Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e dois a
vinte e nove de março de 2014 preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor
do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para
qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia –
Central de Taguatinga, DF.
Introdução
O mundo está cheio
de igrejas descompromissadas com as doutrinas bíblicas. No Brasil é muito fácil
ser cristão, ainda mais viver o cristianismo como milhares pregam. O verdadeiro
discípulo é aquele de se propõe a andar como Ele andou. Isso envolve situações
como abrir mão da ganância e desejo de possuir riquezas. Envolve também, apego
aos princípios bíblicos. Estes, aparentemente, tolhem muitos dos nossos desejos
e limitam as nossas ações.
Muitos
discipuladores estão oferecendo um Céu aqui na Terra. O discípulo receberá
todas as bênçãos a nós prometidas no Céu já enquanto vive aqui. Milhares se
tornam discípulos com o objetivo de alcançá-las e usufruí-las nesta vida.
Bênçãos materiais, geralmente é o carro chefe de suas pretensões.
São
tantas as promessas que o Céu perde o significado e o desejo de viver lá desaparece
como o gelo que se desfaz sob qualquer alteração do clima. Ser discipulador e
ser discípulo envolve muito mais do que muitos pregam e ensinam hoje.
Muitos
discípulos ao invés de pagar o preço do discipulado esperam receber paga por
isso. Não estão dispostos a abrir mão
das bênçãos oferecidas ainda nesta vida como riquezas, felicidade, respeito e
status. O caminho a ser trilhado pelos verdadeiros discípulos de Cristo exige
abrir mão de tudo isso. Aliás, tudo pode acontecer a um fiel discípulo, porém
não como recompensa ou paga pela sua decisão.
Paulo
pagou um alto preço como discípulo e como discipulador. Disse ele: “Senão o que
o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões
e tribulações” (Atos
dos Apóstolos 20:23) e mais: “E também todos os que piamente
querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Timóteo 3:12).
Ser
discípulo tem um custo muito alto. E por que tantos no passado voluntariamente
foram discípulos e passaram pela vida sem reclamações e sem questionamentos? O
próprio Paulo dá a resposta: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando
nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram” (2 Coríntios 5:14).
É o amor a Cristo que torna o Seu jugo suave e quase imperceptível.
Domingo
Se o que
caracteriza o evangelho é a união entre os irmãos, como Jesus se apresenta como
Aquele que divide as pessoas e estabelece indiferenças e contrastes? Aliás, a
Sua própria declaração se apresenta como o maior contraste da história. Disse
Ele: “Cuidais vós que vim trazer paz a terra? Não, vos digo, mas antes
dissensão;
Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três” (Lucas 12:51-52).
Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três” (Lucas 12:51-52).
Ele declarou: “Vim lançar fogo na
terra; e que mais quero, se já está aceso?” A resposta a essa pergunta está nas
milhares de fogueiras que os perseguidores ascenderam para tirar a vida
daqueles que colocaram Cristo em primeiro lugar. Esse processo divisionário se
estabeleceu logo no início do Seu ministério (Lucas 12:49).
“E havia grande murmuração entre a multidão a respeito
dele. Diziam alguns: Ele é bom. E outros diziam: Não, antes engana o povo” (João 7:12).
Sejamos repetitivos e voltemos a Paulo: “E também todos os que piamente querem
viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Timóteo 3:12).
A vida
cristã não é um mar de rosas como muitos apregoam por aí. Para muitos a decisão
de aceitar a Cisto como o Seu salvador marca o início de muitas tribulações.
Mesmo assim a promessa de Deus é: “Muita paz têm os que amam a tua lei, e para
eles não há tropeço” (Salmos
119:165).
