Comentário
da Lição da Escola sabatina de 20 a 27 de julho de 2013, preparado por Carmo
Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a
Esperança, Uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
O reavivamento deve ser desenvolvido no berço da humildade. O eu deve ser mortificado e
a simplicidade deve nortear o nosso relacionamento entre irmãos. Qualquer olhar
altivo e de auto suficiência nos identificam como não reavivados.
O reavivamento deve prover do interior para o
exterior. Os que experimentam o verdadeiro reavivamento será uma bênção para
aqueles que os rodeiam. Jamais o eu sobressairá. O espirito de supremacia que
muitas vezes permeiam os nossos relacionamentos jamais existirá. O quadro
apresentado nos dias de Isaias não terá lugar entre nós: “Fica
onde estás, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu” (Isaías 65:5). O reavivamento nos
levará a viver um pelo outro em uma horizontal igualdade.
O autor da lição nos adverte: “Qualquer
suposto “reavivamento” com base exclusivamente em sentimentos externos ou
experiência, na melhor das hipóteses, é superficial... Quando o reavivamento
está enraizado na Palavra de Deus, é uma experiência que perdura e faz a
diferença em nossa vida e na de pessoas ao nosso redor” (Página 32 da Lição).
O reavivamento que não produz em nós um
desejo ardente de testemunhar de Cristo é fictício e apenas alimenta o nosso
eu. Testemunho e serviço são os frutos do verdadeiro reavivamento.
Leiamos com atenção a nota introdutória da
Lição, nela o autor esclarece melhor os resultados do verdadeiro reavivamento.
Domingo
Ao instituir a Sua Igreja na
Terra o Senhor o fez com um único propósito: que o Evangelho de salvação seja
anunciado em todo o mundo. Só que, ao atender a esse propósito, a própria
igreja se mantem ativa e consagrada a Deus.
O IDE apresentado por Jesus tem um
objetivo: “ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho
mandado.”
Existem
milhares de igrejas no mundo. Cada uma ensina algumas coisas que Jesus ensinou.
Porém, a ordem de Cristo e que a Sua Igreja ensine o mundo a “guarda todas as
coisas.”
Para que esse propósito seja alcançado a
Igreja tem que ter uma base sólida. Essa base é a Sua Palavra, a Bíblia. Ela
contém “todas as coisas” que devem ser ensinadas. “Toda a Escritura é divinamente
inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para
instruir em justiça” (2 Timóteo 3:16).
A promessa divina é a presença de Jesus, pelo Espírito
Santo, em nossa vida continuamente. “E eis que eu estou
convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:20).
Deus não promete nos livrar de situações dificeis, Mas a Sua promessa é estar
conosco em todas as situações.
A Sua
promessa esteve presente com Pedro acorrentado entre dois soldados. Ela
alimentou Paulo no momento em que o fio gelado da espada separou a sua cabeça
do corpo. A Sua promessa sustentou João Hus e tantos mártires que enfrentaram a
fogueira ou o patíbulo. Estando Ele conosco “...não temeremos, ainda que a terra
se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares” (Salmos 46:2).
Deus
proporciona à Sua igreja todos os meios para que ela cumpra a sua missão. Dia a
dia Ele está abrindo caminhos para que a mensagem “Temei a Deus, e dai-lhe
glória; porque é vinda a hora do seu juízo” (Apocalipse 14:7) alcance toda nação,
tribu, lingua e povo.
Falando sobre o
crescimento vertiginoso da Igreja apostólica, o autor da lição usa a expressão:
“A Igreja cristã explodiu em crescimento.” O que aconteceu com a Igreja nos
dois primeiros séculos da era cristã foi algo imaginável por aquele pequeno
grupo de pessoas presente no monte das Oliveiras por ocasião da ascensão de Cristo.
