Comentário
da Lição da Escola Sabatina de quatorze a vinte e um de dezembro de 2013,
preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de
Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro
da Igreja Adventista do Sétimo Dia–Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Em 1337 o rei francês Felipe VI invadiu uma região no atual
sul da França que na época pertencia à Inglaterra. A resposta do monarca
britânico, Eduardo III, foi a invasão do país rival, dando início à Guerra dos
Cem Anos.
Apesar de os ingleses terem levado a melhor nas
primeiras décadas da guerra, eles terminaram perdendo os territórios que controlavam
na atual França. A Batalha de Castillon, vencida pelos franceses no sul do país
em 1453, é considerada o marco histórico do final da guerra.
A Guerra dos Cem Anos é o mais longo conflito
entre nações registrado na história. O conflito que perdurou por tanto tempo
teve alguns períodos de aparente trégua. Nesses momentos de relativa calma as
partes em conflito refaziam os seus exércitos e equipamentos e logo tornavam a
se digladiar.
Embora tenha durado cem anos, esse não é o mais
longo conflito registrado no Universo. O mais longo conflito presenciado pelos
seres celestiais perdura por mais de seis mil anos. Ele teve a sua origem com a
queda de Satanás e não sabemos quando isso aconteceu. O que sabemos é que eu e
você estamos cem por cento envolvidos nele.
Esse é um conflito real permanente e sem tréguas.
Trata-se de um conflito cuja parte desafiante é plenamente consciente de sua
derrota. Vamos ver na parte de domingo que ao se instalar o conflito Deus
instou com Satanás para ele retrocedesse e deu o máximo de tempo possível para
que isso acontecesse.
Com
a queda, Satanás teve uma ideia mirabolante: levar o homem à queda também. Assim, ao Deus salvar o homem ele
também seria salvo e caso Deus não provesse salvação, unido ao casal, eles
assaltariam o jardim do Éden e comeriam da árvore da vida e todos viveriam
eternamente.
Veja
o comentário de Ellen G. White:
“Seus seguidores foram procurá-lo, e ele, erguendo-se e assumindo um ar de
desafio, informou-os de seus planos para arrebatar de Deus o nobre Adão e sua
companheira Eva. Se pudesse, de alguma forma, induzi-los à desobediência, Deus
faria alguma provisão pela qual pudessem ser perdoados, e então, ele e todos os
anjos caídos obteriam um provável meio de partilhar com eles a misericórdia de
Deus. Se isto falhasse, podiam unir-se com Adão e Eva, pois, se esses
viessem a transgredir a lei divina ficariam sujeitos à ira de Deus, como eles
próprios estavam. Sua transgressão os colocaria, também, num estado de rebelião,
e eles podiam unir-se a Adão e Eva, tomar posse do Éden, e conservá-lo como seu
lar. E se pudessem ter acesso à árvore da vida no meio do jardim, sua força
seria, pensavam, igual à dos santos anjos, e nem mesmo o próprio Deus poderia
expulsá-los” (História da Redenção, páginas 27 e 28).
O plano do inimigo falhou e o conflito
cósmico iniciado no Céu teve outros desdobramentos. O caráter de Deus era
duramente questionado por Satanás e só o amor seria capaz de mostrar para o
Universo a justiça de Deus. O conflito instalado nas cortes celestiais envolveu
o homem e colocou Deus à prova. O Senhor sabia que a melhor maneira de
convencer o Universo de quão terrível é o pecado era deixar que o mal desse os
seus frutos.
“Necessitamos entender mais claramente o que está em jogo
no grande conflito em que nos achamos empenhado. Precisamos
compreender com mais plenitude o valor das verdades da Palavra de Deus, e o
perigo de permitir que nosso espírito seja delas desviado pelo grande
enganador” (A Ciência do Bom Viver, p. 451).
Domingo
Satanás
tinha pleno convívio no santuário celestial. Ele era um dos querubins que
assistia diante de Deus e era o responsável pelo coro celeste. Podemos imaginar
que a sua queda surpreendeu o Universo.
Ellen G. White afirma que por
muito tempo Deus esperou que ele reconhecesse o seu pecado e retrocedesse. Diz
o texto: “Muito tempo foi ele conservado no Céu. Reiteradas vezes lhe foi
oferecido o perdão, sob a condição de que se arrependesse e submetesse.
Esforços que apenas o amor e a sabedoria infinitos poderiam conceber foram
feitos a fim de convencê-lo de seu erro” (O
Grande Conflito, p. 496).
