domingo, 5 de maio de 2013

Ansioso para perdoar (Jonas)


Comentário da Lição da Escola Sabatina de quatro a onze de maio de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

Jonas é um dos três profetas de Israel. Foi comissionado pelo Deus de Israel para ir a Nínive, capital da Assíria e pregar uma mensagem de arrependimento. A sua missão era admoestar os assírios que devido a sua crueldade e muito derramamento de sangue, iriam sofrer a ira divina caso não se arrependessem dentro de quarenta dias.

Os assírios eram famosos, por decapitar os povos vencidos. Eles faziam pirâmides com seus crânios. Crucificavam ou “empalavam” (ver significado em qualquer dicionário) os prisioneiros; arrancavam seus olhos (Rei Ezequias) e os “esfolavam” vivos (Retirar toda a pele do prisioneiro).

 Provavelmente Jonas tinha lá as suas razões para recusar essa missão. Entre elas de que os ninivitas eram tão ímpios que não merecessem a graça de Deus. E outro motivo que talvez o tenha levado a desistir de pregar para esse povo era o medo de ser turturado e morto. Com certeza era mais fácil e mais cômodo ser profeta em Israel do que aventurar-se em Nínive.

Jonas é o profeta bíblico mais malhado em nossos dias. As crianças ouvem a sua história onde ele é apresentado como covarde, desobediente e egoista. Mas será que se estivessemos em seu lugar não faríamos semelhante a ele ou pior? Ou, quem sabe, já não procedemos assim em algum momento de nossa vida!?

Como subsídio a esse comentário sugerimos que leia as páginas 30, 31 e 32 de nossa meditação Reavivar a Esperança.

O ministério profético de Jonas não se deteve apenas a sua mensagem a Ninive. Ele profetizou também a respeito de Israel. “Também este restituiu os termos de Israel, desde a entrada de Hamate, até ao mar da planície; conforme a palavra do Senhor Deus de Israel, a qual falara pelo ministério de seu servo Jonas, filho do profeta Amitai, o qual era de Gate-Hefer” (2 Reis 14:25).

Ninive ouviu a mensagem de um único profeta. Diferente de Israel que regeitou todas as advertencias recebidas. O povo de Deus deveria ter em Ninive o mais comovente sermão de reavivamento, mas de nada adiantou.

 

Domingo

            Tudo indica que Jonas estava em Jerusalém quando recebeu a ordem divina para dar a mensagem a Ninive. Jope ficava perto da capital de Judá. Jonas obedeceu à ordem divina de viajar. Viajou mas, a propósito, tomou a direção contrária a que Deus havia solicitado. 

O que levou Jonas a decidir fugir para Tarsis e não para outra cidade?  A palavra Társis em fenício significava “a refinaria” e provavelmente tinha este nome porque representava o centro metalúrgico fenício, que estava situado no Tartesso, ao sul da Espanha, perto de Gibraltar.

Tarsis era uma cidade estritamente industrial. A cidade de Tiro se enriqueceu através do comércio marítimo que provinha de Társis, na base de troca. Era uma cidade idólatra onde Deus não era conhecido. Para o povo de Israel, Társis significava “o fim do mundo”.  Para Jonas seria um ótimo lugar para se esconder de Deus.

Tudo indica que Jonas embarcou em um navio cargueiro. A viagem de ida e volta de Jope para Tarsis durava em média um ano. Não sabemos até onde Jonas foi e nem em que praia ele foi deixado pelo peixe. Mas podemos ter uma ideia de que a sua fuga tenha durado vários dias ou meses.

 Davi passou por uma experiênia difícil. Ele cometeu adultério e assassinato e imaginava que tudo estivesse oculto diante dos homens e do Onipotente. Ele se esqueceu de que em cima nos Céus tem um Deus que tudo vê.

Depois que o profeta Natã se apresentou a ele declarando o seu pecado e mostrando que Deus sabia de tudo, ele compos o salmo 139 e o ofereceu ao maestro do coral de Israel. Provavelmente a sua intensão era que toda a igreja soubesse e cantasse essa grande verdade. Pelo que parece Jonas desconhecia esse hino e, diante da ordem divina, resolveu tomar uma direção contrária.

 

Segunda

            Uma vez dentro do navio, Jonas procurou se esconder ainda mais descendo para o porão. Parece que a sua consciencia não o acusava; a Bíblia diz que no momento da tempestade ele estava “agarrado no sono” (Jonas 1:6).

            Em meio a trovões, vatania e relampagos e o navio se quebrando, Jonas dormia profundamente. Já que uma tempestade não foi suficiente, Deus usou o mestre do navio para acordá-lo e, pelo que parece, teve bastante trabalho.

