Comentário
da Lição da Escola Sabatina de primeiro a oito de novembro de 2014, preparado
por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar
a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga DF.
Introdução
A nota introdutória do estudo da
Lição apresenta uma história triste e chocante. Ela fala de um médico que era
tido como exemplo de cristianismo prático e que foi encontrado morto em seu
apartamento, vítima se overdose. Tratava-se de um membro de igreja atuante,
porém se assemelhava aos sepulcros caiados mencionados por Cristo em São Mateus
23:27.
Tiago não queria ver essa pratica
ser repetida entre os judeus que se converteram a Jesus e aceitaram o
cristianismo como um novo caminho. O rompimento com essas práticas antigas
tinha muito a ver com a nova vida cristã que desabrochava. Tiago esperava da
Igreja que nascia, frutos dignos de arrependimento e, uma vida fantasiosa
estava longe da imagem que ele esperava ver nos novos conversos.
Creio que a mensagem da Lição dessa
semana tem muito a ver com a nossa vida espiritual. Nesse mundo corrupto e
regido pelas aparências existe o perigo de a nossa vida espiritual exterior não
ser um puro reflexo da vida interior. O cristianismo interior deve falar mais
alto e deve ser realmente cristocêntrico.
Isso significa uma fé atuante em todas as facetas de nossa vida, em
todas as situações e circunstancias.
O nosso cristianismo dentro as
igreja não deve ser diferente do praticado em nosso relacionamento no lar, no
trabalho e nem mesmo quando estamos a sós dentro de quatro paredes. Qualquer
descompasso nesse paralelo nos identifica como hipócritas. Tiago não queria ver
a prática das fantasias tão comuns entre os judeus de seu tempo.
Domingo
O estudo de domingo discute o contraste
de uma fé atuante e aborda uma fé morta desprovida de qualquer ação que
qualifique o seu possuidor. Mas se a fé está morta é porque aquele que deveria
detê-la morreu primeiro.
Uma lida rápida de Tiago 2:14 dá a
entender que a salvação é pelas obras, quando ele afirma: “De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se
não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo?” Tiago não está dizendo que as obras
salvam o que ele deixa claro é que se alguém exerce fé isso vai se refletir em
obras. Veja os versos seguintes nos quais ele esclarece que se afirmamos termos
fé, mas ignoramos as necessidades do próximo isso não é fé. A fé se desdobra em
ações em favor dos necessitados.
No verso
dezessete ele esclarece qualquer dúvida. Diz ele: “Assim também a fé, por si
só, se não for acompanhada de obras, está morta.” Não tem como uma pessoa
realmente convertida não produzir frutos dignos de arrependimento. Caso uma
pessoa que se diz convertida permaneça em apatia espiritual, realmente ela está
enganando a si própria.
Realmente as obras não salvam, mas
mostram que fomos salvos. “Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé,
independente da obediência à Lei” (Romanos 3:27,28). Em Efésios 2:8 e 9 Paulo
esclarece porque não somos salvos pelas obras. Diz ele: “Pois vocês são salvos
pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por
obras, para que ninguém se glorie.
Segunda
“Mas
alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem
obras, e eu mostrarei a minha fé pelas obras” (Tiago 2:18). Aqui Tiago chama a
atenção não para as obras da carne e, sim, para as obras da fé. Para ele não
tem como alguém provar a sua fé sem as obras oriundas dessa fé.
Paulo afirma que
antes de praticarmos as obras da fé Deus nos preparou para isso: “Deus preparou
antes” afirma Ele. Sem esse preparo que a graça nos concede somos impedidos de
produzir bons frutos porque o nosso corpo ainda está mergulhado na natureza
carnal. Após a conversão as coisas mudam: “...vocês têm demonstrado: o trabalho
que resulta da fé, o esforço motivado pelo amor e a perseverança proveniente da
esperança em nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 1:3).
Tito nos mostra o segredo para
praticarmos boas obras. Diz ele: “Ele se entregou por
nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo
particularmente seu, dedicado à prática de boas obras” (Tito 2:14). Jesus em
nós é o segredo. Como Cristo em nós? Paulo afirma que é um mistério. “A ele
quis Deus dar a conhecer entre os gentios a gloriosa riqueza deste mistério,
que é Cristo em vocês, a esperança da glória” (Colossenses 1:27).
Terça
Paulo afirma: “Não usamos de engano e nem torcemos a Palavra
se Deus.” É o que mais vemos hoje. A Bíblia é torcida para se adaptar aos
gostos e interesses escusos de muitos pregadores. Não há nenhum interesse em
aprender e apresentar a verdade que emana da Palavra. E o pior de tudo é que
muitos pregadores aliam esse desconhecimento da Palavra a uma avalanche de
milagres como frutos de uma fé operante.
