terça-feira, 4 de novembro de 2014

Fé atuante

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de primeiro a oito de novembro de 2014, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga DF.

 

Introdução

            A nota introdutória do estudo da Lição apresenta uma história triste e chocante. Ela fala de um médico que era tido como exemplo de cristianismo prático e que foi encontrado morto em seu apartamento, vítima se overdose. Tratava-se de um membro de igreja atuante, porém se assemelhava aos sepulcros caiados mencionados por Cristo em São Mateus 23:27.

            Tiago não queria ver essa pratica ser repetida entre os judeus que se converteram a Jesus e aceitaram o cristianismo como um novo caminho. O rompimento com essas práticas antigas tinha muito a ver com a nova vida cristã que desabrochava. Tiago esperava da Igreja que nascia, frutos dignos de arrependimento e, uma vida fantasiosa estava longe da imagem que ele esperava ver nos novos conversos.

            Creio que a mensagem da Lição dessa semana tem muito a ver com a nossa vida espiritual. Nesse mundo corrupto e regido pelas aparências existe o perigo de a nossa vida espiritual exterior não ser um puro reflexo da vida interior. O cristianismo interior deve falar mais alto e deve ser realmente cristocêntrico.  Isso significa uma fé atuante em todas as facetas de nossa vida, em todas as situações e circunstancias.

            O nosso cristianismo dentro as igreja não deve ser diferente do praticado em nosso relacionamento no lar, no trabalho e nem mesmo quando estamos a sós dentro de quatro paredes. Qualquer descompasso nesse paralelo nos identifica como hipócritas. Tiago não queria ver a prática das fantasias tão comuns entre os judeus de seu tempo.

 

Domingo

            O estudo de domingo discute o contraste de uma fé atuante e aborda uma fé morta desprovida de qualquer ação que qualifique o seu possuidor. Mas se a fé está morta é porque aquele que deveria detê-la morreu primeiro.

            Uma lida rápida de Tiago 2:14 dá a entender que a salvação é pelas obras, quando ele afirma: “De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo?” Tiago não está dizendo que as obras salvam o que ele deixa claro é que se alguém exerce fé isso vai se refletir em obras. Veja os versos seguintes nos quais ele esclarece que se afirmamos termos fé, mas ignoramos as necessidades do próximo isso não é fé. A fé se desdobra em ações em favor dos necessitados.

            No verso dezessete ele esclarece qualquer dúvida. Diz ele: “Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta.” Não tem como uma pessoa realmente convertida não produzir frutos dignos de arrependimento. Caso uma pessoa que se diz convertida permaneça em apatia espiritual, realmente ela está enganando a si própria.

            Realmente as obras não salvam, mas mostram que fomos salvos. “Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à Lei” (Romanos 3:27,28). Em Efésios 2:8 e 9 Paulo esclarece porque não somos salvos pelas obras. Diz ele: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.

 

 

Segunda

            “Mas alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem obras, e eu mostrarei a minha fé pelas obras” (Tiago 2:18). Aqui Tiago chama a atenção não para as obras da carne e, sim, para as obras da fé. Para ele não tem como alguém provar a sua fé sem as obras oriundas dessa fé.

            Paulo afirma que antes de praticarmos as obras da fé Deus nos preparou para isso: “Deus preparou antes” afirma Ele. Sem esse preparo que a graça nos concede somos impedidos de produzir bons frutos porque o nosso corpo ainda está mergulhado na natureza carnal. Após a conversão as coisas mudam: “...vocês têm demonstrado: o trabalho que resulta da fé, o esforço motivado pelo amor e a perseverança proveniente da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 1:3).

            Tito nos mostra o segredo para praticarmos boas obras. Diz ele: “Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras” (Tito 2:14). Jesus em nós é o segredo. Como Cristo em nós? Paulo afirma que é um mistério. “A ele quis Deus dar a conhecer entre os gentios a gloriosa riqueza deste mistério, que é Cristo em vocês, a esperança da glória” (Colossenses 1:27).

 

Terça

Paulo afirma: “Não usamos de engano e nem torcemos a Palavra se Deus.” É o que mais vemos hoje. A Bíblia é torcida para se adaptar aos gostos e interesses escusos de muitos pregadores. Não há nenhum interesse em aprender e apresentar a verdade que emana da Palavra. E o pior de tudo é que muitos pregadores aliam esse desconhecimento da Palavra a uma avalanche de milagres como frutos de uma fé operante.

Satanás não apenas sabe que Deus existe como sabe também ser Ele justo e que um dia eliminará do mundo o pecado e a sua raiz. Diante dessa verdade tão clara na Bíblia o inimigo treme porque reconhece que os seus caminhos são de impiedade. Satanás sabe o que é correto, mas não associa esse conhecimento da prática e, em sua insana tarefa, induz a humanidade a uma vida de rebeldia contra Deus.