            Em meio a uma fulminante tempestade, enquanto os marimheiros abriam mão do que mais precioso existia dentro do navio e recorriam cada um ao seu deus; o mensageiro do Deus criador dormia profundamente.

            A ordem foi incisiva: “invoca o teu Deus”. Como cada um ali tinha o seu deus os marinheiros imaginavam que Jonas também tivesse o seu. Mas como invocar a Deus se estava fugindo Dele? Imagino que essa ordem soou como uma pancada e, Jonas ficou atordoado.

             A esperança dos marinheiros era de que o Deus de Jonas se lembrasse deles (Jonas 1:6). Deus não havia Se esquecido deles, mas ali estava alguém que havia se esquecido de Deus.

            Ao ler o capítulo 1 podemos ter uma ideia do quanto Àqueles homens pagãos lutaram para poupar a vida de deste único homem, Jonas. E, por ironia do destino, era o mesmo homem que recusou a dar a mensagem de salvação para 120 mil pessoas.

            Jonas começou a entender que se ele recusou a dar a mensagem de salvação para uma grande cidade agora era sua responsabilidade fazer alguma coisa para salvar aquela meia duzia de marinheiros desesperados. A sua resposta foi: “Me joguem no mar.”

 
Terça

            O capítulo 2 de Jonas é considerado o salmo de Jonas e é semelhante ao salmo cinquenta e um de Davi. Os dois estavam vivendo o mais profundo arrependimento e experimentavam um momento de aflição sem precedentes.

            Enquanto Jonas sentia que “todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado por cima de mim” (Jonas 2:3), por outro lado ele sentiu com maior intensidade ainda, as vagas da misericórdia de Deus a envolver a sua alma.

Ele afirma “as algas se enrolaram na minha cabeça” (Jonas 2:5). Antes de ser engolido pelo peixe Jonas permitiu que as algas do egoísmo e da desobediência envolvessem a sua cabeça. Os seus pensamentos eram de revolta e de juízo para uma Nínive tão pecadora. Aquela prova serviu para desanuviar os seus pensamentos.

É curioso observar que a graça Se manifesta salvadora no livro de Jonas. Deus salvou a tripulação do navio. Deus salvou Jonas e Deus salvou Nínive. E não ficou só com estes; quantos, ao longo dos milênios, tem mudado os seus caminhos com a história de Jonas.

No momento máximo de sua aflição; quando as suas forças se estinguiram. Quando o tênue fio de esperança estava prestes a romper, Jonas ora lá do profundo do abismo. A sua oração rompeu as entranhas do peixe, venceu a imensidão das águas e entrou na sala de audiência do Infinito. E ali, ela encontrou guarida e Deus respondeu de imediato. “Quando desfalecia em mim a minha alma, lembrei-me do Senhor; e entrou a ti a minha oração, no teu santo templo” (Jonas 2:7).

Foi muito bom Jonas ter voltado para Deus. Mas melhor do que isso seria se ele nunca tivesse se afastado Dele. Agora, imagine se o peixe fosse desobediente à ordem de Deus como Jonas o foi.

 
Quarta

            Não há nenhum relato na Bíblia de conversões em massa como no caso de Nínive. Nem no pentecostes se viu algo semelhante. A pregação de Jonas causou um forte impacto na vida dos ninivitas.

            A obra, timidamente, iniciada por Jonas foi completada pelo rei de Nínive. O imponente monarca desceu do seu trono, retirou as suas roupas reais e se curvou ao pó. Proclamou um jejum extensivo até aos animais.

            “E fez uma proclamação que se divulgou em Nínive, pelo decreto do rei e dos seus grandes, dizendo: Nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê alimentos, nem bebam água; Mas os homens e os animais sejam cobertos de sacos, e clamem fortemente a Deus, e convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há em suas mãos” (Jonas 3:7-8).

            Abordamos na introdução que Nínive era uma cidade fortemente armada e violenta. O rei reconheceu esse pecado grave e fez confissão. Diz ele: “convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há em suas mãos”.

            O monarca termina o seu apelo com uma exclamação de súplica: “Quem sabe se se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos?” (Jonas 3:9). Aquele rei violento e implacável estava conhecendo um Rei maior do que ele e que, segundo a Bíblia, “é grandioso é em perdoar”. (Isaías 55:7). Que resultado fantástico! Como diz o subtítulo do estudo de quarta-feira foi realmente uma “missão vitoriosa”.

