Comentário da lição da Escola Sabatina de 14 a 21 de abril de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
A palavra Carisma significa “dom”, manifestação do Espírito. Caris (grego) quer dizer “graça”. Este vocábulo é usado 17 vezes no Novo Testamento. Os dons são manifestações sobrenaturais concedidas, pelo Espírito com a finalidade de edificação da Igreja. Ler Romanos 12:6-8 e Tiago 1:17.
Existe diferença entre dons espirituais e talentos naturais. O talento natural é a capacidade que uma pessoa tem de executar algo de modo espontâneo. Podem ser hereditário ou adquirido com estudo, dedicação e persistência.
O meu avô materno tinha grande facilidade para inventar objetos de madeira. Era uma pessoa que mal sabia ler, mas chegou até a fazer violinos. A maioria dos seus netos tem facilidade para “bolar” coisas. O Espirito Santo pode desenvolver um talento transformando-o em dom. Os dons espirituais especificamente são sobrenaturais na origem e nos resultados.
As principais listas de dons espirituais na Bíblia são três. Romanos 12, 1 Coríntios 12 e Gálatas 4. Elas mencionam vinte dons. Alguns autores chegam a enumerar trinta dons espirituais encontrados na Bíblia.
Porém, o mais importante não é saber quantos dons existem, mas sim, descobrir qual ou quais são os meus dons e permitir que o Espirito Santo me use para engrandecer o nome de Deus. Tem pessoas que se arrogam de usar o Espirito Santo para fazer milagres quando o certo é permitir que Ele nos use. Outro ponto importante é que o dom não é opção pessoal, mas é o Espirito Santo que designa para o que Ele julgar melhor.
Domingo
Certa vez pedi a um pastor de bastante influencia na obra para que escrevesse um artigo para um jornal de minha igreja. Ele recusou com essas palavras: “Encontro facilidade para pregar, mas para escrever não tenho jeito.” Todos nós somos assim. Um tem jeito para fazer uma coisa, mas não tem facilidade para fazer outra; e é bom que respeitemos os dons de cada um. Tive um tio que foi um exímio carpinteiro treinado em fazer currais. Ele dizia que “homem de muito oficio nem por isso’’.
A irmã Ellen G. White tem duas afirmações que esclarece a nossa responsabilidade no testemunhar. A primeira é que “Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como um missionário” (A Ciência do Bom Viver, p 102). E a segunda diz: “Tão certo como nos está preparado um lugar nas mansões celestes, há também um lugar designado aqui na Terra, onde devemos trabalhar para Deus” (Parábolas de Jesus, págs. 326 e 327). Cada pessoa tem o seu dom. ou os seus dons.
Alguns irmãos julgam ter apenas o dom de “papa sermões”. Vão á igreja, mas não se envolvem com nada. Não é necessário que eu tenha um cargo na igreja para testemunhar. O testemunhar vai muito além disso. Imaginemos o caso da menina cativa. Eram uma simples escrava que vivia longe de sua terra natal e dos seus. Como ela teve a coragem de ajudar quem lhe causou tanta desgraça? A Bíblia não apresenta o seu nome, mas por milênios a sua história tem atravessado gerações.
Pedro é claro. Não estamos aqui para fazer algo acima de nossa capacidade. Devemos administrar o dom da maneira como o recebemos. Deus não nos cobra o que está acima do nosso limite, mas, por outro lado, não Se coaduna com a nossa indiferença. O nosso privilégio e responsabilidade em testemunhar é intransferível.
Segunda
Estamos diante de um assunto bastante delicado. Alguém é chamado e capacitado para exercer determinada atividade na igreja e às vezes leva as coisas de qualquer jeito. Outro não é dotado de determinado dom, mas insiste em exercer função que exige aquele dom e o fracasso é total.
Certa vez presenciei uma sena batismal acompanhada de cinco pastores. Mas um membro leigo insistiu com o pastor oficiante para que o deixasse fazer o apelo final. Foi um fracasso.
Tanto podemos pecar pela omissão como pela intromissão. Alguns vivem se lamentando porque a comissão de nomeações não os recomendou para determinado cargo na igreja e por isso se omitem em colaborar. Outros insistem em ir além dos limites propostos pelo Céu.
Todos nós necessitamos de coragem e humildade. Coragem para atuar onde fomos colocados e humildade para aceitar o que nos foi ofertado. Certa vez antes da comissão de nomeações o pastor me procurou. Ele queria explicações do que eu escrevi em um formulário distribuído um sábado antes da comissão de nomeações se reunirem. O formulário tinha uma extensa lista de cargos e cada membro deveria assinalar a sua preferencia. Não assinalei nenhuma opção, apenas escrevi: Para mim qualquer coisa ou nenhuma coisa é a mesma coisa e acrescentei que preferia que apenas o Espírito Santo conduzisse a comissão. Com minha posição não quero dizer que seja errado fazer uma consulta prévia aos membros. Eu sei que alguns se melindram se a sua preferência não foi acatada.
