domingo, 30 de março de 2014

Leis no tempo de Cristo

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e nove de março a cinco de abril de 2014, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, Uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Na minha cidade existia um único médico que era ateu. Toda a cidade admirava a sua bondade e generosidade que superava a de muitos religiosos. Ninguém saía do seu consultório sem ser atendido, tivesse dinheiro ou não. Era uma pessoa boníssima. No seu entendimento ser bom ou não em nada alteraria o seu futuro após a morte. Por que ele agia assim?

Alguém afirmou: Significa que todos os humanos têm uma consciência, mesmo que eles não tenham a lei de Deus nos seus corações eles agem segundo a sua consciência, que é uma dádiva divina.”

O pai de John Stott era um inglês agnóstico. O Dr. Stott se converteu ao cristianismo e se tornou um estudioso da Bíblia. Fez teologia e escreveu mais de quarenta livros. Comentando Romanos 2:14 ele afirma: Não existe nação tão oposta a tudo quanto é humano que não se mantenha dentro dos limites de algumas leis. Visto, pois, que todas as nações se dispõem a promulgar leis para si próprias, de seu próprio alvitre, e sem serem instruídas para agirem assim, é além de toda e qualquer dúvida que elas conservam certa noção de justiça e retidão.”

E continua, “Os gentios possuem uma lei, embora não possuam a lei escrita por Moisés, não são completamente destituídos de conhecimento da retidão e da justiça. De outra forma, não poderiam distinguir entre vício e virtude. Paulo contrasta a natureza com a lei escrita, significando que os gentios possuíam a luz natural da justiça, a qual supria o lugar da lei [escrita], por meio da qual os judeus são instruídos, de modo a se tornarem lei para si próprio.”

No estudo desse trimestre vamos ver a relação de Cristo com a Lei moral dos Dez mandamentos e, na lição específica dessa semana, veremos as leis que vigoravam nos dias de Cristo. Ao conhecê-las teremos uma melhor clareza para compreendermos o sentido exato do que é a Lei de Cristo.

Nações cristãs ou não tem as suas leis e em muitos casos, no que tange aos relacionamentos interpessoais, elas se assemelham com a Lei divina dos Dez Mandamentos. Caso Deus não tivesse implantado em cada ser uma noção do certo e do errado o mundo se tornaria inviável. Essa noção nem sempre serve de norte para todas as nossas atitudes. É a lei de Deus que deve nortear todas as nossas ações e o nosso comportamento.

Domingo

            Pompeu dominou toda a Itália e submeteu a Palestina ao seu domínio poucos anos antes do nascimento de Cristo. Aos 59 anos de idade ele foi derrotado por seu rival Augusto César e, este, criou o império Romano.         

A extensão do Império Romano abrangia uma vasta área geográfica, na qual estavam integrados diferentes povos. Para governar e administrar eficientemente o Império foi necessário criar um conjunto de leis que se ajustassem a todos os habitantes do mundo romano. Foi, então, neste contexto que os romanos criaram o direito romano, conjunto de regras jurídicas aplicadas inicialmente em todo o território do Império.

Quanto à abrangência do recenseamento, para alguns comentaristas, era universal enquanto para outros era regional e cada pessoa deveria fazê-lo em sua cidade natal.  Pelo que parece, não havia motivos que poupasse alguma pessoa de fazê-lo na data estipulada. Caso houvesse Maria não teria feito essa viagem tão incômoda.

Por outro lado, vemos José e Maria submissos às leis de seu tempo mesmo sob situações difíceis. Provavelmente José tenha sido o chefe de família que mais dificuldades tiveram para cumprir a ordem do imperador. Ele deixa uma lição para muitos nos dias de hoje que mais questionam do que obedecem às leis vigentes.

Augusto Cesar deu autonomia para que as terras subjugadas mantivessem as suas tradições e suas leis desde que não conflitassem com os princípios do seu império. Nos dias de Jesus a Palestina estava sob o seu domínio. Mesmo assim, era permitido que a nação judaica mantivesse as suas leis, tradições e costumes.

            Na minha juventude trabalhei em uma empresa dirigida por adventistas. Certa vez eu participava de um bate papo informal com alguns membros da diretoria. O assunto girava em torno de impostos. Foi então que o tesoureiro mencionou um em especial e o presidente logo completou: “E desse não tem como escapar.” Péssimo testemunho.

Segunda

            Mesmo sob o jugo romano os judeus tinham a liberdade de manter em vigor as suas leis que norteavam o sentido do direito. E foram com essas leis apoiados por testemunhas que uma pessoa seria condenada ou não. Perante essas leis Jesus foi íntegro. Porém, o mau uso delas O condenou à morte. Não foi difícil encontrar pessoas que testemunhassem falsamente contra Ele.

