Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 29 de junho a 6 de julho de 2013. Preparado por
Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a
Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Neste
trimestre vamos aprender que reforma é uma das consequências do reavivamento. O
autor da Lição separou as oito primeiras lições do trimestre para que tenhamos
uma visão bem ampla da nossa necessidade de reavivamento e de como consegui-lo.
Nas últimas cinco lições vamos
estudar o maior dos resultados do reavivamento: a reforma. Fico imaginando o que será de nós se, no
final deste trimestre continuarmos na mesmice que nos tem caracterizado.
Estejamos atentos: Satanás vai fazer de tudo para que isso aconteça.
Vamos aprender que o estímulo para o
reavivamento, como aconteceu em toda a história do povo de Deus, vem do Senhor
que nos criou. Ele sabe que se não passarmos por uma transformação não seremos
capacitados para concluir a obra.
Na primeira Lição do trimestre vamos
entender que reavivamento é a nossa maior necessidade. Diz Ellen G. White: “Um reavivamento da verdadeira piedade entre
nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades” (Eventos
Finais, p. 189).
O
convite, em forma de desafio, feito a igreja de Laudiceia é dirigido
especificamente a nós. Ao ser apresentado um sermão na igreja é comum ouvirmos
comentários de que o sermão foi direto para o irmão A ou B. Quando, quem sabe,
a mensagem tenha sido destinada diretamente a nós. Ao estudarmos essas lições é
necessário que nos coloquemos no foco de Deus. É o Seu propósito atingir
diretamente o meu coração.
Temos
que sair da mornidão que anestesia a igreja. Peçamos ao Senhor que nos ajude a mudar
essa realidade. Que pela graça de Deus sejamos um laudiceano humilde e carente
da graça de Cristo (Sugestão: Leia página 318 de Reavivar a Esperança).
Fiquei
impressionado com as palavras do autor da Lição ao se referir a Laudiceia.
Disse ele: “Uma igreja que perdeu a sua paixão e que precisa de um reaviva
mento espiritual” (Lição pagina 3). Não esperemos até o final de o trimestre
reaver a nossa paixão de viver e testemunhar a verdade.
Domingo
Sabemos
que as sete igrejas apresentadas por João no Apocalipse são períodos de tempo
em que esta dividida a história do povo de Deus da igreja primitiva até os
nossos dias.
Sabemos
também que as características de cada cidade apresentada têm a ver com os
traços que identificam o povo de Deus em cada espaço de tempo representado.
Cada
uma das sete igrejas recebe uma mensagem específica para o seu tempo. Para
todas elas é o próprio Cristo que Se apresenta. É interessante que ao Se
apresentar a cada uma delas Jesus mostra algumas de Suas características que
vai formando um somatório de qualidades específicas do Deus Criador.
Ao Se
dirigir a Laudiceia Ele Se identifica com três características que completam e
apresentam a identidade de quem realmente Ele é. “O Amém” é uma palavra conhecida no mundo
religioso como “Assim seja.” Mas o seu dignificado no Hebraico vai mais além.
Ela é composta de três
letras em hebraico אָמֵן. Esta sigla sintetiza a frase "Deus, Rei,
Fiel." É traduzida também por sólido, durável,
certo. O Amém exprime também fé,
certeza, entusiasmo.
Jesus Se identifica
para Laudiceia com duas outras características que são: “a testemunha fiel e
verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Apocalipse 3:14). É curioso que o
significado do Amém dá sentido as duas outras características apresentadas a
Laudiceia. Deus é o Amém ou Aquele que completa tudo. Ao mesmo tempo Ele é Rei
e é Fiel, ou seja, deve reinar em nosso coração e merece toda a nossa
confiança. É esse Deus que mostra os males de Laudicéia e ao mesmo tempo
oferece o remédio.
Ao lermos as
repreensões apresentadas a Laudicéia vemos que ela está envolvida com o mesmo
problema que afastou Satanás do Céu: O egocentrismo, Um mal de difícil cura.
Mas para Laudiceia é apresentada uma mensagem de esperança.
Segunda
“Conheço as
tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim,
porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca” (Apocalipse
3:15-16).