Pelos resultados alcançados Jonas deveria ser o pregador mais realizado e mais feliz do mundo. Noé pregou 120 anos e só converteu sete pessoas. Jonas pregou apenas um dia e converteram 120 mil criaturas que em termos espirituais não sabiam “discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda” (Jonas 4:11).

 Veremos na parte de quinta feira que a reação de Jonas foi completamente o contrario daquilo que deveria ser.

 
Quinta

Jonas ainda guardava ressentimentos. Parece que ele não acreditava que o arrependimento dos ninivitas fosse sincero e se retirou para um local elevado de onde, poderia ver melhor, no fim dos três dia, a destruição da cidade.

 Enquanto os ninivitas estavam mergulhados em profunda contrição, Jonas remoia em seu ódio contra aquela gente. No fim dos três dias, passada a ira de Deus, podemos imaginar uma Nínive eufórica e feliz. Jubilosos cânticos partindo do palácio e das miseras choupanas se constrastavam com um Jonas magoado, revoltado e descrente com a vida. Em sua profunda depressão ao ver que a cidade não foi destruída insistiu com Deus para que, pelo menos ele, fosse morto.

Quão longe estava Jonas de conhecer a “Profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11:33).

 
Conclusão

 Parece que Jonas era da tribo de Zebulon que se localizava numa região fértil e cobiçada. Jonas é o único profeta de Deus enviado aos gentios. Nínive era o pior exemplo de impiedade.

Zebulon produzia grandes colheitas, mas na época da cega era invadido pelos assírios que, com violência, arrebatavam toda a produção e deixava o povo na miséria.

As tribos de Zebulon e Naftali foram as que mais sofreram nas mãos dos assírios. Para enfraquecer o poder bélico da região os assírios levaram um contingente de pessoas da Assíria para morarem ali. A mistura chegou a tal ponto que a região foi denominada a “Galileia das Nações.” 

Isaias profetizou que Jesus iniciaria o seu ministério naquela região e foi o que realmente aconteceu. “Mas a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida; envileceu nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, na Galiléia das nações” (Isaías 9:1).  “E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali; Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías”, (Mateus 4:15 ). Uma prova de que Jesus veio para salvar judeus e gentios.

Com a salvação de Ninive Deus deu um claro recado ao povo de Israel. Primeiro, que eles não eram os únicos especiais na face da Terra. Segundo, que os nossos maiores inimigos merecem a salvação. Parece que nem Jonas e nem Israel entenderam a mensagem.

 

 
 A Classe dos Professores é uma oportunidade semanal para aqueles que, com humildade, se aproximam da Fonte e desejam conhecer mais do Seu amor.

domingo, 28 de abril de 2013

Busque o Senhor e Viva


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 27 de abril a 4 de maio de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 
Introdução

            Praticar justiça social e buscar o Senhor é o foco da mensagem de Amós. Mas como Israel rejeitou este convite os juízos de Deus caíram sobre o povo rebelde. É interessante que por duas vezes Deus propôs a destruição, mas por intervenção do profeta Amós o mal foi postergado. (Ver Amós 7: 1–6).  Porém, chegou um momento que não teve mais jeito.

A apostasia chegou a tal ponto que o próprio sacerdote advertiu o rei Jeroboão que Amós era um conspirador e que as suas profecias não se cumpririam. Aos olhos do sacerdote Amasias Deus não destruiria o Seu povo e o rei jamais morreria à espada.

“Então Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não poderá sofrer todas as suas palavras. Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente será levado para fora da sua terra em cativeiro” (Amós 7:10 e 11).

A rejeição a mensagem de Amós foi tamanha que ele foi advertido para não profetizar mais sobre o reino de Israel e que saísse de seus termos. “Depois Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, e foge para a terra de Judá, e ali come o pão, e ali profetiza; Mas em Betel daqui por diante não profetizes mais, porque é o santuário do rei e casa real” (Amós 7:12-13).

Betel Foi um dos lugares onde permaneceu a Arca da Aliança, símbolo da presença do Deus de Israel. Davi e Samuel fizeram dela a sede do tribunal para julgar o povo. (I Samuel 7:16). Foi neste local que Abraão armou a sua tenda e edificou o seu primeiro altar (Génesis 12:8; 13:3). Em Betel Jacó teve a visão de uma escada que atingia o céu. Ali Débora foi sepultada. (Génesis 35:8). Após a Divisão do Reino de Israel, Jeroboão I, Rei de Israel mandou erguer um Bezerro de Ouro em Betel (I Reis 21:29) para que o povo não fosse a Jerusalém para adorar.

Um povo com um histórico tão lindo expulsou de seus termos o profeta que trazia a última mensagem de advertencia.