Um esclarecimento. Segundo muitos pregadores por aí, Deus era mau no Velho Testamento e, no Novo Testamento, passou por uma metamorfose radial e Se tornou bonzinho e amável. Deus abomina o pecado, mas ama o pecador. Quando Israel deliberadamente pecava contra Ele e começava a adorar ídolos, Deus aplicava a disciplina, mas os livrava cada vez que se arrependia de sua idolatria. Da mesma forma O vemos Se relacionando com os cristãos no Novo Testamento. Por exemplo, Hebreus 12:6 nos diz que “porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho.”

Tanto o Velho quanto o Novo Testamento foram dados para fazer o homem “sábio para a salvação” (II Timóteo 3:15). Quando estudamos mais de perto, o Velho e o Novo Testamento compreendemos que, em ambos, Deus é amor. Nós é que estabelecemos as diferenças por falta de um melhor conhecimento deste Deus que não muda. “Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” (Malaquias 3:6).

Veja que na Bíblia Deus estabelece uma diferença de tratamento entre aqueles que O conhecem e aqueles que não O conhecem. Ele estipulou leis específicas para o tratamento e proteção dos estrangeiros. Eles não conheciam os princípios de amor de Deus que regem o Universo. Para com os escravos também havia uma legislação específica de proteção e amparo. Mas ao tratar especificamente com Israel que conhecia plenamente a vontade divina e era o guardião de Suas normas e preceitos, Deus, muitas vezes, agia de maneira corretiva, ou até punitiva, para que se arrependessem. Era, também, uma advertência para os demais de que a transgressão não ficaria impune. Em todos os tempos “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 6:23). Tanto o Seu método de salvação como a Sua justiça continuam os mesmos desde o Éden.

Mesmo com todos esses exemplos do passado muitos cristãos hoje tratam a Deus com zombaria e desrespeito. Mas Ele vai trazer a Juízo todas as coisas. E isso ficou bem evidenciado no Seu relacionamento com Israel no passado. “Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1 Coríntios 10:11).

Terça

            Jesus nasceu sob a égide da Lei cerimonial e Ele era o centro de toda essa Lei. Todo o cerimonial de sacrifícios realizado desde o Éden e que passou pelo Santuário Terrestre, pelo primeiro e segundo templo, apontava para o Messias que um dia viria como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

            A Lei cerimonial vigorou até o momento em que o véu do templo se rasgou de cima para baixo deixando em comum o santo e o santíssimo. Enquanto o sacerdote levantava o cutelo para sacrificar mais um cordeiro, Jesus morre no Calvário e o animal escapa. Sobre este significativo momento para a raça humana fala Ellen G. White: O sacerdote está para matar a vítima; mas o cutelo cai-lhe da mão paralisada, e o cordeiro escapa. O tipo encontrara o antítipo por ocasião da morte do Filho de Deus. Foi feito o grande sacrifício. Acha-se aberto o caminho para o santíssimo” (O Desejado de Todas as Nações, p. 757).

            Pena que muitas religiões pregam, sem fundamentação bíblica, que a morte de Jesus anulou todas as leis bíblicas vigentes na época incluindo os Dez Mandamentos. A morte de Jesus anulou a Lei Cerimonial porque essa existia única e exclusivamente por causa da transgressão da Lei de Deus.  O sacrifício de Jesus foi efetivado justamente para que os transgressores da Lei dos Dez Mandamentos tenham os seus pecados perdoados mediante arrependimento, confissão e abandono dos mesmos. Jesus morreu no lugar do pecador que deveria morrer por causa de suas transgreções. O pecador arrependido tem os seus pecados expiados no sacrifício de Cristo.

 

 

 

Quarta

            Em 1935 os nazistas criaram a Lei de Nuremberg que proibia o casamento entre judeus e alemães. O curioso é que muito antes dessa, foi instituída a Lei Rabínica que impede o casamento entre judeus e não judeus... Ela perdura até hoje. Esse é um claro exemplo de lei dos rabinos.

Além das leis rabínicas escritas existiam também as leis orais que eram passadas de pais para filhos. Esse conjunto de leis orais denominado de Mishná foi desenvolvido após a época dos escribas, em 300 a.C. até o ano 200.d.C, e que foram compiladas pelo rabino Judah Hanassi num livro que leva o próprio nome Mishná.