Estamos vivendo tempos difíceis. Na semana em que escrevo esse comentário o papa Francisco vem a publico externar o seu apoio a diabólica teoria do Big Bem. Pessoas que em seus cultos enaltecem a Bíblia, ignoram a página da criação dando lugar a uma teoria blasfêmica e ante Deus. Como pode ter a Bíblia nas mãos e aceitar uma heresia deste tamanho. Para aceitar essa teoria é necessária uma fé maior do que a que se exige para aceitar o relato Bíblico. Essa é realmente uma fé demoníaca.

Os escritores da Bíblia apresentam a necessidade de conhecermos a verdade que a Bíblia apresenta. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (São João 8:32). A Bíblia não só nos apresenta a verdade como nos adverte da necessidade de viver essa verdade no nosso dia a dia. Esse viver diário, pautando a nossa vida com a verdade bíblica é que vai diferenciar a fé que praticamos daquela fé aterrorizante exercida pelos demônios.

 

Quarta

            Ao falar de uma fé operante Paulo toma como exemplo a experiência de Abraão no monte Moriá. E, diga-se de passagem, esse é um relato que esclarece bem o que são as obras da fé. Caso Abraão não tivesse fé que Deus poderia ressuscitar Isaque, caso ele fosse ofertado sobre o altar e, com certeza, Abraão teria recuado. A sua fé o levou a produziu as obras.

            Duas coisas levaram Abraão a se expor ao sacrifício máximo. Primeiro foi seu amor a Deus. Ele era amigo de Deus e o que um amigo não é capaz de fazer por outro amigo? Esse amor a Deus desenvolveu a sua fé. Tanto o amor como a fé foram desenvolvidos graças ao relacionamento. Sem um relacionamento íntimo com Deus o nosso amor a Ele não desenvolve e a nossa fé não evolui.

             A justificação esta centrada na fé. Uma fé que opera obras dignas de arrependimento. Essa é a fé apresentada por Abraão. Ele foi justificado pela fé que produziu as obras. A sua fé lhe proporcionou a força necessária para ir às últimas consequências. “Se de fato Abraão foi justificado pelas obras, ele tem do que se gloriar, mas não diante de Deus” (Romanos 4:2).

 

Quinta

            Raabe era uma mulher que vivia longe dos padrões éticos daquele tempo e de hoje. Aparentemente ela estaria excluída do convívio da igreja. Provavelmente ela foi uma das melhores pessoas encontradas por Deus em Jericó.

            Raabe conhecia a história do povo de Israel e mais do que conhecer a história do povo de Israel ela conhecia o Deus de Israel. Imagino que ela desejava ser uma israelita para desfrutar das bênçãos outorgadas a esse povo.

            Raabe era uma mulher excluída de sua sociedade e sabia muito bem o que é ser alguém à margem do caminho. Ela sabia que ser uma israelita era estar sob o guarda chuva de um Deus poderoso que não faz acepção de pessoas. O seu encontro com os mensageiros de Josué lhe abriu a esperança de pertencer a esse povo mesmo que fosse por adoção.

            Ela aceitou a sugestão de colocar um fio vermelho em sua casa na certeza de que no afã da guerra ela não seria esquecida. Isso é a fé que opera. A orientação partiu de um suposto inimigo de morte, mas ela exerceu fé. Ela creu que em meio ao sonido das trombetas, o desmoronarem das muralhas e a cortina de poeira provocada pela destruição, o seu nome seria lembrado por um pequeno pedaço de cordão vermelho que tremulava em meio ao caos total.

            Ela era uma adultera? Sim! Era uma mentirosa? Sim! Mas apesar de tudo isso foi alguém que desenvolveu uma fé que a transportou do mar de lama da promiscuidade para a galeria dos heróis da fé e mais do que isso, foi uma das cinco mulheres mencionadas na genealogia de Cristo. “Salmom gerou Boaz, cuja mãe foi Raabe; Boaz gerou Obede, cuja mãe foi Rute; Obede gerou Jessé” (Mateus 1:5) e “Pela fé a prostituta Raabe, por ter acolhido os espiões, não foi morta com os que haviam sido desobedientes” (Hebreus 11:31).

 

Conclusão

            A fé que opera é aquela que mesmo mediante fracassos e quedas se apega aos méritos de Cristo para se levantar e continuar a caminhada em retidão. Qual teria sido o final da história de Abraão, Raabe, Davi e tantos heróis da fé caso eles não tivessem exercido inteireza de fé nos méritos de Cristo? A fé atuante é a fé exercitada, provada e que, revestida de humildade, se apoia diariamente nos braços de Jesus.

 

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