Comentário
da Lição da Escola Sabatina de primeiro a oito de março de 2014, preparado por
Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a
Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Ó título da
lição traduz uma ideia difícil de ser aceita pelos judeus nos dias de Jesus.
Para eles a possível agremiação de outros povos ao “evangelho” vivido por eles
era um acinte à pureza da etnia judaica. Eles não pregavam a sua religião para
ninguém. Imagina se alguém aceitasse viver como os judeus viviam! Isso seria um
sacrilégio para eles.
Jesus chegou quebrando todos os
paradigmas de então. Ele constituiu em uma ameaça a pureza da raça ao se
relacionar com publicanos, samaritanos, gregos, fenícios e a todos quantos se
achegavam a Ele independente de sua raça e origem. Aliás, Ele mesmo procurava
Se relacionar com essas pessoas.
Dentro do plano divino os judeus
deveriam anunciar as virtudes Daquele que os chamou para a Sua maravilhosa luz.
Eles não eram melhores do que ninguém. Foram escolhidos por Deus porque era
necessário que alguém nesse mundo fosse o interlocutor entre Deus e a
humanidade. Ao invés de anunciar o amor de Deus para o mundo eles se
encasularam dentro de si mesmos e construíram barreiras para dificultarem a
aproximação. Agiram de maneira egoísta e sectária.
Desde que Abraão foi convidado a
sair de Ur dos Caldeus, Deus estava preparando um povo para representá-Lo nesse
mundo. Cada altar que o patriarca erguia no transcorrer de sua jornada era uma
testemunha muda de que Deus é o criador e o redentor da humanidade.
Durante todo o tempo em que Israel
existiu como nação ele se recusou a testemunhar de Deus para a humanidade.
Procedendo assim, aconteceu o contrário, eles absorveram com facilidade os
costumes e os deuses dos povos vizinhos e chegou a um ponto em que Deus disse,
basta.
Jesus
mostra, na prática, para os judeus como eles deveriam ter vivido. O Senhor
convida a todos e insiste para que participem da festa. Eles falharam na missão
e Deus passou a usar “pecadores” para testemunhar de Seu amor perante o mundo.
O
desafio lançado por Jesus atravessou gerações e chegou até nós. IDE e fazei
discípulos de todas as nações. Se falharmos as próprias pedras clamarão.
Domingo
No capitulo
cinco de seu livro Isaias descreve
um paradoxo. Ao mesmo tempo em que ele relembra a oração de Salomão ele mostra
a atitude dos judeus para com o conteúdo dessa oração. O templo deveria ser uma
casa de oração para todos os povos porem, os judeus arbitrariamente
restringiram esse privilegio apenas para si
Isaias apresenta a quem se destinava
o templo e fica bem claro que seria para qualquer pessoa independente de sua
origem ou classe social. Diz o texto: “E aos filhos dos
estrangeiros, que se unirem ao Senhor, para o servirem, e para amarem o nome do
Senhor, e para serem seus servos, todos os que guardarem o sábado, não o
profanando, e os que abraçarem a minha aliança” (Isaías 56:6).
Nos
versos seguintes o profeta apresenta o triste destino do templo impingido pelos
judeus. Ele se tornou uma propriedade pessoal e de uso exclusivo deles. “E estes cães são
gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos
eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua
parte” (Isaías 56:11). De maneira
incisiva Jesus colocou essa situação para os judeus de Seus dias: “Mas ai de vós, escribas
e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós
entrais nem deixais entrar aos que estão entrando” (Mateus 23:13).
Jonas
foi um exemplo claro do comportamento do povo Judeus. Ele queria a salvação
apenas para si. É impressionante como um profeta sectarista como Jonas podia
imaginar estar em um Céu feito apenas para ele e seus iguais. Esse era o triste
pensamento dos judeus nos dias de Jesus.
Quão
longe viveu o povo Judeu dos sonhos de Deus de salvar toda a humanidade. Quão
distantes eles foram dos ideais propostos por Deus na oração de Salomão: “E também ouve ao
estrangeiro, que não for do teu povo Israel, quando vier de terras remotas, por
amor do teu nome” (1 Reis 8:41).