Segunda
Em Lucas 14:27, Jesus apresenta a
condição “sine qua non”
para ser seu discípulo. Sem a disposição de tomar a cruz de Cristo sobre os
ombros não tem como testemunhar Dele para o mundo. É interessante que a nossa
vontade carnal deseja tudo o que está ao nosso redor. Ela nos direciona para
uma visão horizontal de nossas vontades. É nessa condição que deparamos com a
vontade divina que vem de cima. Ela cruza com o nosso querer humano e
estabelece uma área de conflito. Renunciar o nosso querer e aceitar a direção
divina em nossa vida é aceitar a cruz de Cristo.
Quando
Jesus adiantou para os discípulos o que aconteceria com Ele em Jerusalém, Pedro
disparou com uma severa repreensão: “E Pedro, tomando-O de parte, começou a
repreendê-Lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de Ti; de modo nenhum Te
acontecerá isso” (Mateus
16:22).
É
interessante que o argumento usado por Pedro foi: “tem compaixão de Ti”. Esse é
o mesmo argumento usado por Satanás em todos os tempos. O jovem rico teve
“compaixão” de si mesmo e recusou a vender as suas posses e dar aos pobres. O
egocentrismo falou mais alto. Ele se recusou a ter compaixão pelos pobres e
preferiu ter compaixão de si mesmo.
Como
pode uma pessoa recusar um trabalho que o tornará milionário dentro de pouco
tempo apenas por causa do sábado. Como é ver os seus filhos privados de algum
bem só por causa disso? Não será falta de compaixão para consigo mesmo a para
com a sua família? Jesus foi claro. Tomar a Sua cruz é estar disposto a ser
perseguido, preso, odiado, maltratado e morto por Ele.
Em
minhas corridas nas madrugadas encontro com muitos moradores de rua e às vezes
converso com eles. Nesta semana uma cadelinha magricela acompanhava um deles e,
ao me aproximar, veio veloz em defesa do seu dono. Um dono que não tem nada para
lhe oferecer. Mas o amor da paupérrima Tekita é incondicional. Jesus nos ama
tanto e nos oferece vida eterna. E quantos, no momento crucial, se recusam a
carregar a Sua cruz e O abandonam a mercê de escárnio e impropérios.
Terça
Jesus
esclarece que tomar a Sua cruz e segui-Lo deve ser uma atitude bem pensada. Ela
envolve renunciar riquezas, conforto, prazeres, amizades, fama e muito mais.
Ele nos aconselha a medir as consequências e depois então, estaremos em
condições de ser um de Seus discípulos. “Assim, pois, qualquer de vós, que não
renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:33).
“Olhando
para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que Lhe estava proposto,
suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-Se à destra do trono de
Deus” (Hebreus
12:2). Suportar a cruz é o desafio proposto a cada discípulo.
O bom atleta de tudo se abstém. Diz Paulo: “E todo aquele que luta de tudo se
abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma
incorruptível” (1
Coríntios 9:25).
Pedro apresenta nove qualidades de um
verdadeiro discípulo. Ele menciona: “E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude,
e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, E à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade” (2 Pedro 1:5-7).
A nota da pergunta de terça-feira esclarece
que tudo em nossa vida deve ser entregue a Cristo e qualquer coisa não entregue
será o nosso ídolo e ocupará o Seu lugar em nosso coração. Para alcançarmos vitória Ele “nos oferece
poder para vencer nossos defeitos de caráter. Cada apetite, emoção e inclinação
intelectual podem estar sob a orientação de Seu Espírito”.
Quarta
Hoje,
antes de começar a trabalhar no comentário da Lição, estive meditando em um dos
grandes privilégios que teremos no Céu. Conversar com patriarcas do passado e
saber como foram as suas experiências com Deus. Que tal um papo com Enoque? E o
que ouviremos de Isaque quando ele falar de sua experiência sobre o altar vendo
o cutelo reluzindo ao Sol pronto para ceifar a sua vida? Serão encontros que
por si só já compensa estarmos lá. E você já imaginou o que representa ouvir de
Cristo a Sua experiência no Calvário e sabedor de que todo o Seu sofrimento foi
para que tivéssemos vida com abundancia?