Deus Se
apresenta como um profundo conhecedor de nossa letargia espiritual e é
categórico em afirmar que a nossa situação o incomoda ao ponto de Lhe causar
náuseas. A cidade de Laudiceia se caracterizava como a cidade das águas mornas.
Essa é a principal característica da igreja de nossos dias. Mornidão e
indiferença que se misturam com uma auto suficiência recriminada por Deus.
Trabalhei
muitos anos em pronto socorro. Quantas vezes tive que provocar vômitos em um
paciente que havia ingerido algo danoso a sua saúde. Nesses casos o melhor
vomitório é oferecer água morna para o paciente. Não é fácil de beber, mas
resolve.
Por
outro lado, um ambiente morno é propicio para a proliferação de bactérias
prejudiciais à saúde. Da mornidão espiritual surgem as bactérias que degeneram
a vida espiritual acarretando incapacitação para viver a vida cristã em sua
plenitude ou mesmo causando a morte eterna. Sugerimos ler com atenção a nota da
pergunta onde a irmã Ellen G. White esclarece melhor o assunto.
Nem sempre é fácil aceitar uma repreensão.
Ainda mais no caso de Laudiceia que está empanturrada do Eu que a impregna de
um convencimento desmedido. Deus, em
Sua pesada repreensão à Laudicéia, objetiva nos levar a uma profunda reflexão.
O Seu intento é nos salvar.
Terça
Como
igreja temos o pensamento de temos a verdade completa. Ter essa certeza é ótimo.
Mas quantas vezes minimizamos o cristianismo de outras pessoas e nos colocamos
no pedestal da vanglória.
O
leque de verdades defendidas pela Igreja Adventista do Sétimo Dia é realmente
uma riqueza sem igual e, quantas vezes estribados nessa premissa nos colocamos
acima daqueles que professam outras crenças. No nosso íntimo fazemos a oração
do fariseu: “Não sou como os demais.”
Temos
a riqueza das verdades que professamos, porém nos falta a humildade de
convivermos com ela. Conhecer as verdades que temos não nos faz melhores do que
aqueles que estão ao nosso redor se a humildade não for a tônica de nossa vida.
Rico em doutrinas? Ótimo! Mas ser pobre em simplicidade e simpatia, que
desastre!
As
cinco palavras recriminatórias de Jesus “desgraçado, e miserável, e pobre, e
cego, e nu” (Apocalipse 3:17) nos dá um xeque-mate. Uma pessoa com as
características apontadas por Cristo parece ser um caso sem solução.
Sempre corro
de madrugada, das cinco às seis e meia da manhã. Em meu trajeto passo por
pessoas que fisicamente se enquadram perfeitamente nas palavras de Cristo. São
pessoas miseráveis, desgraçadas, paupérrimas e andam seminuas nas noites frias
de inverno. De vez em quando converso
com algumas delas e ouço histórias de arrepiar os cabelos. Elas vivem jogadas
nas sarjetas da vida. Para Jesus estamos em situação pior do que essas pessoas,
pois pior do que ser desgraçado, miserável, pobre e nu é ser cego a tal ponto
de não nos enxergarmos assim no espelho. Essas pessoas veem e reconhecem a sua miserabilidade.
Somos ricos
em doutrinas, mas paupérrimos demais para comprar o colírio oferecido por
Cristo. Caso não usemos o colírio apresentado pelo grande médico somos
irremediavelmente um caso perdido.
Quarta
As características de Laudiceia
apresentadas por Cristo nos mostra um sombrio prognóstico fechado. Mas Ele
oferece uma solução. Prova é que procura a Sua igreja para uma conversa clara e
sem máscaras.
A
solução que Jesus oferece tem um preço. Ele é enfático: “Aconselho-te que de
mim compres” (Apocalipse 3:18). Parece que Ele esta dizendo: “Se você se julga
rico tem condições de comprar.”
Nas
passagens bíblicas apresentadas na pergunta sete da Lição a Bíblia deixa claro
que por mais ricos que sejamos não temos o suficiente para comprarmos o
colírio, as vestes brancas e muito menos o ouro provado no fogo.