Não
sabemos por quanto tempo Satanás permaneceu no Céu depois da rebelião. A mensageira
do Senhor afirma que foi um longo período de tempo. “Com grande misericórdia, de acordo com o Seu caráter
divino, Deus suportou longamente a Lúcifer” (Patriarcas e Profetas, p. 39). E continua: “Embora tivesse deixado sua posição como querubim cobridor, se contudo estivesse ele disposto a
voltar para Deus, reconhecendo a sabedoria do Criador, e satisfeito por
preencher o lugar a ele designado no grande plano de Deus, teria sido
reintegrado em suas funções” (Patriarcas e Profetas, p. 39).
Uma nota triste: “O espírito de
descontentamento e desafeição nunca antes havia sido conhecido no Céu. Era um
elemento novo, estranho, misterioso, inexplicável. O próprio Lúcifer não
estivera a princípio ciente da natureza verdadeira de seus sentimentos” (Patriarcas e Profetas, p. 39).
“Aquele que fora um querubim cobridor lembra-se donde caiu. Ele, um
serafim resplandecente, "filho da alva" quão mudado, quão degradado!
Do conselho onde tantas honras recebera, está para sempre excluído” (O Grande
Conflito, p. 669).
A
Bíblia afirma que “Deus é amor.” Satanás não desejava ser igual a Deus em amor.
Ele queria ser igual a Deus apenas em poder e domínio. Ele sabe que tudo está
perdido. Agora o seu empenho é levar o máximo de pessoas com ele.
Segunda
Ao ver frustrada a sua tentativa
de usurpar o trono celestial, Satanás se
propôs a magoar os santos do Altíssimo certo de que aquilo que dói nos filhos
dói no Pai. A sua principal arma continua sendo a mesma com a qual, no passado
e ainda hoje, ele se empenha para atingir a integridade do caráter de Deus, ou
seja: a acusação.
No
caso de Jó temos uma acusação falsa e uma afirmação também falsa. No primeiro
caso Satanás acusa Jó de servir a Deus por interesse. Ou pelo menos, como faz
muita gente, apenas quando as coisas vão indo bem. No segundo caso os
mensageiros que levaram as trágicas noticias para Jó colocaram que as saraivas,
as chamas e tudo de ruim que aconteceu vieram de Deus.
No caso de
Zacarias Satanás acusa Josué de se apresentar sujo diante de Deus. Nesse
momento Jesus intervém e, ao mostrar os sinais dos cravos, ordena que as roupas
sujas de Josué sejam trocadas por vestes brancas de justiça. A pergunta de
Jesus teve como resposta o mudo silêncio do acusador. Diz Ellen G. White: “Então
o Anjo, que é o próprio Cristo, o Salvador dos pecadores, reduz ao silêncio o acusador do Seu povo, declarando: "O Senhor te
repreende, ó Satanás, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreende; não
é este um tição tirado do fogo?" Zacarias
3:2” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 148).
Algo pior do
que ser acusado por esse inimigo é quando membros da igreja se propõem a fazer
o seu serviço, denegrindo a vida de outros irmãos. A recomendação inspirada é:
“Não vos julgueis melhores que outros homens, nem vos arvoreis em juízes seus.
Uma vez que não vos é dado discernir os motivos, sois incapazes de julgar um ao
outro. Ao criticá-lo, estais-vos sentenciando a vós mesmos; pois mostrais ter
parte com Satanás, o acusador dos irmãos” (O Desejado de Todas
as Nações, p. 314).
Terça
A
resposta que Satanás procurava mesmo sabendo, ao acusar Josué, está em Romanos
3:21 a 26. Ele nos enlameou com o pecado, mas Jesus em Seu grande amor, Se
propôs a nos lavar com o Seu próprio sangue. “Sendo justificados gratuitamente
pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:24).
Apenas Jesus tem a autoridade de Se
interpor entre o transgressor e as exigências da Lei de Deus. Ele verteu o Seu
sangue para nos dar a vida. Ele fez por nós o que Jamais Satanás teria coragem de
fazer. Esse amor desmedido de Cristo pelo pecador deixa o inimigo enfurecido.
Não é atoa que o poder da ponta pequena
tenta atingir o Santuário de Deus instituindo na Terra um sistema falso e antagônico
do que se realiza no santuário celestial.
“Ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para
demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos
outrora cometidos” (Romanos 3:25).
Na nota do rodapé da página de terça
feira Ellen G. White esclarece: “Com intenso interesse, os mundos não caídos
observavam para ver Jeová Se levantar e assolar os habitantes da Terra. [...]
Em lugar de destruir o mundo, porém, Deus enviou Seu Filho para o salvar. [...]
Justo no momento da crise, quando Satanás parecia prestes a triunfar, veio o
Filho de Deus com a embaixada da graça divina” (O desejado de Todas as Nações,
p. 37). A cruz é a mais contundente prova de que Deus realmente é amor. Um amor
que tem causado espanto em todo o Universo.
Quarta
Certa
vez eu passava de carro na frente de um shopping onde havia uma faixa de
pedestres. Ao chegar à faixa parei para dar passagem para alguns transeuntes.