Em meio a perseguições e ventos contrários as verdades
apresentadas pela Igreja apostólica alcançou toda a população do mundo de
então. O Espírito Santo superou o medo,
a falta de equipamentos e de transportes. Mas aqui entra algo curioso: A
membresia aceitou o desafio e foram testemunhas fieis tanto em Jerusalém como
nos confins da terra.
A preocupação central da Igreja era "Para que o
mundo conheça que Tu Me enviaste a Mim" (João 17: 23). Para aqueles
modestos pregadores tudo girava em torno dessa premissa. Eles confiaram na
promessa do Espírito Santo e realmente foram revestidos de poder.
A mesma promessa é feita à Igreja de
Laudiceia e a mesma responsabilidade é exigida. É solene imaginarmos que o
destino do mundo oscila em nossas mãos. Mas qual tem sido a nossa postura? Diz Ellen G. White: “Aqueles que deviam ter
sido a luz do mundo têm projetado apenas raios pálidos e fracos” (Beneficência
Social, p 36).
A Igreja está diante de um desafio sem
precedentes. Sete bilhões de criaturas no mundo precisam ser advertidas com
urgência. O apelo feito a Isaías nos alcança hoje como um desafio “Depois disto ouvi a voz
do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu:
Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:8).
“O mundo necessita atualmente daquilo que tem
sido necessário já há mil e novecentos anos - a revelação de Cristo. É preciso
uma grande obra de reforma, e é unicamente mediante a graça de Cristo que a
obra de restauração física, mental e espiritual se pode efetuar” (A Ciência do
Bom Viver, págs. 142 e 143).
É responsabilidade de a Igreja reescrever com
urgência o livro de Atos em nossos dias. Qual tem sido a sua e a minha
participação nesse empreendimento? Por forças humanas nada será possível, mas
pelo Seu Espírito abalaremos o mundo.
Terça
O nosso estudo de terça
feira traz uma seria advertência na parte introdutória. Diz o autor da Lição:
“Sozinha, doutrina não transforma corações.” Por mais tecnologia que tenhamos
nada substitui o contato humano.
No nosso testemunho
pessoal existe um poder que nenhuma tecnologia no mundo pode suplantar.
Enquanto a mensagem está voando pelo meio do Céu, Deus está preparando você e
eu para a colheita dos frutos. Somos incapazes? Claro que sim! Mas está à nossa
disposição um poder capaz de superar qualquer limitação de ordem física e
intelectual.
“Nós mesmos precisamos
ter viva ligação com Deus, a fim de ensinar a Jesus. Então podemos dar o vivo
testemunho pessoal do que Cristo é para nós por experiência e fé. Recebemos a
Cristo e, com divino fervor, podemos contar aquilo que constitui permanente
poder em nós. As pessoas precisam ser atraídas para Cristo. Deve-se dar ênfase
a Sua eficácia para salvar” (Mensagens Escolhidas, p. 187).
Testemunhar de Cristo é
uma via de duas mãos. Ao mesmo tempo em que partilhamos com as pessoas o que
Jesus tem feito em nossa vida, nós somos fortalecidos na esperança da salvação.
Testemunhar é a maneira mais segura de aguardar a volta de Jesus.
Oremos para que Deus nos tire deste
marasmo destrutivo. Ellen G White nos adverte: “Muitos que possuem um
conhecimento inteligente da verdade, e são capazes de defendê-la mediante
argumentos, nada fazem em prol do reerguimento do reino de Cristo. Atuam de
quando em quando; mas não dão um testemunho vivo da experiência pessoal na vida
cristã; não relatam novas vitórias alcançadas na santa milícia” (Testemunhos
Seletos, Volume 2 p. 97).
Quarta
Mencionei no comentário
de terça-feira que testemunhar é uma via de duas mãos. Ao mesmo tempo em que
levamos a mensagem para alguém nós somos fortalecidos em Cristo.
