segunda-feira, 3 de março de 2014

Fazendo discípulos de todas as nações

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de primeiro a oito de março de 2014, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Ó título da lição traduz uma ideia difícil de ser aceita pelos judeus nos dias de Jesus. Para eles a possível agremiação de outros povos ao “evangelho” vivido por eles era um acinte à pureza da etnia judaica. Eles não pregavam a sua religião para ninguém. Imagina se alguém aceitasse viver como os judeus viviam! Isso seria um sacrilégio para eles.

            Jesus chegou quebrando todos os paradigmas de então. Ele constituiu em uma ameaça a pureza da raça ao se relacionar com publicanos, samaritanos, gregos, fenícios e a todos quantos se achegavam a Ele independente de sua raça e origem. Aliás, Ele mesmo procurava Se relacionar com essas pessoas.

            Dentro do plano divino os judeus deveriam anunciar as virtudes Daquele que os chamou para a Sua maravilhosa luz. Eles não eram melhores do que ninguém. Foram escolhidos por Deus porque era necessário que alguém nesse mundo fosse o interlocutor entre Deus e a humanidade. Ao invés de anunciar o amor de Deus para o mundo eles se encasularam dentro de si mesmos e construíram barreiras para dificultarem a aproximação. Agiram de maneira egoísta e sectária.

            Desde que Abraão foi convidado a sair de Ur dos Caldeus, Deus estava preparando um povo para representá-Lo nesse mundo. Cada altar que o patriarca erguia no transcorrer de sua jornada era uma testemunha muda de que Deus é o criador e o redentor da humanidade.

            Durante todo o tempo em que Israel existiu como nação ele se recusou a testemunhar de Deus para a humanidade. Procedendo assim, aconteceu o contrário, eles absorveram com facilidade os costumes e os deuses dos povos vizinhos e chegou a um ponto em que Deus disse, basta.

Jesus mostra, na prática, para os judeus como eles deveriam ter vivido. O Senhor convida a todos e insiste para que participem da festa. Eles falharam na missão e Deus passou a usar “pecadores” para testemunhar de Seu amor perante o mundo.  

O desafio lançado por Jesus atravessou gerações e chegou até nós. IDE e fazei discípulos de todas as nações. Se falharmos as próprias pedras clamarão.

 

Domingo

            No capitulo cinco de seu livro Isaias descreve um paradoxo. Ao mesmo tempo em que ele relembra a oração de Salomão ele mostra a atitude dos judeus para com o conteúdo dessa oração. O templo deveria ser uma casa de oração para todos os povos porem, os judeus arbitrariamente restringiram esse privilegio apenas para si

            Isaias apresenta a quem se destinava o templo e fica bem claro que seria para qualquer pessoa independente de sua origem ou classe social. Diz o texto: E aos filhos dos estrangeiros, que se unirem ao Senhor, para o servirem, e para amarem o nome do Senhor, e para serem seus servos, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem a minha aliança” (Isaías 56:6).

            Nos versos seguintes o profeta apresenta o triste destino do templo impingido pelos judeus. Ele se tornou uma propriedade pessoal e de uso exclusivo deles. “E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte” (Isaías 56:11).  De maneira incisiva Jesus colocou essa situação para os judeus de Seus dias: “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando” (Mateus 23:13).

            Jonas foi um exemplo claro do comportamento do povo Judeus. Ele queria a salvação apenas para si. É impressionante como um profeta sectarista como Jonas podia imaginar estar em um Céu feito apenas para ele e seus iguais. Esse era o triste pensamento dos judeus nos dias de Jesus.

            Quão longe viveu o povo Judeu dos sonhos de Deus de salvar toda a humanidade. Quão distantes eles foram dos ideais propostos por Deus na oração de Salomão: “E também ouve ao estrangeiro, que não for do teu povo Israel, quando vier de terras remotas, por amor do teu nome” (1 Reis 8:41). 