O Espirito Santo é quem deve presidir qualquer comissão ou mesa. Infelizmente se vê alguma política e lobby na igreja. As coisas devem acontecer naturalmente sob a direção Daquele que tudo vê e tudo sabe.
Terça
Certa vez, quando eu estudava no antigo Colégio Adventista Brasileiro, hoje UNASP campos I, foi convidado para pregar em determinada igreja. Antes do sermão um adolescente se apresentou para cantar. A sua pele parecia ser bem castigada pelo Sol. O seu crescimento físico se encarregou de deixar as pernas de suas calças no meio das canelas. Usava sapatos limpos, mas bastante surrados. Quando o vi assim suspirei fundo e murmurei para mim mesmo: Que rapazinho de coragem!
Timidamente ele começou a cantar “Pra terra abençoada vou, ansioso peregrino sou...” e o fez de uma maneira tão expressiva que achei por bem mudar o sermão e convidei a igreja para lermos Apocalipse 21:1 e 2. Ainda hoje quando prego sobre a Nova Terra procuro dar ao sermão a mesma vida que senti naquela mensagem cantada há quase cinquenta anos.
A nossa tendência é avaliar, por antecipação, uma pessoa pela sua aparência. Jamais podemos imaginar o que o Espirito Santo pode operar por intermédio de quem quer que seja, por mais simples que possa parecer. Infelizmente temos dificuldades para ver e aceitar esse caminho mais excelente que o Espirito Santo proporciona para muitos ao nosso redor.
Quarta
A Bíblia menciona alguns dons que vieram a tona por ocasião do nascimento da Igreja Primitiva. Entre tantos foram evidenciados liderança, hospitalidade, serviços e outros.
Na época tecnológica de nossos dias outros dons são acrescentados como sonoplastia, informática, transmissões via satélite e assim por diante. Quanta tecnologia está à disposição da igreja e o Espirito Santo está capacitando pessoas para trabalhar com cada uma delas.
Quando se realiza algum evangelismo via satélite, por trás do pregador está um exército de técnicos trabalhando, cada um dentro de sua área, para que a pregação alcance o maior número de pessoas possível ao redor do mundo. Não esquecendo que antes da data prevista este exército já está ativo preparando o caminho para que o evento transcorra sem qualquer interferência.
Alguns pontos são imprescindíveis para que uma igreja local tenha sucesso no evangelismo e no testemunho. Entre eles podemos salientar consagração, entusiasmo, alegria, desprendimento e amor a Cristo e ao nosso próximo. Um cristianismo fictício trará prejuízos ao invés de benefícios para a pregação do evangelho.
Vivemos em um momento solene quando o destino de milhões depende de nossa inteira dedicação ao trabalho de evangelizar e testemunhar. “Se já houve tempo em que precisássemos da guia especial do Espírito Santo, esse é agora. Necessitamos de consagração completa. Já é bem tempo de havermos dado ao mundo uma demonstração do poder de Deus em nossa própria vida e ministério” (A Igreja remanescente, p 79).
Quinta
Deus não nos chamou para vivermos apenas de brisa. Todo chamado vem acompanhado de uma responsabilidade. O Espírito Santo não nos capacita para alimentar o nosso egocentrismo. Tudo deve ser feito com humildade e com um único proposito: enaltecer o nome de Deus. “Todos devem ser cooperadores de Deus. O próprio eu não deve tornar-se preeminente. O Senhor confiou talentos e capacidades a cada pessoa, e aqueles que são mais favorecidos de oportunidades e privilégios para ouvir a voz do Espírito estão sob a mais pesada responsabilidade para com Deus” (E Recebereis Poder - Meditação, p. 273).
O tempo de Deus é limitado. Em breve ele expirará e chegara o momento de prestar conta de nossa mordomia. “Aproxima-se a hora em que os que desperdiçaram o tempo e as oportunidades se lamentarão de não haverem buscado a Deus. Ele vos concedeu a faculdade do raciocínio, e quer que a useis para vós mesmos e para a Sua obra. Quer que trabalheis para Ele com zelo nas igrejas. Quer que organizeis reuniões para as pessoas que não pertencem à igreja, de maneira que aprendam as verdades desta última mensagem de advertência. Lugares há onde sereis recebidos com júbilo, onde as almas vos agradecerão por terdes acorrido em sua ajuda. Oxalá vos ajude Deus a dedicar-vos como nunca o haveis feito ainda” (Testemunhos Seletos volume 3, p 341).
Conclusão
Os dons são ministrados para a edificação da igreja, o corpo de Cristo e Deus espera que façamos uso prudente dos mesmos. Que privilégio é o nosso. E que responsabilidade isso nos impõe.
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