domingo, 18 de março de 2012

O ministério de cada cristão


Comentário da Lição da Escola sabatina de sete a quatorze de abril de 2012. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            O verso áureo da lição desta semana que está em 1 Pedro 2:8 e não 9 como está na lição, é um dos versos mais lindos da Bíblia. Ele apresenta quatro características dos filhos de Deus. O Senhor nos caracteriza assim não pelo que somos ou pelo que merecemos, mas pelo que Ele espera de nós. O céu nos qualifica assim porque tem um objetivo bem definido para com cada um de nós.
            O mundo sempre foi povoado por nações que se destacaram em algum período da história da terra e, hoje, temos nações em torno das quais gravitam o poder e a economia do mundo. Mas nenhuma delas apresenta ou apresentou as características que destacam os filhos de Deus. A Bíblia afirma que não somos um povo qualquer. Somos uma geração eleita. Essa geração eleita está presente no mundo desde Abel até os nossos dias. Ela enfrento períodos difíceis mas, pelo poder de Deus, chegou até nós. 
            Pedro afirma que somos sacerdócio real. Aqui já se destaca não só uma característica mas, também indica que somos responsáveis por uma missão especial. O exercício deste sacerdócio implica em uma responsabilidade que seria impossível exerce-la sem a qualificação seguinte, santidade! Não que sejamos santos, mas tendo a santidade como alvo, pela graça de Deus podemos viver em santidade de vida..
            Como povo exclusivo de Deus não podemos servir a nenhum outro senhor. A exclusividade implica em uma vida separada para um objetivo específico. Alguns trabalhadores ao serem contratados assinam um termo de exclusividade. Ele não exerce nenhuma atividade paralela. É o caso dos pastores da Igreja Adventistas do Sétimo Dia. Em nossa vida diária é fácil perdermos de vista essa exclusividade e passarmos a viver servindo mais a Satanás do que a Deus.
            O exercício do sacerdócio real a que Pedro se refere implica em “anunciar as obras Daquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz”. Em suma Deus nos chamou e nos qualificou para testemunhar ao mundo de Suas maravilhas. E a principal de Suas maravilhas é a salvação de pecadores. Esse é o ministério de cada cristão.
Domingo
            Ao aceitarmos o convite de Deus para fazermos parte deste povo especial Paulo destaca o tríplice propósito de Deus para com cada um de nós. Quando nos propomos a testemunhar o nosso crescimento espiritual é automático. E Deus espera que cresçamos até alcançarmos a “estatura completa de Cristo”. A vida espiritual é uma estrada de duas vias. É necessário consagração para testemunhar e ao testemunhar aprimoramos a nossa consagração.  Esse testemunhar comprometido e exclusivo reflete direto na edificação da igreja. A igreja que é o corpo de Cristo cresce em quantidade e qualidade.
Todos nós somos convidados a testemunhar. Ao nos chamar Jesus já escolheu o lugar onde devemos atuar. Ellen G. White afirma: “Tão certo como nos está preparado um lugar nas mansões celestes, há também um lugar designado aqui na Terra, onde devemos trabalhar para Deus” (Parábolas de Jesus, p. 327). 
            Falando aos coríntianos Paulo afirma que somos embaixadores de Deus. Um embaixador é alguém que, longe do seu país, representa o seu governo em qualquer parte do mundo. Aqui tem dois aspectos a considerar. Primeiro ele vai mostrar um padrão de comportamento compatível com o seu governante. Em segundo lugar ele vai fazer o seu país conhecido, amado e respeitado entre as nações.
Segunda
            “E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mateus 9:3). Gosto de associar este versículo com João 4:36: “Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa. E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna.”
Jesus Se comovia ao ver as multidões sem esperança e sem Deus no mundo. Em João Ele compara essas multidões como uma grande lavoura pronta para a colheita. E Ele acrescenta que os trabalhadores que se empenharem nesta colheita receberão uma recompensa especial. Cada um terá o seu galardão.
Por muitos anos trabalhei com o meu pai no cultivo de abacaxi e arroz. Ele tinha por costume de, além do salário, doar seis sacas de arroz para cada trabalhador que permanecesse trabalhando só para ele desde o plantio até a colheita. Era comovente ver o entusiasmo com que aqueles homens trabalhavam. No final da colheita papai lotava um caminhão de arroz e entregava as seis sacas na casa de cada um deles. A alegria estava estampada no rosto de cada criança ao ver o seu papai receber aquele troféu. Elas sabiam que tinham arroz garantido para o ano inteiro.
 Por seis milênios Deus está empenhado no resgate de cada pecador. Esse trabalho de semeadura e colheita tem passado de geração para geração. Caso não fosse a Sua aparente demora e muitos de nós não faríamos parte deste povo especial. Jesus não teria nos escolhido caso não notasse que seriamos uma bênção para aqueles que estão ao nosso redor. Não podemos decepcioná-Lo. Ele promete que receberemos cem vezes mais nesta vida e no final a vida eterna. Poderá ter algum galardão maior do que esse?
Essa é a promessa para aqueles que se comovem ao ver os campos maduros.
Terça
            Algumas denominações evangélicas consideram que todas as igrejas que pregam a Jesus como Salvador fazem parte do corpo de Cristo. Ellen G. White deixa claro que “Existem verdadeiros cristãos em todas as igrejas, não excetuando a comunhão católica romana, que creem sinceramente ser o domingo o dia de repouso divinamente instituído. Deus aceita a sinceridade de propósito de tais pessoas e sua integridade” (O Grande Conflito, p 449). Não podemos tomar essa declaração de Ellen G. White para apoiar a ideia que todas as igrejas que falam de Cristo fazem parte do corpo de Cristo. O contexto é outro. A Igreja possui uma identidade que deve ser mostrada ao mundo. “Na época atual, a Igreja precisa vestir suas belas vestes - "Cristo, justiça nossa". Há distinções claras e precisas a serem restauradas e expostas ao mundo, exaltando-se acima de tudo os mandamentos de Deus e a fé de Jesus” (A Igreja Remanescente, p 13).
            Outro ponto importante é que como corpo de Cristo a igreja deve ser interligada por uma união que faz cada membro dependente dos demais. Essa união inclui modo de pensar e de agir. Cada membro desempenha o seu papel exercitando os seus dons para promover o crescimento e a unidade da igreja.
Quarta
            Durante o mês de fevereiro estive em um dos estados de nossa federação. Um fato me chamou a atenção. Passamos por muitas pontes improvisadas enquanto ao lado uma estrutura monumental de uma ponte iniciada ah anos estava sendo corroída pela ferrugem. Essa é uma atitude corriqueira no meio político. Uma autoridade gasta milhões na execução de em um projeto e depois, o seu sucessor não dá prosseguimento.
            Paulo notou que essa prática viciosa começava a afetar a Igreja e alertou para o perigo de cada um querer mostrar o seu trabalho isoladamente e mostrou que cada membro da Igreja tem o seu lugar nessa corrida de revezamento. Chegará o dia em que eu passarei o bastão para alguém mais jovem do que eu e ele continuará correndo com os mesmos objetivos que marcaram a trajetória minha e de meus antecessores. O apostolo enfatiza que sem Deus não haverá crescimento.
            Infelizmente se vê muito partidarismo entre irmãos e o eu dominando muitas ações na igreja. Não é assim que o corpo de Cristo é edificado.
            Caso não estejamos impregnados do amor de Deus o nosso trabalho é vão. Deus espera que todas as pessoas sejam alcançadas pelo evangelho e para que isso aconteça Ele dispõe de apenas um recurso: a nossa participação ativa.
Quinta
            A Bíblia enfatiza a importância de relatar o nosso trabalho missionário. Podemos identificar dois modelos de relatório. Um é aquele escrito ou numérico onde são contabilizadas todas as nossas ações ao longo da semana. Este relatório estatístico é de grande importância para a administração da igreja. Ele vai identificar as necessidades da igreja quer seja de nutrimento ou de treinamento.
            O outro relatório está mais identificado de como o trabalho foi realizado e fala dos resultados alcançados. É quando testemunhamos para a igreja como foi o nosso testemunho lá fora.
            Alguns membros se eximem de relatar usando a orientação bíblica de que uma das mãos não deve saber o que a outra fez ou faz. Mas tal postura emperra o crescimento do corpo de Cristo na terra, a Sua Igreja.
Conclusão
            Todos nós fazemos parte deste sacerdócio real. Como sacerdotes de Deus Ele nos conclama: “Para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.” É importante que você ocupe o seu lugar e atue com determinação. Apenas quem atua desfruta da alegria que o trabalho de Deus proporciona. 

