terça-feira, 28 de junho de 2011

Saúde

Gostou deste artigo? Então clique no botão ao lado para curti-lo! Aproveite para nos adicionar no Facebook e assinar nosso Feed.
A Aproximação do Indígena
 com o Homem Branco
                                                         Carmo Patrocínio Pinto

Diante da realidade de que existe uma grande incidência de alcoolismo e tabagismo entre os índios Apnagés, uma pessoa ligada a eles me solicitou que fizesse alguma coisa. Foi assim que, em 2010, realizei uma semana de saúde em algumas aldeias dos Apnagés no município de Tocantinópolis To e, no mesmo ano, participei da Missão Carajá da Igreja Adventista do Sétimo Dia entre os Carajás na ilha do Bananal.
Algumas coisas ficaram bem claras. A higiene entre os Carajás deixa muito a desejar e, com certeza, essa é uma das causas de um grande índice de verminose, diarréia, doenças de pele e afecções respiratórias, principalmente entre as crianças. Já entre os Apnagés o nível de higiene dentro e fora das ocas, ou casas de alvenaria, é algo que se vê logo na chegada. Consequentemente as crianças são mais saudáveis. Aliás, falando das crianças Apnagés, ao chegar à primeira aldeia um fato me deixou intrigado. Todas as crianças saíram correndo para o meio do mato. Depois de uns quinze minutos voltaram banhadas, com roupa trocada e cabelos penteados. Elas se arrumam da melhor maneira possível para receber as visitas.    
Fiquei imaginando até onde o contato com a civilização foi benéfico ou maléfico para os indígenas de modo geral. Quanto ao alto índice de alcoolismo tabagismo detectado entre eles temos que considerar alguns aspectos.
Antes do contato com o branco, para que eles conseguissem bebida alcoólica e fumo, era necessário cultivar e beneficiar os seus produtos agrícolas. O que não era fácil. E mais, o exercício físico despedido contribuía para uma melhor saúde física. Hoje, com o dinheiro que recebem do governo eles compram cigarro e bebida alcoólica em qualquer boteco ou, às vezes, contam com pessoas que facilitam a aquisição destes produtos. Com o dinheiro e as cestas básicas que recebem, a caça e a pesca não é mais uma questão de subsistência. Agora são consideradas atividades de lazer ou diversão. E mais: foi detectado um grande consumo de coca-cola, outros refrigerantes e guloseimas. Veja, se para nós brancos, isso é veneno que dirá para eles.
As doenças comuns ao homem branco já fazem parte do cotidiano indígena. Pressão alta, obesidade e diabetes já se caracterizaram como graves problemas de saúde pública entre eles.
Um outro fator importante é que o índio em contato com a civilização vê o branco possuindo carros, casas, produtos eletrônicos e outros bens que o dinheirinho oferecido pelo governo não lhes permite adquirir. Assim, a sede de consumo é despertada, mas não tem como satisfazê-la.
Atente para esta observação: o indígena em contato com o homem branco não necessita mais trabalhar para comer. Nem correr todos os dias para conseguir uma caça. Não mais exercita para plantar cana ou mandioca para fabricar a sua bebida alcoólica. A televisão colabora para que o sedentarismo se instale ao mesmo tempo em que lhes aguça a febre do consumismo.
Sem uma profissão e sem o que fazer, vivem desocupados à margem do caminho se martirizando por um viver já quase sem sentido.  Hoje eles vivem como o branco e adoecem como o branco.    
Está em andamento a eletrificação de toda a ilha do Bananal. Breve, qualquer maloca, por mais escondida que seja, vai conviver com energia elétrica, fogão a gás, liquidificador, celular e todas as invencionices de nossos dias. Isso, para aqueles que conseguirem comprar ou que receberam uma mãozinha de alguém. Diante de uma vida vazia assim, eles encontram na bebida uma trágica solução.
Uma preocupação me inquieta. Como será o futuro de nossos indígenas ou, não haverá futuro?!

Nenhum comentário:

Postar um comentário