Comentário
da Lição da Escola Sabatina de oito a quinze de março de 2013 preparado por
Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a
Esperança, uma Meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
A lição dessa semana mostra a preocupação de Cristo
em escolher um grupo de pessoas capazes de levar avante a Sua obra retentiva. Eles
deveriam fazê-la conhecida entre os homens mesmo diante de situações adversas.
Esses líderes necessitavam ter duas
qualidades indispensáveis para que o êxito viesse à tona. Eles deveriam ter o
conhecimento doutrinário e a experiência. Essas qualidades não seriam
outorgadas momentaneamente como num passo de mágica. Seria um processo que
envolveria tempo e isso poderia diferenciar de uma pessoa para outra.
O Departamento de Recursos Humanos
de Cristo não foi montado em uma sala sofisticada, com ar condicionado e sofás
aconchegantes e nem foi desenvolvido pessoalmente por Ele. Em sua forma humana
o Salvador dependia de orientação do alto e foi ao relento de uma noite de
oração que as coisas foram resolvidas. Jesus sentiu a Sua limitação humana e
procurou de Deus a direção de que necessitava.
Em um primeiro momento o resultado
dessa noite de oração pareceu ser um fracasso total. Ele desceu do monte e
passou a convidar pessoas, aparentemente, sem nenhuma qualificação. Uns eram
pescadores rudes e impulsivos. Outros eram coletores de impostos ricos e
odiados pela população. E tinha aqueles, como Tomé que exigia ver para crer.
Que utilidade teria um homem desses em um ministério onde a ordem natural era
avançar pela fé?
Para completar a situação
desfavorável esse grupo não dispunha de uma sede administrativa com um
auditório equipado com poltronas reclináveis. Eles não tinham salário e daquele
dia para frente seriam meros andarilhos acompanhando um Líder que não tinha
onde reclinar a cabeça.
Não nos esqueçamos do título da
Lição: “Discipulando líderes espirituais.” Deus sabia que aquele pequeno grupo
de pessoas, aparentemente sem qualificação, oferecia margem para serem
trabalhadas. Eles tinham a humildade suficiente para aceitar ser ensinados e,
na companhia de Cristo, adquiriram uma experiência que os capacitaram a dar a
vida pelo ministério que abraçaram.
É surpreendente ver como Deus
trabalha. Paulo falando desses baluartes do evangelho foi enfático: “Da
fraqueza tiraram força.” Tudo isso porque Deus é especialista em tirar força de
onde só vemos fraqueza e provável fracasso. No Pentecostes eles fizeram da
oração a sua única ferramenta. Que força tem a oração!
Domingo
Não sabemos por quanto tempo Jesus exerceu o
Seu ministério antes da escolha de Seus doze discípulos. Os três primeiros evangelhos
dão conta de que o Salvador já estava em franca atividade e já tinha muitos
seguidores e dentre estes Ele escolheu os doze.
Muitos deles já haviam sido
convidados pelo Mestre para segui-Lo como Mateus, Pedro, Felipe e outros. O
Salvador já havia realizado muitos milagres como a cura da sogra de Pedro, a
multiplicação dos pães, a cura de um endemoniado gadareno, a pesca maravilhosa
e muitos outros.
Pelo que parece Jesus já conhecia
bem aqueles que seriam os Seus discípulos. Isso mostra que o Salvador poderia
fazer a escolha sem reservas. Mas o Mestre desconfiou de Sua visão humana e,
antes de proceder a escolha, subiu ao monte e passou a noite em contato com o
Pai na busca de uma orientação segura. Caso estivéssemos vivos nos dias de
Cristo estranharíamos por completo o resultado dessa noite de oração. Talvez, o
próprio Cristo tivesse encontrado dificuldades para aceitar.
Foi com essas figuras heterogêneas
que o evangelho se espraiou pelo mundo de colina após colina e de século após
século chegando até nós. Uma vez escolhidos, os discípulos foram capacitados e
até certo ponto igualados. Excetuando Judas, os demais tiveram participação
marcante ao firmarem os alicerces da Igreja Primitiva.
A oração foi a chave do êxito do
início da pregação do evangelho e será a oração que nos proporcionará um fim
glorioso. Há um binômio indispensável para o avanço da pregação do evangelho.
Quando eu era criança gostava de ver a Igreja cantar: “trabalhar e orar na
seara do Senhor”. É necessária uma prática viva dessa verdade que temos cantado
por tantos anos.
Segunda
Hoje um item bastante observado na escolha de um
profissional para trabalhar em uma empresa é a entrevista. O pretendente
apresenta o seu currículo que identifica o seu preparo técnico para desenvolver
determinada função dentro de uma empresa. Porém, ninguém é admitido sem passar
pelo crivo de uma entrevista. É ela que vai clarear para o empregador a
capacidade de o novo funcionário por em prática o seu potencial técnico. Esse é
o momento em que a sua experiência será testada e aprovada ou não.
No âmbito do discipulado é o
Espírito Santo que nos proporciona não só conhecimento doutrinário para
discipular com eficiência como nos oferece no dia a dia a experiência de vida
capaz de fazer a diferença na vida das pessoas que estão ao nosso redor.
Creio que se fossemos avaliados por
um mensageiro celeste ele imprimiria um grande peso no nosso relacionamento
íntimo com Deus. Estamos buscando diária e fervorosamente manter esse vínculo
com o nosso Pai Celestial?
