Comentário
da Lição da Escola Sabatina de vinte e dois de fevereiro a 1º de março de 2014
preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de
Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro
da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
O IDE de Jesus a nós endereçado em
Mateus 28:19-20 é um imperativo que apresenta a nossa responsabilidade de
anunciar a toda criatura as maravilhas da salvação. Disse o Mestre: “Portanto ide, fazei discípulos de
todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu
estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:19-20).
Sou bastante tímido para falar do evangelho para as
pessoas e, principalmente, se são famosas e ricas. O problema é que esquecemos
que essas pessoas, semelhantes às outras, sentem necessidades que só o
evangelho pode atender. O comentário da Lição na página 116 nos encoraja. Diz o
texto: “Muitas vezes, os poderosos têm tantas inseguranças quanto as outras
pessoas. Eles só têm mais recursos com os quais podem mascará-los.”
A diretora da escola pública onde fiz o primário era uma
católica fervorosa. Eu tinha receios de falar com ela e despertar preconceitos.
Certa vez, escrevi uma peça para ser apresentada no dia das mães. Imaginei
realizar a programação em um clube da cidade e convidar as autoridades municipais
para o evento. Como parte da programação decidi envolver todos oe estudantes da
cidade em um concurso onde cada um escreveria uma carta para a sua mãe. Algumas
seriam sorteadas no decorrer da programação. Para que tudo desse certo eu tinha
de conseguir o apoio daquela diretora católica. Fui tremendo falar com ela.
Após uma rápida exposição do projeto, com um sorriso, ela se expressou: “Admiro
voces (se referindo a nosssa igreja) pois etão sempre fazendo alguma coisa
interessante.”
Quando estudante de enfermagem eu fiz parte do diretório
académico da faculdade. Naquela época imaginei criar um mural onde seriam expostos
jornais de vários estados do Brasil. Enviei cartas e visitei vários jornais
solicitando o enviu de algum exemplar para a faculdade. Eu queria que um
estudante vindo de qualquer estado do paíz encontrasse ali na escola alguma referência
de sua região. Tímido e tentando me esconder dentro de mim mesmo fui falar com
um respeitado jornalista de um conceituado jornal de São Paulo. Com um sorriso
ele me disse: “Eu vou atender o seu pedido desde que você atenda o meu.” e foi
ao ponto: “ Quero que você escreva um artigo falando de sua faculdade. Ele será
publicado na Coluna dos Universitários.” Foi a primeira vez que um jornal de grande circulação publicou uma
matéria sobre a Faculdade Adventista de Enfermagem e foi a primeira vez que me
vi participando de um jornal tão conhecido.
Os dois episódios nos mostram que por mais simples que
sejamos Deus pode e quer nos usar “...para que anuncieis as virtudes daquele
que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9). Basta que estejamos dispostos, o
Senhor completará o que nos falta.
Domingo
Jesus viveu em uma época em que o império romano
dominava com ferro e fogo. A carga tributária, já exorbitante, era acrescida
conforme a ganancia de cada coletor de impostos. Isso fazia com que esse
assunto se tornasse delicado. Qualquer opinião a respeito poderia ser
interpretada como subversiva aos interesses do imperador. Foi nessa conjuntura
que um grupo de espias contratados pelas lideranças religiosas de então se
lançaram ao trabalho de espionarem a vida de Cristo no intuito de apanhá-Lo em
alguma situação de confronto com o imperador César.
Eles perguntaram a Jesus se era lícito pagar os altos impostos cobrados
pelo imperador. Jesus pegou uma moeda e respondeu sem gaguejar: “De quem tem a
imagem e a inscrição? E, respondendo eles, disseram: De César. Disse-lhes
então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Lucas 20:22-25).
Provavelmente Jesus decepcionou aquele grupo de detetives. A Sua resposta
demonstrou a necessidade de se manter fiel às instituições e aos poderes
constituídos.
Paulo sabia como ninguém dos horrores cometidos pelos imperadores. Mesmo
assim o apóstolo é enfático: “Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem
tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra,
honra” (Romanos 13:7).
Vivemos em momentos de agitação no mundo. Em vários países, inclusive no
Brasil, a população tem saído às ruas protestando contra os governos
instituídos. Compreendemos que muitas destas reivindicações são honestas mas
qual deve ser a nossa postura?