quarta-feira, 14 de março de 2012

Definindo evangelismo e testemunho


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 31 de março a 7 de abril de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
Estamos iniciando mais uma série de estudos da Bíblia. Por três meses vamos conhecer mais sobre Evangelismo e Testemunho. As duas palavras não são a mesma coisa, embora apareçam juntas. O testemunho dá uma melhor ênfase em nosso Evangelismo. Quando fazemos Evangelismo testemunhando do amor de Deus por nós as nossas palavras fluem com mais motivação e poder.  Não existe verdadeiro evangelismo caso não tenhamos nada a testemunhar de Jesus. Evangelho quer dizer as boas novas a respeito de Cristo. O testemunho é contar ao mundo o que este Evangelho fez em minha vida. As boas novas de salvação apresentadas pelos quatro evangelistas do Novo testamento devem impregnar o nosso evangelismo.
“É o privilégio de todos dar ao mundo, em sua vida de família, em seus costumes e práticas e ordem, um testemunho do que o evangelho pode fazer pelos que lhe obedecem” (A ciência do Bom Viver, p.196).
A palavra evangelista provém da palavra do grego koiné que significa "boas novas". Assim, os evangelistas são os autores dos evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João.
O Evangelismo, em função de sua complexidade, é a arte de fazer discípulos. O escritor D. T. Niles formulou as seguintes definições de Evangelismo:
“- Evangelismo é a missão suprema da Igreja.
- Evangelismo é fazer a Palavra de Deus chegar ao conhecimento do povo.
- Evangelismo é a Igreja que vai.
- Evangelismo é a Igreja que segue.
- Evangelismo é a Igreja que ataca.”
E alguém completou: “Evangelismo é compartilhar Cristo a toda e qualquer pessoa; através da palavra falada ou escrita.”
            Todos nós temos o privilégio e o dever de testemunhar do amor de Jesus ao mundo. Certa vez escrevi: A nossa vida não é curta e nem longa. É o tempo suficiente que Deus nos concede para darmos um recado ao mundo.
            Que o estudo deste trimestre nos motive a darmos as boas novas de salvação ao mundo testemunhando com alegria do que elas fizeram na vida de cada um de nós.