Terça
Nas colunas de classificados é comum depararmos com
anúncios parecidos com este: “Empresa de renome internacional precisa para os seus
quadros “Diretor Financeiro”, formado em Economia ou gestão com mais de cinco
(5) anos de experiência profissional”
Anúncios assim dão margem para alguns optarem pela explicação de
Kan, filósofo cristão nascido na Prússia. Ele afirmava que todo conhecimento
tem a sua origem na experiência. Segundo ele, o conhecimento sem a experiência
de nada vale e, que, a experiência diária é a base do conhecimento.
A irmã Ellen G. White é clara ao
afirmar: “Se a Palavra de Deus fosse estudada como deveria ser, as pessoas teria
tal clareza de mente, nobreza de caráter e firmeza de propósitos, como
raramente se vê nestes tempos. Milhares de homens que ministram no púlpito são
carentes das qualidades essenciais de mente e caráter, porque não se aplicam ao
estudo das Escrituras” (Review and Herald, 17 de julho de 1888). Ela deixa
claro que unicamente o estudo da Bíblia é que nos qualifica com a experiência
de que necessitamos em nosso empenho de discipular. A prática da Palavra nos
enriquece da experiência de que necessitamos. Voltando a Immanuel
Kant ele afirma: “É
minha fé na Bíblia que me serviu de guia em minha vida moral e literária.
Quanto mais a civilização avance, mais será empregada a Bíblia.”
Em Lucas 6:20-49 Jesus deixa claro
que a prática do conhecimento que adquirimos pela Palavra é que vai fazer a
diferença no dia final. Essa pratica diária nos dá a experiência de que
necessitamos para discipular as pessoas.
Quarta
O convite de Jesus para trabalhar em Sua vinha
se estendeu a todas as pessoas. Ricos e pobres, humildes e poderosos, judeus ou
gentios, todos foram convidados a participar das alegrias do evangelho. O Seu
convite estendido a todas as classes sociais desenvolveu repulsa por parte da
maioria dos judeus que representavam a elite de Seu tempo.
Como um rabino ou sacerdote envolto
na capa da cultura e status que o cargo lhe outorgava se juntaria a um Pedro
pescador e ignorante, ou a um João explosivo, filho do trovão? Como aceitar um
evangelho que nivela as pessoas?
A lição apresenta casos raros como
Nicodemos e José de Arimatéia. Mas não devemos nos esquecer de Mateus e Zaqueu.
Com certeza eles eram pessoas riquíssimas. A Bíblia apresenta também um grupo
de mulheres abastadas que seguiam a Jesus e colaboravam na manutenção do Seu
ministério. “E Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras
que o serviam com seus bens” (Lucas 8:3). Nesse caso temos um problema sério. Como um
líder judeu que se orgulhava de ter nascido homem se juntaria a um Jesus que
não se envergonhava de ser sustentado por mulheres?
Aos doze
anos Jesus apresentava um conhecimento doutrinário que deixou os sacerdotes e
rabis extasiados. Como um judeu legítimo Ele jamais Se uniria a determinadas
pessoas como pescadores, publicanos e samaritanos. Jesus não colocou a cultura
como um referencial de Suas escolhas. A Sua prioridade era ver se as pessoas,
independente da cultura, classe social ou financeira estavam dispostas a aprender
Dele e com Ele. O seu convite era: “Tomai sobre vós o meu jugo, e
aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis
descanso para as vossas almas” (Mateus 11:29). Qualquer um que estivesse disposto a esse desafio estaria apto a ser um
de Seus discípulos.
Quinta
O Líder máximo do Cristianismo subiu para o Céu. Aqui
ficaram os Seus discípulos, homens falhos que disputavam entre si o sonho de
ser o líder substituto do grande Mestre. Eles não tinham nenhum curso
específico de liderança e nem desfrutavam da confiança dos líderes religiosos
de então. Aparentemente a Igreja Cristã estava condenada ao fracasso já na sua
origem.
Mas
algo aconteceu e fez a diferença. A ordem divina foi de que eles ficassem em
Jerusalém reunidos em oração e Jesus acrescentou: E, estando com eles,
determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a
promessa do Pai, que, disse ele, de mim ouvistes” (Atos 1:4) e “Mas recebereis a
virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas,
tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”
(Atos 1:8).
Eles
foram fieis a essa ordem divina e perseveraram unidos em oração. O primeiro
impacto aconteceu. Notaram que não eram mais doze apóstolos. Faltava Judas que
se perdeu e por orientação do Espírito Santo Matias foi escolhido para integrar
o grupo.
Com
a equipe completa perseveraram na oração e o resultado encontramos em todo o
livro de Atos. Mas a narrativa de uma igreja vitoriosa começa em Atos dois onde
lemos: “E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso,
e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas
repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos
foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o
Espírito Santo lhes concedia que falassem. E em Jerusalém estavam habitando
judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E,
quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque
cada um os ouvia falar na sua própria língua” (Atos 2:2-6).
O
fogo do Espírito Santo reduziu a cinzas as diferenças e disputas que existiam
entre eles. O evangelho ultrapassou fronteiras geográficas e etnicas e chegou
até nós. O principal legado de Jesus foi a promessa do Espírito Santo mediante
oração insistente e perseverante. Os apóstolos atenderam a ordem de Cristo e
Ele cumpriu a promessa. O mesmo desafio é feito para nós hoje.
Conclusão
Os
discípulos tinham o conhecimento limitado do poder de Deus para salvar. O
Espírito Santo dilatou esse conhecimento e deu a eles a experiência de que
necessitavam. Antes, falhos, traidores, egocêntricos e medrosos. Depois, com o
Espírito Santo, destemidos, humildes e até certo ponto, atrevidos.
A
fórmula continua a mesma. A única maneira de sermos líderes consagrados e espirituais está na oração e consequente
atuação do Espírito Santo em nossa vida.
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