Segunda

            A luta de Jesus para que o povo judeu entendesse por completo qual foi o propósito divino em situá-lo em uma condição tão privilegiada e com propósitos tão bem definidos foi imensa. Em nenhum momento ele excluiu esse povo de Seus planos. Mas excetuando casos isolados a resistência foi quase unânime.

Ele mostrou que se outros povos tivessem recebido o mesmo convite, com certeza teriam aceito o plano da salvação. “Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te ergues até ao céu, serás abatida até ao inferno; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje” (Mateus 11:21-23).

 Uma vista rápida desses versículos deixa transparecerem que Jesus não insiste de igual maneira para que todos sejam salvos.  Mas creio que foi um recurso usado pelo Céu para que essas cidades atendessem a chamada de amor.

Depois de mostrar a rebeldia dessas cidades Ele chorou sobre Jerusalém.

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” (Mateus 23:37).

            Esse “ai de ti” pode soar também aos nossos ouvidos caso recusemos viver de maneira digna como verdadeiros filhos de Deus. Esse AI pesará sobre as cabeças de todos aqueles que conhecendo a verdade vivem de maneira relaxada e indiferente aos reclamos de Deus. Será um ai semelhante ao dos judeus que se colocavam na porta do Céu. Eles não entravam e impediam que os estrangeiros entrassem.

 

Terça

            Jesus estava vivendo a sua última semana na Terra. Na sua pomposa entrada em Jerusalém Ele foi efusivamente aplaudido pela multidão. Ellen G. White descreveu aquele momento: “Nunca dantes vira o mundo um cortejo triunfal como esse. Não se assemelhava ao dos famosos conquistadores da Terra. Não fazia parte daquela cena nenhuma comitiva de lamentosos cativos, como troféus da bravura real. Achavam-se em torno do Salvador os gloriosos troféus de Seus serviços de amor pelo homem caído. Estavam os cativos a quem resgatara do poder de Satanás, louvando a Deus por sua libertação. Os cegos a quem restituíra a vista, abriam a marcha. Os mudos cuja língua soltara, entoavam os mais altos hosanas. Saltavam de alegria os coxos por Ele curados, sendo os mais ativos em quebrar os ramos de palmeira e agitá-los diante do Salvador. As viúvas e os órfãos exaltavam o nome de Jesus pelos atos de misericórdia que lhes dispensara. Os leprosos a quem purificara, estendiam na estrada as vestes incontaminadas, ao mesmo tempo que O saudavam como Rei da glória. Aqueles a quem Sua voz despertara do sono da morte, tomavam parte no cortejo. Lázaro, cujo corpo provara a corrupção no sepulcro, mas que então se regozijava na força da varonilidade gloriosa, conduzia o animal que Jesus montava” (O Desejado de Todas as Nações, p. 572).

            Depois de toda essa euforia o Salvador via de perto o que logo lhe aconteceria. Adensavam as sombras do Calvário. Foi nesse contexto que Ele recebeu um pedido especial. Em meio da multidão que afluiu a Jerusalém para a Páscoa estavam ali alguns gregos. Eles vieram de longe com um único propósito. Desejavam conhecer Jesus.

“Ora, havia alguns gregos, entre os que tinham subido a adorar no dia da festa.
Estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus. Filipe foi dizê-lo a André, e então André e Filipe o disseram a Jesus” (
João 12:20-22).

Com certeza esse pedido trouxe alento. Esses gregos não formavam uma grande multidão. Eram apenas “alguns”. Via de regra os gregos se consideravam os homens mais sábios do mundo. Mas com todo o seu saber aquela visita tinha um objetivo especial. Deixando de lado todo o seu conhecimento eles estavam desejosos de se abeberarem da sabedoria de Cristo. Anos depois desse encontro disse Paulo: “Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria” (1 Coríntios 1:22).

Aqueles gregos era um testemunho vivo de que a Sua morte não seria em vão. Com aquele encontro deu para Jesus antever o cumprimento da profecia de Isaías 53:11: “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito...” Para Jesus a Sua maior glória seria a conversão de judeus e estrangeiros. Que momento significativo foi aquele! “E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado” (João 12:20-23).

