Comentário da Lição da Escola sabatina de sete a quatorze de abril de 2012. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
O verso áureo da lição desta semana que está em 1 Pedro 2:8 e não 9 como está na lição, é um dos versos mais lindos da Bíblia. Ele apresenta quatro características dos filhos de Deus. O Senhor nos caracteriza assim não pelo que somos ou pelo que merecemos, mas pelo que Ele espera de nós. O céu nos qualifica assim porque tem um objetivo bem definido para com cada um de nós.
O mundo sempre foi povoado por nações que se destacaram em algum período da história da terra e, hoje, temos nações em torno das quais gravitam o poder e a economia do mundo. Mas nenhuma delas apresenta ou apresentou as características que destacam os filhos de Deus. A Bíblia afirma que não somos um povo qualquer. Somos uma geração eleita. Essa geração eleita está presente no mundo desde Abel até os nossos dias. Ela enfrento períodos difíceis mas, pelo poder de Deus, chegou até nós.
Pedro afirma que somos sacerdócio real. Aqui já se destaca não só uma característica mas, também indica que somos responsáveis por uma missão especial. O exercício deste sacerdócio implica em uma responsabilidade que seria impossível exerce-la sem a qualificação seguinte, santidade! Não que sejamos santos, mas tendo a santidade como alvo, pela graça de Deus podemos viver em santidade de vida..
Como povo exclusivo de Deus não podemos servir a nenhum outro senhor. A exclusividade implica em uma vida separada para um objetivo específico. Alguns trabalhadores ao serem contratados assinam um termo de exclusividade. Ele não exerce nenhuma atividade paralela. É o caso dos pastores da Igreja Adventistas do Sétimo Dia. Em nossa vida diária é fácil perdermos de vista essa exclusividade e passarmos a viver servindo mais a Satanás do que a Deus.
O exercício do sacerdócio real a que Pedro se refere implica em “anunciar as obras Daquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz”. Em suma Deus nos chamou e nos qualificou para testemunhar ao mundo de Suas maravilhas. E a principal de Suas maravilhas é a salvação de pecadores. Esse é o ministério de cada cristão.
Domingo
Ao aceitarmos o convite de Deus para fazermos parte deste povo especial Paulo destaca o tríplice propósito de Deus para com cada um de nós. Quando nos propomos a testemunhar o nosso crescimento espiritual é automático. E Deus espera que cresçamos até alcançarmos a “estatura completa de Cristo”. A vida espiritual é uma estrada de duas vias. É necessário consagração para testemunhar e ao testemunhar aprimoramos a nossa consagração. Esse testemunhar comprometido e exclusivo reflete direto na edificação da igreja. A igreja que é o corpo de Cristo cresce em quantidade e qualidade.
Todos nós somos convidados a testemunhar. Ao nos chamar Jesus já escolheu o lugar onde devemos atuar. Ellen G. White afirma: “Tão certo como nos está preparado um lugar nas mansões celestes, há também um lugar designado aqui na Terra, onde devemos trabalhar para Deus” (Parábolas de Jesus, p. 327).
Falando aos coríntianos Paulo afirma que somos embaixadores de Deus. Um embaixador é alguém que, longe do seu país, representa o seu governo em qualquer parte do mundo. Aqui tem dois aspectos a considerar. Primeiro ele vai mostrar um padrão de comportamento compatível com o seu governante. Em segundo lugar ele vai fazer o seu país conhecido, amado e respeitado entre as nações.
Segunda
“E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mateus 9:3). Gosto de associar este versículo com João 4:36: “Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa. E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna.”
Jesus Se comovia ao ver as multidões sem esperança e sem Deus no mundo. Em João Ele compara essas multidões como uma grande lavoura pronta para a colheita. E Ele acrescenta que os trabalhadores que se empenharem nesta colheita receberão uma recompensa especial. Cada um terá o seu galardão.
Por muitos anos trabalhei com o meu pai no cultivo de abacaxi e arroz. Ele tinha por costume de, além do salário, doar seis sacas de arroz para cada trabalhador que permanecesse trabalhando só para ele desde o plantio até a colheita. Era comovente ver o entusiasmo com que aqueles homens trabalhavam. No final da colheita papai lotava um caminhão de arroz e entregava as seis sacas na casa de cada um deles. A alegria estava estampada no rosto de cada criança ao ver o seu papai receber aquele troféu. Elas sabiam que tinham arroz garantido para o ano inteiro.