Mesmo com essas ameaças Amós continuou advertindo aquele povo e foi claro: Um dia eles teriam fome de ouvir a Palavra de Deus e iriam de um mar a outro mar procurando alguém que a mostrasse e não encontrariam. Em algumas versões bíblicas a palavra “errantes” é traduzida por “vagabundos”. Que triste situação chegaria alguém que, antes, tinha toda a Palavra de Deus disponível!

            “Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor. E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do Senhor, mas não a acharão” (Amós 8:11-12).

Mesmo com todos os pecados de Israel a ira divina caiu sobre eles com uma dose de graça e Israel não seria destruído por completo. Disse o Senhor: “Eis que os olhos do Senhor Deus estão contra este reino pecador, e eu o destruirei de sobre a face da terra; mas não destruirei de todo a casa de Jacó, diz o Senhor” (Amós 9:8)

Amós conclui o seu livro com uma mensagem de esperança: “E trarei do cativeiro meu povo Israel, e eles reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão, e plantarão vinhas, e beberão o seu vinho, e farão pomares, e lhes comerão o fruto” (Amós 9:14).

É impressionante o amor de Deus. Caso Israel tivesse dado ouvidos ao primeiro profeta e não haveria necessidade tantos outros. E mais do que isso, quanto sofrimento teria sido poupado! “Porém tu, Senhor, és um Deus cheio de compaixão, e piedoso, sofredor, e grande em benignidade e em verdade” (Salmos 86:15).

 
Domingo
A apostasia e a injustiça social eram praticadas sem nenhuma restrição em Israel. A mensagem de Amós é contundente e impossível de ser colocada em prática sem a ajuda divina.

Além de buscar o bem o Senhor orienta que devemos odiar o mal. Diz o texto: Buscai o bem, e não o mal, para que vivais; e assim o Senhor, o Deus dos Exércitos, estará convosco, como dizeis. Odiai o mal, e amai o bem, e estabelecei na porta o juízo. Talvez o Senhor Deus dos Exércitos tenha piedade do remanescente de José” (Amós 5:14-15).

No exercício constante de sua autossuficiência e distanciando mais e mais de Deus, a Fonte de força, seria impossível Israel aprender a odiar o mal. Esse é um desafio para todo aquele que professa servir ao Senhor. Esse “aprender” indica que não é um fato momentâneo. Envolve submissão, tempo e paciência.

O profeta Isaías conviveu com esse período sombrio da vida de Israel e a mensagem que ele recebeu do Senhor foi: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Isaías 5:20). O profeta dá a entender que o povo não fazia mais diferença entre o bem e o mal. Para eles tudo era a mesma coisa.

Nos dias de Ezequiel era dever dos sacerdotes orientar o povo e mostrar-lhes a linha divisória entre o santo e o profano. Diz Ellen G. White: "foram dadas aos sacerdotes essas instruções: "E a Meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o puro”” (Testemunhos Seletos – Volume 1, p 325). Creio que se houve um tempo em que essa mensagem foi oportuna, esse tempo é hoje.

  Segunda
Sempre que leio ou ouço algum comentário sobre religião prática me vem à mente o meu pai. Não que ele fosse exemplo em tudo, mas algumas de suas atitudes merecem ser lembradas. A sua religião ia além dos rituais da igreja. Na minha época de adolescente papai conhecia todos os mendigos da nossa cidade e quando notava a ausência de algum deles saia a sua procura. Ao encontra-lo deitado no chão batido ele comprava cama, chamava o médico e além de providenciar os medicamentos, quantas vezes notei ele se levantando de madrugada e, debaixo de chuva. Saia para fazer uma medicação de horário.  Caso o doente viesse a óbito ele fazia o sepultamento.

As suas atuações eram tão discretas que nem nós da família sabíamos de metade do que ele fazia. (Ver Reavivar Esperança, p. 265).

Desprezar e mesmo explorar os menos favorecidos era uma prática normal entre o Israel daquele tempo. A religião praticada com minúncias em seus rituais de adoração não vinha à tona da igreja para fora. Esse comportamento sempre foi visto por Deus como algo deplorável. “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” (Oséias 6:6). O conhecimento de Deus implica em saber e viver de tal modo que o mundo veja em nós que Ele é amor.

Jesus ao se deparar com a religião praticada pelos religiosos de Seu tempo os comparou a sepulcros caiados por fora. Vem à lembrança o velho rifão: “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento.”

O cristianismo prático tem duas dimensões que, para o verdadeiro crente, se fundem em apenas uma. A que praticamos para com os irmãos dentro da igreja e a que vivemos em nosso dia a dia longe dos altares.

“Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas” (Amós 5:23). Ao ler esse verso me vem à mente algo de minha infância. Naquela época quando uma pessoa não era dada ao trabalho e vivia mais de festa em festa era considerada suspeita e diziam a respeito dela: “vive de tocar viola”.

            Deus espera que não sejamos meros tocadores de viola na igreja mas que a nossa vida seja uma viola afinada e que produza uma melodia que venha a amenizar o sofrimento daqueles que estão ao nosso redor.

 Terça
Dos doze profetas menores oito eram de Judá, três de Israel e um de Babilônia conforme vemos abaixo:

- Oséias - 14 capítulos - 752 e 735 a.C. (Israel).

- Joel - 3 capítulos - 840-810 a.C.  (Judá).
- Amós - 9 capítulos - 750 a.C. (Israel).
- Obadias - 1 capítulo – 586  a.C.  (Judá).
- Jonas - 4 capítulos - 793 a 753 a.C. (Israel).
- Miquéias - 7 capítulos - 735 e 700 a.C. (Judá).
- Naum - 3 capítulos – 630 a.C. (Judá).
- Habacuque - 3 capítulos – 606 a.C. (Judá).
- Sofonias - 3 capítulos - 735 e 725 a.C. (Judá).
- Ageu - 2 capítulos -  520 a.C. (Babilônia)
- Zacarias - 14 capítulos - 520 a.C. (Judá).
- Malaquias - 4 capítulos  440 e 400 a.C. – (Judá).

            Um profeta do norte poderia ser orientado a dar uma mensagem para o reino do sul ou vice versa. Ele poderia até profetizar para os dois reinos ao mesmo tempo. Amós pertencia ao reino de Judá e recebeu a orientação divina para advertir o povo de Israel.

            A mensagem de Amós era pesada e contundente. Entre outras desditas ela previa que o rei Jeroboão seria assassinado. Essa, em especial, revoltou o rei e seus assessores e eles exigiram que o profeta abandonasse o seu território. Talvez, a origem humilde de Amós sem pedigree de profeta tenha contribuído para a rejeição de suas advertências.

 Amós desabafa: “E respondeu Amós, dizendo a Amazias: Eu não sou profeta, nem filho de profeta, mas boiadeiro, e cultivador de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de seguir o rebanho, e o Senhor me disse: Vai, e profetiza ao meu povo Israel” (Amós 7:14-15).

O sícômoro (Uma espécie de figo pouco apreciado) era cultivado em regiões alagadas ou encharcadas e, quem os cultivava estava sempre sujo e mal apresentado.  Amós, esse agricultor que também era peão de boiadeiro, não tinha nenhuma ligação com a elite de profetas de seu tempo. Mas ao receber o chamado de Deus não foi desobediente “à visão celestial”.

 Quarta
A leitura auxiliar do Espírito de Profecia enfatiza o desespero dos ímpios após o fechamento da porta da graça. (Veja páginas 34 e 35 da lição com comentário). Porém sabemos que o maior desespero será para os membros da Igreja de Deus que desprezaram as mensagens de advertência. Sobre estes diz Ellen G. White: “Mas há em nossas igrejas muitos, muitos que pouco sabem da real significação da verdade para este tempo. Apelo para eles a fim de que não passem por alto o cumprimento dos sinais dos tempos, que diz tão claramente estar perto o fim. Oh! quantos que não buscaram a salvação de sua alma farão logo o amargo lamento: “Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos”!” (Jeremias. 8:20). (Testemunhos Seletos - volume 3, p 256). E mais: “Naquele dia, multidões desejarão o abrigo da misericórdia de Deus, abrigo que durante tanto tempo desprezaram” (O Grande Conflito, p 629).

Vivemos em uma época de fartura espiritual. A Bíblia está sendo aberta e examinada por milhares. Contamos com eficientes pregadores, dispomos de farta literatura, Mas com tudo isso há o perigo de sermos destruídos por falta de conhecimento, ou melhor, por falta da pratica do pouco conhecimento que temos.

“Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo, deve ser nossa primeira ocupação” (Mensagens Escolhidas – Volume 1, p 121).

 
Quinta
“E trarei do cativeiro meu povo Israel, e eles reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão, e plantarão vinhas, e beberão o seu vinho, e farão pomares, e lhes comerão o fruto. E plantá-los-ei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o Senhor teu Deus” (Amós 9:14-15).

Essa promessa de Deus é a confirmação ou ratificação da promessa de que Israel não seria totalmente destruído. “Eis que os olhos do Senhor Deus estão contra este reino pecador, e eu o destruirei de sobre a face da terra; mas não destruirei de todo a casa de Jacó, diz o Senhor” (Amós 9:8)

Isaias afirma: “Dias virão em que Jacó lançará raízes, e florescerá e brotará Israel, e encherão de fruto a face do mundo” (Isaías 27:6). “A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus” (Salmos 85:11).

