Comentário
da Lição da Escola Sabatina de oito a quinze de novembro de dois mil e
quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e
autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista
é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.
Introdução
Na maioria das
vezes em que tropeçamos no falar terminamos por atropelar alguém. Quando
tropeçamos e caímos sozinhos ainda vala. O pior é quando tropeçamos no falar e,
ao invés de cairmos terminamos por derrubar pessoas ao nosso redor. Tiago não
poupa a sua língua em nos descascar. Ele é enfático, radical e preciso. Ele
considera perfeito aquele que consegue domar a língua e ai, eu concluo:
pensando em seu conceito estou longe de ser perfeito. Às vezes quero proferir
um punhado de palavras e quando vejo produzi uma grande trovoada. Victor Hugo
já dizia: “As palavras têm a leveza do vento e a força da
tempestade.” Que tal sermos senhores de nossa
língua, para não sermos escravos de nossas palavras. Essa não é uma tarefa fácil.
Dizem
por ai que o peixe morre pela boca, mas o
homem às vezes morre por causa do que ele tem dentro da boca. A língua mata
amizades e expulsa a felicidade.
Os problemas com a língua não são restritos
apenas na nossa maneira de falar, se aplicam também ao que omitimos de falar quando
é necessário falar. Ezequiel apresenta uma mensagem forte. Diz ele: “Quando eu
disser a um ímpio que ele vai morrer e você não o advertir nem lhe falar para
dissuadi-lo dos seus maus caminhos e salvar a vida dele, aquele ímpio morrerá
por sua iniquidade; para mim, porém, você será responsável pela morte dele”
(Ezequiel 3:18). Esse é o grave pecado da omissão.
Outro pecado susceptível, principalmente, às pessoas dotadas de
boa oratória é o da vanglória. É usar o púlpito para a projeção do eu. Conheci
o padre Antônio. Ele era um exímio professor de português. De vez em quando ele
desaparecia da sala de aulas por até trinta dias. Certa vez o encontrei
alcoolizado em uma das praças de nossa cidade. Com voz pastosa ele me disse: “O
meu fracasso foi que me vangloriei de muitas glórias.” E continuou: “Eu sempre
foi um bom orador e era o escolhido para falar em festas de aniversários ou
casamentos. Eu me julgava o cara. Nas festas eu aprendi a beber e, hoje me
retiro para o mato onde permaneço ao relento bebendo por semanas. Tenho
vergonha de beber diante de meus alunos.” Cambaleante ele desapareceu na
escuridão da noite.
Geralmente
o verbo domar é aplicado quando propomos domesticar um animal arredio. E quando
se trata de um animal selvagem, poucas pessoas se atrevem a adestrá-lo. Em
alguns casos é mais difícil domar um animal selvagem do que domar a língua.
Jesus nos deixou uma seria advertência: "Porque pelas tuas palavras serás
justificado, e pelas tuas palavras serás condenado." (Mateus 12:37).
Domingo
Tiago chama a nossa atenção para
a responsabilidade que temos no ensinar. Na tradução católica desse texto a
mensagem é apresentada de maneira mais enfática. Diz o texto: “Meus irmãos, não haja muitos entre vós a se arvorar em
mestres; sabeis que seremos julgados mais severamente” (Tiago
3:1- Versão Católica). Com frequência vemos
alguns irmãos sedentos para usar o púlpito. A expressão “arvorar” dá a ideia de
alguém despreparado e que se oferece para transmitir a mensagem e, sempre que o
fazem, deixam a desejar. Muitos deles não imaginam a responsabilidade que isso
implica.
Têm
outros que se arvoram como pregadores tendo objetivos escusos. Deturpam o texto
bíblico no afã de conseguir o máximo de dinheiro e ajunta de maneira
inescrupulosa grandes fortunas.
O
ensinar não está afeto apenas a quem usa o púlpito. No nosso testemunho diário
estamos sempre transmitindo algum conhecimento que pode ser positivo ou
negativo. A responsabilidade atinge a cada crente em sua esfera de ação.
Um
ponto importante que não pode ser esquecido é o fato de algum pregador que
conhece a mensagem, apresentá-la de maneira superficial no intuito de
simplesmente ser agradável aos seus ouvintes.
Em
qualquer lugar que estejamos e em qualquer situação as nossas palavras devem
sempre ser temperadas com sal. Paulo nos adverte: “O
seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como
responder a cada um” (Colossenses 4:6).
Segunda
“E estas
palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus
filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e
deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão
por frontais entre os teus olhos” (Deuteronômio 6:6-7). Sempre gosto de associar este texto com Provérbios
22:6 onde lemos: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando
envelhecer não se desviará dele.” Esses versos mostram de maneira clara o poder
que as palavras dos pais exercem sobre os filhos. E podemos acrescentar um
adendo: O poder destas palavras terá uma maior magnitude quando pronunciadas
com amor e acompanhadas pelo testemunho.