Domingo
            Entendemos por Evangelismo a pregação do evangelho em massa. Um pastor e equipe anunciam o evangelho para um grande grupo de pessoas. Podemos dizer é a pregação por atacado. Hoje ela é feita pelo rádio, internet, televisão, editoras e por pregadores que atingem, ao mesmo tempo, um grande número de pessoas.
A maior parte de Atos dos Apóstolos conta a história do que o Evangelho fez na vida das pessoas atingidas por ele na época. Temos a história da conversão de Paulo,
das três mil pessoas agregadas ä igrejas por intermédio do sermão de Pedro, a conversão do eunuco entre tantos exemplos. Em suma, Atos dos Apóstolos da testemunho do que os evangelistas fizeram e conseguiram na época da Igreja Primitiva.
            O entusiasmo com que os apóstolos pregavam o evangelho levou a Igreja a um fervor e desprendimento das coisas materiais nunca visto no mundo. “Um era o coração de todos” afirma a Bíblia. Mas este fervor não foi alcançado por acaso. Antes que tudo isso acontecesse os apóstolos se entregaram por completo a Cristo. Diferenças foram reparadas e, então o Espirito Santo os envolveu. E essa é uma necessidade em nossos dias. Diz Ellen G. White: “É-me mandado dizer aos nossos irmãos do ministério: Esteja a mensagem que vos sai dos lábios impregnada do Espírito de Deus. Se já houve tempo em que precisássemos da guia especial do Espírito Santo, esse é agora. Necessitamos de consagração completa. Já é bem tempo de havermos dado ao mundo uma demonstração do poder de Deus em nossa própria vida e ministério” (A Igreja remanescente, p. 79). 
Segunda
Testemunhar é a pregação do evangelho no varejo e vai além de apenas contar para o mundo o que o evangelho tem feito por nós. Testemunhar envolve exemplo de vida. Diz Ellen G. White: “Não importa quão zelosamente seja advogada a verdade, se a vida diária não testemunhar de seu poder santificador, as palavras faladas de nada aproveitarão. Uma conduta incoerente endurece o coração e estreita o espírito do obreiro, colocando também pedras de tropeço no caminho daqueles por quem ele trabalha” (Obreiros Evangélicos, p. 144). O que testemunhamos em palavras deve ser visto em nossa vida diária.
O testemunhar é que realmente agrega as pessoas ä Igreja. Elas podem ouvir comoventes sermões pregados por exímios evangelistas, mas se não houver aquele toque pessoal dificilmente elas se unirão ao nosso convívio. Desde criança ouço dizer: “As palavras convencem, mas os exemplos arrastam.”
Quando, há 65 anos, o saudoso Francisco Miranda começou a dar estudos bíblicos para o meu pai, não foram as suas palavras que levaram Juvenal Francisco Pinto a decisão final. Enquanto a mensagem era apresentada em cada estudo papai, que vivia aos trambolhões com minha mãe, observava que a família Miranda apresentava um relacionamento familiar digno de ser imitado. Foi então que, em conversa com minha mãe, se propuseram a se aproximar mais daquela família.
Ë responsabilidade de cada um de nós mostrar aos nossos amigos, colegas de trabalho e vizinhos uma replica de Atos dos Apóstolos em nossa vida escrito em palavras e literalmente em atos. Seria mais ou menos assim: Atos do apostolo Carmo, Atos do apostolo Antônio e assim por diante.
Terça
            Antioquia hoje Antakva foi uma cidade antiga erguida na margem esquerda do rio Orontes na Turquia. Era a terceira maior cidade do mundo. Antioquia ocupa um importante lugar na história do cristianismo. Foi onde Paulo de Tarso pregou o seu primeiro sermão (numa sinagoga), e foi também onde os seguidores de Jesus foram chamados pela primeira vez de Cristãos (Atos 11:26).
A igreja em Antioquia possuía uma liderança bastante culta e abrigava um grande número de doutores. Entre eles, Paulo e Barnabé. Eram pessoas tão ávidas por testemunharem de Jesus que se tornaram conhecidas como cristãos.
O evangelismo que eles faziam estava fundamentado nas profecias do Velho Testamento que apontavam para Jesus, o Salvador. A mensagem consistia em duas vertentes: Evangelismo, mostrando o Jesus das profecias e Testemunho, contar o que este Jesus fez em suas vidas.
Estabelecida a igreja em Antioquia, o Espirito Santo Se fez presente. Separou Paulo e Barnabé para uma viagem especial: O primeiro porto de escala foi Salamina, na ilha de Chipre, terra natal de Barnabé.  Depois pregaram em Icônio, Listra e Derbe. Na ilha de Pafos, o mágico Barjesus foi seriamente repreendido por Paulo.  Finda assim, a primeira viagem missionária, que durou cerca de dois anos e cujo relato de Lucas, ocupa os capítulos 13 e 14 de Atos.
A Bíblia afirma que muitos sacerdotes foram comovidos pelo testemunho dos conversos e aceitaram o evangelho. A nossa vida espiritual deve ser uma vida de resultados. Caso contrário a nossa pregação se torna ineficaz.
Quarta
A pessoa que influenciou a minha esposa a aceitar a mensagem é uma senhora analfabeta. Ela não tinha como dar estudos bíblicos, mas tinha um grande entusiasmo em contar para as pessoas o que Jesus fez em sua vida.
O testemunho é a melhor arma para levar pessoas a Cristo, mas deve ser usado com muita cautela. Tenho visto pessoas que no passado foram assassinas completamente fora da lei e contam com minucias como praticavam os crimes e o fazem de tal forma que mais alimentam o seu ego do que testificam do amor de Cristo.
Paulo soube dar o seu testemunho. Ele sempre o fez com o risco da própria vida. Nunca se deixou ser dominado pela vangloria barata e traiçoeira. A sua vida, depois de convertido, se tornou uma sequencia de quando escapava do espeto caia em brasas. Mas nada abalava a sua fé.
Todos nós temos a nossa história de conversão, ou pelo menos de como Deus tem Se manifestado em nossa vida. O testemunho envolve contar ao mundo não só como nos convertemos mas, também como tem sido o nosso dia a dia com Jesus.
Conhecendo a mensagem aos cinco anos de idade eu não tenho uma história de conversão mirabolante. Mas a minha vida está marchetada de momentos nos quais a intervenção divina se fez presente de uma forma inesperada e providencial mesmo antes dos cinco anos de idade.
Quinta
“Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:15 - Itálico nosso).
Pedro enfatiza três pontos básicos que devem fazer parte do nosso testemunho. O primeiro é a Santificação. O segundo é o Preparo e o terceiro: Equilíbrio. Com uma vida santificada vamos usar de coerência e discrição. Uma vida santificada oferece o ambiente ideal para a atuação do Espírito Santo em nossa vida. Sem Ele o nosso testemunho é infrutífero. O preparo é importante, pois nos leva a estarem sempre prontos independente de estarmos agendados para testemunhar ou não. O testemunho é algo natural e o seu momento é imprevisível. Ele pode surgir do nada.
            Estar preparado implica também em ter um conhecimento básico da Bíblia capaz de enriquecer e fundamentar o nosso testemunho. O terceiro ponto é manter o equilíbrio emocional em nossos contatos. Esse equilíbrio faz com que eu esteja pronto para falar e também para ouvir. Em dados momentos o silêncio fala e convence mais do que as palavras. Talvez no afã de dar o nosso recado nos falte a paciência necessária para ouvir.
Conclusão
            Quarenta dias antes do Pentecostes os discípulos estavam amedrontados e enclausurados a sete chaves. Temiam que a sorte de Jesus os alcançasse. O momento era de insegurança e muitas incertezas. Até então, o futuro do cristianismo parecia ser a sua extinção mesmo antes que ele se tornasse conhecido. Seguir as orientações de Jesus foi o segredo do sucesso.
            A orientação de Jesus foi que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder. “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lucas 24:49).  Por outro lado eles permaneceram em fervorosa oração e suplicas. ”Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos” (Atos 1:14)
`           Não existe outro meio de recebermos o poder do Espirito Santo para testemunhar a não ser comunhão com Cristo e oração. Ellen G. White descreve a experiência dos discípulos naqueles dias: “Esses dias de preparo foram de profundo exame de coração. Os discípulos sentiram sua necessidade espiritual, e suplicaram do Senhor a santa unção que os devia capacitar para o trabalho de salvar almas. Não suplicaram essas bênçãos apenas para si. Sentiam a responsabilidade que lhes cabia nessa obra de salvação de almas. Compreendiam que o evangelho devia ser proclamado ao mundo, e reclamavam o poder que Cristo prometera” (Atos dos Apóstolos p. 37).
            A conclusão da obra só acontecerá quando estreitarmos o nosso relacionamento com Cristo e humildemente implorarmos o poder do Espirito Santo para testemunhar.

