segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O conflito cósmico sobre o caráter de Deus

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de quatorze a vinte e um de dezembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia–Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Em 1337 o rei francês Felipe VI invadiu uma região no atual sul da França que na época pertencia à Inglaterra. A resposta do monarca britânico, Eduardo III, foi a invasão do país rival, dando início à Guerra dos Cem Anos.
Apesar de os ingleses terem levado a melhor nas primeiras décadas da guerra, eles terminaram perdendo os territórios que controlavam na atual França. A Batalha de Castillon, vencida pelos franceses no sul do país em 1453, é considerada o marco histórico do final da guerra.  
A Guerra dos Cem Anos é o mais longo conflito entre nações registrado na história. O conflito que perdurou por tanto tempo teve alguns períodos de aparente trégua. Nesses momentos de relativa calma as partes em conflito refaziam os seus exércitos e equipamentos e logo tornavam a se digladiar.
Embora tenha durado cem anos, esse não é o mais longo conflito registrado no Universo. O mais longo conflito presenciado pelos seres celestiais perdura por mais de seis mil anos. Ele teve a sua origem com a queda de Satanás e não sabemos quando isso aconteceu. O que sabemos é que eu e você estamos cem por cento envolvidos nele.
Esse é um conflito real permanente e sem tréguas. Trata-se de um conflito cuja parte desafiante é plenamente consciente de sua derrota. Vamos ver na parte de domingo que ao se instalar o conflito Deus instou com Satanás para ele retrocedesse e deu o máximo de tempo possível para que isso acontecesse.
Com a queda, Satanás teve uma ideia mirabolante: levar o homem à queda também. Assim, ao Deus salvar o homem ele também seria salvo e caso Deus não provesse salvação, unido ao casal, eles assaltariam o jardim do Éden e comeriam da árvore da vida e todos viveriam eternamente.
Veja o comentário de Ellen G. White: “Seus seguidores foram procurá-lo, e ele, erguendo-se e assumindo um ar de desafio, informou-os de seus planos para arrebatar de Deus o nobre Adão e sua companheira Eva. Se pudesse, de alguma forma, induzi-los à desobediência, Deus faria alguma provisão pela qual pudessem ser perdoados, e então, ele e todos os anjos caídos obteriam um provável meio de partilhar com eles a misericórdia de Deus. Se isto falhasse, podiam unir-se com Adão e Eva, pois, se esses viessem a transgredir a lei divina ficariam sujeitos à ira de Deus, como eles próprios estavam. Sua transgressão os colocaria, também, num estado de rebelião, e eles podiam unir-se a Adão e Eva, tomar posse do Éden, e conservá-lo como seu lar. E se pudessem ter acesso à árvore da vida no meio do jardim, sua força seria, pensavam, igual à dos santos anjos, e nem mesmo o próprio Deus poderia expulsá-los” (História da Redenção, páginas 27 e 28).
O plano do inimigo falhou e o conflito cósmico iniciado no Céu teve outros desdobramentos. O caráter de Deus era duramente questionado por Satanás e só o amor seria capaz de mostrar para o Universo a justiça de Deus. O conflito instalado nas cortes celestiais envolveu o homem e colocou Deus à prova. O Senhor sabia que a melhor maneira de convencer o Universo de quão terrível é o pecado era deixar que o mal desse os seus frutos.
Necessitamos entender mais claramente o que está em jogo no grande conflito em que nos achamos empenhado. Precisamos compreender com mais plenitude o valor das verdades da Palavra de Deus, e o perigo de permitir que nosso espírito seja delas desviado pelo grande enganador” (A Ciência do Bom Viver, p. 451).