Sabemos
que o Céu encerra muito mais do que esses flashes de glória. Diante dessas
maravilhas será fácil concluirmos que a nossa leve e momentânea tribulação não
significa nada.
O jovem
rico fez uma tomada de preço e concluiu que seguir a Jesus envolveria um alto
custo, ou seja, perderia toda a sua fortuna. Ao vê-lo se retirar, Pedro fez um
rápido balanço de sua vida e concluiu que havia deixado tudo para seguir o
Mestre. Parece que para Pedro a coisa foi mais fácil. Ele possuía apenas uma
parte de um barco velho. Mas ele foi mais além. Então pergunta: “Eis que nós
deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos?” (Mateus 19:27).
Pedro esperava ser recompensado. Jesus
entendeu o seu lado humano de ver as coisas e respondeu: “E todo aquele que
tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos,
ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida
eterna” (Mateus
19:29).
Porém, o mais importante que Pedro deixou não
foi apenas o barco. Ele deixou para traz a sua impetuosidade, a sua valentia (tentou
assassinar o servo do sumo sacerdote) deixou também a sua covardia. Cada um de
nós paga um preço. Pode ser um barco velho mas, talvez, o seu valor sentimental
supere em muito o valor monetário.
Por que não cantarmos com mais fervor:
“Compensa servir a Jesus mais e mais”?
Quinta
A
primeira ressurreição vai identificar o grupo daqueles que ouvirão Cristo
dizer: “...Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está
preparado desde a fundação do mundo” (Mateus 25:34).
Essas pessoas viveram situações extremas e muitas delas morreram de maneira
heroica. Elas saberão contar o preço que pagaram para participar da primeira
ressurreição.
Por outro
lado, outro grupo aceitou as insinuações do inimigo. “O inimigo hoje compra
almas a preço bem baixo. "Por nada fostes vendidos" (Isa. 52:3), é a
linguagem das Escrituras. Um vende a alma pelos aplausos do mundo, outro por
dinheiro; um para satisfazer a paixões baixas, outro por diversões mundanas.
Essas transações são efetuadas diariamente. Satanás faz ofertas por aqueles que
são aquisição do sangue de Cristo, e compra-os a baixo preço, apesar do preço
infinito pago pelo seu resgate” (Testemunhos Seletos - Volume 2, 28).
A
vida do verdadeiro discípulo é renunciar uma vida de vanglorias por um futuro
“mais excelente” e, mais do que isso: influenciar pessoas, quantas for
possível, a fazer o mesmo.
Conclusão
A
parte de sexta-feira mostra o horripilante quadro do fim de todas as coisas. A
terra em convulsão sendo abrasada pelo fogo que consome raiz e ramo. Mais uma
vez me vem à lembrança um colportor que conheci. Ao ver os grandes edifícios
das grandes metrópoles e o surrupiar de pneus pelas ruas ele dizia: “Tudo está
pronto para o fogo do Malaquias.” Milhões querem viver apenas o hoje sem
externar qualquer preocupação com esse amanhã que se aproxima.
Ao
ver as renuncias que fazemos muitos nos consideram um pequeno grupo de idiotas
que vivem a utopia de um mundo melhor. Mas a Pátria que buscamos existe e já
podemos divisar os seus alvores. Enquanto os fundamentos da Terra vacilam, nós
semelhante a Abraão e os demais heróis da fé, buscamos a cidade que tem
fundamento. “Porque esperava a cidade que tem fundamentos,
da qual o artífice e construtor é Deus”
(Hebreus 11:10).
(Hebreus 11:10).
Esta é a
cidade que espera por cada discípulo que na undécima hora de nosso mundo se
torna um discipulador.
No próximo sábado novo trimestre, nova lição
com um novo tema. Aproveitemos essa oportunidade para renovarmos a nossa fé e a
nossa confiança na graça de Cristo.
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