Jesus
é o nosso exemplo máximo em tudo e não é diferente quando atentamos para a Sua
maneira de falar. Mas um detalhe me chama a atenção. As pessoas se maravilhavam
com as palavras de Jesus não só pela força que elas exerciam em Seus ouvintes,
mas, principalmente, pela origem humilde do Mestre: Ele era filho de um
carpinteiro de pouca cultura. Esse texto nos ensina duas coisas: Primeiro
independente de qual seja a nossa origem as nossas palavras podem ser
poderosas. E em segundo lugar, por mais humildes que tenham sido os pais de
alguém eles podem passar para os seus filhos princípios que vão deixar
extasiadas às pessoas com quem eles se relacionarem no futuro. “Todos falavam
bem dele e estavam admirados com as palavras de graça que saíam de seus lábios.
Mas perguntavam: "Não é este o filho de José?" (Lucas 4:22).
“Se você confessar com a sua boca que Jesus é
Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será
salvo” (Romanos 10:9).
Terça
Costumo
dizer que são os pormenores que tornam as coisas maiores. Esse pensamento é
mais verdade quando se trata de palavras. Um pequeno comentário pode causar um
grande desastre. Enquanto a língua está escondida dentro da boca é uma beleza,
mas quando ela se mostra é que está o perigo. Trabalhei muitos anos cultivando
abacaxis. Quantas vezes, ao capinar a plantação, me deparei com cascavéis
escondidos em meio às moitas de mato prontos para dar o bote.
Na
minha juventude por várias vezes tive que participar de mutirões para apagar
incêndios em nossa propriedade e nas dos vizinhos. As causas eram quase sempre
as mesmas. Alguém decidiu queimar uma pequena porção de lixo no quintal e
inesperadamente o fogo ficou fora de controle. Mas o pior de tudo é que depois
de um exaustivo esforço e quando todos se preparavam para voltar para as suas
casas um foco surgia do nada e recomeçava a agonia de novo. Pequenas fagulhas
eram levadas pelo vento ou mesmo brisa e as chamas se alastravam de novo. Com o
que falamos acontece a mesma coisa. Quando imaginamos que o desastre foi
corrigido, tudo pode recomeçar e os danos são incalculáveis. Tiago dá o alerta:
“Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha” (Tiago 3:5).
Temos de estar vigilantes e prontos para
manter a calma em situações adversas. Os discípulos não esperavam que alguém
fosse capaz de recusar hospedar Jesus por apenas uma noite e a primeira reação
foi de ira. “Que desça fogo do Céu e destrua a todos” bradaram eles. Jesus
mostrou que as coisas não funcionam assim.
Quarta
Tiago
esclarece que o homem consegue dominar todos os animais da Terra. Aliás, essa
foi a ordem de Deus no final da criação: “Então disse Deus: "Façamos
o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os
peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e
sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão” (Gênesis 1:26).
Com autoridade
para sujeitar os grandes animais da Terra o homem tem dificuldade para dominar
um pequeno órgão de seu corpo, a sua própria língua. Tiago afirma que a língua
não domada contamina todo o corpo. Esse contaminar todo o corpo tem muito a ver
com o nosso testemunho. Podemos usar de caridade para com as pessoas, podemos
ser âncoras na igreja, podemos ser exímios dizimistas e exemplares guardadores
do sábado, mas se não conseguimos domar a língua todas as nossas boas ações são
contaminadas e a nossa vida espiritual se dilui.
Tiago parece que
vai ao extremo ao dizer que ninguém consegue domar a língua. Diz ele: “A língua, porém, ninguém consegue domar. É um mal
incontrolável, cheio de veneno mortífero” (Tiago 3:8). O que Tiago apresenta é
de desanimar qualquer cristão. Sabemos que por forças humanas esse domínio é
realmente impossível. Temos que nos apegar a Jesus. Aquele que fez a nossa
língua é o único capaz de nos proporcionar esse domínio. Paulo encontrou a
solução para todas as suas limitações. Disse ele: “Tudo posso naquele que me
fortalece” (Filipenses 4:13).
Quinta
Tiago
apresenta o descompasso de alguém que não consegue dominar a língua. Caso da
mesma boca saia bênçãos e maldições alguma coisa errada está acontecendo. Essa
é uma demonstração clara de que essa pessoa não está ligada à Videira. Quem está ligado à Videira verdadeira só pode
produzir uvas e uvas de primeira qualidade.
O
autor da lição chama a nossa atenção para comportamentos que nos levam a nos
separar de Cristo e consequentemente nos induz a produzir uvas azedas. Muitos
alimentam a alma durante a semana com o baixo palavreado dos meios de
comunicação ou se deixam levar pelo que se ouve nas ruas e no trabalho. Temos
que, com a ajuda de Cristo, nos afastar da poluição linguística dos dias de
hoje.
Voltamos
ao pensamento de Tiago: “Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também
capaz de dominar todo o seu corpo” (Tiago 3:2).
Conclusão
“Devemos contemplar a Jesus como modelo perfeito;
devemos solicitar o auxílio do Espírito Santo, e em Seu poder procurar adestrar
todos os órgãos para um trabalho perfeito” (Parábolas de Jesus, pág.
336).
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