Segunda
A
luta de Jesus para que o povo judeu entendesse
por completo qual foi o propósito divino em situá-lo em uma condição tão
privilegiada e com propósitos tão bem definidos foi imensa. Em nenhum momento
ele excluiu esse povo de Seus planos. Mas excetuando casos isolados a
resistência foi quase unânime.
Ele mostrou que se outros povos tivessem
recebido o mesmo convite, com certeza teriam aceito o plano da salvação. “Ai de ti, Corazim! ai de
ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em
vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. Por
isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do
que para vós. E tu, Cafarnaum, que te ergues até ao céu, serás abatida até ao
inferno; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se
operaram, teria ela permanecido até hoje” (Mateus 11:21-23).
Uma
vista rápida desses versículos deixa transparecerem que Jesus não insiste de
igual maneira para que todos sejam salvos.
Mas creio que foi um recurso usado pelo Céu para que essas cidades
atendessem a chamada de amor.
Depois de mostrar a rebeldia dessas cidades
Ele chorou sobre Jerusalém.
“Jerusalém, Jerusalém,
que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis
eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das
asas, e tu não quiseste!” (Mateus 23:37).
Esse “ai de ti” pode soar também aos nossos ouvidos caso
recusemos viver de maneira digna como verdadeiros filhos de Deus. Esse AI
pesará sobre as cabeças de todos aqueles que conhecendo a verdade vivem de
maneira relaxada e indiferente aos reclamos de Deus. Será um ai semelhante ao
dos judeus que se colocavam na porta do Céu. Eles não entravam e impediam que
os estrangeiros entrassem.
Terça
Jesus estava vivendo a sua última semana na Terra. Na sua
pomposa entrada em Jerusalém Ele foi efusivamente aplaudido pela multidão.
Ellen G. White descreveu aquele momento: “Nunca
dantes vira o mundo um cortejo triunfal como esse. Não se assemelhava ao dos
famosos conquistadores da Terra. Não fazia parte daquela cena nenhuma comitiva
de lamentosos cativos, como troféus da bravura real. Achavam-se em torno do
Salvador os gloriosos troféus de Seus serviços de amor pelo homem caído.
Estavam os cativos a quem resgatara do poder de Satanás, louvando a Deus por
sua libertação. Os cegos a quem restituíra a vista, abriam a marcha. Os mudos
cuja língua soltara, entoavam os mais altos hosanas. Saltavam de alegria os
coxos por Ele curados, sendo os mais ativos em quebrar os ramos de palmeira e
agitá-los diante do Salvador. As viúvas e os órfãos exaltavam o nome de Jesus
pelos atos de misericórdia que lhes dispensara. Os leprosos a quem purificara,
estendiam na estrada as vestes incontaminadas, ao mesmo tempo que O saudavam
como Rei da glória. Aqueles a quem Sua voz despertara do sono da morte, tomavam
parte no cortejo. Lázaro, cujo corpo provara a corrupção no sepulcro, mas que
então se regozijava na força da varonilidade gloriosa, conduzia o animal que
Jesus montava” (O Desejado de Todas as Nações, p. 572).
Depois de toda essa euforia
o Salvador via de perto o que logo lhe aconteceria. Adensavam as sombras do
Calvário. Foi nesse contexto que Ele recebeu um pedido especial. Em meio da
multidão que afluiu a Jerusalém para a Páscoa estavam ali alguns gregos. Eles
vieram de longe com um único propósito. Desejavam conhecer Jesus.
“Ora, havia alguns gregos, entre os que tinham subido a adorar no dia da
festa.
Estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus. Filipe foi dizê-lo a André, e então André e Filipe o disseram a Jesus” (João 12:20-22).
Estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus. Filipe foi dizê-lo a André, e então André e Filipe o disseram a Jesus” (João 12:20-22).
Com certeza
esse pedido trouxe alento. Esses gregos não formavam uma grande multidão. Eram
apenas “alguns”. Via de
regra os gregos se consideravam os homens mais sábios do mundo. Mas com todo o
seu saber aquela visita tinha um objetivo especial. Deixando de lado todo o seu
conhecimento eles estavam desejosos de se abeberarem da sabedoria de Cristo. Anos
depois desse encontro disse Paulo: “Porque os judeus pedem sinal, e os gregos
buscam sabedoria” (1 Coríntios 1:22).
Aqueles gregos era um testemunho vivo de que a Sua morte não seria em vão.