Satanás não apenas sabe que Deus existe como sabe também
ser Ele justo e que um dia eliminará do mundo o pecado e a sua raiz. Diante
dessa verdade tão clara na Bíblia o inimigo treme porque reconhece que os seus
caminhos são de impiedade. Satanás sabe o que é correto, mas não associa esse
conhecimento da prática e, em sua insana tarefa, induz a humanidade a uma vida
de rebeldia contra Deus.
Estamos vivendo tempos difíceis. Na semana em que escrevo
esse comentário o papa Francisco vem a publico externar o seu apoio a diabólica
teoria do Big Bem. Pessoas que em seus cultos enaltecem a Bíblia, ignoram a
página da criação dando lugar a uma teoria blasfêmica e ante Deus. Como pode
ter a Bíblia nas mãos e aceitar uma heresia deste tamanho. Para aceitar essa
teoria é necessária uma fé maior do que a que se exige para aceitar o relato
Bíblico. Essa é realmente uma fé demoníaca.
Os escritores da Bíblia apresentam a necessidade de
conhecermos a verdade que a Bíblia apresenta. “Conhecereis a verdade e a
verdade vos libertará” (São João 8:32). A Bíblia não só nos apresenta a verdade
como nos adverte da necessidade de viver essa verdade no nosso dia a dia. Esse
viver diário, pautando a nossa vida com a verdade bíblica é que vai diferenciar
a fé que praticamos daquela fé aterrorizante exercida pelos demônios.
Quarta
Ao falar de uma fé operante Paulo toma como exemplo a
experiência de Abraão no monte Moriá. E, diga-se de passagem, esse é um relato
que esclarece bem o que são as obras da fé. Caso Abraão não tivesse fé que Deus
poderia ressuscitar Isaque, caso ele fosse ofertado sobre o altar e, com
certeza, Abraão teria recuado. A sua fé o levou a produziu as obras.
Duas coisas levaram Abraão a se
expor ao sacrifício máximo. Primeiro foi seu amor a Deus. Ele era amigo de Deus
e o que um amigo não é capaz de fazer por outro amigo? Esse amor a Deus
desenvolveu a sua fé. Tanto o amor como a fé foram desenvolvidos graças ao
relacionamento. Sem um relacionamento íntimo com Deus o nosso amor a Ele não
desenvolve e a nossa fé não evolui.
A justificação esta centrada na fé. Uma fé que
opera obras dignas de arrependimento. Essa é a fé apresentada por Abraão. Ele
foi justificado pela fé que produziu as obras. A sua fé lhe proporcionou a
força necessária para ir às últimas consequências. “Se de fato Abraão foi
justificado pelas obras, ele tem do que se gloriar, mas não diante de Deus”
(Romanos 4:2).
Quinta
Raabe
era uma mulher que vivia longe dos padrões éticos daquele tempo e de hoje.
Aparentemente ela estaria excluída do convívio da igreja. Provavelmente ela foi
uma das melhores pessoas encontradas por Deus em Jericó.
Raabe conhecia a história do povo de
Israel e mais do que conhecer a história do povo de Israel ela conhecia o Deus
de Israel. Imagino que ela desejava ser uma israelita para desfrutar das
bênçãos outorgadas a esse povo.
Raabe era uma mulher excluída de sua
sociedade e sabia muito bem o que é ser alguém à margem do caminho. Ela sabia
que ser uma israelita era estar sob o guarda chuva de um Deus poderoso que não
faz acepção de pessoas. O seu encontro com os mensageiros de Josué lhe abriu a
esperança de pertencer a esse povo mesmo que fosse por adoção.
Ela aceitou a sugestão de colocar um
fio vermelho em sua casa na certeza de que no afã da guerra ela não seria
esquecida. Isso é a fé que opera. A orientação partiu de um suposto inimigo de
morte, mas ela exerceu fé. Ela creu que em meio ao sonido das trombetas, o desmoronarem
das muralhas e a cortina de poeira provocada pela destruição, o seu nome seria
lembrado por um pequeno pedaço de cordão vermelho que tremulava em meio ao caos
total.
Ela era uma adultera? Sim! Era uma
mentirosa? Sim! Mas apesar de tudo isso foi alguém que desenvolveu uma fé que a
transportou do mar de lama da promiscuidade para a galeria dos heróis da fé e
mais do que isso, foi uma das cinco mulheres mencionadas na genealogia de
Cristo. “Salmom gerou Boaz, cuja mãe foi Raabe; Boaz gerou Obede, cuja mãe foi
Rute; Obede gerou Jessé” (Mateus 1:5) e “Pela fé a prostituta Raabe, por ter
acolhido os espiões, não foi morta com os que haviam sido desobedientes”
(Hebreus 11:31).
Conclusão
A fé que opera é aquela que mesmo
mediante fracassos e quedas se apega aos méritos de Cristo para se levantar e
continuar a caminhada em retidão. Qual teria sido o final da história de
Abraão, Raabe, Davi e tantos heróis da fé caso eles não tivessem exercido inteireza
de fé nos méritos de Cristo? A fé atuante é a fé exercitada, provada e que,
revestida de humildade, se apoia diariamente nos braços de Jesus.
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