As promessas de restauração feitas a Israel como nação terão o seu cumprimento no Israel espiritual. Com a rejeição a Cristo Deus formou o Israel espiritual com pessoas de todas as raças. “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (Atos 2:39).

 
Conclusão
Fazemos parte do Israel espiritual. Deus tem um proposito para conosco. Esse propósito é o mesmo confiado ao Israel literal. Ou seja: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (Atos 2:39).  Caso negligenciemos essa responsabilidade o Senhor nos substituirá por pessoas mais dignas do que nós e que hoje caminham longe Dele.

 

Esse comentário é cortesia da Escola Sabatina e do comentarista. Valorize o que é nosso.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Senhor das nações (Amós e Obadias)


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 20 a 27 de abril de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

Amós exalta a justiça de Deus. O seu livro trata de pelo menos três assuntos. Primeiro ele descreve os juízos de Deus sobre as nações que humilharam ou que contribuíram para a humilhação do povo de Deus. A mensagem foi direcionada para essas nações e para o próprio povo de Israel.

Em segundo lugar, embora Israel fosse o povo escolhido de Deus, ele não foi poupado de Seus juízos. Assim como a graça de Deus é para todos, a Sua justiça também o é. Essa postura divina se prende ao fato de que Israel não tratava a todos de igual modo. Ao falar da atitude de Israel com os menos favorecidos Amós escreve: “...Quando passará a lua nova, para vendermos o grão, e o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o efa, e aumentando o siclo, e procedendo dolosamente com balanças enganosas, para comprarmos os pobres por dinheiro, e os necessitados por um par de sapatos, e para vendermos o refugo do trigo” (Amós 8:5-6). Os seus irmãos mais humildes eram subjugados pelos mais fortes. E Pior, para eles o a observância do sábado era um embaraço para a sua ganancia. Os seus irmãos mais humildes eram subjugados pelos mais fortes. Diz o texto sagrado: “Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Israel, e por quatro, não retirarei o castigo, porque vendem o justo por dinheiro, e o necessitado por um par de sapatos” (Amós 2:6). Deus lhes mostrou de maneira clara que Ele não faz acepção de pessoas e condena essa prática entre o Seu povo.

E em terceiro lugar Deus fala de um futuro promissor para o Seu povo, desde que eles O busquem com humildade de coração. “Naquele dia tornarei a levantar o tabernáculo caído de Davi, e repararei as suas brechas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e o edificarei como nos dias da antiguidade” (Amós 9:11). “E trarei do cativeiro meu povo Israel, e eles reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão, e plantarão vinhas, e beberão o seu vinho, e farão pomares, e lhes comerão o fruto. E plantá-los-ei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o Senhor teu Deus” (Amós 9:14-15).

Enquanto Amós apresenta um leque de sete nações que oprimiram o povo de Deus, Obadias se prende a apenas uma, Edom. É bom lembrar que os juízos apresentados por Obadias foram mencionados também por Amós. “Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Edom, e por quatro, não retirarei o castigo, porque perseguiu a seu irmão à espada, e aniquilou as suas misericórdias; e a sua ira despedaçou eternamente, e conservou a sua indignação para sempre” (Amós 1:11).

Assim como no passado o Senhor rugiu como leão para condenar as injustiças sociais Ele esta atento hoje. Ageu fala com firmeza: “Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos exércitos” (Tiago 5:4).

 

 

Domingo

            Na época do rei Salomão Israel mantinha estreitas relações com o rei de Tiro. Toda a madeira usada na construção do templo e na construção da casa de Salomão veio de Tiro. Mas anos depois, esse povo usou de atitudes mesquinhas para com Israel.

            “Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Tiro, e por quatro, não retirarei o castigo, porque entregaram todos os cativos a Edom, e não se lembraram da aliança dos irmãos” (Amós 1:9). Os homens de Tiro se negaram a socorrer a Israel quando atacado por Edom, antes facilitaram a captura do povo de Deus entregando-os aos seus inimigos. Essa quebra de aliança por parte do povo de Tiro não agradou a Aquele que comanda as nações. E veio o veredito divino: “Assim diz o Senhor Deus: eu estou contra ti, ó Tiro, e farei subir contra ti muitas nações, como se o mar fizesse subir as suas ondas. Elas destruirão os seus muros, derrubarão as suas torres; eu varrerei o seu pó, e dela farei uma penha descalvada. No meio do mar virá a ser um enxugadouro de redes” (Ezequiel 26:3-5).