Domingo
Satanás tinha pleno convívio no santuário celestial. Ele era um dos querubins que assistia diante de Deus e era o responsável pelo coro celeste. Podemos imaginar que a sua queda surpreendeu o Universo.
Ellen G. White afirma que por muito tempo Deus esperou que ele reconhecesse o seu pecado e retrocedesse. Diz o texto: “Muito tempo foi ele conservado no Céu. Reiteradas vezes lhe foi oferecido o perdão, sob a condição de que se arrependesse e submetesse. Esforços que apenas o amor e a sabedoria infinitos poderiam conceber foram feitos a fim de convencê-lo de seu erro” (O Grande Conflito, p. 496).
            Não sabemos por quanto tempo Satanás permaneceu no Céu depois da rebelião. A mensageira do Senhor afirma que foi um longo período de tempo. “Com grande misericórdia, de acordo com o Seu caráter divino, Deus suportou longamente a Lúcifer” (Patriarcas e Profetas, p. 39). E continua: Embora tivesse deixado sua posição como querubim cobridor, se contudo estivesse ele disposto a voltar para Deus, reconhecendo a sabedoria do Criador, e satisfeito por preencher o lugar a ele designado no grande plano de Deus, teria sido reintegrado em suas funções” (Patriarcas e Profetas, p. 39).
            Uma nota triste: “O espírito de descontentamento e desafeição nunca antes havia sido conhecido no Céu. Era um elemento novo, estranho, misterioso, inexplicável. O próprio Lúcifer não estivera a princípio ciente da natureza verdadeira de seus sentimentos” (Patriarcas e Profetas, p. 39).
             Aquele que fora um querubim cobridor lembra-se donde caiu. Ele, um serafim resplandecente, "filho da alva" quão mudado, quão degradado! Do conselho onde tantas honras recebera, está para sempre excluído” (O Grande Conflito, p. 669).
            A Bíblia afirma que “Deus é amor.” Satanás não desejava ser igual a Deus em amor. Ele queria ser igual a Deus apenas em poder e domínio. Ele sabe que tudo está perdido. Agora o seu empenho é levar o máximo de pessoas com ele.

Segunda
            Ao ver frustrada a sua tentativa de usurpar o trono celestial, Satanás se propôs a magoar os santos do Altíssimo certo de que aquilo que dói nos filhos dói no Pai. A sua principal arma continua sendo a mesma com a qual, no passado e ainda hoje, ele se empenha para atingir a integridade do caráter de Deus, ou seja: a acusação.
            No caso de Jó temos uma acusação falsa e uma afirmação também falsa. No primeiro caso Satanás acusa Jó de servir a Deus por interesse. Ou pelo menos, como faz muita gente, apenas quando as coisas vão indo bem. No segundo caso os mensageiros que levaram as trágicas noticias para Jó colocaram que as saraivas, as chamas e tudo de ruim que aconteceu vieram de Deus.
No caso de Zacarias Satanás acusa Josué de se apresentar sujo diante de Deus. Nesse momento Jesus intervém e, ao mostrar os sinais dos cravos, ordena que as roupas sujas de Josué sejam trocadas por vestes brancas de justiça. A pergunta de Jesus teve como resposta o mudo silêncio do acusador. Diz Ellen G. White: “Então o Anjo, que é o próprio Cristo, o Salvador dos pecadores, reduz ao silêncio o acusador do Seu povo, declarando: "O Senhor te repreende, ó Satanás, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo?"  Zacarias 3:2” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 148).
Algo pior do que ser acusado por esse inimigo é quando membros da igreja se propõem a fazer o seu serviço, denegrindo a vida de outros irmãos. A recomendação inspirada é: “Não vos julgueis melhores que outros homens, nem vos arvoreis em juízes seus. Uma vez que não vos é dado discernir os motivos, sois incapazes de julgar um ao outro. Ao criticá-lo, estais-vos sentenciando a vós mesmos; pois mostrais ter parte com Satanás, o acusador dos irmãos” (O Desejado de Todas as Nações, p. 314). 
           
Terça
A resposta que Satanás procurava mesmo sabendo, ao acusar Josué, está em Romanos 3:21 a 26. Ele nos enlameou com o pecado, mas Jesus em Seu grande amor, Se propôs a nos lavar com o Seu próprio sangue. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:24).
Apenas Jesus tem a autoridade de Se interpor entre o transgressor e as exigências da Lei de Deus. Ele verteu o Seu sangue para nos dar a vida. Ele fez por nós o que Jamais Satanás teria coragem de fazer. Esse amor desmedido de Cristo pelo pecador deixa o inimigo enfurecido.
Não é atoa que o poder da ponta pequena tenta atingir o Santuário de Deus instituindo na Terra um sistema falso e antagônico do que se realiza no santuário celestial.  “Ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos” (Romanos 3:25).
Na nota do rodapé da página de terça feira Ellen G. White esclarece: “Com intenso interesse, os mundos não caídos observavam para ver Jeová Se levantar e assolar os habitantes da Terra. [...] Em lugar de destruir o mundo, porém, Deus enviou Seu Filho para o salvar. [...] Justo no momento da crise, quando Satanás parecia prestes a triunfar, veio o Filho de Deus com a embaixada da graça divina” (O desejado de Todas as Nações, p. 37). A cruz é a mais contundente prova de que Deus realmente é amor. Um amor que tem causado espanto em todo o Universo.