Veja o conselho de Ellen G. White: “A Palavra de Deus precisa ser reconhecida como
estando acima de toda a legislação humana. Um "Assim diz o Senhor",
não deve ser posto à margem por um "Assim diz a igreja", ou um
"Assim diz o Estado". A coroa de Cristo tem de ser erguida acima dos
diademas de autoridades terrestres.
Não se nos exige que
desafiemos as autoridades. Nossas palavras faladas ou escritas devem ser
cuidadosamente consideradas, para que não sejamos tidos na conta de proferir
coisas que nos façam parecer contrários à lei e à ordem. Não devemos dizer nem
fazer coisa alguma que nos venha desnecessariamente impedir o caminho. Temos de
avançar em nome de Cristo, defendendo as verdades que nos foram confiadas”
(Atos dos Apóstolos, p. 69).
Segunda
Os
lideres religiosos dos dias de Jesus mantinham uma relação distorcida de
respeito para com a lei. Eles fizeram da lei uma carga difícil para o povo. Em sua
falha regulamentação da lei eles acrescentaram situações difíceis de serem
harmonizadas pela população. A Palavra de Deus não precisa ser regulamentada.
Ela já é completa.
O
Salvador nunca denegriu a observância do sábado e não podia permitir que o dia
do Senhor ao invés de bênção se tornasse em um dia de distanciamento do
sofrimento alheio. Jesus chegou a dizer que eles atavam sobre o povo fardos
difíceis de serem carregados e nem mesmo se propunham a ajudá-los a carregar.
Parece que a liderança religiosa daquele tempo se colocava acima da lei, pois
se considerava sem pecado. Eles não se misturavam com publicanos e pecadores.
Os
fariseus se escandalizaram quando o Salvador permitiu que os discípulos
apanhassem espigas no dia de sábado para se alimentarem. E quando Ele se propôs
a curar alguns enfermos nesse dia o tempo fechou de vez. Diz a Bíblia:
“Retirando-se os fariseus, conspiravam logo com os herodianos, contra Ele, em
como lhe tirariam a vida” (Marcos 3:6).
Jesus
vendo a estranheza deles fez uma pergunta ingênua: “Nunca lestes a Bíblia?”
Provavelmente a pergunta se transformou em provocação. Não era admissível que
um fariseu não fosse um assíduo leitor da Bíblia. Claro que os fariseus liam a
Bíblia. O problema deles era semelhante a muitos leitores de hoje. Apenas veem
na Bíblia aquilo que lhes interessam. E essa é a causa de temos a Babilônia
religiosa de nossos dias.
Jesus
não deixou os líderes religiosos de então fora do Seu projeto missionário.
Mesmo usando de toda a prudência e amor, ao mexer nessa caixa preta o Salvador
estava correndo risco de morte.
Terça
Na ierarquia militar romana o centurião era o sexto na cadeia de comando de
uma legião. Abaixo dele tinha o Optio que era o adininistrador da centuria e os
soldados. Acima dele estavam por ordem: General, Legado, Prefeito do acampamento, Tribuno e
o Centurião-Chefe. Ele tinha oitenta e três homens sob o seu comando (Outros escritores afirmam
que ele comandava cem homens). Ele era a
espinha dorsal do exército romano. Um centurião recebia esse título pelos atos de bravura
que praticava enquanto soldado.
É curioso que o centurião mencionado por Mateus estava
desesperado. O motivo não era a doença de um filho ou de um soldado de
destaque. Era um servo. Tais pessoas, via de regra, não desfrutavam de nenhuma
consideração por parte de seus senhores ainda mais sendo esse um militar.
A Bíblia apresenta dois casos onde temos a presença de um
centurião. Foi um centurião que comandou a prisão e morte de Jesus. “E o
centurião, vendo o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Na
verdade, este homem era justo” (Lucas 23:47). E foi um centurião que escoltou
Paulo e os demais prisioneiros por ocasião do naufrágio. “Mas o centurião cria
mais no piloto e no mestre, do que no que dizia Paulo” (Atos 27:11).
