Comentário da lição da Escola Sabatina de 17 a 24 de março de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Em algum momento da minha adolescência pensei em escrever romances de ficção. As estórias de amor se formavam uma após outra em minha mente. Mas textos como esses da irmã Ellen G. White: “Alimentando o amor de mera distração, a leitura de ficção cria um desgosto pelos deveres práticos da vida. Por meio de seu poder estimulante e intoxicador, é freqüente causa de enfermidades mentais e físicas.s” (A Ciência do Bom Viver p. 446) e: “A leitura de ficção e novelas é o maior mal a que podem entregar-se os jovens” (Conselhos Sobre Educação p. 22). Felizmente mudei de ideia.Segundo Aurélio “Ficção é o termo usado para designar uma narrativa imaginária, irreal, ou referir obras (de arte) criadas a partir da imaginação.” As parábolas de Jesus são obras de ficção? No sentido exato da palavra sim. Só com uma diferença: “Parábola, originária do grego parabole, significa narrativa curta ou apólogo. Sua característica é ser protagonizada por seres humanos e possuir sempre uma razão moral que pode ser tanto implicita como explícita. “É a narração figurativa na qual, por meio de comparação, o conjunto dos elementos evoca outras realidades, tanto fantásticas, quando reais.”
As parábolas de Jesus eram histórias geralmente extraídas da vida cotidiana utilizadas para ensinar aos seus discípulos.( Marcos 4, versos 11-12).. Este genêro já era utilizado por muitos dos antigos profetas. As parábolas de Jesus tem sempre uma razão espiritual ou moral. É comum usarmos histórias irreais no púlpito para ilustrar uma realidade bíblica e desde que usadas com critério não há qualquer contra indicação.
O livro de Cantares não deixa de ser uma ficção romantica. Só que ele não foi escrito para aguçar os desejos carnais. Semelhante as parábolas, ele tem uma aplicação espiritual específica. Deus é muito sábio e jamais Ele escreveria histórias romanticas que não fossem para a reedificação do ser humano.
Domingo
Em sua obra “Em algum lugar no Paraíso”, Luis Fernando Veríssimo escreveu: “Adão, sozinho no Paraíso, era um homem feliz porque era um homem sem datas. Mas quando Deus colocou Eva ao lado de Adão, a primeira coisa que ela perguntou, ainda úmida da criação, só para puxar assunto, foi: "Que dia é hoje?" e ele sentiu que sua paz terminara.” A Bíblia contesta as palavras deste renomado escritor ao afirmar: “Não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2:18). (Penso que Veríssimo usou essa linguagem “só para puxar assunto”).
Imaginemos Adão sozinho no paraiso sem ter alguém de sua espécie para se interagir. Conversar com leões, gatos e pássaros tem lá os seus momentos mas pense permanecer assim por toda a eternidade. E pior, não sei, talvez ele não suportasse desempenhar todas as suas atividades sozinho e já teria morrido de cançasso. Sabiamente Deus tomou a decisão: “far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele” (Gênesis 2:18).
Desde que Deus, ao som de uma marcha nupcial executada pelos anjos, uniu o primeiro casal, o casamento ainda é a cerimônea mais romantica que mais chama a atenção da sociedade. A entrada da noiva na igreja ainda é algo de apoteótico e nostálgico. Flores, música, pompa e sorrisos não podem faltar. Os fotógrafos se acotovelam na busca de um melhor ângolo para perpetuar o solene momento, enquato os cinegrafistas documentam tudo ao vivo. Deus nos ama e espera que a vida de cada mulher e de cada homem seja marcada pelo amor Ágape, o único completo porque centraliza os amores Eros, Philos (Philia) e o amor Storg. Isso porque Deus é completo em tudo que faz , inclusive no amor.
Segunda
“Entre os antediluvianos Adão, Caim, Noé e os três filhos deste, cada um tinha a sua mulher, mas a poligamia já era praticada. Lameque teve duas mulheres (Gn 4.19). A pureza do matrimônio foi-se enfraquecendo pela conduta de homens, que se deixavam governar por baixos motivos na escolha de suas esposas (Gn 6.12). Abraão adotou imprudentemente a poligamia quando julgou necessário ir em socorro de Deus para realizar a sua promessa (Gn 16.4). Isaque teve só uma esposa. Jacó teve duas mulheres como suas concubinas
. Moisés que estava corrigindo abusos, não o fez repentinamente, permitindo aos israelitas, por causa de sua dureza de coração e por se acharam escravizados aos costumes do tempo, divorciarem-se de suas mulheres por qualquer motivo; ele não proibiu a poligamia, mas procurou enfraquecê-la; deu regras aos costumes de seu tempo. Porém, a história do período primitivo mostrou que o estado das cousas entre os israelitas, era contrário às disposições do Criador. Os serviços prestados por Moisés à causa do matrimônio consistiam em estabelecer um ideal mais elevado. Marcando os graus de consangüinidade e de afinidade dentro dos quais se permitia o casamento, segundo a Lei (Lv 18), pondo freio à poligamia (Lv 18.18; Dt 17,17). garantiu os direitos das esposas inferiores (Ex 21.2-11; Dt 21.10-17) restringindo o divórcio (Dt 22.19-29; 24.11) e exigiu pureza na vida matrimonial (Ex 20.14,17; Lv 20.10; Dt 22.22).
