Pedro. Tiago acabara de
ser decapitado por Herodes e ele, Pedro, tinha certeza de ser o próximo da
fila. Confinado em uma prisão de segurança máxima ele passava as vinte e quatro
horas do dia algemado a dois soldados. A única solução era aguardar o momento
fatídico. Mesmo vendo o manto da morte a envolvê-lo, Pedro dormia
tranquilamente. A comunhão com Deus transmite-nos calma e paz mesmo em meio a
angústia.
Herodes estava ansioso que o dia amanhecesse. Seria o
momento de ele apresentar o seu grande troféu para os executores. Mas em meio à
noite escura, e a tranquilidade que envolvia o seu palácio, a prisão de Pedro era inundada por uma luz insuportável a
olhos humanos e tudo
estremeceu enquanto as grades e algemas se despedaçavam.
“E quando Herodes estava para fazê-lo comparecer”, um
anjo apanha Pedro e o conduz para fora com segurança. No momento ele não
acreditava no que estava acontecendo. Imaginava que fosse um sonho ou uma
visão. “E, saindo, o seguia. E não sabia que era real o que estava sendo feito
pelo anjo, mas cuidava que via alguma visão” (Atos 12:9).
A bênção foi tão grande e inesperada que nem Pedro e nem
a igreja foram capazes de acreditar no que estava acontecendo. Diz o texto: “E,
conhecendo a voz de Pedro, de gozo não abriu a porta, mas, correndo para
dentro, anunciou que Pedro estava à porta. E disseram-lhe: Estás fora de ti.
Mas ela afirmava que assim era. E diziam: É o seu anjo. Mas Pedro perseverava
em bater e, quando abriram, viram-no, e se espantaram” (Atos 12:14-16).
Quarta
A liberdade de orar
é umas das poucas que ninguém consegue tirar de nós. Foi Deus que a impingiu em
nosso ser. Antes de tudo, Deus ordena que o crente ore.
O mandamento para orarmos vem através dos escritores bíblicos (1Corintios
16.11; Salmos 105.4), dos profetas (Isaias 55.6; Amos 5.4,6), dos apóstolos (Efésios
6.17,18; Colossenses 4.2; 1Tessalonicenses 5.17) e do próprio Senhor Jesus nos
exorta a orar sem cessar (Mateus 26.41; Lucas 18.1 e João 16.24). Tenho algumas conclusões a respeito.
- Primeiro, esse
relacionamento interessa a Deus.
- Segundo, quando
recusamos exercitar essa liberdade Deus Se incomoda.
- Terceiro, fomos
criados para nos relacionarmos mutuamente com o Criador.
- Essa é uma
liberdade universal e estendida a todos os filhos de Adão independente de
status, cor e raça.
- Saber usa-la deve
ser a nossa preocupação.
- Devemos orar pelo
simples privilégio de, embora pecadores e falhos, estarmos na sala de audiência
do Altíssimo.
- Aqueles que se
usufruem da liberdade de orar podem até serem os mais provados, mas usufruem de
uma paz que nenhum outro consegue experimentar.
- Paulo afirma que a oração é a arma poderosa
à nossa disposição para destruir as fortalezas do mal. “Porque as armas da
nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das
fortalezas” (2 Coríntios 10:4).
Milhões no mundo
ainda são escravos de vícios porque não aprenderam a usar a sua liberdade de
oração, E Ellen G. White afirma que os membros da igreja correm o serio perigo
de abrir mão da oração e do estudo da Palavra de Deus. Ao falar das astucias de
Satanás ela afirma: “Ele criará inúmeros afazeres e preocupações, de nodo que
não tenhamos tempo para ler a Bíblia e orar” (Signs of the Times, 5 de março de
1885). Isso ela escreveu há quase 100 anos quando a vida era realmente
tranquila. O que diria ela hoje?
Quinta
Essa lição nos
oferece uma verdadeira aula sobre a oração. Aqueles que em humildade de coração
propuserem estuda-la com carinho com certeza colherão muitos frutos que farão a
diferença em sua caminhada rumo ao Céu. Diz Ellen G. White: “As petições que
ascendem de corações sinceros e humildes seguramente O alcançarão. Ele pode
discernir a sinceridade de Seus filhos adotados” (Sings of the Times, 13 de
novembro de 1903).
Um fato curioso na
Bíblia é que quando um servo de Deus se colocava de joelhos em súplica ao Deus
do Céu, em favor do povo ou de alguma pessoa eles assumiam as culpas dessas
pessoas mesmo que não houvesse cometido nenhuma delas. Vemos ai o caso de
Moisés e Daniel. Eles se fizeram culpados diante de Deus em favor do povo. Esse
é um aspecto interessante da oração intercessória que não deve passar despercebido.
Paulo enfatiza a
necessidade de moldurarmos a nossa oração em uma aurela de gratidão.
“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em
tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças” (Filipenses
4:6).
Outro aspecto
importante é mantermos em atitude de vigilância. A mensagem bíblica parece
dizer que após a oração os nossos pensamentos devem estar voltados para o
centro de nossas petições. Esse comportamento seria o “vigiar com toda a
perseverança e súplica.” Diz o texto bíblico: “Orando em todo o tempo com toda
a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e
súplica por todos os santos” (Efésios 6:18).
O segredo para a
verdadeira paz que excede todo o entendimento é estarmos sempre em oração
suplicante e com o coração agradecido: “Não estejais inquietos por coisa
alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela
oração e súplica, com ação de graças” (Filipenses 4:6).
As bênçãos de Deus
aguardam apenas o roçar de nossos lábios para que caiam em abundancia sobre
nós. Ellen G. White afirma: “Nuvens de graça pairam sobre nós, prontas para ser
derramadas em nossa vida” (The Youth’s Instructor, 5 de janeiro de 1887).
Ellen G. White faz
uma advertência para nós. Vejamos: “É porque oramos tão pouco que nossas
orações não são mais urgentes nem inteligentes” (Signs of the Times, 5 de março
de 1885). E o autor da lição faz uma sugestão em forma de pergunta que se encontra
no rodapé da página 21: “Porque não faz um esforço mais concentrado para
dedicar mais tempo à oração”?
“Não estejais inquietos por coisa alguma;
antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e
súplica, com ação de graças” (Filipenses 4:6).
Conclusão
A primeira pergunta
para reflexão na parte de sexta feira faz parte das cogitações de muitos irmãos
sinceros. “Por que precisamos orar se Deus conhece tudo?” E autor responde: “É
porque a Bíblia nos diz que devemos orar.” Indo um pouco mais além dessa
resposta tenho observado na Bíblia que Deus deseja manter-Se em permanente
relacionamento conosco. E talvez esse seja mais um dos motivos porque Ele
idealizou a oração. Sugestão: faça uma leitura meditativa das palavras de Ellen
G. White extraídas do livro Caminho a Cristo, p 100 e que se encontra na parte
de sexta feira.
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