quinta-feira, 8 de março de 2012

A promessa de Sua vinda

Comentário da lição da Escola Sabatina de 24 a 31 de março de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga DF.

Introdução
Em carta enviada de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, aos Cristãos, a apostola Neuza afirmou que nos próximo 6 anos teremos tempos difíceis para os Cristãos, até a volta de Jesus em 2017 ou 2018, quando Cristo inauguraria “seu reinado do milênio”. Tempos difíceis sim! Mas marcar data para a volta de Jesus não tem nenhum embasamento bíblico.
O ano de 1964 gerou uma certa expectativa em alguns membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia quanto a provável vinda de Jesus naquele ano. A afirmação Bíblica de que “... como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem” (Lucas 17:6), provocou um frenesi pois a igreja completava cento e vinte anos de pregação do dia do juízo. O ano terminou e Jesus não veio.
Um outro episódio me despertou a atenção nos idos de 1960. Em Roma, o Concilio Ecumênico Vaticano II discutia a união das igrejas e a observância do domingo como o dia universal de guarda. Na mesma época era eleito nos Estados Unidos da América do Norte John Fitzgerald Kennedy, o primeiro presidente católico daquela nação. Enquanto isso, no Brasil, Alziro Zarur fundava a Legião da Boa Vontade que pregava a união das igrejas com o objetivo de formar um só rebanho e um só pastor.
Na minha opinião o cenário mundial estava montado para que a união das igrejas se concretizasse conforme afirma João no Apocalipse. O concilio terminou, o papa João XXIII faleceu e o seu substituto não se interessou em por em prática o documento firmado na época. John Kennedy morreu em um atentado e o sucessor de Alziro Zarur mudou o discurso.
Aos cinco anos de idade eu conheci a Igreja Adventista e a pregação da volta de Jesus era apresentada com tanta ênfase que eu imaginava que jamais eu alcançaria a juventude. De lá para cá se passaram sessenta e cinco anos e Jesus ainda não veio. Porém, de uma coisa eu tenho certeza: a Sua volta está sessenta e cinco anos mais próxima do que quando conheci a mensagem.
Provavelmente naquela época ainda não estava completo o número de salvos. Quantos milhões aceitaram a mensagem de salvação de lá para cá. Vale a advertência bíblica: “Porque a visão é ainda para o tempo determinado, mas se apressa para o fim, e não enganará; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará” (Abacuque 2:3). Tenho setenta anos mas, para mim, não faz a mínima diferença se estarei vivo ou morto quando Ele vier. O certo é que Ele vem e vivo ou morto  “vê-lo-ei, por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros o contemplarão” (Jó 19:27-28)
Domingo
João afirma: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1:1-3). Jesus participou da criação deste mundo e estará presente na consumação de todas as coisas.
Deus tinha um plano ao criar este mundo mas o pecado abriu um parêntese. Em Seu amor Ele Se propõe a fazer tudo de novo. Em breve a violência, o medo, a dor, a morte e tudo de péssimo terá um fim. Em breve chegará o dia quando um grupo de perseverantes filhos de Deus exclamará: “Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação gozaremos e nos alegraremos” (Isaías 25:9).
Segunda
Já há dois mil anos que Pedro disse com toda a segurança: “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” (2 Pedro 3:13-14) e em todos os tempos existiram pessoas que acreditaram na promessa de Jesus: “virei outra vez” João 14:3). Por essa promessa milhões se ofereceram como olocausto. “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra” (Hebreus 11:13).
A visão “de longe” que os profetas, os apóstolos e os mártires do Evangelho tinham de um mundo melhor está perto de se tornar realidade para eles e para nós. Os sinais da volta de Jesus proclamam em altas vozes “que não haverá mais demora” (Apocalipse 10:6).
Vivemos em um momento solene da história deste mundo. Diz Ellen G. White: “Estamos vivendo no período mais solene da história deste mundo. O destino das imensas multidões da Terra está prestes a decidir-se. Nosso próprio bem-estar futuro, e também a salvação de outras almas, dependem do caminho que ora seguimos” (O desejado de todas as Nações p 601). Não temos tempo a perder.
Terça
Toda a história do mundo desde a queda de Adão até o fim do milênio está circunscrito a volta de Jesus. Por outro lado a volta de Jesus apenas seria possível se Ele consumasse o Seu ministério terrestre com uma vida sem pecado com a sua morte na cruz e a Sua ressurreição. Jesus saiu vitorioso e, no Santuário Celestial, exerce o Seu ministério sacerdotal.
Todos esses acontecimentos perderiam o seu significado caso Jesus não voltasse a esse mundo para levar os Seus resgatados para o Céu. A Sua volta é o acontecimento máximo para esse mundo. Por ser um acontecimento que envolverá toda a humanidade ele será antecedido de sinais específicos que hoje ocupam o seu lugar no cenário mundial.
Na volta de Jesus Ele dará a recompensa de cada um conforme as suas obras. A humanidade será dividida em dois grupos. De um lado os que aceitaram o sacrifício de Jesus na cruz e do outro os que rejeitaram a salvação oferecida.
Já escrevi em outro comentário a história de uma médica com quem trabalhei. Ela dizia que Jesus nasceu, foi um pregador eficiente e morreu numa cruz. Mas dai dizer que Ele ressuscitou e que um dia voltará é estória da carochinha. Mas acreditar ou não em Sua vinda, graças a Deus, em nada alterará o cronograma divino. Ele virá e não tardará.