Para Walter Rehfeld, professor e doutor na área de filosofia da religião, todos os mandamentos foram dados a Moshe (Moisés) no Sinai junto com sua interpretação. O que foi escrito por Deus nas Tábuas de pedra corresponde a Torá. Lembrando que a Torá corresponde aos cinco livros do Pentateuco atribuídos a Moisés e foi ditado por Deus a Moisés no monte Sinai. Os Mandamentos seriam a sua interpretação. E acrescenta: “nós fomos ordenados a cumprir a Torá, de acordo com os Mandamentos. Este Mandamento é chamado de Lei oral”. Rehfeld confunde um pouco as coisas, pois apenas os Dez Mandamentos foram escritos em pedra e são eles que devem ser observados. Eles resumem não só o Pentateuco, mas toda a Bíblia. Apenas as ordenanças cerimoniais cessaram com a morte de Jesus. 

A lei oral seria como uma regulamentação da lei escrita. Por exemplo: guardar o sábado é um dos Dez Mandamentos, mas nenhum detalhe (dizem os comentaristas judeus) é fornecido sobre como deveria ser guardado, e essa orientação está na tradição oral. Dá para entender as causas dos constantes conflitos existentes entre Jesus e os rabinos que eram o braço direito dos fariseus, considerados os mais zelosos do cumprimento da Lei. Jesus realizou sete curas no sábado, o que para os judeus, seria uma contumácia (teimosia premeditada) na transgressão do sábado.

            Continuando o nosso estudo é oportuno um lampejo sobre o Talmud. Ele é uma compilação, que data de 499 d.C., de leis e tradições judaicas, consistindo-se em sessenta e três tratados de assuntos legais, éticos e históricos. Segundo Tev Djmal, comentarista judeu, “o Talmud define e dá forma ao judaísmo, alicerçando todas as leis e rituais judaicos. Enquanto o Chumash (o Pentateuco, ou os cinco livros de Moisés) apenas alude aos Mandamentos, o Talmude os explica, discute e esclarece. Não fosse este, não entenderíamos e muito menos cumpriríamos a maioria das leis e tradições da Torá e o judaísmo não existiria”. O Talmude reforça e esclarece toda a regulamentação da lei feita pelos judeus.

Quinta

            O jovem rico tinha o conhecimento e a prática de toda a lei dos Dez Mandamentos como acontecia com qualquer bom judeu. A prática da Lei e a observância dela faziam parte do estilo de vida desse povo.

            Para os judeus o mandamento mais respeitado e que os tornavam realmente diferentes das demais nações do mundo era e é o sábado. E esse era o mandamento mais carregado de praxes esdrúxulas, praticas essas que mantinham o comportamento de Cristo sob contínua suspeita. Tanto assim, que Jesus evitava mencioná-lo, pois além de chover no molhado era mais um motivo para acirrar o ânimo dos judeus. Para eles, o Mestre não tinha moral para falar de sua observância uma vez que realizava curas nesse dia.

            Deus confiou ao povo judeu a responsabilidade de apresentar ao mundo a Sua vontade e refletir o Seu amor para com a humanidade. Mas ao mesmo tempo em que eles pregavam a lei se esqueciam do seu principal conteúdo: o amor. Enquanto pregavam “Não matarás” arquitetavam como tirar a vida de Cristo. O seu zelo pelo sábado era tão doentio que dentro desse macabro planejamento tudo foi feito cuidadosamente para que não acontecesse nas horas do santo dia.

            Ellen G. White afirma: “Quando Jesus veio a Terra, os judeus como nação haviam perdido o conhecimento do caráter de Deus. Embora reivindicassem ser o mais exaltado entre todos os povos, eles não observavam os mandamentos de Deus. Não refletiam o amor, que é o caráter de Deus” (The Youth’s Instructor, 26 de julho de 1894). Qualquer um deles sabia a Lei de cor, porém estavam longe de praticar a sua essência.

Conclusão

            No estudo adicional de sexta-feira encontramos a observação de que “os judeus sobrecarregaram a lei com regras que não foram planejadas por Deus.” Essa sobrecarga ao mesmo tempo em que demonstrava um zelo especial dos judeus para com a lei transmite a idéia de que Deus a fez incompleta. Isso significa um acinte à soberania divina.
                Deus nos criou e sabe o que é melhor para resguardar a nossa integridade e o nosso relacionamento com o próximo e com Deus. Se a “lei é santa justa e boa” não há como melhorá-la. Ela é completa e dispensa complementos e regulamentações.  Qualquer atitude nesse rumo deturpa o seu real sentido de existir. Jesus deixou isso bem claro

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