Perceba que a profecia diz que subiriam muitas nações contra a cidade de Tiro. E a primeira nação a subir foi a Assíria, que ficava ao norte e tinha a sua capital em Nínive. Por dois séculos os assírios subjugaram a Tiro. Também foi atacada pelos babilônicos que destruíram muitas cidades que estavam na costa do mar. Aos poucos, Tiro começou a enfraquecer. Nabucodonosor esteve envolvido em ataques contra o rei de Tiro durante 13 anos. Mas em 332 AC que Alexandre e seu exército vitorioso a conquistou definitivamente.

Tiro foi construída numa pequena ilha próximo da praia. Hoje o lugar é usado por pescadores para lavarem as redes como fala a profecia. Outra Tiro foi construída em terra firme.

Tiro e as demais nações mencionadas por Amós foram rigorosamente justiçadas por Deus. Diz a Bíblia: “O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente; o Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés” (Naum 1:3).

 

Segunda

            Durante a história da humanidade repetidas vezes Deus Se manifestou com indignação para com os povos que não praticavam justiça social. Foi assim com os egípcios, com Babilônia e com o próprio Israel.

            “Porventura não é este o jejum que escolhi que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?” (Isaías 58:6-7).

            No tempo de Isaias o povo adorava a Deus com orações e jejuns, mas se esqueceu do principal: o cuidado com os menos favorecidos.

            Amós afirma que a “prosperidade econômica de Israel e a estabilidade política o levaram à decadência espiritual que se manifestou em injustiça social” (Página 44 da Lição da Escola Sabatina).

            A exploração do fraco pelo mais forte sempre aconteceu no mundo. Essa é uma atitude que sempre foi condenada por Deus. Em seu recado para João Batista, Jesus apresentou como uma de Suas características Se preocupar com a salvação dos pobres. Disse Ele: “Os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mateus 11:5).

Tiago deixa claro que Deus está atento e ouve o clamor dos trabalhadores que são injustiçados. “Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos exércitos” (Tiago 5:4).

Ao descrever a Sua missão, Jesus foi claro: "O Espírito do Senhor é sobre Mim, pois que Me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-Me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, e dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos" (Luc. 4:18 e 19).

 

Terça

            O desejo do Altíssimo é resgatar todos os filhos de Adão independente de onde tenham nascido. Para alcançar esse propósito Ele separou uma nação e a propiciou de condições especiais a fim de que ela pudesse participar do Seu projeto.

            A nação escolhida foi Israel e a Bíblia mostra o que Deus fez para capacitar esse povo para que cumprissem o Seu propósito. Primeiro Deus deu a este povo uma experiência singular. O resgate do Egito e os milagres que aconteceram no deserto tinham dois objetivos especiais. Primeiro, infundir em Israel a certeza de que Deus os dirigia de maneira especial e de que nada era impossível para o Altíssimo.

Em segundo lugar Deus esperava que o mundo ao ver as ações divinas para com esse povo acreditasse na Sua mensagem de salvação por ele apresentada.

Para isso era necessário algumas coisas. Primeiro que Israel fosse colocado numa região geográfica estratégica. E Deus os instalou numa região cruzada por os habitantes do mundo inteiro. Nesse planejamento as tribos de Naftali e de Zebulon foram instaladas junto do mar ao lado de um porto de grande movimentação. A sua região era tão estratégica que foi denominada de o “Caminho do mar.”

Em segundo lugar, durante a caminhada pelo deserto Deus outorgou a Israel a Sua Carta Magna que deveria servir de diretriz para Israel e esse deveria torna-la conhecida no mundo.

Em terceiro lugar, Israel foi dotado de uma prosperidade econômica que o tornou notável no mundo. Assim, eles tinham tudo para cumprir o propósito divino: “e tu serás uma bênção” (Gênesis 12:2).

Israel realmente estava preparado para desempenhar com brilhantismo a sua missão. “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9).

Israel ao entrar em contato com esses povos se deixou ser influenciado por eles. Ao invés de chamar o mundo ao arrependimento, passou a adorar os seus deuses. Zebulon e Naftali foram os primeiros a enveredar pelo caminho da apostasia e foram os primeiros a receberem os juízos de Deus. Misturou-se tanto com os mundanos que as suas terras passaram a ser chamadas de a “Galileia dos gentios” e onde deveria existir vida em abundância passou a ser “região da sombra da morte” (Isaias 9:2).

Não pertencemos ao povo de Deus por acaso. Esse é um privilégio que envolve uma grande responsabilidade. E lembre: “...tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1 Coríntios 10:11).