Quarta
O escritor de Hebreus mostra a principal arma do cristão que espera pela volta de Jesus, a Fé. Jesus fez uma pergunta especial: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8). Jesus não está dizendo que não existirá pessoas de fé mas, elas parecem ser tão poucas que quase não serão notadas. E em Mateus 24:22 o Mestre afirma que se os dias próximos de Sua volta não forem abreviados  ninguém se salvará. Sem fé não há como alimentar essa esperança.
A fé que necessitamos ter nos últimos dias não será obtida com um passo de mágica. Ela deve ser alimentada desde já. É aquela reserva de azeite que só as virgens prudentes terão. “Por se generalizar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. Muitos há que perderam sua fé no advento. Vivem para o mundo, e enquanto dizem no seu coração, como gostariam que fosse, "o meu Senhor tarde virá" (Mat. 24:48)”(Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p 77).
“Onde está a promessa de sua vinda?” É a pergunta que, segundo Pedro, será feita pelos ímpios. Mas pela maneira como muitos pretensos adventistas do sétimo dia vivem parece que eles também estão fazendo a mesma pergunta.
Jesus vem! Essa é a nossa grande esperança. Tenho feito o propósito de em todas as minhas pregações fazer menção da volta de Jesus. “A vinda do Senhor tem sido em todos os séculos a esperança de Seus verdadeiros seguidores. A última promessa do Salvador no Monte das Oliveiras, de que Ele viria outra vez, iluminou o futuro a Seus discípulos, encheu-lhes o coração de alegria e esperança que as tristezas não poderiam apagar nem as provações empanar. Em meio de sofrimento e perseguição, "o aparecimento do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo" foi a "bem-aventurada esperança" (O Grande Conflito, p 302).
Quinta
 Paulo exorta os tessalonicenses a não se desviarem da doutrina e que tivessem cuidado com os falsos pregadores. Ele afirmava que a vinda de Cristo estava próxima mas não aconteceria antes que o vendaval da apostasia soprasse contra a igreja. Manter a esperança deveria ser o proposito de cada um deles.
João notou que havia um clamor por justiça  da parte dos mártires da fé contra aqueles que os martirizaram. Esse clamor foi como se os mártires estivessem falando é apenas para dar ênfase ao fato de que Deus tem um dia para acertar contas com os inimigos da justiça. Existe uma cobrança para que este dia chegue o mais rápido possível. Em resposta receberam vestes branca como sinal de que sua salvação estava garantida e a admoestação de que deveriam esperar um pouco mais. Diante da violência existente no mundo e o quadro de injustiça de nossos dias clamamos “até quando?”
Diante da demora o conselho bíblico é permanecer firme na doutrina, firmar na esperança e vigiar.
Conclusão
Por mais tarde que  Jesus venha, por mais que Ele demore,  Ele virá muito cedo para milhões de  pessoas, mesmo  para alguns membros da igreja. Estejamos alertas!

terça-feira, 6 de março de 2012

Deus como artista

Comentário da lição da lição da Escola Sabatina de 10 a 17 de março de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
Uma das definições de arte diz ser uma criação humana com valores estéticos (beleza, equilíbrio e harmonia) que sintetizam as suas emoções, sua história, seus sentimentos e a sua cultura. É um conjunto de procedimentos utilizados para realizar obras, e no qual aplicamos nossos conhecimentos. Apresenta-se sob variadas formas como: a plástica, a música, a escultura, o cinema, o teatro, a dança, a arquitetura etc. Nessa definição o grande Artista do Universo foi descartado.
A arte rejuvenesce quem a faz e quem a contempla. Aliás, apreciar uma arte já é uma arte. Para alguns, a arte não é um modo de vida. É um jeito bem humano de deixar a vida mais tolerável. Não é o caso de Deus. Ele é artista porque nos ama. Imaginemos viver em um mundo em que existisse apenas uma cor. Onde estaria a beleza das flores e os encantos diversificados de um alvorecer? Faço uma sugestão: Leia as meditações Bichinhos de estimação e Novas a cada manhã nas páginas 310 e 322 de Reavivar a Esperança. Vale a pena conferir.
Na galeria de artes que Deus expõe no Universo tem algo mais atrativo do que o manto de prata que a lua estende sobre os namorados; mais encantador do que as flores banhadas de sereno refletindo a luz do Sol; mais desafiador do que as galáxias marchetando os céus com os seus esplendores e mais tocante do que os patinhos que, pele primeira vez, deslizam maciamente pelas águas cristalinas de um lago. Diz Ellen G. White: “Lembrai-vos de que dia a dia o Artista-Mestre está pintando um quadro de vosso caráter. Vossos pensamentos, palavras e atos, são transferidos para o Seu livro de registros, como os traços do rosto humano são transferidos para a tela do artista” (Educação, p 184). Transformar cada um de nós em um vaso novo é o principal desafio do divino Mestre. Sejamos receptivos ao Seu toque, e que Ele se orgulhe de expor o resultado de nossa vida perante o Universo.