Eu estava na faixa interna. Ao lado estava um ônibus que parou no ponto próximo
da faixa.
Não
sei por que, o motorista que estava na minha frente recusou passar pelo ônibus
e o transito parou. Na calçada estava um policial conversando com uma senhora e
de costas para a avenida. Todos nós motoristas olhávamos para ele na
expectativa de que ele volvesse para a avenida e normalizasse o trânsito, o que
não aconteceu.
O
ônibus se arrancou e o motorista que estava à minha frente se foi. Assim que eu
me desloquei um pedestre atravessou na minha frente fora da faixa. Pisei no
freio e o cara se safou. Com o barulho, o policial voltou a sua atenção para o
trânsito e me aplicou uma multa. De nada valeram as explicações. O seu
julgamento foi falho, pois ele estava de costas para os carros.
Quantos
milhares de julgamentos falhos se fazem sobre a face da Terra. Quantas
acusações infundadas passam por verdades!
O acusador de nossos irmãos, usando do que lhe é próprio, mentira e
falsidade, já conduziu milhões para as masmorras e para as fogueiras. A Bíblia
afirma que ele nos acusa dia e noite. Mas a promessa divina é que em breve ele
será derrubado para nunca mais se levantar. “Porque
já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os
acusava de dia e de noite” (Apocalipse 12:10).
Uma das
pessoas que mais sofreu acusações injustas foi o apostolo Paulo. Ele suportou
tudo porque confiou no “justo Juiz”. “Desde agora, a coroa da justiça me está
guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a
mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (II Timóteo 4:8).
Quinta
“Livres da mortalidade alçarão voo incansável
para os mundos distantes - mundos que fremiram de tristeza ante
o espetáculo da desgraça humana, e ressoaram com cânticos de alegria
ao ouvir as novas de uma alma resgatada. ... Com visão desanuviada olham para a
glória da criação, achando-se sóis, estrelas e sistemas planetários, todos na
sua indicada ordem, a circular em redor do trono da Divindade. Em todas as
coisas, desde a mínima até a maior, está escrito o nome do Criador, e em todas
se manifestam as riquezas de Seu poder” (O Grande Conflito, págs. 677 e 678).
“Na vitória final, Deus não terá lugar para as pessoas que, no
tempo do perigo, quando as energias, a coragem e a influência de todos são
necessárias para atacar o inimigo, não se podem encontrar em parte alguma” (Obreiros Evangélicos, p. 322).
“A igreja é hoje militante. Enfrentamos agora um mundo em trevas de
meia-noite, quase inteiramente entregue à idolatria. Mas aproxima-se o dia em
que a batalha terá sido ferida, e ganha a vitória. A vontade de Deus deve ser feita
na Terra como o é no Céu. Então as nações não possuirão outra lei senão a do
Céu. Juntas, constituirão uma família feliz, unida, trajada com as vestes de
louvor e ações de graça - vestes da justiça de Cristo. A Natureza toda, em sua
inexcedível beleza, oferecerá a Deus um constante tributo de louvor e adoração.
O mundo se inundará da luz do Céu. Os anos transcorrerão em alegria. A luz da
Lua será como a do Sol, e a deste será sete vezes mais brilhante do que é hoje.
Ante aquele cenário as estrelas da alva cantarão juntamente, e os filhos de
Deus aclamarão de alegria, enquanto Deus e Cristo Se unirão ao proclamar:
"Não mais haverá pecado, tampouco haverá morte."” (Vida e Ensinos, p.
229).
Israel
foi humilhado, vilipendiado e o nome de Deus blasfemado pelos adversários. O
povo foi disseminado pela face da Terra. Deus não Se esqueceu de Seu povo. A
Sua promessa foi: “E os resgatados do Senhor voltarão; e
virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e
alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido” (Isaías 35:10).
Deus
espera que exaltemos o Seu nome neste mundo e quando formos reunidos no Céu o
Seu nome e o Seu caráter será reconhecido e exaltado por todo o Universo. “Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos
pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao
mundo, aos anjos, e aos homens” (1 Coríntios 4:9).
Conclusão
“O
grande conflito terminou. Pecado e pecadores não mais
existem. O Universo inteiro está purificado. Uma única palpitação de harmonioso
júbilo vibra por toda a vasta criação. Daquele que tudo criou emanam vida, luz
e alegria por todos os domínios do espaço infinito. Desde o minúsculo átomo até
ao maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena
beleza e perfeito gozo, declaram que Deus é amor” (O Grande Conflito, p. 678).
Os mundos não caídos anseiam por este momento. E nós?
Acompanhe o comentário da Lição da Escola
Sabatina em nosso blog:
http://reavivaresperanca.blogspot.com/
Nenhum comentário:
Postar um comentário