 

Quarta

Os pecados de Israel chegaram ao limite da tolerância divina.  Um dia de juízo seria inevitável. As advertências se sucederam sem que produzissem resultados positivos e o encontro com Deus teria consequências desastrosas. O Senhor afirma: "E derribarei a casa de inverno com a casa de verão; e as casas de marfim perecerão, e as grandes casas terão fim, diz o Senhor." Amós 3:15. "Porque o Senhor, o Senhor dos exércitos, é o que toca a Terra, e ela se derrete, e todos os que habitam nela chorarão." Amós 9:5. "Teus filhos e tuas filhas cairão à espada, e a tua terra será repartida a cordel, e tu morrerás na terra imunda, e Israel certamente será levado cativo para fora da sua terra." Amós 7:17.

Israel cumulava pecado após pecado. O comentário da Lição apresenta um triste relatório do povo escolhido por Deus e que tinha a responsabilidade de fazê-Lo conhecido entre os povos. Diz o texto: “A história de Israel é obscura. Nenhum dos vinte reis do reino do norte seguiu a Deus.” Continua o texto “...Apenas conspirações, revoltas, exploração, violência, terror, corrupção, tragédia e desespero prevaleciam."...Sete reis foram assassinados, um cometeu suicídio, e um deles “foi ferido por Deus.”” 

A situação era gritante e Deus faz um último apelo: “E porque isto te farei, prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus." Amós 4:12.

Na igreja de minha adolescência tinha um jovem que pregava com bastante energia. Em um de seus sermões, após a oração inicial ele leu Amós 4:12 e acrescentou: “Estamos despedidos.” Eu não me lembro de nenhum de seus sermões, mas esse não teve como esquecer. Pena que esse jovem deixou a igreja e poucos anos depois morreu vítima da AIDS. (Ver meditação Reavivar a Esperança, p 352).

 

Quinta

Os edomitas são descendentes de Esaú e os israelitas são descendentes de seu irmão gêmeo, Jacó. Esta divisão levou os edomitas a proibir que Israel atravessasse as suas terras durante o êxodo dos israelitas do Egito. Os pecados de orgulho por parte de Edom exigem agora uma forte palavra de julgamento do Senhor.

Um dado curioso: Herodes era edomita. Os antepassados de Herodes são os personagens envolvidos na profecia de Obadias. Jesus comparou Herodes a uma raposa. A raposa é traiçoeira e cheia de malicia. E essas eram as características mais fortes dos edomitas. “E respondeu-lhes (Jesus): Ide, e dizei àquela raposa: Eis que eu expulso demônios, e efetuo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia sou consumado” (Lucas 13:32).  

A mensagem de Obadias é definitiva e certa: o reino de Edom será destruído completamente. Edom tem sido arrogante, alegrando-se pelos infortúnios de Israel e quando os exércitos inimigos atacam Israel e os israelitas pedem por ajuda, os edomitas se recusam e escolhem lutar contra eles, não por eles. Os edomitas proibiram Israel a atravessar as suas terras durante o êxodo do Egito. Os pecados de orgulho por parte de Edom exigiam uma forte palavra de julgamento do Senhor.
            “A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra?” (Obadias 1:3).

Vaja algumas das acusações apresentadas por Obadias: “Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a confusão, e serás exterminado para sempre” (1:10).

“Mas tu não devias olhar com prazer para o dia de teu irmão, no dia do seu infortúnio; nem alegrar-te sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem alargar a tua boca, no dia da angústia; nem entrar pela porta do meu povo, no dia da sua calamidade; sim, tu não devias olhar satisfeito o seu mal, no dia da sua calamidade; nem lançar mão dos seus bens, no dia da sua calamidade; nem parar nas encruzilhadas, para exterminares os que escapassem; nem entregar os que lhe restassem, no dia da angústia” (1:12-14).

            Veja essa advertência encontrada na nota dessa pergunta: “Deus responsabiliza os que se aproveitam dos outros em seus momentos de angústia” (página 47). Presunção, arrogância e soberba marcaram a vida de Edom. Diz Obadias: “A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra?” (1:3).

 
Conclusão

Reprovação à conduta de menosprezar e tirar proveito dos desfavorecidos foram os principais pecados vistos não só nas nações que circundavam Israel, mas também entre o próprio povo de Deus.

Convivi com uma situação curiosa. Por varias vezes vi o meu pai tomar dinheiro emprestado para socorrer a alguma pessoa. Alguns agiotas sabendo do seu desprendimento em ajudar se aproveitavam do momento para aumentar os juros. Provavelmente são atitudes que estão anotadas nos livros do Céu.