Na multiplicação dos
pães o jovem não hesitou em entregar todo o alimento que trouxera a Jesus. Ele
correu o risco passar fome. Ele não hesitou e abriu mão de tudo o que tinha no
momento. Podemos imaginar a sua alegria ao ver crianças saciadas e uma grande
multidão refeita. Caso ele se negasse a partilhar, provavelmente a sua história
não estaria sendo lembrada hoje.
Deus poderia enviar
anjos para anunciar ao mundo a mensagem de salvação, porém Ele não o fez. Os
anjos seriam competentes na pregação do Evangelho, mas não teriam como
testemunhar da alegria da salvação. Contar o que Jesus fez e está fazendo em
nossa vida contagia as pessoas.
Deus sabe o quanto a
experiência do testemunho é importante para nós e para aqueles que estão ao
nosso redor. Aquele que testemunha de Jesus para as pessoas não tem como
continuar na mesmice. A sua fé é nutrida com alimento sólido. Sugerimos a
leitura da página 212 de nossa meditação Reavivar a Esperança.
Quinta
Sabemos que os anjos
não atuam diretamente na pregação do Evangelho. Mas eles estão prontos e ativos
para auxiliar a cada um de nós. Essa é a
promessa de Deus: “O Espírito Santo é provido como sua eficiência. Anjos
ministradores estarão a seu lado para impressionar os corações” (Parábolas de
Jesus, p 232).
Na vida cristã de uma
pessoa convertida e que se entrega à atuação do Espirito acontece pelo menos
cinco coisas. Primeiro essa pessoa vive em oração. Segundo, está em continuo
estudo da Palavra de Deus. Terceiro, ela experimenta o prazer de testemunhar de
Cristo. Em quarto lugar tem o privilégio de contar com a intervenção divina
para que o seu testemunho seja eficaz. E em quinto lugar essa pessoa está
pronta para iniciar uma reforma em toda a sua vida espiritual.
Esses estágios podem
acontecer de maneira isolada ou simultânea na vida do crente, mas o importante
é que estejamos dispostos a permitir que eles aconteçam.
É maravilhoso ver como
Deus intervém em nosso auxílio quando nos propomos a testemunhar Dele. A
atuação de Deus Se manifesta através de pessoas, sonhos, coisas e até com a
ajuda de animais irracionais. Há poucos dias foi apresentado um testemunho na
TV Novo Tempo em que uma cadela que tocou no controle remoto da televisão e
sintonizou a Novo Tempo em um momento em que a telespectadora ansiava por algo
diferente.
Paulo, prisioneiro, por
causa do Evangelho orou para que Deus abrisse não as portas da prisão e sim, as
portas para a pregação do Evangelho. Como a intervenção divina se fez presente
em sua vida e na dos demais apóstolos! Com a atuação divina a vida desses
homens foi uma cascata de bênçãos que inundou todo o mundo. As portas se
escancararam e a Igreja cumpriu o seu papel.
Conclusão
Reavivamento sem
testemunho não existe. A segunda pergunta da Lição para reflexão chamou a minha
atenção. Ela encerra uma grande verdade
que diz: “quanto mais testemunhamos da nossa fé, mais ela cresce.”
A irmã White esclarece:
“Deus poderia ter atingido o Seu objetivo de salvar pecadores, sem o auxílio do
homem; mas sabia que o homem não poderia ser feliz sem desempenhar uma parte na
grande obra” (Conselhos Sobre Mordomia, p. 13) e mais: testemunhar é a única
maneira de continuarmos de pé.
“Que
se aprenda a lição da Escola Sabatina, não olhando rapidamente ao texto da
mesma no sábado de manhã, mas estudando cuidadosamente para a próxima semana,
no sábado à tarde, com recapitulação ou ilustração diária durante a semana.
Assim a lição se fixará na memória, como um tesouro que jamais se perderá
completamente” (Educação, páginas 251 e 252).
Consulte o nosso
http://reavivaresperanca.blogspot.com.br
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