A poligamia continuou a ser praticada, em maior ou menor grau, pelos ricos, depois dos tempos de Moisés como o fizeram Gideão (Jz 8.30), Elcana (1Sm 1.2), Saul, Davi (2Sm 5.13), Salomão (1Rs 11.3), Roboão e outros. Os males que a poligamia produziu desordens domésticas provocadas pelo ciúmes das mulheres de Abraão e das de Elcana (Gn 6.6; 1Sm 1.6),. Foi um contraste com as belezas do casamento entre um homem e uma só esposa, descritas em Sl 128” {Dicionário da Bíblia de John Daves)
A história apresenta , pelo menos, duas razões que influenciaram a poligamia nos tempos Bíblico Veja:
- As, guerras nos tempos antigos eram muito brutais, com uma taxa de mortalidade de homens muito alta. Isso teria resultado em uma porcentagem maior de mulheres.
- Na sociedades patriarcal as mulheres dependiam de seus pais, irmãos e maridos para sua provisão e proteção. Mulheres solteiras eram sujeitas frequentemente à prostituição e escravidão.
- Devido a importância que se dava a maternidade os filhos de uma escrava eram considerados filhos da patroa.
“Deus não sancionou a poligamia num único exemplo sequer. Ela é contrária a Sua vontade. Ele sabia que a felicidade do homem seria destruída por ela. A paz de Abraão foi grandemente turbada por seu infeliz casamento com Hagar” (História da Redenção, p 76).
Terça
Êxodo vinte, verso cinco fala do ciúme de Deus por nós e Gênesis vinte, verso cinco fala do ciúme de um esposo por sua esposa. Alguns afirmam que o ciúme é filho do amor, outros defendem ser ele filho da ignorância. E tem aqueles que dizem ser o ciúme o tempero do amor (nesse caso alguns usam apenas pimenta). A Bíblia é clara: Deus tem ciúmes de nós porque nos ama.
Dificilmente vamos encontrar alguém que não viveu um amor não correspondido. Quantos gostam de alguém mas este alguém está olhando para outras direções. Quando isso acontece com solteiros é mais fácil de resolver, mas quando se trata de pessoa casada a coisa é bem mais complicada. O amor de Deus pelo homem é incomensurável mas muitos não estão nem ai.
É considerada uma situação ridícula quando um homem vai atrás de sua esposa que o abandonou e vive com outro homem. Mas é exatamente isso que Deus está fazendo durante seis mil anos.
Quarta
De acordo com o primeiro versículo, Salomão escreveu o Livro de Cantares de Salomão. Este cântico é um dos 1.005 que Salomão escreveu (1 Reis 4:32). Um dos títulos deste livro, "Cântico dos Cânticos", é um superlativo, ou seja, serve para indicar que este é o melhor. Salomão provavelmente escreveu esse cântico durante a primeira parte de seu reinado. Isso colocaria a data de composição por volta de 965 AC.
O Livro de Cantares de Salomão é um poema lírico escrito para exaltar as virtudes do amor entre um marido e sua esposa. O poema claramente apresenta o casamento como um plano de Deus. Um homem e uma mulher devem viver juntos dentro do contexto do casamento, amando um ao outro espiritualmente, emocionalmente e fisicamente.
Este livro combate dois extremos: o ascetismo (a negação de todo o prazer) e hedonismo (busca do prazer somente). O casamento exemplificado em Cantares de Salomão é um modelo de atenção, empenho e prazer.
No passado e mesmo agora existem igrejas que não recomendam a leitura de Cantares de Salomão para os jovens. Veja o que escreveu Ellen G White sobre Cantares há mais de cem anos: “Felizes serão os filhos de nossos lares e estudantes de nossas escolas quando pais e professores aprenderem em sua própria vida a preciosa experiência descrita nestas palavras dos Cantares de Salomão” (Educação, p. 261).
Quinta
Deus concluiu a criação com uma cerimônia de casamento, O Mestre iniciou o Seu ministério em uma cerimônia de casamento. E no final da história deste mundo teremos o casamento de Cristo, o noivo com a Sua noiva, a Igreja.
Jesus continua transformando a vida de muitos casais que optaram por convidá-Lo para estar presente em seu casamento, Ele continua operando milagres na vida das pessoas que o recebem em seus lares. Ele é o Único que pode revitalizar um casamento a tal ponto de chamar a atenção dos “mestres salas” de hoje.
Conclusão
A Bíblia afirma que Deus é amor. Ele ama e gosta de ser amado. E o Seu conselho é: “amai-vos uns aos outros”.
O jardim do Éden sem a presença de Eva não seria jardim. Ao criá-la Deus fez surgir a mais bela flor que a concepção divina foi capaz de criar. E, carinhosamente, o Senhor a plantou, não no jardim, mas no coração do homem. Sejamos gratos por isso!
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