Com aquele encontro deu para Jesus antever o cumprimento da profecia de Isaías
53:11: “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito...” Para
Jesus a Sua maior glória seria a conversão de judeus e estrangeiros. Que
momento significativo foi aquele! “E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a
hora em que o Filho do homem há de ser glorificado” (João 12:20-23).
Quarta
Prevendo a Sua ascensão Jesus disse: “Ainda um pouco de tempo estou
convosco, e depois vou para aquele que me enviou. Vós me buscareis, e não me
achareis; e onde eu estou, vós não podeis vir” (João 7:33-34). Essas palavras trouxeram
dúvidas entre os judeus. “Disseram, pois, os judeus uns para os outros: Para onde
irá este, que o não acharemos? Irá porventura para os dispersos entre os
gregos, e ensinará os gregos?” (João 7:35).
Para os judeus seria um alívio caso Jesus fosse pregar exclusivamente para
os gregos. Eles não entenderam que o Mestre estava convidando pessoas de todas
as raças para participar da grande ceia. Vendo que Ele insistia em admoestá-los
tomaram uma atitude drástica. Fizeram o maior insulto que um judeu poderia
ouvir. “Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Não dizemos nós bem que
és samaritano, e que tens demônio?” (João 8:48). Ser chamado de samaritano e ser
considerado um endemoninhado seria o fim da picada para um judeu.
Em resposta Jesus contou a parábola do bom samaritano. Ali estava Ele um
judeu disposto a fazer o papel do bom samaritano e curar as feridas de toda a
humanidade.
Quinta
Jesus não deixa dúvidas.
A salvação deve ser oferecida a todos os seres humanos que pisar sobre a
Terra. Ao longo dos milênios o IDE está soando pelos quatro cantos do mundo.
Imagino o espanto que se apossará de alguns judeus no
Juízo final quando contemplarem aquela longa mesa rodeada de publicanos,
samaritanos, gregos e bárbaros convertidos. O seu espanto não será maior que o
nosso quando contemplarmos determinados tipo de gente que hoje nos impõe medo e
pavor e que, naquele dia, estarão ao lado de Cristo usufruindo as bênçãos da
eternidade.
O que nos leva a considerar impossível a salvação para
muitos é a nossa visão falha da extensão da graça divina. Deus muda o que para
nós parece imutável.
A mensagem de salvação apresentada a Adão lá no Éden
atravessou milênios, percorreu vales e montanhas e chegou até nós. Somos a
continuidade do poder redentivo de Deus expresso em atos.
Quando eu era um adolescente ouvi o primeiro quarteto
masculino de nossa igreja (quarteto Harmonia) cantar “anunciai nas montanhas
proclamai por terra e mar, anunciai nas montanhas que Cristo vai chegar’. A voz
dos Três anjos de Apocalipse quatorze está fazendo tremer a Terra. O IDE resume
“um dever que Deus nos confiou”.
Sempre falo para as pessoas que eu tive o privilégio de
viver na melhor fase da história da Igreja e desse planeta. Vi a ciência se
multiplicar em todos os sentidos. Vi a nossa igreja, naquela época ainda
inespressiva, ganhar nome e se expandir pelo mundo. Vi a conversão de
alcoólatras, drogados, intemperantes e assassinos que, graças ao poder do
evangelho, se transformaram em colunas da Igreja e arautos da verdade.
Mas a nossa história como igreja ainda não terminou. A
promessa bíblica é: “Coisas maiores do que estas verás” (João 1:50).
Conclusão
Mardoqueu diante de um momento de crise para o povo de
Deus e, sabendo que só a rainha Ester poderia salvar a sua gente falou-lhe com
energia: “quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?” (Ester 4:14). A pergunta de Mardoqueu vem com
uma sombra de dúvida: “quem sabe...” No nosso caso essa dúvida não existe. Não
é por acaso que hoje chegamos a ser membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Na parte de sexta-feira tem uma frase que me chamou a atenção. Ela encerra
um pensamento que todos nós conhecemos desde a nossa conversão. Porém, nunca é
demais recordar. Diz: “Deus deu a cada um uma obra para fazer em relação ao Seu
reino.” Será que como membros da Igreja que, um dia resgatados do lixo desse
mundo, fomos transformados em “ouro fino de Ofir” estamos desempenhando a
responsabilidade que temos para com Deus e os homens?
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