O
preço é a nossa humilde aceitação. Essa aceitação se traduz em reconhecermos
que somos desgraçado, miserável, pobre e nu. Esse reconhecimento só acontece
mediante o colírio apresentado por Cristo. Ele vai clarear a nossa visão espiritual
e nos mostrar a nossa verdadeira condição.
Quando
eu era criança conheci um personagem que hoje não se vê. Era o “mascate.” Carregando
uma pesada mala ele ia batendo de porta em porta oferecendo as suas mercadorias
que eram preciosidades vindas de São Paulo.
Por
milênios Jesus tem Se portado como um mascate. Ele vai de porta em porta
oferecendo as suas preciosidades não vindas de São Paulo e sim, do Céu. Ele
conhece as nossas necessidades e nos oferece justamente aquilo que mais
necessitamos.
Ele
nos oferece a oportunidade de ter um caráter refinado, apoiado em verdades
sólidas. Ao aceitarmos essas verdades Ele nos cobre com as Suas vestiduras
brancas de justiça. O colírio nos proporciona a equidade visual necessária para
distinguirmos o certo do errado e de como nos aproximarmos do modelo divino. É
esse colírio que nos oferece também, uma visão de nossa responsabilidade em
comunicar essas verdades para o mundo.
Quinta
Salomão
mostra o grande amor da Sulamita batendo na porta. Indecisa ela demorou um
pouquinho para abrir. Quando o fez o seu grande amor já tinha ido embora. Diz o
texto: “Eu dormia, mas o meu coração velava; e eis a voz do meu amado que está
batendo: abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha, imaculada minha, porque a
minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite. Já
despi a minha roupa; como as tornarei a vestir? Já lavei os meus pés; como os
tornarei a sujar? O meu amado pôs a sua mão pela fresta da porta, e as minhas
entranhas estremeceram por amor dele. Eu me levantei para abrir ao meu amado, e
as minhas mãos gotejavam mirra, e os meus dedos mirra com doce aroma, sobre as
aldravas da fechadura. Eu abri ao meu amado, mas já o meu amado tinha se
retirado, e tinha ido; a minha alma desfaleceu quando ele falou; busquei-o e
não o achei, chamei-o e não me respondeu” (Cânticos 5:2-6).
Um
ponto curioso nessa historia é que ela sabia perfeitamente quem estava na porta
de sua casa. Essa é uma ilustração muito solene. Veja: Ela amava o seu noivo.
Embora dormindo, ela anelava por Sua vinda. Ele. Foi tomada de grande emoção no
momento de Sua chegada. Uma pequena demora em abrir a porta foi o suficiente
para perder todas as bênçãos.
Com certeza ela tinha lá as suas
razões para essa pequena demora. Quem sabe foi arrumar o cabelo e colocar o
melhor vestido. O convite de Jesus não permite demora em atendê-lo: “Eis que estou à porta, e bato;
se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele
cearei, e ele comigo” (Apocalipse 3:20).
Abramos a porta do nosso coração como estamos
e as mudanças serão efetuadas quando ele estiver à nossa mesa.
Alguém
poderá perguntar: “Ela se arrependeu e saiu logo à Sua procura, por que não
mais O encontrou?” Sabemos que breve se fechará a porta da graça. Quando isso
acontecer, afirma Amós: “E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte
até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do Senhor, mas
não a acharão” (Amós 8:12).
Hoje Jesus oferece salvação para todo mundo, principalmente para Laudiceia.
A Sua mensagem é: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos
corações” “Hebreus 4:7).
Conclusão
É conhecida a história
do sapo que foi colocado em uma vasilha com água morna e aos poucos foi se
acrescentado água quente. Em determinado momento ele sentiu que poderia morrer
cozido. Tentou escapar, porém, não tinha mais forças e não conseguiu.
A monirdão nos envolve em um estado de torpor e
insensibilidade. É difícil conscientizarmos de nossa real condição. Na
realidade não sabemos do perigo que nos envolve. O importante é abrirmos a
porta de nosso coração hoje, agora. Essa é a primeira condição para que ocorra um
reavivamento da primeira piedade em nossa vida.
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