 

Quarta

            Prevendo a Sua ascensão Jesus disse: “Ainda um pouco de tempo estou convosco, e depois vou para aquele que me enviou. Vós me buscareis, e não me achareis; e onde eu estou, vós não podeis vir” (João 7:33-34). Essas palavras trouxeram dúvidas entre os judeus.  Disseram, pois, os judeus uns para os outros: Para onde irá este, que o não acharemos? Irá porventura para os dispersos entre os gregos, e ensinará os gregos?” (João 7:35).

Para os judeus seria um alívio caso Jesus fosse pregar exclusivamente para os gregos. Eles não entenderam que o Mestre estava convidando pessoas de todas as raças para participar da grande ceia. Vendo que Ele insistia em admoestá-los tomaram uma atitude drástica. Fizeram o maior insulto que um judeu poderia ouvir. “Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Não dizemos nós bem que és samaritano, e que tens demônio?” (João 8:48). Ser chamado de samaritano e ser considerado um endemoninhado seria o fim da picada para um judeu.

Em resposta Jesus contou a parábola do bom samaritano. Ali estava Ele um judeu disposto a fazer o papel do bom samaritano e curar as feridas de toda a humanidade.

 

Quinta

            Jesus não deixa dúvidas. A salvação deve ser oferecida a todos os seres humanos que pisar sobre a Terra. Ao longo dos milênios o IDE está soando pelos quatro cantos do mundo.

            Imagino o espanto que se apossará de alguns judeus no Juízo final quando contemplarem aquela longa mesa rodeada de publicanos, samaritanos, gregos e bárbaros convertidos. O seu espanto não será maior que o nosso quando contemplarmos determinados tipo de gente que hoje nos impõe medo e pavor e que, naquele dia, estarão ao lado de Cristo usufruindo as bênçãos da eternidade.

            O que nos leva a considerar impossível a salvação para muitos é a nossa visão falha da extensão da graça divina. Deus muda o que para nós parece imutável.

            A mensagem de salvação apresentada a Adão lá no Éden atravessou milênios, percorreu vales e montanhas e chegou até nós. Somos a continuidade do poder redentivo de Deus expresso em atos.

            Quando eu era um adolescente ouvi o primeiro quarteto masculino de nossa igreja (quarteto Harmonia) cantar “anunciai nas montanhas proclamai por terra e mar, anunciai nas montanhas que Cristo vai chegar’. A voz dos Três anjos de Apocalipse quatorze está fazendo tremer a Terra. O IDE resume “um dever que Deus nos confiou”.

            Sempre falo para as pessoas que eu tive o privilégio de viver na melhor fase da história da Igreja e desse planeta. Vi a ciência se multiplicar em todos os sentidos. Vi a nossa igreja, naquela época ainda inespressiva, ganhar nome e se expandir pelo mundo. Vi a conversão de alcoólatras, drogados, intemperantes e assassinos que, graças ao poder do evangelho, se transformaram em colunas da Igreja e arautos da verdade.

            Mas a nossa história como igreja ainda não terminou. A promessa bíblica é: “Coisas maiores do que estas verás” (João 1:50).

 

Conclusão

            Mardoqueu diante de um momento de crise para o povo de Deus e, sabendo que só a rainha Ester poderia salvar a sua gente falou-lhe com energia: “quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?” (Ester 4:14). A pergunta de Mardoqueu vem com uma sombra de dúvida: “quem sabe...” No nosso caso essa dúvida não existe. Não é por acaso que hoje chegamos a ser membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Na parte de sexta-feira tem uma frase que me chamou a atenção. Ela encerra um pensamento que todos nós conhecemos desde a nossa conversão. Porém, nunca é demais recordar. Diz: “Deus deu a cada um uma obra para fazer em relação ao Seu reino.” Será que como membros da Igreja que, um dia resgatados do lixo desse mundo, fomos transformados em “ouro fino de Ofir” estamos desempenhando a responsabilidade que temos para com Deus e os homens?

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