Domingo
Certa vez me propus reformar uma casa. As paredes apresentavam infiltrações que destruíram parte da pintura e do reboco. O trabalho foi ardo-o e não demorou para que bolhas de água surgissem nas mãos. Enquanto eu trabalhava chegou um pintor de paredes profissional e, ao ver-me banhado de suor comentou: “É mais fácil pintar uma grande casa nova do que reformar a pintura de uma casa pequena.” Deus é especialista em fazer de novo não porque Ele faça mal feito; mas, se a obra feita optou por um outro resultado que a deforme e venha apresentar qualquer anormalidade Ele está pronto para refazê-la. É neste momento que um alcoólatra deixa de beber ou alguém que espanca os filhos deixará de fazê-lo. Caso nos coloquemos em Suas mãos Ele está sempre disposto a fazer tudo de novo.

Sim, Deus é especialista em reformar coisas e pessoas. Há seis milênios Ele esta empenhado em fazer de cada ser humano uma nova criatura e, paralelo a esse grande empreendimento, Ele esta empenhado em reformar o nosso mundo e fazer dele um novo céu e uma nova terra.

O homem criado à imagem e semelhança de Deus esta sendo deteriorado pelo pecado. Muitos estão atolados em vícios e com a saúde destruída pelas drogas. Outros se  tornaram egoístas, avarentos, rebeldes e assassinos contumazes. Como é lindo ver  pessoas assim passar pelas mãos do Divino artista e se tornarem em criaturas de bem respeitosas e íntegras. Apenas o poder de Deus é capaz de operar tamanhas maravilhas.
Certa vez visitei uma fábrica de filtros. O proprietário me explicou cada fase do processo de fabricação. Para ele, a parte mais importante era a inspeção do produto depois de pronto. Qualquer defeito, por mínimo que fosse, o filtro era atirado em um monturo ao lado. Tudo isso é lixo? Perguntei. “Aparentemente sim” respondeu ele. “Mas todos eles serão reaproveitados, retornarão para as máquinas, serão triturados e transformados em barro novamente e, então, surgirão novos filtros capazes de armazenar água fresca como a que o senhor esta tomando agora.” Essa é a obra que o Grande artista quer realizar na sua e na minha vida.

Segunda
Creio que Moisés deve ter se assustado ao ver o projeto do santuário. Como construir uma obra tão sofisticada em um deserto e longe de toda a tecnologia? O que o Senhor pedia estava além da capacidade humana.
Mas ai veio o grande milagre. Deus convidou dois artistas que se propuseram aprender de Deus e a ensinar para um grupo de jovens interessados em trabalhar no grande projeto divino. “Depois disse Moisés aos filhos de Israel: Eis que o SENHOR tem chamado por nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá.
E o Espírito de Deus o encheu de sabedoria, entendimento, ciência e em todo o lavor, e para criar invenções, para trabalhar em ouro, e em prata, e em cobre, e em lapidar de pedras para engastar, e em entalhar madeira, e para trabalhar em toda a obra esmerada. Também lhe dispôs o coração para ensinar a outros; a ele e a Aoliabe, o filho de Aisamaque, da tribo de Dã” (Êxodo 35:30-34). Orientados pelo Grande Artista eles fundaram a primeira escola de belas artes do mundo. E que belas artes eles produziram! A Bíblia é clara em afirmar que o Espírito Santo capacitou estes dedicados profissionais.
Deus quer fazer de cada pecador uma nova criatura. É difícil imaginar que alguém deteriorado pelos vícios e que se tornou um grande fora da lei possa ser transformado em nova criatura. Mas esse é o sonho de Deus. E quantas maravilhas Ele já operou! Temos um modelo a atingir. Diz a Bíblia: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos12:2).
Terça                            
Os levitas foram separados por Deus para desempenharem uma funsão específica em Israel. Apenas quem era da tribo de Levi poderia exercer o sacerdocio. Eram eles os responsáveis em montar, desmontar e transportar o Santuário.  Mas associada a essas atividades eram eles que cuidavam da música. Inspirados por Deus eles preparavam o mais exelso louvor ao Deus criador.
Os levitas tinham um tratamento diferenciado. Não receberam herança na terra prometida. Eles não poderiam se envolver com nenhuma outra atividade senão as especificadas por Deus. Depois de Israel ter se fixado na terra prometida o trabalho dos levitas ficou restrito ao sacerdócio, ao ensino e ao louvor.
O louvor faz parte da atimosfera divina. João relata no Apocalipse que no Céu o louvor é dioturno,  Apocalipse 4:8
Jamais o nome de Deus deixará de ser engrandecido e louvado. Caso os seres humanos deixemj de fazê-lo Ele usará de outros meios. “E, quando já chegava perto da descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto, dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no céu, e glória nas alturas. E disseram-lhe de entre a multidão alguns dos fariseus: Mestre, repreende os teus discípulos. E, respondendo ele, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lucas 19:37-40).
Deus  espera que façamos de nossa vida um hino de louvor ao Seu nome. “E os resgatados do Senhor voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido” (Isaías 35:10).

Quarta
É surpriendente como a arte divina permeia as páginas da Bíblia. A inspiração envolveu quarenta homens de diferentes épocas, diferentes lugares e de diferentes culturas em um espaço de tempo de 1500 anos. Em 2 Timóteo 3:16 nos diz que a Bíblia foi "inspirada" por Deus. Deus supervisionou os autores humanos da Bíblia de tal forma que, enquanto cada um usou o seu próprio estilo de escrever e personalidade, eles ainda registraram exatamente o que Deus queria que dissessem. A Bíblia não foi ditada por Deus, mas foi perfeitamente guiada e completamente inspirada por Ele.
 Isaías era um profeta, Esdras era um sacerdote, Mateus um coletor de impostos, João era um pescador, Paulo era um fabricante de tendas, Moisés era um pastor de ovelhas. Apesar de ter sido escrita por autores diferentes durante 15 séculos, a Bíblia não se contradiz e não contém erros. Todos os autores apresentam perspectivas diferentes, mas todos proclamam o mesmo Deus único e verdadeiro, e o mesmo único caminho para salvação – Jesus Cristo (João 14:6; Atos 4:12).
Assim, Deus nos escreveu usando o romantismo e a sabedoria de Salomão, a música de Davi, a franqueza de Pedro, o entusiasmo de Paulo e assim por diante. O resultado está ai. A Bíblia é o livro mais lido do mundo. Ela já foi perseguida e odiada, mas sobreviveu a espada e as chamas.
Nela o pastor, o psicólogo, o professor, o estudante, o cientista, o desesperado, o aflito, o injustiçado e qualquer ser humano que atente para ela encontrará uma fonte de conhecimento, de conforto e de inspiração. Jamais um livro de autoria humana já foi e ainda é tão útil ao ser humano como é a Bíblia. Ela é uma fonte de sabedoria inesgotável. Por mais que a estudemos e por mais que a conheçamos ela se apresenta sempre nova a cada manhã.