Com certeza um centurião era odiado pelos judeus. Qualquer motim dentro do
império romano cabia ao centurião sufocá-lo. Provavelmente ele tenha procurado
todos os recursos médicos da época. Condições para isso ele tinha. Restava
apenas uma esperança: um Andarilho judeu que serpenteava por aquelas regiões. Alguém
que estava despertando a atenção do exército romano. Praticamente Jesus era um
inimigo em potencial. Diante de tudo isso o centurião tomou algumas decisões.
Ele se humilhou. Não se julgava dígno de receber Jesus em sua casa que, por
sinal, não era qualquer casa. Ele despertou fé. “Fala apenas uma palavra e meu
criado será curado.”
Jesus não só curou o servo daquele militar como usou a
sua atitude para mostrar que enquanto os judeus (que estavam perto) O
rejeitavam, vinham pessoas de “longe” à procura de salvação. “E maravilhou-se
Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem
mesmo em Israel encontrei tanta fé. Mas eu vos digo que muitos virão do oriente
e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino
dos céus; E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá
pranto e ranger de dentes” (Mateus 8:10-12).
Quarta
A
lição de quarta feira apresenta a difícil peregrinação de Jesus pelos tribunais
e autoridades horas antes de Sua morte. Confesso que fiquei tocado ao ler a
nota da pergunta quatro. Creio que qualquer coisa que eu venha a escrever a
respeito servirá apenas para ofuscar a beleza do comentário do autor da lição.
Apena
vou transcrever a parte final da nota: “Não obstante o aparente insucesso do
testemunho de Jesus diante de homens poderosos, algo maravilhoso aconteceu,
pois, de acordo com Atos 6:7, não apenas o número de discípulos se multiplicou,
mas “um grande número de sacerdotes obedeciam a fé” (NVI). Somente Deus sabe
quantos desses sacerdotes estavam ouvindo e assistindo Jesus naquelas horas
finais.”
Quinta
É
comovente ver o fervor dos apóstolos no livro de Atos dos Apóstolos. Eles foram
destemidos, intrépidos, despojados e incansáveis na pregação do evangelho. Eles
acreditaram na promessa feita por Jesus: “Na verdade, na verdade vos digo que
aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do
que estas, porque eu vou para meu Pai” (João 14:12).
Essa promessa é extensiva a todos nós que vivemos no tempo do fim. A
promessa divina é que a explosão evangelística que aconteceu nos dias dos
apóstolos se repetirá com maior força nos dias finais da história desse mundo.
Para a nossa alegria o livro de Atos dos Apóstolos ainda não foi concluído.
Falta o capitulo final narrando os
feitos da igreja de nossos dias. Caso algum de nós não esteja disposto a escrever uma
parte desse capitulo, dificilmente teremos o nosso nome no Livro da Vida.
O
que temos feito para dar sequência a esse relato monumental? Como tem sido a
nossa participação na pregação desse evangelho eterno? “Deus poderia ter confiado aos anjos celestiais à
mensagem do evangelho e toda a obra de amoroso ministério. Poderia ter
empregado outros meios para realizar o Seu propósito. Mas em Seu infinito amor
preferiu tornar-nos cooperadores Seus, de Cristo e dos anjos, a fim de que
pudéssemos participar da bênção, da alegria e do reerguimento espiritual que
resultam desse abnegado ministério” (Caminho a Cristo, pág. 79).
“A igreja é
o instrumento apontado por Deus para a salvação dos homens. Foi organizada para
servir, e sua missão é levar o evangelho ao mundo” (Atos dos Apóstolos, p. 9). “O
evangelho possui ainda o mesmo poder, e por que não deveríamos testemunhar hoje
idênticos resultados?” (Beneficência Social, p 15).
“A
turbulência vulcânica geralmente fica oculta sob a crosta da montanha... Da
mesma forma, o potencial explosivo do movimento de Jesus permaneceu escondido
durante o Seu ministério terreno. Entretanto, após a Sua ressurreição, o reino
entrou em erupção, evidenciada pelas conversões em massa, mesmo entre pessoas
influentes” (Lição, p. 113).
Sabemos
que uma segunda explosão faz parte do cronograma de Deus. Essa explosão
acontecerá quando nós, como igreja, desvencilharmos das coisas desse mundo e
dedicarmos por inteiro ao plano divino. Aí, então, o Senhor fará grandes coisas
por nós.
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