Por seis milênios Deus está empenhado no resgate de cada pecador. Esse trabalho de semeadura e colheita tem passado de geração para geração. Caso não fosse a Sua aparente demora e muitos de nós não faríamos parte deste povo especial. Jesus não teria nos escolhido caso não notasse que seriamos uma bênção para aqueles que estão ao nosso redor. Não podemos decepcioná-Lo. Ele promete que receberemos cem vezes mais nesta vida e no final a vida eterna. Poderá ter algum galardão maior do que esse?
Essa é a promessa para aqueles que se comovem ao ver os campos maduros.
Terça
Algumas denominações evangélicas consideram que todas as igrejas que pregam a Jesus como Salvador fazem parte do corpo de Cristo. Ellen G. White deixa claro que “Existem verdadeiros cristãos em todas as igrejas, não excetuando a comunhão católica romana, que creem sinceramente ser o domingo o dia de repouso divinamente instituído. Deus aceita a sinceridade de propósito de tais pessoas e sua integridade” (O Grande Conflito, p 449). Não podemos tomar essa declaração de Ellen G. White para apoiar a ideia que todas as igrejas que falam de Cristo fazem parte do corpo de Cristo. O contexto é outro. A Igreja possui uma identidade que deve ser mostrada ao mundo. “Na época atual, a Igreja precisa vestir suas belas vestes - "Cristo, justiça nossa". Há distinções claras e precisas a serem restauradas e expostas ao mundo, exaltando-se acima de tudo os mandamentos de Deus e a fé de Jesus” (A Igreja Remanescente, p 13).
Outro ponto importante é que como corpo de Cristo a igreja deve ser interligada por uma união que faz cada membro dependente dos demais. Essa união inclui modo de pensar e de agir. Cada membro desempenha o seu papel exercitando os seus dons para promover o crescimento e a unidade da igreja.
Quarta
Durante o mês de fevereiro estive em um dos estados de nossa federação. Um fato me chamou a atenção. Passamos por muitas pontes improvisadas enquanto ao lado uma estrutura monumental de uma ponte iniciada ah anos estava sendo corroída pela ferrugem. Essa é uma atitude corriqueira no meio político. Uma autoridade gasta milhões na execução de em um projeto e depois, o seu sucessor não dá prosseguimento.
Paulo notou que essa prática viciosa começava a afetar a Igreja e alertou para o perigo de cada um querer mostrar o seu trabalho isoladamente e mostrou que cada membro da Igreja tem o seu lugar nessa corrida de revezamento. Chegará o dia em que eu passarei o bastão para alguém mais jovem do que eu e ele continuará correndo com os mesmos objetivos que marcaram a trajetória minha e de meus antecessores. O apostolo enfatiza que sem Deus não haverá crescimento.
Infelizmente se vê muito partidarismo entre irmãos e o eu dominando muitas ações na igreja. Não é assim que o corpo de Cristo é edificado.
Caso não estejamos impregnados do amor de Deus o nosso trabalho é vão. Deus espera que todas as pessoas sejam alcançadas pelo evangelho e para que isso aconteça Ele dispõe de apenas um recurso: a nossa participação ativa.
Quinta
A Bíblia enfatiza a importância de relatar o nosso trabalho missionário. Podemos identificar dois modelos de relatório. Um é aquele escrito ou numérico onde são contabilizadas todas as nossas ações ao longo da semana. Este relatório estatístico é de grande importância para a administração da igreja. Ele vai identificar as necessidades da igreja quer seja de nutrimento ou de treinamento.
O outro relatório está mais identificado de como o trabalho foi realizado e fala dos resultados alcançados. É quando testemunhamos para a igreja como foi o nosso testemunho lá fora.
Alguns membros se eximem de relatar usando a orientação bíblica de que uma das mãos não deve saber o que a outra fez ou faz. Mas tal postura emperra o crescimento do corpo de Cristo na terra, a Sua Igreja.
Conclusão
Todos nós fazemos parte deste sacerdócio real. Como sacerdotes de Deus Ele nos conclama: “Para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.” É importante que você ocupe o seu lugar e atue com determinação. Apenas quem atua desfruta da alegria que o trabalho de Deus proporciona.
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