Quinta
Deus é especialista em esculpir um caráter integro em pessoas que para muitos de nós era e é um caso perdido. Foi assim que Ele transformou João, o homem semelhante a um trovão em o discípulo do amor. O impetuoso Moisés em o homem mais paciente do mundo, o perseguidor Paulo em perseguido. Foi Deus que em três dias transformou os desnaturados ninivitas em pessoas contritas e submissas aos princípios do Céu.
Deus tem operado maravilhas na vida de milhões de pessoas ao longo da história. Isso é  real, bonito e importante. Mas o que Ele tem operado em minha vida é extraordinário e surpreendente. Paulo, vendo o que Deus é capaz de fazer na vida de cada indivíduo ele pergunta: “que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade” (2 Pedro 3:11).

Conclusão
Deus continua em Seu projeto milenar de restauração do ser humano. “A todos quantos O receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.” O supremo criador é artista, escultor, oleiro e tudo mais com o objetivo de restaurar em cada um de Seus filhos a Sua imagem e semelhança ofuscada pelo pecado. Basta que permitamos e Ele fará maravilhas no meio de nós e em nós.

Histórias de amor


Comentário da lição da Escola Sabatina de 17 a 24 de março de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Em algum momento da minha adolescência pensei em escrever romances de ficção. As estórias de amor se formavam uma após outra em minha mente. Mas textos como esses da irmã Ellen G. White: “Alimentando o amor de mera distração, a leitura de ficção cria um desgosto pelos deveres práticos da vida. Por meio de seu poder estimulante e intoxicador, é freqüente causa de enfermidades mentais e físicas.s” (A Ciência do Bom Viver p. 446) e: “A leitura de ficção e novelas é o maior mal a que podem entregar-se os jovens” (Conselhos Sobre Educação p. 22). Felizmente  mudei  de ideia.
Segundo Aurélio “Ficção é o termo usado para designar uma narrativa imaginária, irreal, ou referir obras (de arte) criadas a partir da imaginação.” As parábolas de Jesus são obras de ficção? No sentido exato da palavra sim. Só com uma diferença: “Parábola, originária do grego parabole, significa narrativa curta ou apólogo. Sua característica é ser protagonizada por seres humanos e possuir sempre uma razão moral que pode ser tanto implicita como explícita. “É a narração figurativa na qual, por meio de comparação, o conjunto dos elementos evoca outras realidades, tanto fantásticas, quando reais.”
As parábolas de Jesus eram histórias geralmente extraídas da vida cotidiana utilizadas para ensinar aos seus discípulos.( Marcos 4, versos 11-12).. Este genêro já era utilizado por muitos dos antigos profetas. As parábolas de Jesus tem sempre uma razão espiritual ou moral. É comum usarmos histórias irreais no púlpito para ilustrar uma realidade bíblica e desde que usadas com critério não há qualquer contra indicação.
O livro de Cantares não deixa de ser uma ficção romantica. Só que ele não foi escrito para aguçar os desejos carnais. Semelhante as parábolas, ele tem uma aplicação espiritual específica. Deus é muito sábio e jamais Ele escreveria histórias romanticas que não fossem para a reedificação do ser humano.
Domingo
Em sua obra “Em algum lugar no Paraíso”, Luis Fernando Veríssimo escreveu: “Adão, sozinho no Paraíso, era um homem feliz porque era um homem sem datas. Mas quando Deus colocou Eva ao lado de Adão, a primeira coisa que ela perguntou, ainda úmida da criação, só para puxar assunto, foi: "Que dia é hoje?" e ele sentiu que sua paz terminara.” A Bíblia contesta as palavras deste renomado escritor ao afirmar: “Não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2:18). (Penso que Veríssimo usou essa linguagem “só para puxar assunto”).
Imaginemos Adão sozinho no paraiso sem ter alguém de sua espécie para se interagir. Conversar com leões, gatos e pássaros tem lá os seus momentos mas pense permanecer assim por toda a eternidade. E pior, não sei, talvez ele não suportasse desempenhar todas  as suas atividades sozinho e já teria morrido de cançasso. Sabiamente Deus tomou a decisão: “far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele” (Gênesis 2:18).
Desde que Deus, ao som de uma marcha nupcial executada pelos anjos, uniu o primeiro casal, o casamento ainda é a cerimônea mais romantica que mais chama a atenção da sociedade. A entrada da noiva na igreja ainda é algo de apoteótico e nostálgico. Flores, música, pompa e sorrisos não podem faltar. Os fotógrafos se acotovelam na busca de um melhor ângolo  para perpetuar o solene momento, enquato os cinegrafistas documentam tudo ao vivo. Deus nos ama e espera que a vida de cada mulher e de cada homem seja marcada  pelo amor Ágape, o único completo porque centraliza os amores Eros, Philos (Philia) e o amor Storg.  Isso porque Deus é completo em tudo que faz , inclusive no amor.