Quarta
            Certa vez eu passava de carro na frente de um shopping onde havia uma faixa de pedestres. Ao chegar à faixa parei para dar passagem para alguns transeuntes. Eu estava na faixa interna. Ao lado estava um ônibus que parou no ponto próximo da faixa.
            Não sei por que, o motorista que estava na minha frente recusou passar pelo ônibus e o transito parou. Na calçada estava um policial conversando com uma senhora e de costas para a avenida. Todos nós motoristas olhávamos para ele na expectativa de que ele volvesse para a avenida e normalizasse o trânsito, o que não aconteceu.
            O ônibus se arrancou e o motorista que estava à minha frente se foi. Assim que eu me desloquei um pedestre atravessou na minha frente fora da faixa. Pisei no freio e o cara se safou. Com o barulho, o policial voltou a sua atenção para o trânsito e me aplicou uma multa. De nada valeram as explicações. O seu julgamento foi falho, pois ele estava de costas para os carros.
            Quantos milhares de julgamentos falhos se fazem sobre a face da Terra. Quantas acusações infundadas passam por verdades!  O acusador de nossos irmãos, usando do que lhe é próprio, mentira e falsidade, já conduziu milhões para as masmorras e para as fogueiras. A Bíblia afirma que ele nos acusa dia e noite. Mas a promessa divina é que em breve ele será derrubado para nunca mais se levantar. “Porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite” (Apocalipse 12:10).
Uma das pessoas que mais sofreu acusações injustas foi o apostolo Paulo. Ele suportou tudo porque confiou no “justo Juiz”. “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (II Timóteo 4:8).

Quinta
            “Livres da mortalidade alçarão voo incansável para os mundos distantes - mundos que fremiram de tristeza ante o espetáculo da desgraça humana, e ressoaram com cânticos de alegria ao ouvir as novas de uma alma resgatada. ... Com visão desanuviada olham para a glória da criação, achando-se sóis, estrelas e sistemas planetários, todos na sua indicada ordem, a circular em redor do trono da Divindade. Em todas as coisas, desde a mínima até a maior, está escrito o nome do Criador, e em todas se manifestam as riquezas de Seu poder” (O Grande Conflito, págs. 677 e 678). 
“Na vitória final, Deus não terá lugar para as pessoas que, no tempo do perigo, quando as energias, a coragem e a influência de todos são necessárias para atacar o inimigo, não se podem encontrar em parte alguma” (Obreiros Evangélicos, p. 322).
            “A igreja é hoje militante. Enfrentamos agora um mundo em trevas de meia-noite, quase inteiramente entregue à idolatria. Mas aproxima-se o dia em que a batalha terá sido ferida, e ganha a vitória. A vontade de Deus deve ser feita na Terra como o é no Céu. Então as nações não possuirão outra lei senão a do Céu. Juntas, constituirão uma família feliz, unida, trajada com as vestes de louvor e ações de graça - vestes da justiça de Cristo. A Natureza toda, em sua inexcedível beleza, oferecerá a Deus um constante tributo de louvor e adoração. O mundo se inundará da luz do Céu. Os anos transcorrerão em alegria. A luz da Lua será como a do Sol, e a deste será sete vezes mais brilhante do que é hoje. Ante aquele cenário as estrelas da alva cantarão juntamente, e os filhos de Deus aclamarão de alegria, enquanto Deus e Cristo Se unirão ao proclamar: "Não mais haverá pecado, tampouco haverá morte."” (Vida e Ensinos, p. 229).
            Israel foi humilhado, vilipendiado e o nome de Deus blasfemado pelos adversários. O povo foi disseminado pela face da Terra. Deus não Se esqueceu de Seu povo. A Sua promessa foi: E os resgatados do Senhor voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido” (Isaías 35:10).
            Deus espera que exaltemos o Seu nome neste mundo e quando formos reunidos no Céu o Seu nome e o Seu caráter será reconhecido e exaltado por todo o Universo. “Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens” (1 Coríntios 4:9).

Conclusão
            “O grande conflito terminou. Pecado e pecadores não mais existem. O Universo inteiro está purificado. Uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a vasta criação. Daquele que tudo criou emanam vida, luz e alegria por todos os domínios do espaço infinito. Desde o minúsculo átomo até ao maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeito gozo, declaram que Deus é amor” (O Grande Conflito, p. 678). Os mundos não caídos anseiam por este momento. E nós?

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