Segunda
“Entre os antediluvianos Adão, Caim, Noé e os três filhos deste, cada um tinha a sua mulher, mas a poligamia já era praticada. Lameque teve duas mulheres (Gn 4.19). A pureza do matrimônio foi-se enfraquecendo pela conduta de homens, que se deixavam governar por baixos motivos na escolha de suas esposas (Gn 6.12). Abraão adotou imprudentemente a poligamia quando julgou necessário ir em socorro de Deus para realizar a sua promessa (Gn 16.4). Isaque teve só uma esposa. Jacó teve duas mulheres como suas concubinas
. Moisés que estava corrigindo abusos, não o fez repentinamente, permitindo aos israelitas, por causa de sua dureza de coração e por se acharam escravizados aos costumes do tempo, divorciarem-se de suas mulheres por qualquer motivo; ele não proibiu a poligamia, mas procurou enfraquecê-la; deu regras aos costumes de seu tempo. Porém, a história do período primitivo mostrou que o estado das cousas entre os israelitas, era contrário às disposições do Criador. Os serviços prestados por Moisés à causa do matrimônio consistiam em estabelecer um ideal mais elevado.  Marcando os graus de consangüinidade e de afinidade dentro dos quais se permitia o casamento, segundo a Lei (Lv 18), pondo freio à poligamia (Lv 18.18; Dt 17,17).  garantiu os direitos das esposas inferiores (Ex 21.2-11; Dt 21.10-17) restringindo o divórcio (Dt 22.19-29; 24.11) e exigiu pureza na vida matrimonial (Ex 20.14,17; Lv 20.10; Dt 22.22).
 A poligamia continuou a ser praticada, em maior ou menor grau, pelos ricos, depois dos tempos de Moisés como o fizeram Gideão (Jz 8.30), Elcana (1Sm 1.2), Saul, Davi (2Sm 5.13), Salomão (1Rs 11.3), Roboão e outros. Os males que a poligamia produziu  desordens domésticas provocadas pelo ciúmes das mulheres de Abraão e das de Elcana (Gn 6.6; 1Sm 1.6),. Foi um contraste com as belezas do casamento entre um homem e uma só esposa, descritas em Sl 128” {Dicionário da Bíblia de John Daves)
A história apresenta , pelo menos, duas razões que influenciaram a poligamia nos tempos Bíblico Veja:
-  As, guerras nos tempos antigos eram muito brutais, com uma taxa de mortalidade de homens muito alta. Isso teria resultado em uma porcentagem maior de mulheres.
-  Na  sociedades patriarcal as mulheres dependiam de seus pais, irmãos e maridos para sua provisão e proteção. Mulheres solteiras eram sujeitas frequentemente à prostituição e escravidão.
-  Devido a importância que se dava a maternidade os filhos de uma escrava eram considerados filhos da patroa.
“Deus não sancionou a poligamia num único exemplo sequer. Ela é contrária a Sua vontade. Ele sabia que a felicidade do homem seria destruída por ela. A paz de Abraão foi grandemente turbada por seu infeliz casamento com Hagar” (História da Redenção, p 76).
Terça
 Êxodo vinte, verso cinco fala do ciúme  de Deus por nós e Gênesis vinte, verso cinco fala do ciúme de um esposo por sua esposa.  Alguns afirmam que o ciúme é filho do amor, outros defendem ser ele filho da ignorância. E tem aqueles que dizem ser o ciúme o tempero do amor (nesse caso alguns usam apenas pimenta). A Bíblia é clara: Deus tem ciúmes de nós porque nos ama. 
Dificilmente vamos encontrar alguém  que não viveu um amor não correspondido. Quantos gostam de alguém mas este alguém está olhando para outras direções. Quando isso acontece com solteiros é mais fácil de resolver,  mas  quando se trata de pessoa casada a coisa é bem mais complicada. O amor de Deus pelo homem é incomensurável mas muitos não estão nem ai.
 É considerada uma situação ridícula  quando um homem vai atrás de sua esposa que o abandonou e vive com outro homem. Mas é exatamente isso que Deus está fazendo durante seis mil anos. 
Quarta
De acordo com o primeiro versículo, Salomão escreveu o Livro de Cantares de Salomão. Este cântico é um dos 1.005 que Salomão escreveu (1 Reis 4:32). Um dos títulos deste livro, "Cântico dos Cânticos", é um superlativo, ou seja, serve para indicar que este é o melhor. Salomão provavelmente escreveu esse cântico durante a primeira parte de seu reinado. Isso colocaria a data de composição por volta de 965 AC.

O Livro de Cantares de Salomão é um poema lírico escrito para exaltar as virtudes do amor entre um marido e sua esposa. O poema claramente apresenta o casamento como um plano de Deus. Um homem e uma mulher devem viver juntos dentro do contexto do casamento, amando um ao outro espiritualmente, emocionalmente e fisicamente.

Este livro combate dois extremos: o ascetismo (a negação de todo o prazer) e hedonismo (busca do prazer somente). O casamento exemplificado em Cantares de Salomão é um modelo de atenção, empenho e prazer.
No passado e mesmo agora existem igrejas que não recomendam a leitura de Cantares de Salomão para os jovens. Veja o que escreveu Ellen G White sobre Cantares há mais de cem anos: “Felizes serão os filhos de nossos lares e estudantes de nossas escolas quando pais e professores aprenderem em sua própria vida a preciosa experiência descrita nestas palavras dos Cantares de Salomão” (Educação, p. 261).
Quinta
Deus concluiu a criação com uma cerimônia de casamento, O Mestre iniciou o Seu ministério em uma cerimônia de casamento. E no final da história deste mundo teremos o casamento de Cristo, o noivo com a Sua noiva, a Igreja.
Jesus continua transformando a vida de muitos casais que optaram por convidá-Lo para estar presente em seu casamento, Ele continua operando milagres  na vida das pessoas que o recebem em seus lares. Ele é o Único que pode  revitalizar um casamento a tal ponto de chamar a atenção dos “mestres salas” de hoje.
Conclusão
A Bíblia afirma que Deus é amor. Ele ama e gosta de ser amado. E o Seu conselho é: “amai-vos uns aos outros”.
O jardim do Éden sem a presença de Eva não seria jardim. Ao criá-la  Deus  fez surgir a mais bela flor que a concepção divina foi capaz de criar. E, carinhosamente, o Senhor a plantou, não no jardim, mas no coração do homem. Sejamos gratos por isso!